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Uso de analgésicos e opioides no Brasil e nos EUA: análise reflexiva sobre caminhos para o enfrentamento

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ARTIGO ORIGINAL

WALRAVEN, Guilherme Bezerra [1]

WALRAVEN, Guilherme Bezerra. Uso de analgésicos e opioides no Brasil e nos EUA: análise reflexiva sobre caminhos para o enfrentamento. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 06, Vol. 01, pp. 166-177. Junho de 2025. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/analgesicos-e-opioides

RESUMO

Este artigo trata-se de uma análise reflexiva sobre a crise dos opioides a partir da articulação entre experiência pessoal com dependência química e dados epidemiológicos sobre a epidemia de opioides nos Estados Unidos, considerando os sinais de avanço do fenômeno no Brasil. A discussão contempla o histórico da crise nos EUA, o papel das prescrições médicas, o surgimento dos opioides sintéticos ilegais e suas consequências sociais. Conclui-se que a epidemia representa um desafio global, exigindo políticas públicas integradas de prevenção, tratamento e controle.

Palavras-chave: Dependência química, Opioides, Fentanil, Saúde pública, Políticas de drogas.

1. INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, o uso abusivo de substâncias psicoativas tornou-se um dos maiores desafios de saúde pública global. Em especial, a epidemia de opioides, que atinge com intensidade os Estados Unidos, vem despertando preocupação em outros países, inclusive no Brasil. Este artigo tem como objetivo refletir sobre os desdobramentos dessa crise a partir de uma trajetória pessoal de dependência química, articulada com dados e análises acadêmicas e institucionais, buscando compreender os fatores estruturais que contribuem para o agravamento desse fenômeno.

A pesquisa adota abordagem qualitativa, com base em revisão bibliográfica e análise de dados secundários, provenientes de relatórios oficiais e publicações científicas, e propõe ainda, adoções de ações interdisciplinares de saúde mental, assistência social e políticas públicas, com foco na reabilitação integral do sujeito e na construção de estratégias de enfrentamento sustentáveis a longo prazo.

A pesquisa justifica-se pela necessidade de se abordar as problemáticas que o abuso de analgésicos opioides trazem tanto para a saúde individual quanto para a sociedade. Em termos médicos, essas substâncias deprimem o sistema nervoso central, e doses altas (especialmente se combinadas com outros depressivos, como álcool ou calmantes) podem levar à insuficiência respiratória e morte por overdose.

Cada pessoa que se torna dependente de medicamentos para dor representa também um núcleo familiar afetado. Pais, cônjuges ou filhos desses pacientes frequentemente vivenciam o drama da codependência, condição em que os familiares adoecem emocionalmente junto com o dependente químico, tentando controlá-lo ou resgatá-lo continuamente. Sem orientação adequada, a família pode acabar reforçando o ciclo do vício por vezes guardando segredo, negando o problema ou até financiando, sem querer, o acesso às drogas. Por isso, do ponto de vista da saúde pública, a crise dos opioides não diz respeito apenas aos usuários, mas a toda a rede de relações ao seu redor.

2. O USO DE ANALGÉSICOS E OPIOIDES NOS EUA E NO BRASIL

Nas últimas duas décadas, os Estados Unidos têm enfrentado uma epidemia de opioides sem precedentes, amplamente reconhecida como uma das mais graves crises de saúde pública da contemporaneidade (CDC, 2021; Volkow et al., 2019). O problema teve início no final dos anos 1990, quando medicamentos opioides passaram a ser prescritos em larga escala para o tratamento da dor, gerando um crescimento exponencial no consumo dessas substâncias (Kolodny et al., 2015). A partir de 2010, verificou-se a migração de parte dos usuários para a heroína do mercado ilegal e, a partir de 2013, observou-se o avanço de uma terceira fase da crise, marcada pela proliferação de opioides sintéticos de alta potência, como o fentanil (CDC, 2021; O’Donnell et al., 2017).

Em 2022, o número de mortes por overdose envolvendo qualquer tipo de opioide atingiu 81 mil casos (CDC, 2023a). Em 2023, foram registradas mais de 107 mil mortes por overdose nos Estados Unidos, número que dobrou em uma década. Desse total, cerca de 77 mil óbitos envolveram opioides, consolidando essas substâncias como as principais responsáveis pelas mortes por overdose no país (CDC, 2024a). Em 2021, o fentanil, analgésico sintético originalmente desenvolvido para o tratamento de dores severas, foi associado a mais de 71 mil mortes, tornando-se a principal causa de mortes acidentais nos Estados Unidos, superando outras substâncias como a metanfetamina e a cocaína (NIH, 2023).

