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Uma Análise Sobre a Avaliação Escolar na Educação Básica

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Uma Análise Sobre a Avaliação Escolar na Educação Básica
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SALES, Gutemberg Martins de [1]

SALES, Gutemberg Martins de. Uma Análise Sobre a Avaliação Escolar na Educação Básica. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 07, Vol. 02, pp. 5-17, Julho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

O artigo discute criticamente o sistema de avaliação adotado pelas instituições de ensino brasileiras, abordando o papel da avaliação na sociedade como instrumento de inclusão e exclusão. A realidade desse trabalho se mostra pertinente por contribuir para uma reflexão a respeito da importância das instituições escolares na construção de uma sociedade mais justa e democrática; apresentando também, pequenas mudanças a serem realizadas pelos educadores no sentido de possibilitar as mudanças necessárias para que todos tenham acesso a uma educação de qualidade, formando cidadãos críticos e conscientes de seu papel na sociedade, além de agentes transformadores de sua realidade. Por meio da revisão bibliográfica o artigo tem como respaldo a importância da educação para a construção de um país mais justo que acredita que suas crianças e jovens podem fazer um mundo melhor quando lhes é dado o direito de aceno e permanência em locais que lhes valorizem como sujeitos completos e dignos.

Palavras-chave: Aprendizagem, Avaliação, Educação Fundamental. 

1. Introdução

A avaliação das aprendizagens é um assunto polêmico nas escolas, onde um dos principais motivos dessa polêmica é a persistência de antigas formas de avaliação que já não atendem a diversidade cultural que, com a universalização do acesso à escola, passaram a frequentar a mesma.

Dessa maneira, pretende-se contribuir para a reflexão a respeito dos sistemas de avaliação adotados pelas instituições de ensino; possibilitando aos educadores rever antigas práticas de avaliação com o intuito de construir avaliações coerentes que ajudarão as crianças e jovens a tornarem-se cidadãos críticos e sujeitos de sua história, por sentirem-se confiantes e capazes de superar os desafios que encontrarão em seus caminhos.

Durante discussão crítica sobre o sistema de avaliação adotado pelas instituições de ensino brasileiras, abordamos o papel da avaliação na sociedade como instrumento de inclusão e exclusão.

Procuramos discutir as questões mais atuais sobre a avaliação da aprendizagem escolar, abordando o poder da inclusão e exclusão que uma avaliação possui enfatizando o quanto a coerência pode contribuir para a efetiva democratização do acesso e permanência das crianças e jovens brasileiros no espaço escolar.

Observa-se a avaliação como uma importante ferramenta que fornece dados ao professor para que possa planejar e replanejar sua atuação didática, visando aperfeiçoá-la, para que seus alunos obtenham mais êxito na aprendizagem. Por isso a avaliação e o planejamento são inseparáveis, o que os difere é a divisão dos objetivos, os conteúdos e as estratégias de ensino.

Entende-se a avaliação como sendo saber em que nível e estágio os alunos se encontram respeitando os ritmos e possibilitando estímulos necessários ao desenvolvimento de cada um.

Dessa forma utilizamos como metodologia a revisão bibliográfica em livros, artigos, periódicos e internet como apoio de pesquisa.

Iniciamos discorrendo sobre os tipos de avaliação e em seguida enfatizamos uma análise sobre a avaliação escolar na educação básica, mostrando assim os resultados e discussões sobre a pesquisa.

2. Tipos de avaliação

Abordaremos neste item os tipos de avaliações e sua importância.

2.1 Avaliação diagnóstica

A avaliação diagnóstica tem por função fazer uma pesquisa sobre os conhecimentos do aluno em determinados períodos de tempo para (re) organizar os processos de ensino e as intervenções pedagógicas.

Ela se estrutura a partir de um padrão predeterminado (conteúdos e habilidades predefinidos no Plano de Ensino e, consequentemente, no Currículo Oficial), isto é, antes de ensinar, o professor procura investigar o que o aluno já sabe ou é capaz de fazer.

A análise dos resultados dessa avaliação permite o ajuste dos programas de ensino às reais necessidades de aprendizagem dos alunos.

As avaliações diagnósticas devem ser periodicamente aplicadas, no processo, para se verificar se as ações pedagógicas e intervenções desenvolvidas estão gerando os resultados de aprendizagem pretendidos.

