Avaliação da viabilidade da implantação do sistema de reuso de águas cinza e pluviais em residências

1
192
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI [ SOLICITAR AGORA! ]
Avaliação da viabilidade da implantação do sistema de reuso de águas cinza e pluviais em residências
4.8 (96.8%) 25 votes
ARTIGO EM PDF

ARTIGO ORIGINAL

BARRADINHO, Daniel [1], SILVA, Ediellen Fidelis de Souza [2], RIBEIRO, Vinicius Evangelista [3], CRUZ, Willian Fernandes [4], PERES, Willyder Leandro Rocha [5]

BARRADINHO, Daniel. Et al. Avaliação da viabilidade da implantação do sistema de reuso de águas cinza e pluviais em residências. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 11, Vol. 04, pp. 05-25 Novembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

Está cada vez mais evidente o aumento da demanda e a diminuição da oferta de água com qualidade, é um dos maiores problemas quem vem atingindo principalmente os grandes centros urbanos. O aumento acentuado da degradação ambiental e o crescimento desenfreado tanto populacional quanto urbano contribuem para esse panorama. Nesse contexto surgem novas técnicas, tecnologias, programas e políticas que auxiliem nas práticas de preservação da água. A promoção de atividades conservacionistas que ajudam no desenvolvimento de fontes alternativas de suprimento de água, como o reuso de águas cinza e o aproveitamento de águas pluviais vem ganhando força. Diante destes fatos pensou-se neste tema por perceber sua importância, que apresentou um estudo sobre a viabilidade da implantação do sistema de reuso de águas cinza e pluvial em uma residência familiar de dois pavimentos, considerando seis pessoas como usuários fixos, fazendo o reuso das águas pluviais, dos lavatórios, chuveiros e máquina de lavar roupa, reutilizando-as em rega de jardins, lavagem de pisos externos e internos, lavagem do veículo além das descargas das bacias sanitárias dos banheiros e lavabo. Foram definidos os sistemas de coleta, tratamento e distribuição dessas águas realizando as estimativas de custo de cada um dos sistemas. Por fim foi determinado o período de retorno, para o capital inicial investido no sistema de reuso, que teve como base o tratamento dos efluentes por meio de um filtro de areia e tanque de desinfecção.

Palavras-Chave: Água Cinza, Água Pluvial, Reuso, Projeto de Águas Cinza e Pluvial, Tratamento, Período de retorno.

INTRODUÇÃO

O sistema de reuso de águas cinza e pluvial tem como objetivo principal o aproveitamento de águas geradas a partir do uso de efluente doméstico, exceto pela contribuição de água da bacia sanitária e pia da cozinha, além do uso de águas derivadas das chuvas.

É sempre noticiado nos meios de comunicação sobre a escassez de água em todo o mundo, e caso se mantenha a taxa de crescimento populacional anual, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), até o ano de 2025 mais de 2,7 bilhões de pessoas deverão sofrer com a falta de água.

Segundo Coelho (2004), é necessário que métodos e sistemas alternativos modernos sejam sempre desenvolvidos e aplicados em sistemas específicos para restaurar o equilíbrio entre a demanda e oferta de água, garantindo a sustentabilidade do desenvolvimento econômico e social.

Nota-se então que o estudo sobre a importância do reuso de águas cinza e pluviais tem crescido tanto no aproveitamento de recursos naturais como no contexto de construções sustentáveis. Nessas construções são adotadas medidas durante todas as etapas da obra visando à sustentabilidade, através delas é possível diminuir os impactos no meio ambiente, promover a redução do uso de recursos naturais, melhorando a qualidade de vida dos ocupantes dessas construções.

Entretanto, para alcançar soluções para o aproveitamento dos recursos naturais, é necessário que haja conscientização da população no que se diz respeito à manutenção das condições de qualidade de vida e com relação aos resíduos por elas gerados, visto que é essencial buscar compreender os princípios da sustentabilidade e o conceito de conservação da água.

