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Patologias na alvenaria estrutural de blocos de concreto

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Patologias na alvenaria estrutural de blocos de concreto
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SANTIAGO, Leonardo Rodrigues [1], PORCINO, Vinicius Matheus Silva [2], FILHO, Nilton Rosado Soares [3]

SANTIAGO, Leonardo Rodrigues. PORCINO, Vinicius Matheus Silva. FILHO, Nilton Rosado Soares. Patologias na alvenaria estrutural de blocos de concreto. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 09, Vol. 02, pp.70-93, Setembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

Com a ampla concorrência de mercado, as empresas que atuam na construção civil buscam cada vez mais diminuir tempo, custos e aumentar a produtividade nas obras. Com a ausência de vigas e pilares, o método construtivo em alvenaria estrutural, surgiu para trazer benefícios aos construtores, porém se conduzida de forma incorreta pode trazer alguns problemas. Diversas patologias podem surgir, tanto nesse sistema construtivo, quanto em qualquer outro, dependendo assim de projetos, execução, mão de obra, material entre outros fatores. Uma das principais patologias na construção, são as fissuras, que podem ser causadas principalmente por recalque de fundação, variações térmicas, retração, reações químicas, sobrecarga de carregamento. Assim, a linha de pesquisa tem como objetivo apresentar as principais patologias que podem surgir na construção de alvenaria estrutural em blocos de concreto, também mostrar o procedimento executivo de forma correta afim de mitigar cada vez mais as patologias frequentes.

Palavras-chave: Método construtivo, Execução da alvenaria, Fissuras, Grauteamento.

INTRODUÇÃO

A alvenaria estrutural é um dos sistemas construtivos mais antigos na história da humanidade, tendo evidências da sua utilização desde os tempos antigos como nas construções de milhares de anos dos egípcios e dos romanos onde até hoje as construções permanecem como provas vivas de sua utilização.

A alvenaria estrutural se tornou um processo eficiente e racional, existem no Brasil grandes centros de pesquisas como NEPAE (Núcleo de Estudo e Pesquisa da Alvenaria Estrutural) e também o CIENTEC (Fundação de Ciência e Tecnologia).

Com o crescimento do setor da construção civil, especialmente o setor de edificações residenciais, intensificou-se a utilização dessa tecnologia. Tendo em vista no aspecto econômico e prático a alvenaria estrutural se destaca por ser um material de baixo custo e de grande eficiência.

De acordo com Rafiti (2013), a alvenaria estrutural tem como grande vantagem a possibilidade de incorporar os conceitos de racionalização, produtividade e qualidade como resultado, a correta utilização da técnica faz com que apresente construções com excelente desempenho tecnológico e redução de custo em relação às estruturas convencionais.

A alvenaria estrutural apresenta muitas vantagens, entre as principais a redução no uso de armaduras e dos entulhos e a execução de forma mais racionalizada. Ela se destaca também pela sua eficiência e redução de custo. A velocidade de execução é muito elevada, pois o que era feito no sistema convencional (pilares, vigas e paredes), será feito em única etapa (apenas parede). No entanto, de acordo com Rafiti (2013), em determinada parte da vida útil das edificações tem apresentado algum tipo de problemas patológicos. Essas patologias podem ser provenientes da utilização incorreta das construções ou de falhas durante a concepção do mesmo, seja na execução ou em projeto, inviabilizando a estrutura de desempenhar a função para qual foi planejada.

Inúmeros fatores podem explicar a manifestação de patologias na estrutura, podem ocorrer devido a execução inadequada, pela falta de manutenção e também pela baixa qualidade e/ou má utilização dos materiais durante a execução. Dessa forma, faz-se necessário a avaliação e inspeção adequada das patologias para que seja feito o diagnóstico exato, tudo isso de forma sistemática e periódica. Dessa maneira, ações de prevenção e manutenção poderão ser adotadas de forma correta, evitando assim que problemas semelhantes se repitam ou aconteçam.

2 DESENVOLVIMENTO

Nessa revisão bibliográfica veremos o conceito de alvenaria estrutural, os materiais utilizados nesse sistema, as principais etapas do procedimento executivo e as patologias mais frequentes nesse método construtivo.