2.2 Avaliação formativa

Avaliação formativa é o processo de ensino e aprendizagem.

Por meio da construção e aplicação de instrumentos, análise dos dados obtidos e síntese dos resultados, a avaliação formativa permite que o professor redefina o processo de ensino e aprendizagem acompanhando o desenvolvimento dos alunos.

Trata-se de um diálogo sobre o processo de ensino e aprendizagem: enquanto o professor busca expor e detalhar as suas expectativas de aprendizagem quanto às habilidades e os conteúdos escolares, os alunos fazem uma análise e reflexão sobre o que de fato conseguiram aprender e as razões para que isso ocorresse.

Ao final, tanto um como o outro identificam as necessidades de ajustes nos processos e se empenham para corrigir o percurso.

2.3 Avaliação somativa

Avaliação somativa é uma modalidade avaliativa que representa uma síntese dos resultados das avaliações ou resultados finais, e que deve ser representativa das aprendizagens ocorridas em relação às aprendizagens esperadas em determinado espaço de tempo (ano, série, bimestre, ciclo).

Sua principal função é situar e classificar o aluno no final de um processo, considerando o ponto de partida, caminho percorrido e o ponto de chegada da aprendizagem.

Normalmente, tem função administrativa de registro do rendimento escolar do aluno.

2.4 Avaliação interna

Avaliação interna é aquela que os professores fazem, sistematicamente, em sala de aula, durante todo o processo de ensino e aprendizagem, ou seja, a avaliação do professor para verificar os avanços do aluno, tendo em vista as expectativas de aprendizagem previstas no Currículo Oficial.

Os professores podem utilizar diferentes instrumentos para realizar essas avaliações, desde que seus resultados forneçam informações para identificar se os conhecimentos (conteúdos/habilidades) estão de fato sendo consolidados no tempo previsto.

Os resultados desse tipo de avaliação indicam possibilidades de acompanhamento do reflexo das práticas pedagógicas adotadas na aprendizagem de cada aluno em particular. Dessa forma, a avaliação interna assume o papel simultâneo das avaliações diagnóstica, formativa e, no final do processo, somativa.

2.5 Avaliação externa

A avaliação externa como o próprio nome diz, vai além daquela realizada em sala de aula; é também denominada Avaliação do Sistema, e tem por objetivo garantir o princípio do direito da educação de qualidade a todos os alunos.

Seus resultados fornecem indicadores para os sistemas e as escolas participantes de modo a contribuir para o desenvolvimento de ações pedagógicas e administrativas direcionadas à correção de distorções, superação de desafios e melhoria do ensino.

São exemplos: Avaliação Nacional da Educação Básica (Aneb), Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc) e Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp).

Nessas avaliações são utilizados instrumentos específicos e análises padronizadas para que os seus resultados sejam confiáveis e comparáveis ao longo do tempo e possibilitem aos gestores a implementação de políticas públicas, e às unidades escolares um retrato de seu desempenho.

2.6 Avaliação da aprendizagem em processo

De caráter exclusivamente diagnóstico, a Avaliação da Aprendizagem em Processo (AAP) é um tipo de avaliação proposto pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, criada em 2012 e aplicada no início de cada semestre para identificação, na escola, das necessidades e prioridades para o processo de ensino e aprendizagem.

Desde agosto de 2015, essa “prova” diagnóstica padronizada para a rede estadual paulista é aplicada bimestralmente, e os resultados que eram exclusivos da escola e de sua respectiva Diretoria de Ensino, serão encaminhados à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

As proposições da AAP se constituem em instrumentos investigativos da aprendizagem dos alunos, em termos de suas competências e habilidades.

O material pretende subsidiar o acompanhamento do processo de ensino e aprendizagem, contribuir para a elaboração e execução de planos que apoiem o professor no desenvolvimento do Currículo Oficial e que visem a progressão das aprendizagens ainda não consolidadas.

2.7 Uma análise sobre a avaliação escolar na educação básica

A avaliação só tem sentido dentro da política educacional quando não utilizada como controladora ou pragmatista.

Como diz Luckesi (2011, p. 28), “a avaliação não se dá nem se dará num vazio conceitual, mas sim dimensionada por um modelo teórico de mundo e de educação, traduzido em prática pedagógica”.