Por estes motivos nota-se a importância de um estudo que visa obter uma análise da inserção de um sistema de reuso de águas cinza e pluviais, que capte água dos lavatórios, chuveiros, máquinas de lavar roupa e águas das calhas, para destinos e usos menos nobres, como lavagens de calçadas e veículos, regas de jardins e descargas de bacias sanitárias, avaliando a viabilidade do sistema desde os custos de implantação, funcionamento e manutenção, viabilizando a determinação do seu período de retorno.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A água é um elemento fundamental para a manutenção da vida no planeta, sua presença ou a falta dela determina o futuro das próximas gerações. Na sociedade atual a água é considerada um recurso hídrico, deixando de ser um bem natural indispensável para existência humana, tornando seu uso desenfreado, desconsiderando as consequências ambientais em relação à sua qualidade e quantidade (BACCI; PATACA 2008).

Com isso novos produtos, tecnologias são desenvolvidas e estudadas, campanhas de conscientização são lançadas para que a sociedade fique ciente do risco que ela está exposta.

No setor da construção civil, principalmente, na fase de operação dos edifícios residenciais, o uso incorreto da água é responsável por uma grande parcela do impacto negativo no meio ambiente. Por isso na fase de desenvolvimento do projeto, é necessário adotar medidas que vão permitir a redução do consumo de água orientando o seu uso nas demais fases da construção.

De acordo manual da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), as águas cinza são classificadas como esgoto que não possui contribuição da bacia sanitária, ou seja, são gerados a partir do uso de lavatórios, chuveiros, maquinas de lavar roupas. Nolde (1999) não considera o efluente vindo da cozinha como água cinza, pois o mesmo possui altas taxas de poluição, e compostos indesejáveis como óleos e gorduras.

A NBR 15.527/2007 aborda os sistemas de aproveitamento de água da chuva, e diretrizes para os projetos e dimensionamento desses sistemas. Quanto aos projetos de sistemas de coleta de água pluviais, deve-se atender a NBR 5.626 – Instalações Prediais de água fria, e a NBR 10.844 – Instalações Prediais de águas pluviais.

Deve constar ao alcance do projeto, a população a ser atendida, a determinação da demanda, bem como os estudos das séries históricas e sintéticas das precipitações da região (ABNT, 2007).

DESENVOLVIMENTO

Foi elaborado um projeto arquitetônico e hidrossanitário de uma edificação localizada na cidade de Patos de Minas, de dois pavimentos, de alto padrão e construída em alvenaria, com a possibilidade de ocupação por uma família composta por seis pessoas. A casa em estudo possui dois banheiros, os dois no segundo pavimento e também um lavabo localizado no térreo. No térreo existe uma área de serviço, sala de estar, sala de jantar, sala de TV, cozinha, uma varanda e a garagem. O segundo pavimento existem três quartos, uma suíte, uma sala e duas varandas.

A determinação da estimativa de oferta de água cinza gerada na residência é necessária para o dimensionamento e continuidade do sistema, diante deste fato é de fundamental importância à definição dos percentuais que cada aparelho adotado no projeto vai gerar ao sistema. No projeto foi levado em consideração o chuveiro com contribuição média de 43,33%, o lavatório com 8,67% e a máquina de lavar roupas com média de 9,33%.

O consumo médio de água da edificação foi calculado em m³/mês, levando em consideração alguns dados como consumo médio mensal por habitantes da cidade em questão, e demais atividades que não exijam um alto grau de qualidade, ou seja, onde o consumo de água é considerado não potável.

As atividades foram estimadas conforme mostrado a seguir: a lavagem de calçadas foi estimada para 8 utilizações mensais, as atividades de limpezas gerais nos pisos internos e lavagem do veículo da família foram estimadas para 4 utilizações mensais. Para atividade de rega de jardins foi considerado o sistema de irrigação com aspersores, que segundo o modelo adotado tem alcance de 3,7 metros, adotando um total de 66 aspersores com uma média de utilização de 4 horas/dia.

Uma residência onde se pretende implantar esse tipo de sistema deve separar seus efluentes de acordo com seu interesse e direcioná-los para o sistema de tratamento, encaminhá-los para o sistema de reservação e assim distribuí-los para os pontos de sua necessidade (SELLA, 2011). Neste contexto, foi projetado um sistema de coleta, tratamento e distribuição de águas cinza e pluvial.

