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A importância da inter-relação entre a periodontia e a ortodontia para prevenção de doenças periodontais em pacientes ortodônticos: revisão de literatura

RC: 151197
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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/odontologia/periodontia-e-a-ortodontia

CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO

PEREIRA, Emila Safira da Silva [1], SOUSA, Karolaine Leite de [2], PAIVA, Marcely Nascimento de [3], SILVA,  Julio Cezar Silva da [4], CUNHA, Paula de Oliveira [5], FONSECA, Tiago Silva da [6]

PEREIRA, Emila Safira da Silva et al. A importância da inter-relação entre a periodontia e a ortodontia para prevenção de doenças periodontais em pacientes ortodônticos: revisão de literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 09, Ed. 01, Vol. 02, pp. 33-46. Janeiro de 2024. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/odontologia/periodontia-e-a-ortodontia, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/odontologia/periodontia-e-a-ortodontia

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo principal analisar a importância da interrelação entre a Periodontia e a Ortodôntia para prevenção de doenças periodontais em pacientes Ortodônticos. Foram realizadas pesquisas utilizando bases de dados como o PubMed, Scielo e google acadêmico, utilizando os termos de busca “Doença periodontal”, “Ortodontia e periodontia” “Tratamento ortodôntico” e em inglês “periodontal diseases”, “periodontics and orthodontics”, “orthodontic treatment”. Após os critérios de inclusão e exclusão, 25 estudos foram analisados, abrangendo o período de 2018 a 2023, revelando um aumento constante na publicação de artigos sobre doença periodontal. Os resultados indicaram que o tratamento ortodôntico pode alterar o periodonto, aumentando o risco de doenças periodontais, sendo assim, se faz necessário essa colaboração entre as especialidades para o sucesso do tratamento. Concluímos que os artigos enfatizam que o tratamento ortodôntico pode aumentar o risco de inflamação gengival e agravar doenças periodontais, assim a saúde periodontal se torna essencial antes qualquer tipo de tratamento odontológico. Profissionais especialistas devem estar atentos aos sinais em pacientes ortodônticos para adotar medidas adequadas e evitar doenças futuras.

Palavras-chaves: Doença periodontal, Ortodontia e Periodontia, Tratamento ortodôntico.

1. INTRODUÇÃO

O tecido que suporta e envolve os dentes, conhecido como periodonto, possui duas estruturas: a primeira é chamada de periodonto de proteção, que compreende a gengiva, enquanto a segunda é denominada de periodonto de inserção, incluindo o ligamento periodontal, o osso alveolar e o cemento. Podem sofrer mudanças que afetam tanto na sua função quanto na sua estrutura, (Ribeiro et al., 2023).

A periodontite se dá através de uma inflamação mediada pelo hospedeiro, que resulta na deterioração da estrutura periodontal. A fisiopatologia da doença foi esclarecida em suas principais vias moleculares e, em última instância, leva à ativação de proteases originárias do hospedeiro que possibilitam a degradação das fibras do ligamento periodontal marginal, deslocamento apical do epitélio juncional, e permite a propagação apical do biofilme disbiótico ao longo da superfície radicular, que desencadeia a inflamação gengival ou periodontite. No qual, o começo e a progressão da periodontite dependem de fatores etiológicos, como o desequilíbrio da microbiota oral (Tonetti, GreenwelL, Komman, 2018).

Há diversos fatores de risco que influenciam o surgimento da doença periodontal, como por exemplo: diabetes, tabagismo, hormônios, o uso de alguns medicamentos como os anticonvulsivantes, alterações sistêmicas, má higiene bucal e o uso dos aparelhos ortodônticos fixos. Sendo assim, as terapias ortodônticas devem ser minuciosamente elaboradas tendo em vista que possuem várias limitações (Luna e Cardoso, 2022).

