Sistemas construtivos alternativos para o cenário da construção brasileira: Estudo de caso de residência unifamiliar

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ARTIGO ORIGINAL

MORAES, Rafael da Silva [1], FIGUEIREDO, Karoline [2]

MORAES, Rafael da Silva. FIGUEIREDO, Karoline. Sistemas construtivos alternativos para o cenário da construção brasileira: Estudo de caso de residência unifamiliar. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 03, Vol. 02, pp. 138-158. Março de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/sistemas-construtivos

RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo a análise de desempenho de alternativas construtivas ao método convencional de alvenaria, que são: O Steel Frame, Concreto PVC e Bloco de Concreto com Poliestireno Expandido (EPS). Utilizou se o estudo de caso a fim de verificar a eficácia das alternativas e sua aplicação ao caso concreto.

Palavras-chave: Análise, desempenho, Alternativas Construtivas.

1. INTRODUÇÃO

“Com o advento da globalização, diversos setores econômicos da sociedade são influenciados a se modernizarem e se reformularem tecnicamente, de forma a atender a demanda do mercado consumidor. Na construção civil isso não é diferente: é preciso buscar novas metodologias que racionalizem processos e que ofereçam vantagens ao construtor, de forma a acelerar a evolução da cadeia produtiva” (TRINDADE, 2013).

A construção civil brasileira utiliza-se majoritariamente de sistemas construtivos convencionais, como é o caso do sistema de alvenaria em bloco cerâmico. Isso deve-se ao atraso que o país tem em relação a países desenvolvidos, com uma visão construtiva sustentável.

Surge-se, então, a necessidade de se avaliar diferentes alternativas construtivas, que sejam capazes de substituir de forma satisfatória o método convencional de alvenaria armada. Nesse contexto, torna-se necessário avaliar o desempenho dessas alternativas de projetos de construção.

Segundo Borges (2008) apesar de a palavra desempenho ter, muitas vezes, uma interpretação empresarial, sua aplicação na construção civil está ligada a requisitos técnicos para a utilização e ciclo de vida útil da construção.

A Norma de desempenho NBR-15575 estabelece parâmetros de desempenho para a construção civil. Suas indicações estão pautadas em requisitos mínimos de segurança, habitabilidade e sustentabilidade. Dentre os aspectos abordados pela norma estão: Carga estrutural, resistência ao fogo, estanqueidade, desempenho térmico e acústico, durabilidade, dentre outros.

Realizar uma análise de desempenho no setor da construção civil, então, representa avaliar critérios que sejam mensuráveis, para que se tomem decisões mais assertivas, dentro da realidade em que a construção está inserida.

O enfoque do presente trabalho é a análise de desempenho das alternativas construtivas Light Steel Frame, Concreto PVC e Bloco de Concreto com Poliestireno Expandido e por meio do estudo de caso avaliar sua aplicação ao caso concreto. Para isso, foram escolhidos três aspectos principais a serem considerados: o custo, a produtividade e a carga estrutural.

Para o desenvolvimento do trabalho foram atendidas as indicações normativas do PBQP-H, um programa do Governo Federal que tem por objetivo a organização do setor da construção civil, através de certificações, quando atendidas as ações necessárias para a melhoria da qualidade do habitat e da modernização produtiva.

Também foram observados parâmetros normativos do SINAT (Sistema Nacional de Aprovações Técnicas), criação do PBQP-H, que apresenta procedimentos executados pela comunidade técnica nacional, com o objetivo de avaliar novos produtos e sistemas construtivos.

A análise de desempenho das alternativas construtivas apresentada é possível através da contemplação dos resultados obtidos em um estudo de caso de uma edificação residencial unifamiliar. A simulação de execução do projeto utilizando as três alternativas construtivas de forma separada possibilita o estabelecimento de nexo comparativo entre elas e, consequentemente, a análise de desempenho dos aspectos já estabelecidos.

