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Importância da sinalização horizontal viária

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CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO

SOUZA, Luiz Eduardo Gomes de [1], OLIVEIRA, Ginarajadaça Ferreira dos Santos [2]

SOUZA, Luiz Eduardo Gomes de. OLIVEIRA, Ginarajadaça Ferreira dos Santos. Importância da sinalização horizontal viária. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 12, Vol. 04, pp. 24-41. Dezembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/sinalizacao-horizontal

RESUMO

O cumprimento da sinalização viária horizontal é um dos atributos que podem colaborar para uma via mais segura. Ela necessita dispor de uma boa visibilidade tanto no período do dia (contraste) quanto da noite (retro refletividade). A perda da qualidade do retro reflexão interfere na segurança do trafego, comprometendo a percepção do condutor aos elementos precários da via favorecendo a chance de ocorrer acidentes. Essa perda está atrelada a vario fatores como a qualidade dos materiais utilizados, tipo de trafego, fatores climáticos e outros mais. Neste estudo foi realizado uma revisão bibliográfica com o objetivo de analisar e compreender a importância da sinalização horizontal, que teve caráter qualitativo, baseando-se em resultados após leituras de artigos, periódicos, dissertações, livros e leis que abordam como tema principais sobre sinalização viária. Observou-se a importância da conscientização dos condutores, assim como o investimento viário correto e na fiscalização dos órgãos reguladores.

Palavras-chaves: Rodovia, sinalização viária, segurança.

1. INTRODUÇÃO

A sinalização viária é um grupo de sinais de trânsito e dispositivos que são colocados em vias púbicas e em como objetivo garantir melhor fluidez no trânsito e garantir a segurança aos motoristas. Pode-se dizer que uma boa sinalização é aquela que atrai o motorista, transmite a mensagem e não deixa equívocos, além de ser visualizada a uma longa distância garantindo realizar manobras em segurança. A sinalização viária além de direcionar e guiar os motoristas as práticas de dirigibilidade, também deve possibilitar a visualização tanto diurna quanto noturna promovendo a segurança em via pública (DNIT, 2017).

Uma boa visibilidade noturna é garantida pela sinalização retro refletiva. Essa denominação e da devido a propriedades de um sinal de trânsito ser refletido em direção do motorista. Na pintura de sinalização horizontal, a retro reflexão é viável através de microesferas de vidro ou de cerâmica que ao inseridas nos diferentes materiais dispostos para a marcação do pavimento, como as tintas à base de água, termoplásticos, fitas adesivas e resinas epóxi.

No pavimento são realizadas as demarcações que promovem a segurança ao condutor durante todo o trajeto na rodovia, fornecendo informações necessárias a qualquer momento do dia ou da noite. As propriedades básicas para essas demarcações em rodovias são cor, espessura, e tipo de traço que é definido de acordo com os órgãos de trânsito, conselho e agentes reguladores. Entretanto, a retro refletividade ainda não possui um padrão específico quanto ao tipo de pintura, quantidade de microesferas de acordo om o tipo de rodovia e trafego. Sendo assim ainda se faz necessário caracterizar e especificar este mecanismo e padronizá-lo.

Segundo o CONTRAN (2010) uma demarcação viária horizontal precisa ser visualizada a uma distância segura, para que haja tempo de interpretar e agir em tempo hábil, isto é, a visibilidade e legibilidade são fatores que caracterizam a via como segura. Alguns critérios básicos de sinalização viária são apontados pelo órgão e devem comtemplar o esquema apresentado na figura 1.

Figura 1 – Critérios básicos de sinalização viária.

Fonte: adaptado de CONTRAN, 2010.

Os números de acidentes de trânsito ocorridos ano após ano são sérios. Diante dos mais diversos motivos que podem ser associados a tais fatalidades, podemos considerar as más condições de sinalização viária que podem contribuir para o aumento da estatística. Analisando a figura 2 podemos verificar o número de mortes no trânsito que ocorreram no período de 2007 a 2019, os três últimos anos houve um aumento na quantidade de indenizações causadas por acidentes de trânsitos em relação a um pequeno decréscimo na quantidade de mortes, apontando a necessidade de implementar medidas que promovam uma mobilidade mais segura nas rodovias, garantindo a igualdade na redução das acidentes e mortes de modo geral.

