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Estudo da laserterapia em pacientes com eczemas cutâneos

RC: 124530
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CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO 

SANTOS, Ewerton Xau [1], PECHER, Aron Nathan [2], OLIVEIRA, Euza Karla Nazaré de Brito [3], OLIVEIRA, Ginarajadaça Ferreira Santos [4]

SANTOS, Ewerton Xau. Et al. Estudo da laserterapia em pacientes com eczemas cutâneos. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 07, Ed. 08, Vol. 04, pp. 89-102. Agosto de 2022. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/eczemas-cutaneos

RESUMO

Introdução: O emprego de diversos tipos de luz na medicina vem sendo estudado em todas as áreas de pesquisa científica e tecnológica, esse recurso tem como uma de suas aplicações o tratamento de lesões na pele associadas a quadros de dermatites. Existem diversos tipos de Eczemas Cutâneos (EC), desencadeados por agentes ambientais, químicos e condições neurológicas. Questão norteadora: Nesse contexto, qual a eficácia dos tratamentos a laser para o referido quadro clínico?  Objetivo: O presente estudo busca colaborar com a investigação científica ao quadro de dermatite atópica (eczemas atópicos). Metodologia: Com este propósito foram utilizados artigos originais publicados em periódicos na categoria de fisioterapia e pesquisa pertinentes sobre o tema, onde a revisão da literatura evidencia aspectos indutores do laser no processo de proliferação celular, principalmente no que se refere a modalidade de tratamento não invasiva, que vem sendo amplamente utilizada no controle das mais diversas afecções da pele. Resultado e Discussão: A laserterapia vem sendo utilizada como tratamento auxiliar ou de forma terapêutica isolada em várias etiologias por incluir uma resposta anti-inflamatória, analgésica e indutora da reparação tecidual. Conclusão: Suas características peculiares lhe conferem maior aplicabilidade nos tratamentos de lesões cutâneas com efeitos terapêuticos anti-inflamatórios, analgésicos e moduladores da atividade celular, os quais têm sido comprovados em diversos estudos.

Palavras-chave: Tratamento, laser, eczema.

1. INTRODUÇÃO 

Nos primórdios da civilização, a luz foi utilizada com finalidades terapêuticas. Os homens da pré-história tinham o sol e a sua luz como divindades, aos quais foram considerados responsáveis pelos eventos que não podiam explicar, atribuindo-lhes o poder de banir maus espíritos capazes de gerar doenças (PINHEIRO et al., 2010). Os deuses do sol da Antiguidade foram reverenciados como deuses da cura e da saúde (PINHEIRO et al., 2010).

Dados provindos de escrituras gregas e romanas citam que esse modo de terapia foi largamente empregado no tratamento da epilepsia, artrite, asma e obesidade. Nessas civilizações, o banho de sol era uma prática saudável e um artifício medicinal preventivo, reconhecido pelo historiador grego Heródoto no século VI a.C. (MINELLI, 2008). Paralelamente à adoração das diversas formas de agentes emissores das luzes, esta foi utilizada pelos homens com forma de ciência e terapia (MINELLI, 2008).

Em 1916, Einstein desenvolveu teoricamente a ideia do laser, publicando um tratado sobre a emissão de radiação espontânea “Zur Quantum”, servindo de inspiração para o entendimento dos princípios pelos quais os lasers operam. Em 1960, foi a primeira vez que a emissão estimulada da radiação em uma roda de rubi com pulsos luminosos gerou os raios lasers semelhantes ao que conhecemos hoje (VEÇOSO, 1993). Somente na década de 80, em São Paulo, que os primeiros trabalhos a respeito da teoria e aplicações dos lasers apareceram, publicando trabalhos em Belo Horizonte e Recife (VEÇOSO, 1993).

Segundo Rodrigues et al. (2020), a luz tem sua composição feita de corpúsculos, designados fótons, que se propagam em ondas transversais. O fóton é uma partícula subatômica desprendida por átomos e dotada de alta energia luminosa e diferentes níveis de energia que resultam em cores diversas.

A propagação das luzes no vácuo é sempre igual, sendo que, se processa sempre com velocidade semelhante, à última medição da velocidade da luz, executada em 1956, foi de 299.792,4 km/s (PINHEIRO et al., 2010). Quando a luz passa por substâncias materiais seus raios sofrem um rápido retardamento ajustando com o seu meio com o ângulo de saída (PINHEIRO et al., 2010).

