A percepção do enfermeiro nos cuidados paliativos em Oncopediatria

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REVISÃO INTEGRATIVA

BOZZO, Isabella Alvarinho [1], FERNANDES, Jessica Iarema [2], ROSA, Thayna Cesar de Oliveira [3] , ARANHA, Ana Lucia Batista [4]

BOZZO, Isabella Alvarinho. Et al. A percepção do enfermeiro nos cuidados paliativos em Oncopediatria. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 11, Vol. 02, pp. 43-62. Novembro de 2019. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/percepcao-do-enfermeiro

RESUMO

O enfermeiro necessita ter sempre um olhar humanizado e holístico para o paciente, principalmente na área de oncologia. Esse estudo busca refletir a percepção do enfermeiro no seu cotidiano, compreender o enfrentamento do processo de morrer pelo profissional e analisar a importância dos cuidados paliativos, que tem como objetivo uma melhora no quadro clínico do paciente, trazendo conforto e gerando alívio do sofrimento. O setor de oncopediatria é estressante e causa diversas emoções nos enfermeiros que lidam com isso diariamente. Objetivo: O objetivo deste trabalho foi avaliar a percepção do enfermeiro frente ao cuidado paliativo da criança oncológica. Sendo uma revisão integrativa será identificado e compreendido o enfrentamento do processo de morte e as competências necessárias do enfermeiro para atuar no setor de cuidados paliativos da oncopediatria, através de publicações nacionais encontradas nas bases de dados BVS (LILACS e BDENF). Resultados e Discussão: após a leitura dos artigos selecionados, apresentamos três tópicos de discussão: a percepção do enfermeiro frente a morte em oncopediatria, o processo do morrer e a atuação do enfermeiro na oncopediatria – cuidados paliativos, que são responsáveis pela promoção de qualidade de vida e conforto ao paciente pediátrico oncológico. Considerações finais: apontamos que, o cuidado paliativo, as medidas de suporte e conforto para o alívio e sofrimento do paciente, devem ser priorizadas visando o bem-estar da criança.

Descritores: enfermagem, paliativo, oncologia, pediatria.

1. INTRODUÇÃO

O câncer infanto-juvenil trata-se de uma patologia que acomete a proliferação de células anormais podendo atingir qualquer parte do corpo. Diferente do câncer do adulto, o infantil geralmente acaba afetando as células sanguíneas.

O cuidado paliativo consiste basicamente na abordagem para melhoria da qualidade de vida dos pacientes, através de conforto que geramos alívio da dor, da saúde mental, física e espiritual¹. O enfermeiro atua diretamente proporcionando a qualidade de vida e otimização do tempo que ainda resta ao paciente, devendo estar preparado para reconhecer as necessidades básicas da criança oncológica, garantindo dignidade e preservação da autonomia, promovendo apoio ao doente e seus familiares. ²

Diante do exposto, qual a percepção do profissional de enfermagem frente ao cuidado paliativo em oncopediatria? O enfermeiro enfrenta dificuldades físicas e, principalmente, emocionais na rotina de assistência oncológica por lidar diretamente com a morte, buscando alternativas para o melhor enfrentamento próprio e do paciente oncológico. O intuito deste projeto é de conhecer o dia a dia, entender o foco e as prioridades da assistência do enfermeiro frente à criança hospitalizada.

2. OBJETIVOS

2.1 GERAL

O objetivo deste trabalho foi avaliar a percepção do enfermeiro frente ao cuidado paliativo da criança oncológica.

2.2 ESPECÍFICO

  1. Compreender o enfrentamento do processo de morte pelo profissional de enfermagem no setor de cuidados paliativos da oncopediatria.
  2. Identificar as competências necessárias para o enfermeiro atuar na unidade de cuidados paliativos da oncopediatria.

3. MÉTODO

3.1 TIPO DE PESQUISA

O estudo conta-se em uma pesquisa de revisão bibliográfica narrativa. Uma revisão de literatura é imprescindível para a construção de pesquisas, enquanto na pesquisa bibliográfica que agrupa dados e informações para ter uma base de investigação a partir do tema escolhido3.

