Fonética e Fonologia como instrumentos para inserção nos estudos da Língua Inglesa

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ARTIGO ORIGINAL 

SOUZA, Gilson Pereira de [1], NETO, Waldomiro Camilotti [2]

SOUZA, Gilson Pereira de. NETO, Waldomiro Camilotti. Fonética e Fonologia como instrumentos para inserção nos estudos da Língua Inglesa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 09, Vol. 05, pp. 101-106. Setembro de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Nosso trabalho, desenvolvido como critério para obtenção de nota no curso de especialização em metodologia do ensino de Língua Inglesa sob orientação do Prof. Waldomiro Camilotti Neto, discute a importância da Fonética e da Fonologia no ensino de Língua Inglesa na educação básica, mas especificamente no ensino fundamental. Para tanto, conceituamos estas duas áreas da ciência e destacamos aspectos distintivos entre as línguas Inglesa e Portuguesa, outrossim, a importância de conhecimento dos símbolos fonéticos e a autonomia de aprendizado oriunda deste conhecimento. Objetivamos apontar que o domínio dos símbolos que são utilizados para representar os sons deste idioma é imprescindível para o conhecimento e a comunicação nesta língua. Para tanto, lastreamos nosso posicionamento no postulado de autores como Azambuja (2010), Lopes (2012) e Silva (2013). Concluímos que o processo de ensino-aprendizagem de Língua Inglesa, ao possibilitar o conhecimento dos sons e de seus respectivos símbolos, pode contribuir amplamente para a autonomia dos estudantes.

Palavras-chave: Fonética, fonologia, língua inglesa, Ensino Fundamental.

1. INTRODUÇÃO

As dificuldades de aprendizado da Língua Inglesa são múltiplas e, neste diapasão, se faz premente destacarmos, desde logo, que nosso trabalho não incorrerá na ingenuidade de solucionar as aludidas dificuldades, mas, tão somente, tentar apontar caminhos que possam contribuir para que professores e alunos transcendam alguns dos obstáculos que se apresentam no processo de ensino-aprendizagem da supramencionada língua estrangeira.

Em nosso trabalho, erigimos a Fonética e a Fonologia da Língua Inglesa como instrumentos facilitadores do processo de ensino-aprendizagem deste idioma, por julgarmos imprescindível transcender qualquer prática de ensino que contemple apenas a mera tradução de palavras, mas que contemple a autonomia dos estudantes.

Nosso trabalho está estruturado de tal maneira que será possível compreender brevemente os conceitos de Fonética e Fonologia e, a partir disto, entender a importância destas áreas da ciência para a otimização do processo de ensino-aprendizagem da Língua Inglesa no ensino fundamental da educação básica. Nos capítulos que se seguem, será possível compreender que a autonomia, ou, em outros termos, o aprender a aprender passa, necessariamente, pelo conhecimento dos sons e dos respectivos símbolos do mencionado idioma. Este percurso culmina em nossa conclusão de que não haverá satisfatório aprendizado da Língua Inglesa sem que os estudantes consigam transcender o mero processo de leitura e tradução das palavras deste idioma, sem que consigam reduzir os ruídos da comunicação provenientes da pronúncia equivocada das palavras.

2. FONÉTICA E FONOLOGIA – INSTRUMENTOS NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DA LÍNGUA INGLESA

2.1 BREVE INTRODUÇÃO CONCEITUAL

Para procedermos com o presente trabalho, julgamos correto conceituar estas importantes áreas da ciência que, doravante, serão, no presente trabalho, erigidas como importantes instrumentos no processo de ensino-aprendizagem: a Fonética e a Fonologia.