2. ALTERNATIVAS CONSTRUTIVAS

2.1 ALTERNATIVA A: LIGHT STEEL FRAME

A alternativa construtiva Light Steel Frame (LSF) é um modelo de construção no qual se utiliza o aço como principal matéria prima para forjar a parte estrutural de uma edificação. O LSF é um sistema construtivo racionalizado e dinâmico, que permite execução de grandes construções em curto espaço de tempo, sendo o aço o principal substituto do concreto, armadura e madeira. Por isso, tem tido cada vez mais aceitação no cenário construtivo brasileiro.

De acordo com Campos (2014) a alternativa construtiva LSF ainda não está difundida no Brasil em sua totalidade, tendo sua concentração na região sudeste devido ao maior desenvolvimento econômico regional, maior disponibilidade de mão de obra qualificada, instalação dos principais fornecedores de materiais, dentre outros.

A utilização do LSF é dinâmica, permitindo a variação na utilização de diversos tipos de revestimentos, além da facilidade de aplicação em projetos diversos, com a vantagem de otimização de gastos e perdas, por se tratar de uma alternativa construtiva racionalizada (OLIVEIRA, 2015).

Figura 1 – Esquema de montagem de casa em LSF

Fonte: Freitas (2006)

O LSF é uma alternativa construtiva de cunho estrutural, que utiliza perfis de aço leves. Existem diversos tipos de métodos para a construção em Steel frame. Tais métodos referem-se à alternativa utilizada para montagem das vedações verticais ou de outros compartimentos, como é o caso das construções modulares destinadas a escritórios, banheiros, dentre outros.

Os perfis montantes não são capazes de resistir a esforços horizontais por si mesmos. Para evitar este tipo de ação, é necessário utilizar mecanismos de estrutura rígida ou elementos capazes de transferir esforços para as fundações, podendo ser utilizados os reforços e painéis estruturais (FREITAS, 2006).

2.2 ALTERNATIVA B: CONCRETO PVC

O Poli cloreto de vinil, conhecido como PVC, é um material termoplástico fabricado em larga escala no Brasil, que possui grande versatilidade, possibilidade de mudança de composto, além de um longo ciclo de vida. Por isso, tornou-se um material de grande aplicação na construção.

Surge, então, o concreto PVC, alternativa construtiva que chegou ao Brasil na última década. Em suma, ela consiste em painéis de PVC montados verticalmente, que possuem a funcionalidade de atuar como fôrmas de concreto e, ao mesmo tempo, revestimento acabado. Sua aplicação tem por objetivo funcionar como vedações verticais internas e externas com função estrutural (DIRETRIZES DE AVALIAÇÃO TÉCNICA DE PRODUTO SINAT, 2017).

Ainda de acordo com Diretriz Sinat (2017) os painéis de PVC usados como alternativa construtiva atendem às condições de conforto térmico e acústico e segurança contra o fogo, são resistentes à ação de fungos, à maioria dos agentes químicos e às intempéries, reduzindo a necessidade de manutenção das paredes.

O concreto utilizado para o preenchimento vertical é o auto adensável, tendo em vista não ser viável a utilização de vibração mecânica.  O concreto auto adensável (CAA) precisa apresentar elevada fluidez e capacidade de deformação, além de elevada estabilidade da mistura, o que lhe confere três características básicas e essenciais, que são: a habilidade de preencher espaços nas fôrmas; habilidade de passar por restrições; e capacidade de resistir à segregação (REPETTE, 2019).

Figura 2 – Alternativa Construtiva Concreto PVC

Fonte: Araújo (2018)

Conforme afirma Santos (2015) em determinadas situações em que seja necessária a montagem e desmontagem, o preenchimento pode ser executado com a composição de agregados reciclados somados à areia e pedra, ou simplesmente ser composto por madeira em seu interior quando a instalação for provisória, permitindo com facilidade a desmontagem.

De acordo com Diretriz Sinat (2017) apesar de ser uma alternativa interessante, ela possui restrições quanto a sua construção. Para se executar o projeto, deve ser feita a análise topográfica, verificação do possível surgimento de umidade e análise de dados climáticos. O objetivo destes critérios técnicos é prever a condensação da umidade na parte interna do imóvel, melhor absorção solar e prever o coeficiente de pressão adequado causado pela incidência de vento sobre o desenho topográfico.

