O Cuidado com o Cuidador: Uma Experiência com o Cuidador dos Pacientes Internados no Pronto Socorro Clóvis Sarinho [1]

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SILVA, Raquel Chianca [2], CAVALCANTI, Carmen Suely de Miranda [3]

SILVA, Raquel Chianca; CAVALCANTI, Carmen Suely de Miranda. O Cuidado com o Cuidador: Uma Experiência com o Cuidador dos Pacientes Internados no Pronto Socorro Clóvis Sarinho. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 06, Vol. 07, pp. 59-80, Junho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

Objetiva analisar a importância da atuação do Serviço Social junto ao cuidador do paciente internado no Pronto Socorro Clovis Sarinho. A análise se fundamenta na experiência de estágio no Pronto Socorro Clóvis Sarinho, instituição de saúde vinculada ao Sistema Único de Saúde que integra o Complexo Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel/ Pronto Socorro Clovis Sarinho (CHMWG/PSCS). A intervenção desenvolvida teve como objetivo trabalhar a qualidade de vida desse cuidador. O exercício físico foi o meio utilizado para despertar a importância da qualidade de vida. Utilizou-se para construção deste artigo de pesquisa documental e bibliográfica, envolvendo discussões que privilegiaram a política de saúde, a atuação do Serviço Social no âmbito da saúde, a discussão sobre acompanhante no contexto da Política Nacional de Humanização, entre outras discussões necessárias. Entre os autores destacam-se Trindade (2001), Lopes (2009), Guerra (2000). Ainda constituiu fonte de pesquisa os dados obtidos através da observação cotidiana do fazer profissional. Conclui sobre a importância de direcionar maior atenção ao cuidador de pacientes hospitalizados no CHMWG/PSCS; quer seja na preservação do bem-estar do acompanhante, quer seja na preservação do bem-estar do paciente, contribuindo para uma vida saudável e na prevenção das doenças crônicas não transmissíveis.

Palavras-chave: Serviço Social, Cuidador, Atividade Física.

1. Introdução

O presente artigo tem como objetivo analisar a importância da atuação do Serviço Social junto ao cuidador do paciente internado no Pronto Socorro Clóvis Sarinho. O foco da análise foi a experiência de estágio em Serviço Social com acompanhantes de pacientes internados na Observação Clínica do Pronto Socorro Clóvis Sarinho (PSCS). Parte-se do entendimento que discutir a atuação profissional num serviço desta natureza requer pensar num conjunto de condições que informam o processamento da atenção em saúde.

O interesse pelo estudo com os cuidadores dos pacientes surgiu a partir da observação realizada durante o estágio em Serviço Social no Complexo[4] Hospitalar Monsenhor Walfredo Gurgel\ Pronto Socorro Clóvis Sarinho (CHMWG/PSCS), hospital de urgência e emergência da cidade Natal. Especificamente, a intervenção se desenvolveu no Pronto Socorro Clóvis Sarinho – Observação I e II – espaços que atendem pacientes que dão entrada no Pronto Socorro e aguardam os procedimentos decorrentes desse atendimento. Os pacientes atendidos neste setor permanecem em observação e/ou são liberados por alta médica, ou seguem para Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), Centro Cirúrgico ou seguem para as enfermarias do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. Existem ainda pacientes que são transferidos para o Hospital João Machado que se configura como hospital de retaguarda.

Neste espaço são atendidas as clínicas de ortopedia, clínica médica, crônicos, cardiovascular, entre outros. Atende idosos (na grande maioria), jovens, homens e mulheres. Durante todo período que permanecem neste setor o paciente tem direito a um acompanhante.

Durante o estágio em Serviço Social no Pronto Socorro Clóvis Sarinho identificaram uma realidade caracterizada por significativo número de pacientes idosos acometidos por doenças crônicas. Estes pacientes permanecem, neste setor, em condições difíceis. Em macas nos corredores ou em enfermarias superlotadas. Seus cuidadores ou permanecem em pé ao lado das macas, ou, quando muito, passam a noite sentados em cadeiras desconfortáveis.

Essa realidade nos chamou a atenção na medida em que cuidar do outro exige um autocuidado. Este cuidar é atenção, precaução, cautela, dedicação, carinho, encargo e responsabilidade. Cuidar é servir, é oferecer ao outro, em forma de serviço, o resultado de seus talentos, preparo e escolhas; é praticar o cuidado.

Considerando esta problemática direcionamos nossa intervenção na perspectiva do cuidador. A proposta interventiva teve como objetivo despertar para a importância da qualidade de vida do cuidador como forma de garantir o cuidado com o paciente. O exercício físico foi o meio utilizado para despertar essa importância.  Partilhamos da ideia que a atividade física é um instrumento de grande relevância, não somente para a promoção da saúde, como também, para a prevenção das doenças crônicas. Essa experiência exitosa de estágio nos motivou a desenvolver, como objeto deste artigo, a análise da mesma.

Para atingir os objetivos propostos o artigo está estruturado em três seções, além da Introdução e Considerações Finais. A segunda seção apresenta o CHMWG/PSCS situando-o no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS); a terceira seção situa o Serviço Social no contexto do CHMWG/PSCS analisando atribuições e competências na área da saúde; na quarta seção o enfoque se volta para o objeto de estudo, a saber, a atuação do Serviço Social no cuidado com o cuidador a partir da análise da intervenção realizada junto aos cuidadores dos pacientes internados no Pronto Socorro Clóvis Sarinho. A intervenção realizada junto ao cuidador é objeto de análise nesta seção do artigo.