O uso do aparelho ortodôntico fixo compreende um conjunto de instrumentos como bandas, fios, braquetes, elásticos e tubos. Esses elementos desempenham um papel essencial nas manipulações ortodônticas. No entanto, é importante destacar que esses dispositivos podem impor desafios na manutenção de higiene bucal. Isso ocorre devido aos seus dispositivos, que propiciam o acúmulo de biofilme. Realizar um tratamento como esse em pacientes que apresentam uma condição ativa de doença periodontal se faz imprescindível para o ortodontista. Recomenda-se que antes do início de um tratamento ortodôntico o paciente seja examinado, visando prevenir a aparição e progressão da Doença Periodontal (DP). Nestes casos se torna imprescindível estabelecer uma comunicação direta e eficaz entre a Ortodontia e Periodontia. Essa colaboração permite determinar a abordagem mais adequada para conduzir o tratamento de forma apropriada (Santos et al., 2018).

O objetivo deste estudo é realizar uma revisão narrativa analisando a importância da interrelação da Ortodontia com a Periodontia para prevenção de doenças periodontais.

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 DOENÇA PERIODONTAL

Kozak e Pawlik (2023) define a Doença Periodontal (DP) como uma condição complexa e infecciosa que tem início com a desregulação do equilíbrio bacteriano. Essa patologia desencadeia uma resposta inflamatória do organismo, resultando em lesões nos tecidos moles e conjuntivos que sustentam os dentes, incluindo a gengiva, o osso alveolar e o ligamento periodontal. Podendo ser caracterizada como gengivite, quando se apresenta de uma forma mais leve e reversível, causando lesões apenas em tecidos moles, no entanto quando não tratada pode progredir para a periodontite, levando a perda óssea e dos elementos, dependendo da sua gravidade. Sendo relacionada a mais de 50 doenças sistêmicas, incluindo diabetes, doenças cardiovasculares e demência (Blanco-Pintos et al., 2023)

Com base nesta descrição da Organização Mundial de Saúde (OMS), infere-se que a saúde periodontal deve ser conceituada como um estado isento de doença periodontal inflamatória que possibilita ao indivíduo desempenhar suas funções normais e evitar consequências (mentais ou físicas) decorrentes de afecções atuais ou passadas. Nessa abordagem global da saúde, a condição da saúde do periodonto deve ser fundamentada na inexistência de doença, conforme diagnosticada clinicamente, relacionada a gengivite, periodontite ou outras condições periodontais, e pode abranger pacientes que tenham histórico de gengivite tratada com êxito ou periodontite, bem como outras condições periodontais, e que tenham a capacidade de manter a dentição sem apresentar sinais clínicos de inflamação gengival (Chapple et al., 2018).

A constatação de que as doenças periodontais estão vinculadas à uma diminuição na qualidade de vida associada com a saúde bucal não é, claramente recente. Por tanto, se faz necessário uma atenção multidisciplinar (Bertl et al., 2023)

A abordagem não cirúrgica no tratamento periodontal, visando a redução de microrganismos, permanece como o método preferencial para a maioria dos pacientes com doença periodontal (Zasyiuirinskien et al., 2019).

2.1.2 GENGIVITE E PERIODONTITE

O início da acumulação de placa requerida para desencadear doenças periodontais e sua influência na velocidade de desenvolvimento em áreas particulares ou em toda a cavidade oral difere entre pessoas, dependendo dos fatores de risco locais que promovem a formação de placa em uma área específica, dificultando sua eliminação durante as rotinas diárias de higiene bucal e/ou estabelecimento de um ambiente biológico que favorece o aumento da acumulação de placa, incluindo: retenção de placa bacteriana e secura oral. Já os fatores sistêmicos referem-se às características inerentes a um sujeito, que têm um impacto adverso na reação imunoinflamatória a uma carga específica de biofilme bacteriano, ocasionando uma resposta inflamatória exacerbada ou “hiper”, incluindo fatores como: fumo, metabólicos, nutricionais, farmacológicos, elevações hormonais de esteroides sexuais e condições hematológicas (Chapple et al., 2018).

A placa bacteriana e o tártaro dão início a gengivite, e uma vez que a inflamação gengival é mantida e sustentada, pode, eventualmente, na maioria das situações, evoluir para a degradação do tecido conjuntivo subjacente e do osso alveolar, resultando em periodontite (Coradette, Ceranto e Velasquez, 2023).