Figura 2 – Acidentes de trânsitos

Fonte: VIAS SEGURAS, 2020.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde – OMS (2019) a quantidade de mortes por lesões no trânsito ainda está entre as dez causas principais de mortes entre os jovens com idade de 5 a 29 anos. No Brasil, fatos relacionados à segurança viária ainda são desconhecidos e os dados estatísticos não deixam clareza ou detalhes no que diz respeito das causas desses acidentes.

As condições de cada rodovia influência diretamente o tipo de traçado na operação, permitindo a devida programação e intervenções de acordo com o desgaste dos materiais de sinalização horizontal, aprimorando a sua visibilidade em longos percursos. A qualidade da pintura de sinalização, assim como a sua manutenção são itens essenciais que devem ser considerados, apesar de ser um desafio manter a visibilidade e durabilidade das demarcações feitas nos pavimentos.

Dado o exposto, este artigo tem como objetivo conceituar e compreender importância da correta sinalização das rodovias, sobretudo no diz respeito a sinalização horizontal vista que essa é a melhor ferramenta de comunicação visual e guia dos condutores durante seus trajetos.

A metodologia empregada deu-se por meio de revisão bibliográfica que de acordo com Gil (2007) é aquela que realizada para analisar diferentes posições sobre um mesmo tema. E que teve caráter qualitativo, pois segundo Gerhardt e Silveira (2009) não se pode quantificar os resultados baseados em interpretações com base em leituras de artigos, periódicos, dissertações, livros e leis que abordam como tema principais sobre sinalização viária, com foco maior no que diz respeito a sinalização horizontal, materiais e métodos e propriedades. Traz consigo uma compreensão do conceito de retro refletividade, com resultado de outros trabalhos que também destinaram a pesquisa a realizar uma análise destas características, com o auxílio da plataforma de pesquisa Google Acadêmico e sites oficiais compreendendo o período de 2010 a 2020.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 TRÂNSITO

O código de Trânsito Brasileiro trânsito tem a definição de a utilização das vias ou pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não com a finalidade de circulação parada, estacionamento e operação de carga e descarga (CTB, 1997).

É por meio dele que os indivíduos se deslocam de um lugar para outro, promovendo um fluxo de veículos e pessoas que beneficia o poder econômico.

Paiva (2018) diz que a regularização do trânsito nos municípios brasileiros é de responsabilidades das prefeituras, pois são elas as encarregadas de fiscalizar, planejar e operar o trânsito. A fiscalização deve ser realizada com base no CTB. O planejamento é realizado por meios que irão fazer parte da análise do trafego trazendo maior eficiência. E por fim temos a operação do trafego que são as ações adotadas no cotidiano durante a logística de trânsito.

Já o governo federal é o responsável por gerenciar os aeroportos e portos, sistema federal de ferrovia e rodovias e controla o sistema de transporte interestadual. O governo estadual atua somente no estado, apesar de atuar igual a federal (PAIVA, 2018).

2.2 ACIDENTES DE TRÂNSITO

A Lei nº 9.203 de 1997 do Código de Trânsito Brasileiro define como trânsito a utilização das vias para locomoção isolada ou em grupos sejam elas através de pedestres, veículos ou animais (BRASIL, 2017).

Para Silva (2019) e Torquato (2011) o significado de trânsito engloba todo o deslocamento de pessoas, veículos em um espaço físico e qualquer contexto social buscando um objetivo regulado por meios tanto formais quanto informais. Segundo Michaelis (2019) acidente de trânsito é uma fatalidade casual de modo imprevisto, fato infeliz que envolve sofrimento, caos e morte.

Podemos definir como acidente de trânsito uma eventualidade inesperada entre veículos, gerando danos materiais ou físicos. Segundo a OMS uma pesquisa realizada no ano de 2009 apontou que cerca de 1,3 milhões de pessoas morrem por ano no mundo vítimas de acidentes e outras 50 milhões ficam com alguma sequela, a pesquisa foi realizada com levantamento de dados em 178 países (CARVALHO, 2017).

Ainda neste contexto nesta pesquisa foi apontado que os acidentes de trânsito eram a nona causa de morte em todo o mundo, evidenciando que pessoas com faixa etária de 15 a 29 anos era os maiores causadores por esses acidentes, causando um custo de mais de US$ 518 milhões por ano para cada país.

De acordo com o Rede Vida no Trânsito (2016) há uma grande gravidade das lesões e mortes, considerando que esses cidadãos acabam a perder a capacidade locomotiva e se não a própria vida na idade considerada produtiva, gerando impacto econômicos e sociais, causando dor e sofrimento nos familiares que em muitas das vezes estão sujeitas ao empobrecimento com a perda de seus provedores.