Na forma convencional a luz não é polarizada, fótons de distintos comprimentos de onda emitidos, propagam-se de forma caótica com ondas fora de fase, na luz dos lasers as ondas se encontram em fase e seus fótons são idênticos, propagando-se em trajetórias paralelas e vibrando em uma única direção (luz polarizada) (NETO; JÚNIOR, 2017).

No século XIX, havia muitas metodologias destinadas a aprimorar os resultados da fototerapia, dentre os eles o uso de lentes para focagem da luz do sol e a utilização de caixas de vidros onde pacientes eram colocados para receberem os raios solares (PINHEIRO et al., 2010). O fato de as bactérias serem destruídas pela luz foi essencial no uso da radiação ultravioleta para esterilização, tal qual usado atualmente. Avanços tecnológicos trouxeram vários recursos, como: lâmpadas com fontes das luzes UV, que basearam a actinoterapia, destacando a fotomedicina da luz solar (PINHEIRO et al., 2010).

O advento do laser na medicina se deu como um simples elemento substitutivo a equipamentos básicos de uma técnica popular da oftalmologia, a fotocoagulação, a utilização de lâmpadas de xenônio em um aparelho a laser trouxe inesperados benefícios para tratamentos de fundo de olho (SOUZA et al., 1999).  A técnica ganhou importância, ao passo que, era de fácil manuseio e custo baixo e seus resultados para tratamentos convencionais em diversas patologias foram inegavelmente notáveis (SOUZA et al., 1999). Nesse contexto, visa-se responder: qual a eficácia dos tratamentos a laser para o referido quadro clínico? O estudo da laserterapia corrobora e se mostra pertinente a investigação científica do quadro clínico estudado e busca analisar se a técnica apresenta eficácia no tratamento de eczemas.

2. ALGUMAS DAS APLICAÇÕES DOS LASERS NA MEDICINA

Na odontologia o laser é aplicado como recurso para a ativação da Microcirculação, produção de capilares novos, regeneração celular e estímulo ao crescimento, proporcionando diminuição da dor, do desconforto e da inflamação localizada (NETO et al., 2019). O laser também demonstrou uma benéfica interação com tecidos doentes, reduzindo a proliferação bacteriana e demais patógenos que podem acometer o paciente durante um eventual procedimento cirúrgico (NETO et al., 2019). Em tecidos moles sua eficácia na resposta ao processo de hemostasia pode proporcionar uma significativa redução na necessidade de suturas, selando os vasos do sangue, já em tecidos duros suas vantagens se estendem a sua precisão e acurácia ao remover a estrutura dentária comprometida por lesões (CONVISSAR, 2011).

No reparo ósseo, efeitos fotoquímicos como a biomodulação atuam como agentes estimuladores na etapa inicial do tratamento, com o desenvolvimento da proliferação de fibroblastos e osteoblastos, na faixa do infravermelho, a restauração óssea se mostra mais eficaz ao passo que a penetração do laser no tecido e a intensidade da luz proporciona um aumento significativo na deposição do colágeno, na neoformação óssea e na proliferação dos osteoblastos (ACIOLE, 2014).

Alves e Araújo (2011) Avaliaram 58 pacientes de pós-operatório portadores de síndrome do túnel do carpo, uma doença que afeta o nervo mediano no canal do carpo. Ao nível avançado os pacientes apresentam estreitamento no interior do canal e alargamento do nervo mediano na região próxima ao canal do carpo, a laserterapia com laser de baixa intensidade demonstrou efetividade nos casos com sintomas leves a moderados, o grupo que, após a cirurgia, trataram-se com lasers de baixa intensidade e obtiveram melhoras significativas no quadro de dor residual e na parestesia associada ao quadro, a técnica não teve efeitos adversos nos pacientes e os resultados satisfatórios trouxeram grandes expectativas em relação à recuperação funcional do nervo mediano do canal do carpo.

Figueiredo et al. (2013) analisou pacientes portadores de câncer submetidos a tratamentos oncológicos, um deles envolve as áreas da cabeça e pescoço (Radioterapia), onde o campo de irradiação afeta a mucosa oral e as glândulas salivares causando inflamações, 90 a 97 por cento desses pacientes desenvolvem mucosite oral, que podem variar de eritemas localizados a úlceras extensas, no estudo foi evidenciado estatisticamente que os lasers Hélio-Neônio e Gálio-Alumínio- Arsênio quando empregados em casos de mucosite oral decorrente de oncoterapia atuam estimulando a atividade mitocondrial, apresentando efeito analgésico, anti-inflamatórios e reparador da lesão mucosa, sendo também, eficazes na prevenção da ocorrência dessas inflamações nos pacientes submetidos à oncoterapia.