Os procedimentos metodológicos utilizados na construção do artigo constaram de pesquisa documental e bibliográfica, envolvendo discussões que privilegiaram a política de saúde, a atuação do Serviço Social no âmbito da saúde, a discussão sobre acompanhante no contexto da Política Nacional de Humanização, entre outras discussões necessárias. Entre os autores destacam-se Trindade (2001), Lopes (2009), Guerra (2000). Ainda constituiu fonte de pesquisa os dados obtidos através da observação cotidiana do fazer profissional.

Destacamos a importância de direcionar maior atenção ao cuidador dos pacientes hospitalizados no CHMWG/PSCS; quer seja na preservação do bem-estar deste cuidador e do paciente, contribuindo para uma vida saudável e na prevenção das doenças crônicas não transmissíveis.

2. O complexo hospitalar monsenhor Walfredo Gurgel/pronto socorro Clóvis Sarinho no contexto do sistema único de saúde

Iniciamos nossa reflexão contextualizando o espaço institucional em que se desenvolveu no estágio. Tal contextualização justifica-se na medida em que, como dissemos acima, a experiência de estágio passou a se constituir como objeto de estudo.

As atividades do CHMWG/PSCS foram iniciadas com a inauguração do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HMWG) em 14 de março de 1971, neste momento recebeu a denominação de Hospital Geral e Pronto Socorro de Natal. Suas atividades foram iniciadas em 31 de março de 1973, quando passou a se chamar de Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel em homenagem ao então governador do Estado do Rio Grande do Norte[5]. Atualmente, encontra-se localizado na Avenida Senador Salgado Filho, Tirol na cidade Natal\RN.

É uma instituição de natureza pública vinculada à política nacional de saúde e, consequentemente, integra o Sistema Único de Saúde (SUS). Para nos situarmos acerca dessa natureza é fundamental discutir alguns pontos fundamentais acerca da constituição do SUS.

A saúde no Brasil teve no Movimento da Reforma Sanitária[6], datado da década de 1980, um divisor de águas. Um dos resultados e estratégias desse Movimento foi à construção do Sistema Único de Saúde (SUS). Um sistema que foi resultado de lutas e mobilização dos profissionais de Saúde, articulados ao movimento popular.

É importante considerar que a luta que desembocou no SUS foi permeada por uma participação fundamental das entidades representativas da população: moradores, sindicatos, partidos políticos, associações de profissionais e parlamento. Fruto dessa luta encontra-se claramente explícito em 1988 na Constituição Federal do Brasil, que por sua vez considera a saúde conforme seu artigo 196 como:

Direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem á redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário ás ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. (BRASIL, 1988)

Nesse sentido, a saúde é prevista do ponto de vista constitucional, como um direito que em tese é assegurado aos cidadãos brasileiros. Por conseguinte, a Lei Orgânica da Saúde (LOS) nº 8.080 de 1993 respalda os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) quais sejam:

I – Universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência;

II – Integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema;

III – Preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral;

IV – Igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie;

V – Direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde;

VI – Divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário;

VII – Utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos e a orientação programática;

VIII – Participação da comunidade. (BRASIL, 1990).

No contexto do SUS, o CHMWG/PSCS é o único hospital da região metropolitana de Natal voltado ao atendimento de urgência e emergência. De acordo com Lopes (2009) o surgimento dos serviços de atenção a urgências e emergências é datado do início do século XX. No entanto, só em 2002, através da Portaria GM 2048/2002 (BRASIL, 2006) foram estabelecidas as normas para a organização dos serviços públicos e privados de atenção às urgências. Todavia o fortalecimento desses serviços só se efetivou a partir da Portaria GM 1600/20111 (BRASIL, 2006; 2011)[7] que instituiu a Política Nacional de Atenção às Urgência.

Trabalhando em consonância com as diretrizes da Política Nacional de Atenção às Urgências, o CHMWG/PSCS é o único hospital da região metropolitana de Natal de alta complexidade[8]; contando com os serviços de queimados, ortopedia, neurologia e neurocirurgia. É um complexo hospitalar que possui estrutura para 284 leitos, destes 45 são da UTI, distribuídos entre Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel e Pronto Socorro Clovis Sarinho, destinados ao atendimento em diversas especialidades, como clinica medica, cirurgia geral, cardiologia e ortopedia.

Importante, ainda, para entender a dinâmica de funcionamento do CHMWG/PSCS, situá-lo no contexto da classificação das unidades de atendimento em urgência e emergência preconizada pela Portaria 2048/2002, que institui o regulamento técnico dos Sistemas de Urgência e Emergência. De acordo com esta Portaria as unidades de atendimento em urgência e emergência são classificadas em dois tipos: Unidades Hospitalares de Atendimento em Urgência e Emergência[9] e Unidades de Referência.

Neste estudo, as Unidades de Referência são aquelas instaladas em hospitais, gerais ou especializados, aptos a prestarem assistência de urgência e emergência de média complexidade[10] e de terceiro nível e à alta complexidade. É enquanto Unidade de Referência que está situado o CHMWG/PSCS.

De acordo com Leal e Alves et al (2016, p. 3-4) as Unidades de Referência também são divididas em tipos, como segue:

a) Tipo I: são instaladas em hospitais especializados e efetuam atendimento das urgências/emergências de natureza clínica e cirúrgica, nas áreas de pediatria ou traumato-ortopedia ou cardiologia;
b) Tipo II: são aquelas instaladas em hospitais gerais; visa atendimento das urgências/emergências de natureza clínica e cirúrgica;
c) Tipo III: estão instaladas em hospitais gerais e efetuam atendimento de natureza clínica, cirúrgica e traumatológica.

Analisando essa divisão podemos classificar o CHMWG/PSCS enquanto uma Unidade de Referência do Tipo III uma vez se configurar como uma Unidade instalada em hospital geral e que efetua atendimento de natureza clínica, cirúrgica e traumatológica.

