ARTIGO DE REVISÃO
SANTOS, Sibele [1], OLIVEIRA, Luziléa Brito de [2], ABADE, Havagna Chagas Santana [3], NASCIMENTO, Natielli Rodrigues Miranda [4]
SANTOS, Sibele et al. Ferramentas ergonômicas: Um panorama de seus usos nos setores econômicos. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 11, Ed. 11, Vol. 01, pp. 38-56. Novembro de 2026. ISSN: 2448-0959. Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-de-producao/ferramentas-ergonomicas
RESUMO
O objetivo geral desta pesquisa é identificar as ferramentas ergonômicas mais utilizadas nas atividades econômicas. Os objetivos específicos constituem-se em: (i) sumarizar as cinco principais categorias de ferramentas ergonômicas utilizadas em ambientes de trabalho; (ii) Identificar as ferramentas ergonômicas mais utilizadas ao longo dos anos, destacando os anos em que houve maior crescimento na sua utilização e (iii) examinar os principais setores industriais que lideraram a implementação de ferramentas ergonômicas durante o período de estudo. Essa pesquisa busca responder à pergunta-problema: Quais as principais ferramentas ergonômicas utilizadas em cada setor líder? A metodologia constitui-se de uma revisão sistemática, utilizando-se de bases de dados como referências de/para artigos científicos, bibliotecas digitais e periódicos indexados. No desenvolvimento do instrumento metodológico de busca, empregou-se a palavra-chave “ferramentas ergonômicas”, delimitando os períodos de pesquisa entre janeiro de 2018 a agosto de 2023. A fundamentação teórica sucedeu-se com o delineamento dos materiais acadêmicos dentro do período estabelecido, no formato de tese, dissertação, trabalho de conclusão de curso, capítulos de livro e artigos científicos, por meio da base de dados do SciELO, CAPES e Google Acadêmico que apresenta metadados (título, autor(es), data e origem de publicação, resumo, palavras-chave) da literatura acadêmica. Os resultados demonstram uma aplicação frequente de cinco ferramentas do domínio físico da ergonomia, sendo elas: Rapid Upper Limb Assessment (RULA), Ovako Working Posture Analyzing System (OWAS), Rapid Entire Body Assessment (REBA), National Institue for Occupational Safety and Health – NIOSH para manuseio de carga e Questionário Nórdico de Sintomas Musculoesqueléticos (QNSM). Considera-se que se torna necessário uma periodicidade na aplicação de ferramentas dos domínios cognitivos e organizacionais, pois a ergonomia é heterogênea e envolve diferentes áreas de trabalhos e elementos que compõem uma estrutura do ambiente laboral, a fim de promover um espaço confortável, saudável e seguro.
Palavras-chave: Ergonomia, Ferramentas Ergonômicas, Setores Econômicos, Segurança e Saúde no Trabalho.
1. INTRODUÇÃO
A busca por eficiência, produtividade e bem-estar no trabalho é essencial na evolução das atividades econômicas. A ergonomia, que estuda a interação entre humanos e sistemas, desempenha um papel crucial ao adaptar o trabalho às pessoas para promover conforto, segurança e saúde, baseando-se na ciência e tecnologia para melhorar a experiência no ambiente laboral (Couto; Couto, 2020).
Os estudos que avaliam a segurança, saúde, aplicabilidade e efetividade nos ambientes de trabalho utilizam métodos e técnicas ergonômicas, divididas em três domínios: (i) físico, que examina as características antropométricas, fisiológicas e mecânicas dos corpos e as estruturas físicas do local de trabalho; (ii) cognitivo, relacionado à percepção, memória, raciocínio e resposta motora no ambiente laboral; e (iii) organizacional, que aborda a organização das jornadas de trabalho, turnos, hierarquia, trabalho em equipe, gestão e outros processos corporativos. Esses domínios da ergonomia utilizam ferramentas conhecidas como técnicas ergonômicas (IEA, 2023).
Analisar as ferramentas aplicadas no cotidiano tem o potencial de fornecer orientações prévias sobre quais técnicas são mais adequadas para determinados ambientes laborais, reduzir as falhas nos processos de trabalhos e influenciar positivamente na segurança e saúde do trabalhador. Devido à profusão de ferramentas de análises em ergonomia, é de importância analisá-las, tornando possível a identificação de elementos que possam contribuir para estratégias e dinamicidades nas aplicações laborais e pesquisas futuras.