A periodontite é uma inflamação que está ligada a microrganismos, que influenciam na deterioração da estrutura periodontal, provocando a perda de inserção clínica. Estudos apontam as múltiplas influências de fatores nessas doenças, como o uso de tabaco, medicamentos e doenças sistêmicas. Algumas alterações do equilíbrio microbiano podem ser mais frequentes em alguns indivíduos do que em outros, alterando assim sua intensidade (Tonetti, Greenwell e Komman, 2018).

A causa das doenças periodontais tem levado a várias investigações, incluindo o desenvolvimento do sistema de classificações (Chatzopoulos et al., 2023). As características da gengivite e da periodontite foram criadas com o intuito de formular um diagnóstico utilizando o sistema de categorização de 2018, apresentados no Workshop Mundial do ano de 2017 sobre a classificação das doenças e condições periodontais e peri-implantares (Herrera et al., 2022).

As irritações que acometem somente a gengiva podem ser controladas através da melhora da higiene oral associada à raspagem supra e subgengival juntamente com uma boa profilaxia sendo realizada pelo dentista (Antoni e Coutinho, 2023).

Alguns pacientes não conseguem por si só realizar uma higiene oral de forma correta, dessa forma, se faz necessário a intervenção de um profissional especialista. Envolvendo raspagem e alisamento radicular e algumas vezes redução de alguns elementos que apresentem risco (Coradette, Ceranto e Velasquez, 2023).

O estadiamento da periodontite depende de como se apresenta a sua gravidade, bem como os níveis de complexidade para o controle da doença. Algumas características são: perda óssea, perda de inserção, profundidade à sondagem, defeitos ósseos, envolvimento da furca dentária, mobilidade e até mesmo perda dentária (Caton et al., 2018).

2.2 TRATAMENTO ORTODÔNTICO

Em vários âmbitos a Ortodontia se torna indispensável, para analisar o estado de oclusão, dar diagnóstico de determinados fatores como respiração oral, distúrbios do sono, irregularidades nos dentes e tanto nos ossos maxilares como mandibulares que possuem influência quando se trata do desenvolvimento físico e mental de crianças em fase de crescimento, além disso estabelece melhorias ortodônticas e ortopédicas. Apesar de não serem situações que necessitem de emergências, podem aumentar os riscos de aparições de outras condições relacionadas à saúde (Watanabe, Barbosa e Ferreira, 2023).

Em situações de mal posicionamento dentário a ortodontia pode trazer melhorias em feitos como trauma oclusal, alinhamento da dentição e complicações periodontais (Papageorgiou et al., 2021). No entanto, os dispositivos ortodônticos podem impossibilitar os indivíduos de realizarem a sua higiene oral de forma eficaz e correta, trazendo uma facilidade no desenvolvimento de placa bacteriana podendo resultar em informações gengivais. Por conta de pequenas lesões presentes na parte interna do epitélio, o periodonto inflamado tem facilidade de sangramento ao ser examinado (Verrusio et al., 2018).

A ortodontia trabalha com métodos preventivos, interceptivos ou corretivos. Abrangendo várias especialidades dependendo do tipo de tratamento e deve ser minuciosamente elaborada por um profissional capacitado, para evitar que a movimentação dos dentes de forma incorreta venha trazer complicações, como o possível desconforto durante o tratamento, reabsorção radicular, surgimentos de cárie e desmineralização, entre outros efeitos tendo sua etiologia local ou sistêmica (Ribeiro et al., 2023).

Alguns estudos apontam que o aumento gengival é uma consequência da falta de higiene oral, enquanto algumas pesquisas relatam que as alterações periodontais durante a movimentação ortodôntica são temporárias e não propiciam mudanças duradouras no periodonto. Contudo, a atenção para aparição de tais lesões que apresentem bolsas periodontais profundas se faz necessário para se ter um tratamento eficaz e sem intercorrências (Vicent-Bugnas et al., 2021).