A normalização desta política tem o funcionamento desses serviços que requer uma equipe multiprofissional[11] mínima indispensável, presente e capacitada para atendimento às urgências e emergências nas suas áreas específicas de atuação profissional. Como membro desta equipe destaca-se o Assistente Social.

É importante considerar que apesar de vivenciar inúmeras dificuldades de ordem estrutural como é o caso da insuficiência das ambulâncias, número de médicos plantonistas reduzidos, insuficiência de profissionais de áreas diversificadas, falta de leitos em virtude da superlotação que o caracteriza, o CHMWG/PSCS se constitui como uma das maiores referências no âmbito do atendimento à saúde no Estado do RN.  Destaque-se que nas condições em que se encontram os serviços de saúde no país, se torna desafiador relacionar o que preconiza o SUS no que diz respeito à garantia da saúde como direito, com as atuais condições de acesso e uso desses serviços no âmbito do SUS, caracterizados pela “superlotação, escassez de recursos humanos e materiais, inadequação entre a oferta e a demanda de cuidados médicos de urgência”. (GIGLIO-JACQUEMOT, 2005, p. 13).

Uma vez inserido o CHMWG/PSCS no contexto do SUS, passamos a situar sua estrutura de funcionamento. Esta, durante o período em que realizamos nosso estágio, era composta pelos seguintes setores: o Pronto Socorro Clóvis Sarinho com a seguinte estrutura – Atendimento clinico I\II; Observação III box; Politrauma e observação; UTI geral; UTI Pediátrica; Centro de Recuperação. O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel apresentando na sua estrutura: quatro (4) Enfermarias; uma (1) UTI Cardiológica; uma (1) UTI geral (Bernadete); um (1) Centro de Tratamento de Queimados (CTQ).

Atendendo as diretrizes da Política Nacional de Saúde, o CHMWG/PSCS dispunha, naquela ocasião, de uma equipe interprofissional composta de 1.800 funcionários, dos quais cerca de 200 são de empresas terceirizadas[12]. A equipe de plantão permanente era composta por 30 médicos em cada turno e profissionais que podiam ter seus serviços solicitados a qualquer momento.

Em julho de 2003, o hospital foi inserido no Sistema Integrado de Administração Financeira do Estado, conquistando autonomia para planejar e executar despesas relativas ao seu abastecimento e à manutenção da estrutura. Atualmente, é possível a manutenção permanente dos equipamentos graças a um contrato assinado com 17 empresas terceirizadas, abrangendo desde tomógrafos e aparelhos de raio-x a máquinas da lavanderia, cozinha e elevadores. (PSCS, 2015)

De acordo com o Portal CHMWG/PSCS a missão da instituição é:

Oferecer atendimento hospitalar de referência a crianças e adultos em situação de emergências clinicas, cirurgias e agravos de causas externas, em especial ao trauma e contribuir para a formação e qualificação de recursos humanos em saúde à luz dos valores éticos e humanitários. (HMWG, PSCS, 2015)

Tem como visão, “o reconhecimento da sociedade pela prestação de serviços de referência com elevada qualidade, nas suas dimensões mais relevantes, na área da assistência hospitalar e no ensino em saúde”. (HMWG- PSCS, 2015)

Considerando o período de estágio, o CHMWG contava com os seguintes departamentos: Direção do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel e Pronto Socorro Clovis Sarinho; Coordenação do Núcleo de Vigilância em Saúde; Direção Médica do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel e Diretoria Administrativa e financeira Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel.

Entre os programas e projetos desenvolvidos no Complexo merece destaque o Programa Classe Hospitalar e o Núcleo de Acesso e Qualidade Hospitalar (NAQH). Vejamos a seguir as especificidades de cada um desses projetos.

O Programa Classe Hospitalar foi implantado há quase dois anos, atendendo crianças na faixa etária dos 2 aos 14 anos. Já foram atendidas mais de 300 crianças. Tem como objetivo principal minimizar os prejuízos letivos ocasionados durante o afastamento da escola, devido à necessidade de internamento em uma unidade hospitalar. Possui uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME) e beneficia pacientes internos na enfermaria pediátrica do terceiro andar e no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ).

Já o Núcleo de Acesso e Qualidade Hospitalar, atua junto aos servidores de cada setor do HMWG. Este tem como objetivo colher informações, avaliar os dados obtidos e aplicar ações visando à elevação da assistência hospitalar, integrando os funcionários a uma nova metodologia de trabalho (PSCS, 2015).

Destacam-se entre as realizações do Núcleo a implantação do Kanban[13], as oficinas de esclarecimento da política do Programa SOS Emergência[14], a elaboração dos fluxos de atendimento por especialidade e a adoção do Protocolo de Manchester[15]. Juntas, estas ações mudaram parâmetros e deram uma nova cara a forma de acolher e assistir os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) No Complexo Hospitalar.

A seguir, passamos a situar o Serviço Social no contexto do Complexo Hospitalar Monsenhor Walfredo Gurgel/Pronto Socorro Clóvis Sarinho.

3. O serviço social no complexo hospitalar monsenhor Walfredo Gurgel/ pronto socorro Clovis Sarinho

O Serviço Social, conforme Iamamoto (2009, p. 22), é “uma especialização do trabalho, uma profissão particular inscrita na divisão social e técnica do trabalho coletivo da sociedade”. Tem como objeto de intervenção a questão social que conforme explicita a autora:

[…] não é senão as expressões do processo de formação e desenvolvimento da classe operária e seu ingresso no cenário político da sociedade, exigindo seu reconhecimento como classe por parte do empresariado e do Estado. (IAMAMOTO; CARVALHO, 2009, p. 77).