Nessa abordagem o educando é visto como ser ativo e dinâmico, participante da construção de seu próprio conhecimento, ou seja, educar é formar e aprender além de construir o próprio saber, no qual a avaliação contempla dimensões, e não se reduz apenas em atribuir notas.

A avaliação dos alunos é a ação educativa pragmática de um dos principais dilemas da educação. O dilema que se produz entre as expectativas da sociedade em relação ao sistema educativo que impõe a emissão de certificados e a seleção, e as expectativas dos próprios alunos, que desejam um ensino sensível as suas necessidades e aos ritmos de aprendizagem (MARCHESI; MARTIN, 2003, p. 30).

Sendo a instituição escolar um espaço tão importante, é essencial que a mesma seja absolutamente democrática em relação ao acesso e permanência dos educandos, pois é nesse espaço, que se podem compartilhar valores coletivos fundamentais.

As sucessivas repetências e o alto nível de evasão do alunado, fatores negativos decorrentes de desvios na aprendizagem mostrando-nos na prática que são resultantes de uma concepção inadequada sobre o significado do conhecimento e a caracterização dos processos de avaliação.

A avaliação é um processo de coleta e análise de dados, tendo em vista verificar se os objetivos propostos foram atingidos, respeitando as características individuais e o ambiente em que o educando vive. A avaliação deve ser integral considerando o aluno como um ser total e integrado e não de forma fragmentada. O aluno aprende quando consegue ultrapassar conflitos. Para não ser autoritária e conservadora, a avaliação tem a tarefa de ser diagnóstica, ou seja, deverá ser o instrumento dialético do avanço, terá de ser o instrumento da identificação de novos rumos (LUCKESI, 2011, p. 39).

“A avaliação precisa deixar de ser a grande vilã das escolas brasileiras para pensada como uma grande janela pela qual se entra para alterar as ações e relações escolares” (SAUL, 1994, p. 77).

O ato de avaliar fornece dados, que permitem verificar diretamente o nível de aprendizagem dos alunos, e também, indiretamente determinar a qualidade do processo de ensino. Ao avaliar o progresso de seus alunos na aprendizagem, o professor pode obter informações valiosas sobre seu próprio trabalho (OZÓRIO, 2002, p. 36).

Uma avaliação só é adequada quando seu objetivo é o crescimento do aluno e seu desenvolvimento pleno. Uma única avaliação não diz com precisão o que uma pessoa é ou o quanto ela sabe. Olhar o todo é necessário para que um julgamento seja feito com justiça.

A avaliação diagnóstica legítima deve apresentar as seguintes características: deverá ser assumida como um instrumento de compreensão do estágio de aprendizagem em que se encontra o aluno, tendo em vista tomar decisões suficientes e satisfatórias para que possa avançar no seu processo de aprendizagem (LUCKESI, 2011, p. 81).

A avaliação significa ação provocativa do professor, desafiando o educando a refletir sobre as situações vividas, a formular e reformular hipóteses, encaminhando-se a um saber enriquecido.

A avaliação tem por base acolher uma situação, para, então, ajuizar a sua qualidade, tendo em vista dar-lhe suporte de mudança, se necessário. A avaliação, como ato diagnóstico, tem por objetivo a inclusão e não a exclusão; a inclusão e não a seleção que obrigatoriamente conduz à exclusão (LUCKESI, 2011, p. 172).

“Qualquer modelo de avaliação não pode ser apenas conveniente ou ideal. Antes de tudo precisa estar assimilado e ser manipulado pelo professor em seu contexto real, considerando-se todas as limitações que este tenha” (HOFFMANN, 2011, p. 58).

Existe, ainda hoje, uma visão saudosista de escolas exigentes, disciplinadoras e rígidas, mas que não encontra respaldo na realidade. Essas escolas não eram competentes, pois não conseguiam dar conta de ensinar a todos que nela ingressavam.

Grande parte das escolas apresenta um alto número de alunos matriculados nas séries iniciais do ensino fundamental, no entanto, esse número diminui, consideravelmente, quando o comparamos com o número de matriculados nas séries seguintes. A razão da queda de matrículas nas séries mais avançadas se dá principalmente, em consequência dos mecanismos de reprovação adotados pelas instituições de ensino (HOFFMAN, 2011, p. 44).

Uma escola democrática é aquela que contribui para que seus alunos possam usufruir sua promoção como cidadãos, que perceba a educação como um direito de todos – uma instituição capaz de tornar os que frequentam pessoas críticas e reivindicadoras de uma escola de qualidade.