3.2 MATERIAL E MÉTODO

A pesquisa bibliográfica é um método utilizado frequentemente para estudos exploratórios ou descritivos em casos onde o objeto de estudo é pouco embasado, o que dificulta a formação de hipóteses exatas e conclusivas. Esse modelo de pesquisa viabiliza um amplo alcance de informações, possibilitando a união de dados encontrados em diversas publicações e auxiliando na construção e definição do objeto de estudo​4.

A revisão da narrativa não é composta por uma questão específica e bem definida, sendo assim possui uma temática mais aberta e não exige um protocolo rígido para ser feito. É constituída pela análise de literatura de livros, artigos e revistas impressas e/ou eletrônicas e pela análise crítica do autor5.

Após a definição do objeto de estudo e tipo de pesquisa, foi realizada a pesquisa bibliográfica de artigos sobre o tema. Para a seleção dos artigos, foram utilizadas as bases de dados e artigos BVS (LILACS e BDENF), SCielo e PUBMED através das palavras-chave “(​Enfermagem x Paliativo x Oncologia x Pediatria​), (​Cuidado(s) Paliativo(s) or Criança(s) or Oncologia or Oncológica(s) or Enfermagem or Enfermeiro(s)), Cuidado(s) Paliativo(s) or Pediatria or Oncologia or Oncológica(s) or Enfermagem or Enfermeiro(s))​”. Para a descrição dessa pesquisa, foi utilizada a ferramenta Word do pacote Office.

Foram estabelecidas algumas etapas para a metodologia deste estudo: Identificação do tema proposto e seleção de hipótese ou questão de pesquisa para a produção da revisão integrativa: a visão e percepção do enfermeiro frente aos cuidados paliativos na oncopediatria.

Critérios utilizados para inclusão e exclusão de estudos:

  • Como critério de exclusão foram descartados artigos em que a temática não era pertinente aos objetivos do presente estudo, artigos com duplicidade de conteúdo, artigos cujo acesso completo somente permitia-se mediante pagamento, artigos cujas páginas virtuais apresentavam problemas técnicos ou não disponibilizavam acesso na íntegra;
  • Como critério de inclusão foram selecionados para embasar a construção do presente estudo ​artigos completos, disponíveis nas referidas bases de dados​, no idioma português e que atendem ao tema proposto.

Informações retiradas dos estudos selecionados: ​Na busca inicial, encontrou-se um total de 283 artigos lidos no resumo, onde foram excluídos 104 artigos por não atenderem completamente ao tema proposto, 76 artigos por permitir o ​acesso ao artigo completo somente mediante pagamento, artigos por não atenderem ao idioma português e 81 artigos por terem sido publicados com o mesmo título de outros previamente selecionados. Os 19 artigos restantes foram lidos na íntegra e selecionados para o estudo.

Os artigos escolhidos mediante os critérios de inclusão e exclusão e norteados pelo tema foram lidos na íntegra e identificados como consistentes e contributivos no alcance do objetivo proposto.

As publicações foram analisadas e os dados interpretados de forma organizada e sintetizados por meio da elaboração de um estudo embasado e sustentado pelo tema.

4. REFERENCIAL TEÓRICO

4.1 A PERCEPÇÃO DO ENFERMEIRO FRENTE A MORTE EM ONCOPEDIATRIA

A equipe de enfermagem é a que mantém maior contato não só com o paciente, mas também com a família. Por passar a maior parte do tempo no chamado beira-leito as ações do profissional de enfermagem vão além de procedimentos técnicos, sendo também de sua competência lidar com aspectos sociais, psicológicos e bioéticos do paciente​3​. Portanto, a enfermagem fica responsável por intermediar o diálogo, exercer a compreensão e o apoio, defender os interesses do cliente e conciliar todos esses aspectos com o cuidado digno e integral​6​.

A hospitalização é, por si só, um processo traumático na vida de um paciente. O sofrimento, a adaptação e muitas vezes o diagnóstico médico impactam diretamente na aceitação da condição clínica, principalmente quando se trata de uma criança. Uma criança hospitalizada exige do profissional de saúde o planejamento minucioso de ações que possam minimizar o sofrimento da adaptação a situações como procedimentos dolorosos, afastamento do ambiente familiar, distanciamento das atividades escolares, dificuldade de entendimento quanto ao sofrimento dos pais, entre outros. Assim, mais uma vez o papel fundamental da enfermagem na atuação direta com o paciente é evidenciado​6,7 ​. A criança hospitalizada é muito mais complexa para a equipe quando vem acompanhada de um diagnóstico de câncer.