E uma profissão que possui um projeto ético político que visa direcionar a categoria profissional, na contemporaneidade, assumindo um compromisso societário, democrático, apoiando as lutas sociais, movimentos sociais, com intuito de orientar os cidadãos sobre os seus direitos e deveres, respaldados pela Constituição Federal de 1988.

De acordo com o Código de Ética do Assistente Social são vários os princípios fundamentais da profissão, entre os quais se destacam:

VI. Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças;

VII. Garantia do pluralismo, através do respeito ás correntes profissionais democráticas existentes e suas expressões teóricas e compromisso com o constante aprimoramento intelectual;

VIII. Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero;

X. Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional;

XI. Exercício do Serviço Social sem ser discriminado/a, nem discriminar, por questões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação sexual, identidade de gênero, idade condição física. (CFESS, 1993, p.23-24).

Importante registrar que o Assistente Social é um profissional generalista atuando em vários espaços sócio ocupacionais, entre outros: saúde, previdência social, assistência social, educação.

Especificando a área da saúde, pode-se considerar que sua inserção se dá junto a empresas públicas e privadas. Atua em parceria com outros profissionais, procurando garantir o cumprimento de direitos dos usuários, por vezes negligenciados, pelo sistema de saúde pública. Seu trabalho está voltado para a promoção da emancipação do usuário, para que possam ser agente no processo de mudança de sua própria realidade.

Por outro lado, com a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS):

[…] mudanças de ordens tecnológica, organizacional e politicas passaram a exigir novas formas de organização do trabalho, determinadas pela hierarquização por nível de complexidade, realidade que vem requerendo do profissional de Serviço Social atribuições e competências para lhe dar com um novo formato de políticas públicas, nesse caso específico, nas políticas de saúde. (COSTA, 2009, p. 41).

As ações profissionais dos assistentes sociais são viabilizadas, especialmente, através do marco conceitual da promoção da saúde e de pautas programáticas expressas pelo Ministério da Saúde (2006), dentre as quais se destacam:

Valorização da dimensão subjetiva e social em todas as praticas de atenção e gestão no SUS, fortalecendo o compromisso com os direitos do cidadão, destacando-se o respeito às questões de gênero, etnia, raça, orientação sexual e às populações especificas (índios, quilombolas, ribeirinhos, assentados e etc.);

Fortalecimento de trabalho em equipe multiprofissional, fomentando a transversalidade e a grupalidade;

Apoio à construção de redes cooperativas, solidárias e comprometidas com a produção de saúde e com a produção de sujeitos;

Construção de autonomia e protagonismo dos sujeitos e coletivos implicados na rede do SUS;

Corresponsabilidade desses sujeitos nos processos de gestão e atenção;

Fortalecimento do controle social caráter participativo em todas as instâncias gestoras do SUS;

Compromisso com a democratização das relações de trabalho e valorização dos profissionais de saúde, estimulando processos de educação permanente. (MINISTÉRIO DE SAÚDE, 2006, p. 125).

Na visão de Vasconcelos (2002), o Assistente Social atuando no contexto da saúde busca a ruptura com práticas assistencialistas e focalizadas que reproduzem os valores dominantes que prioriza a relação médico e paciente, onde a finalidade é a cura das doenças. Deve ainda, reconhecer a instituição como um espaço contraditório de luta, para poder desocultar as relações de dominação, e estabelecer estratégias para enfrentar os limites impostos por ela.

Nesse sentido cabe ao profissional do Serviço Social está capacitado metodológica, política e eticamente, sobretudo no âmbito da política de saúde. Deve levar em conta, para o desenvolvimento de suas ações, as atribuições e competências que lhes são inerentes, respaldadas pelo Código de Ética Profissional, pela Lei que Regulamenta a Profissão, Lei nº 8.662 de 1993 e, por fim, pelas legislações que o\a assistente social necessita utilizar no seu cotidiano profissional, entre elas: Constituição Federal do Brasil de 1988, a Lei Maria da Penha, Estatuto do Idoso e de Criança e Adolescente, Leis Trabalhista, Parâmetros para Atuação do Assistente Social na área da Saúde, entre outros.

No exercício profissional, nesta área, os profissionais de Serviço Social utilizam alguns instrumentais no âmbito da instrumentalidade que são indispensáveis para sua prática de intervenção. De acordo com Guerra (2000), a instrumentalidade é uma propriedade sócio histórica da profissão, por possibilitar o atendimento das demandas e o alcance de objetivos profissionais e sociais. Constitui-se numa condição concreta de reconhecimento social da profissão, pois vai ser através de todo um conjunto de conhecimentos e técnicas que se terá um resultado mais eficaz perante a demanda recebida.

Segundo Trindade (2001), os profissionais acionam o instrumental técnico-operativo que constitui um conjunto de instrumentos e técnicas diferente daquele utilizado na esfera da produção material, cuja base é a transformação de objetos materiais. Entre os instrumentais técnicos operativos que a assistente social do CHMWG/PSCS utiliza pode-se elencar:

  1. Visita diária ao paciente internado (censo): visita realizada diariamente leito a leito, com o objetivo de verificar o controle da ocupação de leitos e vagas, como também ouvir os usuários e orientá-los conforme as normas a serem seguidas, bem como a verificação das copias de documentos pessoais dos pacientes nos prontuários;
  2. Orientações de normas a serem seguidas pelos acompanhantes. Orientações acerca da prevenção de doenças contagiosas que são presentes no setor hospitalar;
  3. Entrevista social realizada em sua maioria aos usuários com intuito de preencher a ficha de acompanhamento social para ter informações sobre o\a paciente que ira realizar o internamento no hospital;
  4. Orientações de Benefícios Sociais como é o caso do Seguro de Dados Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT), exames, Cartão do SUS, entre outros;
  5. Informações sobre o estado do paciente aos familiares no setor, politrauma, UTI, Centro de Recuperação (CRO);
  6. Cadastro do acompanhante, ação que garante a permanência do acompanhante/cuidador junto ao paciente, durante o período de internamento;
  7. Liberação de Declaração de Óbito, que é preenchida pelo médico e entregue no Serviço Social para liberação do corpo e encaminhamento dos familiares para o 4º Cartório oficial;
  8. Informação de alta aos familiares, bem como solicitação de carros para pacientes que precisam e não tem condições próprias para se locomover.