2.1 ALVENARIA ESTRUTURAL

A alvenaria estrutural é caracterizada como um processo construtivo onde suas paredes tem a função estrutural, sendo assim torna-se desnecessário a utilização de elementos estruturais tais como pilares e vigas. Portanto, a parede na alvenaria estrutural desempenha duas funções, vedação e estrutura. Em obras de grande porte, necessita-se um grande controle tecnológico, afim de evitar patologias. Na Figura 1, mostra-se o método alvenaria estrutural de blocos de concreto sendo executada num prédio de 20 pavimentos:

 

Figura 1- Construção em alvenaria estrutural, 20 pavimentos.

Fonte: FREITAS, 2013.

De acordo com Sampaio (2010), esse modelo construtivo vem evoluindo bastante nos últimos anos, onde é possível realizar construções econômicas e seguras, com o canteiro de obras organizado e diminuir o tempo de entrega do produto final.

2.1.1 MATERIAIS UTILIZADOS NA ALVENARIA ESTRUTURAL

A qualidade da construção é sem dúvidas totalmente dependente da qualidade dos materiais utilizados. Na execução das alvenarias estruturais são utilizados blocos de concreto ou cerâmicos, graute, argamassa, armadura e elementos pré-fabricados como vergas e contravergas, escadas, coxim entre outros.

2.1.2 BLOCOS DE CONCRETO

O bloco de concreto se destaca por ser o primeiro a receber uma norma brasileira para o cálculo de alvenaria estrutural. Esse tipo de bloco é comercializado em grande escala no Brasil, isso se deu pela sua viabilidade econômica e técnica.

Sua estrutura é constituída por cimento Portland, água e agregados. O bloco de concreto deve apresentar características inerentes a ele, como: aspecto homogêneo e compacto, dimensões e formas adequadas, bom acabamento geométrico, sem trincas, boa aparência visual e que garanta a aderência de revestimentos.

De acordo com Leite (2012), os blocos de concreto podem ser empregados para fechamento de vãos: blocos de vedação ou tendo função estrutural na sustentação da construção: blocos estruturais. Esses blocos, são feito de forma padronizada e sua produção é da mesma forma. No entanto, os blocos estruturais possuem paredes com espessuras maiores e maior resistência característica à compressão em relação ao de vedação. A resistência mínima do bloco é 4,5 Mpa para paredes internas e externas com revestimentos e a resistência mínima para paredes externas sem revestimentos é de 6,0 Mpa.

Um fator de grande importância que se deve levar em consideração é capacidade de utilização desse bloco e a análise de suas vantagens em substituição a outros tipos de construção. Dentre as suas principais vantagens em relação a outros elementos, estão:

Vantagens:

a) Eliminação das etapas de moldagem dos pilares e vigas;

b) Redução de fôrmas;

c) Montagem de armaduras;

d) Montagem da alvenaria;

e) Redução do tempo de obra;

f) Em alguns casos, dispensa chapisco e revestimento de argamassa.

De acordo com a NBR 6136 (ABNT, 1994), é considerado bloco vazado de concreto aquele em que a área líquida é igual ou inferior a 75% da área bruta.

2.1.3 ARGAMASSA

Segundo a NBR 8798 (ABNT, 1985), argamassa corresponde ao elemento utilizado na ligação entre os blocos de concreto, garantindo distribuição uniforme de esforços, composto de cimento, agregado miúdo, água e cal ou outra adição destinada a conferir plasticidade e retenção de água de hidratação à mistura.

Uma das principais características da argamassa é distribuir uniformemente as cargas entre os blocos, além de exercer a união entre os blocos. Além disso, tem a função de evitar a entrada de vento e agua nas edificações. É importante que a argamassa possua certa trabalhabilidade devido ao fato de ser um material ligante. Também é importante que a argamassa tenha a característica de retenção de água, pois, no momento em que estiver em contato com os blocos não ocorra uma perda de água, evitando assim, que suas funções primárias sejam prejudicadas.

