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O papel do cirurgião dentista da atenção primária à saúde na abordagem da sífilis e sífilis congênita: Diagnóstico, tratamento e controle

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CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO

SILVA, Weslley Pereira da [1], SILVA, Natan Costa [2]

SILVA, Weslley Pereira da. SILVA, Natan Costa. O papel do cirurgião dentista da atenção primária à saúde na abordagem da sífilis e sífilis congênita: Diagnóstico, tratamento e controle. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 12, Vol. 03, pp. 30-44. Dezembro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/odontologia/cirurgiao-dentista, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/odontologia/cirurgiao-dentista

RESUMO

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema Pallidum. Além da transmissão via contato sexual, existe a infecção via horizontal da mãe infectada para o bebê durante a gestação sendo denominada sífilis congênita. O cirurgião dentista que atua na Atenção Primária à Saúde poderá ter um papel essencial durante o manejo dessa infecção, que mesmo tendo um tratamento acessível, eficaz e de baixo custo, é, ainda, considerado um problema de saúde pública. A abordagem minuciosa e integral do Cirurgião dentista diante de pacientes com lesões sifilíticas pode ser decisiva, uma vez que o tratamento é baseado no estágio da infecção pela qual se classifica em três fases: a primária, a secundária e a terciária. O presente estudo visa compreender como o cirurgião dentista pode contribuir durante o diagnóstico, tratamento e controle da sífilis e sífilis congênita no Sistema único de Saúde. Trata-se de uma pesquisa descritiva secundária baseada em achados da literatura dos últimos 25 anos. O levantamento bibliográfico foi realizado através de livros, portarias, artigos científicos, boletim epidemiológico e diretrizes. A partir da presença de lesões sifilíticas na cavidade oral e pelo corpo, o cirurgião dentista poderá diagnosticar e tratar o paciente. Após o diagnóstico, o cirurgião dentista poderá elaborar o tratamento de acordo com o estágio da infecção com uso do antibiótico adequado e por fim, contribuir no controle da infecção por meio da notificação compulsória, além de colaborar na prevenção em campanhas de promoção de saúde. É necessário ressaltar que é importante a elaboração de estratégias para incluir o cirurgião dentista no acompanhamento com o paciente sifilítico.

Palavras-chave: Sífilis, Sífilis congênita, Manifestação bucal, Atenção primária à saúde, Infecções sexualmente transmissíveis.

1. INTRODUÇÃO

Em 2021, a incidência da Sífilis Adquirida (SA) chegou aos 167 mil casos no Brasil, correspondendo a cerca de 78,5 casos para cada 100 mil indivíduos. (Brasil, 2022a). Em relação aos casos de Sífilis Congênita (SC) o crescente aumento vem despertando uma preocupação nos órgãos de saúde pública. Segundo o boletim epidemiológico sobre a sífilis divulgado pelo ministério da saúde, cerca de 27.019 casos foram identificados (Viana, 2023).

Diante disso, qual seria o papel do cirurgião dentista da Atenção Primária à Saúde (APS) no que se refere ao diagnóstico, tratamento e controle da sífilis que, mesmo tendo um tratamento eficaz e de baixo custo, continua sendo um problema de saúde pública?

A Política Nacional de Saúde Bucal – Brasil Sorridente (PNSB-BS) foi implementada em 2004 com o intuito de organizar as linhas de cuidado e ampliar o acesso aos serviços em saúde bucal ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo um acesso universal, integral, equânime e com forte participação do controle social (Brasil, 2024).

Durante anos o cirurgião dentista atuava de maneira odontocêntrica, ou seja, uma abordagem voltada apenas para os problemas bucais. Esse cenário começa a se moldar a partir da inclusão do cirurgião dentista na atenção primária à saúde que começa a atuar de forma incorporada e contínua no sistema único de Saúde baseado na promoção, proteção e recuperação da saúde. Dessa forma, amplia-se a maneira de atuação do cirurgião dentista para além do consultório, sendo essencial nas áreas da vigilância, setores intersetoriais para ações em saúde bucal além da participação na formulação de políticas públicas (Denise et al. 2004).