O câncer é definido como um crescimento rápido, desenfreado e maligno de células que alcançam órgãos e tecidos. Pela velocidade em que se multiplicam e pela agressividade que ganham, formam posteriormente os tumores ou neoplasias malignas​6,8. Enquanto na criança o câncer afeta as células sanguíneas e tecidos de sustentação, no adulto afeta as células epiteliais, que recobre os diferentes órgãos. No cuidado com a criança oncológica, o enfermeiro representa o apoio direto à criança física e psicologicamente, a orientação do paciente e da família durante todo o tratamento e a amenização do sofrimento pelo cuidado humanizado​2,9.

Por toda essa representatividade que o enfermeiro possui, torna-se mais difícil o enfrentamento diário na assistência, pois a principal consequência na hospitalização de uma criança oncológica é a morte. Nesse caso, deve-se proporcionar a chamada morte digna ao paciente. Promover o alívio da dor, conforto físico, o contato direto da família, o fortalecimento de vínculos, a abordagem holística e humana, o amparo, entre outros, é de suma importância e de competência da equipe de enfermagem​9,10​.

Entretanto, a enfermagem apresenta grande desconforto em atuar diante da morte já esperada ou pelo convívio com a dor e com o sofrimento. A morte da criança gera no profissional um conflito interno de dúvidas sobre a eficácia dos cuidados que foram prestados. Muitas vezes, o profissional de enfermagem se coloca no lugar de familiar ou se abala pelo forte vínculo criado com a criança durante o tratamento e a hospitalização, o que acarreta extremo desgaste emocional e psicológico. Mesmo a morte sendo um acontecimento comum em sua rotina, o enfermeiro encontra dificuldade em aceitar e lidar adequadamente com a situação envolvendo a criança e sua família​2,6,10​.

4.2 ​O PROCESSO DO MORRER

Os enfermeiros que possuem em sua rotina de trabalho crianças com câncer em processo de morte, tendem a um grande desgaste emocional, mental e físico, pois sofrem ao enfrentar o processo de morrer tão próximo e diariamente. Para atuar na área de oncologia pediátrica, a equipe de enfermagem necessita de um apoio psicológico, além de saber lidar e entender a morte e o morrer, assim como identificar os respectivos estágios deste processo que são: negação, barganha, depressão e aceitação. A equipe de enfermagem, tende a apoiar a presença dos pais, familiares ou amigos juntos a essa criança, quando não, a equipe deve estar presente conversando sobre este momento que a criança está passando, sobre o medo de saber e sentir que a morte está se aproximando. Ao mesmo tempo, estar transmitindo-lhe carinho, atenção e confiança, não deixa-la sozinha em intervalos tão grandes para não criar um sentimento de abandono ou solidão. A ação de comunicar uma má notícia não é fácil, fazendo com que o profissional tenha muita cautela de como falar, quando e para quem. A forma deve ser humanizada, sincera e honesta, porém não desestimulando a criança e os familiares. Hoje em dia, há vários cursos e protocolos que ajudam o profissional a ter uma boa e clara comunicação. É essencial a competência da equipe de enfermagem aos cuidados paliativos, o processo do luto, da morte e as discussões multiprofissionais no objetivo de uma melhora na qualidade de vida que resta ao paciente. Os cuidados paliativos são de extrema importância para criança e a família quando a morte é inevitável em alguns casos, aliviando a dor da criança, propondo conforto e uma morte digna11.

Os profissionais de enfermagem, são capazes de reconhecer e agir na dor que a criança sente, junto com a dor sentimental da família. Assim, planejam um plano terapêutico singular com base nos seus conhecimentos e sabedoria, formado por conjunto de condutas e intervenções visando o quadro clínico13. As maneiras de prestar cuidados para os pacientes que estão em processo de finitude da vida, precisam ser exploradas e bem claras, de modo que possa trabalhar respeitando-as com suas crenças, aspectos culturais e sociais. Este fato, dos enfermeiros lidarem com a morte alheia e presenciar a dor do outro, faz com que os mesmos tornem-se vulneráveis12. As pesquisas da atualidade mostram exatamente que o cotidiano hospitalar é um lugar de sofrimento psíquico para pessoas trabalhadoras de saúde, porém, a equipe de enfermagem, a cada luto que presencia, precisa recomeçar e seguir em frente13 .