3. APLICAÇÕES DOS LASERS NA REPARAÇÃO TECIDUAL

A maneira como a luz do laser é absorvida pelos tecidos resulta em quatro processos: fotoquímico, fototérmico, fotomecânico e fotoelétrico (BAVARESCO et al., 2019). Devido à, excesso de efeitos clínicos que esses procedimentos produzem, eles demonstram princípios essenciais dos lasers e suas aplicações, subdivididas conforme a sua resposta positiva na regeneração tecidual e na diminuição do edema tratado (BAVARESCO et al., 2019).

No estudo de Antunes et al. (2017) o laser é uma modalidade de radiação não ionizante, altamente concentrada, que, em contato com os diferentes tecidos, resulta, dependendo do tipo do laser, em efeitos térmicos, fotoquímicos e não lineares. Sendo uma forma de energia não ionizante, ao contrário de outras formas de radiação usadas terapeuticamente, como: os raios-X, os raios gama e de nêutrons, a radiação laser não tem caráter invasivo na grande maioria dos comprimentos de onda utilizados com finalidade terapêutica, sendo muito bem tolerada pelos tecidos (ANTUNES et al., 2017).

O laser age inicialmente na célula, aumentando o metabolismo e proporcionando o aumento de granulação nos tecidos, regenerando as fibras nervosas, provocando a produção de vasos sanguíneos e regeneração dos linfáticos (BUSNARDO; BIONDO-SIMÕES, 2010).

Lasers de baixa potência atuam em diferentes processos no metabolismo das células da pele, podendo ser aplicados na melhora da flacidez tissular, na estimulação de folículos pilosos, clareamento de manchas, tratamento de acne e na prevenção do envelhecimento precoce (LOPES et al., 2018). O laser infravermelho promove aumento e harmonização do colágeno por até seis meses de tratamento continuado (LOPES et al., 2018).

4. METODOLOGIA

4.1 A TÉCNICA TERAPÊUTICA ESTUDADA: LASERTERAPIA

Os lasers podem ser classificados em: lasers de alta potência ou lasers cirúrgicos ou HILT (high intensity laser treatment), aplicados em procedimentos cirúrgicos invasivos como: corte, coagulação, cauterização e efeitos de ablação, preparos cavitários odontológicos e prevenção, lasers de baixa potência ou lasers terapêuticos ou LILT (low intensity laser therapy), são bioestimuladores e aceleradores da cicatrização do tecido (MINELLI, 2008).

4.2 QUADRO CLÍNICO ESTUDADO: ECZEMAS CUTÂNEOS

O Eczema, ou dermatite, é um quadro clínico que afeta a pele, causando inflamação ou irritação, essa condição tem sete tipos, tendo como o mais comum o atópico, a condição causa coceira, ressecamento e rachaduras na pele (MONTELLO, 2002). Ainda que, o eczema atópico possa afetar qualquer parte do corpo, em grande parte das vezes ele afeta as extremidades corporais como: a parte interna dos cotovelos, as mãos, o rosto, a parte de trás dos joelhos e o couro cabeludo (MONTELLO, 2002).

4.3 LEVANTAMENTO DE DADOS

As plataformas de pesquisa Scielo, Google Scholar e Capes foram utilizadas para esse estudo, por 21 artigos publicados em revistas eletrônicas na categoria de fisioterapia e pesquisas feitas sobre o tema com espaço temporal entre 2010 e 2021, referenciando o uso de técnicas de tratamento a laser e investigando seu uso para fins terapêuticos, visto o seu potencial para o quadro de eczemas cutâneos e demais benefícios para tratamentos superficiais da pele. O cronograma seguido percorreu as etapas de embasamento teórico, investigação de publicações paralelas ao tema durante os primeiros meses do presente ano, tendo como critérios de inclusão e exclusão os trabalhos que seguissem a mesma linha de pesquisa e colaborassem para compor a pesquisa relatando a aplicabilidade desse recurso e esclarecendo sobre a sua origem histórica e suas características técnico-científicas, assim como sua relevância para o tratamento, reforçando a ideia expressa nessa pesquisa sobre a pertinência desse tipo de estudo para o aprimoramento de profissionais de fisioterapia e áreas afins, progredindo para a confecção de um artigo de revisão sistemática, analisando a sua eficácia em diversos quadros clínicos de eczemas epidérmicos que acometem vários pacientes.

