Patologias De Revestimento Externo

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ARTIGO ORIGINAL

SILVA, Willian Figueiredo [1]

SILVA, Willian Figueiredo. Patologias De Revestimento Externo. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 11, Vol. 07, pp. 98-117 Novembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

O presente artigo visa o estudo das manifestações patológicas presentes nos revestimentos de fachada. As patologias mais comuns são o aparecimento de manchas, deslocamento das placas e trincas, que alteraram a estética do ambiente e a função do revestimento, oferecendo riscos e desconfortos aos usuários. Diante de tal cenário, torna-se relevante um melhor entendimento das causas de patologias nas fachadas das edificações, a fim de buscar ferramentas de prevenção e correção, evitando-se prejuízos financeiros e acidentes.

Palavras chave: Revestimento, Patologias, Fachada.

INTRODUÇÃO

Segundo a NBR 13755 (ABNT, 1996), revestimento externo é o conjunto de camadas colocadas uma acima da outra e interligadas, constituído pela estrutura-suporte, alvenarias, camadas sucessivas de argamassas e revestimento final, cuja finalidade é de proteger a edificação contra as ações do tempo, também proporcionar acabamento estético.

Ao decorrer da vida útil do projeto podem aparecer patologias que muitas vezes são ocasionadas pela ausência de informação e capital intelectual, ou seja, conhecimento técnico aplicado na sua execução. As mais comuns patologias existentes nas fachadas são o aparecimento de deslocamento das placas, trincas e manchas nas mesmas. Estas alteraram a estética do ambiente e a função do revestimento, oferecendo riscos e uma série de desconfortos aos usuários e, é claro, ocasionando assim a necessidade de manutenções e reparos.

As patologias incidentes nos revestimentos de fachada comprometem a imagem da Engenharia e Arquitetura do país, sendo um desconforto às vistas da população, um risco à integridade das edificações e ferindo o conceito da habitabilidade. Levando a desvalorização natural do imóvel devido aos aspectos visuais. A base dos revestimentos (alvenaria ou concreto), sem o devido acabamento final, a edificação torna-se suscetível e frágil às infiltrações de água e gases, o que consequentemente conduz a sérias deteriorações internas nas edificações, podendo ser de ordem estética ou até mesmo estrutural (CARVALHO JR. et al.,1999).

Neste sentido, o presente artigo objetiva o estudo das manifestações patológicas presentes nos revestimentos de fachada e, também, o estudo de caso no Condomínio Residencial Ocean Park, localizado na cidade de Manaus-AM, onde se acompanhou os procedimentos de remoção do revestimento antigo e execução do novo revestimento de fachada.

Embora sejam largamente empregados em nosso país e em praticamente todo o mundo, os revestimentos cerâmicos ainda carecem de muitas melhorias e evolução tecnológica, notadamente no que diz respeito à execução de fachadas. As grandes incidências de patologia atestam essa necessidade. Diante de tal realidade, torna-se relevante um melhor entendimento das causas de patologias nas fachadas das edificações, a fim de se buscar ferramentas de prevenção e correção das mesmas, evitando-se prejuízos financeiros e acidentes.

REVESTIMENTO EXTERNO: DEFINIÇÃO E FUNÇÕES.

Segundo a NBR 13755(ABNT, 1996), revestimento externo é o conjunto de camadas superpostas e intimamente ligadas, constituído pela estrutura-suporte, alvenarias, camadas sucessivas de argamassas e revestimento final, cuja função é proteger a edificação das intempéries, bem como dar acabamento estético.

Segundo Sabbatini (1990, p. 6-7), as principais funções dos revestimentos são as seguintes:

a) proteger vedações e estrutura contra a ação de agentes agressivos, evitando a degradação precoce das mesmas;

b) aumentar a durabilidade e reduzir os custos de manutenção dos edifícios;

c) auxiliar as vedações em suas funções de: isolamento térmico e acústico, estanqueidade à água e aos gases, segurança contra o fogo;

d) dar acabamento final às edificações, cumprindo funções estéticas, de valorização econômica e as relacionadas com o padrão e o uso do edifício.

O julgamento de que as peças cerâmicas diferenciam-se apenas pela aparência é um julgamento enganoso e um instrumento de medida de sua qualidade inexato.

