O uso de análise de risco quantitativo no auxílio à proteção contra incêndio

0
751
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
PDF

ALLEMAND, Renato Matrangolo [1]

ALLEMAND, Renato Matrangolo. O uso de análise de risco quantitativo no auxílio à proteção contra incêndio. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 08, Vol. 08, pp. 05-12, Agosto de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

Esse artigo tem a finalidade de informar aos engenheiros de segurança do trabalho ou de incêndio, uma técnica de avaliação do risco de incêndio em qualquer edificação mesmo aquelas que já atendem aos requisitos legais locais. Este material tem como contribuição social proporcionar que as edificações submetidas as premissas deste artigo obtenham um grau de segurança contra incêndio elevado contra aquelas que são projetadas sem uma correta análise quantitativa de risco. Pela parte acadêmica visa estimular outros mestrandos a evoluir e até propor novas técnicas quantitativas. Por fim, é apresentado um método rígido aceito por grandes empresas de avaliação de risco e seguradoras internacionais.

Palavras chave: Incêndio, Gestão, Metodologias, Vida.

INTRODUÇÃO

Desde o final do século XX, o fenômeno da globalização apresentou-se com uma nova dimensão praticamente sem limites para os negócios ou empresas que queiram sobreviver nestes novos tempos.

Além de dar oportunidade de crescimento, expansão ou ainda sobreviver à passagem desse século a globalização está impondo muitas mudanças para ser um gestor. Não e difícil concluir que as lideranças ou gestores de qualquer segmento empresarial devem estar ou se preparar com urgência para esses desafios.

A realidade da globalização demanda um novo perfil de administrador, ou seja, o “Gestor Global”, cosmopolita, bom negociador, ter que estar sempre atento às mudanças de mercado, exímio comunicador interno e externo, capaz de criar sinergia e de liderar mudanças empresariais necessárias.

Um incêndio é uma tragédia imensa. As revistas especializadas apresentam inúmeros casos deste infortúnio. Poderíamos dizer alguns eventos tais como, Plataforma Piper Alfa no Mar do Norte, Acidente com a British Petroleum no Texas, Plataforma Deep Hozizon no Golfo do México, aqui no Brasil incêndio do Edifício Joelma, Edificio Andraus e Edifício Andorinhas. Estes eventos, além de perdas humanas, apresentaram sérios problemas ambientais, risco para as vizinhanças e suas perdas decorrentes e risco de não haver recuperação do empreendimento.

O objetivo deste trabalho é apresentar aos gestores do século XXI um assunto que muitas vezes é renegado a um segundo ou terceiros planos, isso porque, não aparecem nas planilhas de custos de produção e vendas.

Aí é que entra o pessoal interno ou externo especializado em Análises de Risco com relação à proteção contra incêndio.

Este artigo busca apresentar e discutir os problemas encontrados na gestão e na avaliação quantitativa do risco de incêndio e segurança seja em um edifício ou indústria. A quase a totalidade dos empresários/gestores preocupam-se somente com os requisitos legais na proteção contra incêndio, sem levar em consideração que sua ocupação pode ter características particulares construtivas, de processo ou administrativos de modo que, um incêndio pode de uma hora a outra fazer desaparecer grandes quantidades de dinheiro, vidas de funcionários e, em jogo a continuidade dos negócios, o meio ambiente e processos civis e até criminais.

Recebemos quase que diariamente notícias de tragédias de incêndio em diversas partes do mundo, ceifando vidas, destruindo sonhos e agredindo severamente ao meio ambiente e, as investigações decorrentes por agencias especializadas nesse segmento trazem a tona que, vários fatores foram responsáveis pela tragédia, e todos eles apontam para uma falha humana e, dentre estas uma se destaca “a falta de visão empresarial para os riscos de incêndio”.

Muitas vezes apontam os relatórios das investigações que, os assuntos de proteção contra incêndio foram deixados de lado no momento de analisar os investimentos num novo projeto ou de melhorias produtivas para os anos seguintes. Dá-se foco maior a produção, redução do custo fixo, o aumento de vendas e manutenção do processo produtivo seja ele em qualquer ordem se apresentar.