5. LASERTERAPIA PARA TRATAMENTOS DE ECZEMAS CUTÂNEOS 

A diferença entre as modalidades de laser está no comprimento de onda e para seu uso correto deve-se ajustar a área afetada para sua melhor eficácia. Podendo, assim, ser considerada a cor do laser (faixa espectral), o comprimento de onda, a potência, a frequência de tratamento e o estado do tecido irradiado (ANDRADE et al., 2018).

Tabela 1. Principais lasers usados em tratamentos terapêuticos e suas características técnicas.
Laser Cor/Faixa Espectral Comprimento de onda Potência
Hélio Neônio (HeNe) Vermelha/Visível 632,8nm 2 a 10 mW
Arseneto de Gálio (AsGa) Infravermelho/Invisível 904nm 15 a 30 mW
Alumínio-gálio-índio-fósforo (AlGaInP) Infravermelho /Visível 685nm 15 a 30 mW
Arseneto- Gálio-Alumínio (AsGaAl) Infravermelho /Invisível 830nm 30 mW

Fonte: https://blog.carcioficial.com.br/

O eczema, também conhecido como dermatite atópica ou eczema atópico, são denominações que definem distúrbios inflamatórios na pele aliados a atopia (SANTOS et al., 2021). Tecnicamente, a atopia é uma tendência inata do sistema imunológico que desencadeia uma resposta imune excessiva a antígenos presentes, em sua maioria em alimentos e no ambiente de convivência do paciente (SANTOS et al., 2021). O conceito de dermatite atópica como um dos indícios clínicos da “síndrome atópica” pode ser descrita como uma doença de pele, geralmente ligada a doenças respiratórias (COUTO, 2020). A múltipla classificação conceitual da doença a respeito do seu caráter sistêmico e recorrentes lesões inflamatórias confere uma visão holística na caracterização de edemas identificados nos pacientes diagnosticados com o quadro da dermatite alérgica (COUTO, 2020).

Tabela 2. Tipos de eczemas cutâneos, aspectos clínicos e etiologias
Eczema Aspectos Clínicos Etiologia
Eczema Atópico Pele seca, lesões eczematosas disformes (eritema, pápula, seropápula, vesículas, escamas e crostas), coceira crônica. Fatores ambientais (temperatura, umidade, poluição atmosférica etc.) e Fatores Genéticos (mutação genética, etiopatogenia etc.)
Eczema de Contato Pele seca, espessamento da pele, urticária, lesões eczematosas disformes pontuais. Fatores ambientais (temperatura, poluição atmosférica e intradomiciliar etc.), Alérgenos químicos e ambientais (pólen, sabonetes, detergentes, cosméticos etc.)
Eczema de Estase Prurido, descamação, hiperpigmentação, ulceração, espessamento fibrótico da pele Insuficiência Venosa
Eczema Disidrótico Erupções dissidrosiformes, bolhas e lesões vesiculares. Estresse emocional, Fatores ambientais (temperatura, umidade, poluição atmosférica etc.)
Eczema de Mão Engrossamento da pele, bolhas de água, descamação, vermelhidão, coceira e fissuras. Alérgenos (níquel, cobalto, sabonetes, detergentes, cosméticos etc.), Sudorese e fungo dermatófico.
Eczema Numular Pele seca, lesões eczematosas bem delimitadas e dispersas, descamação e queimação na pele. Fatores ambientais (temperatura, poluição atmosférica e intradomiciliar etc.), Alérgenos químicos e ambientais (pólen, sabonetes, detergentes, cosméticos etc.)

Fonte: Antunes et al. (2017), Santos et al. (2021), e Couto et al. (2021).

No trabalho de Neto et al. (2005) evidenciam impactos emocionais no desenvolvimento etiológico da doença afetando pacientes adultos e infantis. As repercussões emocionais destacadas apresentam interferências na personalidade dos pacientes, e conferem inúmeras mudanças comportamentais, dentre elas: hiperatividade, irritabilidade, ansiedade, tendências depressivas, oscilações de humor etc. Nas suas relações interpessoais, os efeitos têm sérias consequências de adequação social e psicológica que podem durar até o fim da vida.