Neste artigo, por meio de uma revisão sistemática, explora-se aplicações, benefícios e desafios enfrentados por empresas e profissionais que adotam abordagens ergonômicas em seus processos e estratégias. Este trabalho visa não apenas proporcionar uma visão aprofundada sobre o estado atual da integração da ergonomia no mundo dos negócios, mas também oferecer insights valiosos para aqueles que buscam aliar o sucesso econômico à qualidade de vida e bem-estar no ambiente de trabalho.
Diante do assunto abordado, objetiva-se identificar as ferramentas ergonômicas mais utilizadas nas atividades econômicas, entre os períodos de 2018 a 2023, com os seguintes objetivos específicos: (i) sumarizar as cinco principais categorias de ferramentas ergonômicas mais utilizadas em ambientes de trabalho durante o período de 2018 a 2023; (ii) analisar as tendências de adoção de ferramentas ergonômicas ao longo dos anos, destacando os anos em que houve maior crescimento na sua utilização e (iii) examinar os principais setores industriais que lideraram a implementação de ferramentas ergonômicas durante o período de estudo.
2. METODOLOGIA
A presente pesquisa constitui-se de uma revisão sistemática incluindo artigos científicos, livros, relatórios técnicos, teses e dissertações. A pesquisa foi conduzida em bases de dados acadêmicas como PubMed, Scopus, Web of Science, Google Scholar, além de bibliotecas digitais de instituições renomadas.
Os artigos foram selecionados com base em sua relevância e ano de publicação, considerando o período compreendido entre janeiro de 2018 a agosto de 2023. Foram excluídos trabalhos que não estavam diretamente relacionados ao escopo do estudo ou que não apresentavam rigor científico adequado. As buscas foram conduzidas utilizando combinações das palavras-chave: “ergonomia”, “ferramentas ergonômicas”, “setores econômicos” e “segurança e saúde no trabalho”.
O material selecionado foi submetido a uma análise crítica e sistemática com o objetivo de identificar tendências, lacunas de conhecimento e os principais conceitos e teorias discutidos na literatura. Os dados coletados foram armazenados e organizados em uma planilha eletrônica compartilhada simultaneamente, onde foram categorizados por título, autor, ano de publicação, tipo de trabalho acadêmico, ferramenta ergonômica, região geográfica, objetivo, resultados, atividade econômica e banco de dados. Os resultados dessa análise estão apresentados na Sessão 3 – Resultados.
3. RESULTADOS
Na busca realizada foram encontrados 107 (cento e sete) estudos científicos, estruturados em diferentes formatos de pesquisa. A definição dos critérios de inclusão compreendeu o intervalo temporal entres os anos de 2018 a 2023, escritos em português, havendo a exclusão de estudos localizados simultaneamente em dois portais de busca, revisões bibliográficas e pesquisas feitas em laboratórios, pois não demonstravam a execução do uso de ferramentas ergonômicas em atividades econômicas.
O Gráfico 1 apresenta os tipos de trabalhos científicos encontrados nesta pesquisa. Identificou-se os gêneros textuais: trabalho de conclusão de graduação (TCC), trabalhos de especialização lato sensu, artigo científico, capítulo de livro, dissertação de mestrado e tese de doutorado.
Dentre os gêneros textuais, os TCC de graduação e os artigos científicos representaram os maiores números de publicações científicas relacionadas a execuções das técnicas ergonômicas, representando, juntos, 76% dos trabalhos científicos publicados no período estudado, conforme apresentado no Gráfico 1.
Gráfico 1: Tipos de trabalhos científicos sobre uso de ferramentas ergonômicas, publicados entre janeiro de 2018 a agosto de 2023

O Gráfico 2 evidencia que no ano de 2018 houve o maior número de publicações (34 publicações, 32% do corpus em estudo) de trabalhos científicos sobre uso de ferramentas ergonômicas, seguido do ano de 2019 (23 publicações, 21% do corpus em estudo).
