Igreja da unificação: associação do espírito santo para a unificação do cristianismo mundial

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Igreja da unificação: associação do espírito santo para a unificação do cristianismo mundial
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ARTIGO ORIGINAL

BENTO, Ricardo José [1]

BENTO, Ricardo José. Igreja da unificação: associação do espírito santo para a unificação do cristianismo mundial. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 11, Vol. 04, pp. 34-50 Novembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

O artigo tenciona apresentar preliminares sobre a Igreja da Unificação, uma das organizações do Rev. Sun Myung Moon considerando que esta é uma das muitas organizações com sua assinatura. São preliminares, pois ha pouca pesquisa e bibliografia sobre o Rev. Moon, e suas instituições. Sendo assim um campo pouco desbravado. Pretende-se fazer um panorama histórico da origem e presença desta religião no Brasil e passando pela America Latina ainda que superficialmente, observando os aspectos políticos e ideológicos sem deixa de analisar sua teologia com o cuidado de não incorrer no erro de fazer uma analise apologética teológica o que fugiria do caráter das ciências da religião. A analise teológica se faz necessário, pois a religião do Rev. Moon se autodenomina cristã, contudo fugindo, destoando radicalmente da teologia cristã universal.

palavras chaves: Igreja da Unificação, Moonismo, Religião, Seita, Teologia Cristã, Ciências da religião, Comunismo

INTRODUÇÃO

O campo religioso brasileiro se apresenta com uma riqueza e diversidade de elementos. São tantas as novas formas de se expressar a religiosidade que pode ser que algumas ainda se encontram na obscuridade, não em relação á sociedade, mas para as lentes dos pesquisadores. Este trabalho tem por objetivo fazer um levantamento das fontes e dados relacionados á Igreja da Unificação, organização fundada pelo Rev. Sun Myung Moon.

O caso da Igreja da Unificação se encaixa dentro desta perspectiva, de não se ter um trabalho de pesquisa em português feito por pesquisadores brasileiros. O pesquisador encontra dificuldades externas e internas, pois dentro da própria organização, da Igreja da Unificação, há uma serie de ramificações que dificulta o trabalho do pesquisador. Segundo Guareschi, as instituições ligadas ao Rev. Moon apresenta uma complexa inter-relação e o adepto pode fazer o curso para ingressar e escolher a qual organização vai se filiar, sendo elas: A Igreja da Unificação, mas também conhecida como Associação do Espírito Santo Para a Unificação do Cristianismo Mundial; Amasa – Associação Mundial de Assistência Social e Amizade; Associação Internacional Cultural; Causa – Confederação de Associações para a Unidade das Sociedades Americanas; Conselho Ecumênico das Religiões Mundiais; entre outras (GUARESCHI, 1990, pg.246). Posteriormente observaremos quais as funções e a quê elas se dedicam dentro deste leque diverso ligado ao Rev. Moon.

Pretende-se apresentar um quadro histórico da origem do movimento na Coreia, e também no Brasil. As Origens de seu fundador, um breve histórico de sua participação na organização, o trabalho de proselitismo na América Latina e a mensagem carrega de cunho político de direita que se caracteriza no combate ao comunismo.

Esse trabalho também se preocupa em analisar um pouco da doutrina moonista e sua origem bíblica e as interpretações que o autor emprega divergindo, de certa forma de uma interpretação concorde dentro do cristianismo, ou seja sua visão teológica não segue as mesmas do cristianismo mundial, não por que tem algumas diferenças doutrinarias e teológicas, mas por que são totalmente distantes e contrarias as interpretações das religiões cristãs. A doutrina sobre Deus dentro do cristianismo, seja o Catolicismo, luteranismo, anglicanismo, presbiterianismo, pentecostais pouco ou em nada diferem a cerca da doutrina da Trindade, por exemplo, o que no moonismo não se pode dizer o mesmo.