4.3 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA ONCOPEDIATRIA – CUIDADOS PALIATIVOS

Na pediatria o cuidado paliativo é descrito como uma assistência organizada, foco na criança limitada, que possui uma doença que traz sofrimento e muita dor, para o paciente e toda a família. O enfermeiro atua frente a prevenção, alívio e identificação do sofrimento e alívio da dor​.¹

O descobrimento do quadro oncológico traz ao paciente e sua família pensamentos negativos referente ao estado de saúde e risco de morte. Os enfermeiros que lidam com essa rotina assumem um suporte emocional. O papel mais importante do profissional de Enfermagem é orientar o cuidado da doença, tratamento e a própria reabilitação, afetando diretamente o conforto designado à criança. Deve-se amenizar o sofrimento causado por todo o processo de tratamento da doença, de modo totalmente humanizado e do desenvolvimento lúdico​14​. A empatia do profissional de enfermagem frente à criança com câncer é muito importante à medida que leva a um trabalho mais motivador e consequentemente mais acolhedor a criança. A Enfermagem é a equipe que está maior parte do tempo e realiza maiores procedimentos diretos com a criança, devido a isso, se faz necessário a criação de um vínculo, laço com a família e o paciente, junto a postura profissional​2.

A humanização demanda certo conhecimento, disposição, interesse afetivo, afetividade, flexibilidade e busca o aprimoramento do cuidar e capacidade de escutar oportunizando o momento sem pré-julgamentos​. Se faz necessário que a enfermagem ajude a família a reconhecer os problemas e se possível, encontrar soluções para os mesmos​.²

Ao cuidar do outro, ao invés de simplesmente olhar para o mesmo de fora, os profissionais devem ser capazes de estar com o paciente em seu mundo, promovendo sempre todo o tipo de informação necessária​1​, bem como

“Disponibilizar à criança informações sobre a doença e o tratamento; prepará-la para os procedimentos; adotar medidas para alívio da dor e desconforto; incluir a família no processo de cuidar, e respeitar a tomada de decisão da família, da criança e do adolescente, podem promover a autoestima de todos que participam desse processo”​15​.

Portanto, foi identificado que o enfermeiro é um ser humano que engloba sentimentos, dificuldades, necessidades e percepções sobre o cotidiano em que vive a cada plantão15​.

5. DISCUSSÃO/RESULTADOS

5.1 A PERCEPÇÃO DO ENFERMEIRO FRENTE A MORTE NA ONCOPEDIATRIA

A equipe de enfermagem é a que mantém maior contato não só com o paciente, mas também com a família. Por passar a maior parte do tempo no chamado beira-leito as ações do profissional de enfermagem vão além de procedimentos técnicos, sendo também de sua competência lidar com aspectos sociais, psicológicos e bioéticos do paciente15.

No mesmo artigo, temos: ‘’A categoria pertinente ao lidar com a morte, para os enfermeiros do presente estudo, é representada por poucas intervenções para a promoção de uma morte digna e poucas definições para uma boa morte. As narrativas não trazem estratégias que resultem diretamente no cuidado, mas trazem principalmente uma descrição de como os profissionais de enfermagem lidam com a morte e o processo de morrer e o que consideram necessário para que o enfermeiro seja capaz de oferecer uma morte digna.’’15

Oferecer uma morte digna se torna um desafio para toda a equipe, pois envolve o equilíbrio de diversas visões e necessidades da criança, dos envolvidos no processo de melhora. Identificamos aspectos para gerar uma morte digna, promovendo maturidade profissional e familiar.

5.2 O PROCESSO DE MORRER​

É necessário que os profissionais sejam sensíveis diante ao sofrimento humano, sejam capazes de criar uma relação afetiva, que respeitem e sejam reconhecedores da dignidade do humano nas situações mais adversas e seja ela qual for. A dificuldade em aceitar e oferecer cuidado paliativo, aborda uma questão muito importante para os enfermeiros, sendo que a morte gera conflitos pessoais na qualidade do cuidado16.

No mesmo artigo, temos: a incapacidade que este profissional tem de não poder controlar tal momento, remetem às sensações de sofrimento, fazendo com que tristeza, angústia, insegurança, medo, ansiedade e impotência possam fazer parte de sua rotina.