Gráfico 2: Número de trabalhos científicos, sobre uso de ferramentas ergonômicas, publicados entre janeiro de 2018 e agosto de 2023

No intervalo temporal pesquisado verificou-se que a maioria dos trabalhos descritos foram produzidos por autores de instituições públicas.
Disposto no Quadro 1, encontram-se as ferramentas frequentemente empregadas e a respectivas atividades econômicas. Dentro das 21 (vinte e uma) seções da Classificação de Atividade Econômica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2023), encontrou-se 19 (dezenove) seções de atividades levantadas nesta coleta de dados.
Houve a mudança da identificação e condensamento do código das Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (k); Atividades imobiliárias (L); Atividades profissionais, científicas e técnicas (M); Atividades administrativas e serviços complementares (N); e Outras atividades de serviços (T), para Atividade em Geral, com o intuito de abranger esses tipos de atividades em uma só representação no Quadro 1.
Nos códigos B e C; H e J; P e R; D e C, efetuou-se a união com temáticas de atividades com conexões similares para demonstrar os tipos de técnicas ergonômicas encontradas, como:
- Indústrias da transformação (C) – Indústrias Extrativas (B);
- Informação e comunicação (J) – Transporte, Armazenagem e Correio (H);
- Educação (P) – Artes, Cultura, Esporte e Recreação (R);
- Eletricidade e Gás (D) – Água, Esgoto, Atividades de gestão de resíduos e Descontaminação (E).
Quadro 1: Ferramentas Ergonômicas por atividades econômicas
| Ferramentas Ergonômicas | Atividades Econômicas |
| OWAS; RULA; REBA; Questionário SF 36; Diagrama de Corlett | Alojamento e alimentação |
| SUE & RODGERS; Diagrama de Áreas Dolorosas; RULA; REBA; OWAS; Diagrama de Corlett; OCRA; QNSM; NASA TLX; equação NIOSH; SPM; EWA; SERA; JDS D86 | Indústria da transformação
e extrativas |
| OWAS, RULA, REBA; equação NIOSH; OCRA; NASA TLX; CHECKLIST de Couto; MOORE & GARG; SUE & RODGERS | Comércio; Reparação de veículos automotores e motocicletas |
| RULA; OWAS; REBA; EWA; DIAGRAMA DE CORLETT; NIOSH; CHECKLIST de Couto; NASA TLX; SWAT; ROSA | Informação e comunicação; Transporte, armazenagem e correio |
| Escala de Borg; QNSM; equação NIOSH; OWAS; Questionário de Couto; Diagrama de Áreas Dolorosas; FERGER; ERGOVSM; RULA; REBA; Diagrama de Corlett | Saúde humana e serviços sociais |
| OWAS; REBA; RULA; ROSA; ERGOS; equação NIOSH | Atividades em geral |
| Equação NIOSH; RULA; MOORE & GARG; OWAS; REBA; QNSM; TOR-TOM; Diagrama de Corlett; TLV HAL | Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura |
| RULA; QNSM; NASA TLX; WHOQOL-bref; Questionário BIPOLAR; Questionário de Couto; OWAS; Diagrama de Áreas Dolorosas; REBA; QEC; NIOSH; EWA | Educação; Artes, cultura, esporte e recreação |
| NASA TLX; QNSM; RULA | Administração pública, defesa e seguridade social |
| QNSM; OWAS; RULA; MET; REBA; EWA; OCRA | Construção |
| QNSM; OWAS; RULA; ESCAM; ERGOS; NASA TLX; MOORE & GARG | Eletricidade e Gás; Água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação |
Nota: Safety Ergonomic Risk Assessment (SERA); Ergonomic Workplace Analysis (EWA); Situação, Problema e Melhoria (SPM); Questionário Nórdico Musculoesquelético (QNSM); Quick Exposure Checklist (QEC); Rapid Upper Limb Assessment (RULA); Ovako Working Posture Analyzing System (OWAS); Rapid Entire Body Assessment (REBA); National Institue for Occupational Safety and Health (NIOSH); Occupational Repetitive Action (OCRA); Hand Activity Level (HAL)/ Threshold Limit Value (TLV); Baseline Risk Identification of Ergonomic Factors – BRIEF e BRIEF Exposure Scoring Technique-BEST (BRIEF& BEST); Ergonomic Workplace Analysis (EWA); Situação, Problema e Melhoria(SPM); Rapid Office Strain Assessment (ROSA); Standard Design (JDS-D86); Taxa de Ocupação Real- Taxa de Ocupação Máxima (TOR-TOM); Escala Subjetiva da Carga Mental de Trabalho (ESCAM); Standard Metabolic Equivalente (MET); (Subjective Workload Assessment Technique (SWAT); Task Load Index (NASA TLX); Ferramenta Ergonômica de Gestão em Radiologia(FERGER). Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).