ORIGENS DO FUNDADOR

O Fundador da Igreja da Unificação e outras instituições vinculadas, foram idealizadas e fundadas pelo rev. Sun Myung Moon. Nascido em uma família presbiteriana de agricultores no norte da coréia em 06 de janeiro de 1920, com o nome original de Yong Myung Moon, Yong=dragão, Myung= Brilhante, mudou-se para Sun Myung = Sol Brilhante. As primeiras experiências espirituais de Moon acontecem na infância e o acompanha em toda a sua vida marcando e norteando sua atuação junto à Igreja da Unificação. As revelações recebidas por Moon são registradas e conduz a vida dos fieis seguidores. Converteu-se aos 10 anos e com 16 anos de idade, em 17 de abril de 1936 recebeu a revelação do próprio Jesus Cristo no alto de uma montanha, Jesus relata seu fracasso em cumprir a Missão e lhe incumbindo de continuá-la em seu lugar. Moon teria sido encarregado de continuar a obra messiânica de Jesus, sendo o único capaz de concluí-la. (LI, 1986, pg. 3) (Site solascriptura). Não de maneira evidente, mas veladamente as informações nos site, escritos e sermões do rev. Moon apontam para essa característica messiânica (GUARESCHI, 1990, pg. 248-49).

Parece estranho para Nam Li que Moon tenha se formado em engenharia elétrica. E apontam para a intenção de se evitar os problemas da guerra e da política imperialista vivida pela Coreia como colônia do Japão.

A política principal do imperialismo japonês com suas colônias era explorar todos os recursos naturais e enviar os jovens da colônia à guerra como “Bucha de Canhão”. (LI, 1986, pg. 03).

Contudo, após esse período de guerra, Moon inicia sua jornada de pregador da mensagem recebida por Jesus Cristo com certo êxito. Além de seu sucesso como pregador e fundador, conseguindo muitos adeptos. Quando teve problemas com a Justiça, foi preso pelo comunismo ainda jovem no final de 1948. Foi torturado e permaneceu preso até 1950, quando foi solto pela ONU. Segundo as informações dos sites da Igreja da Unificação, estas prisões são decorrentes da perseguição contra sua postura anti-comunista. Por outro lado, os pesquisadores, em sua maioria apontam para o fato de ser decorrente de problemas morais, e rituais com aspectos sexuais, bigamia e praticas sexuais licenciosas. Haja vista o fato de ter se casado 4 vezes, destes casamentos, gerou 15 filhos e mais de 40 netos. No ultimo casamento, com uma moça de 18 anos, Miss Kim. É considerado o casamento perfeito – “casamento do Cordeiro”. O Casal é considerado também Pai e Mãe do Universo, messias e verdadeiro pai. Ate sua morte, em 2012, Moon realizou obra grandiosa deixando para seus herdeiros um verdadeiro império econômico, composto com propriedades na Coréia do Sul, Estados Unidos, Uruguai, Japão e Brasil, perfazendo patrimônio estimado em 8 bilhões de dólares. (Revista Ultimato (online), 1999).

ORIGENS DA IGREJA DA UNIFICAÇÃO

A Origem da Associação do Espírito Santo para a Unificação do Cristianismo Mundial (HSA-UWC), que mais tarde tornou-se geralmente conhecida como a “Igreja da Unificação”, se deu em primeiro de maio de 1954, em Seul, Coréia. Segundo informações do site da Igreja, seu início foi muito humilde, uma choupana feita de barro, estas também são as observações dadas por Guareschi (GUARESCHI, 1990, pg.245). Isso se deu depois de um período de seis meses em uma comunidade denominada “O Mosteiro de Israel” quando teve contato com Pak Moon Kim, individuo que se auto-denominava o Messias (LI, 1986, pg. 3-4), período marcado na Coréia por expectativas de que o aparecimento de um messias era algo eminente (Site solascriptura). Foi neste período que Moon mudou seu nome, Yong Myung Moon para Sun Myung Moon, de “Dragão Brilhante” para “Sol Brilhante”.

Segundo as informações contidas nos sites da Igreja da Unificação e outros relacionados à instituição, logo nos primórdios foram empreendidos trabalhos de proselitismo em nível internacional. Em 1957, os missionários de Moon já tinham levado sua mensagem para a maioria das cidades do sul da Coréia. Ele começou, então, a receber muita oposição das Igrejas cristãs, que declaravam sua Igreja como não-cristã. Mesmo assim, o movimento continuou a se espalhar, e em 1958 estabeleceu centros no Japão e nos Estados Unidos. Durante os anos 60, outros centros também foram estabelecidos em outros países. Foram Enviados missionários para os Estados Unidos em 1959. Em 1965 Moon empreende uma ação internacional visitando uns 40 países. Dentro do contexto de expansão, o nome do tenente coronel Bo Ji Pak, foi importante personagem na propagação das idéias de Moon no continente Latino Americano. Através de forte influencia militar, foram instaladas organizações de frente anticomunistas. O próximo tópico sobre a questão do comunismo percebe-se que a expansão se deu tento como fundamentação ideológica uma ação anticomunista.

