Vantagens e desvantagens do BRT versus linhas convencionais de ônibus

0
1056
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
PDF

ARTIGO ORIGINAL

SIMÕES, David Santos [1], JUNIOR, Antonio Carlos Totti [2]

SIMÕES, David Santos. JUNIOR, Antonio Carlos Totti. Vantagens e desvantagens do BRT versus linhas convencionais de ônibus. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 07, Vol. 04, pp. 64-80. Julho de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O meio de transporte público do Brasil é bastante utilizado pelos passageiros, dentre estes transportes destacam-se o BRT e o ônibus convencional. O BRT possui vantagens sobre o ônibus convencional e é considerado um meio de transporte mais rápido, menos poluente e seguro quando comparado ao convencional. O BRT possui poucas desvantagens quando comparado com o ônibus convencional, a maior é o tempo de implementação ser mais que o dobro do sistema convencional. Assim, neste trabalho foram abordados de forma resumida as vantagens e desvantagens destes dois meios de transporte público. Além, de uma breve descrição dos mesmo e dos combustíveis renováveis utilizados nestes veículos

Palavras-chave: BRT, ônibus convencional, transporte rodoviário.

INTRODUÇÃO

A partir de dois eventos mundiais que ocorreram no Brasil nos últimos anos, Olímpiadas e Copa do Mundo, os brasileiros começaram a ouvir falar mais do BRT. Isto ocorreu em razão de uma polêmica sobre qual seria o melhor meio de transporte a se empregar nestes dois grandes eventos. O BRT (Bus Rapid Transit) nasceu no Brasil a partir de uma ideia do arquiteto e urbanista Jaime Lerner. A diferença básica entre o BRT e o ônibus convencional é no embarque e desembarque que deve ocorrer em uma plataforma e apresentar uma velocidade elevada.

O BRT é uma solução “Made in Brazil” que virou modelo internacional. Ele foi implementado pela primeira vez em Curitiba na década de 1970 e virou modelo tanto para outras cidades do país como para o mundo (Lerner, 2009). Uma grande vantagem é a excelente relação custo-benefício, pois transporta mais passageiros que o ônibus convencional e apresenta um custo operacional e um custo de implementação bem menor que o metrô.

O BRT é também conhecido no Brasil como corredor de ônibus, e já foi implementado em algumas cidades, sendo o mais conhecido o de Curitiba (Branco, 2013). O BRT foi inspirado no metrô e consiste de um sistema de ônibus biarticulado que andam em um canaleta exclusiva; são ônibus articulados ou biarticulados e podem ser a diesel, elétricos ou híbridos. Esta canaleta trata-se de uma rua central onde o somente o BRT pode passar e ela fica separada dos demais veículos por calçada, ainda os sinaleiros são preferenciais, ou seja, quando o BRT se aproxima o semáforo abre; já na faixa exclusiva os carros podem trafegar quando forem realizar conversões à direita, são separadas dos demais carros apenas por faixas pintadas e os sinaleiros não são preferenciais para eles.

Porém, os ônibus convencionais também apresentam corredores exclusivos, mas além de um corredor exclusivo o BRT também busca ser mais ágil e possui uma expectativa de redução de aproximadamente 50% do tempo de viagens em relação aos ônibus convencionais. Esta redução ocorre, pois, é possível ter um controle operacional do BRT, onde o embarque e desembarque são controlados e as viagens não são afetadas pelos semáforos e fluxos intensos; o que ocorre no corredor exclusivo para os ônibus convencionais.

Uma das principais vantagens do BRT é um menor custo, quando comparado ao VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), tanto na sua construção quanto na sua implementação. Uma desvantagem aparece quando são movidos a diesel, pois são poluentes assim como os ônibus convencionais (Lerner, 2009).

DESENVOLVIMENTO

O transporte de passageiros é uma necessidade desde os tempos antigos. O que mudou muito nos tempos modernos é que tempos atrás a dificuldade de locomoção era muito grande. A necessidade de se locomover do homem fez com que com o passar do tempo surgisse a preocupação com meios de transportes mais eficientes e, também, aumentou a importância dos meios para a locomoção. Desta forma, até os tempos atuais a procura por melhorias no transporte, principalmente no público, ainda é grande.

1.1 OBJETIVO GERAL

Discorrer sobre o funcionamento do BRT e do ônibus convencional, apresentando os seus custos de implementação, custo-benefício e impacto social e ambiental. Pretende ainda apresentar as vantagens e desvantagens do BRT versus o ônibus convencional, estabelecendo os principais motivos do BRT ser um meio de transporte melhor que o ônibus convencional.