Foi possível observar que, o Enfermeiro, ao se deparar no dia a dia com pacientes oncológicos terminais, possivelmente apresentará dificuldades em lidar com tantos sentimentos que afloram de ambos os lados: paciente, família e o profissional no processo terapêutico da morte e morrer.

5.3 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA ONCOPEDIATRIA: CUIDADOS PALIATIVOS

O enfermeiro paliativista deve desempenhar uma visão humanística, que apesar da impossibilidade da cura, sua relação com o paciente não deve deixar de acontecer, o que poderá trazer benefícios para ambos. No mesmo artigo, temos: os enfermeiros reconhecem em sua ação de cuidar a importância de atender às necessidades da criança, não apenas, em relação aos sintomas clínicos que o paciente apresenta.1

Partindo do princípio que paciente paliativo não encerra o seu tratamento, e sim muda o seu objetivo, modificando a busca pela cura da doença pelo alivio do sofrimento e melhor qualidade de vida. Uma das formas que auxiliam nesse processo do cuidar do paciente oncológico se trata de práticas integrativas e complementares (PICS), pois elas trabalham o indivíduo como um todo, visando o tratamento dos aspectos físicos, sociais, emocionais e espirituais. No Brasil, em 2006 construiu-se a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) com a finalidade de atender às diretrizes e indicações de várias Conferências Nacionais de Saúde e às recomendações da OMS. Atualmente as PICS vem sendo difundidas por todo o território brasileiro e já se encontram no Sistema único de saúde (SUS)1718,19.

Dentro das PICS existem diversas modalidades, como: acupuntura, auricutura, yoga, meditação, reiki, cromoterapia, massagem, musicoterapia, terapia da dança, toque terapêutico, entre outros. Elas têm como finalidade complementar o tratamento clínico e aliviar os sintomas como dor, ansiedade, depressão e isolamento, promovendo o relaxamento; criando oportunidade para criação de vínculos entre paciente e profissional; melhorando a qualidade de vida e até mesmo potencializando o efeito dos medicamentos no controle da dor. Em relação a criança oncológica as práticas integrativas como por exemplo a musicoterapia e a terapia da dança, são auxiliadoras no resgate da diversão, infância e da fraternização com os seus familiares, tirando a criança do meio hospital-doença e trazendo ela de volta para o seu mundo lúdico de prazer e relaxamento18,19.

O enfermeiro é um dos principais profissionais no cuidado com o paciente cabendo a ele ofertar os serviços das práticas integrativas e complementares (PICS), sendo assim o Conselho Federal de Enfermagem, através da Resolução COFEN -197/97, “Estabelece e reconhece as Terapias Alternativas como especialidade e/ou qualificação do profissional de Enfermagem.”19

Esta revisão é composta por 18 artigos publicados. Da análise dos estudos apresentados, emergiram os dados apresentados no Quadro 1.

Quadro 1: Estudos classificados por: Nome do autor, ano, título do artigo, revista veiculada, resumo, link. São Paulo, 2019.

O quadro 1 apresenta todos os artigos que foram selecionados e analisados posteriormente de acordo com a temática pertinente ao estudo.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Identificamos que no cuidado paliativo, as medidas de suporte e conforto para o alívio e sofrimento do paciente, devem ser priorizadas visando o bem-estar da criança. São estratégias da equipe oferecer um cuidado integral para melhorar a qualidade de vida, retirar um pouco do sofrimento e tristeza do paciente e da família também, que acompanha junto à equipe, todo esse processo, promovendo assim maior conforto para os atingidos, atendendo às necessidades de ambos.

O cuidado paliativo não promove a cura, mas, auxilia no cuidado direto com o paciente, que no caso são crianças, promovendo assim, qualidade e conforto de vida. A equipe multiprofissional atua diante do cuidado integral, podemos dizer que, biopsicossocial e espiritual, podendo assim ressaltar as necessidades do assistido. Junto a isso, identificamos o uso de terapias alternativas para o conforto durante o tratamento de um câncer, que é designado papel do Enfermeiro.