O Gráfico 3 apresenta o percentual de trabalhos científicos publicados sobre o uso de ferramentas ergonômicas por região geográfica do Brasil. Em destaque encontra-se a região Sul e Nordeste com 39% e 31%, respectivamente. Nesse momento é importante destacar que em algumas pesquisas não foi possível identificar a origem geográfica.
Gráfico 3: Percentual de trabalhos científicos publicados sobre o uso de ferramentas ergonômicas por região geográfica do Brasil

Foram identificados mais de 25 tipos de técnicas ou ferramentas ergonômicas utilizadas nos ambientes laborais. O Quadro 2 apresenta as ferramentas ergonômicas mais citadas nos estudos científicos publicados entre 2018 e 2023, listando aquelas citadas cinco ou mais vezes, além de evidenciar os objetivos, aplicação e autores das ferramentas, demonstrando estudos com uma ou até quatro ferramentas aplicadas em um mesmo recorte de pesquisa de campo.
Quadro 2: Tipos de ferramentas ergonômicas mais citadas nos estudos científicos publicados entre os anos de 2018 e 2023
| Ferramentas | Objetivo | Aplicação | Elaborado |
| Rapid Upper Limb Assessment (RULA) | Avaliar a sobrecarga dos membros superiores através das posturas e forças musculares que podem gerar riscos | Aplicado para trabalhos que envolvem várias posturas do ombro, cotovelo, punho, pescoço, tronco, posição das pernas e seus esforços musculares e estáticos | McAtamney e Corlett (1993) |
| Ovako Working
Posture Analyzing System (OWAS) |
Identificar posturas prejudiciais durante as atividades, por meio de observação | Aplicado para avaliar as posturas das costas, braços, pernas e forças exercidas dentro de uma frequência e tempo | Karhu, Kansi e Kuorinka (1977) |
| Rapid Entire Body Assessment (REBA) | Avaliar o risco de Doença Osteomuscular relacionado ao Trabalho no corpo inteiro | Aplicado para avaliar as posturas do corpo inteiro por tempo prolongado | Hignett e McAtamney (2000) |
| National Institue for Occupational Safety and Health – NIOSH para manuseio de carga | Determinar a carga máxima a ser levantada no ambiente de trabalho | Aplicado para avaliar o manuseio da carga através da postura, força, duração, frequência de ações, qualidade da pega e movimento | National Institute for Occupational Safetyand Health, dos Estados Unidos |
| Questionário Nórdico de Sintomas Musculoesqueléticos (QNSM) | Avaliar desconforto e/ou dor do corpo inteiro | Aplicado para avaliar o pescoço, ombros, cotovelos, punhos, mãos, coluna dorsal, coluna lombar, quadril, joelhos e pés | Conselho de Ministros Nórdicos (órgão
interparlamentar criado em 1971) |
Fonte: Adaptado dos estudos de Iida e Buarque (2021); Másculo e Vidal (2011, 2013); Alves (2017).
Diante do exposto verifica-se que entre 2018 e 2021, as ferramentas de análise ergonômica mais utilizadas foram RULA, OWAS, REBA, NIOSH e QNSM. A RULA foi a mais aplicada nos anos de 2018 e 2021, enquanto a REBA predominou em 2019 e a OWAS em 2020. No total, a RULA foi utilizada 43 vezes, seguida pela OWAS com 34, REBA com 20, NIOSH com 11 e QNSM com 9. Esses dados confirmam a predominância dessas ferramentas no período analisado, evidenciando sua relevância para a avaliação ergonômica.