A QUESTÃO DO COMUNISMO

Segundo informações sobre a biografia do fundado da Igreja da Unificação, o rev. Moon foi preso e torturado pelo comunismo. Especificamente, não se sabe quais os motivos desta prisão; mas há pesquisadores que concordam em que as prisões de Moon foram decorrentes de comportamentos moralmente reprováveis. Ainda que os seguidores da seita apresentem outro motivo: que as prisões são decorrentes da perseguição que sofria por causa do discurso anti-comunista (LI, 1986, pg. 4). O mesmo autor, Li, apresenta ampla pesquisa sobre a questão do discurso anti-comunista. Qual seria a real intenção da Igreja da Unificação em se posicionar tão intensamente contra o Comunismo? Seria uma possibilidade de ação política, ou simplesmente uma estratégia p entrar em países e ate se aproximar de pessoas influentes da Direita política. Será que esse discurso ideológico político tem objetividade e propósito real? O que segue, pode-nos dar pistas deste comportamento.

A Igreja da Unificação vai receber e ser apoiada por Bo Ji Pak, tenente coronel de 28 anos que colabora para a expansão da seita na America Latina. O Uruguai se abriu através da intervenção do General Pak junto as lideranças uruguaias (LI, 1986, pg. 6) e o tema recorrente do comunismo fora fator importante para adesão dos uruguaios à seita considerada anti-comunista. A instalação de uma das principais organizações do Moon a CAUSA, que se segue nos países da America Latina, dão fortes indícios de que há tendência do uso da ideologia anti-comunista, pois apresenta apoio dos governos militares vinculados ao combate ao comunismo com tendência ao capitalismo. No Chile teve apoio de Pinochet. Assim sucessivamente, Paraguai, Bolívia, sendo recepcionados e apoiados por militares que lutavam contra os governos de esquerda, e eram favoráveis aos movimentos de direita. Realmente estes eventos indicam a possibilidade de que a Igreja da Unificação se utilizou da ideologia anti-comunista (GUARESCHI, 1990, pg.248) para se instalar com apoio dos governos de direita nos países latino-americanos, isso se evidencia somando-se o fato de que oficiais dos exércitos eram nomeados para liderar as organizações de Moon (LI pg.7). A “CAUSA” (Confederação de Associações para a Unidade das Sociedades Americanas) que fora instalada na Bolívia e Paraguai, eram uma das organizações pertencente a Igreja da Unificação. Em Honduras, a Igreja da Unificação através da CAUSA conseguiu êxito. O contra ataque da Igreja Católica, através da Conferência Episcopal de Honduras em 8 de abril de 1983, escrevendo um documento alertando contra as doutrinas de Moon. Esta defesa, mais uma vez evidencia a estratégia de usar o discurso anti-comunismo para desviar a atenção daqueles que se levantam contra a Igreja da Unificação.

Rigoberto Espinales, membro do Comitê de Organização da Causa, informou que o programa de doutrinamento aos universitários hondurenhos está procurando ensinar os jovens a “defender os valores da democracia ocidental e a luta contra o comunismo”. (LI, 1986, pg. 9)

Isso nos leva a considerar que Moon se aproveitou de um oficial militar bem articulado, Bo Ji Pak, um campo fértil, a situação propensa contra o comunismo, o militarismo de direita apoiado veladamente pelos Estados Unidos (USA) que tinha campanha contra a “marcha vermelha”. O trabalho de Li sobre a empreitada de Moon na America-latina, conclui que: “Toda a dinâmica do movimento se orienta em função da luta ideológica contra o comunismo” (Li, 1986, pg. 10).

Essa é também a percepção do Jornalista e pesquisador Boyer, em seu livro intitulado O Império Moon: os bastidores de uma seita impiedosa, afirma:

Vamos resumir essa longa viagem através do pensamento de Sun Myung Moon: tanto o conteúdo como a estrutura dos “princípios divinos” revelam claramente que o centro da mensagem é o anticomunismo. (BOYER, 1988, PG. 60)

Nesta perspectiva apresentada por Boyer, não apenas a estratégia, mas a alma, o pensamento de Moon era anticomunista. Pois o “princípio divino” é a base fundamental da teologia e ideologia da Igreja da Unificação.