Inseridos em todos os níveis da atenção à saúde, mas em especial, na atenção primária, o cirurgião dentista tem um papel fundamental durante a consulta odontológica e no pré-natal odontológico no que se refere a detecção de lesões com manifestações orais que podem levar a diagnósticos de doenças ou infecções graves. E dentre diversas doenças ou infecções que se manifestam na cavidade oral, temos a sífilis e sífilis congênita.

A infecção por sífilis adquirida tem o contato sexual como forma de transmissão. Ocorre apenas nos seres humanos e possui a bactéria treponema pallidum como seu agente etiológico. Pode se apresentar de forma crônica e se classifica em três estágios: sífilis primária, sífilis secundária e sífilis terciaria (Neville, 2009). A forma mais prevalente de contaminação da infecção é a transmissão horizontal, através do contato direto com a bactéria por meio de relação sexual desprotegida. E a transmissibilidade é maior nos estágios da sífilis primária e secundária (Avelleira, 2006).

A transmissão vertical, passada durante o período gestacional, em que através do cordão placentário, a mãe infectada transmite para o bebê, sendo denominada de sífilis congênita (Avelleira, 2006). A sífilis, quando adquirida, pode acometer todos os órgãos do sistema, e mesmo tendo tratamento de baixo custo e eficaz, ainda segue sendo um problema de saúde pública (Avelleira, 2006).

Assim, em 2021, o Plano Nacional para Garantir o Pré-natal Odontológico no Sistema Único de Saúde (SUS) foi estabelecido. Com o intuito de coordenar e executar um conjunto de ações destinadas a garantir que todas as mulheres grávidas recebam assistência pré-natal e que sejam devidamente orientadas e encaminhadas para receber o atendimento odontológico essencial.

Durante o período gestacional, segundo o Ministério da Saúde, é preconizado pelo menos uma consulta da gestante ao cirurgião dentista das unidades de saúde da família (Brasil, 2022c). Durante o pré-natal odontológico a paciente é examinada podendo o cirurgião dentista identificar alguma alteração na boca que possa diagnosticar a sífilis na mãe.

Assim sendo, o cirurgião dentista poderá ser um ator primordial na redução dos casos de sífilis no Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da detecção precoce, do tratamento adequado, da orientação sobre prevenção e da participação em campanhas de conscientização. É importante reconhecer a importância dessa figura no cuidado integral à saúde dos pacientes.

2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O presente trabalho trata-se de uma pesquisa descritiva secundária. Refere-se a um estudo que propõe descrever algo e para isso são realizadas análises de artigos científicos publicados por autores que dialogam com o tema proposto.

3. DESENVOLVIMENTO

3.1 O CIRURGIÃO DENTISTA COMO PARTE INTEGRANTE DAS EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA

Durante muitos anos, o cirurgião dentista tinha uma abordagem baseada apenas na visão odontocêntrica e, todavia, não tinha uma atuação de forma integral, além da ausência na participação na formulação das políticas públicas de saúde. Em 2004, o Ministério da Saúde (MS) implementou a Política Nacional de Saúde Bucal – Brasil Sorridente (PNSB-BS), reformulando uma nova abordagem de atuação do cirurgião dentista. Esta política surgiu como um marco no que tange as políticas públicas em saúde bucal, coordenando e orientando os profissionais, além da ampliação dos serviços em saúde bucal ofertados pelo SUS, pautados na promoção, proteção e recuperação da saúde (Brasil, 2024).

Cabe pontuar que a presença do cirurgião dentista nas equipes de saúde da família pode ser um fator decisivo na identificação de agravos sistêmicos com manifestações que iniciam na região bucal. O profissional de saúde bucal está em uma posição de referência em relação as manifestações de lesões orais que podem levar a diagnósticos diversos, dentre os quais temos a sífilis. É, portanto, essencial que o profissional esteja atento aos sinais e capacitado para lidar com esse tipo de infecção.

