Reflexões da Análise do Comportamento Acerca do Conceito de Paz Mundial

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WATANABE, Verônica Sayuri Kohama [1]

WATANABE, Verônica Sayuri Kohama. Reflexões da Análise do Comportamento Acerca do Conceito de Paz Mundial. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 02, Vol. 01. pp 622-634, Abril de 2017. ISSN:2448-0959

RESUMO

Objetivo: esta pesquisa tenta compreender o fenômeno da paz mundial em termos analítico-comportamentais, identificando possíveis contingências que comprovem o conceito da paz mundial como um produto agregado. Métodos: foi realizada uma pesquisa on-line para 100 pessoas, com o propósito de identificar prováveis comportamentos que produzem a paz. Resultados: foram observadas palavras-chave que apareceram com relevante frequência nas respostas, e após a realização do teste qui-quadrado, foi observado que não há associação entre a faixa etária dos participantes com o comportamento descrito por eles. Conclusão: a paz mundial pode ser considerada um produto agregado resultante de metacontingências mantidas por reforçamento positivo, especialmente reforço social.

Palavras-chave: Psicologia, Análise do Comportamento, Paz Mundial, Prática Cultural, Metacontingência, Produto Agregado.

1. INTRODUÇÃO

A busca pela paz no mundo é uma preocupação recorrente nas mais diversas áreas humanas. Porém, enquanto o conceito de paz significa apenas ausência de guerra ou violência, negação de conflitos, torna-se desafiador descrever comportamentos específicos que de fato possibilitam a ocorrência do fenômeno. Além disso, comumente a paz mundial é definida como um fenômeno utópico, o que também reforça a inexpressividade do conceito de paz.

Diante desse cenário com pouca objetividade e clareza, a Análise do Comportamento seria capaz de descrever as contingências que envolvem tal complexo fenômeno? A proposta de uma psicologia científica oferecida pela Análise do Comportamento pode fazer uma forte contribuição no que diz respeito aos problemas sociais da atualidade, investigando comportamentos a partir da análise da tríplice contingência.

A proposta se faz relevante não apenas aos analistas do comportamento, como também a todos os profissionais, estudantes e simpatizantes da psicologia, por tratar de um assunto que nos compete não só como profissionais, mas principalmente como cidadãos do mundo.

A partir dessa pesquisa, buscou-se identificar possíveis comportamentos relacionados ao conceito da paz mundial, com o objetivo de criar uma definição específica e aceitável do fenômeno. Partindo do pressuposto de que a paz só pode ser estudada em âmbito social, foi formulada a hipótese de que a paz mundial é um produto agregado. Segundo Moreira (2013, p.38), “um produto agregado é o resultado de contingências tríplices entrelaçadas que envolvem pelo menos duas pessoas”.

Para a relação entre o conjunto de contingências entrelaçadas e seus efeitos causados no ambiente, é dado o nome de metacontingência (MARTONE; TODOROV, 2007). A metacontingência “consiste em contingências individuais interligadas, entrelaçadas, em que todas elas produzem um mesmo resultado a longo prazo. ” (TODOROV; MOREIRA, 2004, p.26).

Para validade da pesquisa e sua efetividade, respectivamente, foram desenvolvidas uma revisão bibliográfica e uma pesquisa qualitativa. Uma análise estatística permitiu observar se há correlação entre as contingências entrelaçadas identificadas com a faixa etária da população participante. A partir dos resultados, foram obtidas conclusões que corroboraram com alguns dos principais autores da Análise do Comportamento e que culminaram na discussão da hipótese levantada.

2. MÉTODOS

Inicialmente, fez-se uma revisão bibliográfica na base de dados LILACS e Google Acadêmico com as seguintes palavras-chave: paz mundial, análise do comportamento e psicologia. Dada a escassez literária, foi elaborado um formulário on-line (Apêndice A) e divulgado através das redes sociais. O questionário era composto por duas questões: a primeira classificava o participante por faixa etária. A resposta seguinte, de ordem qualitativa, buscava compreender quais comportamentos estariam envolvidos no processo de busca pela paz mundial. A amostra coletada foi de 100 participantes de várias faixas etárias.

3. RESULTADOS

Na revisão bibliográfica, obtiveram-se os seguintes resultados: no Google Acadêmico, apenas cinco artigos foram encontrados contendo as três palavras-chave. Na base de dados LILACS, não foram encontrados artigos contendo os três descritores.