ORIGENS DA IGREJA DA UNIFICAÇÃO NO BRASIL

As informações sobre as origens do moonismo no Brasil são contraditórias quando em comparação com as fontes oferecidas pelos sites do movimento. Para tanto colocaremos na maneira do possível, as informações dos sites e as informações que obtivermos dos pesquisadores. A intenção não é de caráter polêmico, mas apenas informativo. Desta feita, podendo incentivar maior investigação sobre estas datas. E para o pesquisador da Ciência da Religião as informações obtidas pelos participantes da religião pesquisada são consideráveis.

Testemunhos pessoais atestam, também, o específico de uma determinada religiosidade, oferecendo assim ao cientista da religião uma perspectiva singular de dentro de uma fé alheia. (Greschat 2005. Pg 55).

Segundo informações no site da Igreja da Unificação, (www.reverendomoon.com/missao) o primeiro missionário chegou em 1965 (jovem Sr. Tatsuhiko Sasaki, com 18 anos), e em 1975 é oficialmente fundada a primeira igreja da Unificação no Brasil. Destacando que Oficialmente é fundada no Brasil a primeira Igreja da Unificação em São Paulo em 23/11/1975. Sendo esta também a informação fornecida por Guareschi (1990 pg. 246). Contudo, para o pesquisador Nam Sup Li só em 1981 a Igreja da Unificação consegue se estabelecer no Brasil, por ter enfrentado forte oposição do governo, dos jornais, e das famílias que tinham seus membros influenciados e convertidos pela seita Moon. Imposição inclusive violenta, marcada por ataques de pedras e paus depredando as edificações da igreja. (LI. 1986. pg. 5).

No site com endereço http://www.reverendomoon.com/missao, intitulado, Verdadeiros Pais, Campo Sagrado – encontre-se informações sobre as fazendas que compõe as propriedades rurais da Igreja da Unificação no País. A Fazenda Nova Esperança no Mato Grosso do Sul, entre outras é a principal propriedade da seita. Contudo, Segue as datas e as sedes que também deram de certa forma base para outras ações proselitistas: foram instaladas Sedes: sendo a primeira na Rua: Luis Góis Vila Mariana, desta sede saíram missionários para Porta Alegre, Florianópolis, Curitiba e Belo Horizonte. Depois de um tempo houve a mudança de endereço; a segunda sede na Rua Itaipu; também se preocuparam em enviar missionários para sete capitais brasileiras. O terceiro endereço para a sede de São Paulo foi á Rua Eça de Queiroz, Paraíso; desta sede saíram missionários para o restante das capitais e algumas cidades do interior. Posteriormente, houve outra mudança para a rua Tamandaré, na Aclimação, sendo o endereço da quarta sede onde houve um investimento para a fundação de uma padaria. No quinto endereço, na rua Alves Ribeiro, e depois a sexta sede, sendo esta uma propriedade própria na rua Cardeal Arcoverde, Pinheiros. Desde 1996 a Igreja da Unificação tem investido no Mato Grosso, adquirindo fazendas e incentivando imigração de seus membros para o município de Jardins. Com a aquisição de fazendas, terras do pantanal e promessas de construção de hospitais. Atualmente ate time de futebol faz parte do patrimônio da Igreja da Unificação.

AS INSTITUIÇÕES DO REV. MOON.

