Análise dos níveis de ruído nas funções da construção civil

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ARTIGO ORIGINAL

COSTA, Igor Alves [1], NASCIMENTO, Rudgero Oliveira do [2]

COSTA, Igor Alves. NASCIMENTO, Rudgero Oliveira do. Análise dos níveis de ruído nas funções da construção civil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 06, Vol. 13, pp. 79-97. Junho de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/niveis-de-ruido

RESUMO

A proposta do trabalho a seguir é de analisar e apresentar os resultados encontrados do monitoramento realizado em um empreendimento residencial localizado na cidade de Vitória da Conquista, na Bahia. O assunto é voltado ao agente de alta importância que grande parte dos colaboradores das empresas está exposta durante sua jornada de trabalho, que é o ruído, trazendo danos à saúde caso não se façam uso dos devidos equipamentos de segurança. No âmbito da construção civil, existem diversos equipamentos e máquinas que podem causar um ruído que torne a atividade do colaborador insalubre. Desta forma, serão apresentados: funções, equipamentos, procedimento do monitoramento, tabelas comparativas e comentários sobre a análise realizada.

Palavras chave: Monitoramento, construção civil, ruído.

1. INTRODUÇÃO

A perda auditiva causada pelo ruído é uma doença enganosa acumulativa que aumenta ao longo dos anos devido à exposição do trabalhador ao ruído relacionado ao ambiente de trabalho. Considerando um tipo de som, o ruído tem efeitos negativos ao ser humano, pois transmite uma sensação desagradável diferente do som que se espera ouvir. A perda auditiva proveniente do ruído é uma patologia que cresce a cada ano devido à exposição ao ruído que exerça uma média de 90 dB, 8 horas por dia, no decorrer dos anos (ARAÚJO, 2002).

No presente trabalho, foram caracterizados os níveis de ruído gerados pelos equipamentos da construção civil no canteiro de obra de um empreendimento residencial localizado na cidade de Vitória da Conquista – BA. Para o monitoramento, foram selecionadas as seguintes funções: servente prático, encanador, carpinteiro, auxiliar de engenharia, eletricista, operador de betoneira, almoxarife, operador de máquinas pesadas e cabo de turma. As análises feitas são decorrentes do ruído ocupacional, voltado especificamente às funções dos trabalhadores do empreendimento citado, alcançando os problemas que afetam esses trabalhadores e apresentando os dados encontrados.

O perigo de incidente de serviço é fortemente amplo na construção civil, os empregados ficam visíveis a vários motivos perigosos, como calor, frio, sons, inclinações, gases, além de adversidades consequentes de má postura, causando danos por movimentações recorrentes, dores etc. E um dos grandes perigos na construção civil é a exibição ao som, especialmente aqueles que desempenham atividades operacionais e ficam todo o período de suas tarefas em obras. A extensa exposição do funcionário a grandes pontos de sons pode provocar Perda Auditiva Induzida por Ruídos (PAIR). A situação, porém, é que os sinais aparecem de modo gradativo, evitando o reconhecimento precoce. Por esse motivo, mesmo se o operário não expor queixas, é necessário criar atos de cautela e acompanhamento clínico para analisar o comportamento do instrumento auditivo. Uma ocasião identificada, a PAIR é inconversível (MAPA DA OBRA, 2017).

Dos variados tipos de riscos presentes na construção civil, o de destaque único neste artigo, será do ruído. Risco do qual, diversas vezes, muitos trabalhadores sofrem pelo resto de sua vida caso aconteça algum agravante durante sua jornada de trabalho. Para a melhoria de condições trabalhistas e com o intuito de prevenção do risco causado pelo ruído, foram desenvolvidos métodos preventivos e equipamentos dos quais se pode observar qual a intensidade do ruído e o grau de risco em que o trabalhador está submetido durante o serviço prestado. Desta maneira, o trabalho proposto tem como objetivo realizar, de maneira clara e objetiva, a análise geral dos níveis de ruído diante do canteiro de obras, expondo os dados encontrados de acordo com o monitoramento realizado e através da análise qualitativa, identificar qual função do grupo está mais exposto ao agente ruído e apresentar soluções para eliminar ou minimizar a exposição ao risco.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A indústria da construção civil congrega uma grande variedade de mão de obra, materiais e equipamentos que são definidos e especificados a partir dos projetos, do estudo de viabilidade econômica e dos cronogramas físico e financeiro (ANDRADE, 2004).