Segundo Silva (2013), a argamassa pode ser preparada na própria obra ou industrializada. A industrializada é vendida comercialmente em a granel e sacos e ela já vem pré-misturada. A argamassa produzida na obra tem como vantagem principal o baixo custo em comparação à industrializada. No entanto, está suscetível à problemas de dosagem e de impurezas na obra.

2.1.4 GRAUTE

A parede estrutural é composta de unidades de blocos, argamassa, armadura e graute. O último por sua vez, é utilizado no reforço da alvenaria estrutural. O grauteamento tem a função de solidarizar a estrutura, por meio do preenchimento dos vazios das alvenarias, aumentando assim, a resistência da parede às solicitações de cisalhamento, flexão e compressão. O graute consiste em um concreto de alta fluidez e fino, ele é composto de água, cimento, agregado miúdo e agregado graúdo de baixa dimensão (até 9,5mm). É preciso que o graute seja composto por um concreto fluido e com agregados de menores dimensão, para que assim ele consiga preencher os vazios e envolver as armaduras aderindo ao bloco, assim formando um conjunto monolítico (SAMPAIO, 2010).

Segundo a NBR 10387 (1989), cálculo de alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto, diz que a resistência característica do graute tem que ser maior ou igual a duas vezes à resistência do bloco.

2.1.5 ARMADURAS

As armaduras são iguais às utilizadas no concreto armado, elas são utilizadas principalmente para aumentar a resistência da parede aos esforços de tração e também de compressão. As armaduras são utilizadas verticalmente nos locais especificados pelo projeto estrutural e horizontalmente nas canaletas, vergas e contravergas.

2.2 PROCEDIMENTO EXECUTIVO

A etapa da elevação da alvenaria é de suma importância em uma edificação para esse método construtivo. No entanto, para atingir a qualidade esperada e o desempenho técnico satisfatório, deve-se empregar cautelas especiais nas fases de elaboração, projeto e execução. Segundo Bauer (2008), durante elaboração e projeto deve-se atentar as seguintes precauções:

Conceituação dos projetos arquitetônico e estrutural; Conhecimentos técnicos adquiridos com base em experiência nacional, visando à adequação e concepção dos projetos de fundações e estrutural; Normalização técnica existente quanto à especificação dos materiais constituintes e procedimentos de execução; Controle de qualidade efetivo, seja dos materiais, com relação ao recebimento e estocagem, bem como, da execução.

2.2.1 PROCEDIMENTOS PRELIMINARES

De acordo com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), (2010), para ser iniciada a etapa de execução primeiramente terão que ser cumpridas algumas etapas antecedentes, são elas: Averiguação do abastecimento e estocagem dos materiais a serem utilizados: blocos e pré-moldados, ferramentas, equipamentos e materiais, de acordo para que seja autorizado o início do serviço; Concepção de uma estratégia executiva do serviço, distribuição da equipe, ferramentas, materiais e equipamentos. Antes de começar a marcação da alvenaria, é fundamental realizar uma limpeza no pavimento que serão assentados os blocos de concreto para que não danifique a aderência da argamassa entre o pavimento e o bloco de concreto. Além disso, é essencial analisar se os projetos estruturais se encontram na obra, e como mostra na Figura 2, é necessário verificar o esquadro da laje que serão assentados os blocos, conferindo as medidas das duas diagonais. Se a diferença das duas diagonais forem menor que 5 cm, o esquadro da laje será aprovado (PAULUZZI, 2013; RAMOS, 2002).

Figura 2- Conferência do esquadro.

Fonte: ABCP, 2010.

2.2.2 MARCAÇÃO DA PRIMEIRA FIADA

Para esse próximo serviço de marcação da alvenaria, deve-se ter bastante atenção, pois a primeira fiada vai servir de referência para os serviços subsequentes, vale ressaltar que a primeira fiada é executada de forma diferente das outras. Após serem cumpridos os processos preliminares, de acordo com Silva (2013), deve-se marcar as direções das paredes, shafts e aberturas de portas com o auxílio do fio traçante e realizar a instalação dos escantilhões. No decorrer da instalação, esse equipamento deve ser levantado a prumo. Logo depois, deve acontecer a transferência de nível e instalar os gabaritos nas portas. Logo após esses procedimentos, segundo a ABCP (2010), deve-se umedecer a superfície que irá receber a primeira fiada na direção da parede, como ilustra a Figura 3:

Figura 3- molhando pavimento.