Os trabalhos de Couto et al. (2021) indicam que agentes que causam essa doença podem ser divididos em dois grupos: aqueles que atuam como irritantes primários e aqueles que atuam como verdadeiros sensibilizadores alérgicos. Ambos os grupos de dermatite de contato podem dar origem a quadros clínicos ou histológicos agudos, subagudos ou crônicos.

A etiologia da dermatite atópica e o seu diagnóstico foram grandemente beneficiados pelos avanços científicos ocorridos, tanto na área médica, quanto na área tecnológica, proporcionando a aquisição de novos tratamentos e o fortalecimento de outros mais antigos nas abordagens terapêuticas (CARVALHO et al., 2017).

Rochkind et al. (1989) e Couto et al. (2021) publicaram estudos sobre os efeitos da laserterapia no tratamento de eczemas, feridas e cicatrizes em ratos, no primeiro estudo foram testados três modelos diferentes do laser de He-Ne, dividido em dois grupos, um deles foi utilizado como grupo de controle, não recebendo irradiação a laser, apenas a feridas provocadas por queimaduras padronizadas. O grupo que recebeu o laser de He-Ne, a princípio, apresentou apenas uma pequena diferença em relação ao tempo de cura no período dos testes, mas com resultados positivos e promissores quando implementados a longo prazo. O estudo mais atual, utilizou dois lasers de baixa potência, Arseneto de Gálio (904 nm) e Hélio-Neônio (632 nm) em eczemas induzidos com óleo de cróton na orelha de camundongos, os resultados demonstraram positivas reduções nos edemas tratados com Laser de Baixa Potência Hélio-Neônio (He-Ne; 632 nm), ao passo que o laser de Arseneto de Gálio (904 nm), tiveram resultados negativos, apresentando piora no quadro inflamatório e aumento do edema.

Em seu estudo, Antunes et al. (2017), os tratamentos a laser em pacientes humanos proporcionaram a redução da gravidade das lesões analisadas e apresentaram melhora da hidratação da pele e diminuição da lesão em pacientes pediátricos com quadro clínico de dermatite atópica leve ou moderada. A laserterapia por meio de 08 sessões, duas vezes por semana, demonstrou aumento nos índices de água na barreira epitelial, diminuição e melhora visível nos aspectos da lesão tratada. Desta forma, o estudo demonstrou que o tratamento com lasers agrega valor e se coloca como uma alternativa terapêutica para o controle da dermatite atópica.

6. A EFICÁCIA DO TRATAMENTO PARA TRATAMENTOS DE PELE

A terapia com laser se mostra eficaz em relação ao reparo dos tecidos, a resposta biológica do laser tem sua colocação baseada em um processo fotobiológico, que consiste na absorção molecular de energia luminosa depositada e convertida em energia vital (BAVARESCO et al., 2019). Para Pinheiro et al., (2010) referências literárias pertinentes ao tema e experimentos realizados sugerem a ocorrência de múltiplos efeitos bioestimulantes relacionados com o laser, inclusive respostas celulares (proliferação epitelial, endotelial e fibroblástica, elevada síntese colagênica, diferenciação dos fibroblastos em miofibroblastos, movimentação celular dos leucócitos, fibroblastos e epitélios celulares e avanço da atividade fagocitária dos macrófagos) e vasculares (angiogênese e vasodilatação).

O conhecimento das características técnicas ou dos tipos de lasers é importante para o profissional que faz uso da laserterapia, pois a porcentagem da incidência e penetração que a luz apresenta sobre um determinado tecido ou célula por diferentes lasers é um fator decisivo para a seleção das doses de irradiação necessária para se produzir o efeito desejado (BUSNARDO; BIONDO-SIMÕES, 2010).

O laser (Light Amplification of Stimulated Emissions of Radiation), em que sua tradução expressa “amplificação da luz por estimulação da emissão de radiação”, são categorizados em vários tipos usados na fisioterapia, classificados dependendo da percepção do feixe e a forma de emissão (MONTELLO, 2002). Os lasers HeNe e ALGaInP pertencem ao espectro do visível, ao passo que os lasers AsGa e AsGaAL se encontram fora da faixa espectral da luz visível (MONTELLO, 2002).