1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Para atingir o objetivo foram elaborados os seguintes objetivos específicos a seguir relacionados:

  • Descrever a respeito do BRT: custos de implementação, custo-benefício e impacto social e ambiental;
  • Descrever a respeito do ônibus convencional: custos de implementação, custo-benefício e impacto social e ambiental;
  • Apresentar de forma suscinta os combustíveis e suas vantagens e desvantagens utilizadas nestes transportes;
  • Apresentar as vantagens e desvantagens de cada um dos dois sistemas de transporte.

1.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para o desenvolvimento deste trabalho foram realizadas pesquisas e revisão bibliográfica a respeito do BRT e do ônibus convencional, presente em diversificada literatura que incluiu livros, artigos de eventos, artigos de periódicos, teses e dissertações. Dentre a literatura consultada destacam-se as plataformas Scielo e Capes, entre outras. A natureza desta pesquisa é qualitativa e exploratória. Qualitativa pois dá maior ênfase à interpretação dos dados coletados na literatura pesquisada. Exploratória pois envolve levantamento bibliográfico com a finalidade de desenvolver e apresentar conceitos a respeito do BRT e ônibus convencional.

A respeito da metodologia utilizada neste trabalho tem-se o estudo teórico sobre o BRT e o ônibus convencional, suas principais vantagens e desvantagens e uma comparação entre os dois meios de transporte público. Foram utilizados materiais bibliográficos para o embasamento teórico deste trabalho.

Uma identificação das principais vantagens e desvantagens de cada um dos tipos de transporte públicos abordados serão identificados a partir da bibliografia avaliada, bem como uma comparação a fim de se dizer qual o melhor transporte também será feita.

A pesquisa também é de natureza bibliográfica na medida que se buscou o conhecimento a respeito das diferenças entre os meios de transporte avaliados, desenvolvendo um texto que permitiu identificar as possíveis vantagens e desvantagens do BRT e do ônibus convencional.

Quanto ao processo de abordagem, ela pode ser classificada como quantitativa devido ao volume de dados retirados das plataformas mencionadas. Após este processo a pesquisa tornou-se qualitativa sintética com o caráter de objetivar o referencial teórico a respeito das vantagens e desvantagens do BRT versus o ônibus convencional.

Quanto aos seus objetivos, este trabalho é cunho teórico, pois abordará o conhecimento a respeito do BRT e ônibus convencional, além de abordar suas vantagens e desvantagens.

Muitas podem ser as razões para a adoção desta metodologia de pesquisa como a possibilidade de conhecer e entender o funcionamento do BRT e ônibus convencional, bem como as vantagens e desvantagens do BRT frente ao ônibus convencional.

1.4 BRT: IMPLEMENTAÇÃO E BENEFÍCIOS

O primeiro BRT foi implementado em 1974 em Curitiba, e, como já mencionado anteriormente, é o BRT mais famoso do Brasil. Figura 1 apresenta uma foto deste tipo de transporte. Nela é possível observar que o BRT possui uma canaleta exclusiva, onde somente ele pode transitar.

Figura 1 – BRT na cidade de Curitiba.

Fonte: Prefeitura de Curitiba.

O objetivo inicial do BRT era implementar um sistema com base nas ferrovias, porém a cidade de Curitiba não tinha o recurso financeiro necessário; como a cidade estava em expansão a ideia era desenvolver um plano de crescimento da cidade focando, principalmente, em meios de crescimento que se controla-se o congestionamento. Desta forma, o prefeito em exercício, Jaime Lerner introduziu uma alternativa que visava a utilização de ônibus de qualidade e com custos reduzidos (Branco, 2013). Assim, o BRT foi introduzido em Curitiba, em 1974, como já mencionado.

A partir deste exemplo e com o rápido crescimento populacional na América Latina nos anos 1970, outras cidades começaram a implementação do BRT. Como exemplo, Quito implementou o sistema em 1994. Nos anos 1990 outras cidades também tiveram tal implementação: Kumming na China, Vancouver no Canadá, Miami nos EUA, Brisbane na Austrália e diversas cidades na França (Branco, 2013). O maior marco do BRT foi quando Bogotá iniciou uma grande rede de BRT nos anos 1990.

