Determinação De Proteínas Em Suplementos Alimentares

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LOCATELLI, Tamiris [1]

LOCATELLI, Tamiris. Determinação de proteínas em suplementos alimentares. Revista Cientifica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed 08, Vol. 03, pp 21-47, Agosto 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

Os suplementos alimentares são alimentos formulados para praticantes de atividades físicas e sua função é melhorar o desempenho, aumentar o tecido muscular, minimizar os efeitos da fadiga e produzir energia para o musculo. Atualmente, o consumo de suplementos tem aumentado devido a busca de obtenção de resultados em curtos períodos de tempo. A composição do suplemento varia de acordo com sua classificação, sendo que seus principais ingredientes são vitaminas, minerais, metabólitos, ervas, extratos e aminoácidos. Porém, os suplementos mais procurados pelos praticantes de atividades físicas são os que contêm proteína, pois além de fornecer aminoácidos, os atletas acreditam que dietas ricas em proteínas fornecem resistência muscular e força. A composição e a concentração do produto devem estar de acordo com os valores informados nos rótulos, daí a importância de pesquisas que investiguem a composição para contribuir com a veracidade das formulações e composições. O objetivo desse trabalho foi analisar o teor de proteína em três marcas diferentes de suplementos alimentares adquiridos em farmácias, pelo método de Kjeldhal. Os valores de referência utilizados para comparação são os citados pela ANVISA, que apresenta variações de acordo com a classificação dos suplementos. O suplemento 3XPROTEIN em relação ao suplemento MASS WAY2500 apresentou 59,3% a mais de proteína e em relação ao suplemento CARNPRO apresentou 108,6% a menos de proteína, o suplemento MASS WAY2500 em relação ao suplemento CARNPRO apresentou 415% a menos de proteína. A quantidade de proteína do suplemento 3XPROTEIN está próxima ao valor mínimo estabelecido e seu teor de proteína é menor que o informado no rótulo. A quantidade de proteína do suplementos MASS WAY2500 também teve um valor próximo ao mínimo estabelecido e seu teor de proteína está próximo ao informado no rótulo e o suplemento CARNPRO teve uma quantidade de proteína acima do valor mínimo estabelecido, e seu teor de proteína está acima do informado no rótulo.

Palavras chaves: Suplementos alimentares, Proteína, Kjeldhal.

1. INTRODUÇÃO

 O consumo de suplementos alimentares tem aumentado devido a busca por melhor condicionamento físico e pela manutenção da saúde. A utilização de suplementos tem se tornando prática comum pelos frequentadores de academias, pois apresente a função de melhorar o desempenho de atividades físicas, aumentar o tecido muscular, minimizar os efeitos da fadiga, aumentar o alerta mental, produzir energia para o músculo, reduzir a gordura corporal e diminuir a produção de metabólitos tóxicos do músculo. (ROCHA; PEREIRA, 1998; DANTAS, 2005).

Atualmente o consumo de suplementos alimentares é devido à obtenção de resultados em um curto período de tempo. Sua prescrição deveria ser feita por médicos ou por profissionais especializados e de forma cautelosa com critérios científicos. Mas, na maioria dos casos, tem uma prescrição de forma irresponsável e inconsequente, não avaliando possíveis efeitos colaterais, como desequilíbrio, antagonismo e toxidez. (ARAÚJO; SOARES, 1999; JESUS; SILVA, 2008).

Além do uso desordenado, também há a substituição dos alimentos pelos suplementos. Essa substituição pode acarretar grandes riscos a saúde dos seus consumidores. Dessa forma, a suplementação alimentar é um risco eminente de desequilíbrio nutricional, pois se deixa de ingerir alimentos e se passa a consumir suplementos na busca de melhorias no metabolismo. (SABINO; LUZ; CARVALHO, 2010).

Os suplementos alimentares, por ser um produto destinado ao consumo, segue legislação específica para a composição dos rótulos. (MALASPINA; PALMA, 2000). Os rótulos são elementos essenciais de comunicação entre consumidores e produtos. É de vital importância que suas informações sejam claras e que orientem a escolha adequada dos alimentos. (BRASIL, 2008a).

A composição e a concentração do produto devem estar de acordo com os valores informados nos rótulos. Caso esses valores não sejam comprovados pode-se classificar como propaganda enganosa. (MALASPINA; PALMA, 2000).

Algumas pesquisas demonstraram inadequabilidade destes produtos quanto a rotulagem, composição, comercialização e legislação. Então, há a necessidade de mais pesquisas que investiguem a composição para contribuir com a veracidade das formulações e composições. (FERREIRA, 2010).

A composição dos suplementos varia com sua classificação. Os hidroelétricos podem conter sódio, carboidratos, vitaminas, minerais e potássio.

Os suplementos energéticos devem conter no mínimo 75% do valor energético total provenientes de carboidratos (15g/ porção), além de vitaminas, minerais, lipídios e proteínas. (BRASIL, 2010).

Os suplementos proteicos, na porção pronta para consumo, devem apresentar valor energético total proveniente de proteínas de no mínimo 50% (10g/ porção), além de conter vitaminas e minerais. (BRASIL, 2010).

Os suplementos para substituição parcial das refeições, na porção pronta para consumo, devem conter de 50 a 70% de carboidratos, do valor energético total, a quantidade de lipídios deve corresponder no máximo a 30% do valor energético total, as gorduras saturadas e trans não podem ultrapassar 10% e 1% do valor energético total, respectivamente. Ainda, podem ser adicionados vitaminas, minerais e fibras alimentares. (BRASIL, 2010).

Segundo Williams (2002), os suplementos devem conter pelo menos um dos seguintes nutrientes: vitaminas, minerais, aminoácidos, proteínas, metabólitos, antioxidantes, lipídios, ácidos graxos ou ainda uma combinação de qualquer destes.