Em relação aos dados da pesquisa qualitativa, no gráfico 1 são apresentados os participantes separados por faixa etária. É perceptível a predominância de participantes entre 19 e 25 anos de idade, que correspondem a 48 respondentes.

Faixa etária dos participantes
Gráfico 1 – Faixa etária dos participantes

Posteriormente, para melhor análise estatística, foi elaborado o gráfico 2, com os mesmos participantes incluídos em dois grupos etários. Nitidamente, percebe-se que a maioria dos participantes são menores de 30 anos de idade.

Dois grupos etários dos participantes
Gráfico 2 – Dois grupos etários dos participantes

Após análise das respostas e categorização a partir de palavras-chave, foi observada a frequência considerável de determinadas palavras-chave. Dentre elas, destacam-se as palavras “respeito” e “empatia”, as mais citadas na pesquisa, conforme tabela 1 abaixo:

Tabela 1 – palavras-chave mais utilizadas entre as respostas

Palavra-chave Até 30 anos 31 anos ou mais Total
Empatia 13 (25,5%) 6 (11,7%) 19 (37,2%)
Respeito 23 (45,1%) 9 (17,6%) 32 (62,7%)
Total 36 (70,6%) 15 (29,4%) 51 (100%)

 

Após a aplicação do teste qui-quadrado, obteve-se o valor p= 0,80. Considerando o valor de significância 0,05, concluiu-se que não há diferença estatisticamente significante, ou seja, não há evidência na associação entre as variáveis.

As duas últimas palavras-chave que se destacaram entre as respostas foram “tolerância” e “amor”, conforme consta na tabela 2:

Tabela 2 – palavras-chave encontradas com frequência entre as respostas

Palavra-chave Até 30 anos 30 anos ou mais Total
Amor 7 (31,7%) 5 (22,7%) 12 (54,5%)
Tolerância 6 (27,2%) 4 (18,2%) 10 (45,4%)
Total 13 (59%) 9 (41%) 22 (100%)

 

Após a aplicação do teste qui-quadrado obteve-se o valor p= 1,03. Considerando o valor de significância 0,05, concluiu-se que não há diferença estatisticamente significante, ou seja, não há evidência na associação entre as variáveis.

Também foram identificadas outras palavras-chave, disponíveis no gráfico 3, porém com presença não significativa o suficiente para análise estatística.

demais palavras-chave encontradas mais de uma vez
Gráfico 3 – demais palavras-chave encontradas mais de uma vez

O número indicado revela a quantidade de vezes em que as palavras-chave foram citadas nas respostas apresentadas pelos participantes.

Por fim, foram identificadas 4 respostas de participantes até 30 anos indicando que a paz mundial é “impossível” de ser alcançada.

4. DISCUSSÃO

Determinadas palavras-chave foram identificadas como reforço social importante para manter e fortalecer episódios sociais e verbais. Para melhor discussão e interpretação dos resultados, foram escolhidos arbitrariamente seis participantes da pesquisa.

Inicialmente, o Participante A (31-40 anos) declarou utilizando a palavra-chave mais encontrada entre as respostas:

“Respeito mútuo. Quando há respeito tem espaço pra compreensão e entendimento, quando há espaço pra entendimento há dialogo que nos faz entender e ser entendido e no fim descobrimos que somos diferentes nas nossas peculiaridades mas no fundo somos todos iguais. Sendo iguais não há necessidade de reafirmar algum posicionamento ou impor vontade pra alguém que antes era estranho mas agora é um igual.”

É possível identificar o comportamento de respeitar de duas formas: (1) estímulo social. Com respeito por parte de seus ouvintes, o falante é capaz de discriminar o momento apropriado para responder, isto é, para iniciar um diálogo – abrindo, como consequência, um “espaço para compreensão e entendimento”.

Em segundo lugar, o respeito pode ser visto também como um (2) reforçador social. Entende-se por reforço social todo e qualquer comportamento produzido no ambiente social que consista de atenção, aprovação, afeição e submissão (SKINNER, 1998). Assim, obtém-se o reforço mútuo, isto é, quando cada uma das partes reforça o comportamento da outra (BAUM, 2006).

A segunda palavra-chave mais citada é apresentada na resposta do Participante B (26-30 anos): “Terem mais empatia, porque quanto mais entendemos o outro, menos vamos julgar e/ou brigar por terem uma visão ou comportamento diferente do nosso”.