Não é possível viver democraticamente, e ao mesmo tempo, manter escolas elitistas, que contribuem para a desigualdade e exclusão social.

O caminho para o desenvolvimento é uma educação igualitária, que acolha os filhos de uma geração em conflito e projete essa geração no futuro, consciente do seu papel numa possível transformação. Se essa criança desde logo for considerada como de um futuro impossível, não terá nem um tempo de provar o quanto poderemos contar com ela (HOFFMAN, 2011, p. 18).

As avaliações devem servir para diagnosticar o andamento do processo educativo, indicando avanços, sucessos, erros e, a partir desses indicadores, começam as buscas por soluções para que, enfim a escola cumpra seu dever para com a sociedade.

No entanto, as avaliações, vêm sendo utilizadas para aprovar ou reprovar estudantes em um sistema que separa o momento de aprender e o momento de avaliar. Sendo o segundo, por inúmeras vezes, gerador de pânico entre os alunos e prejudicando o resultado de muitas avaliações. A avaliação precisa deixar de ser a grande vilã das escolas brasileiras para pensada como uma grande janela pela qual se entra para alterar as ações e relações escolares (SAUL, 1994, p. 77)

A possibilidade de mudanças nas práticas avaliativas torna-se alternativas, para a separação do trabalho e do fracasso escolar, ainda tão presente nas escolas. Muitas vezes as práticas escolares tornam-se completamente distantes da realidade vivenciada pelo educando, gerando um abismo entre a educação escolar e o mundo real. Esse distanciamento dificulta por vezes, a assimilação de conteúdos que, efetivamente, não poderão ajudar as crianças e jovens a superar os desafios diários.

O processo de avaliação deve ser prazeroso, auxiliar no crescimento e transmitir segurança. Esses aspectos auxiliam no processo de ensino aprendizagem. Se a avaliação é um processo, é necessário que vários instrumentos sejam utilizados e inovar utilizando outros métodos possibilita uma análise mais justa.

Uma avaliação só é adequada quando seu objetivo é o crescimento do aluno e seu desenvolvimento pleno. A avaliação também possibilita ao educador a oportunidade de refletir sobre sua prática docente. Ela indica o quanto à metodologia adotada é adequado embasando-se nos resultados obtidos. Quando seus resultados são utilizados servem para mostrar novos caminhos para o processo ensino aprendizagem.

Na educação, mais precisamente na avaliação temos que tratar alunos como coisas. Em consequência a nota, conceito, etc., são buscados a todo custo. Por conseguinte, quanto maior a objetividade mais o procedimento afastam-se das características humanas (OSÓRIO, 2002, p. 37).

Uma avaliação contínua é mais completa por acompanhar diariamente o desenvolvimento do raciocínio do aluno, partindo do princípio de que o conhecimento é construído a partir de um processo, cujas etapas podem ser acompanhadas pelo educador. Por meio da observação do educador sobre as atividades realizadas pelo educando o mesmo pode registrar comentários percebendo, ao longo do ano letivo, os avanços realizados pelo estudante. É possível, também, perceber que pontos precisam ser revistos.

Além disso, a substituição dos conceitos por registros com comentários, permitiria aos pais uma melhor compreensão do processo de educação do seu filho tornando-o um auxiliar do filho de maneira mais coerente.

Quando os registros são feitos de maneira clara, o educando consegue compreender o que errou no que precisa melhorar e, principalmente, a sentir-se entusiasmado e feliz com os aspectos positivos destacados pelo educador.

Enfim, modificar o sistema tradicional de registros de desempenho contribui para um ensino de qualidade, mais humano e realmente preocupado em promover a cidadania. É possível, a partir da reflexão sobre as práticas avaliativas, perceber quantas ações contribuem para a exclusão de vários jovens e crianças do espaço escolar. Essas ações são cruéis por sua inflexibilidade e desligamento do contexto dos estudantes.

Devem-se abolir a prática de realização de provas em dias marcados realizando, ao invés disso, tarefas menores, sem a preocupação de atribuir conceitos e analisar o desenvolvimento dos alunos ao longo do processo. É uma alternativa diferente do tradicional, colocando-se como uma nova proposta de avaliação cujo propósito está em proporcionar o sucesso a muitos jovens e crianças, para isso toda e qualquer decisão tomada, a partir dos resultados obtidos, a partir das avaliações, deve levar em consideração o benefício que a mesma representa para o educando.