REFERÊNCIAS

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  2. Souza LPS, Santana JMF, Sousa Júnior RB, Silva WM, Souza AEF, Anunciação ACF, Souto SGT, Souza AAM. Atuação do enfermeiro na assistência a crianças com câncer: uma revisão de literatura. J Health Sci Inst. 2014;32(2):20310. https://www.unip.br/presencial/comunicacao/publicacoes/ics/edicoes/2014/02_abr-jun/V32_n2_2014_p203a210.pdf
  3. Lima TCS, Mioto RCT. Procedimentos metodológicos na construção do conhecimento científico: a pesquisa bibliográfica. Rev. Katálysis, Florianópolis, v.10, n. spe, p. 37-45, 2007. [Acesso em 22 jul 2018]. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-49802007000300004
  4. Gil AC. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. Editora Atlas SA, 2008.
  5. Rother, ET. Revisão sistemática X revisão narrativa. Acta Paulista de Enfermagem [Internet]. Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=307026613004
  6. Avanci BS, Carolindo FM, Góes FGB, Netto NPC. Cuidados paliativos à criança oncológica na situação do viver/morrer: a ótica do cuidar em enfermagem. Esc Anna Nery Rev Enferm 2009 out-dez; 13 (4): 708-16. http://www.scielo.br/pdf/ean/v13n4/v13n4a04
  7. Viero V, Beck CLC, Coelho APF, Pai DD, Freitas PH, Fernandes MNS. Trabalhadores de enfermagem em oncologia pediátrica: estratégias defensivas no trabalho. Esc Anna Nery 2017;21(4):e20170058. DOI: 10.1590/2177-9465-EAN-2017-0058. http://www.scielo.br/pdf/ean/v21n4/pt_1414-8145-ean-2177-9465-EAN-2017-0058.pdf
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  9. AJ Rodrigues, M Bushatsky, WD Viaro. Cuidados paliativos em crianças com câncer: revisão integrativa. ​Rev enferm UFPE online, Recife, 9(2):718-30, fev., 2015. DOI: 10.5205/r euol.7028-60723-1-SM.0902201530. https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/viewFile/10392/11150
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  11. Carmo SA; Oliveira ICS. Criança com Câncer em Processo de Morrer e sua Família: Enfrentamento da Equipe de Enfermagem. Revista Brasileira de Cancerologia 2015; 61(2): 131-138 Disponível em: http://www1.inca.gov.br/rbc/n_61/v02/pdf/07-artigo-crianca-com-cancer-em-processo-de-morrer-e-sua-familia-enfrentamento-da-equipe-de-enfermagem.pdf
  12. Lima R; Borsatto AZ, Vaz DC, Pires ACF, Cypriano VP, Ferreira MA. A morte e o processo de morrer: ainda é preciso conversar sobre isso. Revista Mineira de Enfermagem. Disponível em: http://www.reme.org.br/artigo/detalhes/1178 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1415-2762.20170050
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  15. Souza LF, Misko MD, Silva L, Poles K, Santos MR, Bousso RS. Morte digna da criança: percepção de enfermeiros de uma unidade de oncologia. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v47n1/a04v47n1.pdf.
  16. Beserra EP, Oliveira FC, Ramos IC, Moreira RVO, Alves MDS, Braga VAB. Sofrimento humano e cuidado de Enfermagem: múltiplas visões. Esc Anna Nery 2014;18(1):175-180. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ean/v18n1/1414-8145-ean-18-01-0175.pdf.
  17. Ministério da Saúde (Brasil). Política nacional de práticas integrativas e complementares no SUS. 2006. Brasília (DF): Ministério da saúde. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnpic.pdf
  18. Caires JS, Andrade TA, Amaral JB, Calasans MTA, Rocha MDS. A utilização das terapias complementares nos cuidados paliativos: benefícios e finalidades. Cogitare Enferm. 2014 Jul/Set; 19(3):514-20. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/33861/23228.
  19. Magalhães MGM, Alvim NAT. Práticas integrativas e complementares no cuidado de enfermagem: um enfoque ético. Esc. Anna Nery. 2013;17(4):646-653. DOI: 10.5935/1414-8145.20130007. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-81452013000400646&script=sci_abstract&tlng=pt.

[1] Graduanda em Enfermagem.

[2] Graduanda em Enfermagem.

[3] Graduanda em Enfermagem.

[4] Mestre em Enfermagem.

Enviado: Setembro, 2019.

Aprovado: Novembro, 2019.

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