2.3 ALTERNATIVA C: BLOCO DE CONCRETO COM POLIESTIRENO EXPANDIDO

O Poliestireno expandido (EPS), conhecido como isopor, é um material encontrado com facilidade e possui grande aplicabilidade, que vai desde a aplicação no setor alimentício até no setor industrial (ESCOLA, 2016). O grande problema de sua utilização encontra-se na geração de resíduos de difícil absorção pela natureza. O resíduo de EPS causa poluição ambiental e o custo de estoque deste resíduo é alto.

Segundo Kan e Demirboga (2009) Reutilização, reciclagem e redução são consideradas os únicos métodos de recuperação deste resíduo. Portanto, vislumbram-se várias oportunidades de melhoria nestes processos de recuperação ao se empregar este material na construção civil.

De acordo com Manual de Uilização de EPS na construção (2008) As principais vantagens do bloco de concreto com EPS em relação  ao bloco de concreto convencional é a diminuição de carga estrutural; aumento do conforto térmico; aumento do conforto acústico, além de outras características provenientes do EPS. Sobre as vantagens específicas do EPS estão a baixa condutividade térmica, baixo peso, resistência mecânica, baixa absorção de água, resistência à compressão e ao envelhecimento, dentre outras.

Conforme NBR 6136 os materiais que integram a composição do Bloco de concreto são: Cimento Portland; água limpa e isenta de produtos que possam interferir na hidratação; agregados graúdos e miúdos, além da possibilidade de utilização de aditivos.

As pesquisas de dados e fabricantes de bloco de concreto EPS apontam para a composição de materiais no bloco nas seguintes porcentagens (FONSECA, 2013):

  • Cimento: 10 a 20%;
  • Areia: 33 a 45%;
  • Pedrisco: 33 a 45%;
  • Isopor moído: 5 a 24%.

Um estudo de ensaios realizado no Instituto Federal do Mato Grosso (IFMG) comprovou o caráter não estrutural do bloco de concreto com EPS. Para executar os ensaios, foram utilizados traço 1: 5 na argamassa, tendo como base os elementos do concreto tradicional como areia, cimento e pedra (HELENE, 2011). Foram adicionados 1,5% de EPS, substituindo areia como agregado miúdo (ESCOLA, 2016).

A resistência média à compressão obtida nos ensaios foi de 2,54 MPa. Para obter sua classificação quanto à resistência à compressão é preciso observar os parâmetros da tabela 1, situada abaixo.

Tabela 1 – Requisitos para resistência característica a compressão, absorção e retratação

Conforme a análise dos ensaios, o bloco de concreto EPS apresentou resistência a compressão de 2,54 MPa, para a dosagem apresentada. A verificação da resistência na tabela 1 indica a classificação D, uma vez que seu fbk é inferior a 3,0 Mpa. De acordo com NBR 6136/2007 a Classe D pode ser entendida como sem função estrutural, para uso em elementos de alvenaria acima do nível do solo.

2.4 INTEGRAÇÕES DAS ALTERNATIVAS B E C

A Alternativa construtiva B (Concreto PVC) pode ser integrada à essência da Alternativa C (bloco de concreto com EPS).

De acordo com Diretriz Sinat (2017) a alternativa construtiva Concreto PVC deve ser implantada utilizando um concreto auto adensável, com o objetivo de dispensa do método de vibração mecânica que poderia danificar a fôrma de PVC.

De acordo com NBR 9778, a massa específica do concreto convencional varia entre 2.000kg/m³ e 2.800kg/m³. Essa massa específica poderá ser dosada seguindo parâmetros normativos com o objetivo de maior desempenho em relação a redução de carga estrutural, tendo como exigência a observância à resistência mínima a compressão.

Um parâmetro importante que deve ser observado ao se executar a dosagem do concreto com EPS e outros agregados é atingir um fck mínimo de 20 MPa conforme informa a NBR 5739.

No preenchimento dos painéis de PVC em que se opte pela utilização do concreto leve, utiliza-se de forma predominante o EPS (agregado leve) como substituto de outros agregados, seguindo instrução de fabricantes que atestem a eficácia da utilização do EPS na construção civil (SCHMIDT, 2013).