O ano de 2015 foi estatisticamente um ano considerado como marco, pois houve redução no número de óbitos em relação aos anos passados. A taxa de óbito de 19,2/ 100 mil habitantes foram consideradas melhor índice de mortalidade desde 2004. O histórico de óbitos no trânsito brasileiro entre os nãos de 2004 a 2015 é apresentado na figura 3 (AMBEV; FALCONI, 2017).

Figura 3 – Quantitativo de mortes por acidentes no trânsito de 2004 – 2015.

Fonte: Ambev e Falconi, 2017.

Tais valores foram obtidos com base nos dados dispostos no site DATASUS (2015) com valores absolutos e pela taxa de 100 mil habitantes. A Organização Mundial de Saúde (WHO, 2018) menciona que esses valores de fatalidade representam 82% do sexo masculino e 18% ao sexo feminino. E de modo geral o número de mortes no trânsito, de acordo com SUS a queda considerável de óbitos no ano de 2015 foi efeito do endurecimento da lei seca.

Entretanto quando se relaciona o histórico de feridos no Brasil o valor sobe consideravelmente no período de 2008 a 2014, com diferença mínima de 2014 para 2015, apresentado na figura 4.

Figura  4 – Histórico de feridos em acidentes de trânsito de 2014 a 2015.

Fonte: Ambev e Falconi, 2017.

2.3 SINALIZAÇÃO

A sinalização das rodovias é um agrupamento de sinais de trânsito e dispositivos de segurança dispostos em via pública, assegurando maior fluidez no trânsito e segurança aos pedestres e motoristas (BRASIL, 2017).

De acordo com o DNIT órgão que regulamenta a infraestrutura de transporte, explica que a sinalização tem um papel significativo na segurança e orientação dos motoristas e pedestres no uso das rodovias. Os sinais de trânsito têm o objetivo de comunicar, informar os usuários das vias públicas de forma clara e objetiva (BRASIL, 2010).

Uma grande quantidade de informações visuais est disposta aos usuários das rodovias durante todo o seu trajeto, de modo que haja seleção entre quais são as mais importantes para se usar no momento e garantir a segurança durante o trajeto. Estas informações estão definidas no CTB (SILVA, 2019).

Em uma pesquisa realizada pelo CNT/ SEST SENAT (2017) demostrado no gráfico 1 foram analisados cerca de 105,814 Km de rodovias federais e cerca de 43,134 Km de estaduais consideradas como ótimo ou bom a qualidade representando cerca de 40,8% do que é apontado como sinalização adequada. Os demais 62.680 Km correspondem a 59,2% e são avaliados como ruim, regular ou inadequado.

Gráfico 1- Classificação da sinalização das rodovias federais e estaduais brasileiras

Fonte: CNT/ SEST SENAT, 2017.

A classificação quanto a qualidade das rodovias é baseada na legibilidade das placas, ou seja, com boas condições de visualização dos elementos no interior na placa, pois a ferrugem ou amassados podem atrapalhar a visualização, falta de faixas nas laterais e centrais da via entre outros.

Esses dados apontam de forma preocupante que a infraestrutura de sinalização corresponde a penas a 40,8% das estradas detém de uma boa qualidade de acordo com o CNT. Entretanto a frota veicular vem aumentando a cada dia, e como sabemos as estradas não pecam apenas do que diz respeito a sinalização e sim também a respeito de fiscalização, obras com materiais de baixa qualidade que logo e esburacam (PAIVA, 2018).

2.3.1 SINALIZAÇÃO VERTICAL

A sinalização vertical tem o foco de alertar os usuários dos perigos eminentes, obstáculos e restrições na via ou adjacentes, apontando quais são os passageiros ou os permanentes. Ela é utilizada principalmente quando a indicação de perigo não é possível por si só (CONTRAN, 2007).

Com o objetivo de guiar e informar o melhor comportamento a ser seguido, com segurança e ordem no trafego, são instaladas placas em posição vertical com símbolos postos sobre as mesmas, podendo ficar ao lado ou suspensas sobre a via. Para atingir a sinalização de forma efetiva o CONTRAN (2007) estabeleceu alguns pontos que precisam ser seguidos como:

– Posicionamento do campo visual do condutor: escolher o melhor lugar que se enquadro no campo de visão do motorista;

– Legibilidade das mensagens e símbolos: terem fácil interpretação em um tempo hábil, para a tomada de decisão e distância segura;

– Seguir o padrão e legalidade do Código de Trânsito Brasileiro;

– Manutenção e conservação;

– Mensagens claras;

– Precisão, confiabilidade e suficiência de modo a expressar a mensagem importante de acordo com a necessidade.