Um gestor atualizado deve sempre solicitar informações sobre segurança seja ela pessoal ou outros riscos de sua responsabilidade, para que este gestor possa ter informações necessárias para colocar investimentos. Um gestor deve ser informado sempre que tragédias relativas a incêndios e de seus relatórios, para que, os estudem e possam tirar aprendizado e tomar medidas prévias e corrigir desvios de proteção contra incêndio locais, e não ter dissabor de ter a sua responsabilidade direta submetida as perguntas dos investidores, autoridades e a comunidade, e dar as devidas explicações.

Gestores devem ter o mesmo critério rígido de obter informações sobre seus riscos de incêndio, da mesma forma que exige de seus colaboradores as informações de produção, manutenção.

Vê-se acontecer com frequência nos países mais adiantados esta cobrança se os gestores e, exigindo destes que tenha capacidade em cuidar dos riscos de incêndio e a segurança de todos colaboradores, meio ambiente e a vizinhança.

Não se engane este tipo de exigência vai chegar ao Brasil em curto espaço de tempo.

 COMO ESTA O BRASIL?

2.1 Histórico com base das Resseguradoras e seguradoras.

Na época dos governos militares o custo do seguro incêndio não diferenciava duas empresas do mesmo ramo ou quanto a sua forma de gestão dos riscos de incêndio, ou seja, as taxas – para cálculo do prêmio do seguro – eram estipuladas pela Publicação 49 do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), a estatal que controlava as seguradoras que atuavam no país. Via-se que uma empresa de uma mesma cidade e, que se preocupava com manutenção dos equipamentos e instalações, “housekeeping” e treinamentos, preocupação contra incêndio tinha que pagar a mesma taxa de outra empresa que nada disso realizava, ou seja, aquela que mais investia em segurança contra incêndio não recebia as benesses que deveria com relação a sua conscientização.

A partir da redemocratização nos anos 80 e, consequente abertura do mercado segurador e ressegurador, companhias estrangeiras se apressaram em aqui se estabelecer (a carteira de seguro contra incêndio é muito lucrativa) e, com a experiência destas, em analisar a fundo as condições de proteção contra incêndio, processos produtivos, de manutenção de um negócio puderam então aplicar taxas de seguro incêndio menores para aquelas empresas que mais se preocupavam com todos seus controles internos e, que mantinham um alto grau de confiabilidade de que um sinistro ali poderia acontecer e, se acontecesse um incêndio não exigiriam grandes somas de dinheiro que a seguradora haveria de desembolsar pelo seguro contratado.

Essas seguradoras ao apresentar suas propostas para seguro contra incêndio têm por método explicar ao gestor de como chegou a aqueles valores de taxa e, indica também por meio de um relatório, quais pontos de seu negócio merecem melhor atenção do gestor para as condições de proteção contra incêndio.

Nesse mesmo intervalo de tempo muitos gestores de empresas queriam apenas ter o seguro para recompor seu patrimônio perdido. Esqueceram que num mundo globalizado, um incêndio pode produzir uma situação tão ruim de que essa empresa nunca mais se recupere perante o mercado, uma vez que, como já dissemos no início, a globalização vem com extrema velocidade e, o tempo decorrido na reconstrução ou recuperação pode ser fatal.

2.2 Técnicas de análises de Risco

Países mais desenvolvidos na Europa, Estados Unidos da América e extremo oriente, onde os investidores estão sempre atentos aos riscos de seus investimentos aliados aos engenheiros envolvidos no combate as tragédias ou reguladores do mercado segurador começaram a buscar soluções que deve mais segurança a seus investimentos.

O mercado segurador saiu na frente e, engenheiros de inspeção de riscos de incêndio começaram a desenvolver uma metodologia explorando as suas experiências nas inspeções.

