A compostagem de resíduos sólidos e de poda

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ARTIGO DE REVISÃO

LIMA, Regina Farias de [1], CARDOSO, Itamara Pereira [2], OLIVEIRA, Ginarajadaça Ferreira dos Santos [3]

LIMA, Regina Farias de. CARDOSO, Itamara Pereira. OLIVEIRA, Ginarajadaça Ferreira dos Santos. A compostagem de resíduos sólidos e de poda. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 12, Vol. 19, pp. 128-142. Dezembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-ambiental/compostagem-de-residuos

RESUMO

Os resíduos sólidos são atualmente um dos maiores problemas na sociedade, pois quando descartados de modo incorreto acabam causando danos ao meio ambiente e consequentemente a saúde humana. A técnica de compostagem é um processo do qual é realizada a reciclagem da matéria orgânica descartada, sendo uma forma ecologicamente e financeiramente viável, tendo como resultado final um produto humificado e rico em nutrientes sem causar danos ao meio ambiente. O objetivo deste artigo é realizar um estudo de revisão bibliográfico sobre a técnica de compostagem, conceituar e compreender o processo e as vantagens promovidas pela compostagem dos resíduos sólidos e de poda. A compostagem é realizada por meio da decomposição de diferentes fatores e com o auxílio de diferentes microrganismos, com o poder de decompor e transformar os resíduos em material orgânico, que equivale a maior parte dos resíduos urbanos gerados pela sociedade diminuindo a quantidade disposta nos aterros sanitários ampliando a vida útil destes.

Palavras-chaves: Compostagem, resíduos sólidos, sustentabilidade.

1. INTRODUÇÃO

A correta destinação final dos resíduos sólidos é uma problemática atual e muito debatida em todos os níveis da sociedade. De acordo om o Panorama dos RS de 2016 no Brasil são gerados anualmente cerca de 78,3 milhões de toneladas de resíduo sólidos urbanos (RSU) (ABRELPE, 2016).

De acordo com Vale (2016) a grande desarmonia ambiental nos centros urbanos é um dos setores que vem tornando a gestão dos RS um grande desafio. Pois entre muitos municípios ainda não há aterros com a finalidade de receber os resíduos sólidos de modo adequado. Neste cenário enquadra-se os resíduos oriundos de podas, dos quais também passam pelo mesmo problema de não ter um lugar apropriado.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) gerida pela lei nº 12.305 de 2010 que instituiu o fim dos aterros sanitários, no entanto as grandes parcelas dos estados brasileiros continuam dispondo seus resíduos de forma falha. Esta lei determina suas prioridades como a não geração; a redução; o reaproveitamento; a reciclagem; o aproveitamento energético e a disposição final. Da qual os aterros só atribuir o recebimento apenas de rejeitos que não fosse possível o seu reaproveitamento.

É de grande importância obter meios de tratamentos que promovam a redução da quantidade dos resíduos e seus impactos ambientais. Tal problemática pede solução como reciclagem e compostagem desses materiais, que possui como um dos atributos o aumento da qualidade e vida útil dos aterros sanitários, apesar da metade dos RSU serem de origem orgânica, esse tipo de método ainda obtém pouca visibilidade diante da gestão pública.

A compostagem é o processo da qual é realizada a reciclagem dos resíduos orgânicos, de forma a promover um destino correto aos resíduos e evitando o acumulo nos aterros sanitários. Esta técnica é realizada por ação de microrganismos aeróbicos, da qual geralmente é inserido oxigênio as composteiras ou leiras para facilitar o processo de decomposição, com evolução a dióxido de carbono e vapor d’ água, resultando em um produto final biologicamente estável e rico em nutrientes (KIEHL, 1985).

Este artigo teve como objetivo conceituar, analisar e compreender o processo de compostagem.  A análise do objetivo deste trabalho é classificada como exploratória, da qual foi possível realizar um levantamento e estudo bibliográfico, analisando exemplos e resultados acadêmicos que auxiliaram na compreensão sobre a técnica de compostagem e identificar suas vantagens desse processo no tratamento da fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos. Segundo Köche (1997) que afirma que esta classificação tem por objetivo principal a pesquisa exploratória, descrevendo ou caracterizando a natureza das variáveis que se quer obter conhecimento.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 TIPOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS

2.1.1 RESÍDUOS SÓLIDOS

A questão dos resíduos sólidos é um dos assuntos que mais se destacam e geram grandes preocupações atualmente. No país é crescente o aumento da população, da economia que promove um aumento no poder aquisitivo da sociedade impactando significativamente na geração dos resíduos sólidos (PAIXÃO; BEZERRA, 2019).