Ainda neste contexto de acordo com CONTRAN (2007) a sinalização vertical é classificada em três tipos:

  • Regulamentação – tem o objetivo de informar o condutor sobre as condições, restrições, proibições ou obrigações na rodovia.
  • Advertência – tem o objetivo de guiar o condutor aos riscos na rodovia ou em locais próximos.
  • Indicação – tem o objetivo de informar aos condutores a identificação das vias, percursos, distancias, direcionar serviços ou pontos turísticos, mensagens educativas e outros.

A figura 5 exemplifica os três tipos de sinalização vertical:

Figura 5 – Tipos de sinalização vertical.

Fonte: Renz, 2015.

As cores que auxiliam na classificação são demostradas a seguir no quadro 1.

Quadro 1 – Classificação da sinalização vertical por cores.

Fonte: adaptado de CONTRAN, 2007.

2.3.2 SINALIZAÇÃO HORIZONTAL

A sinalização horizontal é aquela disposta sobre o pavimento de uma rodovia com o objetivo de controlar, advertir, orientar e informar o condutor sobre a situação da rodovia da qual e trafega. Esse tipo de sinalização tem um grande uso, pois é promove um grande aproveitamento do espaço livre e aumenta relativamente a segurança.

Para o CONTRAN (2007) essa sinalização apesar de ter grande utilidade também apresenta limitações como redução de visibilidade devido ao alto fluxo de trafego visibilidade falha quando a mesma se encontra sob neblina, pavimento molhado, sujeito e trafego carregado. Desta maneira o DNIT elegeu alguns fatores para esse tipo de sinalização e garantir maior segurança e conforto aos condutores e demais usuários, tais como: ordenar e canalizar o trafego de veículos, orientar os condutores quanto aos limites de travessias urbanas e ambientais, complementar e destacar as mensagens verticais, regulamentar os casos previstos no CTB, emitir mensagens claras e objetivas, promover tempo para ação correspondente e por fim atender uma necessidade real (BRASIL, 2010).

Segundo Brasil (2010) o DNIT destaca que a sinalização horizontal possui uma divisão única, com atribuições para cada marcação sendo elas:

– Marcas longitudinais;

– Marcas transversais;

– Marcas de canalização;

– Marcas de delimitação e controle de parada e estacionamento;

– Inscrição no pavimento.

2.3.2.1 SINALIZAÇÃO HORIZONTAL POR MARCAS LONGITUDINAIS

As marcas longitudinais são aquelas se delimitam e ordenam o trafego, mostrando a parte de circulação para os condutores, a divisão dos sentidos de fluxo de sentidos opostos ou iguais. Elas são divididas de acordo com CONTRAN (2007) em linhas de fluxo opostos, divisão do mesmo sentido, linha de bordo e de continuidade.

Conforme Paiva (2018) os linhas de fluxo opostos têm o objetivo de separar os fluxos e indicam quais trechos é permitido realizar ultrapassagem. Normalmente esses trechos são identificados por faixas das pistas de acordo com a esquematização a seguir na figura 6.

Figura 6 – Esquematização da Sinalização horizontal com linhas longitudinais

Fonte: CONTRAN, 2007.

De acordo com a figura acima essas marcas podem ser:

I – A linha simples marca os locais em que são proibidos o deslocamento lateral e a ultrapassagem;

II – A linha simples seccionada que separa o fluxo opostos e marcam os espaços de cada um, e os trechos de ultrapassagem e deslocamentos permitidos;

III – A linha dupla e continua tem a finalidade de separar os fluxos opostos, marcam o espaço de cada sentido e regula as áreas que são permitidas ultrapassagens;

IV – A linha continua e seccionada é aquela que divide os fluxos opostos, marca os espaços de cada um, regula a ultrapassagem e os deslocamentos laterais e de transposição permitidos.

A sinalização horizontal tem a função definida pelo DNIT como marcas que definem os limites da pista de rolagem, servem como guias para os condutores regulando as manobras de mudança de faixas ou de ultrapassagem. Também tem a função de orientar sobre as faixas de uso exclusivo ou preferencial (BRASIL, 2010).

