Manutenção Preventiva em Viga-Calha de Concreto Armado em um Prédio Institucional de Porto Velho/RO.

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GARCIA, Fabiano de Aguiar [1], SOUZA, Ênio Neves de [2], MEDEIROS, Gracindo da Rocha [3], NETO, Alberto Antônio Tuma [4], VALADARES, Otávio César de Paiva [5],

GUARCIA, Fabiano de Aguiar; et.al. Manutenção Preventiva em Viga-Calha de Concreto Armado em um Prédio Institucional de Porto Velho/RO. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 02, Ed. 01, Vol. 16. pp 484-491, Março de 2017. ISSN:2448-0959

RESUMO

Este trabalho demonstra um problema patológico relacionado à impermeabilização em um prédio Institucional localizado na cidade de Porto Velho em Rondônia, em decorrência da falta de manutenção e fala sobre suas consequências. Aborda conceitos referentes à impermeabilização, caracterização de uma viga-calha e manutenção corretiva e preventiva. Além de realizar uma análise de um orçamento simplificado para demonstrar o que seria gasto em decorrência dessa falta de manutenção. Por fim, faz uma rápida análise dos conceitos sobre os dois tipos de manutenção comparando com o caso presenciado na vistoria realizada no prédio e definindo qual seria o tipo mais apropriado de manutenção para o caso estudado.

Palavras-chave: Manutenção corretiva, Manutenção preventiva, Impermeabilização, Manta Asfáltica

Introdução

Na construção civil, para que o cliente saia bem satisfeito, as etapas de projeto e execução de edificações têm que ser bem planejadas, por isso são muito importantes. Não menos importantes são as etapas seguintes, as de manutenção, pois são elas que irão conservar e prolongar a vida útil da edificação e suas partes constituintes.

Este trabalho apresenta um estudo de caso de um decorrente problema da falta de manutenção no que diz respeito ao prolongamento da vida útil do sistema de impermeabilização (no caso a manta asfáltica) das vigas-calhas do prédio localizado em Porto Velho, no estado de Roraima, e suas consequências. Faz também uma rápida análise entre escolha do tipo de manutenção apropriado para a solução do problema, se manutenção corretiva ou manutenção preventiva.

O trabalho mostra os dados referentes à edificação, relata sobre as patologias identificadas durante a vistoria, suas causas e o que poderia ter sido feito para aumentar a vida útil do sistema de impermeabilização.

Faz também, citações de autores de livros, normas da ABNT e até de relatos em sites da internet por engenheiros experientes no assunto.

Por fim, após a análise das definições sobre os tipos de manutenção, será demonstrada qual seria a melhor solução para o caso da impermeabilização das vigas-calhas do prédio vistoriado.

Desenvolvimento

Em setembro de 2016 foi realizada vistoria em um prédio institucional sendo constatado na ocasião que o mesmo possui um pavimento com piso cerâmico, fechamento em alvenaria, com estruturas (vigas, pilares e laje) em concreto armado e forro de madeira tipo lambri. Sua cobertura é de telha tipo fibrocimento tipo calheta sobre estruturas de madeira, que deságuam em vigas-calhas de concreto armado, vigas essas, impermeabilizadas com mantas asfálticas de aproximadamente 3mm de espessura. A idade do imóvel é de aproximadamente 20 anos.

A idade da manta asfáltica impermeabilizante era de 2 anos aproximadamente na época da vistoria, que foi realizada em 2016, está instalada em três vigas-calhas, que medem 20,00 metros de comprimento e 1,00 metro de perímetro transversal cada uma, perfazendo um total de 60,00 m² de manta asfáltica nas três calhas.

Segundo a ABNT NBR 15575-5-2013 Edificações habitacionais — Desempenho Parte 5: Requisitos para sistemas de coberturas, viga-calha é um componente estrutural, com formato de canal aberto, destinado à captação e condução da água de chuva do sistema de cobertura.

O engenheiro Jerônimo Cabral P. Fagundes Neto, pós-graduado em perícias e avaliações de edificações e mestre pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), afirma no site direcionalcondominios.com.br que, se bem instalada durante a construção do empreendimento, a manta asfáltica simples, de três a quatro milímetros de espessura, poderá durar de cinco a sete anos.

Após o início da vistoria no imóvel, foi constatado que o mesmo apresentava algumas patologias como: Manchas e fissuras nas paredes, infiltração no teto, etc.. Em seguida foi verificado que a patologia mais grave se tratava de uma infiltração no teto e estava localizada logo abaixo das vigas-calhas, comprometendo a ferragem da armadura da viga com o surgimento de oxidação das mesmas.