A maneira de realização da avaliação reflete na atitude do professor em sua interação com a classe e sua relação com o aluno. Nessa perspectiva, acredita-se que a avaliação ajuda o aluno na progressão de sua aprendizagem, e ao professor aperfeiçoa sua prática pedagógica.

A avaliação, do ponto de vista crítico, não pode ser instrumento de exclusão dos alunos provenientes das classes trabalhadoras. Deve ser democrática, deve favorecer o desenvolvimento da capacidade do aluno de apropriar-se de conhecimento científicos, sociais e tecnológicos produzidos historicamente e deve ser resultante de um processo coletivo de avaliação diagnóstica (VEIGA, 1995, p. 32).

Para Gatti (2012 in: SME, 2015, p. 21) “quando se trata de avaliação que atinge pessoas em sua vida escolar, portanto, em sua vida social, há cuidados imprescindíveis a tomar”. Envolve questões de ética, ale de envolver conhecimento científico e técnico.

A avaliação deve ser integral considerando o aluno como um ser total e integrado e não de forma fragmentada. “O processo de avaliação é essencialmente o processo de determinar até que ponto os objetivos educativos foram realmente alcançados, mediante os programas de currículo de ensino” (TYLER, 1950, p. 31 apud SOUZA, 2012, p. 12).

Uma boa avaliação mostra caminhos e indica se a melhor opção é a continuidade de um trabalho ou a sua total modificação. “A avaliação deve ser usada sempre para melhorar, nunca para eliminar, selecionar ou segregar” (ALVAREZ MENDES, 2005, p. 27).

3. Resultados e discussões

Uma avaliação coerente precisa ser contextualizada e acima de tudo contribuir para o desenvolvimento das competências múltiplas do educando, dando sentido a educação já que a mesma possui vários vínculos com a realidade, proporcionando ao educando um conhecimento amplo de suas possibilidades de vida, por meio do autoconhecimento, confiança e autoestima. Isso se torna possível quando são utilizadas metodologias dinâmicas, lúdicas, reflexivas e analíticas.

Socialmente a avaliação é defendida como garantia da qualidade do ensino e essa posição é herança dos sistemas Taylorista e Fordista de produção, ou seja, o operário é um executor passivo que realiza suas tarefas sem questionar. Esse modelo foi assimilado pela sociedade e isso se reflete nas atitudes tomadas no âmbito escolar que exige do aluno uma posição executora e passiva, sem questionamentos e apresentando bons conceitos em suas avaliações.

No entanto, as necessidades atuais exigem novas atitudes, uma educação que seja capaz de ampliar horizontes, ensinando o educando a viver em grupo, a comunicar-se, refletir e aprender sempre, em diferentes circunstâncias, alterando situações de fracasso e desigualdade auxiliando as crianças e jovens a superar os desafios diários.

As funções da avaliação são potencialmente duas: o diagnóstico e a classificação. Da primeira, supõe-se que permita ao professor e ao aluno detectar os pontos fracos deste e extrair a consequências pertinentes sobre onde colocar posteriormente a ênfase no ensino e na aprendizagem. A segunda tem por efeito hierarquizar e classificar os alunos. A escola prega em parte a avaliação com base na primeira função, mas a emprega fundamentalmente para a segunda (ENGUITA, 1995, p. 23).

Compreender o erro como uma etapa do processo de aprendizagem é um passo importante para o efetivo ensino já que ele é o ponto de partida para a ação educativa. Um aluno não pode ser julgado pela capacidade de memorizar ou reproduzir conteúdos, mas sim pela capacidade de construir soluções para o próprio problema.

A avaliação possibilita ao educador a oportunidade de refletir sobre sua prática docente indicando o quanto à metodologia adotada é adequado embasando-se nos resultados obtidos. Quando seus resultados são utilizados servem para mostrar novos caminhos para o processo ensino aprendizagem.

Considerações finais

Uma avaliação coerente precisa ser contextualizada e acima de tudo contribuir para o desenvolvimento das competências múltiplas do educando, dando sentido a educação já que a mesma possui vários vínculos com a realidade, proporcionando ao educando um conhecimento amplo de suas possibilidades de vida, por meio do autoconhecimento, confiança e autoestima. Isso se torna possível quando são utilizadas metodologias dinâmicas, lúdicas, reflexivas e analíticas.

