ARTIGO ORIGINAL
GALBIERI, Rodrigo [1]
GALBIERI, Rodrigo. O gerenciamento dos resíduos sólidos e a formação dos alunos dos Cursos de Engenharia da Faculdade Anhanguera Jundiaí. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 10, Ed. 08, Vol. 01. pp 95-118, Agosto de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-ambiental/gerenciamento-dos-residuos, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-ambiental/gerenciamento-dos-residuos
RESUMO
Esse presente estudo, investiga como a abordagem da problemática dos resíduos sólidos (RS) vem sendo desenvolvida no processo de formação dos alunos e egressos dos cursos presenciais de graduação em engenharias da Faculdade Anhanguera Jundiaí. Analisa também como a gestão inadequada dos resíduos sólidos pode estar relacionado com esse processo de formação. Para atingir o objetivo proposto, foram analisados os Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPCs) de todos os 7 cursos de engenharia da faculdade. As análises das matrizes curriculares dos cursos revelaram que a questão dos resíduos sólidos é plenamente inserida/abordada nos cursos de Engenharia Civil, Mecânica, Produção, Controle e Automação e Química. Nos cursos de Engenharia Elétrica e Computação, o tema é abordado, mas muito aquém da profundidade ideal, isto é, sem disciplinas com teores específicos sobre o tema. Para atingir plenamente o desenvolvimento sustentável, as sociedades devem ter uma gestão eficaz dos RS e a pouca importância dada ao tema, principalmente no cotidiano dos alunos durante o período da sua integralização, revela-se um grande problema para a nossa sociedade. Portanto, é de suma importância que ocorra uma reforma no ensino dos cursos de engenharia, com objetivo de incluir nos processos pedagógicos novas competências e habilidades e ações práticas. Só assim os futuros profissionais de engenharia vão estar preparados para atuarem no mercado de trabalho de forma ativa e responsável perante a problemática dos resíduos sólidos.
Palavras-chave: Matriz curricular, Ensino superior em engenharias, Resíduos sólidos, Educação ambiental, Sustentabilidade.
1. INTRODUÇÃO
Nos últimos 50 anos, ao menos, o processo civilizatório e a população mundial aumentaram de forma acentuada. As projeções do relatório das Organizações das Nações Unidas preveem que a população mundial deve aumentar cerca de 2 bilhões de pessoas nos próximos 30 anos, passando dos atuais 8 bilhões de indivíduos para 9,7 bilhões no ano de 2050 (United Nations, 2022).
Atualmente são gerados mais de 2 bilhões de toneladas de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) por ano. Devido ao esperado aumento populacional, projeta-se que no ano de 2050, esse número chegue a 3,4 bilhões de toneladas, um aumento de quase 70% (IPEA, 2020).
A geração de resíduos é algo intrínseco às atividades humanas. Como consequência, o atual modelo de desenvolvimento econômico, totalmente baseado na produção de bens de consumo, gera uma crescente e avassaladora produção de resíduos, sendo produzidos em maiores quantidades e de tipos diferentes (Rosa, 2019). A produção de resíduos vem crescendo em uma taxa superior à capacidade de absorção da natureza (Nascimento Neto; Moreira, 2012) e do próprio crescimento populacional, como corroboram os dados do IPEA (2020).
Entre 1980 e 2010, a geração de resíduos sólidos (RS) foi aproximadamente três vezes maior do que o aumento populacional e a geração per capita nos países desenvolvidos aumentou 35% desde 1980 (United Nations, 2013).
Logo, os padrões de consumo praticados pela população estão relacionados com as suas capacidades de trabalho, produção, renda e riqueza, isto é, a geração de resíduos está intimamente relacionada com o crescimento e o desenvolvimento econômico (Braga et al., 2001; Parreira; Guimarães, 2024).
A geração de resíduos pela população humana constitui-se, atualmente, um dos maiores desafios para os governantes, principalmente nos grandes centros urbanos, fazendo com que a gestão dos RS se torne uma questão complexa e de difícil equacionamento (Fonseca, 2013; Ribeiro et al., 2014).
Cada vez se torna mais importante problematizar a questão dos resíduos sólidos, no entendimento de que, para implantar técnicas de gerenciamento de resíduos nas diferentes fontes geradoras, faz-se necessário um investimento em todos os profissionais que atuam nos diferentes segmentos da sociedade, de forma a prepará-los e instrumentalizá-los para enfrentar esses desafios (Zago; Morais; Costa, 2014).