Algumas propriedades da cerâmica vêm da massa, outras são determinadas pelo esmalte. A massa, ou o corpo, influencia a absorção de água, a expansão por umidade e a resistência ao peso (mecânica) e ao gelo.

O esmalte torna a placa resistente a abrasão (PEI – Porcelain Enamel Institut), manchas e substâncias químicas. E nas placas de superfície lisa é ele também que garante um bom coeficiente de atrito, neste caso: antiderrapante.

As propriedades das placas cerâmicas estão ligadas diretamente à composição de sua massa ou ao esmalte empregado em seu acabamento superficial, descritas a seguir:

ABSORÇÃO DE ÁGUA

Medida conforme porosidade da massa, tendo influência direta na resistência ao peso (mecânica), ao impacto, à abrasão profunda, à química e ao gelo. É propriamente isso que originou a classificação dos cinco grupos cerâmicos: poroso, semiporoso, semigrés, grés e porcelanato, sendo este último o mais resistente e durável, conforme tabela 1, do Centro Cerâmico do Brasil (CCB) a seguir.

Tabela 1: Classificação das placas cerâmicas quanto à absorção de água

Grupo B

Placas prensadas

AbsorçãoTiposAplicações
B I aMenor que 0,5%PorcelanatoParedes e pisos internos, pisos externos e fachadas**
B I b0,5 a 3,0%GrêsParedes e pisos internos, pisos externos e fachadas**
B II a3,0 a 6,0%Semi GrêsParedes e pisos internos e pisos externos*
B II b6,0 a 10,0%Semi PorosaParedes internas e pisos internos*
B III b10,00 a 20,00%PorosaParedes internas*

* Ambientes com temperaturas acima de zero grau.*Ambientes sujeitos a todas as temperaturas. FONTE: CERÂMICA PORTOBELLO.

RESISTÊNCIA À FLEXÃO

Essa medida indica a capacidade da placa cerâmica em suportar esforços exercidos por cargas através do tráfego de pessoas, objetos, móveis, equipamentos ou veículos, que possam levar à rupturas, esmagamentos e quebras.

Conforme a classificação da tabela 2, do Centro Cerâmico do Brasil (CCB), nota-se que quanto menor a absorção de água e quanto maior a espessura da placa, maior será o índice de resistência à flexão.

Tabela 2: Classificação da resistência à flexão das placas cerâmicas

Grupo

Placas Prensadas

Resistência à FlexãoNomenclatura
B III bIgual 150 kgf/cm²Porosa
B II bIgual 180 kgf/cm²Semi Porosa
B II aIgual 220 kgf/cm²Semi Grês
B I bIgual 300 kgf/cm²Grês
B I aIgual 350 kgf/cm²Porcelanato

FONTE: CERÂMICA PORTOBELLO.

RESISTÊNCIA À ABRASÃO

Propriedade da placa cerâmica que indica a resistência a riscos e ao desgaste da camada de esmalte, provocada pelo tráfego intenso de pessoas, objetos, equipamentos rodados e veículos. O índice PEI faz menção ao órgão americano de mesmo nome, que estabeleceu os critérios de classificação da cerâmica conforme a resistência do esmalte, segundo classificação da tabela 3.

Tabela 3: Classificação da resistência à abrasão

PEIAbsorçãoOrientações para especificação
0Somente paredes.
1muito leveParedes e detalhes de pisos com pouco uso
2muito leveParedes e detalhes de pisos com pouco uso
3leveResidencial: pisos de banheiros e dormitórios, salas e varandas com pouco uso
4moderadoResidencial: pisos de cozinhas e salas com saída para a rua, calçadas e garagens

Comercial: pisos de boutique, ambientes administrativos de empresas, escritórios, hotéis, bancos, supermercados, hospitais etc

5intensoComercial: ambientes de atencimento ao público, praças e passeios públicos, cozinhas industriais, pisos de fábricas sem tráfego de veículos pesados

FONTE: CERÂMICA PORTOBELLO.

RESISTÊNCIA A GELO

Em locais de baixa temperatura, a água que penetra nos poros da cerâmica pode congelar e, dessa forma, aumentar de volume causando certa patologia.