Entende-se que o conceito “empatia” engloba a ação de “imaginar-se no lugar de outra pessoa”. Dessa forma, é possível considerar a “empatia” como reforço social, tal como o respeito, pois, o comportamento de “imaginar-se no lugar do outro”, “compreender o outro” reforça os comportamentos (considerando um episódio verbal) do falante e mantém uma relação de reforço mútuo.

Um comportamento mais específico, também mantido sob controle de reforço social, é declarado na resposta do Participante C (31-40 anos): “Fazer o bem, se importar mais com seu próximo sem querer nada em troca”.

É possível traduzir tal resposta de “fazer o bem” em termos de comportamento altruísta, isto é, o comportamento de “ajudar os outros abnegadamente”. Segundo Baum (2006), a questão de ser altruísta depende de uma “seleção natural” que perpetue comportamentos de auto-sacrifício em relação aos familiares. No caso de agir de forma altruísta com pessoas onde não há grau de parentesco, o comportamento “depende dos benefícios a longo prazo para o altruísta. Ou a pessoa estranha retribui (…) ou práticas grupais determinam que os outros membros do grupo forneçam o reforço último” (BAUM, 2006, p.254).

O reforço a longo prazo proporciona a compreensão dos comportamentos altruístas, pois, de modo inverso, o comportamento egoísta é mantido por consequências quase imediatas, ou seja, “as pessoas mentem, trapaceiam, roubam e matam porque esses comportamentos recompensam a curto prazo. ” (BAUM, 2006, p.251)

Entretanto, o comportamento altruísta não é atribuído ao valor da bondade. A tendência da cultura é denominar eventos reforçadores como “bons” e eventos punidores como “maus”. Posteriormente, o comportamento reforçado é o “correto”, e o punido é o “errado”. Pessoas que são frequentemente reforçadas são vistas como “boas”.

Qualquer comportamento operante não se atribui ao indivíduo “autônomo” (SKINNER, 1973). É incorreto afirmar que as pessoas se comportam porque são “boas” ou “más”, atribuindo nelas uma relação causal. Nessa questão, apesar de ser alvo de constantes críticas, o conceito de controle é relevante na análise do comportamento e ele busca descrever contingências que demonstrem antecedentes e consequências que expliquem o por que as pessoas se comportam da forma como se comportam.

Entender as agências de controle presentes na sociedade é imprescindível no entendimento de grande quantidade de comportamentos tidos no ambiente social. Por exemplo, as instituições governamentais assumem um poderoso papel sobre o comportamento dos indivíduos. Tais agências de controle foram citadas pelo Participante D (19-25 anos):

“Para alcançar a paz mundial, precisamos que os Estados sejam organizados. Para organizar um Estado, as famílias devem ser orientadas. (…) Com a família bem orientada, a sociedade é bem orientada. Com uma sociedade bem orientada, temos um governo justo que atue devidamente. Se esse padrão é reproduzido em cada nação, alcançamos a paz mundial.”

Fava (2014, p. 7) afirmou que “O surgimento dos governos (…) tornou mais provável a manutenção de práticas culturais mais eficientes e a mudança de práticas culturais ineficientes.” Atualmente, tem sido crescente a preocupação com a dinâmica política mundial. A declaração “um governo justo que atue devidamente” não é observada no cenário midiático nacional, marcado por rígido controle aversivo. Sidman (2003) já descrevia as contingências coercitivas que permanecem pouco alteradas até os dias de hoje, desde o âmbito individual até em escala nacional:

“Punimos crianças e criminosos na esperança de impedir repetições de condutas inaceitáveis. Nosso código legal é na sua maior parte um catálogo de penalidades para todo tipo de infração civil e criminal; ele define conduta desejável principalmente de forma que possamos reconhecer e punir desvios. (…) Punimos crimes mas apenas toleramos a legalidade. Supõe-se que a virtude é sua própria recompensa, mas dentro do código legal, a virtude ser sua própria recompensa significa simplesmente que ela nos mantém fora da prisão.” (p.40-41)

Utilizando-se de leis como uma das ferramentas de controle populacional, a agência governamental, juntamente com outras agências de controle, torna-se ameaçadora no que diz respeito à possibilidade de não cumprimento da lei. Por outro lado, o componente reforçador que supostamente é a consequência do comportamento de “seguir as regras” é ineficiente e inespecífica. Logo, a probabilidade de emitir comportamentos de fuga e esquiva quando se diz sobre o governo ou temas relacionados, torna-se alta, além do possível contracontrole.