A presença do cirurgião dentista na composição da equipe de saúde da família se configura como essencial para integralidade do cuidado na saúde do paciente, podendo ter participação ativa na tomada de decisões em casos que concerne a sua área de atuação dentro da equipe, ou para contribuir na resolução de casos pautado na troca de saberes profissionais.

Incorporados nas equipes de saúde da família desde 2001, na estratégia de saúde da família, o cirurgião dentista tem um papel importante na atenção primaria à saúde ocupando um espaço essencial na principal porta de acesso aos serviços de saúde, pois é por meio da consulta odontológica que se permite o diagnóstico de doenças ou infecções que se manifestam na cavidade oral.

3.2 A SÍFILIS E O CIRURGIÃO DENTISTA NO CONTEXTO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

É comum compreender que, ao se tratar de cirurgião dentista, logo associar ao profissional que cuida apenas de dente. Essa concepção, perpetuada por muitos anos, ficou intrínseca no pensamento do coletivo comum e até mesmo entre profissionais da área. Sabemos, portanto, que a odontologia vai além do tratamento dos dentes, ou seja, envolve não apenas o dente, mas uma série de manifestações em toda cavidade bucal. À exemplo, a presença de lesões orais que pode configurar algum tipo de doença ou infecções.

Dentre diversas doenças e infecções que o cirurgião dentista consegue identificar através de lesões na boca, temos a sífilis e sífilis congênita (Teixeira, 2018). A sífilis é uma infecção que pode apresentar lesões na cavidade bucal em todas as suas fases. O paciente que procura atendimento na atenção primária pode ter seu primeiro contato com o profissional de saúde bucal, que por meio da consulta, pode diagnosticar ou não o paciente com suspeita da infecção por meio das lesões apresentadas.

Para isso, o cirurgião dentista da atenção primária à saúde precisa estar capacitado para se deparar diante de pacientes que apresentam lesões sifilíticas. Uma anamnese minuciosa deve ser realizada olhando o paciente não só no sítio bucal, mas olhar ele em toda sua integralidade, observando não apenas lesões orais, mas manchas pelo corpo, nas palmas das mãos ou sola dos pés, vida sexual pregressa e outros tipos de comportamentos que considere necessário.

É essencial que o cirurgião dentista se atenha na integralidade do cuidado, ordenando e coordenando o paciente aos outros serviços na rede de saúde se houver necessidade e conduzir o atendimento pautado na humanização, acolhimento, integralidade e desmitificando a sífilis.

3.3 ETIOLOGIA

A sífilis tem como origem a bactéria espiroqueta Treponema Pallidium. Devido a bactéria ser altamente contagiosa, podemos citar suas formas de transmissão que podem ser pelo contato por meio de contusões na pele, boca, ânus e olhos. O T. Pallidium é uma espiroqueta gram-negativa, sua forma é espiralada com alta capacidade de movimento por meio de filamentos segmentados chamados de flagelos (Siqueira, 2012).

O patógeno da sífilis é vulnerável a variação de temperatura e não resiste por muito tempo em ambientes fora do corpo humano. Além disso, mostra considerável resistência a certos tipos de antibióticos e de terapias antimicrobianas. Sua forma é espiral com cerca de 10 a 20 voltas, podendo medir 5 a 20 um de comprimento e apenas 0,1 ou 0,2um de extensão. Sendo assim um patógeno não cultivável em meios artificiais sendo específico do corpo humano (Avelleira, 2006).

3.4 SÍFILIS PRIMÁRIA

A sífilis primária é a primeira fase da infecção, que ocorre aproximadamente três semanas após a infecção inicial pela bactéria Treponema Pallidum. Nesta fase, a bactéria começa a se multiplicar no local de entrada, geralmente nos genitais, mas também pode ocorrer em outras áreas como a boca, ânus ou mãos, formando uma ferida ou lesão chamada de cancro (Neville, 2009) (Avelleira, 2006).