É na academia que os futuros profissionais adquirem conhecimentos sobre as políticas e sobre as práticas de cada uma das formações que se inter-relacionam e integram o universo ambiental, para que posteriormente estejam seguros e confiantes em compartilhar esses conhecimentos e executá-los.
A vivência dos alunos nos Institutos de Ensino Superior (IES) possui um papel relevante na formação profissional, sendo tão ou mais importante que o conteúdo das disciplinas (Bezerra; Macêdo, 2020).
Nesse contexto, os alunos e egressos, que serão futuros profissionais, devem ter atenção especial com o gerenciamento de resíduos gerados das suas atividades, objetivando minimizar riscos ao ambiente e à saúde dos trabalhadores, bem como da população em geral. Além de ser uma oportunidade de ampliar o portfólio do negócio, através da aplicação dos chamados 3 Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar (Da Silva Neto et al., 2023). Logo, o gerenciamento de resíduos sólidos está se tornando cada vez mais importante a fim de atender os objetivos do desenvolvimento sustentável. A gestão correta dos RS é um importante parâmetro de avaliação de sustentabilidade dentro da abordagem ESG (do inglês, Environmental, Social and Governance) (ABNT PR 2030, 2022).
Esse presente estudo possui como objetivo identificar como vem ocorrendo o processo de formação dos alunos e egressos dos cursos presenciais de graduação em engenharias da Faculdade Anhanguera Jundiaí em relação a questão dos resíduos sólidos. Analisa também como o processo de formação dos alunos pode estar relacionado com a gestão inadequada dos resíduos sólidos presente na maioria do território brasileiro.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
O presente estudo foi dividido em 2 etapas:
1a Etapa: Revisão bibliográfica sobre resíduos sólidos urbanos, resíduos da construção civil e resíduos de serviços de saúde, com foco na análise da situação do gerenciamento dos RS no Brasil e como a abordagem ESG pode auxiliar nesse gerenciamento.
2 a Etapa: Análise dos Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPCs) de todos os 7 cursos presenciais de Engenharia da Faculdade Anhanguera Jundiaí, verificando em que momento está inserido o conteúdo de RS.
Urge ressaltar que três questões nortearam a análise dos PPCs da Faculdade Anhanguera Jundiaí, quais sejam:
- Há menção no corpo do texto sobre os resíduos sólidos, incluindo resíduos sólidos da saúde e resíduos sólidos da construção civil?
- As disciplinas obrigatórias e optativas (eletivas) seguem o mesmo padrão, assim como os Estágios e Projetos de Extensão e de Pesquisa?
- Foi constatada qualquer tipo de menção nas disciplinas no eixo horizontal e vertical do curso?
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A fim de testar a hipótese desse estudo, foi realizada uma análise da situação do gerenciamento dos RS e dos problemas relacionados a esse inadequado gerenciamento por tipo de RS, quais sejam: Resíduo Sólido Urbano (RSU), Resíduo da Construção Civil (RCC) e Resíduo de Serviços De Saúde (RSS). Esse estudo analisa, concomitantemente, a importância dos RS no que tange a ESG.
3.1 IMPACTOS DO GERENCIAMENTO INADEQUADO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
A Norma ABNT NBR 10004:2004 define resíduo sólido como resultado de atividades industriais, domésticas, hospitalar, comercial, agrícola e de serviços de varrição (ABNT NBR 10004, 2004).
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), adota um conceito mais abrangente ao definir resíduos sólidos como quaisquer materiais, substâncias, objetos ou bens descartados. Além disso, reconhece que esses resíduos têm origem nas mesmas atividades humanas previstas nas normas da ABNT, ampliando, assim, o escopo da definição normativa. Por sua vez, o termo resíduo sólido urbano é utilizado quando os RS são resultado das atividades de grandes cidades. Ainda segundo a PNRS:
Todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, cuja destinação final se procede, se propõe a proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou que exijam para isso soluções técnicas ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível” (Brasil, 2010, cap. II, art, 3o, inc, XVI).
O descarte dos resíduos sólidos fora das diretrizes do PNRS tornou-se um grande problema ambiental, principalmente em países em desenvolvimento, como o Brasil. Segundo dados do Relatório Panorama Nacional de Resíduos Sólidos 2021, realizada pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), no ano de 2020, foram geradas cerca de 82,5 milhões de toneladas de RSU. Esse valor corresponde a uma geração diária de RSU de cerca de 226 toneladas diárias. Dos 82,5 milhões de toneladas de RSU gerados no Brasil, no ano de 2020, 76 milhões de toneladas foram coletados (92,2% do total), sendo que, desse montante, apenas 60,2% seguiram para aterros sanitários (46 milhões de toneladas), portanto, 39,8% dos resíduos sólidos coletados no Brasil possuem destinação inadequada, sendo dispostos em lixões e aterros controlados, o que pode gerar contaminação do solo e da água (ABRELPE, 2021).