SISTEMA DE COLETA ÁGUAS CINZA

Para o projeto de coleta é necessário ter como primeiro passo a determinação dos aparelhos sanitários que vão contribuir diretamente para o sistema de águas cinza (NBR 8.160/1999). De acordo com a norma já citada acima, é necessário determinar as Unidades de Hunter de Contribuição (UHC), obtendo assim o diâmetro nominal dos ramais de descarga de cada ambiente. A tabela a seguir mostra a contribuição bem como o diâmetro nominal do ramal de descarga de cada aparelho do sistema.

Unidades de Hunter de contribuição dos aparelhos sanitários e diâmetro nominal mínimo dos ramais de descarga

Aparelho Número de UHC Diâmetro Nominal do ramal de descarga (mm)
Chuveiro de Residência 2 40
Lavatório de Residência 1 40
Maquina de Roupas 3 50
Tanque de Lavar Roupas 3 50

Fonte: NBR 8160/99

O segundo passo é a determinação do dimensionamento das caixas sifonadas de cada ambiente. Segundo a NBR 8160/99, o diâmetro nominal da caixa deve ser de 100 mm, pois os efluentes dos aparelhos em questão não excedem o limite de 6 UHC. Os ramais de descarga das caixas sifonadas estão dispostos na tabela a seguir.

Dimensionamento dos ramais de descargas das caixas sifonadas por ambiente.

Ambiente Numero de UHC Diâmetro nominal mínimo do ramal de descarga
Banheiro 3 50
Lavabo 1 50
Área de Serviço 6 100

Fonte: NBR 8160/99

Foi adotado em todo o sistema de descarga um diâmetro nominal mínimo de 50 mm, pois nenhum dos aparelhos dos ambientes em questão ultrapassaram o limite de 6 UHC. Conforme a norma a inclinação recomendada nesse caso é de 2%.

Após essa etapa é feito o dimensionamento dos diâmetros dos tubos de queda do segundo pavimento. No sistema foi necessário e projetado 2 tubos de quedas que foram nomeados de TQAR1 e TQAR2. A tabela a seguir apresenta o número de Unidades de Unidades Hunter de Contribuição (UHC) que chega a cada tubo e o seu respectivo diâmetro.

Dimensionamento Tubos de Queda

Tubo de queda Número de UHC Diâmetro nominal (mm)
TQAR1 4 50
TQAR2 4 50

Fonte: NBR 8160/99

O diâmetro de 50 mm utilizado nos tubos de queda do sistema de coleta atende as orientações da NBR 8160/99, sendo o mesmo diâmetro utilizado para os ramais de esgoto, tornando o sistema mais simples. A figura a seguir mostra o detalhamento do sistema de coleta dos banheiros 01 e 02 já que o layout dos ambientes é o mesmo.

Planta detalhada do Banheiro 01 e 02.

Fonte: autor

No lavabo não foi utilizado tubos de queda, pois a contribuição existente foi apenas do lavatório, sendo então conduzida diretamente para o sistema de tratamento, conforme a figura a seguir mostra.

Planta detalhada do Lavabo.

Fonte: autor

O transporte dos efluentes localizados no térreo é dimensionado através dos coletores e subcoletores que levam em consideração o aparelho de maior descarga de cada ambiente (NBR 8160/99). Sendo assim foram consideradas as contribuições dos chuveiros, lavatórios e máquina de lavar roupa. A tabela a seguir apresenta os coletores de água reuso no térreo que direcionam as águas cinza para o sistema de tratamento.

Coletores horizontais de esgoto

Coletor Número de UHC Diâmetro Nominal (mm)
CAR1 4 50
CAR2 4 50
CAR3 1 50
CAR4 3 50

Fonte: NBR 8160/99

O diâmetro adotado para todos os ramais de coleta de águas cinza da edificação foi de 50 mm, já que nenhum coletor excedeu 6 UHC.