O cancro é geralmente indolor e pode ser confundido com outras lesões, como úlceras de herpes, mas é caracterizado por bordas elevadas, bordas avermelhadas e fundo limpo. O cancro pode desaparecer por conta própria em algumas semanas, mesmo sem tratamento, mas isso não significa que a infecção tenha sido curada, pois a bactéria continua a se multiplicar no corpo (Neville, 2009).

Se não tratada, a sífilis primária pode evoluir para a sífilis secundária, uma fase mais avançada da infecção que pode apresentar uma variedade de sintomas, incluindo erupções cutâneas, febre, dor de cabeça, dor muscular e fadiga. Por isso, é essencial que a sífilis seja diagnosticada e tratada o mais cedo possível, preferencialmente durante a fase primária da doença (Avelleira, 2006).

3.5 SÍFILIS SECUNDÁRIA

A sífilis secundária é a segunda fase da infecção e ocorre algumas semanas a meses após a fase primária. Nesta fase, a bactéria Treponema Pallidum se espalha pelo corpo e pode afetar vários órgãos e sistemas, incluindo a pele, as mucosas, o sistema nervoso, o coração e os ossos (Neville, 2009).

Os sintomas da sífilis secundária podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem erupções cutâneas vermelhas na pele, lesões na boca e nos órgãos genitais, febre, dor de cabeça, dor muscular e fadiga (Neville, 2009). Esses sintomas podem desaparecer por conta própria em algumas semanas ou meses, mas isso não significa que a infecção tenha sido curada, pois a bactéria continua a se multiplicar no corpo (Neville, 2009).

Se não tratada, a sífilis secundária pode evoluir para a fase tardia da infecção que pode levar a complicações graves, como danos ao cérebro, aos nervos, aos olhos e aos ossos (Avelleira, 2006).

3.6 SÍFILIS TERCIÁRIA

A sífilis terciária é a fase mais avançada da infecção, que pode ocorrer após anos ou até décadas da infecção inicial pela bactéria Treponema Pallidum. Nesta fase, a bactéria pode ter afetado vários órgãos e sistemas do corpo e pode levar a complicações graves e potencialmente fatais (Avelleira, 2006) (Neville, 2009).

Os sintomas da sífilis terciária são variáveis e podem incluir lesões cutâneas, problemas cardíacos, neurológicos e oculares, além de aneurismas (dilatações) nas artérias (Avelleira, 2006). Pode ocorrer lesões grandes e dolorosas chamadas gomas, que se desenvolvem na pele, ossos e órgãos internos.

Nesta fase da sífilis, é necessário realizar exames de sangue para confirmar o diagnóstico através da presença de anticorpos contra o patógeno da infecção, a bactéria treponema pallidum. Além do exame de sangue, outros testes complementares podem ser realizados como exames de imagem e biópsias (Brasil, 2022b) (Neville, 2009).

3.7 SÍFILIS CONGÊNITA

A sífilis congênita é uma infecção transmitida da mãe portadora da infecção para o bebê durante a gestação ou no momento do parto. A bactéria causadora da sífilis, Treponema palidium, atinge o feto em desenvolvimento após atravessar a placenta causando assim diversos agravos (Siqueira, 2012). A infecção nesse estágio pode causar aborto e morte fetal em cerca de 40% das ocorrências em crianças já infectadas pela sífilis (Avelleira, 2006).

Os sinais clínicos da sífilis congênita são variados, podendo apresentar lesões na pele, febre alta, redução de hemoglobina (anemia), aumento do fígado (hepatomegalia) e do baço (esplenomegalia), má formação óssea dos dentes, além de danos neurológicos graves. As sequelas podem ser permanentes, comprometendo o desenvolvimento físico e mental da criança (Brasil, 2022b).

A detecção da sífilis congênita pode ser feita por meio de exames laboratoriais na gestante durante o pré-natal, bem como no recém-nascido após o parto (Brasil, 2022b). O tratamento deve ser feito o mais rápido possível, normalmente usa-se penicilina, para amenizar os riscos agravos proveniente da infecção.