Enquanto nos países desenvolvidos praticamente a totalidade dos RSU possuem destinação ambientalmente positiva, como: reaproveitamento, reciclagem, incineração ou são depositados em aterros sanitários, por outro lado, nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a situação é diferente (IPT, 2000). No Brasil, os RS são depositados em lixões ou aterros controlados em 32% dos municípios brasileiros (ABRELPE, 2021). Nos lixões, que são depósitos de RS a céu aberto, as pessoas e animais circulam livremente (Silva, 2013).
A disposição inadequada de resíduos sólidos representa um vetor significativo de contaminação dos compartimentos ambientais — solo, recursos hídricos e atmosfera —, gerando impactos negativos nos ecossistemas e riscos à saúde pública. Essa prática favorece a proliferação de vetores biológicos, como insetos e animais sinantrópicos, responsáveis pela transmissão de diversas enfermidades, incluindo febre tifoide, cólera, amebíase, disenteria, giardíase, ascaridíase, leishmaniose, febre amarela, dengue, malária, leptospirose e peste bubônica, entre outras patologias infectocontagiosas (Luz, 2018; Gomes; Belém, 2022). Somam-se a isso os catadores de materiais recicláveis que procuram nesses locais um meio de subsistência. Atualmente, há mais de 800 mil catadores de materiais recicláveis no Brasil (MMA, 2022), com uma renda média mensal de cerca de 100 dólares apenas (Pereira; Goes, 2016). Isso corresponde a menos de 40% de um salário-mínimo.
Em relação a composição dos RS produzidos anualmente no Brasil, cerca de 32% dos RS são constituídos de materiais recicláveis (vidro, metais, plásticos e papel), que representam 28 milhões de toneladas de resíduos recicláveis (ABRELPE, 2021). Os materiais orgânicos representam 51,4% e o restante (16,6%) correspondem aos rejeitos (SEBRAE, 2023), que são definidos como resíduos depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação.
Segundo dados da ABRELPE (2019), o Brasil recicla apenas 4% do montante dos resíduos sólidos secos gerados – uma participação preocupantemente pequena. Para efeito de comparação, segundo o Portal de Sustentabilidade (2023), no ano de 2020, a taxa de reciclagem de resíduos municipais da Alemanha foi de aproximadamente 68% e da Suíça 54%.
Uma das explicações desse número tão reduzido de reciclagem de RS no Brasil, é que apenas cerca de 22% dos municípios brasileiros são atendidos com coleta seletiva porta a porta, representando apenas 36% da população brasileira (MDR, 2020).
O Brasil perde grandes oportunidade de negócio ao não dar a devida importância a reciclagem, principalmente através de adoção de logísticas reversas (Vettorato et al., 2021).
Nos processos de reciclagem, os ganhos podem vir, além da óbvia economia de recursos naturais, também podem ocorrer ganhos econômicos e ambientais. Os ganhos ambientais podem vir, por exemplo, da economia de água nos processos produtivos, menores emissões de CO2, devido à economia de energia, e, principalmente, por diminuir o envio de RSU para os aterros, que também termina por diminuir a geração de Gases De Efeito Estufa (GEE) nos aterros (Luz, 2018).
3.2 RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE
De maneira análoga aos resíduos sólidos urbanos, a geração de resíduos de serviços de saúde tem aumentado aceleradamente, impulsionada pelo aumento populacional e pela maior demanda por atendimentos médicos (Alexandrino et al., 2019). Embora correspondam a uma fração relativamente pequena do volume total de resíduos produzidos pela sociedade, os RSS, devido à sua natureza perigosa, representam um risco potencial significativamente mais elevado à saúde humana e ao meio ambiente quando manejados de forma inadequada, superando, inclusive, os riscos associados aos RSU (Mendes et al., 2015; Oliveira et al., 2018).
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) definem os RSS como todo resíduo gerado em quaisquer estabelecimentos de saúde, centros de pesquisa e laboratórios (CONAMA, 2005). Eles são classificados em 5 grupos: Grupo A (infectantes); Grupo B (químicos); Grupo C (radioativos); Grupo D (comuns) e; Grupo E (perfuro cortantes e escarificantes) (Brasil, 2004).