O avanço da crise pode ser descrito em três ondas sucessivas: a primeira associada aos opioides prescritos, a segunda à heroína, e a terceira aos opioides sintéticos ilegais (Ciccarone, 2019). Apesar de uma leve redução de 3% nos índices de mortalidade em 2023, possivelmente indicativa de estabilização, o número de óbitos permanece elevado, com aproximadamente 300 mortes por dia (CDC, 2024a).

Diversos fatores contribuíram para o agravamento da situação, entre eles, a prescrição indiscriminada de analgésicos opioides nas décadas anteriores. Em 2012, o volume de prescrições chegou a 255 milhões por ano, tendo diminuído progressivamente, mas ainda totalizando cerca de 125 milhões em 2023 (IQVIA, 2024; Volkow & McLellan, 2016).

De acordo com Samhsa (2023) em 2023, aproximadamente 8,6 milhões de norte-americanos relataram uso não prescrito de opioides, e mais de 5 milhões desenvolveram transtornos por uso dessas substâncias (SAMHSA, 2023).

Medicamentos como oxicodona, hidrocodona e codeína foram amplamente disponibilizados, inclusive para condições que poderiam ser tratadas com alternativas menos agressivas, expondo milhões de indivíduos aos riscos de tolerância, dependência e uso indevido (Manchikanti et al., 2012).

Desta forma, a origem da crise pode ser atribuída, em parte, à medicalização excessiva da dor e ao marketing agressivo promovido por setores da indústria farmacêutica (Van Zee, 2009). Com o aumento das restrições legais sobre prescrições, muitos usuários passaram a recorrer ao mercado ilegal, onde opioides sintéticos como o fentanil passaram a ser produzidos e comercializados por redes criminosas transnacionais (UNODC, 2023).

Nota-se ainda que, essas substâncias, de baixo custo e alta potência, têm sido frequentemente misturadas com outras drogas (como cocaína, metanfetamina e medicamentos falsificados), ampliando significativamente o risco de overdose. Estima-se que cerca de 80% das mortes por opioides nos EUA atualmente envolvam o fentanil ilícito, o que evidencia a centralidade do tráfico ilegal no agravamento da epidemia (CDC, 2024b; DEA, 2023). As repercussões sociais incluem o colapso de comunidades, o aumento da criminalidade e a redução da expectativa de vida da população norte-americana (Woolf et al., 2021).

O Brasil, sempre teve padrões diferentes no uso de opioides. Aqui, a crise das drogas que ganhou destaque foi ligada a substâncias ilícitas como crack e cocaína, enquanto os opioides nunca foram tão prescritos ou abusados quanto nos EUA. Médicos brasileiros costumam receitar doses menores e combinadas com outros analgésicos, e muitos pacientes ainda têm receio de tomar opioides fortes. Além disso, os opioides de tarja preta, como morfina e metadona, são caros e de acesso controlado.

Essas diferenças culturais e de sistema de saúde protegeram em partes o Brasil de uma epidemia similar a americana. Contudo, nos últimos anos, o consumo de analgésicos opioides no Brasil aumentou de forma expressiva, tanto em uso médico quanto em abuso. Um estudo da Anvisa mostrou que, em apenas seis anos, a venda de analgésicos à base de ópio cresceu 465% no país. A codeína, um opioide leve presente em diversos remédios para dor moderada, responde por mais de 90% das prescrições, e seu uso teve alta de 52% em pouco tempo (ANVISA, 2023). Medicamentos mais potentes como oxicodona e metadona, embora ainda pouco usados, também registraram aumento: só no primeiro semestre de 2021, já se consumiu 29% mais oxicodona e metadona do que em todo o ano de 2020. Esses números indicam uma mudança de comportamento na prescrição e no consumo.

Durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, muitos médicos recorreram a opioides para tratar dores agudas ou crônicas, elevando o número de pacientes expostos a essas drogas. Paralelamente ao maior acesso pelas vias legais, cresce o abuso e o desvio desses medicamentos. Uma pesquisa nacional da Fiocruz em 2019 acendeu o alerta ao revelar que 4,4 milhões de brasileiros, cerca de 2,9% da população, já haviam usado opioides sem prescrição médica, ou seja, de forma recreativa ou indevida. Esse percentual é três vezes maior que o de pessoas que já experimentaram crack no país. Ou seja, ainda que a “epidemia” de opioides no Brasil não tenha atingido os níveis vistos na América do Norte, o mau uso dessas pílulas já é uma realidade.