Buscamos em Silva (2013, p.23) o conceito de fonética. Segundo a autora, a fonética é “a ciência que apresenta os métodos para a descrição, classificação e transcrição dos sons da fala, principalmente aqueles sons utilizados na linguagem humana”. Já o conceito de fonologia aqui empregado está ancorado no postulado de Lopes (2012, p.20) ao destacar que:

A Fonologia, por sua vez, busca estudar o sistema de sons da fala, apresentando a descrição deste sistema, sua estrutura e funcionamento, o que permite a análise de sílabas, morfemas, palavras e frases. Ou seja, a fonologia estuda os sons capazes de distinguir significados (fonemas). […]. A Fonologia estuda a maneira como os fonemas (representados pelos símbolos fonéticos) se organizam e se combinam formando estruturas linguísticas maiores e as variações que estes fonemas podem apresentar.

O dicionário Aurélio (2001, p. 327-328) apresenta-nos também, de maneira simples e menos acadêmica, isto não significa menos importante, os significados para fonética e fonologia. Segundo o citado dicionário, a fonética é “o estudo dos sons da fala, especialmente no que diz respeito à sua produção, transmissão e recepção. Já a fonologia é o “estudo dos sons da linguagem”.

Em outros termos, a fonética estuda os sons presentes na fala, em seus aspectos acústicos e fisiológicos. Por seu turno, a fonologia estuda os padrões de som em linguagens específicas.

2.2 LÍNGUA INGLESA E LÍNGUA PORTUGUESA – ALGUNS ASPECTOS DISTINTIVOS

Refletir acerca do uso, outrossim, a forma da linguagem utilizada por outros seres humanos é uma ação inerente aos falantes de qualquer língua. No caso de professores brasileiros de língua estrangeira, neste caso específico a Língua Inglesa, julgamos coerente que estes conheçam bem a língua que ensinam e sejam capazes de compará-la ao português. A comparação permite avaliar melhor as dificuldades de seus alunos e formular propostas para dirimir tais dificuldades.

Inicialmente, podemos destacar, por exemplo, a dificuldade que muitos alunos brasileiros do ensino fundamental[3] têm de distinguir e produzir corretamente determinadas palavras da Língua Inglesa. Isto pode ser explicado, entre outras coisas, pela diferença no número de vogais existentes na Língua Portuguesa e na Língua Inglesa. Esta diferença no número de vogais é recorrente nas línguas naturais. Segundo Azambuja (2010, p.11):

A quantidade total de vogais varia de uma língua para outra. Há línguas que apresentam um número bastante reduzido de vogais, como é o caso do árabe, com as vogais /i, a, u/, e outras com um sistema bem mais numeroso, como é o caso do inglês.

No que concerne ao caso comparativo das línguas Portuguesa e Inglesa, Azambuja (2010, p.13) destaca que “há mais vogais em inglês do que em português. Enquanto encontramos apenas sete vogais em português, encontramos doze em inglês”. Embora a grafia das vogais seja a mesma, a pronúncia se faz diferente entre estes dois idiomas.

As particularidades destes dois idiomas transcendem os aspectos restritamente concernentes às vogais, uma vez que as palavras em si igualmente apresentam determinadas distinções. Segundo Lopes, (2012, p.08), “a Língua Portuguesa, se comparada à Língua Inglesa, tem uma característica singular: a grafia das palavras é semelhante à maneira com a qual tais palavras são pronunciadas. Já a Língua Inglesa imprimiu características diferentes à escrita e à fala”. Neste sentido, resta evidente que qualquer proposta coerente de ensino-aprendizagem da Língua Inglesa no ensino fundamental passa pelo escopo da linguística, mais especificamente por aspectos da fonética e da fonologia.

2.3 O DOMÍNIO DOS SÍMBOLOS FONÉTICOS E A RELEVANTE AUTONOMIA NO APRENDIZADO DA LÍNGUA INGLESA

Faz-se corrente entre os membros das mais diversas comunidades escolares a ideia de que um dos objetivos da educação é que os estudantes “aprendam a aprender”. Isto pressupõe autonomia na construção do próprio conhecimento por parte dos estudantes. Neste sentido, a escola funciona como elemento fundamental para que os estudantes fundamentem a maneira como construirão o próprio caminho para o conhecimento, o lugar onde constituirão um arcabouço de técnicas, saberes e informações que os projetarão para estudos posteriores e transcendentes à própria instituição de ensino da qual fazem parte.