4. MANIFESTAÇÕES BUCAIS

A sífilis pode manifestar lesões na cavidade bucal em todos os seus estágios. Na sífilis primária, o surgimento do cancro duro é característico nesta fase. O cancro duro refere-se a uma lesão indolor e geralmente se apresenta de forma única. Pode aparecer na região lingual, no palato mole e duro, nas mucosas, nos lábios e até mesmo nas amígdalas. A ferida geralmente pode desaparecer logo após algumas semanas mesmo sem tratamento, mas o patógeno continua no organismo do hospedeiro (Neville, 2009) (Teixeira, 2018).

Na sífilis secundária, as feridas na boca se apresentam como placas brancas e esbranquiçadas, podendo removidas durante um procedimento, mas deixando a área avermelhada e com sangramento. Essas lesões são mais frequentes na língua, palato e mucosa. É muito comum durante a sífilis secundária surgirem casos como a gengivite (Neville, 2009) (Teixeira,2018).

A sífilis terciaria é a mais complexa, podendo envolver complicações em diversos órgãos além da cavidade bucal. A lesão bucal característica nesta fase é a goma sifilítica. Esta ferida tem forma nodular e indolor e se apresenta em diversas áreas da boca: língua, gengiva, palatos e outras áreas. A goma sifilítica pode causar a perda tecidual ou deformidade na região (Neville,2009) (Teixeira, 2018).

Em casos de sífilis congênita, pode acontecer alterações durante a formação do bebê no útero. Neste período, a bactéria treponema pallidum age acarretando a má formação dentaria, ocasionando sinais de Hutchinson, que são alterações dentárias nos incisivos centrais permanentes deixando-os com as bordas em forma de pá, barril ou chave de fenda deformando a coroa (Teixeira, 2018).

5. DIAGNÓSTICO DA SÍFILIS: A IMPORTÂNCIA DA VIGILÂNCIA CLÍNICA DO CIRURGIÃO DENTISTA NO SUS

É crucial que o cirurgião dentista tenha capacidade e habilidade para diagnosticar o indivíduo infectado, isso envolve conhecimento de sinais e sintomas além da ciência dos tipos de testes ofertados na Atenção Primária à Saúde e suas indicações. A troca de saberes profissionais dentro das equipes de saúde é crucial, o compartilhamento de casos com outros profissionais da equipe se torna essencial para tomada de decisões e conclusões diagnósticas.

Em casos de o resultado do teste constar falso-positivo, o cirurgião dentista poderá solicitar a realização do Fluorescent Treponemal Antibody Absorption Test (FTA-ABS) que se configura como um teste para confirmar resultados positivos do VDRL, sendo um teste específico para detectar anticorpos do treponema pallidum (Brasil, 2022b).

O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento eficaz da sífilis e para evitar as complicações a longo prazo. A partir do momento em que o paciente busca por uma consulta odontológica na Atenção Primária à Saúde e é diagnosticado com sífilis, o cirurgião dentista poderá obter um diagnóstico após detectar lesões sifilíticas bem como compartilhar com outros profissionais da equipe, como o médico e o enfermeiro, para uma abordagem integral sobre o diagnóstico e qual será a conduta adequada.

O suporte do Núcleo de Apoio de Saúde da Família (NASF) poderá ser importante durante o diagnóstico de IST’s. O compartilhamento do caso com profissionais especialistas do NASF, como o psicólogo e o assistente social, coordenado pelo dentista da equipe de referência, se torna fundamental para o cuidado singular e integral em casos de diagnósticos para IST’s.

6. ATENÇÃO ODONTOLÓGICA NA CONDUÇÃO SÍFILIS: TRATAMENTO E CONTROLE, CONTRIBUIÇÃO DO CIRURGIÃO DENTISTA

Ao ser constatado casos de pacientes com sífilis em uma equipe de saúde da família, o planejamento sobre o tratamento adequado pode ser construído por meio dos saberes profissionais de todos que compõem a equipe. O cirurgião dentista detém de autoria e competência para prescrever os medicamentos para o tratamento da infecção, além de contribuir de forma direta no acompanhamento longitudinal do paciente.