Se as placas escolhidas tiverem uma massa muito porosa e não suportarem essa pressão, todo o revestimento pode ser danificado, neste caso é importante usar placas cerâmicas que apresentem um baixo índice de absorção de água.

EXPANSÃO POR UMIDADE OU DILATAÇÃO TÉRMICA

Consiste no aumento das dimensões da placa cerâmica por absorção de água e/ou por aumento da temperatura. Geralmente ocorre em locais onde a placa cerâmica está sujeita a umidade e calor intenso, como fachadas, pisos externos, lareiras e churrasqueiras.

RESISTÊNCIA AO RISCO (DUREZA MOHS)

Essa propriedade diz respeito à dureza do esmalte da superfície de acabamento, dureza Mohs, e consequentemente, indica sua resistência ao risco provocado pelo atrito de materiais com diferentes durezas.

Seu índice deve ser observado em pisos em casas de praia, onde esse cuidado se explica como: a areia que apresenta dureza 7, portanto, o revestimento só não ficará riscado pelo pisoteio dos transeuntes se tiver dureza Mohs superior a esse número.

RESISTÊNCIA A MANCHAS

Determina o quanto uma superfície poderá reter a sujeira e a sua respectiva facilidade de remoção de manchas quando submetidas à ação generalizada dos diversos produtos que estão sujeito em seu ambiente.

RESISTÊNCIA AO ATAQUE QUÍMICO

Assim como a sua massa, a superfície esmaltada das cerâmicas possuem níveis variados de tolerância a esses produtos, que determinam a capacidade da superfície da mesma em manter seu aspecto original.

Em ambientes residenciais é adequado o uso de cerâmicas que pedem apenas uma limpeza com produtos domésticos e, as que revestem piscinas, por sua vez, precisam suportar a ação do cloro.

CARACTERÍSTICAS DO REVESTIMENTO CERÂMICO

O revestimento cerâmico é composto por um sistema onde seus elementos trabalham de forma a interagir com a base a qual se aderem.

De um modo sistemático, analisando o modelo de camadas para revestimentos cerâmicos, podemos identificar cinco principais conjuntos de componentes: substrato ou base, camada de regularização ou emboço, camada de fixação – argamassa colante, peças do revestimento cerâmicas e as juntas (entre peças cerâmicas e painéis).

Figura 1: Modelo das camadas do Sistema de Revestimento Cerâmico

FONTE: CENTRO CERÂMICO DO BRASIL (CCB)

SUBSTRATO OU BASE

É o componente de sustentação dos revestimentos, vias de regra formado por elementos de alvenaria/estrutura.

CHAPISCO

É a camada de revestimento aplicada diretamente sobre a base, com a finalidade de uniformizar a absorção da superfície e melhorar a aderência da camada subsequente, geralmente usada em fachadas exteriores.

EMBOÇO

É a camada de revestimento executada para cobrir e regularizar a superfície da base, propiciando uma superfície que permita receber outra camada de reboco ou de revestimento decorativo.

De acordo com a ABNT NBR 7200:1998 (Execução de revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Procedimento):

A aderência entre argamassa de emboço e unidade de alvenaria (tijolos e blocos cerâmicos, de concreto, etc.) é um fenômeno essencialmente mecânico, devido, basicamente à penetração da pasta aglomerante ou da própria argamassa nos poros ou entre as rugosidades da base de aplicação.

ARGAMASSA COLANTE

“A argamassa colante é uma mistura constituída de aglomerantes hidráulicos, agregados minerais e aditivos, que possibilita, quando preparada em obra com adição exclusiva de água, a formação de uma pasta viscosa, plástica e aderente”, segundo definição na norma da ABNT NBR 13.755:1996 – Revestimento de paredes externas e fachadas com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante – Procedimento.

REVESTIMENTO CERÂMICO

Conforme norma da ABNT NBR 13.816:1997 – Placas cerâmicas para revestimento – Terminologia, placas cerâmicas para revestimento são definidas como sendo material composto de argila e outras matérias primas inorgânicas, geralmente utilizadas para revestir pisos e paredes, sendo conformadas por extrusão ou por prensagem, podendo também ser conformadas por outros processos.

Após o processo de secagem e queima a temperatura de sintetização, na qual começa a formação de fases vítreas, adquirem propriedades físicas, mecânicas e químicas superiores às dos produtos de cerâmica vermelha.