Os RSS representam um problema tanto para a sociedade quanto para o meio ambiente, em virtude de suas características patogênicas e tóxicas (Gomes; Esteves, 2012).
Por apresentarem agentes físicos, químicos, biológicos e radioativos, os RSS podem gerar alterações perigosas ao meio ambiente, podendo afetar a saúde humana e a fauna local (Corrêa; Lunardi; Santos, 2008).
O seu não gerenciamento adequado influencia também nos índices de infecção hospitalar (Shiferaw; Abebe; Mihret, 2011; Rimi et al., 2014).
Estima-se que no ano de 2018, 4540 municípios brasileiros prestaram serviços de coleta, tratamento e disposição final de 253 toneladas de RSS. Já no ano de 2020 esse número aumentou para 290 toneladas de RSS. Apesar da evidente melhora no gerenciamento dos RSS, ainda há 30,2% de municípios que deram destinação inadequada a esses resíduos, transportando-os sem tratamento prévio a lixões, aterros, valas sépticas etc. (ABRELPE, 2021).
É digno de nota que é mandatório que todos os serviços de saúde devam elaborar um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS), que são um conjunto de procedimentos de gestão, com o objetivo de minimizar a produção de resíduos e proporcionar aos resíduos gerados um destino seguro, visando à proteção dos trabalhadores, à preservação da saúde pública, dos recursos naturais e do meio ambiente (Brasil, 2004).
Dessa forma, todas as etapas do gerenciamento dos RSS — incluindo segregação, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e disposição final — devem ser executadas com rigor técnico e precauções ampliadas, considerando a periculosidade intrínseca desses resíduos. Tal cuidado se estende também aos resíduos do Grupo B (químicos), gerados em laboratórios didáticos das IES.
3.3 RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL
A construção civil é uma das principais atividades de desenvolvimento econômico de um país. Assim como, também é um dos setores que mais impactam o meio ambiente, devido à enorme quantidade de resíduos gerados, muitas vezes dispostos em locais inadequados (Nagalli, 2014). Nas áreas industriais e urbanas ocorre a geração de resíduos sólidos diariamente, e, na maioria das vezes, despejando-os em campos abertos (Barros, 2012).
Dentro dos resíduos sólidos, uma das vertentes está relacionada aos Resíduos da Construção Civil (RCC) – ou Resíduos da Construção e Demolição (RCD).
Os RCC são popularmente conhecidos como entulho de obras, caliça ou metralha. Esses “resíduos são gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis” (Brasil, 2010, cap. I, art, 13o, inc, I).
Conhecer bem as características desses resíduos é de suma importância, principalmente para os alunos do curso de Engenharia Civil e de Arquitetura – não analisado nesse estudo.
É sabido que os métodos tradicionais de produção materiais de construção possuem como base os recursos naturais. Essas atividades causam sérios danos ao meio ambiente. Segundo Barros (2012), as perdas de materiais em uma obra podem chegar a cerca de 30%.
Assim como acontece com os RSU e os RSS, a geração de RCC também cresce de forma acelerada, atrelado ao crescimento da economia. Segundo a ABRELPE (2019), no ano de 2018, foram coletados cerca de 44,6 milhões de toneladas de RCC no Brasil. Já no ano de 2020, esse número aumentou para 47 milhões de toneladas de RCC, gerando um índice per capita de 0,604 kg/hab/dia (ABRELPE, 2021).
A quantidade real de RCC pode ser substancialmente superior aos dados registrados, uma vez que os municípios normalmente contabilizam apenas os resíduos coletados em vias e espaços públicos, decorrentes de descartes irregulares. Ademais, uma parcela significativa desses resíduos permanece não quantificada, em razão das práticas inadequadas da população, que realiza o descarte sem qualquer controle formal, associada à ausência de sistemas de registro – ainda que estimativos –, favorecendo o aparecimento de pontos de depósitos clandestinos (Luz, 2018).
Como exemplo, a cidade de Jundiaí que possui uma grande quantidade de entulho descartado em locais irregulares pela cidade toda. Mesmo a despeito de possuir 7 Ecopontos, que são locais onde os cidadãos jundiaienses podem realizar o gratuitamente o descarte de RCC, e que são muito bem distribuídos pela área do município (Prefeitura de Jundiaí, 2022).
Para proteger o meio ambiente, muitos esforços estão sendo feitos para a reciclagem de diferentes tipos de resíduos sólidos com o objetivo de aproveitá-los na produção de diversos materiais de construção (Brasileiro; Matos, 2015).