Na sífilis primária, o tratamento consiste na administração da penicilina benzatina 1.200.000 UI/IM, sendo uma aplicação em cada glúteo, dose única. Nos casos da sífilis secundária, será administrado penicilina benzatina 4.800.000 UI/IM, sendo em duas doses semanais de 2.400.000 UI/IM. Para os casos de sífilis terciária, penicilina benzatina 7.200.000 UI/IM, em três doses semanais (Avelleira, 2006).

O tratamento para os casos de sífilis congênita será de acordo com a fase da infecção e mediante algumas características ou sintomas apresentados durante a gestação, mas o esquema de tratamento é realizado através da penicilina cristalina, penicilina benzatina e penicilina procaína (Avelleira, 2006).

O controle da sífilis e sífilis congênita é um desafio para o sistema de saúde pública. O cirurgião dentista da atenção primária à saúde pode contribuir para esse controle por meio da notificação dos casos às autoridades sanitárias competentes e do engajamento em campanhas de conscientização sobre a prevenção e o tratamento da doença. A notificação dos casos é fundamental para o monitoramento da incidência da infecção e para o planejamento de ações de controle.

Cabe ressaltar que, por mais que o cirurgião dentista tenha autonomia e capacidade para tratar pacientes com sífilis, é sempre bom que o caso também seja acompanhado por um profissional médico por se tratar de uma infecção que causa sinais e sintomas em diversas partes do corpo, ressaltando a importância do trabalho Multiprofissional.

7. DISCUSSÃO

O dentista pode desempenhar um papel importante no diagnóstico precoce da sífilis, especialmente em casos de sífilis oral. As lesões orais sifilíticas são incomuns, mas podem acontecer em qualquer estágio. O exame bucal realizado pelo dentista pode identificar lesões suspeitas na boca, como úlceras ou manchas, que podem ser indicativas da presença da infecção.

Avelleira (2006), relata que o objetivo do controle da sífilis é a interrupção da cadeia de transmissão e a prevenção de novos casos. Evitar a transmissão da doença consiste na detecção e no tratamento precoce e adequado do paciente e do parceiro, ou parceiros.

Além disso, o dentista pode ser o primeiro profissional de saúde a ter contato com o paciente e, portanto, pode identificar sinais e sintomas da infecção que o paciente possa ter ignorado ou não percebido. Isso é especialmente importante porque a sífilis pode se apresentar de forma assintomática ou com sintomas leves em seus estágios iniciais (Teixeira, 2018).

Ao identificar sinais suspeitos de sífilis oral, o dentista pode encaminhar o paciente para exames laboratoriais, que podem confirmar o diagnóstico. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento eficaz da doença, evitando complicações mais graves e a disseminação da infecção para outras pessoas (Teixeira, 2018).

Por isso, é importante que os dentistas estejam atentos aos sinais de sífilis oral e que incluam uma avaliação minuciosa da cavidade oral em suas rotinas de exame clínico. Além disso, é fundamental que os dentistas estejam atualizados sobre a sífilis e seus métodos de diagnóstico e tratamento (Teixeira, 2018).

Em resumo, o cirurgião dentista pode desempenhar um papel fundamental na redução dos casos de sífilis no Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da detecção precoce, do tratamento adequado, da orientação sobre prevenção e da participação em campanhas de conscientização. É importante que todos os profissionais de saúde estejam engajados nesse objetivo para garantir a saúde e o bem-estar da população.

8. CONCLUSÃO

Dessa forma, o presente estudo demonstra como pode ser crucial o papel do cirurgião dentista da atenção primária à saúde durante o diagnóstico da sífilis e sífilis congênita. A solicitação de exames clínicos e laboratoriais, a prescrição do medicamento adequado e o acompanhamento longitudinal do paciente são condutas que podem ser tomadas pelo cirurgião dentista nos casos de pacientes sifilíticos.