Nas economias regionais e nacionais o dever da construção civil no campo produtivo é muito importante, tornando-se encarregado pela construção de toda a infraestrutura necessária ao desenvolvimento do país (obras públicas, saneamento, habitações, obras viárias, indústrias) e pela geração de um número significativo de emprego principalmente nas camadas carentes da nação brasileira. Calcula-se, nos dias atuais, que mais de 5 milhões de empregados estão alocados em empregos nas diversas subcategorias desse campo (IBGE, 2020).

Apesar de os indícios indicarem vantagens em geral, as situações de emprego na construção civil são perturbantes. Mostra um alto número de acidentes e normalmente é avançado sob a ação de agentes físicos como: calor, vibrações, sons, radiações e agentes químicos. Os resultados desses agentes causam várias doenças profissionais e uma delas é a perda auditiva, em diferentes níveis, adquirida por trabalhadores em virtude da apresentação ao ruído nos canteiros de obras (ANDRADE, 2004).

Segundo o Ministério da Economia, a NR-15 determina as tarefas que têm de ser vistas como insalubres, constituindo direito ao adicional de insalubridade aos empregados. É constituída de uma parte geral e mantém 13 inclusos, que indicam os Limites de Tolerância para causas físicas, químicas e biológicas, no momento em que é provável quantificar a infecção do local, ou listando ou expondo acontecimentos em que o serviço é visto como insalubre qualitativamente.

De acordo com a NHO 01, seu objetivo é estabelecer critérios e métodos para a análise da exibição ocupacional ao som, que provoque perigo potencial de perda de audição ocupacional. A Norma dedica-se à apresentação ocupacional a barulho constante ou intermitente e a ruído de impacto, em quaisquer ocorrências de emprego, porém não está direcionada para a caracterização das situações de conforto acústico.

A apresentação crônica ao ruído gera danificação auditiva lenta, gradativa e inconversível com características de disacusia neurossensorial normalmente simétrica. O indivíduo pode reclamar de tinitus, hipoacusia, cansaço, caída da produção laboral, modificações neurovegetativas, estresse e fica exposto a muitas doenças orgânicas. (SELIGMAN,1993).

Para diminuir a exposição ao risco e se precaver das doenças causadas pelo ruído, a empresa da qual o trabalhador faz parte, tem o dever de disponibilizar os EPI’s que são divididos entre o protetor auricular tipo plug e o abafador tipo concha.

2.1 RUÍDO

Ruído Contínuo ou Intermitente é todo e qualquer ruído que não está considerando como ruído de impacto ou impulsivo (Norma de Higiene Ocupacional 01 ou NHO 01). A unidade de medida do nível do som que define o ruído é dada em decibel – db ou db(A).

Quadro 01 – Limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente

Fonte: AreaSeg, NR-15 Atividades e operações insalubres

2.2 DOSE DE EXPOSIÇÃO AO RUIDO OCUPACIONAL

De acordo com a NHO-01, dose (D) é uma medida para caracterização da exibição ocupacional ao som expresso em proporção de energia sonora. Serve de indício diário de exibição e tem por padrão o valor extremo de energia sonora diária concedida.  De acordo com a NHO 01, a dose pode ser calculada pela seguinte equação:

D = (Cn/Tn)

Onde: Cn é o período total que o empregado fica exposto a um nível de ruído específico; Tn é a extensão máxima da apresentação diária permissível a esse nível (NHO 01).