Na introdução deste trabalho fizemos menção ao fato da dificuldade em pesquisar sobre a Igreja da Unificação, dada a variedade de instituições ligadas e subordinadas ao Rev. Moon. Além das instituições diretamente ligadas e com um perfil social/religioso. Há uma variedade de empresas principalmente na área da imprensa escrita de cunho jornalístico. A principal delas o Jornal Washington Times (BOYER, 1988, pg. 311). Na América Latina, em Buenos Aires o diário The Herald, entre outros, jornais, bancos, hotéis, empresas de turismo, etc. Desta forma confirmando a ideologia de visão materialista capitalista de direita. A seguir passa-se a relatar algumas instituições. A principal delas é A “Igreja da Unificação”, também conhecida como “Associação do Espírito Santo Para a Unificação do Cristianismo Mundial”; Amasa – “Associação Mundial de Assistência Social e Amizade”, com a função de desenvolver trabalhos na área de assistência social, ações de caridade, de ajuda e visitas; “Associação Internacional Cultural”, uma instituição que promove, organiza encontros de cunho cultural, como festivais, recreativos, lúdicos; Causa – “Confederação de Associações para a Unidade das Sociedades Americanas”, foi fundamental na atuação e instalação de organizações na America latina contra a ideologia de esquerda e o comunismo. Ela tem cunho político, promove congressos, palestras e seminários. A CAUSA substituiu a “Federação Internacional de Vitória sobre o Comunismo”, e é identificada e autenticamente a Aula: “Associação para a Unidade Latino-Americana”. Este é um exemplo da complexidade de se investigar as instituições ligadas ao rev. Moon, duas instituições com nomes diferentes, o que passa a impressão de querer dificultar a identificação ou investigação. “O Conselho Ecumênico das Religiões Mundiais” organização que trabalha para unir as igrejas e pastores no ideal de combater o comunismo (GUARESCHI, 1990, pg.247), que pode também ser uma estratégia proselitista da Igreja da Unificação, pois se reconhece como sendo o único caminho para a obra de salvação iniciada por Jesus que agora recai sobre o seu fundador, não tem dificuldades em receber pessoas de todas as religiões. Os “Campos Sagradas” são propriedades destinadas a festividade e encontros, celebrações, e estão localizadas em vários países. No Brasil, há várias propriedades: são fazendas de grande porte.

ALGUNS ASPECTOS DA DOUTRINA DE MOON

A discussão pretendida, caminha de tal forma que se faz necessário um confrontamento teológico de âmbito Cristão, pois a própria doutrina moonista se baseia em teorias bíblicas e se considera cristã. Não se pretende fazer uma discussão de valores, mas verificar se há coerência epistemológica na teologia do rev. Moon em comparação com a teologia cristã “oficial”, ou seja, que caibam dentro do cristianismo universal. Dentro do Cristianismo, as doutrina de Deus e Jesus Cristo pouco mudam, salvo algumas exceções de caráter periférico. Nem é de interesse desse trabalho uma abordagem apologética, o que de fato transparecem na maioria dos textos no Brasil sobre o Moonismo. Contudo, estes foram consultados e fazem parte da bibliografia pesquisada. Também não pretendemos esgotar toda analise cabível, pois os textos doutrinários da seita Moon são amplos e seriam necessários um período mais longo de analise para este trabalho. Por esta razão, pretende-se fazem alguns apontamentos, intencionando ser relevantes para futuras pesquisas. Sendo assim, pretende-se apresentar um trabalho preliminar no universo vasto do que se pode investigar sobre a Igreja da Unificação.

As doutrinas de Moon estão dispostas em vários textos oficiais, compostos basicamente das revelações que ele recebeu durante sua vida. “O Principio Divino” é o principal texto doutrinário; o que conseguimos utilizar neste trabalho está na terceira edição de 1994. O referido texto está estruturado em muitos capítulos e apresenta uma visão geral da fé e interpretação bíblica que será contemplada adiante, destacando-se alguns pontos para um paralelo entre a teologia de Moon e a teologia Cristã. Segundo perspectiva de CALDAS FILHO, ““O Princípio divino” é a revelação complementar à Bíblia e superior a ela” (1999, pg. 02). Há também um documento de aspecto familiar, “Juramento da Família” que deve ser recitado pelas famílias para se criar uma esfera espiritual de harmonia, paz e prosperidade. Apresentando assim um caráter místico e mágico em sua utilização. “O Juramento do Sagrado Matrimônio” – um pequeno texto com quatro juramentos é utilizado nas cerimônias, mas também como base, aspecto e funcionalidade doutrinária. Os “discursos” na abertura de eventos, cerimônias de posse de propriedades adquiridas, “sermões” do rev. Moon e de sua esposa Hak, estão disponíveis nos sites para serem lidos e observados por seguidores, simpatizantes e visitantes. Outras obras como “Cidadão do Mundo que Ama a Paz”, uma auto-biografia com edição em 2010. E outra obra intitulada “Caminho da Vontade de Deus”. Estas obras seriam interessante e deveriam ser objeto da ciência da religião para aprofundamento do pensamento do moonismo. Textos estes que não foram contemplados neste trabalho.