2.2.1 CUIDADOS DURANTE O TRATAMENTO ORTODÔNTICO

Dispositivos ortodônticos sejam eles fixos ou removíveis dificultam a manutenção correta da higiene, propiciando o acúmulo do biofilme. Com isso, resulta em modificações sejam elas qualitativas ou quantitativas na composição da microbiota oral, pois esses recobrem a superfície lisa dos elementos dentários. Sendo assim, esses respectivos aparelhos necessitam de cuidados minuciosos por parte do profissional em conscientizar o seu paciente sobre o surgimento de riscos relacionados a essa facilidade de formação da placa bacteriana referente ao uso desses dispositivos. É importante reforçar a orientação de autocuidado principalmente periodontal e adoção de técnicas apropriadas de cuidado bucal em geral para evitar possíveis complicações locais relacionadas ao surgimento de fatores disbióticos orais podendo ocasionar em doenças como gengivite e periodontite (Santonocito e Polizzi, 2022).

A higienização por parte dos indivíduos devem ser executadas de maneira minuciosa nas proximidades dos fios ortodônticos com o intuito de eliminar os vestígios de placa bacteriana, assim diminuindo a probabilidade de desmineralização de esmalte durante a movimentação. Alguns estudos relatam que os aparelhos ortodônticos sendo eles fixos podem desenvolver o surgimento de placa subgengival (Lazyar et al., 2022).

2.3 INTERRELAÇÃO DA PERIODONTIA E ORTODONTIA

Em casos de pacientes que apresentem doença periodontal ativa, é recomendado que a Ortodontia e a Periodontia caminhem juntas de maneira que haja uma colaboração interdisciplinar, de maneira sincronizada para se alcançar o êxito no tratamento (Motta, 2021).

Pois há uma necessidade indispensável de avaliação da saúde periodontal antes do início da movimentação ortodôntica para que não aja complicações que possam afetar os tecidos de suporte. Além disso, é importante que o paciente mantenha uma higiene bucal adequada durante todo o tratamento para evitar a formação de biofilme bacteriano e agravamento da doença periodontal. A abordagem multidisciplinar e a avaliação cuidadosa da saúde periodontal antes e durante o tratamento ortodôntico são essenciais para garantir a assertividade do tratamento e a saúde bucal do paciente (Aguilar et al., 2023).

Destaca-se que embora o tratamento ortodôntico possa aumentar o risco de inflamação gengival e agravar a DP em alguns casos, ele também pode e traz benefícios para o controle de doenças no periodonto. Isso ocorre devido às movimentações ortodônticas quando realizadas da maneira correta, que corrigem problemas de oclusão e alinhamento dos dentes facilitando a higienização. Portanto, se faz necessário a avaliação conjuntiva, envolvendo a análise da saúde periodontal e da oclusão do paciente, a fim de identificar possíveis fatores de risco e determinar o melhor plano de tratamento. Os autores enfatizam que a avaliação conjunta deve ser realizada por uma equipe multidisciplinar, a fim de garantir um tratamento integrado e personalizado para cada paciente (Luna e Cardoso, 2022).

É importante reconhecer que uma força ortodôntica não controlada pode prejudicar o periodonto, podendo variar de acordo com o grau da movimentação estabelecida (Wang et al., 2022). Com isso, antes do início do tratamento ortodôntico, é essencial realizar uma avaliação clínica e radiográfica de rotina. A análise clínica abrange um exame completo do estado periodontal, mobilidade dentária e recessão gengival (Sanhuze-Rodríguez et al., 2020). Na avaliação radiográfica, recomenda-se o uso de radiografia panorâmica que se faz essencial para localizar focos de infecções, reabsorção óssea e radiculares (Jamil et al., 2020), dessa forma também sendo necessário radiografias interproximais para os setores posteriores, combinadas com radiografias periapicais para os incisivos superiores e inferiores. Se bolsas periodontais patológicas ou perda óssea alveolar forem identificadas nas radiografias, encaminhar os pacientes para uma avaliação periodontal para intervenções da DP, conforme necessário (Sanhuze-Rodríguez et al., 2020).