Aprender a ler e escrever é imprescindível no que concerne a autonomia dos estudantes. Contudo, principalmente em relação à Língua Inglesa, o simples fato de conseguir ler e traduzir as palavras, a utilização de dicionários é bastante comum nestes exercícios, não exaure as dificuldades de entendimento e comunicação neste idioma. Afinal, a correta pronúncia das palavras é fundamental para uma boa comunicação.

Longe de restringirmos os problemas inerentes ao processo de ensino-aprendizagem da Língua Inglesa no ensino fundamental às dificuldades de pronúncia deste idioma, o que seria uma visão reducionista e contestável, julgamos correto afirmar que tais dificuldades podem ser reduzidas se a fonética e a fonologia do idioma forem inseridas de maneira mais incisiva nesta etapa da vida escolar. O conhecimento, por exemplo, dos símbolos fonéticos, concorreria para otimizar o aprendizado dos estudantes. Azambuja (2010, p.09) destaca que:

O domínio dos símbolos que são usados para representar os sons dá ao aprendiz autonomia, pois, quando não sabe ou está em dúvida sobre a pronúncia adequada de uma palavra, pode recorrer às transcrições, facilmente encontradas em dicionários.

Resta evidente que ao possibilitarmos o conhecimento dos sons da Língua Inglesa e de seus respectivos símbolos poderemos contribuir amplamente para a autonomia dos estudantes.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme vimos acima, ampla literatura versa acerca da importância de conhecimento dos sons e dos símbolos fonéticos da Língua Inglesa. Resta evidente que a escola é o lugar privilegiado para transmissão deste conhecimento, principalmente em nosso país por não ter o Inglês como língua nativa.

A autonomia possibilitada pela apropriação do conhecimento dos símbolos representativos dos sons da Língua Inglesa transcende as vivências e os períodos escolares. Tal conhecimento possibilitará a todos os que tiverem acesso autonomia no dia-a-dia, em situações transcendentes ao tempo e ambiente escolares. Considerando a Língua Inglesa como língua franca, possibilitará transformar os estudantes em cidadãos do mundo.

A Fonética e a Fonologia transformarão os estudantes em cidadãos autônomos, responsáveis pela construção do próprio conhecimento e atuantes em uma comunidade ampla, que desconhece fronteiras.

REFERÊNCIAS

AZAMBUJA, Elen. Fonética e fonologia da Língua Inglesa. Curitiba, PR: IESDE Brasil S.A, 2010.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio Século XXI Escolar: o minidicionário da Língua Portuguesa. 4. ed. rev. ampliada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

LOPES, Maria Cecília. Compreensão oral em Língua Inglesa. Curitiba, PR: IESDE Brasil, 2012.

SILVA, Taís Cristófaro. Fonética e Fonologia do português: roteiro de estudos e guia de exercícios. São Paulo: Contexto, 2013.

3. Entenda-se por isso alunos dos anos finais do ensino fundamental, uma vez que estes, na grande maioria dos casos, começam a estudar a Língua Inglesa a partir do 6º ano.

[1] Graduado em Letras (Inglês / Português) pela Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE. Especialista em metodologia do ensino de Língua Inglesa pela Faculdade de Educação São Luís – FESL. Pós-graduando em Literatura em Língua Inglesa pela Faculdade de Educação São Luís – FESL.

[2] Especialização em Tecnologias e Educação a Distância; Especialização em Direito Administrativo;Especialização em Direito Processual do Trabalho; Graduação em direito.

Enviado: Agosto, 2019.

Aprovado: Setembro, 2019.

Graduado em Letras (Inglês / Português) pela Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE. Especialista em metodologia do ensino de Língua Inglesa pela Faculdade de Educação São Luís - FESL. Pós-graduando em Literatura em Língua Inglesa pela Faculdade de Educação São Luís - FESL.

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