Como se pode perceber, os instrumentais são essenciais em qualquer processo racional de intervenção, no entanto, são construídos a partir das finalidades estabelecidas no planejamento da ação realizada pelo Assistente Social. É importante ter a compreensão que para localizarmos o lugar ocupado pelos instrumentos de trabalho é necessário saber quais são os objetivos profissionais, levando sempre em consideração que eles são construídos a partir de uma reflexão teórica, ética e política.

Conforme já elucidado as atribuições e competências[16] dos profissionais de Serviço Social são norteadas e orientadas pelos diretos e deveres do Código de Ética profissional e a Lei de Regulamentação da profissão nº 8.662.

O Serviço Social no CHMWG/PSCS é a porta de entrada para os usuários e seus familiares, acompanhantes e/ou cuidadores. O quadro de assistentes sociais, durante nosso período de estágio, era composto por 30 assistentes sociais que dividiam suas atividades entre o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel e o Pronto Socorro Clovis. Todas as profissionais em atuação eram do sexo feminino trabalhando em sistema de escala, ou seja, plantão[17].

Vale salientar que, o\a profissional se depara constantemente com a burocratização, precarização e sucateamento da política de saúde, contudo é diante dessas limitações que o profissional é convidado a atuar e traçar estratégias para o atendimento de qualidade e de forma resolutiva aos usuários.

É pertinente acrescentar que o público alvo atendido pelo CHMWG/PSCS é heterogêneo, se constituindo, de homens, mulheres, crianças, adolescentes e idosos. A demanda chega ao CHMWG/PSCS encaminhada e/ou trazida pela ambulância dos interiores[18] do Rio Grande do Norte, pelo fato de ser um pronto-socorro referência para todo o Estado; encaminhada por outros hospitais ou Unidades de Pronto Atendimento (UPA); conduzida pela família; ou mesmo dirige-se desacompanhada.

As Assistentes Sociais, no exercício de suas práticas procuram assistir os usuários que ali se encontram em consonância com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse sentido, a intervenção, apesar das limitações infraestruturais e de recursos humanos, está voltada para garantir os direitos da população usuária, que conforme o Ministério da Saúde (2007) são:

– ter acesso ao conjunto de ações e serviços necessário para a proteção e a recuperação de sua saúde;

– ser atendidos com atenção e respeito, de forma personalizada e com continuidade, em local e ambiente digno, limpo, seguro e adequado ao atendimento;

– não ser discriminados nem sofrer restrição ou recusa de atendimento, nas ações e serviços de saúde, em razão da idade, raça, gênero, orientação sexual, características genéticas, condições sociais ou econômicas, convicções culturais, políticas ou religiosas, do estado de saúde ou da condição de portador de patologia, deficiência ou lesão preexistente. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2007, p.144).

Entre os problemas com os quais se deparam estas profissionais destacamos o espaço de atendimento, tanto do Pronto Socorro, quanto do Hospital Walfredo Gurgel. A sala para o atendimento ao usuário do Serviço Social é dividida pelas profissionais em atendimento ao mesmo tempo. De tal modo que, algumas situações que deveriam ser sigilosas, ficam expostas ou, quando se percebe a situação, os outros profissionais e usuários acabam aguardando do lado de fora da sala.

Apesar da limitação imposta pelo próprio sistema de saúde, através de um conjunto de conhecimentos que se expressam na dimensão teórico-metodológica, ético-política e técnico-instrumental do seu fazer profissional vem viabilizando propostas capazes de ir além da demanda apresentada. Muitas vezes, as limitações de recursos, dificultam o profissional a construir uma prática onde a prioridade seja o usuário.

A atuação do Serviço Social se efetiva junto ao paciente e acompanhante/cuidador na medida em que este último é fator preponderante ao restabelecimento da saúde de seu paciente. Esse segmento, desde o período de observação do estágio chamou nossa atenção, quer seja pelas condições a que são submetidos no CHMWG/PSCS, quer seja pelas dificuldades que enfrenta para garantir a presença junto ao seu paciente. Esse olhar direcionou nossa intervenção. A proposta interventiva, a seguir analisada, voltou-se para uma atuação voltada ao cuidado com o cuidador.

4. O cuidado com o cuidador: o estágio em Serviço Social no Pronto Socorro Clóvis Sarinho

Apropriados do objeto de nossa intervenção, o cuidado com o cuidador iniciamos a etapa interventiva. Partimos da compreensão, de que o cuidado pressupõe uma relação complexa entre profissionais, família, público e contexto institucional em condições diversas e mesmo adversa na dinâmica do poder. (FALEIROS, 2013). Ainda, para Faleiros (2013, p. 88), na perspectiva do Serviço Social crítico, o cuidar não se reduz apenas a um estilo de relação pessoal, mas se constrói como um valor que se agrega ao trabalho profissional e faz parte de uma relação de inclusão, escuta e reconhecimento do outro e de sua alteridade como forma de acolhimento e qualidade da atenção. E com relação ao cuidado, diz;

O cuidado exige uma interdependência entre quem cuida e quem é cuidado, pois a relação humana do cuidar fundamenta-se na troca, na comunicação e na contribuição mútua que se estabelece entre o profissional ou o técnico e o público atendido (AGICH, 2008, p. 45).