3. ESTUDO DE CASO

O objetivo do estudo de caso é a análise de desempenho das alternativas construtivas apresentadas estabelecendo um nexo comparativo entre estas. Com base em dados fornecidos por este estudo, foi possível avaliar o desempenho de cada alternativa e, a partir disso, visualizar em que circunstâncias é indicada a aplicação de determinada alternativa construtiva, de acordo com o desempenho desejado.

A análise comparativa das alternativas construtivas apresentadas pôde ser efetuada através de três parâmetros fundamentais, que são objetos deste estudo de caso: As cargas estruturais das alternativas A, B e C; o índice de produtividade das alternativas A, B e C; e o custo de construção das alternativas A, B e C.

A Figura 3 apresentada a seguir refere-se a uma construção de uma residência unifamiliar com área útil correspondente a 43,0m², com o Pé direito de 2,80m de altura. A análise construtiva do projeto será observada sob três perspectivas diferentes (alternativas A B e C), sendo os cálculos e parâmetros utilizados, baseados em referências normativas, pesquisas e dados disponibilizados por fabricantes e construtores especializados.

Figura 3 – Residência Unifamiliar

Fonte: VESARGE (2016)

Foram considerados os seguintes parâmetros nesse projeto:

a) Fundação

A fundação escolhida para execução deste projeto é a fundação Radier, tendo em vista ser aplicada às três alternativas construtivas em estudo. Para cálculo de área da fundação Radier foram admitidos a área a ser construída aumentada em 1m da sua borda lateral ao longo de todo o invólucro. As fundações do tipo Radier são consideradas fundações rasas, sendo configurada como uma laje de concreto armado, na qual todas as cargas podem ser apoiadas, por este motivo esse tipo de fundação é o ideal para alternativas construtivas como o Steel Frame.

b) Tipo de concreto

O concreto utilizado para preenchimento das vedações foi o concreto leve (com EPS). O concreto aplicado a este projeto foi dosado com o parâmetro de redução de sua massa específica 2500 kg/m³ para 900 kg/m³, com objetivo de redução de carga estrutural e absorção do resíduo EPS. Para a dosagem que atenda o requisito de 900 kg/m³ foram utilizados: cimento; agregado miúdo; EPS; aditivo vinílico para EPS; Super-fluidificante, em Proporções tabeladas (SCHMIDT, 2013).

c) Volume de concreto

O volume dimensionado corresponde a 6.822,4 m³, valor que servirá de embasamento para dimensionamento de carga.

d) Massa específica

Para obtenção da massa específica, foi necessário observar a composição e dosagem do concreto.

e) Produtividade

Para fins de cálculo de índice de produtividade, foram considerados: equipe de quatro operários; área útil de 43 m²; carga horária diária de trabalho correspondente a 8hs diárias.

3.1 ANÁLISE COMPARATIVA

A análise feita serviu para comparar as três diferentes alternativas construtivas. Para cada uma das alternativas aplicadas, foram analisados a produtividade, a carga estrutural e o custo.

Na Construção Civil, o cálculo do índice de produtividade é medido por um índice parcial, denominado Razão Unitária de Produção (RUP), em que a razão entre entradas e saídas é expressa como Homens hora despendidos (H.h) por quantidade de serviço realizado (Qs), dado em m², de acordo com a Equação 1 (ARAÚJO, 2001).

Para se chegar ao índice de produtividade com exatidão, é necessário que se descrimine todas as etapas construtivas em detalhe, a fim de calcular o RUP cumulativo e, por consequência, chega-se ao tempo de construção. Para cálculo de índice de produtividade, foram observados dados de fabricantes e pesquisas.

Referente ao cálculo de carga estrutural, foi utilizado o peso dado em kg/m² para o Steel frame e para o bloco de concreto com EPS, observando a área de vedação vertical correspondente a 106,6 m². Na alternativa Concreto PVC, foi observada uma massa específica de concreto de 900 kg/ m³ com um volume de preenchimento de 6.822,4 m³.