2.3 GRAU DE EXPOSIÇÃO

Outro padrão para caracterização da exposição ocupacional ao ruído é o nível de exposição equivalente em dB(A). O NE expressa um nível virtual contínuo (não variável com o tempo) que tem efeito lesivo equivalente ao grupo dos graus reais encontrados. Conforme a NHO 01, o NE é calculado da seguinte forma:

NE = 85 + N x log [(D x 480) / t] dB(A)

Onde: D é a dose de exposição diária; t é o tempo da jornada de trabalho em minutos; N é um índice que para a NR- 15 vale N = 16,6096 e para a NHO-01 vale N = 10, seja, trata-se do incremento de duplicação de DOSE.

2.4 NÍVEL DE EXPOSIÇÃO NORMALIZADO

Conforme a NHO 01, para finalidades de comparação com o limite de exibição, tem que se indicar o Nível de Exposição Normalizado (NEN), que equivale ao nível de exposição (NE), convertido para o percurso modelo de 8 horas por dia. O NEN é calculado pela seguinte equação:

NEN = NE + N x log (te/480) dB(A)

N é um índice que para a NR- 15 vale N = 16,6096 e para a NHO-01 vale N = 10, seja, trata-se do incremento de duplicação de DOSE.

2.5 NÍVEL DE AÇÃO

Para a NHO-01, grau de ação é o nível sonoro abaixo do qual não há muito perigo de dano auditivo em consequência da exposição de tempo de oito horas diárias, além desse preço tem de ser começadas ações preventivas.

3. METODOLOGIA

A análise feita se trata de um estudo de caso realizado na cidade de Vitória da Conquista e a medição que será apresentada tiveram como base a Norma de Higiene Ocupacional 01 e a Norma Regulamentadora 15, que abrangem toda parte de Higiene Ocupacional e as Atividades e Operações Insalubres.

De início, foi realizada uma análise para identificar um empreendimento que houvesse um grande número de colaboradores, para serem alcançados melhores resultados e poder abranger grande número de funções com as medições feitas. Desta forma, com o empreendimento localizado, o primeiro passo foi relacionar todas as funções presentes no campo de obra separando-os por Grupos Homogêneos de Exposição de acordo com o Quadro 02, no item 3.1 e descrevendo suas atividades desenvolvidas na obra.

O equipamento utilizado para fazer a medição foi o Sonus 2 Plus da marca Criffer, um dosímetro portátil de última geração, fácil de manusear que conta com um microfone que é colocado próximo à zona auditiva do trabalhador. A análise será feita durante a jornada de 8 horas diárias do trabalhador diante de cada função citada.

Figura 01: Dosímetro digital – Sonus 2 Plus

Fonte: Formis, Dosímetro de ruído com display digital – Sonus 2 Plus.

Antes de iniciar a avaliação, será necessário realizar a calibração do equipamento com o calibrador de ruído digital CR-2, que é feita entre 94 ou 114 dB, de acordo recomendações passadas pela NHO 01 (Norma de Higiene Ocupacional 01).

Figura 02: Calibrador de ruído digital – CR2

Fonte: Elaborada pelo autor, 2021

Após realizada a calibração do dosímetro, o equipamento é configurado e colocado preso à roupa do colaborador, próximo à zona auditiva, para captar as ondas sonoras que ele estará exposto durante o trabalho realizado.

Figura 03: Servente prático fazendo o uso do equipamento

Fonte: Elaborada pelo autor, 2021

Os resultados encontrados com o monitoramento serão apresentados em tabela, fazendo comparação com a NR 15 e a NHO01 (Norma de Higiene Ocupacional 01), para cada função após a medição realizada.

Tendo como base a NHO 01, para interpretação dos dados obtidos, o quadro a seguir apresenta considerações técnicas e atuação recomendada em função da Dose Diária ou do Nível de Exposição Normalizado encontradas na condição de exposição avaliada.