O público alvo de nossa intervenção constituiu-se dos cuidadores dos pacientes do setor de Observação I e II do Pronto Socorro Clóvis Sarinho. Existem duas situações quando nos reportamos a esse segmento: 1. Pacientes acompanhados por familiares, e 2. Pacientes que se encontravam sob cuidados de um cuidador profissional.

Este setor do Pronto Socorro caracteriza-se por receber os pacientes sem restrição de idade, por nível de urgência e emergência, são internados somente quando há necessidade de observação do paciente ou em alguns casos de tratamentos que exijam breve ou longa internação.

Para identificar o conhecimento que os cuidadores tinham sobre a realidade de saúde de seu paciente aplicamos junto a esse cuidadores, nas visitas ao leito, um pequeno questionário para identificar o nível de conhecimento sobre a doença do seu paciente, com a seguinte pergunta “O senhor/senhora tem conhecimento sobre o que é doença crônica”. O questionário foi aplicado com os cuidadores e aconteceu no período compreendido entre agosto e setembro (2015). Como resposta constatamos que a maioria, 60% dos cuidadores afirmaram conhecer a doença do seu paciente. Em contrapartida, 40%, informou não ter conhecimento sobre a doença do seu paciente. O gráfico apresentado a seguir mostra os resultados acima registrados.

Gráfico – Sobre conhecimento da doença do paciente cuidado. Fonte: Pesquisadora, setembro de 2015.
Gráfico – Sobre conhecimento da doença do paciente cuidado. Fonte: Pesquisadora, setembro de 2015.

A vivência cotidiana nos mostrou uma realidade complexa e desumana para os cuidadores daqueles pacientes. Enfermarias superlotadas sem espaço para um tratamento adequado, pacientes pelos corredores em macas, cuidadores ao lado das camas e/ou macas em pé ou quando muito em cadeiras de plástico nas quais passavam dias, observamos situações em que acompanhantes dormiam em papelões em baixo das macas de seus pacientes. Um espaço de adoecimento, onde além dos pacientes aos poucos acompanhantes/cuidadores estariam doentes.

Frente a essa realidade a questão que se colocou: o que poderia ser feito para melhorar as condições objetivas daquele contexto? Voltamos nosso olhar para a qualidade de vida daqueles cuidadores. Face às inúmeras dificuldades optamos por um trabalho voltado à saúde ao cuidador. Vislumbramos na atividade física essa possibilidade, especificamente atividades aeróbicas. Estabelecemos, para isso parceria com três estudantes de educação física da Universidade Potiguar (Unp).

De acordo com Adami (2015), atividades aeróbicas são aquelas que envolvem múltiplos grupos musculares, de forma ritmada, contínua e por um longo período de tempo. Esta modalidade de exercício proporciona benefícios a saúde, pois melhora a qualidade de vida e reduz a probabilidade de doenças. Entre os benefícios que proporciona os exercícios aeróbicos ajudam a “prevenir doenças cardiovasculares, colesterol alto, pressão sanguínea alta, diabete, artrite. Fortalece o coração; ajuda a manter o bom colesterol, fortalece o sistema respiratório, diminui o stress e reduz a gordura corporal”. (BITTAR, 2014, p.1)

Em verdade, a atividade realizada serviu como uma mostra para os participantes no que tange a possibilidade de realização de exercícios físicos, mas o mais importante foi refletir com eles sobre a relevância de se realizar algum tipo de atividade física regular, e que esta prática está associada à prevenção e ao tratamento de inúmeras doenças da modernidade.

Entre as mais conhecidas estão a prevenção ou o controle de doenças cardiovasculares, hipertensão ou diabetes. No entanto, a cada dia é mais difundida a necessidade de se fazer exercícios regulamente para prevenir ou controlar a evolução de demência, Alzheimer e depressão, de câncer, lesões osteomusculares, osteoporose, evitar transtornos alimentares, hipertensão, diabete bem como doenças crônicas e degenerativas, entre outras[19].

Para Moreira (2010), individualmente, os benefícios das atividades físicas incluem aspectos fisiológicos, psicológicos e sociais. Os fisiológicos podem ser percebidos de forma imediata. São eles: o controle do nível de glicose, estímulo para ativação de catecolaminas e melhoria na qualidade do sono. Já em médio prazo podemos encontrar uma melhoria no sistema cardiorrespiratório, melhoria da massa muscular e níveis gerais de força e resistência, manutenção dos níveis adequados de flexibilidade, coordenação e equilíbrio. E com relação aos benefícios psicológicos argumenta:

[…] podem ser percebidos de forma imediata e médio prazo são a redução dos níveis de stress e de ansiedade, melhoria do estado de espírito (bem-estar geral), melhor saúde mental e cognitiva. E por fim percebem-se os indivíduos mais seguros em si, com uma melhor integração social e cultural, tendo suas funções sociais preservadas e possivelmente ampliadas, fugindo até da depressão. E fatores como estes podem ser caracterizados e definidos como benefícios sociais. (MOREIRA, 2010, p.2)

O momento destinado a atividade física também somou com informações para os participantes no que diz respeito aos exercícios físicos que podem ser feitos em casa, proporcionando os benefícios para a saúde, como para a prevenção e minimização das doenças crônicas. As atividades físicas estão entre os elementos capazes de contribuir para a prevenção e minimização das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).

Fundamentadas na Cartilha da Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão no Sistema Único de Saúde – Humaniza SUS, compreende-se como fundamental a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde: usuários, trabalhadores e gestores. Neste sentido, o cuidador não pode ser esquecido no processo de tratamento.