Fonte: ABCP, 2010.

Depois, deve-se inserir a argamassa no pavimento, com uma largura correspondente a largura do bloco (14 cm), como mostra a Figura 4, criando uma massa para que os blocos de concretos possam ser fixados.

Figura 4- Inserindo argamassa.

Fonte: ABCP, 2010.

Após finalizar a execução de toda primeira fiada no pavimento, deve ser verificado a amarração dos blocos, pois no encontro de paredes ocorrem concentrações de tensões e transferências de cargas de uma parede para outra. As amarrações devem ser feitas de acordo com as Figuras abaixo:

Figura 5- Amarração em “L”. Figura 6- Amarração em “T”. Figura 7- Amarração em cruz.

Fonte: ABCP, 2010. Fonte: ABCP, 2010. Fonte: ABCP, 2010.
Fonte: ABCP, 2010. Fonte: ABCP, 2010. Fonte: ABCP, 2010.
Fonte: ABCP, 2010. Fonte: ABCP, 2010. Fonte: ABCP, 2010.

O projeto de modulação dos blocos é também muito importante. O projetista deve garantir que seu projeto seja executado de maneira rápida, simples e sem quebras de blocos, afim de obter uma maior produtividade e diminuição de custos. Os projetos não modulados, figura 8, apresentam muitas quebras de blocos, enquanto os modulados, Figura 9, apresentam os blocos de maneira uniforme, sem quebras.

Figura 8- Projeto não modulado.

Fonte ABCP, 2010.

Figura 9- Projeto modulado.

Fonte ABCP, 2010.

2.2.3 ELEVAÇÃO DA ALVENARIA

Após finalizar todo assentamento da primeira fiada de blocos, chega a etapa da elevação da alvenaria, figura 10. De acordo com a ABCP (2010), trata-se de um procedimento intuitivo, quase “automático”, porém deve-se ter atenção com o adequado posicionamento dos blocos.

Figura 10- Elevação da alvenaria.

Fonte: ABCP, 2010.

Conforme a NBR 15812 (2010), no decorrer do levantamento da alvenaria, as juntas horizontais e verticais deverão ser totalmente preenchidas pela argamassa e terão de ser observadas as espessuras que devem ser constantes. Porém, a ABCP (2010) diz que, para uma obtenção de maior produtividade, as juntas verticais podem ser adicionadas argamassa após o assentamento dos blocos com auxílio da bisnaga. Outra etapa importante segundo a NBR 15812-2 (2010), é a verificação do prumo, afim de impedir excentricidades a mais no carregamento.

Segundo Sabbatini (2003), no processo de elevação da alvenaria deve-se seguir alguns conceitos como:

a) Os blocos de concretos não devem estar molhados no momento da execução;

b) A execução da alvenaria não pode ser realizada com chuva, para que não haja o acumulo de água no interior dos blocos, toda área deve ser protegida;

c) A alvenaria não poderá ser executada com emendas ou resto de blocos, sempre com blocos inteiros;

d) As instalações previstas devem ficar nos dutos, estes ficaram no interior da alvenaria de blocos de concreto, caso necessário mais alguma introdução de instalação, pode-se fazer rasgos na parede desde que seja consultado o projeto;

e) As prumadas hidráulicas e elétricas devem ficar em shafts previstos em projeto, sendo proibida prumadas no interior da alvenaria estrutural.

f) As paredes que não possuem função estrutural não podem ser unidas com as estruturais, sendo necessário a utilização de juntas de trabalho.

Na etapa do grauteamento, antes da execução, segundo a ABCP (2010), deve-se realizar uma limpeza de sujeiras e resto de argamassa de assentamento na parte interna dos blocos, se não forem retiradas as sujeiras, podem acarretar um grauteamento incorreto como ilustra a Figura 11:

Figura 11- Execução sem limpeza.

Fonte: ABCP, 2010.

Outra recomendação importante, é deixar janelas de inspeção e limpeza, figura 12, para limpar e verificar se o grauteamento chegou corretamente até a base da alvenaria.