Os tratamentos ortodônticos são inapropriados em indivíduos que apresentam doença periodontal ativa, pois quando há presença de placa bacteriana e inflamação na gengiva, a movimentação ortodôntica tem o potencial de intensificar a velocidade de deterioração de inserção conjuntiva (Santos et al 2018). Além disso, a doença periodontal pode se agravar em desestruturação do periodonto e perda óssea, o que leva a movimentação ortodôntica não ser indicada para esses casos, pois o nível de inserção não se encontra mais adequado. Sendo assim, se faz necessário que o ortodontista trabalhe com o periodontista antes, durante e depois do tratamento para garantir um diagnóstico adequado ao seu paciente (Aguilar et al., 2023).

3. MATERIAIS E MÉTODOS

Este trabalho tem por natureza uma revisão literária narrativa de fontes secundárias, das quais foram coletados dados obtidos através de pesquisas em bancos de dados como: Scielo, Pubmed, Lilacs e Google Scholar, com artigos publicados entre 2018 a 2023 através dos termos de busca: “Doença periodontal”, “Ortodontia e periodontia” “Tratamento ortodôntico” e em inglês “periodontal diseases”, “periodontics and orthodontics”, “orthodontic treatment”.

Após a escolha dos artigos, foram utilizados os critérios de inclusão e exclusão. Com isso, a devida seleção desses itens fora produzida com critérios de: Relevância com o tema escolhido; ter sido publicado entre 2018 e 2023; Artigos completos; Estudos clínicos randomizados; Revisão sistemática; Caso-controle.

Para a realização da exclusão foram utilizados os seguintes critérios: Publicações antigas; Publicações incompletas; Resumos; Estudos observacionais; Estudos em animais e in vitro.

Dessa forma sendo extraídas informações de forma qualitativa de como realizar o diagnóstico, características clínicas das doenças, condutas para tais casos e a importância de relacionar a periodontia e ortodontia para evitar intercorrências no tratamento.

4. DISCUSSÃO

Conforme relatado por Ribeiro et al., (2023) se torna viável efetuar movimentação ortodôntica em indivíduos com comprometimento periodontal, contanto que a fase cirúrgica ou não do tratamento para condições periodontais tenha sido previamente executada dependendo do nível de inserção óssea. O paciente deve apresentar uma higiene bucal apropriada, ausência de atividade em bolsas periodontais, gengivas em estado saudável e nenhuma ocorrência de sangramento durante sondagem. Se todos esses critérios forem atendidos, é possível realizar tratamento ortodôntico em pacientes com comprometimento do periodonto, porém, se o mesmo apresentar perda de inserção o tratamento ortodôntico não poderá ser realizado.

No entanto, sabendo-se que a utilização de dispositivos ortodônticos, especialmente aparelhos de correção fixos, podem propiciar a aparição de inflamações nos tecidos periodontais os indivíduos submetidos à procedimentos ortodônticos necessitam de monitoramento regular e executar uma higiene oral de forma correta (Ribeiro et al., 2023). No qual, a perspectiva para o tratamento da doença periodontal na maioria dos pacientes é a não cirúrgica, com o objetivo de reduzir a presença de microrganismos (Zasyiuirinskien et al., 2019).

No contexto de indivíduos com DP ativa e perda de inserção, não será viável realizar o procedimento ortodôntico, visto que a manifestação de inflamação gengival potencializa degeneração desse tecido (Santos et al., 2018).

Os aparelhos ortodônticos mal higienizados propiciam a aglomeração resquícios de alimentos que facilitam a proliferação de placa bacteriana em áreas convenientes, isso dificulta a conservação de higiene bucal, aumentando a probabilidade de evolução de gengivite, periodontite, manchas brancas, cáries dentárias e halitose (Santonocito e Polizzi, 2022).

Ao início do tratamento ortodôntico, se faz necessário que não haja presença da doença ativa. No entanto, alguns estudos apontam que o movimento afeta positivamente sendo um complemento no tratamento peridontal. Para que isso ocorra, é de suma importância uma interface de forma efetiva entre as especialidades (Santos et al., 2018).

Verrusio et al., (2018) relata que os aparelhos removíveis se diferem dos fixos em questão de facilidade de higienização, possibilitando os cuidados efetivos, tendo em vista que os pacientes não possuem dificuldades por conta bandas, fios e brackets.