Segundo Araújo e Soares (1999), as proteínas não são substratos energéticos significativos, porém, são responsáveis por suprir aminoácidos essenciais garantindo o crescimento, o desenvolvimento, a construção tecidual e a musculatura esquelética.

O objetivo desse trabalho é quantificar o teor de proteínas de três marcas convencionais de suplementos alimentares.

            Analisar o teor de proteína dos suplementos pelo método de Kjeldahl;

  • Comparar o valor obtido experimentalmente com o do rótulo;
  • Verificar se o valor obtido experimentalmente está de acordo com a ANVISA;

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 NUTRIÇÃO: CONCEITO E IMPORTÂNCIA

 Nutrição não é apenas ingestão de alimentos, mais tudo que envolve a disponibilização dos nutrientes nas células e na via metabólica. (BALLARIN; QUEIROZ, 2001).

Os processos de ingestão e conversão de substâncias alimentícias em nutrientes são utilizados para manter as funções orgânicas, e envolvem nutrientes que podem ser usados com a finalidade de produzir energia para o organismo, como os carboidratos, lipídios e proteínas. Essas moléculas armazenadoras de energia são responsáveis por sintetizar outras moléculas não fornecedoras de energia, porém necessárias aos processos biológicos. (WOLINSKY; HICKSON, 1994).

O desempenho do organismo melhora quando em condições adequadas de nutrição. (ARAÚJO; SOARES, 1999). Quando os nutrientes estão presentes em quantidades ótimas ocorre aumento da saúde e do bem estar do indivíduo. Muitas pesquisas tem o objetivo de determinar quais nutrientes são essenciais e as suas quantidades ótimas. (NATIONAL RESEARCH COUNCIL, 1989 apud SANTOS; SANTOS, 2002).

O Quadro 1 mostra os nutrientes e suas principais funções.

 

Nutrientes Principais funções
Proteína Constroem nosso corpo: utilizadas para fazer osso, pele, músculos, dentes, etc. Fazem o reparo do corpo: cicatrização de ferimentos, etc.
Açúcar Fornece energia para que possamos nos movimentar, falar, pensar, etc.
Gordura Fornece energia e constroem o corpo
Sais minerais Constroem o corpo
Vitaminas Regulam o funcionamento do corpo
Água Compõem todos os tecidos do corpo;

Permite o transporte de substâncias;

Permite a eliminação de resíduo;

Ajuda a manter a temperatura;

Quadro 1 – Principais nutrientes e suas funções.

Fonte: Borsoi (1997, p. 13 – 27).

Nota: Adaptado pela autora.

Na nutrição, as proteínas tem sua importância pelo fornecimento de aminoácidos que garante o crescimento, desenvolvimento e reconstrução tecidual. (ARAÚJO; SOARES, 1999).

A adição de proteínas em suplementos alimentares tem aumentado para substituir proteínas das dietas, elevando o valor biológico das refeições. Porém, seu excesso é prejudicial, pois sobrecarrega o fígado que é responsável pela metabolização dos aminoácidos e os rins que eliminam grande quantidade de subprodutos do metabolismo proteico. (ARAÚJO; SOARES, 1999).

            A maior parte das proteínas da dieta são absorvidas na forma de aminoácidos no intestino, porém como as moléculas de aminoácidos são grandes para sofrer difusão pelos poros das membranas celulares, só podem atravessá-los por transporte ativo ou facilitado através de mecanismos carregadores. (COSTA; PELUZIO, 2008).

2.2 SUPLEMENTOS ALIMENTARES

Segundo Lorete (2007 apud Jesus; Silva, 2008, p. 1), descrevem os suplementos como:

[…] alimentos formulados destinados para praticantes de atividade física, devem conter aminoácidos oriundos  da hidrólise de proteínas, aminoácidos essenciais usados em suplementação para alcançar alto valor biológico e aminoácidos de cadeia ramificada, desde que não apresentem ação terapêutica ou tóxica.

Jesus e Silva (2008), classificaram os suplementos da seguinte forma:

  1. Repositores hidroelétricos: formulados a partir de concentrações variadas de eletrólitos (sódio e cloreto), em conjunto com concentrações variadas de carboidratos objetivando reposição hídrica e eletrolítica decorrente da pratica de atividade física. Opcionalmente pode conter potássio, vitaminas e/ou minerais.
  2. Repositores Energéticos: formulados com nutrientes que permitem o alcance e ou manutenção do nível apropriado de energia. Os carboidratos devem constituir, no mínimo, 90% dos nutrientes energéticos presentes na formulação. Opcionalmente pode conter vitaminas e/ou minerais.
  3. Alimentos Proteicos: produtos com predominância de proteínas (hidrolisada ou não) e formulados com o objetivo de aumentar a ingestão de proteínas ou complementar da dieta. Nestes produtos a composição proteica deve ser constituída de no mínimo 65% de proteína de qualidade nutricional equivalente ás proteínas de alto valor biológico (carne, ovo e leite). Opcionalmente podem conter vitaminas, minerais, carboidratos e gorduras.
  4. Alimentos Compensadores: formulações variadas para serem utilizados na adequação de nutrientes da dieta. Devem conter macro nutrientes obedecendo aos seguintes requisitos: I) carboidratos: abaixo de 90%; II) proteína: no mínimo 65% de alto valor biológico; III) lipídios a relação de ⅓ lipídios saturada, ⅓ monoinsaturada e ⅓ poli-insaturada; IV) opcionalmente podem conter vitaminas e/ou minerais.
  5. Aminoácidos de cadeia ramificada: formulados a partir de concentrações variadas de aminoácidos de cadeia ramificada, com o objetivo de fornecer energia e não são naturais do corpo. Os aminoácidos de cadeia ramificada (valina, leucina e isoleucina) isolados ou combinados devem constituir no mínimo 70% dos nutrientes energéticos da formulação, fornecendo para a ingestão diária até 100% das necessidades diárias de cada aminoácido.
  6. Outros alimentos com fins específicos para praticante de atividades físicas: formulações variadas com finalidades metabólicas específicas.