Figura 12- Janela de inspeção.

Fonte: Equipedeobra.pini.

O assentamento do graute segundo Ramos (2002), deve ocorrer após a execução da segunda fiada de blocos, o grauteamento deve ser realizado em mais de duas etapas, afim de não ocorrer ninhos de concretagem. Porém Nonato (2013), diz que se deve “Proceder ao grauteamento em dois momentos, na altura da sétima fiada, para paredes externas, e na última fiada em todas as paredes estruturais”.

2.2.4 FALHAS CONSTRUTIVAS NA ALVENARIA ESTRUTURAL

As falhas na execução da alvenaria estrutural é um dos principais motivos de surgimento de patologias, é preciso que se tenha uma boa mão de obra, qualidade dos materiais e uma fiscalização adequada do serviço para que não ocorram imprevistos no decorrer da construção. Algumas falhas são muito comuns nesse sistema construtivo, são elas:

  1. Grauteamento incorreto: É um fator a ser fiscalizado, principalmente a altura do seu lançamento, se for lançado em uma altura muito elevada pode ocasionar problemas como a segregação do material (SILVA, 1998).
  2. Cortes na alvenaria: Deve-se ter uma grande atenção com projetos de instalações e sua execução, para que não haja cortes futuros na alvenaria. Segundo Ramos (2002), além de desperdícios, pode ocasionar um redução na resistência da alvenaria, acarretando danos a estrutura.
  3. Desaprumo: Necessita-se de um controle exigente, pois segundo Araújo (2009), caso o desaprumo seja grande será necessário demolição da parede, sendo assim trazendo prejuízos a obra.
  4. Preenchimento e espessura das juntas: As juntas verticais, se forem mal preenchidas, causam menor efeito na resistência a compressão e maiores efeitos na resistência a flexão e cisalhamento das paredes. Já no preenchimento errado das juntas horizontais, causam diminuição da resistência a compressão das paredes (RAMOS, 2002).

2.3 PATOLOGIAS

Nesta etapa, mostraremos as principais patologias que podem acontecer nesse sistema de construção, são elas: recalque de fundação, variações térmicas, sobrecarga de carregamento, reações químicas e retração. Também, veremos um diagnóstico, de como podem estar surgindo essas patologias, através da ferramenta de qualidade causa e efeito.

2.3.1 MECANISMOS DE FORMAÇÃO DE FISSURAS E CLASSIFICAÇÃO DAS FISSURAS

De acordo com Mourão (2016), todos os elementos com proximidade à edificação, de forma ocasional ou permanente podem de alguma maneira colaborar para o surgimento de patologias que atingem diversos elementos na estrutura de uma construção.

Diversos fatores podem acarretar na formação de fissuras na alvenaria estrutural, os principais e mais comuns mecanismos de formação de fissuras nas paredes de alvenaria estrutural são: Recalque da fundação; sobrecarga de carregamentos; variações térmicas; retração; movimentação higroscópica e reações químicas. Outro fator que ocasiona a formação de fissuras é a utilização de diferentes tipos de materiais com diferentes propriedades, utilizados em conjunto (THOMAZ, 1989)

Quanto a classificação das fissuras, elas podem ser classificadas dentre outras maneiras, quanto a sua espessura e quanto a sua atividade. Quanto a espessura, as fissuras são classificadas de acordo com sua abertura. Aquelas que apresentam espessura inferior a 0,05 mm são chamadas de microfissuras, as que têm espessura com até 0,5 mm são chamadas de fissuras e, as que apresentam abertura maior que 0,5 mm e menor que 1,0 mm são chamadas de trincas.

As fissuras podem ser classificadas em função da sua atividade, elas podem ser ativas ou passivas. As fissuras ativas são aquelas que sofrem alteração da sua espessura à medida que as variáveis que as provocaram sofrem alterações, atuando como juntas induzidas pela estrutura. Se caso elas apresentem um aumento ao longo do tempo pode ser considerado um problema estrutural, onde deve ser determinado através de observações e analises da estrutura. Já as fissuras passivas são consideradas estabilizadas, já que são provenientes de solicitações que não apresentam variações significativas ao longo do tempo (CORSINI, 2010; MOURÃO, 2016).