Em um estudo realizado por Wang et al., (2022) demonstra que o mecanismo ortodôntico dentro da posição do osso alveolar reduz o risco de recessão gengival e tem resultados contrários insignificantes no periodonto. De forma intrigante, outros autores referenciavam que abordagens específicas ortodontia são relevantes para a recessão gengival e a inspeção da higiene, aperfeiçoando o êxito na limpeza dentária.

Antes de qualquer tipo de intervenção ou procedimento, é necessário um tratamento periodontal efetivo. Manter a saúde do periodonto e realizar os acompanhamentos de forma correta para a supervisão são papéis essenciais. Em casos de pacientes que não realizam a higiene de forma correta, a ortodontia deve ser por conta da alta presença de placa bacteriana, até a obtenção do controle. O acompanhamento com um profissional especialista que faça supervisão do estado de saúde gengival deve ser realizado a cada três meses durante a utilização do aparelho, sendo de em consultas separadas e de forma minuciosa (Motta, 2021).

Luna e Cardoso (2022) relatam que o tratamento ortodôntico pode agravar os riscos de inflamações e aumentar a progressão rapidamente da DP, mas em outros casos podem ser aliados e apresentar vantagens quando se trata do controle de problemas periodontais. Tendo em vista que os elementos sendo movimentados corretamente podem corrigir alterações como oclusão errada e apinhamento dental, facilitando a execução da higiene.

A terapia ortodôntica pode resultar em efeitos prejudiciais ao periodonto de forma irreversível se for realizada incorretamente sem que haja visitas periódicas em profissionais devidamente capacitados. Algumas complicações podem resultar em uma danificação na largura biológica, inflamações gengivais podendo ocasionar consequentemente em recessão gengival e perda de estrutura óssea (Wang et al., 2022).

Por conseguinte, para conservar a integridade do esmalte no decorrer do procedimento, é fundamental que as pessoas executem uma higienização precisa de cada dispositivo do aparelho ortodôntico, com a finalidade   eliminar qualquer indício de placa bacteriana. Pesquisas precedentes constatam que o uso de aparelho ortodôntico fixo pode ser relacionado a evolução de placa subgengival (Lazyar et al., 2022).

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que para garantia do sucesso de um tratamento ortodôntico, se torna necessária a colaboração entre o Periodontia e a Ortodontia, pois essa terapia pode elevar o risco da inflamação gengival e agravar a doença periodontal em alguns casos. Dessa maneira a inter-relação entre ambos profissionais é relevante para evitar complicações durante o processo de movimentação. No entanto, vale ressaltar a precisão de uma avaliação prévia antes do início do tratamento para constatar possíveis causas prejudiciais e confirmar a seguridade do periodonto, desse modo o cuidado com a higiene bucal é fundamental para prevenir complicações, tendo em vista o efeito prejudicial do mecanismo ortodôntico fixo no desenvolvimento de placas bacterianas. Com isso, se faz necessário o controle e a conservação da saúde do periodonto ao decorrer e ao final do tratamento, com o propósito de diminuir os riscos e garantir o êxito no procedimento.

REFERÊNCIAS

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NOTA

Os autores utilizaram a IA para auxiliar na melhoria de estruturação textual, busca de sinônimos e concordâncias verbais. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral.

[1] Graduanda na área de Odontologia. ORCID: 0009-0002-4840-7486.

[2] Graduanda em Odontologia. ORCID: 0009-0000-9029-6981.

[3] Graduanda em Odontologia. ORCID: 0009-0003-6189-3017.

[4] Graduando em Odontologia. ORCID: 0009-0000-3751-0440. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4384825016513682.

[5] Orientadora. ORCID: 0000-0003-0890-6037.

[6] Co-orientador. Doutorado, Mestrado, Pós-graduação e Graduação. ORCID: 0000-0001-8135-3075. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7270534114831527.

Material recebido: 30 de outubro de 2023.

Material aprovado pelos pares: 10 de novembro de 2023.

Material editado aprovado pelos autores: 18 de janeiro de 2024.

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