Para Sabino; Luz e Carvalho (2010), os suplementos alimentares (que podem ser considerados ‘alimentos-remédio’) talvez representem o aprofundamento do processo de industrialização alimentar, pois nutrientes são extraídos de suas fontes naturais e adicionados a suplementos de forma mais concentrada potencializando resultados. As pílulas, os líquidos e as variedades de pós com creatina, albumina, L-carnitina, podem ser citados como exemplo.

Os suplementos alimentares são classificados de acordo com o principal nutriente. (BUCCI, 1994 apud FERREIRA, 2010). Ou ainda com a função exercida. (GRAHAN et al., 1994 apud FERREIRA, 2010).

No Brasil, a primeira regularização se deu com a publicação da Portaria SVS/MS 80/95 classificando os suplementos em alimentos formulados e elaborados para desportistas e atletas sendo divididos em quatro grupos: reguladores hidroeletrolíticos; energéticos; proteicos; nutricionalmente balanceados. (BRASIL, 1995 apud FERREIRA, 2010, p. 18).

Atualmente, a legislação vigente do país é a da portaria 222/98 da Secretaria da Vigilância Sanitária que passou a defini-los como alimentos para praticantes de atividades físicas. (BRASIL, 2008a).

Os principais ingredientes dos suplementos, em geral são: vitaminas (A, complexo B, C); minerais (Fe, Ca, K, Zn); ervas (guaraná em pó, ginseng), metabólitos (creatina, L carnitina); aminoácidos (BCAA (aminoácidos de cadeia ramificada), ornitina, arginina, glutamina); extratos (levedura de cerveja). (ARAÚJO; ANDREOLO; SILVA, 2002).

O consumo de suplementos leva em consideração a dieta de cada indivíduo, sendo definido o período de utilização juntamente com revalidação sistemática do estado nutricional e plano alimentar, sendo indicado por profissionais habilitados. (SABINO; LUZ; CARVALHO, 2010).

Os suplementos alimentares tem presença indispensável nas academias, pois segundo os praticantes, além de dar força também aumenta a massa muscular. Os suplementos na forma de farelo são geralmente adicionados a água ou adicionados ao leite desnatado.(SABINO; LUZ; CARVALHO, 2010).

Os suplementos são recursos ergogênicos (substâncias que melhoram o desempenho) intensificando e melhorando a capacidade de trabalho e eliminando a sensação de cansaço mental e físico. (WILMORE; COSTILL, 1999; FOX; BOWERS; FOSS, 1988).

Segundo a Anvisa o forte apelo publicitário aliado a grande expectativa por resultados rápidos estão contribuindo para o uso indiscriminado de suplementos alimentares por pessoas que desconhecem o verdadeiro risco envolvido.(BRASIL, 2012).

Os suplementos alimentares destinados para atletas só devem ser utilizados por praticantes de exercício físico de alto desempenho (atletas profissionais), pois o seu uso pode trazer riscos, como engordar ou sobrecarregar os rins e outros órgãos se não for indicado por um médico ou nutricionista. Sendo assim, não é indicado para gestantes, crianças e idosos. (BRASIL, 2012).

A idade média dos usuários no Brasil varia de 15 a 35 anos, sendo que, atualmente mulheres apresentaram um considerável aumento, devido á busca de um corpo mais definido. (BARBOSA, 2011).

Os suplementos brasileiros seguem o regulamento técnico da Anvisa, que estabelece critérios de classificação, indicação, composição e rotulagem. Também precisam de um número de notificação junto ao órgão de vigilância sanitária estadual ou municipal sobre o início da fabricação ou a importação. (BRASIL, 2010).

A Regulamentação Sanitária Brasileira permite que pessoas físicas importem suplementos alimentares para consumo próprio, mesmo que esses produtos não estejam regularizados na Anvisa. Entretanto, esses suplementos não podem ser importados com finalidade de revenda, comércio ou conter substâncias sujeitas a controle especial no país, como é o caso da dimetilamilamina, que sua estrutura está representada na Figura 1, a seguir. (BRASIL, 2012).

A substância dimetilamilamina, pode causar dependência, disfunções metabólicas, insuficiência renal, falência do fígado, problemas cardiovasculares, alterações do sistema nervoso e até a morte. (BRASIL, 2012).

Figura 1 – Estrutura da dimetilamilamina Fonte: Fernandez; Binsfeld (2013? p. 5).

2.3 PROTEÍNAS

 A proteína foi o primeiro macro nutriente a ser considerado essencial e o mais abundante componente funcional e estrutural das células humanas. (COSTA; PELUZIO, 2008).

As proteínas são polímeros de aminoácidos e estão presente no citoesqueleto e nas estruturas de sustentação (colágeno), participa de quase todos os processos biológicos, pois incluem as enzimas que são catalisadoras de reações químicas do organismo, além de auxiliar no transporte de moléculas (oxigênio por hemoglobina), no mecanismo de defesa (imunoglobulinas e interferon que combatem infecções bacterianas e virais). Muitas proteínas participam do controle global do metabolismo (actina e miosina que atuam na contração muscular) e até mesmo o controle da atividade de genes. (MARZZOCO, 2007).

Segundo Ottaway e Apps (1986), a digestão das proteínas é feita por enzimas proteolíticas do tubo digestivo. Essas enzimas podem ser de dois tipos: as endopeptidases, que atacam as cadeias polipeptídicas em ligações peptídicas distantes das extremidades, e as exopeptidases que atacam as ligações peptídicas terminais.