SISTEMA DE COLETA ÁGUAS PLUVIAIS

No sistema de reuso das águas pluviais considerado foi escolhido o sistema captação por meio do escoamento dos telhados, se baseando nas formas construtivas apresentadas por Herrmann, Schmida e Annechini (2005), adotando o sistema de fluxo parcial, onde parte da água da chuva coletada pela superfície de captação é direcionada ao reservatório de armazenamento. Para o sistema de condução das águas coletadas, foram utilizadas calhas retangulares de 20 cm, com 13 condutores verticais com diâmetro de 75 mm e condutores horizontais com diâmetro também de 75 mm.

O sistema de tratamento considerado foi mesmo do que o adotado para as águas cinza, as águas coletadas foram conduzidas para o filtro de areia passando pelos mesmos processos que as outras águas de reuso.

Para o cálculo de economia de água pluvial na residência é considerado o índice pluviométrico na cidade em que a residência está localizada, e leva-se em consideração a média de dias/ano com chuva, obtendo os valores acima em questão e dividindo pela área de captação do telhado obtém-se o índice de aproveitamento de água pluvial. A equação a seguir exemplifica o cálculo descrito acima.

Onde:

LD = litros distribuídos por dia;

AC = área de captação dos telhados em m²;

I = índice pluviométrico;

ND = número de dias considerado.

Para a área de captação foi considerado o valor de 252,05 m², então se baseando nas informações já apresentadas foi encontrado o valor de 1960,38 L/dia.

SISTEMA DE TRATAMENTO

O sistema de tratamento escolhido é composto por duas etapas com processos distintos, utilizando um filtro de areia e um tanque de desinfecção. O filtro de areia é o primeiro processo no qual a água de reuso vai ser submetida. A escolha desse processo se deu pelo fato desse filtro favorecer a absorção de contaminante do fluxo do efluente, além de ser uma tecnologia simples, com baixo custo de operação e manutenção. O sistema adotado consiste em um tanque com um volume de lamina d’água variável e camadas preenchidas com areia e pedriscos com granulometrias distintas e um fundo drenante. A figura a seguir detalha o esquema do filtro de areia utilizado.

Esquema do filtro de areia.

H:\TCC\Imagens\Filtro de Areia.png
Fonte: autor

O dimensionamento da área superficial do filtro foi embasado na Norma Brasileira ABNT: NBR 13969/1997 onde estabelece duas equações na qual se deve seguir. A equação a seguir é em função da taxa de aplicação superficial:

Onde:

TAS = área superficial do filtro (L/dia.m²);

Q = vazão (L/dia);

A = área superficial (m²).

A segunda equação estabelece o diâmetro que o filtro deve conter, (lembrando que foi adotado a forma circular). A NBR 13969/1997, estabelece que a taxa de aplicação superficial para o cálculo da área superficial do filtro não deve ultrapassar 100L/dia.m² então o cálculo do diâmetro da área do filtro resultou no seguinte valor:

Onde:

D = diâmetro;

Q = vazão (L/dia);

TAS = área superficial do filtro (L/dia.m²);

Para o volume médio de produção de água cinza na residência foi considerado o valor de 745,95L/dia e a taxa de aplicação para cálculo da área superficial do filtro limitada em 100L/dia conforme a NBR 13969/1997 determina. Aplicando esses valores na equação acima têm-se o resultado de 3,01 metros.

A espessura das camadas de areia adotada foi de 1m, trabalhando com o coeficiente de segurança. A primeira camada de brita de 10 cm e a camada de aeração composta por brita 4 uma espessura de 20 cm.

O dimensionamento do filtro de areia foi baseado na metodologia de Tonetti (2005) e na NBR 13969/97. Foi adotado um filtro com formato de uma caixa cilindríca com diâmetro interno de 1,10 m, contendo três camadas de materiais dispostas a partir da base. As duas primerias camadas foram compostas por britas tendo como objetivo evitar que a areia fosse carregada para a próxima etapa do sistema. A primeira camada possui 20 cm de espessura e foi composta por brita 4, com diâmetro efetivo (D10) de 37 mm e coeficiente de desuniformidade de (CD) de 2,40. A segunda camada possuia 10 cm de espessura e foi composta por brita 1, com (D10) de 9,6 mm e (CD) de 1,771. Por fim a última camada do filtro foi composta por areia com diâmetro de 0,093 mm e CD 4,516, popularmente chamada de areia grossa comercial, e disposta por 1 m de profundidade.