De acordo com Britto (2015) há alguns anos os resíduos são considerados como materiais sem valor e sem o menor grau de responsabilidade sobre o que foi descartado. Sua definição vem sendo alterada conforme os anos vão se passando.

Nos dias atuais uma relevante mudança no modo de tratar os resíduos é durante o processo de classificação dos mesmos. Segundo Paixão e Bezerra (2019) os resíduos podem ser reutilizados sendo devidamente separados, conforme a sua característica física.

A Lei nº 12.305 que institui a PNRS em seu artigo 3° define como resíduo sólido todo material ou substância fruto da atividade humana cuja a sua destinação seja ou tenha seu lançamento inviável a rede de esgoto ou que exijam técnicas financeiramente inviáveis em face da melhor tecnologia (BRASIL, 2010).

Para a Associação Brasileira de Normas Técnicas por meio da NBR 10004/04 define resíduos sólidos como todo aquele originado dos sistemas de tratamento de água, resíduos gerados por equipamentos de controle de poluição e líquidos com propriedades que os tornem inviáveis sua destinação a rede pública de esgotos (ABNT, 2004).

2.1.2 RESÍDUOS DE PODA

Os resíduos originários da poda são aqueles advindos da limpeza e manutenção de arborização urbana, também podem ser advindos de fenômenos naturais. A poda é uma técnica utilizada em várias situações, sendo classificada de acordo com a sua destinação como a poda de formação que garante o bom desenvolvimento da árvore, a poda de limpeza que garante a retirada de ramos ou galhos mortos, quebrados ou doentes, a poda de emergência que retira partes das árvores que possam colocar em risco a segurança dos pedestres e a poda de adequação que retira partes das árvores que geram danos as edificações e equipamentos urbanos (SILVA, 2016).

Para Paixão e Bezerra (2019) os resíduos gerados ela poda urbana mesmo não sendo gerados pela indústria, tem uma maior potencialidade de utilização, visto que são numerosos e totalmente independentes do mercado financeiro, sendo sua maior adversidade advinda na maioria das vezes da gestão feita de modo desorganizada e amadora, da qual muitas das vezes não se têm uma gerencia na quantidade de resíduos gerados e acabam perdendo este insumo tão importante.

Os resíduos das podas urbanas assim como os demais resíduos, não se pode disponibiliza-los em lugares incorretos, pois também são provedores de impactos adversos. Desta maneira é importante salientar a utilização das várias opções que tem como objetivo otimizar, destinar de modo correto e sustentável estes resíduos vegetais, como a produção de objetos decorativos, processo de produção energética e compostagem (SILVA, 2016).

2.2 A COMPOSTAGEM

Realizada desde dos primórdios da humanidade de maneira empírica, pelos povos orientais, romanos e gregos, pois eles já detinham conhecimento que os resíduos orgânicos podiam ser retornados ao solo sem lhe prejudicar. A técnica de compostagem é um processo de decomposição por ação biológica nos resíduos, em condições de aerobiose controlada gerando ao fim deste processo um produto estável e rico em propriedades orgânicas sendo denominado de adubo orgânico ou composto (KIEHL, 1985; MELO; DUARTE, 2018).

Esta técnica é vista como uma das melhores alternativas para o tratamento de resíduos orgânicos no geral. A matéria orgânica é modificada em duas fases diferentes, da qual ocorre na primeira ocorre as reações bioquímicas mais intensiva pela bioestabilização ou semi maturação e na segunda fase na maturação, acontece a humificação. O processo incluindo as duas fases varia em torno de 25 a 90 dias (COSTA et al., 2015).

De acordo com Melo e Duarte (2018) a compostagem vem a ser uma técnica ideal para se tratar os resíduos orgânicos gerados, além de andar em paralelo com a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) que determina a transformação dos materiais orgânicos de acordo com a sua composição nutricional direcionada a cultura ideal.