O Ministério da Saúde voltado a oferecer uma assistência de qualidade aos usuários do SUS instituiu mais recentemente, a Política Nacional de Humanização (PNH) objetivando garantir a segurança, a atenção e o respeito ao usuário nos serviços de saúde.

A Humanização neste contexto é vista não como programa, mais como política pública que atravessa/transversaliza as diferentes ações e instâncias gestoras do Sistema Único de Saúde. De acordo com a Cartilha da Política Nacional de Humanização (2010), entende-se humanização, nesse processo como:

– Valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde: usuários, trabalhadores e gestores;

– Fomento da autonomia e do protagonismo desses sujeitos e dos coletivos;

– Aumento do grau de co-responsabilidade na produção de saúde e de sujeitos;

– Estabelecimento de vínculos solidários e de participação coletiva no processo de gestão;

– Mapeamento e interação com as demandas sociais, coletivas e subjetivas de saúde;

– Defesa de um SUS que reconhece a diversidade do povo brasileiro e a todos oferece a mesma atenção à saúde, sem distinção de idade, raça/cor, origem, gênero e orientação sexual;

– Mudança nos modelos de atenção e gestão em sua indissociabilidade, tendo como foco as necessidades dos cidadãos, a produção de saúde e o próprio processo de trabalho em saúde, valorizando os trabalhadores e as relações sociais no trabalho;

– Proposta de um trabalho coletivo para que o SUS seja mais acolhedor, mais ágil, e mais resolutivo. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010, p.7)

Nesse contexto de cuidado com o cuidador, observou-se que pouco a pouco os participantes foram repassando informações no que diz respeito aos exercícios físicos que podem ser feito em casa proporcionando os benefícios para a saúde, como para prevenção e minimização das doenças crônicas entre os que iam chegando.

Teve apenas um momento de atividade física, realizado no espaço do auditório da observação II, duração de meia hora e após do término dos exercícios, foram entregues folders informativos, produzidos, socializando seis exercícios físicos que poderiam ser feitos em casa. Nesse material ressaltava-se também a importância de fazer exercícios físicos, uma ação que em muito contribui para se evitar os malefícios do sedentarismo, que está no grupo da doença crônica.

Para finalizar a atividade foi questionado aos 10 participantes se havia gostado da atividade realizada e se fossem convidados eles fariam novamente. Todos responderam que gostaram e que fariam sim novamente. Um dos participantes comentou “Interessante, gostei, tirou um pouco do estresse”. (acompanhante, 45 anos)

No oportuno, questionamos também aos três estudantes da educação física que fizeram parte da atividade, o que eles tinham achado da experiência. Todos os três responderam: “Uma experiência riquíssima, nunca havia participado dentro de um hospital, além disso, é poder levar um pouco da conscientização e importância de inserir uma atividade física no cotidiano das pessoas”.

Foi gratificante ouvir de todos ali presentes que estavam muito satisfeitos com o trabalho executado e que cada um, na sua singularidade, contribuiu e aprendeu com o trabalho interventivo realizado. Encerraram-se as atividades com a certeza de que os objetivos traçados foram alcançados.

Considerações finais

O período de estágio no Complexo Hospitalar Monsenhor Walfredo Gurgel/Pronto Socorro Clóvis Sarinho foi de grande relevância para o processo formativo desse estudo pela oportunidade de conhecer e vivenciar o cotidiano de uma instituição na área de saúde, possibilitando o conhecimento acerca da instituição, conhecendo sua estrutura física como os principais setores que atua o Serviço Social suas atribuições e competências.  Ao mesmo tempo pode-se conhecer as várias demandas que chegam ao Serviço Social e as várias estratégias para efetivar a garantia do direito a saúde.

O processo de estágio oportunizou vivenciar a experiência do contato direto com a realidade da prática profissional do assistente social na área de saúde, como também a realidade social vivida no dia a dia, e, além disso, proporcionou a articulação da teoria e prática do fazer profissional. Neste contexto, pode-se agrupar o conhecimento da prática adquirida na vivência do estágio com o conteúdo teórico adquirido durante o processo formativo do Curso de Serviço Social. Pode-se considerar um período que contribuiu no processo de aprendizagem e enriquecimento de conhecimentos que se constitui indispensável no processo de toda e qualquer formação profissional, mas que não se esgota, pois deverá ser contínuo, uma vez que a realidade é dinâmica e contraditória.

Espera com a análise da intervenção, ora desenvolvida chamar a atenção para efetividade de um trabalho junto ao cuidador como um elemento fundamental na implementação da Política Nacional de Humanização nos processos de atenção á saúde.

Por fim, é interessante considerar que quanto a intervenção realizada, esta, de fato, mesmo com as dificuldade encontradas, conseguiu alcançar os objetivos propostos. Nesse sentido pode-se considerar que o resultado foi positivo em relação ao que se era esperado, pois aqueles que participaram da intervenção saíram satisfeitos e esclarecidos sobre as especificidades do cuidado que giram em torno das doenças crônicas e a possibilidade de preveni-las através da atividade física.

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[1] Artigo cientifico á Universidade Potiguar – Unp, como parte dos requesitos para obtenção do titulo de Bacharel em Serviço Social.

[2] Graduanda em Serviço Social pela Universidade Potiguar.

[3] Supervisora Acadêmica. Assistente Social. Ma em Educação. Professora da Universidade Potiguar.

[4] O termo “complexo” não significa “complicado”, significa como o nome indica: com “plexo”, isto é, com “rede”. A palavra plexo ou rede indica interligação entre partes autônomas, com interdependência entre elas. Cada unidade da rede, mantendo a sua autonomia ou identidade passa a ser diferente quando dentro da rede. O todo não é igual a soma das partes, pode ser maior, menor ou igual a soma das partes isoladas, mas certamente será diferente. Para construirmos um sistema complexo temos de associar a ideia da unidade de um lado com a de diversidade ou multiplicidade de outro lado. Disponível em: < http://www.ch.ufrj.br/>. Acesso em: 05/01/2017.