Concluem-se que fazer uma avaliação como forma de punição ao aluno é um equívoco e não deve ser essa sua razão ou prática. A avaliação que pode realmente contribuir para a socialização é aquela que possibilita ao educador verificar, por meio dos resultados alcançados, o processo de construção do conhecimento e se os métodos por ele adotados são adequados e, a partir destas constatações, decidir sobre a continuidade do trabalho, integralmente, em partes ou a total mudança da metodologia de ensino.

É impossível, a partir da reflexão sobre as práticas avaliadas, perceber quantas ações contribuem para a exclusão de vários jovens e crianças nas escolas. Essas ações são cruéis pelas inflexibilidades e pelo desligamento do contexto dos estudantes.

Abolir a prática da realização de avaliações em dias determinados e sem a preocupação de se atribuir conceitos, realizando tarefas menores e contínuas, é uma alternativa que se coloca como uma nova proposta de avaliação. No entanto, para se realizar uma avaliação coerente, que considere a realidade do educando, a mesma precisa ser pensada de acordo com projeto político pedagógico de cada unidade escolar.

Referências

ENGUITA, M. Avaliação e aprendizagem. Artigo da Publicação Raízes e Asas nº. 8. São Paulo: CENPEC, 1995, p. 23

HOFFMANN, J. Avaliação mediadora: uma prática em construção: da pré-escola à universidade. 31. ed. Porto Alegre: Mediação, 2011.

HOFFMANN, J. Avaliação mito e desafio: uma perspectiva construtivista. 41. ed. Porto Alegre: Mediação, 2011.

LUCKESI, C. A avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições 22. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

MARCHESI, A. & MARTÍN, E. Qualidade de ensino em tempos de mudança. Porto Alegre: Artmed, 2003.

MENDEZ, J. M. A. Avaliar para conhecer, examinar para excluir. Revista Pátio Ano IX n. 34 – Maio/Julho 2005, p. 27.

OSÓRIO, D. Avaliação do rendimento escolar: como ferramenta de exclusão social. In: BELLO, J. L. P. Pedagogia em Foco. Rio de Janeiro, 2002. Disponível em: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/aval01.htm. Acesso em: 09/out./2016.

SÃO PAULO. SME – Diretoria de orientação técnica. Programa mais educação: subsídios 4: Avaliação para aprendizagem: externa e com larga escala. São Paulo: SME/DOT, 2015.

SAUL, A. M. Avaliação emancipatória: uma abordagem crítico-transformadora. Tecnologia Educacional. Rio de Janeiro, v. 21, n. 104, p.24-31, jan. /fev. 1994.

TAYLER, R. W. Basic principies of curriculum and instruction. Chicago: the universityof Chicago, 1949. In: SOUZA, P. S. F. Avaliação da aprendizagem: discutindo o processo avaliativo na escola. UEPB, 2012. Disponível em: http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/bitstream/123456789/1371/1/PDF%20%20Pricila%20da%20Silva%20Florencio%20de%20Souza.pdf. Acesso em: 13/nov./2016.

VEIGA, I. P. A. A construção da didática numa perspectiva histórico-crítica de educação: estudo introdutório. In: OLIVEIRA, M. R. N. S. (org). Didática: ruptura, compromisso e pesquisa. Campinas: Papirus, 1995.

[1] Licenciado em Matemática pela Universidade Guarulhos, Pós-Graduado em Pedagogia com administração e supervisão escolar, Pós-Graduado em Matemática, Pós-Graduado em Docência do ensino Superior pela Universidade Iguaçu (UNIG). Experiência profissional na Rede Pública e Privada de Ensino nas disciplinas de Matemática e Física – Atuou como Coordenador Pedagógico, Diretor e Vice-Diretor de Escola.

Como publicar Artigo Científico
Licenciado em Matemática pela Universidade Guarulhos, Pós-Graduado em Pedagogia com administração e supervisão escolar, Pós-Graduado em Matemática, Pós-Graduado em Docência do ensino Superior pela Universidade Iguaçu (UNIG). Experiência profissional na Rede Pública e Privada de Ensino nas disciplinas de Matemática e Física – Atuou como Coordenador Pedagógico, Diretor e Vice-Diretor de Escola.

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