Entretanto a compostagem também dispõe de algumas desvantagens, como atrair animais indesejados e maus odores, além de possibilitar um produto final de baixa qualidade caso a metodologia aplicada durante o processo não tenha sido realizada adequadamente, causando perdas financeiras e falta de incentivo da comunidade local. Muitos projetos que utilizam a reciclagem dos resíduos por compostagem, acabam perdendo credibilidade por falta de seriedade na hora de aplicar a metodologia correta ao seu tipo de resíduos, na tabela 1 estão apresentados os lados positivos e negativos que a compostagem detém (BARROS, 2012).

Tabela 1 – Vantagens e desvantagens da Compostagem

Vantagens Desvantagens
Permite uma significativa economia de energia, quando comparada aos tratamentos possíveis É um método de tratamento parcial, somente fração orgânica, com alguma flexibilidade para absorver grandes variações na produção de resíduos sólidos;
Representa uma prática de reciclagem, cujos princípios podem ser estendidos a outras atividades socioeconômico-culturais Exige controle operacional eficaz, para que não sujam problemas na manutenção do composto, e portanto com sua qualidade
Representa oportunidade de geração de emprego e renda Necessita de triagem eficiente de materiais indesejáveis, evitando contaminação do composto
Pode diminuir a necessidade de transporte de resíduos Pode haver flutuação sensível no mercado consumidor do composto
A usina de compostagem não polui nem contamina a vizinhança
Propicia a recuperação de solos exauridos

Fonte: Barros (2012).

2.2.1 FASES DA COMPOSTAGEM

A compostagem é um método que não se limita em apenas adicionar e misturar matéria orgânica em pilhas, mas sim envolve escolhe dos materiais, seleção ideal do sistema, local onde serão montados o sistema e a disposição de quantidade de matérias para que o processo finalize por completo (KIEHL, 1985).

Segundo Kiehl (1985) o processo de compostagem tem três etapas. A primeira etapa tem-se a fase fitotoxica, pois é composta de material orgânico imaturo, em seguida a segunda etapa consiste da maturação ou bioestabilização desse material orgânico e logo após a etapa final com a humificação, possuindo características físico-químicas e biológicas desejáveis.  Todas as fases do processo são demostradas na figura 1, da qual correlaciona as fases do processo com a temperatura do composto no período correspondente.

Figura 1 – Etapas do processo de compostagem

Fonte: Pires (2011).

De acordo com Carvalho (2015) o processo de compostagem é estimado em torno de 3 a 4 meses, obedecendo a ordem: Fase I – fase mesofilica inicial, onde tem início a decomposição do material orgânico, liberando calor e vapor d’água, formação de ácidos e toxinas com curta duração. Fase II – fase termofílica, é onde ocorre as reações bioquímicas mais fortes, é a degradação ativa. Esta fase é total dependente das condições ambientais, origem do resíduo, população microbiana, balanço nutricional e tipo de processo definido. Fase III – fase de resfriamento com duração de 2 a 5 dias. Fase IV – após 30 a 60 dias ocorre a fase de humificação e de mineralização do composto.

2.2.2 TIPOS DE COMPOSTAGENS

De acordo com Carvalho (2015) há uma grande variedade de tipos de composteiras, que são utilizadas conforme a quantidade de resíduo e o local disponível, como:

– Leira ou pirâmide: Ela é montada por camadas sendo material seco e outro úmido em contato direto com o solo, e tem sua camada final de resíduos secos, tem a finalidade de evitar desmoronamentos. A aeração é realizada por revolvimento da pilha ou através de tubos pvc com perfurações sendo colocadas bem ao centro da pilha de resíduos durante a sua montagem, o ar entra diretamente, demostrada na figura 2.

Figura 2 – Leira ou pirâmide de compostagem.

Fonte: Pires (2011).

– Composteira em buraco na terra: Os resíduos são dispostos diretamente em um buraco no solo, sendo revolvido periodicamente, é recomendada adição de cal para evitar insetos e roedores.

– Caixa neozelandesa: Caixa sem tampa e sem fundo, montada com tabuas encaixadas, permitindo circulação de ar e ao completar a caixa, desmonta-se e remonta-se ao lado.

– Composteira de rede metálica: Cilindro metálico com base sobre a terra, de construção rápido e baixo custo, dispondo maior acessibilidade da pilha de resíduos, porem tem maior retenção de calor, o que deixa o processo de compostagem desacelerado.