2.3.2.2 SINALIZAÇÃO HORIZONTAL POR MARCAS TRANSVERSAIS

Segundo o manual de sinalização DNIT as linhas de sinalização transversais são responsáveis em colocar ordem durante o percurso realizado por veículos e pedestres, também atua como indutor de redução de velocidade nos pontos que pedem mais atenção, como cruzamentos, parada obrigada e travessia de cidadãos (BRASIL, 2010).

Cembranel (2016) aponta que essas linhas são classificadas de acordo com a sua funcionalidade, das quais podem receber denominações de linhas de retenção, de estimulo a redução de velocidade, de preferência. Um modelo de sinalização horizontal com linha de retenção é exemplificado na figura 7.

Figura 7 – sinalização horizontal com linhas transversais.

Fonte: Brasil, 2010.

2.3.2.3 SINALIZAÇÃO HORIZONTAL POR MARCAS DE CANALIZAÇÃO

As linhas de canalização têm o objetivo de preencher as áreas que não ao trafegáveis, também alinham o tráfego e apontam o estreitamento ou alargamento de pista.

De acordo com Cembranel (2016) essas linhas são importantes por terem a função de orientar o trânsito sobre alargamento para mais ou para menos, ou quando altera o número de faixas, faixas estas que devem estar padronizadas de acordo com o Manual de Sinalização, como mostra a figura 8.

Figura 8 – Faixas de canalização de trânsito.

Fonte: Brasil, 2010.

2.3.2.4 SINALIZAÇÃO HORIZONTAL POR MARCAS DE DELIMITAÇÃO E CONTROLE DE PARADA E ESTACIONAMENTO

As marcas de delimitação e de controle com parada ou estacionamento, são responsáveis por deterem uma melhor maneira de controlar as áreas das quais a ação de estacionar é proibida e a parada de veículos quando em conjunto com as placas verticais. A linha restritiva de estacionamento é contínua, cor amarela e com delimitação no trecho para o estacionamento, de acordo com a figura 9 (BRASIL, 2010).

Figura  9 – Faixa restritiva de proibido estacionar.

Fonte: DENATRAN, 2007.

2.3.2.5 SINALIZAÇÃO HORIZONTAL POR INSCRIÇÕES NO PAVIMENTO

De acordo com DENATRAN (2007) as sinalizações no pavimento melhoram a visibilidade do condutor e torna possível uma tomada de decisão em tempo hábil.

As inscrições realizadas no pavimento têm por finalidade completar as demais sinalizações, ela pode ser usada também com palavras como forma de chamar a atenção do condutor, sendo as palavras ATENÇÃO, DEVAGAR, PEDESTRES, PARE e ESCOLA a mais utilizadas, como na figura 10 (CEMBRANEL, 2016).

Figura 10 – Sinalização por inscrição no pavimento “PARE”

Fonte: DENATRAN (2007).

2.4 RETRO REFLETIVIDADE

Uma das características fundamentais da sinalização horizontal e vertical é a retro refletividade, devia a relevância e promove a segurança aos condutores da via, ela é adquirida após a aplicação de películas com microesferas ou micro prismas nas sinalizações do tipo vertical e microesferas de vidro nas sinalizações do tipo horizontais (SOARES, 2016).

Segundo Renz (2015) a retro refletividade é um fenômeno que acontece nas sinalizações horizontais e corresponde as demarcações viárias e está ligada diretamente a quantidade de luz que é direcionada para a fonte de iluminação, ou seja, é quando a luminosidade retorna para o condutor depois que a luz do veículo atinge a marcações no pavimento ou placas.

Durante a noite esse fenômeno é indispensável para o sucesso da sinalização e segurança de todos os usuários, pois muitas das vezes ela é a única forma de comunicação entre o motorista e a via, da qual só é visualizada e compreendida quando é retro refletiva.

Alguns itens são cruciais quando se trata de deterioração dessa sinalização como o alto fluxo de tráfego, peso dos automóveis, velocidade máxima permitida, idade, qualidade do material e coloração das marcas, condições climáticas e propriedades do pavimento (RENZ, 2015).

É importante haver uma periodicidade de acompanhamento da retro refletividade das sinalizações viárias, visto que ela é um elemento importante para a segurança. Tendo assim a necessidade de construir um equipamento capaz de medir de maneira efetiva, isento de variáveis e que também relacionava os diferentes materiais utilizados (SOARES, 2016).