Iniciou-se então uma vistoria mais minuciosa nas calhas, onde foi constatado que as mesmas apresentavam muito sedimento, que foi acumulada por vários meses e vários furos nas arestas da manta impermeabilizante (figuras 1 e 2).

Figura 1 – Vista da viga-calha apresentando muito sedimento acumulado (2016).
Figura 2 – Manta asfáltica apresentando furos entre os cantos ou arestas (2016).

Foi verificado também que, de acordo com os usuários do imóvel, que o mesmo ficou por dois anos sem limpeza das calhas, e que até a data da vistoria não havia qualquer sinal de limpeza das calhas, contribuindo com o acúmulo de sedimento e com consequência disso, a diminuição da vida útil da manta.

Figura 3 – Detalhe do sedimento que dificulta o escoamento normal da água, ocasionando o surgimento de poças no meio das vigas-calhas (2016).

Conforme a NBR 9574 – Execução de impermeabilização – Procedimento, item 4.3.13.1, o substrato deve se encontrar firme, coeso, seco, regular, limpo, isento de corpos estranhos, restos de fôrmas, pontas de ferragem, restos de produtos desmoldantes ou impregnantes, falhas e ninhos; com declividade nas áreas horizontais de no mínimo 1% em direção aos coletores de água. Para calhas e áreas internas é permitido o mínimo de 0,5%. Cantos devem estar em meia cana e as arestas arredondadas.

Ainda, alguns fabricantes de mantas asfálticas, recomendam que a superfície (no caso a calha) deva ter no mínimo 1% de caimento em direção aos pontos de caimento de água, uma vez que o acúmulo de água empoçada sobre a manta por um longo período de tempo diminui muito a sua vida útil.

Com isso, ficou constatada que, o sedimento prejudicou o escoamento da água, originando a criação de poças no meio das vigas, fazendo com que a manta ficasse em contato com a água por um longo período do dia por pelo menos um ano. Em consequência, diminuiu a durabilidade da manta, fazendo com que o material da manta perdesse sua durabilidade formando pequenos furos, por onde a água entrou em contato com a viga e, por estar entre a manta e a viga, ficou protegida do sol e com isso, a água passou a infiltrar na viga até a parte de baixo.

Nesse sentido, com a falta de manutenção, não houve outra saída a não ser propor a realização de uma manutenção corretiva na impermeabilização da viga-calha. Seguindo a definição de Santos (2010), a manutenção se divide em 2 tipos, a planejada e não planejada, a situação apresentada se caracteriza como não planejada, pois não houve nenhuma preocupação em manter a manta limpa, livre de sedimentos que não permitiram o escoamento das águas das chuvas normalmente.

Pinto e Xavier (2001), definem manutenção corretiva como a atuação para a correção da falha ou do desempenho menor que esperado

Já Branco Filho (2008) afirma que:

O uso da estratégia de manutenção corretiva apenas leva a uma contínua e lenta degradação das máquinas e da instalação onde poderá acontecer perda de produção, risco à integridade das instalações, risco de degradação do meio ambiente e, ainda, o que é mais grave, trazer riscos à vida humana, não só dos empregados, mas também dos clientes e usuários dos produtos. Internamente, o ambiente é tenso, as pessoas trabalham por demais preocupadas com o próximo problema e muitas vezes fazendo improvisações.

Um exemplo claro dessa definição foi verificada durante a vistoria, que conforme os usuários em época de chuva, com o problema de infiltração a água escorria próximo aos equipamentos eletrônicos, correndo o risco de danificar os mesmos, prejudicando assim o andamento das atividades do prédio. Percebeu-se que conflitos entre manutenção e operação acabam sendo uma constante, uma vez que aparecem desculpas dos usuários sobre a causa do mau funcionamento e o porquê do trabalho não ter sido concluído a contento, isso acaba influenciando na produtividade.

Então um simples problema que seria solucionado com o planejamento de uma manutenção preventiva, poderia ter sido evitado, aumentando o tempo de vida útil da impermeabilização, reduzindo custos e melhorando o desempenho dos usuários.

Fazendo um rápido orçamento, utilizando dados do SINAPI-Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil datado, que diz que o custo da Manta Asfáltica é de R$40,17/m² e que a Emulsão Asfáltica (para colagem entre a superfície a ser impermeabilizada e a manta) é de R$40,05/m², e considerando que para realização do serviço serão usados dois funcionários, um impermeabilizador (custo da hora de trabalho é de R$12,57/hora) e um ajudante especializado (custo da hora de trabalho é de R$9,61/hora) e que o serviço será realizado em 18 horas de trabalho, vamos chegar a um valor total do serviço de R$5.212,44.