Outros subsistemas de suma importância que compõe propriamente o acabamento do revestimento cerâmico são:

JUNTAS

Têm por finalidade controlar as movimentações da obra, diminuindo incidência de trincas e fissuras no revestimento. As juntas são espaços deixados entre duas placas cerâmicas ou entre dois painéis de paredes.

O assentamento das placas cerâmicas devem respeitar e acompanhar as juntas previstas em projeto.

REJUNTAMENTO

É o processo para o preenchimento das juntas entre duas placas cerâmicas consecutivas, e tem por função apoiar e impermeabilizar protegendo as arestas das peças cerâmicas.

Da mesma forma que a argamassa colante, o tipo de argamassa para rejuntamento a ser usado depende do ambiente em que será aplicado.

PRINCIPAIS PATOLOGIAS EM FACHADAS

Descolamento: pode ocorrer por variações de temperatura, que geram tensões de cisalhamento, flambagem e posterior destacamento; cargas sobrepostas logo após o assentamento, que provocam compressão na camada superficial, descolando o revestimento; ausência de juntas de dilatação; instabilidade do suporte (recentemente executado e com alguma umidade) apresenta modificações de dimensão ou mesmo retração; ausência de esmagamento dos cordões, com consequente não impregnação do verso da placa cerâmica.

Estufamento: pode ser provocado por retração e compressão da argamassa de assentamento, quando esta é muito espessa para regularizar desnivelamento da base. Também ocorre estufamento em situações onde a cerâmica apresenta alta expansão por umidade, neste caso as peças têm a reidratação de seus minerais.

Manchas: podem ocorrer por problemas na produção do revestimento, além de falta de impermeabilização da base.

Esmagamento: sobrecargas de peso pós-assentamento, podem provocar compressão na camada superior da peça e ocasionar o esmagamento.

Eflorescência: pode ocorrer por umidade da base em conjunto com sais livres, através dos poros dos componentes. Esta água pode ter sua origem em infiltrações em trincas e fissuras, vazamentos nas tubulações, vapor condensado dentro das paredes, ou ainda da execução das diversas camadas do revestimento.

Trincas: as trincas, gretamentos ou fissuras podem ocorrer devido a: retração e dilatação da peça relacionada à variação térmica ou de umidade; absorção excessiva de parte das deformações da estrutura, ausência de detalhes construtivos (vergas e contravergas, pingadeiras, platibandas, juntas de dilatação), principalmente nos primeiros e últimos andares dos edifícios; retração da argamassa convencional, após a secagem aperta a cerâmica, podendo torná-la convexa e tracionada.

METODOLOGIA

Este estudo foi desenvolvido em três etapas. Na primeira etapa buscaram-se pesquisas bibliográficas por meio da internet, livros, artigos, etc., para que se formasse uma revisão bibliográfica.

A segunda etapa consistiu na determinação do estudo de caso, que ocorreu por meio de pesquisas pela cidade de Manaus por prédios que apresentassem patologias de fachada em estado avançado. Optou-se por utilizar o Condomínio Residencial Ocean Park que possui 2 torres Atlântico e Pacífico composto de 136 apartamentos, estes com 133m², pois estava com sérios problemas em seu revestimento, e se encontrava em fase inicial para a recuperação total do revestimento.

A terceira etapa consistiu em inspeção no local escolhido para a aquisição de material para estudo. Após ter em mão o material para estudo, foram realizadas análises para a identificação das patologias existentes e suas possíveis soluções, sendo possível o acompanhamento dos procedimentos de remoção do revestimento antigo e execução do novo revestimento de fachada.

COLETA E TRATAMENTO DE DADOS DO ESTUDO DE CASO

Descrição da edificação

O Condomínio Residencial Ocean Park que é um dos empreendimentos mais sofisticado da cidade de Manaus, é composto por 2 torres denominadas Atlântico e Pacífico que possuem 136 apartamentos, estes com 133m² cada que está localizado na Rua Rita Gama Barros, no Bairro Dom Pedro. Ele possui fachada em revestimento cerâmico de fino acabamento. A fachada frontal possui sacadas, portas e janelas com esquadrias.

Figura 2: Condomínio Residencial Ocean Park.