Os materiais de construção tradicionais, como concreto, tijolos, blocos vazados, blocos maciços, blocos de pavimentação e telhas são tradicionalmente sendo produzidas a partir dos recursos naturais, como argila e calcário. Isso prejudica o meio ambiente devido à exploração contínua o que pode contribuir com esgotamento dos recursos naturais (Safiuddin et al., 2010).
Ainda segundo Safiuddin et al. (2010), o problema se agrava, pois durante a processo de fabricação de materiais de construção civil, ocorrem elevadas taxas de emissão de muitas substâncias tóxicas, tais como: monóxido de carbono, óxidos de enxofre, óxidos de nitrogênio e material particulado. A emissão de substâncias tóxicas contamina o ar, a água, o solo, flora, fauna e vida aquática, impactando a saúde humana e o seu bem-estar.
Atualmente, muito se tem pesquisado para aumentar a taxa de reaproveitamento dos resíduos de forma ambiental e economicamente sustentáveis (EMBRAPA, 2020). O aproveitamento de resíduos sólidos em materiais de construção é uma desses esforços inovadores, pois os benefícios são muitos. Para isso, há inúmeras pesquisas com a finalidade de explorar novos ingredientes oriundos da indústria da construção civil para a produção de materiais de construção sustentáveis (De Farias; Marinho, 2020).
Segundo Cattelan; Siluk; Neuenfeldt Júnior (2014), o gerenciamento adequado dos RCC encontra-se totalmente alinhado com o desenvolvimento sustentável, pois traz benefícios ao meio ambiente e para a sociedade, além de gerar ganhos econômicos – Triple Bottom Line.
Como exemplo pode-se citar novamente a cidade de Jundiaí, que é referência em reciclagem de RCC. A reciclagem de material proveniente da construção é feita em uma planta instalada no Centro de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (Geresol).
No ano de 2021, nessa planta, as RCC coletadas geraram cerca de 256 mil toneladas de matérias que puderam ser reaproveitados, com destaque para: bica corrida, pedra 1,2 e 3, pó de pedra, pedrisco, madeira e recicláveis como plásticos, papelão e metal. Isso gerou uma renda de aproximadamente R$ 1,9 milhão aos cofres da prefeitura jundiaiense (Prefeitura de Jundiaí, 2022).
A fim de minimizar desperdícios e de proporcionar às pessoas envolvidas desenvolvimento social e consciência ambiental, principalmente no que tange os RS, Silva et al. (2015), destacam a importância de ter, nos canteiros de obras, educação ambiental, um dos focos desse estudo.
3.4 O GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS E O ESG
Atualmente, muitas corporações, dos mais diferentes ramos de atividade, estão cada vez mais preocupadas com a gestão de resíduos e com a economia circular. Afinal, essas iniciativas afetam diretamente a imagem das empresas, o que termina impactando diretamente o valor das ações na bolsa de valores.
A incorporação de práticas sustentáveis pelas empresas é uma tendência relativamente nova, impulsionada pela necessidade de se manterem competitivas diante das transformações do mercado. Para se adaptarem ao contexto econômico atual, torna-se essencial inovar (Hart; Milstein, 2004). De acordo com Nidumolu, Prahalad e Rangaswami (2009), alguns estudiosos no tema consideram a sustentabilidade como a nova fronteira da inovação nos negócios, capaz de proporcionar às empresas uma vantagem competitiva no cenário contemporâneo.
Dentre os diferentes índices de sustentabilidade, atualmente, destaca-se o ESG, usada para medir as práticas ambientais, sociais e de governança de uma empresa, a sigla ESG pode ser utilizada para refletir o quanto um negócio busca formas de minimizar seus impactos no meio ambiente, construir um mundo mais equitativo e responsável para as pessoas em seu entorno, e manter os melhores processos de administração (Tarmuji; Maelah; Habibah Tarmuji, 2016).
No final do ano de 2022, foi lançada no rol das Práticas Recomendadas (PR), a Norma ABNT PR 2030. O escopo dela consiste no alinhamento dos principais conceitos e princípios ESG, com orientações gerais acerca dos entendimentos gerais e das etapas de sua implementação, alinhada com a Agenda 2030. No seu chamado Eixo Ambiental, a norma possui 5 temas com 14 critérios, sendo que um dos temas aborda diretamente a questão dos resíduos em dois critérios: Economia Circular e Gestão de Resíduos (ABNT PR 2030, 2022).