As proteínas são muito mais atacadas se forem inicialmente desnaturadas pelo cozimento ou pela ação do ácido clorídrico gástrico. (OTTAWAY; APPS, 1986).

Pela digestão, as proteínas são desdobradas em aminoácidos e depois são transportadas para o sangue. (COSTA; PELUZIO, 2008).

Segundo Ballarin (2001), os aminoácidos das proteínas quando chegam ao fígado podem ser:

  • Diretamente utilizada na síntese das proteínas;
  • Aproveitados para sintetizar outros aminoácidos;
  • Formação de uréia, creatinina.
  • Separados do grupamento NH2 afim de: fornece radicais necessários á síntese de aminoácidos não essenciais; e sintetizar o glicogênio ou produzir energia pela oxidação para a utilização em substituições a carboidratos quando ocorrer sua falta ou forrem insuficiente na dieta.

Não existe reserva considerável de aminoácido livre no organismo, pois qualquer quantidade acima do necessário para a síntese proteica celular e dos compostos não proteicos que contem nitrogênio é excretada. (COSTA; PELUZIO, 2008).

A proteína é essencial para manter a integridade das células e suas funções e, a recomendação de ingestão baseia-se na manutenção da saúde de indivíduos saudáveis, devendo satisfazer as necessidades fisiológicas de cada faixa etária, gênero e estado metabólico. (COSTA; PELUZIO, 2008).

Mesmo as proteínas apresentando estruturas e funções tão variadas são sintetizadas a partir de apenas 20 aminoácidos. Sendo que, a probabilidade de construção de moléculas diferentes é praticamente infinita. (MARZZOCO, 2007).

2.3.1 Aminoácidos

A estrutura geral dos aminoácidos, como mostra a Figura 2, possui pelo menos um grupo amino na posição alfa (-NH2), um grupo carboxila (COOH), um átomo assimétrico, com exceção da glicina. (CIFERRI, 1983).

Figura 2- Fórmula geral dos aminoácidos. Fonte: Campbell (2011, p. 65).

O carbono assimétrico permite a existência de aminoácidos isômeros, como mostra Figura 3, onde os de origem natural estão dispostos na configuração L. Há diferença na velocidade de absorção intestinal quanto aos isômeros, onde o isômero natural L é ativamente transportados pela mucosa, enquanto o isômero D é transferido por difusão simples. (SILVA, 1989 apud CIFERRI, 1983).

Figura 3 – Aminoácidos isômeros. Fonte: Tomé (2013, p. 3).

Um aminoácido apresenta na molécula uma parte ácida e outra parte básica tendo uma neutralização intramolecular. Outra propriedade química é o seu caráter anfótero, ou seja, comporta-se como um ácido ou como uma base; também sofrem condensação dando origem a compostos heterocíclicos (piperizinas) quando aquecidos. (SILVA, 1989 apud CIFERRI, 1983).

A união dos aminoácidos para a formação das proteínas se dá por meio das ligações peptídicas, como mostra a Figura 4, onde o grupo carboxílico de um aminoácido liga-se ao grupo amino de outro, liberando água. A união de dois aminoácidos forma um dipeptídio, a de três aminoácidos um tripeptídeo e assim sucessivamente, formando a proteína. (CIFERRI, 1983).

Figura 4 – Ligação peptídica. Fonte: Campbell (2011, p. 75).

Os aminoácidos podem ser divididos em essenciais, que são fornecidos pelas proteínas ingeridas e, os não essenciais, que podem ser construídos pela combinação de restos de outros ácidos com o radical NH2 e com os devidos carboidratos e gorduras. Os aminoácidos essenciais ou os não essenciais são reunidos em cadeia, formando os polipeptídeos. (BALLARIN, 2001).

De acordo com Voet (1999 apud SOUZA, 2010, p. 35), os aminoácidos são classificados mais comumente em três grupos principais, de acordo com o radical R (Figura 2).

  • Apolares: apresentam uma característica hidrofóbica;
  • Polares com carga neutra: possuem radicais com tendência a formar ligações de hidrogênio;
  • Polares com carga: tem características hidrofílicas;

A Figura 5 mostra os aminoácidos apolares, polare com carga neutra e os polares com carga.

Figura 5 – Aminoácidos Apolares, Polares com Carga Neutra e os Polares com Carga. Fonte: Voet (1999 apud Souza, 2010, p. 36).

 2.3.2 Estrutura das proteínas

Uma proteína contém em sua estrutura carbono, hidrogênio, oxigênio e adicionalmente enxofre e nitrogênio, além de ferro, fósforo e cobalto.

As proteínas são macromoléculas e sua unidade estrutural é o aminoácido, sendo que a ordem e a frequência dos aminoácidos permite que uma proteína se diferencie da outra e tenham diversas funções. Deste modo, cada proteína tem uma sequência única de aminoácidos. (SILVA, 1989 apud CIFERRI, 1983).

Segundo Costa e Peluzio (2008); Ciferri (1983); Ottaway e Apps,(1986) a estrutura da proteína pode ser primaria, secundária, terciária ou quaternária.

  • Estrutura primaria: é uma sequência de ligações de aminoácidos entre si, como mostra a Figura 6.
Figura 6 – Estrutura primária da proteína. Fonte: Campbell (2011, p. 133).
  • Estrutura secundária: dá a disposição da cadeia peptídica, sendo que os responsáveis por essas estruturas são as ligações de hidrogênio, como mostra a Figura 7. A cadeia polipeptídica é disposta no espaço segundo os planos de uma folha pregueada, sendo que na interação dos planos encontra-se o radical CHR. Nessa estrutura há ligações de hidrogênio entre CO e NH2 que mantém a hélice.
Figura 7 – Estrutura secundária da proteína. Fonte: Campbell (2011, p. 91).
  • Estrutura terciária: é essa estrutura que dá a formação da molécula proteica, sendo responsáveis por essa estrutura às interações eletrostáticas dos grupos ionizados, associações dipolares e ligações de hidrogênio como mostra a Figura 8.