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FONTE: PRÓPRIA.

PATOLOGIAS ENCONTRADAS NA FACHADA DO EDIFÍCIO

As patologias surgem por inúmeras razões já mencionadas, sendo que a maior parte dos problemas que ocorrem durante a vida útil do projeto é originada na fase de planejamento e execução.

A seguir algumas situações encontradas na fachada do edifício.

RUPTURA NA INTERFACE ARGAMASSA COLANTE / CERÂMICA

Nessa situação a placa cerâmica removida tem seu tardoz praticamente limpo de resquícios de argamassa colante. A argamassa colante permanece aderida a camada de emboço. Caso seja aprovado, não há necessidade de recuperação deste emboço para posterior execução do revestimento final.

Figura 3: Ruptura na interface argamassa colante / cerâmica.

Fonte: autor

RUPTURA NA SUPERFÍCIE DO EMBOÇO

Neste caso, a ruptura da camada de emboço não é profunda e também não é necessário recuperar o emboço antes da execução do revestimento final.

Figura 4: Ruptura na superfície do emboço

FONTE: PRÓPRIA.

RUPTURA NA CAMADA DE EMBOÇO

Para rupturas no corpo da camada do emboço se faz necessária à recuperação desta para posterior execução do revestimento final.

Figura 5: Ruptura na camada de emboço

FONTE: PRÓPRIA.

RUPTURA NA INTERFACE EMBOÇO / SUBSTRATO OU CHAPISCO

Nesta situação o trecho de emboço rompe praticamente em toda sua espessura, também sendo necessária sua recuperação completa.

Figura 6: Ruptura na interface emboço / substrato ou chapisco.

FONTE: PRÓPRIA.

RESULTADOS

Interface revestimento novo x antigo

A obra encontrava-se na fase de início da recuperação, já tendo removido parte do emboço nos 3 (três) primeiros pavimentos da Torre Atlântico.

Pelo que foi possível observar e inferir a partir dos ensaios, a maior parte do revestimento cerâmico de fachada com placas extrudadas (GAIL) e prensadas (QUARTER) não possuía aderência suficiente para manter-se aderido no longo prazo. Os descolamentos não cessaram e é esperado que o processo não se interrompesse ao longo do tempo, podendo até mesmo intensificar-se. Para a recuperação do revestimento, devia-se promover a remoção completa das placas cerâmicas de ambas as torres para posterior execução de novo revestimento aderido.

Durante a visita foi possível acompanhar os procedimentos de remoção do revestimento antigo e execução do novo revestimento de fachada.

Figura 7: Torre Atlântico. Figura 8: Torre Atlântico.

FONTE: PRÓPRIA.

A remoção do emboço sobre a estrutura de concreto deve-se estender em no mínimo 15 cm acima da alvenaria. Para evitar danos aos blocos de alvenaria, não deve ser muito profunda, devendo ser o suficiente para que permaneça uma camada de argamassa com espessura de aproximadamente 1,5 cm.

Sobre essa argamassa remanescente, deve-se aplicar o chapisco convencional rodado em obra. Esta deve ser aplicada durante a execução do chapisco duplo na estrutura, sendo que a diferença é que neste trecho não é necessário aplicar argamassa colante previamente. A intenção com esse procedimento é promover uma melhor ancoragem entre o revestimento novo e o antigo.

No local foi visto que havia trechos em que não foi feita essa remoção, devendo ser providenciada, mas havia locais em que foi realizado esse avanço, porém permanecendo partes altas de argamassa. Situações assim devem ser evitadas para que o emboço a ser aplicado neste trecho não fique com espessura fina, que poderia desencadear o surgimento de fissuras em função da retração da argamassa. Além disso, deve ser providenciada a aplicação do chapisco sobre esses trechos, de modo a promover a aderência do emboço novo.

EXECUÇÃO DOS ENSAIOS DE ADERÊNCIA

Para validar o revestimento a ser utilizado na fachada, foi necessária a realização de ensaios de resistência de aderência à tração direta. Ressaltando a necessidade de realizar os ensaios o mais breve possível, uma vez que a argamassa já estava sendo aplicado na fachada, precisando ser comprovado seu desempenho.