O termo ESG tem ganhado destaque crescente no ambiente corporativo, tanto no Brasil quanto no exterior. Sua aplicação influencia diretamente a gestão estratégica da sustentabilidade nas organizações, convertendo riscos relacionados a critérios ambientais, sociais e de governança em oportunidades e geração de valor (Mazon; Issa, 2023). Com isso, a aplicabilidade dos padrões ESG transforma-se, cada vez mais, em uma exigência do mercado.
Os relatórios ESG são amplamente utilizados para avaliar o desempenho não financeiro das empresas. Isso é realizado pelo aumento da transparência, através da prestação de contas da empresa frente às partes interessadas, relativa às práticas adotadas na gestão de suas atividades nos âmbitos ambiental, social e de governança (Bergamini Junior, 2021).
Integrar as políticas internas à promoção da educação e da conscientização ambiental — voltadas para evitar a geração de resíduos, além de estimular sua redução, reutilização e, sempre que possível, a reciclagem — fortalece os fundamentos do ESG e assim como suas diretrizes. Ao alinhar o ambiente corporativo a essa abordagem e às ações de mitigação dos impactos ambientais relacionados à gestão de resíduos, intensifica-se a conexão entre empresa, colaboradores, sociedade e meio ambiente, promovendo, assim o desenvolvimento sustentável (Costa, s.n.t).
O PNRS, trata da redução na geração de RS e da destinação ambientalmente adequada dos rejeitos, bem como aborda a capacitação técnica continuada na área (Brasil, 2010).
A formação de profissionais para atender o mercado de trabalho nos diferentes seguimentos da sociedade requer um profissional com uma visão holística de sua área de atuação e sobretudo que esteja engajado nas tendências de desenvolvimento sustentável.
É fundamental que estudantes e profissionais recém-formados, enquanto futuros atuantes no mercado, desenvolvam a consciência sobre os resíduos produzidos em suas atividades laborais, buscando reduzir os impactos ao meio ambiente e os riscos à saúde tanto dos trabalhadores sob sua responsabilidade, como também da população em geral. Além de ser uma oportunidade de ampliar o portfólio do negócio, através da reciclagem e/ou reaproveitamento. Logo, prospectar na gestão de resíduos sólidos é cada vez mais comum e de grande interesse para atender os objetivos de desenvolvimento sustentável e pode ser um importante método de avaliação de sustentabilidade.
Nesse sentido, cabe as IES responsáveis pela formação de profissionais qualificados introduzir este tema em todas as disciplinas de forma direta ou indireta, contribuindo assim com a qualificação e formação profissional.
A adoção de métodos de ensino/aprendizagem nos cursos de engenharia que priorizem práticas sociais e ambientais tende a preparar os futuros engenheiros de forma a ser efetivamente comprometido com a sociedade (Zago; Morais; Costa, 2014).
Os benefícios de incorporar o ESG e gestão de resíduos são inúmeros. Aplicar um aspecto de sustentabilidade no gerenciamento do resíduo pode resultar em reduções de custos, aumento do lucro e aumento do interesse do investidor e demais stakeholders (Irigaray; Stocker., 2022).
Mesmo seguindo as práticas recomendadas da Norma ABNT PR 2030, para cada tipo de resíduo ou processo há um tipo de programa ESG diferente a ser seguido. Portanto, trabalhar com especialistas ESG necessita de uma equipe qualificada e com excelente formação, a fim de poder auxiliar as instalações de gerenciamento de resíduos a maximizar seu potencial de criação de valor (ABNT PR 2030, 2022).
Diante do exposto, a inserção inadequada da abordagem dos RS no processo de formação dos futuros profissionais seja um aspecto importante para explicar uma boa parte do porquê o gerenciamento de RS esteja tão aquém no Brasil, a despeito das graves consequências que isso traz ao meio, o que termina por justificar a realização de pesquisas como esse presente estudo.
3.5 ANÁLISE DAS MATRIZES CURRICULARES
Nessa etapa do Projeto, foram analisadas as Matrizes Curriculares e/ou PPCs de todos os 7 cursos presenciais na área de Engenharia (Civil, Mecânica, Produção, Química, Elétrica, Controle e Automação e Computação) da Faculdade Anhanguera Jundiaí, buscando identificar as disciplinas ofertadas na grade curricular que estavam ligadas aos temas RS, RCC e RSS.
Os resultados da pesquisa dos 7 cursos de engenharia da citada Instituição com as respectivas disciplinas que possuem relação com o tema RS encontram-se na Tabela 1, a seguir.