Para o cálculo de custo, foram levados em consideração o valor em R$/m², com base em dados fornecidos por especialistas e em pesquisas. Para fim de simulação, foi aderido o custo construtivo da alternativa Concreto PVC igual a R$ 995,71 (ARAÚJO, 2017). O custo de Steel frame igual a R$ 1.313,37 (MENEGHEL,2017). O custo do Bloco de Concreto EPS igual a R$ 1024,29 (ARAÚJO, 2017).

Os parâmetros considerados nos cálculos são especificados a seguir, divididos por alternativa construtiva (Light Steel Frame, Concreto PVC e Bloco de Concreto com Poliestireno Expandido).

3.1.1 LIGHT STEEL FRAME

Para o cálculo de produtividade, foram utilizados os valores da Tabela 2.

Tabela 2 – Produtividade do Sistema Light Steel Frame

Fonte: Adaptado de Domarascki e Fagiani (2009)

Para a análise de carga estrutural, adotou-se o peso de 46 kg/m² (CICHINELLI,2019). Como a área das vedações verticais, descontadas as esquadrias, corresponde a 106,6 m², tem-se:

Para cálculo do custo produtivo do Steel frame foi adotado o valor 1.313,37 (MENEGHEL,2017). Para a área construída de 43 m². Então:

3.1.2 CONCRETO PVC

Para o cálculo de produtividade, foram utilizados os valores da Tabela 3.

Tabela 3 – Produtividade do Concreto PVC

Fonte: Programa de inovação tecnologia (2014)

Para análise de carga estrutural, é necessário analisar a carga do PVC e do concreto separadamente. Para cálculo de carga das formas de PVC, adotou-se o PVC com as seguintes especificações: 1,7 cm de espessura e peso de 14 kg/m² (DIRETRIZ SINAT, 2017).

Espaçamento da forma PVC aderida: 6,4 cm.

Para cálculo de carga do concreto foi observada a dosagem da tabela a seguir.

Tabela 4 – Dosagem para massa específica 900 kg/m³

Fonte: SCHMIDT (2013).

Carga do Concreto:

Para a carga total da alternativa Concreto PVC foram somados a carga do concreto e a do PVC, o que resulta uma carga igual a 7,64 toneladas.

3.1.3 BLOCO COM EPS

Para cálculo de índice de produtividade, foram observadas as mesmas etapas construtivas que a alvenaria convencional, de acordo com a Tabela 5.

Tabela 5 – Produtividade do Bloco com EPS

Fonte: Adaptado de Domarascki e Fagiani (2009)

Para o cálculo da carga estrutural, foram adotadas as dimensões do bloco como 590 mm x 235mm x 150 mm, além de um fbk de 2,5 Mpa. Para cálculo de carga da alvenaria foi observado o peso de 70 kg/m², enquanto o peso da argamassa industrializada utilizada foi igual a 18 kg/m².

Carga da argamassa:

A carga total é o somatório das cargas da argamassa e do bloco, resultando em 9,36 toneladas.

Para cálculo do custo produtivo, foi adotado o valor por semelhança do bloco de concreto auto clavado: 1024,29 por m² (ARAÚJO, 2018). Isso foi feito considerando-se uma área construída de 43 m².

3.2 RESULTADOS DAS ANÁLISES

Observe na tabela 6 abaixo os dados coletados no estudo, que possibilitarão a análise comparativa.

Tabela 6 – Dados Comparativos das Alternativas

Fontes: (a) O Autor, (b) Programa de inovações tecnológicas (2014) , (c) Domarascki e Fagiani (2009).

Apesar da análise de desempenho ser aplicada especificamente à construção de residência unifamiliar, os parâmetros observados obedecem aos requisitos normativos e premissas do PBQP-H e SINAT, o que atribui ao estudo a possibilidade de extensão das análises de desempenho para outras construções similares.

Através do estudo é possível visualizar qual alternativa construtiva oferece maior desempenho em determinado aspecto, logo apresenta a indicação da aplicação das alternativas construtivas analisadas, de acordo com o cronograma da construção, requisitos técnicos e desempenho desejado.

Em relação ao desempenho de custo, uma alternativa construtiva é considerada eficaz quando o custo é o menor em relação às demais alternativas construtivas.

Já em relação ao desempenho de produtividade, é entendido como tendo maior eficiência, o menor índice de produtividade, ou seja, o menor Hh/m².