Os efluentes que tenham como destino final o reuso devem sofrer desinfecção, assim o segundo tanque escolhido foi o de desinfecção, por ser um sistema bem simples e de fácil operação. O tanque conta com um sistema de pastilhas de hipoclorito de cálcio, mais popularmente conhecida como pastilhas de cloro. As pastilhas são acopladas em um flutuador no qual tem a função do controle de dosagem quando a água em tratamento entra em contato com essas pastilhas. O flutuador fica em suspensão dentro do tanque, e através de grelhas localizadas na parte inferior do equipamento consegue fazer as dosagens necessárias para que não falte ou ultrapasse o limite de cloro na água. Para o bombeamento da água tratada para o reservatório superior é necessária à escolha de uma bomba que seja recomendada para abastecimento doméstico e que atenda as necessidades do projeto.

SISTEMA DE ABASTECIMENTO

Para elaboração do sistema de abastecimento com as águas tratadas é necessário ter os pontos de recebimento muito bem definidos para evitar que falte água de abastecimento para o sistema.

Após a última etapa do tratamento a água é bombeada para um reservatório superior no qual a água é direcionada para pontos que vão receber essas águas de reuso. Os pontos que foram levados em consideração são as descargas das bacias sanitárias dos banheiros e lavabo, e torneiras externas que abastecem os aspersores.

AVALIAÇÃO DOS CUSTOS

A avaliação dos custos é de suma importância para que o objetivo final deste artigo seja alcançado. Então para determinação da viabilidade do sistema é levado em consideração o levantamento dos custos de implantação e manutenção/operação, obtendo assim a determinação do período de retorno do capital investido no sistema.

CUSTO DE IMPLANTAÇÃO

Para os custos de implantação são consideradas as tubulações usadas nos sistema de coleta e sistema de distribuição de águas cinza e pluviais assim como as utilizadas nos sistema de tratamento, o material de construção do filtro de areia e toda mão de obra envolvida, o clorador, a bomba, o reservatório superior e os acessórios de tubulações necessários.

CUSTO DE MANUTENÇÃO E OPERAÇÃO

Para os custos de manutenção é considerado o sistema de tratamento das águas cinza, sendo que o sistema não demanda muita manutenção.

A estimativa para o processo que ocorre no tanque de desinfecção é de uma pastilha de 200 gramas/mês, mantendo a integridade da cloração do sistema, mas é recomendada inspeção semanal no clorador (BAZZARELLA 2005).

O cálculo referente ao consumo que a bomba gera a residência é feito levando em consideração o consumo diário estimado e o preço da tarifa de energia elétrica conforme a concessionária. Para o custo referente ao sistema de manutenção do filtro de areia deve ser recomendado a realização de troca da camada superficial de areia com uma espessura de aproximadamente 5 cm, sendo que esse serviço é estimado a cada 1 ano.

Para o custo referente ao sistema de manutenção do filtro de areia deve ser recomendado a realização de troca da camada superficial de areia com uma espessura de aproximadamente 5 cm, tendo em torno de 0,5 m³ de areia.

Com os custos acima de manutenção e operação foi possivel criar a tabela a seguir com os custos mensais gerados pelo sistema de reuso, se baseando no levantamento feito durante o artigo no programa Orçafascio.

Custo mensal de Operação e Manutenção do Sistema

Item Custo Mensal (R$)
Manutençao Cloração 15,98
Energia da Bomba 9,83
Manutenção Filtro de Areia 3,98
Total 29,79

 

DETERMINAÇÃO DO PERÍODO DE RETORNO

O período de retorno para o investimento inicial necessário à separação das águas cinza foi determinado admitindo-se uma taxa de juros compostos, incidindo sobre o valor anual economizado em relação à conta de água proveniente da concessionária, economia essa devido à utilização do sistema (SELLA 2011).

Após a determinação dos custos é possível então à determinação do período de retorno do investimento inicial feito para realização do sistema. O valor inicial é de R$15.650,26 e o valor mensal de custos de manutenção e operação é de R$29,79, e a economia de água são de 12,85 m³/mês.