2.3.1.1 FISSURAS CAUSADAS POR RECALQUE DE FUNDAÇÃO

Das patologias vistas no sistema de alvenaria estrutural, as fissuras por recalque de fundação podem ser consideradas as mais grave. Segundo Marcelli (2007), com o surgimento e aumento gradativo desse tipo de fissuras, pode-se entender que existe um sério problema na fundação, e com o decorrer do tempo pode trazer sérios riscos a edificação e aos seus usuários.

De acordo com Thomaz (2001), os recalques podem ocorrer por diversos motivos, como mostram as figuras abaixo, são eles:

1- Execução de fundação em sessões de corte e aterro:

Figura 13- Fundações em corte e aterro.

Fonte: THOMAZ, 2001.

2- Fissuras pela influência de fundações vizinhas:

Figura 14- Encontro de bulbo de tensões gerado por fundações próximas.

Fonte: THOMAZ, 2001.

Fonte: THOMAZ, 2001.

3- Solo heterogêneo no local da construção:

Figura 15- Diferentes tipos de solos encontrados.

Fonte: THOMAZ, 2001.

Os recalques vistos, são os que se apresentam com maior frequência nas construções, porém segundo Marcelli (2007), é praticamente impossível prever com total certeza os recalques absolutos em uma fundação, é impossível obter recalque zero, e os que chegam perto de zero tornam a construção bastante onerosa.

Mesmo sendo difícil evitar o aparecimento de fissuras por recalque, é possível evita-las tomando medidas preventivas ainda na fase de projeto, afim de minimizar essa patologia. Se forem previstos movimentos da fundação, essa deve ser projetada rígida o necessário para acomodar esses movimentos, mitigando patologias na alvenaria (PAGE, 1993; SAMPAIO, 2010).

As fissuras originadas por recalque de fundação tendem a se posicionar próximo ao pavimento térreo na edificação, porém essas fissuras podem ocorrer nos pavimentos superiores, depende da gravidade e do tipo de construção. A depender do direcionamento do recalque, as fissuras podem se apresentar de variadas formas, como mostra a Figura 16. De modo mais amplo, as fissuras decorrentes por recalque, são inclinadas para o local onde ocorreu o maior recalque. Vários profissionais admitem fissuras a 45º a problemas da fundação (DUARTE, 1998; MARCELLI, 2007).

Figura 16- Diferentes locais de recalque.

Fonte: SILVA, (2013).

2.3.1.2 FISSURAS CAUSADAS POR VARIAÇÕES TÉRMICAS

Todos os elementos de uma construção estão sujeitos a movimentações térmicas, sejam elas diárias ou estacionais, que causam variações de tamanho nos materiais por meio de contração ou dilatação térmica, figura 17 (THOMAZ, 1990).

Segundo Sampaio (2010), essas movimentações podem ser causadas por:

Atuação de uma mesma variação de temperatura em materiais com diferentes coeficientes de dilatação térmica; Gradiente de temperatura ao longo de um mesmo componente (exemplo: gradiente entre a face exposta e a face protegida de uma laje de cobertura); diferentes variações térmicas atuando num único elemento.

É importante evidenciar, que mesmo nas lajes cobertas com telhados encontra-se a probabilidade de formação de fissuras. Contudo, esse tipo de fissura não compromete a segurança da construção (SABBATINI, 1984).

Figura 17 Fissuras causadas por variação de temperatura.

Fonte: THOMAZ, 2001.

2.3.1.3 FISSURAS CAUSADAS POR SOBRECARGA DE CARREGAMENTO

Fissuras provenientes de excessivo carregamento são geralmente verticais. Elas ocorrem devido aos esforços transversais de tração embutidos nas unidades através do atrito da superfície da junta da argamassa com a face maior dos tijolos. De maneira geral, ao ser comprimida, a argamassa se deforma mais que os tijolos, com isso, há uma tendência que se expanda lateralmente e transmita tração lateral aos tijolos. Esse tipo de esforço lateral de tração é o responsável pelas fissuras verticais. Podemos observar na Figura 18:

Figura 18 Fissuras verticais devido à sobrecarga de carregamento.