A estrutura do BRT busca promover acessibilidade para os usuários. A Figura 2 apresenta a estrutura básica do sistema BRT. Na Figura 2, 1 representa a cobrança, que é feita na entrada da estação e não no ônibus, o que agiliza o embarque. O 2 representa as portas, que são deslizantes e automáticas e abrem apenas quando o ônibus está parado na estação. O elemento 3 trata-se do piso do ônibus e da estação que devem estar no mesmo nível, facilitando, assim, o embarque e desembarque. O 4 representa as estações dos veículos do BRT que devem possuir acessibilidade. O elemento 5 são as lombo-faixas, que auxiliam na redução da velocidade do BRT próximo as estações. E por fim, o elemento 6 representa a localização onde o BRT deve circular, que deve ser entre as avenidas mais movimentadas da cidade.

Figura 2 – Estrutura básica do sistema BRT.

Fonte: Adaptado de Lobel, 2018.

Além disso, as estações do BRT devem possibilitar, segundo Branco (2013):

  • Integração com outros meios de transporte;
  • Proteção contra o tempo;
  • Sistema de pré-pagamento;
  • Circulação segura dos passageiros no acesso as plataformas;
  • Sistema de informações adequado para os passageiros;
  • Segurança, com implementação de câmeras e áreas iluminadas;
  • Ambiente atrativo para os passageiros.

A aparência dos veículos BRT têm grande impacto na identidade e percepção de qualidade dos passageiros. Esta percepção é principalmente visual; porém, também se refere aos impactos sociais, tais como ruídos e emissões. A imagem do BRT também influência na impressão que o público possui. Entretanto, além deste aspeto estético, os veículos do BRT também têm um papel importante no desempenho do sistema. A seleção do veículo assumir forte influência no nível dos custos operacionais e de manutenção. Assim, para além de uma tecnologia sofisticada e atraente, outras questões devem ser consideradas no processo de tomada de decisão das especificações técnicas do veículo, sendo elas:

  • Configuração do veículo;
  • Layout interno;
  • Portas;
  • Sistema de propulsão e combustíveis;
  • Opções estéticas.

Além, das escolhas já mencionadas para a implementação do BRT, uma questão importante é a escolha do combustível. Para tanto deve-se abordar os seguintes fatores:

  • Custo do veículo;
  • Impacto ambiental;
  • Disponibilidade e preço do combustível;
  • Política governamental;
  • Confiabilidade.

A fim de ilustrar o que é necessário para a implementação do BRT, a Figura 3 apresenta o esquema de funcionamento do BRT. No número 1 é representado uma conversão um tipo de conversão que deve ser minimizada ou eliminada para que as interferências no caminho do BRT sejam as menores possíveis. No número 2 observa-se que os cruzamentos devem estar a cerca de 40 metros das estações, pois assim o veículo BRT poderá estacionar mesmo que o semáforo esteja fechado. Para que não exista congestionamento entre os veículos BRT devem haver faixas de ultrapassagem, isto é ilustrado na etapa 3. É possível que vários veículos BRT parem no mesmo corredor, o que é visto em 4. No número 5 verifica-se as canaletas, que são pistas no meio e que serve para os dois sentidos da via, facilitando as transferências e diminuindo custos de construção.

Figura 3 – Esquema de funcionamento do BRT.

Fonte: Adaptado de Lobel, 2018.

Dentre os combustíveis mais utilizados no BRT estão: o biocombustível, o gás natural, o hidrogênio e a energia elétrica. Estes combustíveis serão descritos na seção 2.3.

Segundo Reis (2013) os custos da implementação de um sistema de transporte BRT dependem de diversos fatores; devido ao nível de capacidade necessária, a qualidade desejada, as estações e terminais, aquisição de terrenos e necessidades de obras públicas.

A fim de exemplificar tais custos pode-se comparar a implementação do sistema BRT com o VLT (veículos leves sobre trilhos). Com o mesmo orçamento a implementação de redes do sistema BRT pode ser de 4 a 20 vezes mais extensa que se fosse construída redes de VLT.

A partir deste breve resumo a partir do BRT, Reis (2013) afirma que o sistema BRT é a melhor opção para a mobilidade urbana, por ser uma solução barata, rápida, moderna e, principalmente, por conseguir suprir os desafios das grandes cidades.