4. DISCUSSÕES
As revisões bibliográficas apontam o uso de diversas ferramentas ergonômicas nos ambientes laborais, estas áreas de trabalho dispõem de vários tipos de atividades econômicas, que exigem o uso e movimentos, de diferentes segmentos corporais para suas execuções, podendo haver a necessidade de aplicação de uma ou várias técnicas ergonômicas, para identificar, examinar e analisar a segurança, saúde e conforto dos trabalhadores. De acordo com Zugliani Bortolan et al. (2022), Pimenta et al. (2020), Felício et al. (2021) e Soares e Amaral (2023), determinadas técnicas têm como função, avaliar os fatores de riscos posturais e de forças físicas impostas ao sistema musculoesquelético nos ambientes laborais.
A Rapid Upper Limb Assessment (RULA) é a ferramenta mais disseminada nos trabalhos pesquisados, consistindo em uma ferramenta de aplicabilidade rápida e que analisa a sobrecarga dos membros superiores que possam ocasionar riscos de Doenças Osteomusculares Relacionada ao Trabalho – DORT (Iida; Buarque, 2021; Cabral, 2021). Logo após, encontram-se as técnicas Ovako Working Posture Analyzing System (OWAS) e Rapid Entire Body Assessment (REBA), que também estão relacionadas às observações posturais e suas combinações dos segmentos corporais do trabalhador no ambiente de trabalho.
A REBA, diferencia-se da RULA e OWAS, por analisar outras variáveis como: peso do material manuseado e o tipo de pega do objeto. De acordo com De Souza Sierra, Dos Santos e Nickel (2017) e Lamarão et al. (2014), a REBA avalia a postura total do trabalhador em tarefas variadas, identificando os riscos possíveis.
Em quarto lugar, está a equação de levantamento National Institue for Occupational Safety and Health (NIOSH), com a finalidade de calcular o peso da carga, juntamente com as variáveis de distâncias, levantamento, ângulo, frequência e qualidade da pega, sendo observadas durante as atividades de levantamento e deposição de cargas. Essa ferramenta demonstra qual será o valor ideal para que não possa prejudicar a saúde e segurança do funcionário. As atividades com os manuseios de cargas, muitas vezes ocorrem de forma repetitiva e com carga além do limite recomendado, os autores (Iida; Buarque, 2021; Másculo; Vidal, 2011, 2013), informa que o maior índice de traumas muscular é ocasionado por levantamento de cargas.
Em último e quinto lugar, encontrou-se o Questionário Nórdico de Sintomas Musculoesqueléticos (QNSM) com a função de avaliar o desconforto e verificar os locais dolorosos em determinados intervalos de tempos. Detectou-se, que o QNSM encontrados nos trabalhos acadêmicos estavam associados a outras ferramentas, não sendo o único tipo de ferramenta utilizado na pesquisa. Essa técnica tem como incumbência identificar as áreas dolorosas, informadas pelos trabalhadores, não sendo empregado como diagnóstico único, pois possibilita uma padronização de estimação de sintomas dolorosos, tendo suas simplicidades e limites (Pinheiro; Tróccoli; Carvalho, 2002; Santos et al., 2022; Lima Júnior; Silva, 2014).
Os ambientes laborais com maior número de ferramentas empregadas foram os setores de extrativistas e de transformação, sendo este último setor econômico, formado por atividades que transformam, fabricam, preparam, instalam, mantêm, confeccionam e recuperam materiais, substâncias e componentes na obtenção de um novo produto. Esta seção possui o maior número de divisões econômicas da Comissão Nacional de Classificação (IBGE, 2023), o que pode impactar na variedade de ferramentas utilizadas (Iida; Buarque, 2021).
De acordo com Mateus Junior (2009), as ferramentas RULA, OWAS, REBA e NIOSH são as mais encontradas e utilizadas por serem mais difundidas e por terem muitos meios eletrônicos acessíveis e disponibilizados gratuitamente. Os estudos realizados através dessas ferramentas ocorreram por instituições públicas, no Brasil, mais de 95% dessa produção científica é realizada por universidades públicas, que dependem de verbas do Ministério da Educação – MEC e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI (Hafiz; Bueno, 2022).