 

Figura 8 – Estrutura terciária da proteína. Fonte: Tomé (2013, p. 6).
  • Estrutura quaternária: é o arranjo pelo qual as subunidades polipeptídicas formam superestruturas, consiste na disposição espacial de n cadeias, como mostra a Figura 9.
Figura 9 – Estrutura quaternária da proteína. Fonte: Tomé (2013, p. 6).

2.3.2.1 Classificação das proteínas

 As proteínas podem ser classificadas em completas ou incompletas, de acordo com os aminoácidos que possui:

As proteínas completas possuem teor equilibrado de aminoácidos, tanto qualitativamente quanto quantitativamente e são de origem animal. Já as proteínas incompletas apresentam deficiência de um ou mais aminoácidos essenciais e, são as de origem vegetal. (COSTA; PELUZIO, 2008).

Também podem ser classificada de acordo com a composição da sua estrutura:

As proteínas simples quando hidrolisadas fornecem apenas aminoácidos, podendo ser: fibrosas: constituída de cadeia polipeptídica, organizadas em um arranjo paralelo ao longo de um eixo, formando filamentos ou fibras; e globulares: constituídas de cadeias polipeptídicas enoveladas em estruturas globulares ou esféricas. (COSTA; PELUZIO, 2008; CIFERRI, 1983; OTTAWAY; APPS, 1986).

As proteínas conjugadas são combinadas com outros grupos além dos aminoácidos, sendo classificadas de acordo com o grupo prostético (porção não-aminoácidica) são elas: lipoproteínas: complexos de lipídios com proteínas; glicoproteínas: proteínas ligadas covalentemente às moléculas de glicídios; metaloproteínas: são complexos de metais com proteínas; fosfoproteínas: proteínas que possuem grupo fosfato nas moléculas, ligados normalmente na forma de éster aos grupos hidroxila da serina e treonina; nucleoproteínas: complexos de proteínas básicas com ácidos nucleicos encontrados no núcleo celular. (COSTA; PELUZIO, 2008; CIFERRI, 1983; OTTAWAY; APPS,1986).

 

2.4 QUANTIDADE DE PROTEÍNA NA DIETA

A Food and Agriculture Organization e a Organização Mundial de Saúde (1971 apud CUPPARI, 2008), descrevem os princípios de abordagem de nível de ingestão de proteína.

Segundo a Food and Agriculture Organization e a Organização Mundial de Saúde (1985 apud CUPPARI, 2008, p. 8), a necessidade de proteína é “o menor nível de ingestão de proteína da dieta que irá equilibrar as perdas de nitrogênio pelo organismo em pessoas que mantêm o balanço energético com níveis moderados de atividade física.”

Para estabelecer a necessidade proteica utilizam-se proteínas de alta digestibilidade e que proporcionam grandes quantidades de aminoácidos essenciais, como o ovo, o leite, a carne. (CUPPARI, 2008).

Segundo Cuppari (2008), a Food and Agriculture Organization e a Organização Mundial de Saúde considera um nível seguro de ingestão de proteína uma quantidade que atinja 100% de indivíduos de um mesmo grupo (indivíduos de mesmo sexo e idade) levando em conta as variações individuais sem exceder essas necessidades. O nível seguro foi definido como a necessidade média dos indivíduos mais o desvio-padrão aceitando uma estimativa de 15% para o coeficiente de variação, como mostra a Figura 10.

 

Figura 10 – Nível seguro de proteína. Fonte: OMS (1985 apud CUPPARI, 2008, p. 7).

Para analisar o consumo de proteína, o Comitê da Food and Agriculture Organization e da Organização Mundial de Saúde (1985 apud CUPPARI, 2008. p. ), avaliou vários estudos de balanço nitrogenado para adultos e jovens. Concluíram que 0,6 g/Kg/dia representa a necessidade média de proteínas de boa qualidade (com aminoácidos essenciais), com coeficiente de variação de 12,5%. Portanto, o valor de desvio padrão é de 25% acima da necessidade média fisiológica, cobrindo assim as necessidades de 97,5% dos indivíduos de uma população similar.

A Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (1990 apud CUPPARI, 2008, p. 9), adaptou as recomendações para a população brasileira, considerando a real digestabilidade das proteínas da dieta brasileira (que se encontram entre 80 e 85% em relação ao padrão). Desta forma, a recomendação de proteína estabelecida para homens e mulheres com idade igual ou superior a de 18 anos é de 1 g/Kg/dia, como ilustra a Tabela 1, a seguir.

Tabela 1- Quantidade de proteína recomendada.

Idade Proteína de preferência* FAO/OMS (1985)

 

(g/Kg/dia)        (g/dia)

Proteína de preferência* FNB/NCR (1989)

 

(g/Kg/dia)        (g/dia)

Proteína de alimentação mista** FAO/OMS (1990)

 

(g/Kg/dia)        (g/dia)

Adultos
18 anos ou + 0,75 0,8 1
Gestantes                           +6                          +10                           +8
Lactantes
1º semestre                           +16                           +15                           +23
2º semestre                           +12                           +12                           +16

Fonte: Cuppari (2008, p. 8).

Nota: * Proteína de boa qualidade: leite ou ovos. O calculo deve considerar o peso aceitável ou ideal do indivíduo e não o peso real.

** Proteína com digestibilidade verdadeira de 80 a 85% e qualidade aminoácidica de 90% em relação a leite e ovo.

 

Mesmo o consumo de quantidades moderadamente acima das recomendadas não parecerem prejudiciais para indivíduos saudáveis, estudos demonstraram que ingestões elevadas de proteínas aceleram os processos que levam a esclerose glomerular renal. (CUPPARI, 2008).