Para se medir a intensidade da retro refletividade segundo Cembranel (2016) são analisados por meio de aparelho chamado de retro refletômetro que utiliza um sensor ótico para fazer a leitura das características abaixo:

– Coeficiente de luminância retro refletida (RL);

– Luminância (L) relação entre a intensidade luminosa e a área em metros quadrados;

– Iluminância (E) quantidade do fluxo luminoso que incide em um ponto pela área deste elemento;

– (mcd/m²) milicandelas por m2 utilizada para pequenos valores de luminância.

A unidade de medida dessa característica é dada por mcd/m2/lux. A figura 11 apresenta as diferenças entre luminância e iluminância.

Figura 11 – Luminância x Iluminância.

Fonte: Moreira e Menegon, 2003.

E a figura 12 apresenta um  contraste entre leituras de retro refletividade.

Figura 12 – Contraste da retro refletividade.

Fonte: Moreira e Menegon, 2003.

3. CONSIDERAÇOES FINAIS

Por meio deste estudo de levantamento bibliográfico foi revelado que muitos são os fatores que afetam as marcações do pavimento, da qual é medida a retro refletividade e luminância, como o tráfego, espessura e idade de marcação, condições ambientais e qualidade do material que é disposto nas sinalizações. Não se pode definir com exatidão que os acidentes de trânsito são consequências diretas da falta de sinalização viária.

Outro ponto citado em alguns trabalhos como os realizados por Paiva (2018), Renz (2015) a questão do volume de trafego dos veículos, que acabam demanda grandes esforços para haver uma sinalização horizontal através do rolamento dos pneus sobre as marcações. Tais dados podem ser adquiridos após a análise das rodovias monitoradas com sensores de tráfego. Mas até o momento pouco e sabe sobre o efeito do tráfego sobre a sinalização horizontal atualmente em pesquisas.

Ao se estudar a sinalização vertical de acordo com estudos realizados por Cembranel (2016) observou-se que seu objetivo maior e a de emitir mensagens aos condutores por meios de legendas e pictogramas de fáceis interpretações e se apontou a importância da limpeza dos trechos onde estão estas sinalizações. E a sinalização horizontal é um dispositivo mais fácil de executar e de manter em bom estado, mesmo com um tempo de manutenção ter um prazo menor que a vertical, em conjunto com a sinalização vertical formam um modelo de dispositivo de segurança tanto para condutores quanto para pedestres.

Sobre a retro refletividade identificou-se que no nosso país há um padrão técnico a ser seguido, com valores que podem varar de acordo com a região ou até mesmo qual órgão determinado trecho da rodovia é responsável. A falta de uma técnica específica que padronize essas rodovias acaba impossibilitando um bom desempenho e resultados satisfatórios.

No entanto evidenciou-se após o estudo que a sinalização de trânsito é um dos principais modelos de segurança dos motoristas e pedestres do sistema viário, e que devem estar em acordo com as legislações regulamentadoras, padrões técnicos e normas, que transmitem a sua função de modo integro e promove da melhor forma para segurança no trânsito.

Por fim fica a sugestão para futuras pesquisas para um estudo de ocorrência de acidentes de trânsito ocorrido pela deficiência de sinalização correta e elaborar um estudo para a limpeza total de uma faixa mínima, de modo que se posa quantificar a ocorrência de acidentes com vítimas fatais ou não nos trechos que detenham um histórico de acidentes.

REFERÊNCIAS

BRASIL. DNIT – DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES. Diretoria Executiva. Instituto de Pesquisas Rodoviárias. Manual de sinalização rodoviária. 3.ed. Rio de Janeiro, 2010.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia Vida no Trânsito. Ministério da Saúde, Universidade Federal de Goiás. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.

CARVALHO, Gerardo. Trânsito: uma questão de saúde pública. O POVO. Fortaleza. 10 out. 2017. Disponível em: https://www.opovo.com.br/jornal/opiniao/2017/10/gerardo-carvalho-transito-uma-questao-de-saude-publica.html. Acesso em: 11 nov. 2020.

CEMBRANEL, Carlos Alberto. AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE SINALIZAÇÃO DE TRECHOS RODOVIÁRIOS NA REGIÃO DE SANTA ROSA – RS COM ÊNFASE NA SEGURANÇA DOS USUÁRIOS. 2016. 100 f. TCC (Graduação) – Curso de Engenharia Civil, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Santa Rosa, 2016.