Foi orientado que os ensaios do conjunto chapisco-emboço sejam feitos na idade de 14 dias, e repetidos quando atingirem a idade de 28 dias. O ensaio somente do chapisco pode ser feito com 3 (três) dias.

A obra providenciou os ensaios em um pano executado de emboço na fachada, e a orientação é para que também fosse preparado um trecho com chapisco sem a aplicação de emboço, para que seja feito o ensaio de resistência do chapisco. Novamente é importante lembrar que, se houver mudança de fornecedor de algum material (no caso da obra, o fornecedor do cimento), os ensaios precisam ser refeitos para que se possa avaliar o desempenho do conjunto.

PREPARO DA BASE

Foi possível acompanhar o preparo da base de um dos trechos a ser recuperado.

Foi realizada a remoção do revestimento sobre o pilar de concreto e então se prosseguiu com o desbaste mecânico da superfície. Na sequência foi feita a lavagem com jato d’água para remoção de poeira e partículas soltas.

Figura 9: Remoção do revestimento

FONTE: PRÓPRIA.

APLICAÇÃO DO CHAPISCO

Foi verificado nos trechos onde o chapisco duplo já estava executado, que o chapisco de colher estava sendo aplicado em excesso.

A espessura do chapisco deve ser o suficiente para cobrir uniformemente toda a argamassa colante, não tendo a necessidade de preencher por completo os sulcos. Chapisco muito espesso pode aumentar o surgimento de fissuras de retração. Recomendou-se alterar a diluição do aditivo no traço do chapisco, para que ficasse na proporção de 3:1 na água de amassamento (3 partes de água para 1 parte de aditivo).

FIXAÇÃO DAS TELAS

Foi testada a colocação da tela na quina do pilar de concreto. Como a execução do revestimento nas duas fachadas que compõem o canto foi realizada em momentos diferentes, a tela deve ser instalada na face onde está sendo aplicado o emboço e ficar solta na outra extremidade, até que seja possível fixar sobre o chapisco a ser executado na outra fachada;

A obra deve providenciar a execução dos espaçadores de argamassa (bolachinhas com 1,0 cm de espessura) para facilitar o posicionamento da tela no meio da camada de emboço. Estes ainda não estavam disponíveis na obra.

Figura 12: Fixação de tela.

FONTE: PRÓPRIA.

EMBOÇO COM SOBRESPESSURA

Para as regiões onde a regularização com emboço ficar maior do que 5,0 cm deve-se reforçar o pano com tela metálica para estabilidade do emboço.

A obra deve medir a espessura em cada pano para avaliar a necessidade da colocação da tela.

Quando for identificado um trecho com sobreespessura, deve-se prender um arame galvanizado com o auxílio do finca-pinos, de modo que a tela de estabilidade seja fixada com o arame antes da última cheia do emboço.

EXECUÇÃO DE JUNTAS DE MOVIMENTAÇÃO

Para a execução das juntas de movimentação, a obra deve providenciar frisador metálico e régua dupla.

As juntas de controle deverão ser realizadas após a etapa de desempeno do emboço. A posição da junta deve ser marcada de acordo com o projeto, de modo que fique alinhada com as esquadrias. Recomenda-se a execução com o auxílio de mangueira de nível para locação das juntas.

SEQUÊNCIA EXECUTIVA PROPOSTA PARA RECUPERAÇÃO DE REVESTIMENTO DE FACHADA.

1ª subida do balancim

– Remoção de Placas cerâmicas (PROC 00)

– Inspeção e correção do emboço onde necessário (PROC 00)

– Execução de juntas serradas de controle (PROC 02B)

– Impermeabilização das juntas de controle (PROC 03C)

1ª descida do balancim

– Assentamento de novas placas cerâmicas (PROC 04A)

2ª subida do balancim

– Rejuntamento das duas fiadas (abaixo e acima das juntas de controle) – (PROC 05A)

– Limpeza das juntas de controle (PROC 02B)

2ª descida do balancim

– Rejuntamento completo com limpeza parcial (PROC 05A)

– Aplicação de tarucel e selante nas juntas de controle (PROC 02B)

3ª subida do balancim

– Limpeza geral e completa

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A execução do revestimento de fachada é um processo complexo que envolve vários intervenientes, exigindo controle e responsabilidade do executor para assegurar a obtenção de resultado final adequado, o responsável pela obra deve se atenta para os seguintes aspectos fundamentais:

– capacitação da mão de obra;

– observância às recomendações do fabricante;

– acompanhamento cuidadoso da execução;

– monitoramento através da execução de ensaios;

– observância às recomendações de prescrições das normas técnicas da ABNT.