Tabela 1: Cursos da Faculdade Anhanguera Jundiaí e as disciplinas relacionadas a RS
| Cursos | Disciplinas relacionadas com resíduos sólidos |
|
Engenharia Civil |
Legislação, segurança do trabalho e meio ambiente |
| Materiais de construção civil I | |
| Processos de gestão de obras e projetos | |
| Saneamento básico | |
| Construções sustentáveis | |
| Fontes alternativas de energia | |
| Engenharia
Mecânica |
Legislação, segurança do trabalho e meio ambiente |
| Gestão da produção e manutenção | |
| Fontes alternativas de energia | |
|
Engenharia de Produção |
Legislação, segurança do trabalho e meio ambiente |
| Gestão da produção e manutenção | |
| Projeto de extensão III – Engenharia de produção | |
| Fontes alternativas de energia | |
| Engenharia
de Controle e Automação |
Legislação, segurança do trabalho e meio ambiente |
| O meio ambiente as questões ambientais | |
| Gestão da produção e manutenção | |
|
Engenharia Química
|
Legislação, segurança do trabalho e meio ambiente |
| Química analítica | |
| Projeto de extensão III – Engenharia química | |
| Tecnologias limpas e tratamento de resíduos | |
| Planejamento e saúde ambiental | |
| Fontes alternativas de energia | |
| Engenharia Elétrica | Legislação, segurança do trabalho e meio ambiente |
| Engenharia da Computação | Legislação, segurança do trabalho e meio ambiente |
Fonte: Elaboração própria com base nos PPCs dos cursos de engenharias da Faculdade Anhanguera Jundiaí (2024).
Dentre as engenharias, o curso com mais disciplinas relacionadas a questão de RS é a Engenharia Civil, com 6 disciplinas. Depois aparecem Engenharia Química com 5 disciplinas mais o Projeto de Extensão; Engenharia de Produção com 3 disciplinas mais o Projeto de Extensão; e Engenharia Mecânica e Engenharia de Controle e Automação com 3 disciplinas cada. As Engenharias Elétrica e da Computação possuem apenas uma disciplina ligadas aos diferentes tipos de RS.
A disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente está presente na Matriz Curricular dos 7 cursos de Engenharia analisados. Ela envolve a questão dos RS no seguinte conteúdo: Controle ambiental da água, dos resíduos e do ar.
As disciplinas Gestão da Produção e Manutenção (Engenharias de Produção, Mecânica e Controle e Automação); Fontes Alternativas de Energia (Engenharias Civil, de Produção, Mecânica e Química); e Planejamento e Saúde Ambiental (Engenharia Química) possuem conteúdos relacionados aos resíduos sólidos nas suas ementas, mesmo não sendo o foco da disciplina, assim como a disciplina Legislação, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente.
A Engenharia Civil, como previsto, possui muitas disciplinas relacionadas aos RS, principalmente aos RCC, como ilustra a Tabela 2.
Devido à importância de descartar apropriadamente os resíduos químicos, a Engenharia Química possui duas disciplinas relacionadas ao RSS do Grupo B: Química Analítica e Tecnologias Limpas e Tratamento de Resíduos.
A disciplina Química Analítica, aborda a questão dos RS através do conteúdo “Seleção e manuseio de reagentes químicos. Limpeza de material de laboratório. Descarte de resíduos”.
Já a disciplina Tecnologias Limpas e Tratamento de Resíduos, aborda a questão dos RS através do conteúdo “Características físicas, químicas e biológicas dos resíduos. Estratégias para a segregação de resíduos. Acondicionamento dos resíduos sólidos. O contexto da logística reversa, reciclagem e reutilização”.
No Projeto de Extensão da Engenharia Química, há um conteúdo específico que trata dos resíduos do Grupo B: “Análise química de resíduos e impactos de descarte incorreto de produtos no meio ambiente”.
A Engenharia Química possui também uma disciplina muito focada no importante tópico relacionado aos resíduos sólidos industriais. A disciplina é Tecnologias Limpas e Tratamento de Resíduos e os conteúdos abordados são bastantes amplos e abrangem os seguintes assuntos: “Conceitos relacionados aos resíduos sólidos industriais. Panorama dos resíduos sólidos industriais no Brasil. Caracterização dos resíduos industriais. Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) e os resíduos industriais. Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. Etapas constituintes do PGRS. Legislação ambiental acerca dos resíduos industriais. Disposição final de resíduos industriais. Estratégias de gerenciamento de resíduos sólidos industriais”.
Tabela 2: Disciplinas da Engenharia Civil relacionadas a RCC
| Disciplina | Conteúdos relacionados a RCC |
| Materiais de Construção Civil I | Entulho e materiais reciclados: Resíduos industriais. |
| Processos de Gestão de Obras e Projetos | Diretrizes e critérios para gestão de resíduos na construção civil (Resolução 307 do CONAMA). |
| Saneamento Básico | Definição, histórico e problemática da geração de resíduos.