CNT/ SEST SENAT. Pesquisa CNT de rodovias 2017: relatório gerencial. Brasília: CNT/ SEST SENAT, 2017.

CONTRAN. Manual de Sinalização Rodoviária, 3ª Edição. Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, DNIT. Brasília, 2010.

CONTRAN. Conselho Nacional de Trânsito. Sinalização vertical e horizontal. 1ª ed. Brasília. 2007.

CTB. Código de Trânsito Brasileiro – Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997.

DENATRAN – Departamento Nacional de Trânsito – Sinalização de Regulamentação. 2007. Disponível em:http://www.denatran.gov.br/publicacoes/download/MANUAL_VOL_I.pdf. Acesso em: 18 de nov. 2020.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

GERHARDT, Tatiana Engel; SILVEIRA, Denise Tolfo (org.). MÉTODOS DE PESQUISA. Porto Alegre: UFRGS, 2009. 120 p. (EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA).

MOREIRA, H; MENEGON, R. Sinalização horizontal. São Paulo. 2003, 82 p.

MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa – Michaelis On-Line. Disponível em: http://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/. Acesso em 12 de nov. de 2020.

PAIVA, Daniel Belarmino de. PROPOSTA DE SINALIZAÇÃO HORIZONTAL E VERTICAL DO MUNICÍPIO DE JOSÉ DA PENHA – RN. 2018. 69 f. TCC (Graduação) – Curso de Ciência e Tecnologia, Universidade Federal Rural do Semiárido, Caraúbas – RN, 2018.

POR VIAS SEGURAS. Estatísticas Nacionais de Acidentes de Trânsito. 2020. Disponível em: http://vias-seguras.com/os_acidentes/estatisticas/estatisticas_nacionais. Acesso em: 10 nov. 2020.

OMS. Organização Mundial de Saúde. Relatório Global sobre o estado da Segurança Viária 2019. Genebra. 2019. 16 p.

REDE VIDA NO TRÂNSITO. Boletim 2016. Disponível em: https://redevidanotransito.files. wordpress.com/2017/08/boletim-rvt-desastres-set16.pdf.  Acesso em: 09 nov. 2020.

RENZ, Eduardo Martins. AVALIAÇÃO DA RETRORREFLETIVIDADE DE PINTURA DE DEMARCAÇÃO VIÁRIA HORIZONTAL EM TRECHOS DA BR-287 E RS-509. 2015. 77 f. TCC (Graduação) – Curso de Engenheiro Civil., Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, 2015. Disponível em: https://bibliodigital.unijui.edu.br:8443/xmlui/ bitstream/handle/123456789/6001/Bernardo%20Augusto%20Schiavo%20Daltrozo.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 08 nov. 2020.

SILVA, Maycon Luiz da. PROPOSTA DE FAIXAS DE PEDESTRES ILUMINADAS: estudo de caso na avenida mauro ramos: Florianópolis/SC. 2019. 118 f. TCC (Graduação) – Curso de Engenharia Civil., Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2019.

SOARES, Rafaela Brandt. ANÁLISE DA SINALIZAÇÃO E ILUMINAÇÃO EMPREGADAS NAS FAIXAS DE PEDESTRES: estudo de caso campus UFSC/Florianópolis. 2016. 135 f. TCC (Graduação) – Curso de Engenharia Civil, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2016. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/ xmlui/bitstream/handle/123456789/171415/TCC%20-%20Rafaela%20B.%20Soares%20-%2 0Eng.%20Civil%20-%20UFSC.pdf?

TORQUATO, Renata Jucksch. Percepção de risco e comportamento de pedestres. 2011. 113 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2011. Disponível em: https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884 /25818?show=full. Acesso em: 12 nov. 2020.

WHO (OMS). WORLD HEALTH ORGANIZATION (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE). Global Status Report on Road Safety 2018. Geneva, Switzerland, 2018.

[1] Graduação em Tecnologia de Nível Superior Modalidade Manutenção Mecânica  pelo Instituto de Tecnologia da Amazônia (2000).

[2] Graduação em Ciências Biológicas pela Fundação de Ensino Superior de Olinda (1985), mestrado em Biologia de Fungos pela Universidade Federal de Pernambuco (2003) e doutorado em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas (2011).

Enviado: Dezembro, 2020.

Aprovado: Dezembro, 2020.

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