– Composteira em barril rotativo: Barril suspenso com movimento giratório, garantindo total revolvimento dos resíduos com rapidez e eficiência. Demostrado na figura 3.

Figura 3 – sistema de compostagem em barril rotativo.

Fonte: Pires (2011).

– Composteira com três baias ou caixas fixas: Caixas de madeiras modulares, garantindo a aeração da pilha de resíduos. Possui um custo mais elevado, porem possui maior durabilidade e garantia de receber grandes quantidades de resíduos.

– Composteira de balde ou lata: Onde são realizados furos nas laterais e no fundo para aeração, tem necessidade de revolvimento semanal e uma bacia para retenção de líquidos na base para evitar a percolação do excesso de umidade na composteira.

– Composteira de tijolo: É fixa e é ideal para receber grandes quantidade de resíduos, sua aeração é realizada por frestas dos tijolos espaçados.

2.3 FATORES QUE INFLUENCIAM A COMPOSTAGEM

Alguns aspectos são levados em consideração para o bom desenvolvimento dos microrganismos, visto que a compostagem se dá pelo processo biológico. Tal decomposição e qualidade do produto são diretamente induzidos por alguns aspectos entre eles a umidade, aeração, temperatura, relação C/N, ph, tamanho partículas os resíduos propriamente ditos (COSTA et al., 2016).

2.3.1 UMIDADE

A umidade por se tratar de um método biológico de decomposição dos resíduos, a há de água em níveis consideráveis bons, é essencial para a ação dos microrganismos. Em teoria o valor ideal seria umidade em torno 100%, no entanto esse valor acaba por variar ao longo do processo por vários outros fatores, como qualidade da matéria orgânica, tamanho das partículas a ser decomposta, sistema de aeração e outros (PEREIRA; GONÇALVES, 2011).

2.3.2 AERAÇÃO

O processo de compostagem depende de oxigenação durante seu desenvolvimento. Se há oxigênio também terá umidade em níveis adequados, a evolução da temperatura ira impactar diretamente as fases termófilas e mesófilas (PEREIRA; GONÇALVES, 2011).

Há duas maneiras de obter a oxigenação na massa em compostagem, uma por meio artificial de modo mecânico com a ajuda de maquinário ou também por reviramento manual, com a ajuda de pás, essa ação é considerada um fator relevante para o controle da temperatura e manter a oxigenação para a atividade microbiológica (SILVA, 2016).

Pereira Neto (2014) afirma que o processo aeróbico não atinge a totalidade da massa, promovendo a criação de micro sítios ou até zonas sem areação, por causa do grande consumo de oxigeno das atividades metabólicas dos microrganismos.

2.3.3 TEMPERATURA

A temperatura é extremamente essencial para a compostagem, porem ela precisa ser controlada pois um mínimo de variação para mais ou para menos pode prejudicar o processo de atividade metabólica realizada pelos microrganismos. Kiehl (1985) explica que a temperatura ideal seja entre 50 a 70º C, e que temperatura acima de 70 são desconsideradas por períodos muito longos, pois uma grande maioria de microrganismo não consegue sobreviver a esta temperatura além de retardar a atividade enzimática liberada durante a compostagem.

2.3.4 RELAÇÃO CARBONO – NITROGÊNIO (C/N)

Nitrogênio e carbono são elementos químicos essenciais para expandir a microbiota a níveis ótimos no substrato orgânico. Tais elementos fazem parte na síntese proteica celular e atua como gerador de energia aos microrganismos. Segundo Brewer et al. (2013) é necessário iniciar a técnica de compostagem com bons níveis equilibrados de C/N para se obter um processo eficiente e um produto de boa qualidade. Estudos de Barros (2013) e Valente (2015) apontam que para se obter uma boa estabilização dos resíduos orgânicos a proporção ideal de trabalho está em torno de 30/1 e 40/1.

Segundo Guemandi (2015) quando um composto tem a relação C/N alta e o mesmo é inserido ao solo, os microrganismos acabam retirando o nitrogênio do solo de forma nítrica e amoniacal para tentar equilibrar a relação entre esses dois elementos químicos, o que acaba por afetar as plantas, as deixando com falta de nitrogênio. Há também outra questão, na falta do nitrogênio no substrato boa parte do carbono não é absorvida e a pilha de resíduos não chega a atingir a temperatura ideal para o processo, prejudicando a evolução do processo.