Para a escolha do tratamento a laser, vários aspectos técnicos devem ser considerados: a cor da pele do paciente, a dosagem de irradiação, a frequência de tratamento, comprimento de onda e do nível de energia depositado (SILVA: MONTERIO, 2021). Lesões profundas demandam diversas terapias para recuperação do aspecto estético da pele e restauração da função anatômica perdida, lasers com potência entre 2 e 10 mW no feixe de luz visível tem sido amplamente indicado, com destaque para os lasers de Hélio-Neônio e Arseneto de Gálio (SILVA: MONTERIO, 2021).

Na assistência a pacientes com lesões graves (queimaduras, cicatrizes pós-cirúrgicas etc.), a laserterapia pode agir diretamente na cicatrização devido a sua ação modulatória e capacidade de retardar o processo inflamatório intenso, auxiliando o paciente na recuperação de suas limitações funcionais (SOUZA; MEJIA, 2014). A técnica da laserterapia, ao passo que seus princípios fisiológicos sejam conhecidos, proporciona redução das limitações funcionais e estéticas, melhorando a qualidade de vida do paciente (SOUZA; MEJIA, 2014).

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Estudos sobre novas tecnologias que promovam inovações em estudos clínicos direcionados aos métodos terapêuticos no tratamento de eczemas cutâneos têm sido fonte de inspiração para muitos trabalhos de pesquisa. O laser terapêutico tem aplicações recentes e pouco recorrentes na literatura, o estudo buscou colaborar com elaboração de novas pesquisas sobre o uso de lasers na terapia de lesões de pele de diferente etiologia demonstrando a sua eficácia, e se mostra pertinente a investigação científica do quadro clínico estudado e  busca analisar se a técnica apresenta eficácia no tratamento de eczemas, visto que o recurso é uma proposta terapêutica com baixo custo e mínimos efeitos colaterais aos pacientes.

No decorrer deste estudo, foram encontrados poucos estudos referentes a métodos terapêuticos que empreguem lasers do tratamento de eczemas atópicos, justificando a importância desta pesquisa. Assim, busca-se incentivar a investigação de estudos de caso em pacientes acometidos pelo quadro clínico citado por profissionais na área da saúde a fim de construir evidências dentro da comunidade científica e social.

Considerada uma das doenças dermatológicas com maior prevalência na infância, a dermatite atópica tem como características o ressecamento da pele, prurido intenso eritema, pápulas e lesões cutâneas, impactando na qualidade de vida de crianças e adolescentes, bem como de seus familiares (HENRIQUES et al., 2010). A dermatite atópica apresenta uma prevalência de 20% entre crianças de 0 a 2 anos e de 3% entre os adultos. (HENRIQUES et al., 2010).

Nos estudos de Andrade et al. (2014) o uso da terapia com luz de baixa intensidade em quadros de eczema atópico, apresentaram uma melhora em lesões como erupções cutâneas e o prurido, além de provocar resultados positivos na resposta imunológicas.

O uso benéfico da fotobiomodulação em lesões cutâneas de origens diversas, demonstra efeito positivo sobre células da pele como fibroblastos, além de resultados benéficos na organização e deposição de fibras colágenas, síntese de colágeno e diminuição das células inflamatórias e formação de tecido de granulação (COUTO, 2020).

REFERÊNCIAS

ACIOLE, Jouber Mateus dos Santos. Avaliação da Fotobiomodulação Laser/LED em defeito ósseo no fêmur de ratas osteoporóticas: estudo histológico, histomorfométrico e por espectroscopia Raman em modelo animal. Tese (Doutorado em Odontologia) – Programa de Pós-graduação em Odontologia da Universidade Federal da Paraíba e Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2014.

ANDRADE, Fabiana do Socorro da Silva Dias. CLARK, Rosana Maria De Oliveira.  Manoel Luiz FERREIRA. Efeitos da laserterapia de baixa potência na cicatrização de feridas cutâneas. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Rio de Janeiro, 2014, vol. 41 nº 2, 2014. Disponível em: (https://www.scielo.br/j/rcbc/a/mGfYSb5cKWMZtqFRGrDvDQR/?lang=pt). Acesso em 02/03/2022.