Por fim, o desempenho de carga estrutural é avaliado como sendo o mais eficaz, se sua carga estrutural é menor, tendo em vista que a redução de carga estrutural é uma das vantagens das alternativas em detrimento ao sistema convencional de alvenaria armada.

Na tabela 7 abaixo é possível analisar o desempenho das alternativas construtivas que são objeto deste estudo.

Tabela 7 – Análise de Desempenho das Alternativas A, B e C.

Fonte: O Autor.

4. CONCLUSÃO SOBRE AS ALTERNATIVAS

4.1 SOBRE ALTERNATIVA A

A alternativa A (Steel Frame) apresentou o menor peso referente à redução de cargas transmitidas à fundação, tendo em vista sua estrutura ser composta de perfis de aço leve e o interior do painel ser vazio, ou seja, apresentou o maior desempenho em relação à análise de carga estrutural.

Em consideração à análise de produtividade da alternativa A, observou-se ser inferior à alternativa B (Concreto PVC) e superior à alternativa C (Bloco de concreto PVC). Em resumo, esta alternativa construtiva apresentou desempenho intermediário.

Sobre a análise de custo da alternativa A, o sistema foi o que apresentou maior valor construtivo de seu m² em relação aos demais. Desta forma, este é o que apresenta pior desempenho em relação às alternativas apresentadas.

Para fim de simulação de custo utilizou-se o valor de R$ 1.313,37. Porém é importante enfatizar que o Brasil é extremamente heterogêneo, possuindo regiões com diferentes níveis de desenvolvimento, além da variação de impostos e encargos tributários, o que pode fazer o custo construtivo variar de forma considerável, dependendo da região econômica em que se pretenda executar o projeto.

4.2 SOBRE ALTERNATIVA B

A alternativa B apresentou, na análise de carga estrutural, uma carga intermediária, sendo superior à alternativa A e inferior à alternativa C. Desta forma, para o aspecto de carga estrutural o desempenho é intermediário.

Na análise de índice de produtividade, foi observado o menor Hh/m², ou seja, a maior produtividade e o menor tempo construtivo. Desta forma, esta alternativa apresenta o maior desempenho referente à produtividade.

Para fim de simulação de custo da alternativa B, utilizou-se o valor do m² igual R$ 995,71, orçada para a construção de 43 m². Semelhante à alternativa A, o custo construtivo pode variar de acordo com a região econômica em que se pretenda construir.

A alternativa B, por apresentar o maior desempenho quanto a produtividade e quanto ao custo, é indicada para ser aplicada em projetos onde o cronograma de construção é curto e o recurso disponível para investimento seja limitado.

Sobre a alternativa B é importante destacar que o tempo de construção é inferior ao das alternativas A e C, tendo em vista a redução de etapas construtivas em relação às demais alternativas, como por exemplo a fôrma de PVC que se incorpora à estrutura servindo de revestimento de parede.

Ainda sobre a alternativa B observou-se o dinamismo desta alternativa que possibilita a manipulação de carga estrutural, através do método de dosagem aderido. A redução da carga estrutural é possível através da adição de agregados leves, que altera a massa específica do concreto auto adensável, reduzindo a carga estrutural.

4.3 SOBRE ALTERNATIVA C

A alternativa C apresentou o maior índice de produtividade em Hh/m², sendo o menor desempenho de produtividade entre as três alternativas apresentadas.

Sobre produtividade da alternativa C, é importante observar a similaridade da alternativa construtiva C de alvenaria com bloco de concreto EPS com a alvenaria em bloco cerâmico, no que se refere às etapas construtivas. Isso ocorre porque, para fim de execução da vedação, são observados os mesmos processos construtivos, desde o assentamento do bloco até o revestimento cerâmico. Este processo faz com que o tempo de construção se alongue, ficando o desempenho de produtividade abaixo das alternativa A e B.

Sobre a análise de carga estrutural notou-se a maior carga entre as 3 alternativas, apontando para o pior desempenho em relação às alternativas construtivas A e B.