Fonte: SAMPAIO, 2010.

A ação de sobrecargas não consideradas em projeto pode acarretar na fissuração de elementos estruturais em uma edificação. Na ocasião onde há atuação de sobrecargas concentradas, poderá surgir fissuras inclinadas, figura 19, a partir do ponto onde a carga está sendo aplicada ou ruptura da alvenaria na região aplicada ou então ambos os fenômenos (RICHTER, 2007; ZANZARINI, 2016).

Figura 19- Fissuras inclinadas.

Fonte: SILVA, 2013.

2.3.1.4 FISSURAS CAUSADAS POR REAÇÕES QUÍMICAS

As fissuras originadas por reações químicas se apresentam predominantemente na direção horizontal, figura 20, elas acabam ocorrendo devido à expansão da junta de argamassa ocasionada pela alteração química de seus materiais constituintes (SILVA, 2013).

As condições ambientais onde a alvenaria está exposta podem propiciar condições para o surgimento desse tipo de fissura. De acordo com Duarte (1998), as causas mais comuns das fissuras ocasionadas devido a reações químicas são a reação retardada dos cales, e expansão das juntas de argamassa ocasionada pela reação do cimento com sulfatos.

Quando são feitas com cales mal hidratados, as argamassas de assentamento podem apresentar altos teores de óxido livre de cal e magnésio, que na presença de umidade irá se hidratar e em consequência aumentar de volume. Devido à intensidade desse aumento de expansão poderão ocorrer fissuras e outros tipos de anomalias em que os sintomas se assemelham aqueles ocorridos devido à dilatação térmica (MARCELLI, 2007; ZANZARINI, 2016).

Figura 20 Fissuras horizontais provocadas pela expansão da argamassa de assentamento.

Fonte: THOMAZ, 1989.

2.3.1.5 FISSURAS CAUSADAS POR RETRAÇÃO

Segundo Magalhães (2004), as fissuras provocadas por retração acabam ocorrendo devido ao movimento de elementos construtivos ou de seus elementos constituintes por retração dos produtos à base de cimento.

Diferentes fatores influenciam diretamente na retração dos produtos à base de cimento, onde se destaca os principais as condições de cura e a relação água/cimento. A retração é provocada pela perda de água que se encontra quimicamente associada no interior do concreto. Essa perda de água não é acompanhada pela alvenaria que em virtude disso provoca retração dos elementos de concreto da edificação (ALEXANDRE, 2008).

De acordo com Refati (2013), são exigidos maiores cuidados com a retração em blocos de concreto, é imprescindível estudar as formas de retração que existe. Ele assume três formas diferentes nos blocos, sendo provocadas devido a carbonatação ou secagem:

a) Por retração irreversível por carbonatação ao longo da vida;

b) Por secagem irreversível, pela variação da umidade, também ao longo da vida;

c) Por secagem inicial irreversível, com perda de umidade não envolvida no processo de hidratação, nas primeiras horas e dias.

2.3.2 DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO

Através da ferramenta de qualidade criada por Ishikawa (causa e efeito), é possível verificar as possíveis patologias que possam vir acontecer ou até mesmo preveni-las, sendo assim os 5 M’s da qualidade, figura 21, trazem necessidades que devem ser cumpridas, afim de se obter um produto final com qualidade, são elas:

Figura 21 5M’s da qualidade.

Fonte: seemy.com.

material:

a) Controle de qualidade dos blocos de concreto;

b) Controle de recebimento e estocagem;

c) Qualificação técnica dos fabricantes;

d) Seguir sempre as normas técnicas, para os blocos deve-se seguir a NBR 6136 que identifica sua resistência a compressão, umidade entre outras características;

e) Grautes e argamassas de assentamento devem seguir a Norma 8798, devem ser identificadas as dosagens, resistência a compressão e retenção de água;

f) Cimento, agregados, aço, cal hidratada e aditivos devem ser utilizados de acordo com a norma de cada material.