2.3.5 PH

Para Silva (2016) valores de pH muito baixos ou muito altos diminuem a atividade microbiana, a faixa de pH dos materiais usados na compostagem gira em torno de 3 e 11, mas os microrganismos têm preferência a resíduos que tenham pH na faixa de 5,5 e 8.

Controlar os níveis de pH durante a compostagem é relativamente difícil, entretanto esse fato acaba sendo corrigido pelos microrganismos que acabam produzindo substancias acidas e básicas de acordo com as características do composto (PEREIRA NETO, 2014). Para a fase chamada de fitotoxica ocorre a diminuição do pH da massa que reagem com os compostos liberados pelo resíduo orgânico (SILVA, 2016). A figura 2 representa a faixa de pH durante a processo de compostagem.

Figura 2 – pH durante processo de compostagem

Fonte: Kiehl (1985).

É observado que o pH passa a ter relevância quando relacionado as perdas de hidrogênio, pois ocorre volatização da amônia em pH 7,5 e em altas temperaturas. Desta forma não é necessário inserir calcário ou cinzas no início da compostagem, pois ao meio do processo vai ocorrer a alcalização do composto e volatização da amônia (KIEHL, 1985).

2.3.6 MICRORGANISMOS

As propriedades físicas e químicas da matéria orgânica são modificadas sob a ação da atividade microbiológica. Esses microrganismos demostram algumas características distintas que favorecem a decomposição de alguns resíduos em diferentes fases do processo (PEREIRA NETO, 2014).

Kiehl (1985) explica que microrganismos como as bactérias e os fungos atuam ativamente na transformação da matéria prima orgânica em um composto orgânico, ocorrendo entre eles um revezamento da predominância. Os resíduos orgânicos naturalmente possuem uma quantidade de microrganismos que se ampliam rapidamente. Os compostos orgânicos industriais ou prontos também possuem características de uso inoculante com o intuito de promover a aceleração na fase preliminar do processo.

2.3.7 FONTES DE MATÉRIA PRIMA PARA COMPOSTAGEM

Segundo os autores estudados neste artigo, os compostos devem ser de materiais ricos em carbono, geralmente de cor castanho, com baixo teor de umidade e de decomposição lenta, como por exemplo as serragens, podas de jardins como detritos de galhos e folhas. E também com materiais ricos em nitrogênio como as cascas dos alimentos, que obtém maior nível de umidade e uma decomposição mais rápida, como por exemplo os restos de comida e frutas.

No processo de composta não se utiliza plástico, vidros, óleos e metais que em excesso alimentos com gorduras inseridas em alto níveis acabam por desacelerar a compostagem, assim como a restrição dos alimentos muitos salgados, que pelo alto teor de cloreto de sódio acabam inibindo a ação dos microrganismos e apresentam certa toxicidade a vida vegetal (GUIDONE, 2015).

Também é importante destacar que o tamanho das partículas orgânicas afeta diretamente o processo de decomposição, pois a mesma tem início de modo superficial com maior acessibilidade aos microrganismos. Desta maneira o tamanho ideal dessas partículas seria em torno de 1,3 a 7,6 cm, pois quanto menor a partícula maior é a área de superfície facilitando a decomposição pelos microrganismos. Atendo sempre quanto a falta de oxigênio devido a compactação do material orgânico (MALTA, 2017).

2.4 A RELEVÂNCIA DA COMPOSTAGEM DOS RS PARA A SOCIEDADE

A compostagem dos RS e RSU é uma maneira de economizar recursos e devolver biomassa rico em nutrientes para o meio ambiente. Também é uma das alternativas para resolver os problemas que existem em ambos os lados da cadeia produtiva de alimentos tais como perda da fertilidade dos solos, poluição e desperdício de recursos que ao promovidos pelo excesso de resíduos nos lixões e aterros (MELO; DUARTE, 2018).

Para Tränkler et al. (2002), quando ocorre o aterro dos resíduos a demanda química de oxigênio e os compostos nitrogenados podem ser minimizados em torno de 89%. Também é possível reduzir em cerca de 20 anos a formação de gás em torno de 35% e reduzir o aquecimento global em mais de 60%. Desta forma os impactos são ainda menores se ao invés de aterrar ou simplesmente dispor a céu aberto esses resíduos nos lixões, esses resíduos forem empregados no solo. Alimentando o ciclo da vida e devolvendo os nutrientes ao solo.