Quadro 02 – Interpretação dos dados obtidos (NHO 01)

Fonte: AreaSeg, NHO-01

3.1 GRUPOS HOMOGÊNEOS DE EXPOSIÇÃO – GHE

Quadro 03 – Grupos Homogêneos de Exposição – GHE

GHE FunçÃO Atividades Desenvolvidas
GRUPO I Servente Prático Demolem edificações de concreto, alvenaria e outras estruturas; preparam canteiros de obras, limpando a área e compactando solos. Efetuam manutenção de primeiro nível, limpando máquinas e ferramentas, verificando condições dos equipamentos e reparando eventuais defeitos mecânicos dos mesmos. Realizam escavações e preparam massa de concreto e outros materiais.
GRUPO II Auxiliar de Engenharia Auxiliar o engenheiro no desenvolvimento, coordenação e execução de projetos de construção civil e condução de obras; apoiar a coordenação de equipes.
GRUPO III Eletricista Realizar a parte elétrica segundo projeto, utilizando a fiação e demais materiais conforme a necessidade de execução. Trabalhar em conformidade com normas e procedimentos técnicos, qualidade, segurança, higiene, saúde e preservação ambiental.
GRUPO IV Encanador Operacionalizar projetos de instalações de tubulações, definir traçados e dimensionar tubulações; especificar, quantificar e inspecionar materiais; preparar locais para instalações, realizar pré-montagem e instalar tubulações. Realizar testes operacionais de pressão de fluidos e testes de estanqueidade. Proteger instalações e fazer manutenções em equipamentos e acessórios. Para executar suas atividades utiliza cola, serra
manual e lixa.
GRUPO V Almoxarife Receber, conferir e armazenar produtos e materiais no almoxarifado e no canteiro de obras. Fazer os lançamentos da movimentação de entradas e saídas e controlar os estoques. Distribuir EPI’s e demais produtos e materiais a serem expedidos. Organizar o almoxarifado para facilitar a movimentação dos itens armazenados e a armazenar, preservando o estoque limpo e organizado. Empacotar ou desempacotar os produtos, realizar expedição de materiais e produtos, examinando-os, providenciando os despachos dos mesmos e auxiliar no processo de logística. Controlar a retirada de equipamentos para os setores de produção da obra.
GRUPO VI Operador de máquinas pesadas Operar máquinas pesadas, com eficiência e segurança, acionando comandos de tração, direção e hidráulicos, pedais e alavancas que movimentam o mesmo, para a execução dos serviços de carregamento, cortes de taludes, escavações, acerto de material, limpeza de área e transporte de materiais. Planejar o trabalho, realizar manutenção básica. Remover solo e material orgânico “bota-fora”, drenar solos e executar construção de aterros.
GRUPO VII Operador de betoneira Operar a betoneira; programar a produção e o fornecimento de concreto e misturar seus agregados. Preparar o ambiente, os equipamentos de trabalho e os insumos do concreto. Descarregar o concreto. Acompanhar a organização do estoque de cimento e manter limpa a área da Betoneira.
GRUPO VIII Carpinteiro Seguir orientações do encarregado, planejar trabalhos de carpintaria e preparar o canteiro de obras. Confeccionar e montar fôrmas de madeira e forro de laje (painéis); construir andaimes e proteção de madeira, construir estruturas de madeira para telhado. Escorar lajes e grandes vãos. Montar portas e esquadrias. Finalizar serviços tais como desmonte de andaimes, limpeza e lubrificação de fôrmas metálicas, seleção de materiais reutilizáveis, armazenamento de peças e equipamentos.
GRUPO XI Cabo de turma Auxiliar na coordenação/supervisão das equipes, auxiliar no desenvolvimento de projetos de engenharia civil; executar obras. Supervisionar o fluxo e movimentação dos materiais e sobre as medidas de
segurança dos locais e equipamentos da obra.  Colaborar para o controle da qualidade dos suprimentos e serviços executados na obra.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2021

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS

De acordo com o estudo realizado foram coletadas as informações disponibilizadas pelo dosímetro e serão representados pelas tabelas abaixo.

Onde: D é a dose de exposição diária; N é o índice que de acordo a NR-15 que será igual a 16,6096 e para a NHO 01 será igual a 10; T é o tempo da jornada de trabalho em minutos; NE é o nível de exposição e NEN é o nível de exposição normalizado.