Os apontamentos a seguir, numa tentativa de compreender as concepções Teológicas da Igreja da Unificação não tem a intenção de esgotar um assunto tão profundo e complexo. As discussões teológicas de cunho cristão são tão extensas como a própria História da humanidade, ou seja, temas teológicos, religião fazem parte da historia da humanidade. E reafirmando, a comparação com a teologia oficial do cristianismo que abrangem um número considerável de tradições distintas, não tem caráter apologético.

Algumas considerações em relação à Criação. Pode-se perceber que a teologia de Moon tenta explicar a realidade humana de bondade e maldade a partir das figuras de Abel e Caim, sendo que Deus havia escolhido Abel como portador da bênção de Deus para a restauração da Humanidade tendo que inclusive convencer Caim a aceitar esta vontade divina (BOYER, 1988, pg. 55). Ainda em relação à da humanidade, Caim seria fruto da relação sexual entre Eva e Satanás o que dera origem a humanidade caída (Revista Ultimato (online), 1999). Dentro desta concepção de que Deus se estabelece e rege o mundo através do ato criador, o primeiro Adão fracassou; o segundo Adão (Jesus) também por não ter se casado e gerado uma família; e o terceiro Adão, o que tudo indica seria ele (Moon) e sua esposa, reconhecidos como “Verdadeiro Pai” e “Verdadeira Mãe”, os enviados de Deus para restaurar por completo a humanidade caída, esta é também a compreensão ideologia messiânica da Igreja da Unificação. O Fato é que rev. Moon não afirma isso diretamente, mas indiretamente e através dos fieis, há forte indicação de ser ele o messias que havia de surgir depois de 2000 anos após Jesus Cristo na Coréia (GUARESCHI, 1990, pg.249); o terceiro Adão que continuaria a missão que Jesus não conseguiu estabelecendo uma família perfeita, sendo e ele o progenitor.

Parece residir na concepção da doutrina da criação de Moon, o fato de Satanás ser de certa forma co-participante na criação humana (no ato de gerar junto com Eva a Caim). Para a teologia cristã a queda é conseqüência da desobediência a vontade de Deus e não uma geração produzida através de relação sexual indevida entre a mulher e satanás. O que de fato não reside na teologia Cristã. Segue alguns textos de perspectivas cristãs para um paralelo:

A Transgressão. O pecado não residia na árvore, mero instrumento de teste à fidelidade e à obediência, mas na transgressão do mandamento divino: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”( Gn 2. 16, 17). O pecado foi, na sua origem, e continua sendo, transgressão da lei de Deus. A tentação despertou no homem o egoísmo, a cobiça e a incredulidade, vícios psicológicos e morais degradantes, que o levaram à insubmissão, à infidelidade, à traição e à rebeldia, resultando no rompimento do pacto estabelecido entre Deus e a humanidade. (Catecismo Maior Westminster)

A Teologia Católica também se firma na mesma compreensão, de que o pecado original da humanidade aconteceu por meio da desobediência à orientação divina, que fora criado para ser livre, e deixou de confiar em Deus para seguir suas próprias decisões influenciadas pelo tentador:

Tentado pelo Diabo, o homem deixou morrer no coração a confiança no seu Criador (273). Abusando da liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Nisso consistiu o primeiro pecado do homem (274). Daí em diante, todo o pecado será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança na sua bondade. (Site Vatican, Parágrafo 7art. 397).

Ao observamos a compreensão a cerca de Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo, o conceito de Trindade, percebe-se também um distanciamento da teologia Cristã reconhecidamente universal.

Segundo a compreensão que Moon apresenta a cerca de Jesus, a revelação que recebeu do próprio Cristo, parece ser mais um evento espiritualista, no sentido de contato com espírito morto do que uma teofania (termo utilizado pela teologia), o contato de uma divindade com um ser humano.