Ao analisar as patologias encontradas na edificação, observou-se que a maioria foi causada por erro de execução e de material mal empregado. Para a remoção do revestimento doente e a execução do novo revestimento, foi elaborado um planejamento bem detalhado seguido sem pular nenhuma etapa a fim de se entrega um produto final satisfatório e duradouro, fazendo com que as finalidades do revestimento fossem preservadas.

Na execução do novo revestimento foi importante deixar preparado todos os materiais e ferramentas necessários antes do início da execução de cada etapa, de modo a evitar contratempos e atrasos na execução. Para a sequência de execução, recomendou-se que a obra partisse com a recuperação no sentido de cima para baixo, de modo que a remoção, limpeza e aplicação de um novo revestimento não danifiquem panos já recuperados caso a sequência prossiga no sentido de baixo para cima. Para garantir a planicidade do revestimento, recomendou-se trabalhar com maior quantidade de taliscas e realizar frequentes verificações do prumo e da planicidade com régua de nível.

Neste contexto, observa-se que um planejamento bem elaborado e executado corretamente diminui consideravelmente o aparecimento de patologias de torando muito importante em qualquer fase de uma construção.

Desta forma, foi possível analisar, no presente estudo, que muitas das patologias que ocorrem em fachadas de edificações, além de oferecerem riscos e desconfortos aos usuários, comprometem consideravelmente a estética do empreendimento. Sendo assim, foi necessário conhecer as causas da patologia do caso estudado para que se fosse possível construir um projeto especifico para a situação que viesse corrigir o problema e criar ferramentas de prevenção, evitando-se futuramente prejuízos financeiros e acidentes.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 13.749. Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas: especificação. Rio de Janeiro, 1996.

. NBR 13.754. Revestimento de paredes internas com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante: procedimento. Rio de Janeiro, 1996.

. NBR 13.755. Revestimento de paredes externas e fachadas com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante: procedimento. Rio de Janeiro, 1996.

. NBR 13.816. Placas cerâmicas para revestimento: terminologia. Rio de Janeiro, 1997.

. NBR 13.817. Placas cerâmicas para revestimento: classificação. Rio de Janeiro, 1997.

. NBR 13.818. Placas cerâmicas para revestimento: especificação e métodos de ensaio. Rio de Janeiro, 1997.

. NBR 14.081. Argamassa colante industrializada para assentamento de placas de cerâmica: especificação. Rio de Janeiro, 1998.

. NBR 14.992. Argamassa a base de cimento Portland para rejuntamento de placas cerâmicas – requisitos e métodos de ensaios. Rio de Janeiro, 2004.

. NBR 7.200. Execução de revestimentos de paredes e tetos de argamassas inorgânicas: procedimento. Rio de Janeiro, 1998.

. NBR 8.214. Assentamento de azulejos: procedimento. Rio de Janeiro, 1983.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FABRICANTES DE CERÂMICA PARA

REVESTIMENTO (ANFACER). Guia de assentamento de revestimento cerâmico: assentador. 2. ed. São Paulo, 1998.

. Guia de assentamento de revestimento cerâmico: especificador. 2. ed. São Paulo, 1998.

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CENTRO CERÂMICO DO BRASIL. Manual de assentamento de revestimentos cerâmicos: pisos internos. Disponível em: <http://www.ccb.org.br/assentamento/manual_pisint.pdf>. Acesso em: 3 jun. 2018.

CICHINELLI, G. Patologias cerâmicas: por que ocorrem os desplacamentos e trincas em edificações revestidas com cerâmicas e quais as recomendações dos especialistas para evitar problemas. In: Revista Téchne: a revista do Engenheiro Civil, n. 116, p. 44-50, nov. 2006.

[1] Graduando Em Bacharelado Em Engenharia Civil. Técnico em segurança do trabalho. Centro Universitário Do Norte – Uninorte/Laureate.

Enviado: Novembro, 2018

Aprovado: Novembro, 2018

 

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