 

2.5 ROTULAGEM SEGUNDO A ANVISA

 

No Brasil, a Anvisa é o órgão responsável pela regularização dos rótulos de alimentos, estabelecendo informações que o rótulo deve conter e, assim garantir a qualidade do produto e a saúde do consumidor.

Segundo Brasil (2008b), algumas informações devem estar presentes nos rótulos são elas:

  • Lista de ingredientes: informa os ingredientes que compõem o produto,
  • Origem: informa ao consumidor que é o fabricante e onde foi fabricado.
  • Prazo de validade: deve ser apresentado pelo menos dia e mês quando o prazo de validade for inferior a três meses; e mês e ano para prazos de validade superior a três meses.
  • Conteúdo líquido: É a quantidade total de produto contido na embalagem expresso em massa (quilo) ou volume (litro).
  • Lote: É o número que faz parte do controle de produção;
  • Informação nutricional obrigatória: É a tabela nutricional.

 

2.6 DETERMINAÇÃO DE PROTEÍNA

Os procedimentos mais comuns para determinação de proteína é através da determinação de um elemento ou um grupo pertencente à proteína, sendo feita a conversão por meio de um fator. Os elementos geralmente analisados são o carbono ou nitrogênio, e os grupos são aminoácidos e ligações peptídicas. (GALLÃO; DAMASCENO; BRITO, 2008).

A determinação de proteínas totais segundo Zaia, Zaia e Lichtig (1998), pode ser feitas por diferentes métodos.

Método de Biureto: se baseia na reação do reativo de biureto (mistura de cobre e hidróxido de sódio com um complexante). O cobre em meio alcalino, reage com proteínas formando um complexo. O produto de reação apresenta duas bandas de absorção, uma em 270 nm e outra em 540 nm. Este método está sujeito à interferências de substâncias que possam reagir com os íons cobre.

Método de Lowry: se baseia em uma mistura contendo molibdato, tungstato, e ácido fosfórico (reagente Folin-Ciocalteau), que sofre redução quando reage com proteínas na presença do catalizador cobre (II) produzindo um composto com absorção máxima em 750 nm. Esse método apresenta grande sensibilidade para proteína, no entanto, está sujeito a muitos interferentes e possui absortividade específica altamente variável para diferentes proteínas.

Método de Bradford: está baseado na interação entre o corante BG-250 e macromoléculas de proteína que contém aminoácidos de cadeias laterais básicas ou aromáticas. No pH de reação, a interação entre a proteína de alto peso molecular e o corante, desloca o equilíbrio do corante para a forma aniônica, que é absorvido fortemente na faixa de 595 nm. Suas desvantagens são: a variação da absortividade específica para diferentes proteínas e fornecimento de resultados nem sempre reprodutíveis devido ao grau de pureza do corante que varia de acordo com a procedência.

O método oficial para determinação de proteína é o método de Kjeldahl. Este se baseia na determinação do nitrogênio total da amostra, isto é, o proteico e o não proteico orgânico, no entanto na maioria dos alimentos o nitrogênio não proteico representa muito pouco do total. (GALLÃO; DAMASCENO; BRITO, 2008).

Na determinação por Kjeldahl ocorre a decomposição da matéria orgânica por meio de digestão a 400ºC com ácido sulfúrico concentrado na presença de sulfato de cobre como catalizador acelerando a oxidação da matéria orgânica. O nitrogênio da solução ácida resultante é determinado por destilação por arraste de vapor seguido por titulação com ácido diluído. (NOGUEIRA; SOUZA, 2005 apud GALVANI, 2006, p. 1).

2.6.1 Digestão

O carbono presente na matéria orgânica é oxidado e o dióxido de carbono se desprende. Durante o processo de digestão ocorre mudança de coloração da solução (Figura 11). O nitrogênio da solução é transformado em amônia a qual reage com ácido sulfúrico formando o sulfato de amônia. (GALLÃO; DAMASCENO; BRITO, 2008).

A Equação 1, demostra as transformações ocorridas na fase de digestão.

 

                                        H2SO4

Matéria Orgânica                    SO2 + CO2 + H2O + R-NH2

 

                           H2SO4

R-NH2 + H2O                    R-OH + NH3

 

      O                                          O

                                                       [H+]

R-C-NH2 + H2O                    R-C-NH2 + NH3

 

2NH3 + H2SO4                   (NH4)2SO4  

Equação 1 – Reação de digestão.

Fonte: Galvani; Gaertner (2006).

 

 

Figura 11 – Mudança de coloração ocorrida no processo de digestão.

2.6.2 Destilação

 Pode ser feita por aquecimento direto ou por arraste de vapor.  O sulfato de amônio é tratado com hidróxido de sódio em excesso liberando a amônia que é coletada em um frasco com ácido bórico formando o dihidrogênio borato de amônio, e à medida que se desprende ocorre mudança de coloração da solução (Figura 12). (GALLÃO; DAMASCENO; BRITO, 2008).

A Equação 2, mostra a reação que demonstra as transformações ocorridas na fase de destilação.

 

(NH4)2SO4 + 2NaOH                    2NH4OH + Na2SO4

 

NH4OH                   NH3 + H2O

 

H3BO3 + NH3              NH4H2BO3

Equação 2 – Reação de destilação.

Fonte: Galvani; Gaertner (2006).

 

Figura 12 – Processo de destilação.

2.6.3 Titulação

 O dihidrogênio borato de amônio é titulado com uma solução padrão de ácido clorídrico de título conhecido até a viragem do indicador (Figura 13). (GALLÃO; DAMASCENO; BRITO, 2008).