Tabela 01: Dados relacionados de acordo a NR-15

FUNÇÃO D (%) N T (m) NE dB(A) NEN dB(A)
SERVENTE PRÁTICO 115,09 16,6096 480 86,01 86,01
ENCANADOR 17,58 16,6096 480 72,46 72,46
CARPINTEIRO 104,38 16,6096 480 85,31 85,31
AUXILIAR DE ENGENHARIA 21,24 16,6096 480 73,82 73,82
ELETRICISTA 9,13 16,6096 480 67,73 67,73
OPERADOR DE BETONEIRA 85,54 16,6096 480 83,87 83,87
ALMOXARIFE 10,91 16,6096 480 69,02 69,02
OPERADOR DE MAQUINAS PESADAS 46,59 16,6096 480 79,49 79,49
CABO DE TURMA 37,19 16,6096 480 77,86 77,86

Fonte: Elaborada pelo autor, 2021

Tabela 02: Dados relacionados de acordo a NHO 01

FUNÇÃO D (%) N T (m) NE dB(A) NEN
SERVENTE PRÁTICO 623 10 480 92,92 92,92
ENCANADOR 41,55 10 480 81,2 81,2
CARPINTEIRO 341,05 10 480 90,31 90,31
AUXILIAR DE ENGENHARIA 31,7 10 480 80,03 80,03
ELETRICISTA 12,27 10 480 75,92 75,92
OPERADOR DE BETONEIRA 209,37 10 480 88,2 88,2
ALMOXARIFE 17,73 10 480 77,51 77,51
OPERADOR DE MAQUINAS PESADAS 73,26 10 480 83,65 83,65
CABO DE TURMA 60,19 10 480 82,8 82,8

Fonte: Elaborada pelo autor, 2021

Tabela 03: Considerações e ações recomendadas, conforme o Quadro 02

FUNÇÃO NEN – NHO 01 Considerações Atuação Recomendada
SERVENTE PRÁTICO 92,92 dB(A) Acima do Limite de Exposição Adoção imediata de medidas corretivas.
ENCANADOR 81,2 dB(A) Aceitável No mínimo manutenção da condição existente.
CARPINTEIRO 90,31 dB(A) Acima do Limite de Exposição Adoção imediata de medidas corretivas.
AUXILIAR DE ENGENHARIA 80,03 dB(A) Aceitável No mínimo manutenção da condição existente.
ELETRICISTA 75,92 dB(A) Aceitável No mínimo manutenção da condição existente.
OPERADOR DE BETONEIRA 88,2 dB(A) Acima do Limite de Exposição Adoção imediata de medidas corretivas.
ALMOXARIFE 77,51 dB(A) Aceitável No mínimo manutenção da condição existente.
OPERADOR DE MAQUINAS PESADAS 83,65 dB(A) Acima do Nível de Ação Adoção de medidas preventivas.
CABO DE TURMA 82,8 dB(A) Acima do Nível de Ação Adoção de medidas preventivas.