Muitas vezes, pessoas com dores ou já dependentes obtêm receitas de forma fraudulenta ou compram comprimidos remanescentes de terceiros. Farmácias online clandestinas e traficantes também passaram a negociar opioides, alimentando o consumo abusivo. Em fevereiro de 2023, ampolas de fentanil foram apreendidas pela primeira vez em território brasileiro. A Polícia Civil interceptou frascos da substância sendo transportados por traficantes no Espírito Santo, levantando a suspeita de que o fentanil estava sendo adicionado a outras drogas sintéticas de festa, como ecstasy (MDMA).

3. CAMINHOS E REFLEXÕES PARA O ENFRENTAMENTO DA EPIDEMIA DE OPIOIDES

Diante da complexidade da epidemia de opioides, não existe solução única ou simplista. A superação desse problema exige uma abordagem multidimensional, com políticas públicas articuladas entre os setores da saúde, educação, segurança pública e assistência social (Volkow et al., 2019). Nos Estados Unidos, a experiência acumulada nos últimos anos evidenciou os limites da chamada “guerra às drogas”, baseada na repressão exclusiva à oferta, ao mesmo tempo em que expôs os riscos da prescrição indiscriminada de analgésicos potentes. O consenso atual entre especialistas aponta para a necessidade de equilíbrio entre controle regulatório e cuidado integral.

Um dos pilares dessa abordagem é o aperfeiçoamento das práticas médicas de prescrição. É fundamental que profissionais da saúde recebam formação adequada sobre indicações, dosagens e alternativas aos opioides. Em contextos como unidades de pronto-atendimento, a dor intensa nem sempre exige o uso de morfina ou codeína. Em muitos casos, intervenções como anti-inflamatórios não esteroidais, fisioterapia ou bloqueios anestésicos regionais podem ser eficazes e menos arriscadas (CDC, 2022).

No entanto, pacientes com dor crônica intratável, especialmente em casos oncológicos ou de doenças terminais, devem ter acesso garantido à analgesia adequada. A chave está no acompanhamento clínico contínuo e individualizado, visando reduzir os riscos de tolerância, dependência e uso indevido (WHO, 2023).

Conforme apontado por The Lancet Regional Health – Americas (2022), o Brasil tem a oportunidade de agir preventivamente, evitando que a crise atinja proporções epidêmicas. Algumas medidas recomendadas incluem: implementação de sistemas eletrônicos de rastreamento de receitas, capacitação de profissionais da saúde para o reconhecimento de sinais de abuso, e campanhas educativas direcionadas à população sobre os riscos associados ao uso indevido de opioides.

Para indivíduos que já desenvolveram transtornos por uso de substâncias, é essencial garantir acesso a tratamentos de reabilitação baseados em evidências. Estudos demonstram que o tratamento eficaz da dependência de opioides vai além da interrupção abrupta do uso. Frequentemente, são necessários medicamentos como metadona ou buprenorfina, que reduzem os sintomas de abstinência e a fissura, associados a suporte psicossocial estruturado (Volkow et al., 2021; NIDA, 2023).

A psicoterapia, individual ou em grupo, desempenha papel central nesse processo, auxiliando o paciente a compreender os fatores que contribuíram para o desenvolvimento da dependência, além de fomentar habilidades de enfrentamento para lidar com a dor, o estresse e outras vulnerabilidades emocionais. Modelos terapêuticos integrativos, que combinam acompanhamento médico, psicológico e atividades ocupacionais, esportivas e espirituais, vêm sendo adotados em diversas instituições ao redor do mundo, com bons resultados (SAMHSA, 2023).

Outro fator determinante para o sucesso do tratamento é o envolvimento da rede familiar. Programas voltados à orientação e apoio a familiares de dependentes têm demonstrado eficácia em promover a adesão ao tratamento, reduzir recaídas e restaurar vínculos interpessoais. Grupos como Amor-Exigente no Brasil ou Al-Anon nos EUA oferecem suporte contínuo a familiares, ensinando estratégias de convivência saudável e limites terapêuticos (Lucena, 2023).

A reinserção social é, por fim, uma etapa decisiva. A eficácia do processo terapêutico fica comprometida se o indivíduo, ao término da internação ou da fase intensiva do tratamento, não encontra oportunidades para reconstruir sua vida. A ausência de perspectivas concretas em educação, trabalho ou convívio social pode favorecer recaídas. Nesse sentido, políticas públicas devem incluir iniciativas como capacitação profissional, programas de emprego assistido, encaminhamento para o mercado formal e incentivo à participação em atividades comunitárias e voluntariado (Miller et al., 2020).