ANTUNES, Adriana A. SOLÉ, Dirceu. CARVALHO, Vânia O. BAU, Ana E. Kiszewski. KUSCHNIR, Fábio C. MALLOZI, Márcia C. MARKUS, Jandrei R. SILVA, Maria G. Nascimento e. PIRES, Mário C. MELLO, Marice E. El Achkar. FILHO, Nelson A. Rosário. SARINHO, Emanuel S. Cavalcanti. CHONG-NETO, Herberto J. RUBINI, Norma P. M. SILVA, Luciana R. Guia prático de atualização em dermatite atópica – Parte I: etiopatogenia, clínica e diagnóstico. Posicionamento conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria. Revista oficial da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI, Rio de Janeiro, 2007, vol. 1 nº 2, 2017. Disponível em: (http://aaai-asbai.org.br/bjai/detalhe_artigo.asp?id=772). Acesso em 02/03/2022.

ALVES, Marcelo de Pinho Teixeira. ARAÚJO, Gabriel Costa Serrão de. Laserterapia de baixa intensidade no pós-operatório da síndrome do túnel do carpo. Revista Brasileira de Ortopedia. São Paulo, 2011, Vol. 46 nº 6. Disponível em: (https://rbo.org.br/detalhes/1361/pt-BR/laserterapia-de-baixa-intensidade-no-pos-operatorio-da-sindrome-do-tunel-do-carpo). Acesso em 03/03/2022. 

BAVARESCO, Taline. OSMARIN, Viviane Maria. PIRES, Ananda Ughini Bertoldo. MORAES, Vítor Monteiro. LUCENA, Amália de Fátima. Terapia a Laser de Baixa Potência na Cicatrização de Feridas. Revista de Enfermagem UFPE On Line, Rio de Janeiro, 2007, vol. 13 nº 1, 2019. Disponível em: (https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/235938). Acesso em 03/03/2022. 

BUSNARDO, Viviane L. BIONDO-SIMÕES, Maria L. P. Os efeitos do laser hélio-neônio de baixa intensidade na cicatrização de lesões cutâneas induzidas em ratos. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Paulo, vol. 14 nº 1, 2010. Disponível em: (https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/235938). Acesso em 03/03/2022. 

COUTO, Giullia Bianca Ferraciolli do. Fotobiomodulação na Dermatite Atópica. Dissertação (Mestrado em Bioengenharia) – Universidade Brasil, São Paulo, 2020. 

COUTO, Giullia Bianca Ferraciolli do. NUNEZ, Silvia Cristina. DIAS, Adriana Keila. PEREIRA, Reobbe Aguiar. Glaucya Wanderley Santos MARKUS. Condutas Terapêuticas na Dermatite Atópica: Uma Revisão Bibliográfica. Revista Multi debates, Palmas-TO, vol. 5, nº 2, 2021. Disponível em: (https://revista.faculdadeitop.edu.br/index.php/revista/article/view/255). Acesso em 03/03/2022.

CONVISSAR, Robert A. Princípios e Práticas do Laser na Odontologia. 1ª Edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011, 783p (ISBN 978-85-352-4431-1). 

FIGUEIREDO, André Luiz Peixoto. LINS, Liliane. CATTONY, Ana Carolina. FALCÃO, Antônio Fernando Pereira. Laser terapia no controle da mucosite oral: um estudo de metanálise. Revista da Associação Médica Brasileira, Bahia, 2013, vol. 59 nº 5, 2013. Disponível em: (https://www.scielo.br/j/ramb/a/h8vFQJZPWhpLHjp4BbT463R/abstract/?lang=pt). Acesso em 03/03/2022. 

HENRIQUES, Águida Cristina Gomes. CAZAL, Claudia. CASTRO, Jurema Freire Lisboa De. Ação da laserterapia no processo de proliferação e diferenciação celular. Revisão da literatura. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Rio de Janeiro, 2010, vol. 37 nº 4, 2010. Disponível em: (https://www.scielo.br/j/rcbc/a/NrYPgTHBg4X5G8MpvQkBZnb/?lang=pt). Acesso em 03/03/2022.

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[1] Graduação. ORCID: 0000-0002-2003-0624.

[2] Graduação. ORCID: 0000-0001-9516-6502.

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[4] Orientadora. ORCID: 0000-0002-0516-6793.

Enviado: Maio, 2022.

Aprovado: Agosto, 2022.

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Uma resposta

  1. Gostaria de entender que tipo de luz e a potência usada, para melhora do prurido! Não consegui entender!
    Obrigada

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