Aspectos legais e normativas. Características físicas, químicas e biológicas. Classificação dos resíduos sólidos. Minimização, coleta e transporte dos resíduos. Reciclagem e reaproveitamento de resíduos gerados no meio urbano. Resíduos sólidos de serviço de construção e demolição. Conceito de aterros sanitários e industriais. Projeto de aterros sanitários. Compostagem. Incineração e pirólise. |
| Construções Sustentáveis | Uso dos recursos naturais e a geração de resíduos da construção civil.
Conceitos e classificação. Política Nacional de Resíduos Sólidos e a interface com os RCC. Gestão e Gerenciamento dos RCC: conceitos e diretrizes. Plano de Gerenciamento de RCC. Resoluções do CONAMA e normas técnicas ABNT pertinentes à gestão dos RCC. |
Fonte: Elaboração própria com base nos PPCs dos cursos de engenharias da Faculdade Anhanguera Jundiaí (2024).
Essa mesma disciplina Tecnologias Limpas e Tratamento de Resíduos ainda trata de um assunto de elevada importância que é a redução de resíduos, que consta no conteúdo: “Educação ambiental e redução da geração de resíduos”.
É digno de nota que a Cogna possui, desde o ano de 2018, uma disciplina chamada Gestão de Resíduos Sólidos, tendo inclusive livro didático próprio, elaborado por Andréia Marega Luz. É um livro didático com conteúdo bem amplo e atualizado sobre o tema. Contudo apesar da Cogna ter financiado a elaboração do livro didático, essa disciplina não consta em nenhum dos projetos pedagógicos dos 7 cursos de engenharia analisados, e nem como disciplina optativa ela é ofertada.
4. CONCLUSÃO
Conforme o exposto, o gerenciamento inadequado de RS traz inúmeros problemas à sociedade e ao meio ambiente, gerando desperdícios e perdas econômicas. No Brasil, esse mau gerenciamento é evidenciado pelo número reduzido de resíduos reciclados e pela alta participação de destinação inadequada dos RSU, dos RSS dos RCC.
Os resultados das análises dos PPCs dos cursos de engenharia revelaram que a questão dos resíduos sólidos é plenamente inserida/abordada em 5 dos 7 cursos de Engenharia analisados – Civil, Mecânica, Produção, Controle e Automação e Química. Contudo, parece não ser suficiente para trazer resultados práticos no cotidiano e nem no mercado de trabalho dos egressos.
Nas instituições de ensino, os conteúdos sobre gestão sustentável de RS deveriam ser abordados de forma integrada ao currículo, criando uma visão global e abrangente do tema, além de fomentar parcerias entre essas diferentes áreas para a efetiva construção de conhecimentos práticos pelos alunos, plantando a semente, para que no futuro esses alunos tornem-se profissionais capacitados e motivados para implementar práticas inovadoras e consistentes no gerenciamento de RS. A importância crescente do ESG só amplifica a importância do tema na formação dos alunos.
Nesse sentido, as IES possuem potencial para representam um espaço de trabalho fundamental para fortalecer as bases do desenvolvimento sustentável para os alunos. Seria, também, oportuno e exemplar que as Instituições de Ensino Superior criassem dentro dos seus campos um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos Institucional, com base no PNRS e no PGRS, enfatizando ações de caráter educativo de forma contínua para toda a comunidade acadêmica. Isso é muito importante para que eles adotem ações sustentáveis ao longo das suas atuações profissionais.
Com isso, conclui-se que a questão de gerenciamento de RS, não pode ficar apenas na teoria e não pode permanecer focada apenas em ações individuais cotidianas. A abordagem dada ao tema para os discentes deve atrelar ações de educação ambiental no gerenciamento de RS, principalmente em ações no âmbito profissional, a fim de reforçar ações já iniciadas e disseminar novos conhecimentos para a promoção de hábitos sustentáveis no mercado de trabalho.
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[1] Pós-doutorado em Energia pelo IEE/USP. Doutor em Planejamento de Sistemas Energéticos pela UNICAMP, Mestre em Planejamento de Sistemas Energéticos pela UNICAMP; Graduação em Ciências Biológicas pela UNESP. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3473-549X. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0425647599973701.
Material recebido: 15 de fevereiro de 2025.
Material aprovado pelos pares: 22 de abril de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 10 de julho de 2025.