Para o cálculo de economia mensal de água em reais, foi levado em consideração o valor tarifário cobrado pela concessionária que fornece água à residência. Sendo assim foi realizado o cálculo a seguir.

Onde:

V = valor mensal da conta de água em R$;

PC = preço mensal da água, que é de 8,879 R$/m³ (COPASA, 2018);

CM = consumo mensal na residência em m³.

Com o cálculo acima realizado foi elaborado a tabela a seguir, que trás o valor mensal de água consumida mensalmente, bem como sua economia gerada a partir do sistema de reuso.

Economia de água em reais.

Tipo de Instalação Consumo de água Concessionária (m³) Valor de água (R$/mês)
Sem sistema de reuso 44,67 396,62
Com sistema de reuso 25,35 225,08
Economia 19,32 171,54

Fazendo a subtração entre o custo de manutenção/operação mensal têm-se o valor R$ 141,75 de economia, e o valor de R$ 1.701,00 anualmente.

Após a determinação dos custos é possível então à determinação do período de retorno do investimento inicial feito para realização do sistema. Então para a determinação do período de retorno foi feito um cálculo em que é feito a diferença do valor investido inicialmente pelo valor economizado anualmente conforme a equação a seguir.

n = 9,2 anos

Onde:

n =número de anos do período de retorno;

VI = valor investido inicialmente;

VE = valor economizado anualmente.

O valor encontrado foi de 9,2 anos como período de retorno, então até o 9º ano de utilização o valor investido inicialmete é pago pela economia que sistema gera a residência.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após o cálculo do período de retorno de 9,2 anos para o capital investido inialmente, obteve-se um resultado considerado satisfatório. Para o cálculo de economia mensal de água em reais, é levado em consideração o valor tarifário cobrado pela concessionária que fornece água à residência, fazendo a subtração entre o custo de manutenção/operação mensal. Com esse cálculo realizado se pode obter valor de economia mensalmente, na residência em questão. A tabela a seguir exemplifica o cálculo final onde se obteve os 44% de economia mensal na conta de água.

Síntese dos Aspectos Analisados do Sistema de Reuso

Síntese dos Aspectos Analisados sem aplicação do Sistema de Reuso
Estimativa Consumo m³/mês Valor em R$/m³
Consumo mensal interno 29,82 264,77
Consumo mensal externo 14,85 131,85
Total 44,67 396,62
Síntese dos Aspectos Analisados com aplicação do Sistema de Reuso
Estimativa Consumo m³/mês Valor em R$/m³
Economia 19,32 171,54

Com esses dados podemos observar que quanto maior a demanda de água na residência, maior será a economia que o sistema irá proporcionar tornando assim ainda mais atrativo o emprego do sistema em outras residências, podendo ganhar espaço em construções de condomínios e empreendimentos maiores, por atender perfeitamente a grandes vazões e serem viáveis economicamente.

A qualidade da água tratada também é um importante fator. Os resultados para qualidade do líquido tratado que foram estimados, indicam que a expectativa indicada na NBR 13.969/97, que cita turbidez e os coliformes fecais como parâmetros de controle para reuso de água é satisfeita.

Então para a determinação do período de retorno é realizado um cálculo em que é feito a diferença do valor investido inicialmente pelo valor economizado anualmente. O valor encontrado foi de 9,2 anos como período de retorno, então até o 9º ano de utilização o valor investido inicialmete é pago pela economia que sistema gera a residência.

CONCLUSÃO

Mesmo a água possuindo fluxo permanente e volume inalterado, nos últimos anos a demanda cresceu significativamente preocupando cada vez mais a sociedade. Com isso novos produtos, tecnologias são desenvolvidas e estudadas, campanhas de conscientização são lançadas para que a sociedade fique ciente do risco que ela está exposta.

O artigo em questão foi desenvolvido com o intuito de avaliar uma residência mesmo que hipotética, novas fontes de suprimento através da utilização de um sistema de reuso de águas cinza e pluviais gerando alternativas de consumo de água trazendo benefícios ao meio ambiente.