Em meados dos anos 60 começaram a aparecer estas metodologias quantitativas com m sucesso de aplicação ao mercado segurador e em seus relatórios a seus segurados.

O simples uso de uma das técnicas de análises de risco quantitativas pode a qualquer momento mostrar ao gestor, uma nova necessidade ou não de promover melhorias na proteção contra incêndio, seja num complexo já em operação ou ainda em novos projetos de ampliações de seus negócios. Os métodos quantitativos devem ser utilizados para a obtenção de indicadores de aderência a um nível de segurança considerada como boa ou ainda seja pra atender a novos problemas oriundos de alterações no fluxo produtivo ou operacional e, podem ser fornecidos por modelos matemáticos confiáveis. A ocorrência e propagação de incêndios acidentais (aquele que não é criminoso) são fenômenos aleatórios afetados por incertezas causadas por vários fatores construtivos e humanos. Modelos de análise qualitativos são internacionalmente usados e aceitos por Corpo de Bombeiros e as Seguradora. São considerados como uma ferramenta de auxílio para um gestor poder disponibilizar orçamento para que seu negócio fique bem protegido e a sua continuidade operacional garantida com um risco pequeno de interrupção.

Inúmeras metodologias de avaliação de risco quantitativos na proteção contra incêndio foram desenvolvidas ao longo dos últimos cinquenta anos em todo o mundo para avaliar o grau de risco contra incêndio nos parques industriais, instalações, edifícios altos e outros.

Estes métodos podem e devem estar disponíveis e também conhecidos até pelas autoridades responsáveis pela execução de regulamentos e a comunidade científica. Embora, estas metodologias compartilhem do princípio geral de são ferramentas auxiliadoras modernas, portanto, vai depender muito das decisões dos gestores.

Existem várias metodologias quantitativas disponíveis no mundo.

As mais reconhecidas são:

  1. Método Gretener;
  2. Método Frame (Fire Risk Assessment Method for Engineering);
  3. Método PURT.
  4. Método ARICA
  5. Método de Avaliação de Risco Incêndio Hospitalar (MARIH)

3 MÉTODO QUANTITATIVO APRESENTADO

Para este artigo somente o Método Gretener será o avaliado porque é o mais utilizado.

Método Gretener

Esse método quantitativo começou a ser desenvolvido por um engenheiro suíço chamado Max Gretener nos anos 1960. Este engenheiro foi diretor da Associação de Proteção Contra Incêndio da Suíça por muitos anos. Utilizou então, sua vasta experiência de inspeções e análises de riscos de incêndio para o mercado segurador e, desenvolveu um método cujas características seriam de fácil aplicação, rápida utilização com ênfase principalmente naquilo que era importante para uma análise de riscos de incêndio, ignorando aqueles fatores ou segmentos de menor relevância para o fato. Seu método foi publicado orginalmente em 1965, com base para atendimento às necessidades das companhias de seguro. Por volta de 1968, dado a relevância e sucesso dessa metodologia o Corpo de Bombeiros da Suíça propôs adotar esse mesmo método, também, para avaliar os meios de proteção contra incêndio de todos os tipos de edificações. (SILVA, 2002).

Ainda conforme Silva e Coelho (2007), o Método de Gretener serviu como base de normas internacionais de procedimento de avaliação na Suíça, Áustria, Nova Zelândia e outros países. No Brasil serviu de base para o desenvolvimento da NBR 14432 – “Exigência de resistência ao fogo de elementos construtivos”, que define o tempo requerido de resistência ao fogo dos elementos da edificação e define a carga de incêndio nos diversos ambientes da atividade comercial e industrial.