Ainda sobre análise de cargas observou-se a diminuição de peso do bloco de concreto com EPS em relação ao convencional. De forma semelhante ao concreto PVC, ocorre o processo de adição de agregados à massa, que, no caso específico do bloco, são pérolas de EPS.

Sobre os requisitos normativos do bloco, notou-se que a adição de agregados leves a argamassa altera de forma significativa a massa específica do bloco, diminuindo o peso próprio da alvenaria. Porém, esta redução diminui também a resistência à compressão, alterando o caráter do bloco que deixa de ser estrutural, para compor a classe de vedação não estrutural.

Em continuidade a observação dos parâmetros normativos, observou-se que a resistência média à compressão apresentada foi de 2,5 MPa. Segundo a NBR 6136 é preciso observar o fbk mínimo de 2,0 Mpa para alvenaria não estrutural.

Devido à adição de EPS na argamassa do bloco, esta alternativa apresenta melhora no desempenho termo acústico da alvenaria, sendo indicado para projetos que serão executados em áreas quentes ou de poluição sonora elevada.

5. CONCLUSÕES GERAIS

A ameaça aos recursos naturais de fontes não renováveis é um problema atual que deve ser encarado com seriedade, uma vez que pode comprometer o futuro das próximas gerações. Diante disso, é importante a avaliação de alternativas construtivas industrializadas, que ofereçam um desempenho satisfatório sem contribuir para o desiquilíbrio do Planeta.

A pesquisa sobre alternativas construtivas para o mercado da construção civil é de grande importância, uma vez que existe uma tendência de diminuição a longo e médio prazo dos recursos naturais e matérias primas que fomentam esta indústria.

Como o assunto sustentabilidade é atual em todo o mundo, existe um esforço da maioria dos países em atentar para a questão sustentável. Tem-se a perspectiva de crescimento da construção civil brasileira por meio de mecanismos industrializados, por isso a importância do estudo de alternativas construtivas dinâmicas.

A pesquisa realizada proporcionou, de maneira geral, a visualização das vantagens da aplicação de alternativas construtivas industrializadas, que são: o aumento de desempenho no projeto, soluções construtivas adequadas para determinados fins, diminuição de etapas construtivas quando comparado a sistemas convencionais, caráter sustentável, dentre outras vantagens.

O estudo analisou três alternativas construtivas: Steel frame (A); Concreto PVC (B); Bloco de concreto com EPS (C), com aplicação destas ao caso concreto, por meio do estudo de caso, a fim de visualizar as características e desempenho de cada alternativa, através de análise comparativa.

As três alternativas construtivas que foram aplicadas na simulação da construção de uma residência unifamiliar possibilitaram a geração de dados para a comparação de desempenho. Observou-se entre as três alternativas um maior desempenho de cargas na aplicação da alternativa A, o que se deve ao fato de o interior das divisórias ser vazio, quando não preenchido por isolamento termo – acústico.

Sobre o índice de produtividade, notou-se que a alternativa B apresentou maior desempenho, devido ao dinamismo do processo instalação, que reduz o tempo construtivo, impactando na produtividade. Sobre o custo construtivo, a alternativa com o maior desempenho foi a alternativa B.

A análise do estudo se deu em similaridade de condições para que houvesse fidelidade aos dados apresentados, ou seja, aplicação das três alternativas construtivas em uma mesma cidade, um mesmo terreno, com a mesma fundação, observadas as mesmas instalações.

Embora para a análise comparativa de desempenho tenha sido executado um projeto de residência unifamiliar, existe a possibilidade de utilização destes mesmos parâmetros para a execução de projetos diversos, uma vez que o presente trabalho apresentou a análise de desempenho dos métodos construtivos, sem o enfoque de aspectos isolados.

Através deste trabalho foi possível a percepção do desempenho de cada alternativa construtiva de forma separada, o que serve de parâmetro indicativo de aplicação da alternativa adequada, quando se deseja o determinado desempenho.

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[1] Especialista em Planejamento Gestão e Controle de Obras Civis- POLI/UFRJ; Bacharel em Engenharia Civil – Universidade Santa Úrsula –RJ.

[2] Mestre em Engenharia Ambiental – UFRJ.

Enviado: Janeiro, 2020.

Aprovado: Março, 2020.

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