A Equação 3, mostra a reação que demostra as transformações ocorridas na fase de titulação. (GALLÃO; DAMASCENO; BRITO, 2008).

NH4H2BO3 + HCl             H3BO3 + NH4Cl

Equação 3: Titulação

Fonte: Galvani; Gaertner(2006).

 

Figura 13 – Titulação: ponto de viragem.

 

3 MATERIAIS E MÉTODOS

3.1 MATERIAIS

Para o desenvolvimento deste estudo utilizou-se 3 marcas diferentes de suplementos alimentares (Figura 14) adquiridos em farmácia.

 

Figura 14 – Suplementos utilizados nas análises.

 

3.2 DETERMINAÇÃO DE PROTEÍNA

O teor de proteína foi medido pelo método de Kjeldahl, conforme Associação Analytical Chemistry(1992 apud DANTAS, et al., 2012).

O método para determinação de proteína por Kjeldahl pode ser aplicado a qualquer alimento. Esse método determina a matéria nitrogenada total da amostra. O método se baseia no deslocamento do nitrogênio presente na amostra, o transformando em sal amoniacal. A partir do sal obtido ocorre o deslocamento do amônio, que recebe sobre ele uma solução ácida de volume e título conhecido.

Para converter o nitrogênio medido em proteína foi utilizado o fator geral 6,25, obtido com base no fato que na maioria das proteínas o teor de nitrogênio é em torno de 16%, como demonstra a Equação 4, a seguir.

16g N                            100g proteínas

1g  N                             Xg

Xg = 100/16 =    6,25

Equação 4 – Obtenção do fator geral 6,25.

Fonte: Cruz, (2011).

As análises foram realizadas em triplicatas.

A Figura 15, a seguir demonstra os processos para a determinação de proteína.

Figura 15 – Determinação de proteína.

 

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

 A Tabela 2 mostra os dados experimentais do teor de proteínas de diferentes marcas de suplementos alimentares.

Tabela 2 – Dados experimentais do teor de proteínas de 3 diferentes marcas de suplementos alimentares.

Produto % Proteína
3XPROTEIN 38,5 + 0,35
MASS WAY2500 15,68 + 1,06
CARNPRO 80,33 + 0,65

O teor de proteína é uma característica importante nos suplementos, pois é a proteína que supri os aminoácidos, garantindo o crescimento e o desenvolvimento do organismo. Os valores de referência para os teores de proteína citados pela Anvisa apresenta grandes variações de acordo com a classificação do suplementos.

Como mostra a Tabela 2, os teores de proteína dos suplementos 3XPROTEIN, MASS WAY2500 e CARNPRO demonstraram grandes variações.

O suplemento 3XPROTEIN apresentou uma quantidade maior de proteína em relação ao suplemento MASS WAY2500, sendo essa diferença de aproximadamente 59,3% de proteína.

Entre os suplementos 3XPROTEIN e CARNPRO observou-se que o 3XPROTEIN apresentou uma quantidade menor de proteína em relação ao CARNPRO, sendo essa diferença de aproximadamente 108,6% de proteína.

A Figura 16, a seguir faz a comparação entre os suplementos 3XPROTEIN com o MASS WAY2500 e do 3XPROTEIN com o CARNPRO.

 

Figura 16 – Comparação entre o suplemento 3XPROTEIN com o MASS WAY2500 e 3XPROTEIN com o CARNPRO.

Entre o suplemento MASS WAY2500 e o CARNPRO observou-se que o MASS WAY2500 apresentou uma quantidade menor de proteína em relação ao CARNPRO, sendo essa diferença de aproximadamente 415% de proteína.

A Figura 17, a seguir faz a comparação entre os suplementos o MASS WAY2500 com o CARNPRO.

 

Figura 17 – Comparação entre o suplemento MASS WAY2500 com o CARNPRO.

As diferenças que foram encontradas nos teores de proteínas se deve a diferença de classificação entre os suplementos 3XPROTEIN, MASS WAY2500 e o CARNPRO. Além da diferença do tipo de proteína entre os suplementos, sedo que a proteína dos suplementos 3XPROTEIN e MASS WAY são de origem vegetal e a proteína do suplemento CARNPRO é de origem animal.

A Tabela 3 mostra a classificação dos suplementos analisados.

Tabela 3 -Classificação dos suplementos alimentares.

Produto Classificação Valor de proteína segundo a classificação
3XPROTEIN Suplementos proteicos 10g/porção e 50% do valor energético total ser proveniente das proteínas.
MASS WAY2500 Suplemento para substituição parcial das refeições 13% a 20% do valor energético total ser proveniente das proteínas.
CARNPRO Suplemento proteico 10g/porção e 50% do valor energético total ser proveniente das proteínas.

A classificação dos suplementos é encontrada na Resolução da Diretoria Colegiada Nº.18, de abril de 2010, que estipula as quantidades de proteína necessárias para cada classe de suplementos.

Para o suplemento 3XPROTEIN a quantidade de proteína encontrada por porção pronta para consumo foi de 9,6g. Devido a sua classificação o valor encontrado se encontra próximo ao valor mínimo estabelecido de 10g. Tendo em vista o disposto no inciso II do art.8º o suplemento 3XPROTEIN está com aproximadamente 36,6% de valor energético total proveniente de proteínas, estando esse valor 13,4% menor que o valor mínimo estabelecido para a sua classificação que deve ser 50%.

A Figura 18, a seguir compara o teor de proteína obtido experimentalmente do suplemento 3XPROTEIN com o estabelecido pela Anvisa.

Figura 18 – Comparação do teor de proteína obtido experimentalmente do suplemento 3XPROTEIN com o estabelecido pela Anvisa.