Com a plenitude do tempo, Deus enviou uma pessoa a esta Terra para resolver os problemas fundamentais da vida humana e do universo. Seu nome é Sun Myung Moon. Ele lutou sozinho contra milhões de maus espíritos, tanto no mundo espiritual como no mundo físico e triunfou sobre todos eles. Através de uma íntima comunhão espiritual com Deus e encontrando-se com Jesus e muitos santos no Paraíso, ele desvendou todos os segredos do Céu. (Princípio Divino pg. 13)

Para Moon Jesus não conseguiu realizar sua obra salvífica, sendo a cruz um fracasso, pois Jesus deveria dentro de sua concepção teológica, casar-se para restaura a humanidade caída, gerando filhos abençoados, sendo que através destes filhos promoveria a salvação da humanidade (GUARESCHI, 1990, pg.248). Esta construção acaba por justificar seu chamado e eleição, pois a partir do fracasso de Jesus ele foi enviado a realizar esta obra. Por esta razão, tanto Moon como sua esposa são considerados pelos fieis como “Verdadeiro Pai” e “Verdadeira Mãe”. Como a morte de Jesus foi um fracasso, a crucificação perde sentido de morte vicária, o sacrifício de Jesus em lugar dos Pecadores, e a ressurreição recebe uma roupagem diferente sendo um processo de retorno gradual ao estado original do paraíso (GUARESCHI, 1990, pg.248).

Para a Teologia Cristã o sacrifício de Jesus remete a justiça divina que exigia a condenação pelo pecador, mas por seu amor imenso, o próprio Deus se oferece para pagar a dívida humana: sacrifício vicário. Para o Catecismo Maior de Westminster, esta idéia faz parte da teologia da graça e este ato foi planejado por Deus e não um mero erro, ou fracasso.

Somente Deus é o único planejador, promotor e executor unilateral do pacto da graça, competindo ao homem, se eleito, responder por meio do dom da fé salvadora, também uma graciosa concessão divina (Catecismo Maior Westminster).

Esta também é essência do Catolicismo Romano, e das muitas igrejas decorrentes do Cristianismo Bíblico. A analise, tende a mostras que a compreensão de Moon pode fazer menção à Bíblia, mas não segue uma linha de interpretação ligada à tradição Cristã e nem a critérios e pressupostos epistemológicos da teologia cristã. Não verdade há um distanciamento considerável. No catecismo da Igreja Católica podemos encontrar a seguinte definição:

O Verbo fez-Se carne para nos salvar, reconciliando-nos com Deus: «Foi Deus que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados» (1 Jo.4, 10). «O Pai enviou o Filho como salvador do mundo» (1 Jo.4, 14). «E Ele veio para tirar os pecados» (1 Jo.3, 5). (Site Vatican, Art 3 Parágrafo 1, 457)

A teologia de Moon segue ainda fazendo considerações sobre Jesus, e o classifica como mero homem enviado para restaurar a humanidade (o segundo Adão) através da geração de filhos e da família e não do sacrifico e revelação do amor de Deus. Além de casar e completar sua obra instituindo a família perfeita. Deveria ser aceito pelos judeus e ter estabelecido o reino poderoso de Israel. Neste ponto, por exemplo, a idéia esta mais próxima do Islamismo do que do Cristianismo que considera Jesus Cristo um “profeta diferenciado”, ou ate mesmo do Espiritismo um “espírito elevado”. Esta é uma discussão antiga registrada pelos primeiros concílios da Igreja sobre a divindade de Jesus (Concílios Nicéia 325 e Éfeso 431). Considerando Jesus como ser humano apenas, a teologia da ressurreição, ou a própria ressurreição não é reconhecida. Nestes termos, além de não desconsiderar os textos bíblicos que relatam a ressurreição, Moon também não consideram os documentos históricos da Igreja que em seus primórdios discutiu estas questões e estabeleceu confissões de fé a partir dos concílios que produziram documentos oficiais. Para o Cristianismo o papel de Cristo é central em sua teologia e revelação; segundo testemunho bíblico todas as coisas convergem para o Filho de Deus.

A construção teológica de Moon desta forma também desqualifica o conceito de Trindade, pois não aceita Jesus como Deus, e faz um relato humano e enfraquecido do próprio Deus, o que deveria ser compreensível na perspectiva do Jesus Histórico.

Em relação a Deus, a ideia e a teologia de Moon se apresentam bastante complexa e confusa. Usando conceitos como essência e natureza para falar das características de Deus, afirmando conclusivamente que através das obras da criação de Deus, o Criador pode ser conhecido, pode-se conhecer a natureza divina.

Assim como uma obra de arte manifesta, de forma concreta, a natureza invisível de seu criador, no universo criado tudo é uma manifestação substancial da natureza divina do Criador invisível. Como tal, cada obra criada mantém uma relação com Deus. Assim como se pode conhecer o caráter de um artista através de suas obras, também é possível conhecer a natureza de Deus observando os diversos seres da Criação. (Princípio Divino, pg. 18.)