1.5 ÔNIBUS CONVENCIONAL: IMPLEMENTAÇÃO E BENEFÍCIOS

O ônibus convencional possui uma história que passa por grandes inovações desde sua origem. O primeiro modelo de ônibus foi desenvolvido em 1895 por Carl Benz, com capacidade para oito passageiros, através de veículos Benz, e em 1905 foi adotado em Berlim o uso de ônibus de dois andares, com 32 lugares totais e acomodava passageiros sentados. Em 1950 uma grande evolução ocorreu nos ônibus a carroceria tipo monobloco, que trouxe mais conforto, agilidade e redução do peso do veículo. No Brasil o primeiro ônibus foi introduzido em 1908 e era movido a gasolina.

Os ônibus convencionais estão presentes em praticamente todas as cidades brasileiras. É o meio de transporte mais comum no Brasil. Esse sistema vem passando por melhorias ao longo dos anos. Hoje já é possível ver ônibus convencionais trafegando com combustíveis renováveis. Outra melhoria recente se refere a faixas exclusivas para os ônibus. A Figura 4 apresenta um exemplo deste tipo de transporte.

Figura 4 – Exemplo de ônibus convencional.

Fonte: Google imagens.

Na Figura 4 também é possível observar que diferentemente do BRT as paradas dos ônibus convencionais não estão no mesmo nível que o veículo. Além disso, outra diferença notável são as faixas exclusivas, que neste caso são faixas a direita onde os demais veículos podem circular quando pretende fazer conversões à direita.

Na Figura 5 pode-se observar como é um terminal de ônibus convencional. As paradas dos ônibus ou pontos de ônibus são encontradas nas próprias ruas das cidades. Porém, algumas cidades possuem terminais, onde vários ônibus de diferentes linhas param e ocorre uma integração. Esta integração pode ocorrer com outras linhas como com outros tipos de transporte; na cidade de Curitiba os passageiros podem trocar de tipo de transporte sem pagar outra passagem, ou seja, pode chegar de ônibus convencional e trocar por um BRT.

Figura 5 – Terminal de ônibus convencional.

Fonte: IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor.

De maneira geral o ônibus convencional trata-se de um sistema de transporte público que normalmente tem uma marca negativa, associado a um mau desempenho operacional e um serviço pouco adequado ao passageiro. Normalmente, os ônibus convencionais oferecem um serviço lento, pouco confortável e com baixa confiabilidade. No entanto, o sistema convencional de ônibus apresenta grande flexibilidade e facilidade de implementação, bem como custos de implementação baixos (Branco, 2013).

1.6 COMBUSTÍVEIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS

Os principais combustíveis alternativos utilizados nos meios de transporte público, tais como os em estudo BRT e ônibus convencional, são: biocombustíveis, gás natural, hidrogênio e energia elétrica. Cada uma destas alternativa apresenta vantagens e desvantagens que são descritas a seguir para cada um dos combustíveis:

Biocombustível:

  • Vantagens:
    • Fácil adaptação aos veículos atuais;
    • Zero emissões líquidas de gases do efeito estufa;
    • Renovável;
    • Menos gases de feito estufa, relativamente ao petróleo.
  • Desvantagens:
    • Pode afetar q qualidade da água e do solo;
    • Consumo de grande quantidade de energia;
    • Promove devastação de áreas florestais;
    • Promove desmatamento e queimadas de grandes áreas para cultivo de mátria prima.

Gás Natural:

  • Vantagens:
    • Pode aumentar a eficiência energética do motor;
    • Fácil adaptação aos veículos atuais;
    • Menor emissão de matérias poluentes.
  • Desvantagens:
    • Aumenta custos e peso dos veículos;
    • Não renovável;
    • Maior emissão de metano.

Hidrogênio:

  • Vantagens:
    • Fonte energética inesgotável / não poluente / renovável;
    • Elevada eficiência energética, potencial de melhorias nos novos projetos de veículos (menor ruído, dimensão do motor);
    • Não promove efeito estufa.
  • Desvantagens:
    • Elevado custo do combustível e veículo;
    • Tecnologia atual insuficiente para aplicação do conceito a grande escala;
    • Necessita de CO2.

Energia Elétrica:

  • Vantagens:
    • Zero emissões de gases que promovem o efeito de estufa;
    • Reaproveitamento da energia cinética do veículo para gerar energia elétrica.
  • Desvantagens:
    • Autonomia dos veículos reduzida;
    • Baterias muito tóxicas e de difícil reciclagem.