Para o suplemento MASS WAY2500 a quantidade de proteína encontrada por porção pronta para consumo foi de 23,52g. Levando-se em consideração sua classificação e tendo em vista o disposto no inciso II do atr.9º o valor encontrado de 12,8% do valor energético total proveniente de proteínas está próximo ao valor mínimo estabelecido de 13%.

A Figura 19, a seguir compara o teor de proteína obtido experimentalmente do suplemento MASS WAY2500 com o estabelecido pela Anvisa.

Figura 19 – Comparação do teor de proteína obtido experimentalmente do suplemento MASS WAY2500 com o estabelecido pela Anvisa.

Para o suplemento CARNPRO a quantidade de proteína encontrada por porção pronta para consumo foi de 28,12g. Devido a sua classificação o valor encontrado se encontra 18,12g acima do valor mínimo estabelecido de 10g. Tendo em vista o disposto no inciso II do art.8º, o suplemento CARNPRO está com aproximadamente 92,2% de valor energético total proveniente de proteínas, estando esse valor 42,2% maior do que o valor mínimo estabelecido para a sua classificação que deve ser de 50%.

A Figura 20, a seguir compara o teor de proteína obtido experimentalmente do suplemento CARNPRO com o estabelecido pela Anvisa.

 

Figura 20 – Comparação do teor de proteína obtido experimentalmente do suplemento CARNPRO com o estabelecido pela Anvisa.

A Tabela 4 compara os valores obtidos experimentalmente com os valores presentes nos rótulos das três marcas de suplementos alimentares.

Tabela 4 – Valores de proteínas obtidos experimentalmente, valores presentes nos rótulo e classificação das 3 marcas de suplementos alimentares.

Produto % Proteína

(rótulo)

% Proteína

(experimental)

Classificação dos suplementos
3XPROTEIN 40 38,5 + 0,35 Suplemento proteico
MASS WAY2500 15 15,68 + 1,06 Suplemento para substituição parcial das refeições
CARNPRO 74 80,33 + 0,65 Suplemento proteico

Os rótulos têm como função informar e auxiliar consumidores e profissionais da saúde, sendo de extrema importância a veracidade de suas informações. Essa veracidade é analisada comparando-se dados experimentais com os valores apresentados nos rótulos. A não conformidade dos dados nos rótulos viola as disposições da RDC 360/03 da Anvisa, resultando em advertência, multa, apreensão e interdição do produto. (LOBANCO et al., 2009).

Diante dos dados descritos na Tabela 6, o suplemento 3XPROTEIN está com o teor de proteína inferior ao informado por seu fabricante, estando aproximadamente 3,7% menor que o valor informado no rótulo, como demonstra a Figura 21, a seguir.

 

Figura 21 – Comparação do teor de proteína do suplemento 3XPROTEIN obtido experimentalmente com o valor presente no rótulo.

Ao levar-se em conta o desvio padrão do suplemento MASS WAY2500 o teor de proteína obtido experimentalmente está de próximo ao informado no rótulo, como demonstra a Figura 22, a seguir.

 

Figura 22 – Comparação do teor de proteína do suplemento MASS WAY2500 obtido experimentalmente com o valor presente no rótulo.

Ao analisar os dados do suplemento CARNPRO, seu teor de proteína está aproximadamente 6,3% acima do apresentado em seu rótulo, comprovando a veracidade do dado informado pelo fabricante, como demonstra a Figura 23, a seguir.

 

Figura 23 – Comparação do teor de proteína do suplemento CARNPRO obtido experimentalmente com o valor presente no rótulo.

 

5 CONCLUSÃO

 Os suplementos alimentares são uma fonte de proteína muito utilizada por atletas e praticantes de atividades físicas.

De acordo com as análises feitas pode ser observado que o teor de proteína é muito variável de um suplemento para outro. Isso se deve ao fato que a quantidade de proteína no suplemento estabelecida pela Anvisa varia de acordo com sua classificação; sendo que, os suplementos proteicos são os que devem apresentar maior quantidade de proteína.

Comparando-se os resultados da análise experimental com os valores presentes na Resolução da Diretoria Colegiada Nº. 18, de abril de 2010 conclui-se que dos suplementos analisados o suplemento 3XPROTEIN está com um valor próximo do estabelecido pela sua classificação de suplemento proteico, e um teor de proteína menor que o informado no rótulo de 40% (Figura 24).

 

Figura 24 – Suplemento 3XPROTEÌN

O suplemento MASS WAY2500 foi o que apresentou menor teor de proteína, por ser o único com classificação de suplemento para substituição parcial das refeições, tendo um teor de proteína próximo ao estabelecido pela sua classificação e tendo o teor de proteína próximo ao informado no rótulo (Figura 25).

Figura 25 – Suplemento MASS WAY2500.

O suplemento CARNPRO foi o que apresentou maior teor de proteína, estando acima do estabelecido pela sua classificação de suplemento proteico e, com o teor de proteína acima do informado no rótulo pelo fabricante (Figura 26).

Figura 26 – Suplemento CARNPRO.

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[1] Graduada em Química pela Universidade do Sagrado Coração de Jesus/ Programa especial de Formação Pedagógica pela Universidade de Santos/ Pós-Graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Faculdades Integradas de Jau/ Pós-Graduada em deficiência intelectual e múltiplas pela Universidade Cândico Mendes/ Professor na Escola Estadual Lázaro Franco de Moraes, Torrinha – SP/ Professora mediadora no Mediotec, Dois Córregos – SP

Graduada em Química pela Universidade do Sagrado Coração de Jesus/ Programa especial de Formação Pedagógica pela Universidade de Santos/ Pós-Graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Faculdades Integradas de Jau/ Pós-Graduada em deficiência intelectual e múltiplas pela Universidade Cândico Mendes/ Professor na Escola Estadual Lázaro Franco de Moraes, Torrinha – SP/ Professora mediadora no Mediotec, Dois Córregos – SP

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