De acordo com a PNRS há um guia de gerenciamento dos RS a ser seguido que prioriza a não geração, a redução, a reutilização, tratamento e por último a disposição final. Desta forma apenas os rejeitos são enviados à disposição final ao meio ambiente. A coleta seletiva dos resíduos secos e úmidos, logística reversa e a rede de reciclagem detém a inclusão dos catadores devem ser implantadas (SIQUEIRA, 2014).

Para o benefício da população ações devem ser realizadas envolvendo a educação ambiental, validade das políticas e programas que fazem parte da gestão dos RS. Entretanto desde 2007 a compostagem é uma determinação da PNRS lei nº 11.445/2007 (BRASIL, 2007). Criando expectativas de mudanças da maneira de como é gerida a questão dos RS no país, que derivam das ações administrativas e culturais.

3. CONCLUSÃO

Conforme apontado a geração de resíduos solido é uma grande problemática atualmente e tem tendência em aumentar visto o crescimento desordenado da população, a aceleração em ocupar mais áreas territoriais e o aumento de poder e consumo e bens geram por consequência o aumento de resíduos de todos os tipos. Desta maneira fica claro que deve haver uma política de gestão de resíduos que seja seria e atuante e que garanta a coleta seletiva, o tratamento e a disposição correta desses resíduos, e principalmente promover a geração de menos resíduos ao máximo.

A técnica de compostagem é amplamente conhecida e vem ganhando destaque nos últimos anos devido a crescente preocupação com a sustentabilidade, além de estar inserida nas Leis Nacionais do Saneamento e também na Política Nacional dos Resíduos Sólidos, sendo utilizada em vários lugares.

O método de compostagem de maneira geral é afetado pela dependência e inter-relação entre os fatores umidade, quantidade de oxigênio, relação C/N, tamanho das partículas e porosidade dos resíduos, sendo difícil padronizar a condições desses fatores uma vez que cada material a ser reutilizado tem suas particularidades. No entanto para tentar estabelecer esses padrões se faz necessário o uso de vários resíduos orgânicos promovendo a relação C/N, que enriquecem e favorecem o desenvolvimento microbiano, a homogeneização e garantem uma boa compactação devido a maior capacidade de aeração.

Esta técnica é uma das mais recomendadas para a mitigação e gerenciamento dos resíduos orgânicos, modificando algo negativo em uma ação positiva, visto que seu produto final é um fertilizante orgânico amplamente utilizado e diversas áreas. Seu manejo adequado tem grande potencial no uso agrícola e também na recuperação dos solos degradados. Já no que diz respeito o aspecto sustentável a técnica minimiza o volume de RS descartados nas áreas urbanas, evitando o transporte, uso e ocupação desnecessário dos aterros sanitários.

É possível acreditar que a implementação e eficiência da logística reversa dos resíduos sólidos juntamente com a educação ambiental, a técnica de compostagem possa mudar a realidade dos aterros sanitários impactando de forma direta na diminuição dos agravos ambientais e sociais, promovendo uma produção de adubo orgânico beneficiando a agricultura.

Por fim podemos concluir que a técnica de compostagem é relativamente indicada para promover benefícios nas áreas econômicas, sociais e sobre tudo ambientais, formando o tripé da sustentabilidade do desenvolvimento sustentável, princípio básico das leis de políticas públicas atuais. Tendo como principal função promover bem-estar e qualidade de vida para a sociedade, das quais também são responsáveis pela eficiência do sistema de gestão dos resíduos.

REFERÊNCIAS

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[1] Curso Superior Em Marketing pela UNIP (2014); Pós-Graduação em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela UNINTER (2016).

[2] Tecnólogo Saúde e Segurança do Trabalho pela Nilton Lins (2014); Curso Técnico de Saúde e Segurança do Trabalho pela Literatus (2017).

[3] Orientadora. Graduação em Ciências Biológicas pela Fundação de Ensino Superior de Olinda (1985), Especialização em Micologia-UFPE; Mestrado em Biologia de Fungos pela UFPE (2003) e Doutorado em Biotecnologia pela UFAM (2011).

Enviado: Novembro, 2020.

Aprovado: Dezembro, 2020.

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