1.7 BRT X ÔNIBUS CONVENCIONAL: VANTAGENS E DESVANTAGENS

Tanto o BRT quanto o ônibus convencional possuem flexibilidades, sendo esta uma das principais vantagens dos sistemas de transporte público via BRT ou ônibus convencional. Pois os veículos do BRT e do ônibus convencional podem utilizar diversos combustíveis renováveis (como visto na seção 2.3) e, assim, conseguem facilmente ser inseridos em qualquer via e permitem aumentar ou redefinir as rotas já estabelecidas (Branco, 2013).

Outra vantagem destes dois sistemas de transporte público são as possíveis mudanças de itinerários que são necessárias no desenvolver da forma urbana, com o crescimento da cidade ou alterações na procura. Esta vantagem pode ser comparada com outro meio de transporte, o metro. Quando uma linha de metrô é implementada qualquer alteração nela gera grandes obras e um custo elevado. Assim, sistemas como o metro assumem uma parte permanente da cidade enquanto os sistemas BRT e ônibus convencional permitem facilmente viabilizar outras opções de itinerário (Branco, 2013).

De forma resumida, a maior vantagem tanto do ônibus convencional quanto dos sistemas BRT é poderem ser modificados, sendo, assim, um sistema de transporte público que tem a possibilidade de crescer e mudar paralelamente com a evolução urbana e demográfica que ocorre naturalmente nas cidades. Isto ocorre devido caso destes meios de transporte conseguirem conciliar os baixos investimentos com a elevada capacidade de expansão.

Afim de comparar os dois sistemas em estudo, BRT e ônibus convencional, considere que uma cidade quer construir 10 km de corredor de meio de transporte, para a implementação do BRT são necessários 2 anos e meio, já para o ônibus convencional são necessários apenas 1. Desta forma, neste ponto o ônibus convencional acaba tendo uma implementação mais rápida que o BRT.

Pensando no tempo de deslocamento precisamos entender a velocidade “comercial” do veículo. Esta velocidade está relacionada com a velocidade média com que o veículo opera, que inclui o tempo de parada nas estações. Assim, a velocidade comercial do BRT em km/h é de 15 – 32, já para o ônibus convencional é sempre maior que 17 (Lerner, 2009). Desta forma, pode-se concluir que o BRT é mais rápido que o ônibus convencional.

A Tabela 1 apresenta um resumo da comparação dos sistemas de transporte público BRT e ônibus convencional. Verifica-se nesta tabela que o BRT possui algumas vantagens sobre o ônibus convencional.

Tabela 1 – Resumo da comparação do BRT e do ônibus convencional.

Característica BRT Ônibus Convencional
Capacidade Alta / Média Baixa
Flexibilidade Alta Alta
Custos Médios Baixos
Prazo de execução Curtos Muito curtos
Velocidade Alta / Moderada Baixa
Atratividade Alta / Moderada Baixa
Nível de conforto / segurança Bom Muito baixo
Procura Baixa / Alta Baixa
Impacto ambiental Moderado Alto

A partir da tabela anterior pode-se destacar as principais vantagens do BRT, segundo Lerner (2009) que é o idealizador do projeto:

  • Economia de tempo de viagem – as canaletas exclusivas e as estações de embarque no mesmo nível ganha tempo na viagem.
  • Economia de custo operacional – a velocidade comercial é elevada.
  • Atração de novos passageiros – serviço de qualidade.
  • Meio ambiente – transporte eficiente com menor impacto ambiental.
  • Fontes alternativas de energia – podem ser usadas diversas fontes de combustíveis renováveis.
  • Já as principais desvantagens do sistema BRT, segundo Rodrigues (2014) são:
  • Fator poluente;
  • Impacto urbano que ocorre a longo e médio prazo, que é afetado pelas condições climáticas;
  • Não garante segurança dos clientes, pois o veículo está sujeito a desgaste e acidentes; desapropriação de trechos.
  • Referente ao ônibus convencional as principais vantagens são:
  • Alta flexibilidade;
  • Baixos custos de implementação;
  • Curto prazo para implementação.
  • Já as suas principais desvantagens são:
  • baixa capacidade;
  • baixa velocidade;
  • baixa segurança;
  • impacto ambiental elevado.

Ainda referente a diferenciação e comparação do BRT e do ônibus convencional tem-se a Figura 6 que apresenta a quantidade de passageiros por hora carregados nos diferentes meios de transporte coletivo. Analisando somente os dois estudados neste trabalho, verifica-se que o BRT é capaz de carregar 45.000 passageiros/hora enquanto o ônibus convencional apenas 3.000 passageiros/hora, desta forma o BRT é capaz de carregar 15 vezes mais passageiros que o ônibus convencional.