[5]  Governador Monsenhor Walfredo Gurgel, um político e religioso, o povo elegeu do Rio Grande do Norte para mais uma missão: governar o Estado. Nessa nova missão continuou agindo com a mesma serenidade e honradez. Disponível em: http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/indexphp?titulo=Monsenhor+Walfredo+Gurgel&ltr=m&id_perso=1246.  Acesso em: 13/06/2016.

[6] O Movimento de Reforma Sanitária – engendrado a partir da indignação de setores da sociedade com a dramática situação da saúde no Brasil – pautou suas ações, desde o início, pelo questionamento de tal realidade. Ademais, pode-se afirmar que a Reforma Sanitária brasileira nasceu da luta contra a ditadura, com o tema “Saúde e Democracia”, tendo-se estruturado primordialmente nas universidades, no movimento sindical, no movimento popular e em experiências regionais de organização de serviços.  (TRINDADE, 2016, p. 100)

[7] Esta Portaria reformula a Política Nacional de Atenção às Urgências e institui a Rede de Atenção às Urgências no SUS.

[8] Alta Complexidade é um conjunto de procedimento que, no contexto do SUS, envolve alta tecnologia e alto custo, objetivando proporcionar à população acesso a serviço qualificado integrando-as aos demais níveis de atenção à saúde (atenção básicas, e de média complexidade). (CONASS, 2007, p. 18).

[9] No estudo sobre a temática Leal; Alves et al (2016) destacam que as Unidades Hospitalares de Atendimento em Urgência e Emergência são divididas em dois tipos:Tipo I e Tipo II. As unidades Tipo I são aquelas instaladas em hospitais gerais de pequeno porte aptos a prestarem assistência de urgência e emergência ao primeiro nível de assistência da média complexidade. As Unidades Hospitalares de Atendimento em Urgência e Emergência Tipo II são aquelas instaladas em hospitais gerais de médio porte aptos a prestarem assistência de urgência e emergência ao segundo nível de assistência hospitalar da média complexidade.

[10] Para garantir a efetividade das ações à atenção a saúde está classificada em três níveis de atenção: a atenção básica, a média complexidade e a alta complexidade. A atenção básica é caracterizada por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrangem a promoção e proteção da saúde, a prevenção de agravos, o tratamento e a manutenção na saúde (CONASS, 2007, p. 16). A Média complexidade é composta por ações e serviços que visam atender os principais problemas e agravos de saúde da população, cuja complexidade da assistência na pratica clinica demanda a disponibilidade de profissionais especializados e a utilização de recursos tecnológicos, para o apoio diagnóstico e tratamento. (CONASS, 2007, p. 17).

[11] Equipe multiprofissional consiste uma modalidade de trabalho coletivo que se configura na relação recíproca entre as múltiplas intervenções técnicas e a interação dos agentes de diferentes áreas profissionais. (PEDUZZI, 2001, p. 108)

[12] A terceirização é o fenômeno através do qual uma empresa contrata um trabalhador para prestar seus serviços a uma segunda empresa- tomadora. A tomadora, se beneficia da mão- de- obra, mais não cria vinculo de emprego com o trabalhador, pois a empresa- contratante é colocada entre ambos. Disponível em: <http://www.sindpdpr.org.br/faq/que-e-terceirizacao>. Acesso em: 18\04\2015.

[13] O Kanban é um sistema do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel- Pronto Socorro Clovis Sarinho relacionado aos pacientes, identificando o nome, a idade, os data que o\a paciente entrou e qual setor que encontra-se: Enfermaria, UTI cardiológica, UTI Bernadete, Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), Atendimento Clinico, Observação I e II (OBS), Politrauma, UTI geral, UTI pediatria e o Centro de Recuperação (CRO), utilizado pelos profissionais, na área da saúde.

[14]  O Programa SOS Emergência é uma ação estratégia prioritária para a implementação do Componente Hospitalar da RUE, realizada em conjunto com os Estados, Distrito Federal e Municípios para a qualificação da gestão e do atendimento de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) nas maiores e mais complexas Portas de Entrada Hospitalares de Urgência do SUS. Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2012/prt1663_06_08_2012.html>. Acesso em: 05\10\2016

[15] O Protocolo de Manchester é um sistema que o paciente é atendido não por ordem de chegada, mas de acordo com o risco ou gravidade que ele apresenta ao dar entrada no Pronto Socorro. Disponível em: <http://www.frutal.mg.gov.br/Noticias/enfermeira-explica-atendimento-atraves-do-protocolo-de manchester.html>. Acesso em: 29\04\2015.

[16]  Está baseado no documento do Conselho Federal de Serviço Social intitulado “Parâmetros para atuação de assistentes sociais na saúde” (2009).

[17] Plantão é aonde o assistente social acolhe e ouve as pessoas, na maioria das vezes excluídas de seus direitos mais elementares e que necessitam do atendimento. São pessoas marcadas pelo desemprego, pela fome, pelo abandono, pela doença, pelas carências sociais e emocionais, pela perda da dignidade. (SOUSA, 2004, p.53).

[18] 70% é do interior (Mossoró, Ceará- Mirim, Paus do Ferro, João Camará e outros interiores do Rio Grande Do Norte).  Conforme está informação pelo funcionário do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, Entrevistar ocorreu no dia 15 de abril de 2015.

[19] Maiores informação ver: < http://www.jmonline.com.br/novo/?noticias,7,SAUDE,80508>, acesso em: 22\11\2015.

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