O Participante E (19-25 anos) declarou, em suma, que a paz mundial é impossível de ser alcançada: “Enquanto houver humanidade não haverá paz mundial, o ser humano é um ser violento, individual e competitivo por natureza, logo a paz mundial só seria alcançada num mundo sem humanos (…)”.

Sidman (2003), sobre a “natureza humana”, descreveu:

“Nossa tradição legal aceita a má conduta e o crime como inevitáveis, como partes da natureza humana. De fato, é natureza humana. O que mais poderia ser? Mas a natureza humana não é imutável. Ela é flexível e passível de mudança. Nossa conduta é sempre o resultado de muitas contingências, algumas positivas e outras negativas. Alterar as contingências não altera a natureza humana, mas faz uso da plasticidade da natureza humana.” (p.266)

Mais uma vez, as ações denominadas “boas” ou “más” não são atribuídas a um ser humano “autônomo”, como parte intrínseca de sua “natureza humana”. O comportamento individual é passível de descrição a partir das contingências no qual ele foi eliciado ou evocado.

Por fim, destaca-se o Participante F (19-25 anos), que apresentou soluções baseadas no controle da agência educacional sobre o comportamento dos alunos:

“(…) As pessoas normalmente desejam e querem a paz, mas não há paz sem educação para a paz. Se, desde cedo, o ambiente escolar tratasse do potencial de ação e ajudasse as pessoas a operacionalizar a paz – o “como fazer” – ainda que fosse oferecendo instrução para o desenvolvimento das emoções, a serenidade, o diálogo e a paciência provavelmente seriam mais corriqueiros que a pressa, o conflito e o desentendimento. ”

O ambiente escolar tradicional permaneceu pouco alterado até os dias atuais. Em todos os aspectos educacionais, desde a sala de aula até a relação professor-aluno, há a presença marcante de controle aversivo. Existem contingências aversivas na disposição das cadeiras em sala, que impossibilita (ou pelo menos tenta evitar) os episódios verbais entre os alunos, no comportamento do professor, que pune possíveis atitudes desviantes e no comportamento dos alunos, que estudam sob a ameaça de reprovação, sentem alívio ao tirarem uma boa nota e/ou agridem professores verbal ou fisicamente, como forma de contra-controle.

Nesse cenário, conforme comenta Sidman (2003, p. 249): “procurar algo para reforçar positivamente (…) não é nossa maneira típica de interagir uns com os outros. Nossa educação não proporciona condições para isto”. Tal declaração se assemelha com a resposta do Participante F: “As pessoas normalmente desejam e querem a paz, mas não há paz sem educação para a paz. ”

Porém, uma saída, observada por Skinner (1972) é descrita abaixo:

“A cultura pode precisar ensinar uma espécie de resolução ética de problemas que permita ao indivíduo chegar a seus próprios preceitos de acordo com as exigências da ocasião. (…) Ensinar o estudante a respeito de si próprio como um organismo que se comporta também é importante.” (p.182)

Em suma, as respostas podem ser divididas em duas categorias distintas: respostas que se encaixam em (1) contingências entrelaçadas (metacontingências) que produzem como consequência reforços sociais e, a longo prazo, a paz mundial; e descrições de (2) contingências aversivas que produzem como consequência conflitos, coerção, intolerância – subprodutos opostos à paz.

Como forma alternativa às práticas aversivas que fortalecem os comportamentos da segunda categoria, é apresentada a prática de reforçamento positivo. Conforme aponta Sidman (2003, p. 249): “Obviamente o reforçamento negativo e a punição não causam todos os problemas do mundo, nem o reforçamento positivo solucionará todos eles. ”

Entretanto, ele continua:

“O reforçamento positivo pode ainda produzir um efeito colateral notável. Se não demonstrássemos, pelo menos ocasionalmente, nosso apreço por aquilo que funciona e por aqueles que fazem as coisas funcionarem, facilmente nos convenceríamos de que o mundo é composto exclusivamente de corrupção, ineficiência e coação por meio da força. Um pouco de prática de reforçamento positivo ajudará a nos convencer de que vale a pena tentar salvar nosso mundo.” (p. 250)

Dessa forma, considerando as classes de respostas mantidas por reforços positivos (em sua maioria, reforços sociais), é possível concluir, por ora, que o fenômeno da paz mundial é tido como um produto agregado de diversas práticas culturais.