Obteve-se aproximadamente 44% de economia mensal, estimando um período de retorno de 9,2 anos para o capital investido inicialmente, e quanto à qualidade da água, os percentuais exigidos em norma para fins não potáveis foram atendidos, garantindo assim além da viabilidade econômica, índices de utilizações aceitáveis ao qual foi proposto no início do artigo.

Quanto à qualidade da água em estudo, os percentuais exigidos pela norma para fins não potáveis foram atendidos, garantindo assim além da viabilidade econômica, índices de utilizações aceitáveis ao qual foi proposto no inicio do trabalho.

A possibilidade de preservação de um recurso que está se tornando cada vez mais escasso não deve ser visto como vantagem apenas pelo ponto de vista econômico. Por este motivo este trabalho foi pensado, para mostrar que mesmo em um ciclo hidrológico urbano tão desordenado, há formas de viabilizar a difusão entre práticas sustentáveis e o desenvolvimento de construções modernas que rumem à sustentabilidade.

REFERÊNCIAS

ANNECCHINI, K. P. V. Aproveitamento da Água de Chuva para Fins não Potáveis na Cidade de Vitória (ES). Dissertação (Mestrado em Engenharia Ambiental). Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, 2005.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5626: Instalação Predial de Água Fria. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas, 1998. 41 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10844: Instalações Prediais de Águas Pluviais. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas, 1989. 13 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13969: Tanques sépticos – Unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes líquidos – Projeto, construção e operação. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas, 1997. 60 p

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15527: Água de chuva – Aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis – Requisitos. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2007. 8 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8160: Sistemas Prediais de Esgoto Sanitário – Projeto e execução. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas, 1999. 74 p.

BACCI, Denise de La Corte; PATACA, Ermelinda Moutinho. Educação para a água. Estud. av.,  São Paulo ,  v. 22, n. 63, p. 211-226,    2008. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010340142008000200014&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 02  maio  2018.

BAZZARELLA, Bianca Barcellos. Caracterização e aproveitamento de água cinza para uso não-potável em edificações. 2005. 165 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Engenharia Ambiental, Centro Tecnológico, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2005. Disponível em: <http://repositorio.ufes.br/handle/10/6149>. Acesso em: 01 mar. 2018

COELHO, Adalberto Cavalcanti. Medição de Água e Controle de Perdas. Recife: Abes, 2004.

BBCBRASIL. 2,7 bilhões Podem Ficar Sem Água em 2025. 2002. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2002/020322_secaml.shtml>. Acesso em: 20 set. 2018.

NOLDE, E. Greywater reuse systems for toilet flushing in multi-sotrey buildings –over ten years experience in Berlin. Urban Water. v. 1, n. 4, p. 275-284, 1999.

SÃO PAULO. FIESP – FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO. Conservação e Reuso da Água em Edificações. Disponível em: <http://www.fiesp.com.br/arquivo-download/?id=161985>. Acesso em: 29 maio 2018.

SELLA, Marcelino Blacene. Reuso de Águas Cinzas: Avaliação da Viabilidade da Implantação do sistema em Residências. 2011. 87 f. Monografia (Especialização) – Curso de Engenharia Civil, Departamento de Engenharia Civil, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011. Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/34521>. Acesso em: 22 mar. 2018.

TONETTI, A. L. Remoção de matéria orgânica, coliformes totais e Nitrificação no tratamento de esgotos domésticos por Filtros de areia. Campinas. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-41522005000300005>. Acesso em 15 set. 2018.

[1] Estudante de graduação Engenharia Civil na Faculdade Patos de Minas – FPM.

[2] Estudante de graduação Engenharia Civil na Faculdade Patos de Minas – FPM.

[3] Estudante de graduação Engenharia Civil na Faculdade Patos de Minas – FPM.

[4] Estudante de graduação Engenharia Civil na Faculdade Patos de Minas – FPM.

[5] Mestre em produção e tecnologia de sementes, engenheiro agrônomo, engenheiro de segurança do trabalho e coordenador do curso de Agronomia – FPM.

Enviado: Outubro, 2018

Aprovado: Novembro, 2018

Como publicar Artigo Científico

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here