Método:

a) Normas: É indispensável a aplicação de normas técnicas dos materiais e na execução de todo empreendimento, para que o produto final seja vendido com qualidade para seu consumidor;

b) Projetos: projetos estruturais, arquitetônico e instalações devem ser elaborados contendo todos os detalhes para que a execução saia como previsto em projeto;

c) Normas técnicas e cadernos de encargos, contendo procedimentos de execução;

d) Logística de recebimento de materiais e serviços;

e) Manual do proprietário: deverá conter os procedimentos de uso adequado e restrições, cuidados na manutenção e limpeza.

Máquinas:

a) É imprescindível dispor aos funcionários, imediatamente, ferramentas (máquinas) simples;

b) O emprego de ferramentas pequenas e eficientes para melhoria da qualidade e aumento da produtividade;

c) Deverão estar conforme procedimentos e devidamente calibrados os equipamentos utilizados nos processos construtivos, verificações de serviços e ensaios;

d) Redução do número de movimentos no assentamento de blocos. Caixa de argamassa à altura de 0,80 m, ergo metricamente colocada, reduzindo movimentos exaustivos.

Mão de Obra:

a) Investimento na mão de obra qualificada e de qualidade. Com isso maior será a qualidade e produtividade.

Meio Ambiente:

a) Atentar-se na preservação do meio ambiente. Deve-se gerir adequadamente os entulhos gerados na obra, assim como a destinação correta do mesmo.

Principais fatores que geram o aumento de entulhos e desperdícios:

b) Retrabalho e perda de material, materiais de má qualidade, mão de obra desqualificada e erro executivo;

c) Perda de material utilizado no nivelamento de paredes fora de prumo e também em revestimento de paredes que apresentam variações de espessuras.

CONCLUSÃO

Neste presente artigo, foram vistos conteúdos importantes relacionados a materiais, execução e patologias na alvenaria estrutural em blocos de concreto. Diante disso, foram identificadas as principais causas das patologias decorrentes neste método construtivo. Além disso, foi feito observações com o intuito de mitigar eventuais patologias. Foi identificado que a compatibilização de projetos é muito importante, pois é nessa fase que se tomam decisões que poderão impactar no produto final, a falta de interação entre projeto e execução pode levar a inúmeras patologias, a mão de obra de qualidade é muito importante, o despreparo dos colaboradores podem trazer muitas consequências negativas, é imprescindível o treinamento e acompanhamento das atividades realizadas, a fim de mitigar manifestações patológicas, em relação ao recalque de fundação, é importante um conhecimento das características do solo onde será implantada a construção, as fissuras originadas por recalque de fundação geram cisalhamento quando o solo é heterogêneo, podendo colocar em riscos os usuários, deve-se ter cuidado com as sobrecargas, pois altera a resistência final à compressão, a resistência mecânica dos componentes da alvenaria não tem a mesma proporção da parede acabada, atentar-se também as movimentações térmicas, pois os movimentos de dilatação e contração dos materiais acarretam fissuras, as lajes de coberturas são as que mais sofrem mudanças térmicas, porém as tensões são direcionadas para as paredes, aparecendo fissuras, as reações químicas causam fissuras nas fachadas devido a incidência de umidade nas regiões das edificações e, a retração do concreto, onde foi visto que a retração de lajes transmitem esforços para os componentes da alvenaria, podendo causar destacamentos nas ligações estruturais.

Com isso, conclui-se que as causas mais impactantes na fissuração da alvenaria estrutural são originadas da falta de compatibilização de projetos, má qualidade de mão de obra, recalques de fundação, sobrecargas, movimentações térmicas, reações químicas e retração. De modo mais amplo, foram caracterizados os principais meios que as fissuras podem surgir nas alvenarias estruturais, com isso os construtores devem se atentar cada vez mais a estas patologias, a fim de aumentar a segurança e durabilidade da construção.

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[1] Graduando do Curso de Engenharia Civil do Centro Universitário Jorge Amado.

[2] Graduando do Curso de Engenharia Civil do Centro Universitário Jorge Amado.

[3] Engenheiro Civil UCSal-2001, Especialização (MBA) em Gerenciamento de Projetos FGV, (MBA) em Gestão de Qualidade UGF-2013, Graduado em Matemática UNIP-2010.

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