Se a vida útil da impermeabilização tivesse sido prolongada, esse valor seria economizado e poderia ser investido em outro serviço essencial para os servidores.

Mas, a manutenção preventiva seria o ideal a ser feito realmente? Pinto e Xavier (2001) definem que a Manutenção Preventiva consiste em exercer um controle sobre o equipamento (Impermeabilização), de modo a reduzir a probabilidade de falhas ou queda no desempenho, baseado em intervalos regulares de manutenção, ou seja, obedecendo a um plano previamente elaborado.

A questão financeira decorre do problema desse tipo de manutenção que está na escolha de um intervalo apropriado para a parada do equipamento, no caso a impermeabilização. Este intervalo é de difícil determinação e é baseado aleatoriamente, por experiência ou estatisticamente, sem estudar a conveniência ou não da manutenção preventiva. Antes de iniciá-la, é necessário avaliar se vale a pena sua implantação, já que em alguns equipamentos ela se revela desvantajosa.

De acordo com Santos (2010) a principal desvantagem da manutenção preventiva é o gasto com substituição de componente, o que ocorre geralmente bem antes da ocorrência do defeito.

Mas como o caso estudado é a manutenção da manta asfáltica para impermeabilização, a sua manutenção preventiva não compreenderia troca de algum componente da manta, mas somente limpeza mensal e a inspeção no local regularmente para verificar se porventura, por força das intempéries, alguma manta se desprendeu (descolou), para que seja realizado o reparo de imediato, que pode ser a recolagem da manta com emulsão asfáltica ou a simples aplicação de manta autoadesiva no local.

Portanto, o custo seria muito menor se realizado a manutenção preventiva, pois seria gasto pouco material, tendo em vista que a manutenção seria realizada somente em pontos específicos e esporadicamente.

Conclusão

Com o presente trabalho observa-se que na etapa definida como o pós-obra, mesmo que recente, se faz necessário a realização das manutenções, por isso é tão importante quanto as fases de projeto e execução, pois é se fazendo uma manutenção periódica na edificação que se prolonga a vida útil.

Vimos que a falta de planejamento de uma manutenção, diminuiu demasiadamente a vida útil de um sistema de impermeabilização (manta asfáltica), trazendo como consequências diversas outras patologias.

Verificamos também, após análise dos conceitos, que no caso das mantas asfálticas, vale a pena fazer planejamento para programar uma manutenção preventiva ao invés da manutenção corretiva, pois a sua manutenção é simples, pois não precisa de troca de material, mas sim, de mão de obra para realizar a limpeza das vigas-calhas e fazer a inspeção para verificar se a impermeabilização não está com problema.

Portanto, fica evidente que a vida útil da impermeabilização necessita de manutenção preventiva, pois mantém o desempenho e estética do prédio por um longo período de tempo com baixo custo, aumentando ainda o conforto e a produtividade dos usuários.

REFERÊNCIAS

ABNT NBR 9574 – Execução de impermeabilização – Procedimento.

ABNT NBR 9575 – Impermeabilização – Seleção e projeto.

ABNT NBR 15575-5-2013 Edificações habitacionais — Desempenho Parte 5: Requisitos para sistemas de coberturas.

BRANCO FILHO, Gil. A organização, o planejamento e o controle da manutenção. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna, 2008.

PINTO, Alan Kardec; XAVIER, Júlio de Aquino Nascif. Manutenção – Função Estratégica. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2001.

SANTOS, Valdir Aparecido dos. Prontuário para manutenção mecânica. São Paulo: Ícone, 2010.

SINAPI – SISTEMA NACIONAL DE PESQUISA DE CUSTOS E ÍNDICES DA CONSTRUÇÃO CIVIL.

[1] Bacharel em Engenharia Civil. Universidade do Estado do Amazonas-UEA Pós-Graduado em Engenharia e Gerenciamento de Manutenção

[2] Bacharel em Engenharia de Infraestrutura Aeronáutica. Instituto Tecnológico de Aeronáutica-ITA.

[3] Bacharel em Engenharia Civil. Centro Universitário Luterano de Manaus. Pós-Graduado em Engenharia e Gerenciamento de Manutenção

[4] Bacharel em Engenharia Civil. Universidade Federal do Amazonas-UFAM

[5] Bacharel em Engenharia Civil. Universidade Federal do Amazonas-UFAM

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