Figura 6 – Comparação da quantidade de passageiros carregados por hora nos diferentes meios de transporte.

Fonte: Lerner (2009).

Assim, a partir das vantagens e desvantagens dos dois sistemas de transporte público estudados pode-se concluir que o BRT é melhor que o ônibus convencional. Assim a Figura 7, apresenta de forma resumida as principais vantagens do BRT.

Figura 7 – Vantagens do meio de transporte BRT

Fonte: Gazeta do Povo.

1.8 RESUMO DOS RESULTADOS

As principais vantagens do sistema de transporte público BRT são: economia de tempo de viagem; economia de custo operacional; atração de novos passageiros; impacto ambiental médio/ baixo; e, utiliza fontes alternativas de energia. Já as principais desvantagens do sistema BRT são: fator poluente; impacto urbano; não garante segurança dos clientes; e, desapropriação de trechos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo principal deste trabalho foi identificar as vantagens e as desvantagens entre os meios de transportes BRT e ônibus convencional. Ao fim deste concluiu-se que o BRT possui maiores vantagens sobre o sistema convencional de ônibus.

As principais vantagens do sistema de transporte público BRT são: economia de tempo de viagem; economia de custo operacional; atração de novos passageiros; impacto ambiental médio/ baixo; e, utiliza fontes alternativas de energia. Já as principais desvantagens do sistema BRT são: fator poluente; impacto urbano; não garante segurança dos clientes; e, desapropriação de trechos.

Desta forma o presente estudo buscou apresentar de forma conclusiva as vantagens e desvantagens de cada um dos sistemas abordados neste trabalho (BRT e ônibus convencional) e apresentou de forma concreta os motivos pelos quais o BRT apresenta melhor resultado que o ônibus convencional no atendimento do transporte público. Da mesma forma, buscou-se apresentar as vantagens e desvantagens dos combustíveis utilizados em cada tipo de transporte.

REFERÊNCIAS

BRANCO, S. P. V. M. Estudo e Aplicaçao de Sistemas BRT – Bus Rapid Transit. Faculdade de Engenharia – Universidade do Porto – 2013.

Gazeta do povo. Disponível em: < https://www.gazetadopovo.com.br/>. Acessado em 07/03/2019.

Google imagens. Disponível em: < https://www.google.com/search?q=parada+de+onibus&rlz=1C1SQJL_pt-BRBR801BR801&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwilibG37oLjAhXpFLkGHf4gDTYQ_AUIESgC&biw=1366&bih=657 >. Acessado em 07/03/2019.

IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. Disponível em: < https://idec.org.br/ >. Acessado em 07/03/2019.

LERNER, J. Avaliação comparativa das modalidades de transporte público urbano. NTU – Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano, 2009.

LOBEL, F. “Made in Brazil”, BRT virou modelo internacional apostando no custo-benefício. Publicado em 22 de julho de 2018. <https://temas.folha.uol.com.br/e-agora-brasil-transporte-urbano/brt/made-in-brazil-brt-virou-modelo-internacional-apostando-no-custo-beneficio.shtml> Acessado em 07/03/2019.

Prefeitura de Curitiba. Disponível em: https://www.curitiba.pr.gov.br/. Acessado em 07/03/2019.

REIS, J. G. M. BUS Rapid Transit (BRT) como solução para o transporte público de passageiros na cidade de São Paulo. INOVAE – Journal of Engineering Technology Innovation, SP, v.1, n. 1, p. 83-98 – 2013.

RODRIGUES, M. Opinião: Prós e contras do BRT e do VLT. Publicado em 31 de janeiro de 2014. <http://blogdowagnergil.com.br/vs1/2014/01/31/opiniao-pros-e-contras-do-brt-e-do-vlt/> acessado em 24/03/2019.

[1] Engenheiro Agrimensor pela Escola de Engenharia de Engenharia de Agrimensura, Graduando em Engenharia Civil pela Universidade Católica do Salvador.

[2] Engenheiro Civil pela Universidade Estadual de Goiás, Especialização em Gestão e Gerenciamento de Obras, Especialização em MBA em Engenharia da Qualidade e Produtividade.

Enviado: Maio, 2019.

Aprovado: Julho, 2019.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here