Neste sentido parece que Deus no pensamento de Moon, se limita a Criação Divina, pois sua natureza pode ser compreendida e conhecida por meio dela. Contudo, esta não é a compreensão Cristã. Para os Reformados, Deus esta além da sua criação, ela não se confunde, mas aponta de certa forma para o Deus Criador:

“Quem é Deus? Resposta: Deus é Espírito (4.24), em si e por si infinito em seu ser (I Rs 8. 27), glória, bem-aventurança e perfeição (Ex 3. 14); todo-suficiente (At 17. 24, 25), eterno ( Sl 90. 2), imutável (Ml 3. 6), insondável ( Rm 11. 33), onipresente ( Jr 23. 24), onipresente (Ap 4. 8), infinito em poder, ( Hb 4. 13), sabedoria (Rm 16. 27), santidade ( Is 6. 3), justiça ( Dt 32. 4), misericórdia e clemência, longânimo e cheio de bondade e verdade”(Ex. 34. 6). (Catecismo Maior Westminster).

E de todo o mundo material, o único que revela Deus de maneira plena é Jesus Cristo, e este não pertence á criação, pois foi gerado de Deus, sendo o próprio Deus segundo a teologia cristã.

Os exemplos relacionados são suficientes para apontar as características da teologia de Moon, ou seja, ela não tem lastro com a doutrina histórica do Cristianismo, não atende aos critérios metodológicos das ciências teológicas e justifica-se pelo fato de que tudo o que escreve, anuncia, o que compõe as doutrinas da Igreja da Unificação, vem da revelação direta de Deus dada a Moon, por esta razão apresenta caráter inédito e exclusivo. Tudo indica que a Bíblia não é considerada como fonte, sendo ultrapassas e superadas pelas revelações dadas a Moon.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uma das coisas que chama a atenção no trabalho de pesquisa empreendido sobre a Igreja da Unificação foi o fato de não encontrar-se referencia bibliográfica sobre o assunto. Levantaram-se dúvidas por que no Brasil há pouco material sobre este objeto religioso sendo ele expressivo no Brasil e no mundo e com forte influencia na sociedade. Contudo, não foi objetivo responder sobre a falta de trabalhos consideráveis de pesquisa sobre a Igreja da Unificação. O campo é próspero como sendo campo de pesquisa para ciências da religião. Há presença da Igreja da Unificação podem ser percebida através e na atuação em empresas de jornais, bancos, uma forte participação política com um discurso anti-comunista de direita e favorável ao capitalismo. Apresenta sistema de doutrina e comunidades distintas com uma maneira de viver complexa.

O trabalho apresentado não pretende ser conclusivo, mas apenas um apontamento na direção de um objeto ainda com muitas faces a serem desvendadas.

Há possibilidades de trabalhos específicos sobre as doutrinas da Igreja da Unificação. Os aspectos sociais relacionados à família e as comunidades estabelecidas. Características políticas fortemente relacionadas á visão anti-comunista a serem aprofundadas. Há questões sobre a visão capitalista e do ideal de prosperidade em comparação a teologia da prosperidade poderiam ser objeto de pesquisa. A possibilidade de se busca qual seriam as diretrizes a Igreja da Unificação após a morte de seu Messias, Rev. Moon em 2012, e se ele é considerado um fracassado, pois não conseguiu cumprir com a missão de regeneração e unificação de todos os povos, ou qual a perspectiva da teologia e justificativa de sua morte. Um estudo específico também sobre o Messianismo poderia ser empreendido.

São hipóteses e questões que ainda podem ser investigadas e contempladas pelo estudo desta organização que se estabelece com um discurso messiânico, político ideológico e forte presença na sociedade.

REFERÊNCIAS

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Vídeo

https://www.youtube.com/watch?v=UEVKWm8BQuE – ex moonies

https://www.youtube.com/watch?v=K915uHTRIZs –

[1] Graduação em Teologia pelo Seminário Teológico de Londrina PR da IPIB (curso livre). Graduação em História, Faculdades Integradas Rui Barbosa FIRB, Sistema Objetivo, de Andradina SP. Especialização em Ministérios Urbanos, Seminário de Londrina (curso livre) mestrando em Ciências da Religião pelo Programa de Pós Graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Enviado: Novembro, 2018

Aprovado: Novembro, 2018

 

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