Fonte: Elaborada pelo autor, 2021

  • Servente Prático: A função obteve um Nível de Exposição de 86,01 dB(A) de acordo com a NR-15 e 92,92 dB(A) conforme a NHO 01. Tendo em vista a jornada de trabalho padrão de 08 horas, o Nível de Exposição Normalizado será o mesmo valor. Com base no quadro 02, tendo como acima do limite de exposição e como atuação recomendada a adoção imediata de medidas corretivas.
  • Encanador: A função obteve um Nível de Exposição de 72,46 dB(A) de acordo com a NR-15 e 81,2 dB(A) conforme a NHO 01. Tendo em vista a jornada de trabalho padrão de 08 horas, o Nível de Exposição Normalizado será o mesmo valor. Com base no quadro 02, tendo como aceitável e como atuação recomendada no mínimo manutenção da condição existente.
  • Carpinteiro: A função obteve um Nível de Exposição de 85,31 dB(A) de acordo com a NR-15 e 90,31 dB(A) conforme a NHO 01. Tendo em vista a jornada de trabalho padrão de 08 horas, o Nível de Exposição Normalizado será o mesmo valor. Com base no quadro 02, tendo como acima do limite de exposição e como atuação recomendada a adoção imediata de medidas corretivas.
  • Auxiliar de Engenharia: A função obteve um Nível de Exposição de 73,82 dB(A) de acordo com a NR-15 e 80,03 dB(A) conforme a NHO 01. Tendo em vista a jornada de trabalho padrão de 08 horas, o Nível de Exposição Normalizado será o mesmo valor. Com base no quadro 02, tendo como aceitável e como atuação recomendada no mínimo manutenção da condição existente.
  • Eletricista: A função obteve um Nível de Exposição de 67,73 dB(A) de acordo com a NR-15 e 75,92 dB(A) conforme a NHO 01. Tendo em vista a jornada de trabalho padrão de 08 horas, o Nível de Exposição Normalizado será o mesmo valor. Com base no quadro 02, tendo como aceitável e como atuação recomendada no mínimo manutenção da condição existente.
  • Operador de Betoneira: A função obteve um Nível de Exposição de 83,87 dB(A) de acordo com a NR-15 e 88,2 dB(A) conforme a NHO 01. Tendo em vista a jornada de trabalho padrão de 08 horas, o Nível de Exposição Normalizado será o mesmo valor. Com base no quadro 02, tendo como acima do limite de exposição e como atuação recomendada a adoção imediata de medidas corretivas.
  • Almoxarife: A função obteve um Nível de Exposição de 69,02 dB(A) de acordo com a NR-15 e 77,51 dB(A) conforme a NHO 01. Tendo em vista a jornada de trabalho padrão de 08 horas, o Nível de Exposição Normalizado será o mesmo valor. Com base no quadro 02, tendo como aceitável e como atuação recomendada no mínimo manutenção da condição existente.
  • Operador de Máquinas Pesadas: A função obteve um Nível de Exposição de 79,49 dB(A) de acordo com a NR-15 e 83,65 dB(A) conforme a NHO 01. Tendo em vista a jornada de trabalho padrão de 08 horas, o Nível de Exposição Normalizado será o mesmo valor. Com base no quadro 02, tendo como acima do nível de ação e como atuação recomendada a adoção de medidas preventivas.
  • Cabo de Turma: A função obteve um Nível de Exposição de 77,86 dB(A) de acordo com a NR-15 e 82,8 dB(A) conforme a NHO 01. Tendo em vista a jornada de trabalho padrão de 08 horas, o Nível de Exposição Normalizado será o mesmo valor. Com base no quadro 02, tendo como acima do nível de ação e como atuação recomendada a adoção de medidas preventivas.

5. CONCLUSÃO

Pode-se observar que, com os valores obtidos do NEN – Nível de Exposição Normalizado, conforme a NR-15, as funções que ficaram acima do nível de ação de acordo a tabela 01, foram: servente prático, carpinteiro e operador de betoneira. O Nível de Ação para a NR-15 é de 80dB(A), pois a cada 5dB(A) a exposição ao agente ruído é dobrada ou reduzida. Já o NEN conforme a NHO 01, de acordo com a tabela 02, observou-se que as funções de servente prático, carpinteiro, operador de betoneira, operador de máquinas pesadas e cabo de turma ficaram acima do nível de ação que é de 82 dB(A).

Em geral, tanto para NR-15 e NHO 01, as funções mais preocupantes que atingem e ultrapassam o limite de tolerância de 85 dB(A), de acordo a tabela 01 e 02 são: servente prático e carpinteiro. A função de operador de betoneira atinge o limite de tolerância apenas de acordo com a NHO 01, recomendando-se então, a adoção imediata de medidas corretivas.

Para as funções avaliadas, tendo em vista a tabela 03, que trata das considerações técnicas e ações recomendadas, foram sugeridas as medidas de controle, com o objetivo de melhoria na qualidade de vida dos funcionários, bem como a integridade física dos mesmos. Todos os trabalhadores avaliados com o monitoramento foram treinados e orientados quanto à utilização do EPI (Equipamento de Proteção Individual).

Juntamente com o monitoramento, foram coletadas as informações dos colaboradores da empresa, assim como as informações dos EPI’s que os mesmos utilizavam. Para o servente prático e carpinteiro, foram disponibilizados protetores auriculares do tipo plug com C.A 39067 e validade até 08/09/2021, atenuando assim 16 dB(A), o que deixa a atividade não-insalubre. Já para o operador de betoneira foi disponibilizado o protetor do tipo concha com C.A 31983 e validade até 16/10/2022, atenuando 19dB(A) e deixando a atividade também não-insalubre.