Por meio dessas técnicas é possível analisar posturas, esforços, cargas e áreas dolorosas que abranjam vários setores e trabalhadores, pois conforme Iida e Buarque (2021) são analisadas postura, força, trabalho estático, dor geral, duração, frequência de ações e vibrações técnicas que podem avaliar corpo inteiro e membros superiores.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A ergonomia é uma ciência que estuda a relação entre o homem, o ambiente e as máquinas, visando a melhoria das condições de trabalho e bem-estar. As ferramentas ergonômicas são instrumentos que auxiliam na avaliação e identificação de riscos ergonômicos nos ambientes de trabalho.
O objetivo deste estudo foi realizar um levantamento das ferramentas ergonômicas mais utilizadas nos setores econômicos e projetos acadêmicos, entre os períodos de 2018 e 2023.
A pesquisa foi realizada por meio de uma revisão bibliográfica de materiais acadêmicos publicados no período de estudo. Os materiais foram selecionados por meio de bases de dados como SciELO, CAPES e Google Acadêmico que apresenta metadados (título, autor(es), data e origem de publicação, resumo, palavras-chave) da literatura acadêmica.
Foram identificados 21 (vinte e um) tipos de ferramentas ergonômicas, sendo a Rapid Upper Limb Assessment (RULA) a ferramenta mais utilizada, com 43 (quarenta e três) utilizações. A RULA é uma ferramenta que avalia os riscos ergonômicos relacionados aos membros superiores, considerando fatores como sobrecarga estática, força, carga excessiva, posicionamentos e graus de desvios.
A indústria da transformação foi o setor econômico com o maior número de publicações, representando 30% do total. Esse setor é composto por uma ampla variedade de atividades que exigem diferentes tipos de ferramentas ergonômicas.
Os resultados deste estudo mostram que há um amplo uso de ferramentas ergonômicas nos setores econômicos e projetos acadêmicos. No entanto, há uma escassez de ferramentas relacionadas ao domínio cognitivo e organizacional.
Os resultados deste estudo contribuem para o conhecimento sobre o uso de ferramentas ergonômicas nos setores econômicos e projetos acadêmicos. Os resultados também apontam a necessidade de desenvolvimento de novas ferramentas ergonômicas que considerem todos os domínios da ergonomia.
REFERÊNCIAS
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INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES
[1] Mestre em Saúde, Ambiente e Biodiversidade pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Especialista em Ergonomia e em Docência na Educação Profissional pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI) e especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Universidade Iguaçu (UNIG) e Bacharel em Engenharia de Pesca pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6111-8967. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5715502604264807.
[2] Professora Adjunta da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), no Centro de Formação em Políticas Públicas e Tecnologias Sociais, campus Jorge Amado. Administradora, contadora, doutora em Desenvolvimento e Meio Ambiente, mestra em Tecnologias aplicáveis à Bioenergia, especialista em Controladoria e em Docência no Ensino Superior. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5594-2471. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1090177638492764.
[3] Graduação Curso Superior de Tecnologia em Marketing pela (UNOPAR) Universidade Norte do Paraná; Cursando Curso Técnico Subsequente em Segurança do Trabalho no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA). ORCID: https://orcid.org/0009-0008-0804-7424. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9626095590036268.
[4] Graduação em Gestão Ambiental, na Faculdade de educação e Meio Ambiente ( FAEMA ), Cursando Técnico em Segurança do Trabalho, no Instituto Federal da Bahia ( IFBA ). ORCID: https://orcid.org/0009-0003-6571-846X. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3873827977452385.
Contribuição dos autores:
Sibele Santos: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.
Luziléa Brito de Oliveira: Planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.
Havagna Chagas Santana Abade: Análise, interpretação e redação do trabalho.
Natielli Rodrigues Miranda Nascimento: Análise, interpretação e redação do trabalho.
INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL
Conflito de interesse:
N/A.
Agradecimentos:
N/A.
Financiamento:
N/A.
Nota de presença de IA:
Os autores utilizaram a Inteligência Artificial ChatGPT (versão 4.0 Pro) para revisão ortográfica, revisão de concordância nominal e revisão da fluidez do texto. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral.
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- ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
- Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.
Histórico da Publicação:
Material recebido: 08 de março de 2024.
Material aprovado pelos pares: 28 de fevereiro de 2026.
Material editado aprovado pelos autores: 30 de outubro de 2026.