Nos Estados Unidos, algumas experiências exitosas incluem os drug courts (tribunais de tratamento), que substituem penas de prisão por tratamento monitorado para infratores com transtornos por uso de substâncias, além de parcerias com empresas que oferecem oportunidades de emprego a ex- dependentes (ONDCP, 2022). No Brasil, políticas semelhantes podem ser adaptadas mediante a ampliação de convênios entre clínicas de reabilitação e os setores público e privado, garantindo estágios e empregos protegidos que favoreçam a autonomia e a dignidade dos recuperandos.

Apesar da gravidade do cenário, é possível adotar uma perspectiva de enfrentamento e esperança. A dependência química possui tratamento eficaz, e a recuperação é uma realidade documentada em milhares de casos. Para tanto, é fundamental promover o debate público desprovido de estigmas, reconhecendo o dependente como sujeito de direitos, que necessita de atenção especializada.

Ao mesmo tempo, é preciso reforçar que medicamentos analgésicos potentes devem ser usados com responsabilidade, apenas quando estritamente indicados, e sempre sob monitoramento profissional. A experiência norte-americana demonstra os riscos da banalização desses fármacos, bem como a urgência de políticas proativas de controle e educação.

O Brasil, neste momento, possui a oportunidade histórica de evitar uma tragédia semelhante. Para tanto, é necessário adotar medidas regulatórias, monitorar o comércio ilegal e investir de forma coordenada em prevenção, tratamento e reinserção. Cada vida preservada representa uma vitória coletiva frente à epidemia silenciosa das pílulas da dor.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A epidemia de opioides representa um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI, com consequências devastadoras nos Estados Unidos e sinais preocupantes de avanço no Brasil. Ao longo deste artigo, analisaram-se as origens da crise norte-americana, iniciada pela prescrição excessiva de analgésicos, intensificada pela migração para opioides ilegais como a heroína e agravada com a proliferação do fentanil sintético, bem como suas consequências sociais, econômicas e sanitárias. A atuação agressiva da indústria farmacêutica, aliada à fragilidade da regulação e à ausência inicial de políticas preventivas eficazes, foi determinante para o colapso observado.

Embora o Brasil ainda não tenha vivenciado uma crise de igual magnitude, os dados indicam um crescimento alarmante no uso de opioides, tanto prescritos quanto desviados. O aumento nas vendas de medicamentos como codeína e oxicodona, a expansão do mercado ilegal e o primeiro registro de fentanil ilícito em território nacional são sinais claros de que o país corre risco real de repetir os erros cometidos nos EUA.

A experiência americana oferece lições valiosas. Primeiramente, a regulação rigorosa da prescrição médica, com sistemas de rastreamento digital e formação continuada dos profissionais, mostrou-se essencial para reduzir o uso indiscriminado de opioides. Em segundo lugar, o fortalecimento da atenção psicossocial, com ampliação do acesso a tratamentos humanizados, uso de medicamentos de suporte (como metadona e buprenorfina) e envolvimento da família, demonstrou impacto positivo na redução de recaídas e mortalidade. Por fim, iniciativas de reinserção social e econômica, como os drug courts e programas de capacitação, reforçam que a recuperação vai além da abstinência, exigindo reconstrução de vínculos, dignidade e autonomia.

Para o Brasil, recomenda-se a adoção urgente de políticas públicas integradas, com os seguintes eixos prioritários: Fortalecimento da vigilância sanitária, com controle rigoroso sobre a distribuição e prescrição de opioides; Capacitação de profissionais da saúde, para abordagem clínica adequada da dor e da dependência, evitando tanto o subtratamento quanto o abuso; Campanhas educativas de amplo alcance, voltadas à conscientização sobre os riscos dos analgésicos potentes e o reconhecimento precoce do uso problemático; Ampliação da rede de atenção psicossocial, com oferta de tratamentos baseados em evidências, suporte familiar, espiritualidade e reinserção produtiva; Criação de estratégias de reintegração, como parcerias entre clínicas, setor público e empresas, para o emprego protegido e estímulo à educação.

A epidemia das “pílulas da dor” não pode ser ignorada. A prevenção requer aprendizado com os erros alheios, e a ação precoce pode evitar que milhares de brasileiros passem pelas mesmas perdas vivenciadas nos EUA. A experiência clínica relatada, somada às evidências científicas, reforça que a recuperação é possível, desde que haja compromisso coletivo com políticas eficazes, cuidado humanizado e uma visão que integre ciência, compaixão e responsabilidade social.

REFERÊNCIAS

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[1] Empresário, Educador Social e Especialista na Recuperação de Dependentes Químicos. ORCID: 0009-0000-9390-6562.

Material recebido: 12 de maio de 2025.

Material aprovado pelos pares: 03 de junho 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 13 de junho de 2025.

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Guilherme Bezerra Walraven

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