Além disso, o profissional poderá contribuir significativamente realizando ações em saúde bucal voltada para orientações sobre prevenção da sífilis, como uso dos preservativos, e desmistificar a forma de transmissão e sintomas. É necessário que sejam desenvolvidas estratégias que inclua o cirurgião dentista como profissional importante durante todo o processo do diagnóstico, tratamento e controle da sífilis e sífilis congênita.

REFERÊNCIAS

AVELLEIRA, JCR e BOTTINO, G. Sífilis: diagnóstico, tratamento e controle. Educação Médica Continuada – Anais Brasileiros de Dermatologia. 2006.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Estratégias e Políticas de Saúde Comunitária. Passo a passo das ações da Política Nacional de Saúde Bucal / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Departamento de Estratégias e Políticas de Saúde Comunitária, – Brasília: Ministério da Saúde, 2024

BRASIL. Ministério da saúde. Boletim epidemiológico de Sífilis. Secretaria de vigilância em saúde. Brasília. Número especial. Out. 2022a.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites Virais [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2022b.224 p.

BRASIL. Ministério da Saúde. PORTARIA GM/MS Nº 4.058, DE 22 DE NOVEMBRO DE 2022. Institui incentivo financeiro federal de custeio para apoiar a implementação de ações estratégicas para a garantia do acesso ao pré-natal odontológico. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 nov 2022c.

DENISE et al. O papel do cirurgião dentista no sistema único de saúde. Ciência e saúde coletiva. são paulo.2004.

NEVILLE, Brad. w. Patologia oral e maxilofacial. 3. ed. Rio de janeiro: Elsevier, 2009. cap. 5, p. 188-191.

SIQUEIRA, CARLA SILVA. Diagnóstico de sífilis em lesões orais. Estudo comparativo utilizando-se as técnicas histoquímica e imuno-histoquímica. BIBLIOTECA DIGITAL USP- teses e dissertações, SAO PAULO, 27 set. 2012.

TEIXEIRA, Fabiana. Sífilis: manifestações orais. 2018. Dissertação (Mestrado) – Universidade Fernando pessoa, Porto, 2018.

VIANA, Clarissa. Risco de mortalidade é duas vezes maior entre crianças com sífilis congênita. [S. l.], 25 abr. 2023. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/noticia/risco-de-mortalidade-e-duas-vezes-maior-entre-criancas-com-sifilis-congenita. Acesso em: 25 abr. 2023.

INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES

[1] Especialista em Saúde da Família e Comunidade (Pós-Graduação Lato Sensu – Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade, 2022–2024); Especialista em Saúde Pública com Ênfase em Saúde da Comunidade (Pós-Graduação Lato Sensu, 2022); Cirurgião-Dentista graduado pela Faculdade São José – RJ (2021). ORCID: 0000-0002-1234-0817. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5715781940662731.

[2] Graduando em Enfermagem. ORCID: 0009-0005-2564-2258.

Contribuição dos autores:

Weslley Pereira da Silva: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.

Natan Costa Silva: Concepção, planejamento, análise, interpretação parte da redação do trabalho.

INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL

Conflito de interesse:

Não possui conflito de interesse.

Agradecimentos e Financiamento:

Não possui financiamento.

Nota:

Os autores utilizaram a Inteligência Artificial Chat GPT – 4.5 para analisar erros gramaticais e ortográficos de todo o estudo. Durante a consulta a ferramenta IA citada, o material foi copiado e colado parágrafo por parágrafo para ser analisado. Após análise, o conteúdo foi copiado e colado no Word o que pode ter deixado subentendido pelo detector da editora como plágio IA. Sendo assim, todas as buscas pelos conteúdo e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral.

Informações sobre Direitos Autorais e Licença:

Este é um artigo de Acesso Aberto distribuído sob os termos da Creative Commons Attribution License, que permite uso, distribuição e reprodução irrestritos em qualquer meio, desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.

Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.

  • ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
  • Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

Histórico da Publicação:

Material recebido: 31 de janeiro de 2025.

Material aprovado pelos pares: 17 de junho de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 27 de novembro de 2025.

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Weslley Pereira da Silva

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