Uma das vantagens deste método quantitativo é ser de aplicação quase universal, abrangendo desde grandes edifícios recebendo público, como são os centros comerciais, os locais de espetáculos, os hospitais, as escolas, os escritórios, os edifícios industriais ou mesmo os edifícios de usos múltiplos. (SILVA, 2014)

Segundo Silva (2007), o referido método consiste em calcular um fator de segurança (ƳFI) também chamado de Fator Global de Segurança para cada edificação ou parte deste, e, estabelece que a segurança contra incêndios é ideal se todos os valores de ƳFI forem maiores ou iguais a um (1). Os parâmetros verificados no método recebem valores de acordo com a existência, funcionalidade, eficiência e presteza, sendo todos tabulados para os diferentes índices, reunidos e expressos pela formula que determina então o índice de segurança da edificação:

  1. Medidas normais de proteção (N);
  2. Medidas especiais de proteção (S);
  3. Medidas construtivas de proteção (E);
  4. Risco de incêndio (R);
  5. Mobilidade de pessoas (M);
  6. Risco de ativação de incêndio (A).

Se o valor do Fator Global de Segurança ɣFI que é calculado pela seguinte fórmula for igual ou superior a 1 (hum) que indica que o risco está satisfatório com relação a proteção contra incêndio.

Fonte: autor

Caso o indicador do Fator Global de Segurança seja inferior a 1 (hum), indica que o gestor em breve espaço de tempo deve reunir um time para verificar a que se referem seus pontos baixos (construção, instalações, ações administrativas) que impactaram , por exemplo, em valor menor que 1 do Fator Global e montar um Plano de Ações com datas, responsabilidades e reuniões de follow up.

Em reuniões tomar esses pontos negativos selecionados como passiveis de implementação ou modernização, novos procedimentos administrativos. Tomar estes itens como se ações tenham sido realizadas e, recalcular o Fator Global de Segurança e, caso o novo valor calculado ɣFI fique superior e longe do valor 1 (hum), estas ações devem ser implementadas tão logo quanto se tenha orçamento. O prazo máximo destas ações deve ser de até 18 meses. Neste caso, após a implementação do Plano de Ação a ocupação se encontrará com risco pequeno de incêndio, ou ainda que, ocorra um incêndio serão com danos mínimos não afetando a continuidade dos negócios.

 CONCLUSÃO

Pela facilidade de aplicar este método quantitativo e pela aceitação mundial para riscos de incêndio pode-se concluir e recomendar do uso da metodologia quantitativa desenvolvida por GRETENER, porque, suas premissas envolvidas nos cálculos refletem muito melhor as características dos riscos e das proteções.

Como recomendação também de se apresentar aos gestores da grade curricular dos cursos de engenharia a necessidade de que se crie uma cadeira específica de metodologias de risco de incêndio em associação com outras, tais como, áreas financeiras, custos de projetos que impactam diretamente um projeto ou um negócio existente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALLEMAND, Renato M. O uso de análise de Risco como ferramenta para melhoria em proteção contra incêndio nas instituições escolares. Dissertação para mestrado em sistema de gestão na UFF. 2018.

ALMEIDA, Ana S. G. Análise do Risco de Incêndio no Centro Histórico de Viseu. O Caso do Quarteirão da Rua Escura. (Dissertação de Mestrado). Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu, Portugal. 2013.

GASPAR, Ana Telma da Silva, Análise do Risco de Incêndio de uma Unidade Industrial de Fabricação de Produtos Petrolíferos Refinados – Refinaria de Matosinhos. Dissertação apresentada para a obtenção do grau de Mestre em Engenharia Civil – Especialização em Construção Urbana. Instituto Superior de Engenharia de Coimbra. 2014.

SILVA, Valdir Pignatta. Método de avaliação de risco de incêndio em edificações. – Método de Gretener – Descrição. São Paulo, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2002.

SILVA, Valdir Pignatta; COELHO, Hamilton da Silva. Índice de segurança contra incêndio para edificações. (Dissertação de Mestrado) Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. 2007.

VALENTIM, Tânia Marisa Andrez. Avaliação do risco de incêndio no núcleo urbano de Aljustrel. Dissertaçào de mestrado Escola Superior de Tecnologia de Tomar, Portugal. 2014).

[1]  Engenheiro mecânico, Engenheiro de Segurança e Mestre em Sistemas de Gestão.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here