É importante lembrar que os equipamentos de proteção individual utilizados pelos trabalhadores durante as atividades, passam por limpeza periódica e ocasionalmente troca. Esta ação poderá minimizar possíveis danos à saúde dos colaboradores. De acordo com entrevista aos avaliados, foi observado também que todos passaram por exames audiométricos, sendo eles admissional e periódico.

Vale ressaltar que, o atendimento às recomendações deste estudo não implicará na eliminação do risco da exposição ao agente ruído. A eficácia se dá quanto ao controle das avaliações periódicas de acordo às medidas adotadas. O Equipamento de Proteção Individual de fato é de suma importância para a saúde dos trabalhadores expostos aos agentes, mas este não descarta e nem substitui o estudo e implementação de medidas coletivas, sendo estas atuantes diretamente nas fontes geradoras de ruído.

Os resultados encontrados evidenciam a necessidade constante de acompanhamento dos trabalhadores nos canteiros de obras, com o intuito de sanar os problemas encontrados e manutenção periódica dos equipamentos de proteção para diminuir os níveis que são prejudiciais à saúde dos trabalhadores da construção civil.

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Stella Maris Melazzi. Metodologia para Avaliação de Impacto Ambiental Sonoro da Construção Civil no Meio Urbano. Rio de Janeiro, 2004. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

ARAUJO, Simone Adad. Perda auditiva induzida pelo ruído em trabalhadores de metalúrgica. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-72992002000100008&script=sci_abstract&tlng=pt

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 15: Atividades e Operações Insalubres. 2014. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR15/NR-15.pdf> Acesso em abril 2021.

BRASIL, Ministério do Trabalho e Emprego. Artigo 168 da Consolidação das Leis do Trabalho, na NR 7. Disponível em: http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr7.htm.

BRASIL, Ministério do Trabalho e Emprego. Norma de Higiene Ocupacional – NHO 01. Avaliação da exposição ocupacional ao ruído, FUNDACENTRO. Disponível em: http://antigo.fundacentro.gov.br/biblioteca/normas-de-higiene-ocupacional/publicacao/detalhe/2012/9/nho-01-procedimento-tecnico-avaliacao-da-exposicao-ocupacional-ao-ruido.

ESTADÃO, Em 2021 a construção civil deve apresentar o maior avanço para o setor em 8 anos. Disponível em: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/em-2021-construcao-civil-deve-apresentar-o-maior-avanco-para-o-setor-em-8-anos/. Acesso em abril 2021.

DOSÍMETRO de ruído. Evolução em instrumentos de medição. Disponível em: https://www.formis.com.br/seguranca-do-trabalho/dosimetro-de-ruido-sonus-2. Acesso em abril 2021.

INSTITUTO brasileiro de geografia e estatística (IBGE). Estatísticas Da Construção Civil. Rio de Janeiro: 2020. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/.Acesso em abril 2021.

MANUAL DE LEGISLAÇÃO ATLAS. Legislação de Segurança e Medicina do trabalho.  Disponível em: https://shtservicos.com.br/Boletim%20T%c3%a9cnico/MANUAL_LEGISLACAO_TRABALHO.pdf. Acesso abril 2021.

MAPA DA OBRA. Exposição a ruídos é um dos principais riscos na construção civil. Disponível em: https://www.mapadaobra.com.br/gestao/exposicao-ruidos-e-um-dos-principais-riscos-na-construcao-civil/.

SELIGMAN, José. Considerações a respeito da perda auditiva induzida pelo ruído. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-129035.

[1] Bacharelando em Engenharia Civil.

[2] Orientador. Especialização em Engenharia de Segurança no Trabalho. Especialização em MBA em Gerenciamento de Obras de Engenharia. Graduação em Engenharia Civil.

Enviado: Maio, 2021.

Aprovado: Junho, 2021.

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