Por se tratar de contingências entrelaçadas que devem envolver duas ou mais pessoas, Glenn (1986) chama atenção para o fato de que cada pessoa deve olhar, em primeiro lugar, para os próprios comportamentos. Conforme Andery (1993, p. 29), existem “(…) mudanças que deverão acontecer desde a base da sociedade. ”

Baum (2006, p. 252-254) declara de forma esperançosa que “a análise comportamental pode ajudar nossa sociedade a trabalhar por uma “vida plena”, oferecendo formas de identificar e implementar um melhor reforço social. ”

De fato, a Análise do comportamento se apresenta como forte aliada para contribuir com o comportamento dos grupos a partir do comportamento individual, a fim de fornecer novas práticas e ferramentas que produza para o convívio social a chamada “vida plena” ou, em outras palavras, a “paz mundial”.

Glenn (2004) alerta para o fato de novas práticas serem altamente necessárias:

“If the human race is to survive, methods must be devised by (…) educating masses of people to participate effectively in increasingly complex environments, enhancing interpersonal relations, and providing opportunities for productive work. New practices are required. (…) Both a science of behaviour and a science of culture seem critical for developing accurate descriptions of the relations between humans and their environment.” (p. 14)

Logo, dada as nítidas limitações do estudo, são recomendadas mais pesquisas nesta área, buscando sempre testar e avaliar novas e tradicionais práticas culturais, sempre com o propósito de apresentar melhores contingências que se adequem às necessidades da população em geral. Neste momento, a busca mundial pela paz se faz urgente, e a contribuição dos analistas do comportamento, mais do que elucidativa, é necessária.

Conforme Skinner (1987, p. 10) conclui em um de seus mais relevantes artigos: “É, portanto, um ambiente no qual o problema e uma possível solução se encontraram pela primeira vez”.

CONCLUSÃO

Por fim, conclui-se que o fenômeno da paz mundial pode ser descrito como um produto agregado resultante de diversas práticas culturais. As contingências identificadas que se relacionam à paz mundial são entrelaçadas e mantidas por reforço social positivo. Foi constatada forte influência do reforçamento positivo sobre o controle dos comportamentos chamados altruístas e também verbais, recolhidos através de pesquisa qualitativa. Não há evidências de associação entre os comportamentos identificados através de palavras-chave e a faixa etária dos participantes.

REFERÊNCIAS

ANDERY, M. A. Uma sociedade voltada para o futuro. Temas em psicologia, nº 2, p. 23-30, 1993.

BAUM, W. M. (2005) Compreender o behaviorismo. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. 311 p.

FAVA, V. M. D. Comportamento das famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família: uma perspectiva analítico-comportamental do cumprimento das condicionalidades de Educação e de Saúde. 2014. 130 f., il. Tese (Doutorado em Ciências do Comportamento)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014. Disponível em http://repositorio.unb.br/handle/10482/17831

GLENN, S. S. (1986) Metacontingências em Walden Two. Trad. Thais Saglietti Meira Barros. Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento (ITCR).

GLENN, S. S. Individual behaviour, culture, and social change. The Behavior Analyst, v. 27, nº 2, p. 133-151, 2004

MARTONE, R. C; TODOROV, J. C. O desenvolvimento do conceito de metacontingência. Revista Brasileira de Análise do Comportamento, v. 3, nº2, p. 181-190, 2007.

MOREIRA, M. B. (Org.) (2013) Comportamento e práticas culturais. Brasília: Instituto Walden 4, 2013. 302 p.

SIDMAN, M. (1989) Coerção e suas implicações. Campinas: Editora Livro Pleno, 2003. 301 p.

SKINNER, B. F. (1953) Ciência e comportamento humano. 10ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. 489 p.

SKINNER, B.F. (1968) Tecnologia do ensino. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, 1975. 260 p.

SKINNER, B. F. (1971) O mito da liberdade. 2ª ed. Rio de Janeiro: Edições Bloch, 1973. 168 p.

SKINNER, B. F. (1987) O que há de errado com a vida cotidiana no mundo ocidental? Trad. Renata Cristina Gomes. Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento (ITCR).

TODOROV, J. C; MOREIRA, M. Análise experimental do comportamento e sociedade: um novo foco de estudo. Psicologia: Reflexão e Crítica, 17(1), p. 25-29, 2004.

[1] Acadêmica do curso de Psicologia da Universidade São Judas Tadeu.

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