ARTIGO DE REVISÃO
JESUS, Camila Santos de [1], RESENDE, Guilherme Dalla Mutta [2]
JESUS, Camila Santos de. RESENDE, Guilherme Dalla Mutta. Perspectivas críticas da educação ambiental na formação socioambiental de crianças nos anos iniciais do ensino fundamental. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 11, Ed. 04, Vol. 01, pp. 45-55. Abril de 2026. ISSN: 2448-0959. Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/perspectivas-criticas, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/perspectivas-criticas
RESUMO
A crise ambiental contemporânea, marcada por mudanças climáticas, degradação ecossistêmica e desigualdades sociais, exige um repensar urgente das relações entre sociedade e natureza, conforme postulam Leff (2001) e Loureiro (2007). Diante disso, a Educação Ambiental Crítica (EAC) emerge como uma prática transformadora, fundamental para a construção de um novo paradigma civilizatório. O presente estudo, fundamentado em uma pesquisa bibliográfica (Gil, 2008), busca analisar a importância e os desafios da implementação da EAC nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A escolha da temática se justifica pela urgência ambiental e pelo papel decisivo dessa fase na formação de valores e atitudes (Resende, 2023). A linha de pesquisa articula a pedagogia crítica (Freire, 1987; Loureiro, 2007; Layrargues, 2011) com o desenvolvimento da criança (Piaget, 1972; Vygotsky, 2001), defendendo a escola como espaço de formação intencional (Saviani, 2011). A análise das obras revela que a EAC é eficaz ao articular dimensões cognitivas, éticas e políticas, promovendo a consciência crítica e o protagonismo infantil. No entanto, um grande desafio é a fragmentação da EA em atividades pontuais e a necessidade de formação docente consistente (Resende, 2023) para mediar projetos interdisciplinares. Conclui-se que a EAC, quando bem implementada e articulada com a comunidade, é um projeto político-pedagógico essencial para a formação de cidadãos engajados e responsáveis, capazes de promover um futuro mais justo e sustentável.
Palavras-chave: Educação Ambiental Crítica, Anos Iniciais, Valores Éticos, Sustentabilidade, Formação Docente.
1. INTRODUÇÃO
Vivemos um momento em que a crise ambiental bate à nossa porta, manifestando-se em eventos climáticos extremos, na perda de biodiversidade e em desigualdades sociais cada vez mais acentuadas. Esses problemas não são meros acidentes naturais, mas sim o resultado de um modelo de sociedade que insiste no consumismo desenfreado e na exploração predatória, sem consciência dos limites do nosso planeta (Leff, 2001).
É evidente que a sustentabilidade vai além de ações pontuais; ela exige uma transformação profunda na nossa maneira de pensar, sentir e agir no mundo. Loureiro (2007) nos lembra que, no fundo, a crise ambiental é uma crise de valores. Superá-la requer, portanto, que a sociedade se reorganize e redefina sua relação com a natureza, abandonando a visão antropocêntrica que vê o meio ambiente apenas como um recurso a ser explorado.
É nesse cenário de urgência que a Educação Ambiental Crítica (EAC) se torna um caminho de resistência e esperança. Ela não se contenta em ensinar sobre reciclagem; ela busca formar cidadãos críticos, éticos e politicamente engajados na construção de um futuro mais justo. No Brasil, a Lei nº 9.795/1999 (PNEA) já reconhece a EA como um componente essencial e permanente da nossa educação.
Acreditamos que a inserção da EA nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental é estratégica. É nesse período que a criança está mais aberta à experimentação e à consolidação de uma consciência ecológica duradoura (Resende, 2023). A escola, como espaço de formação intencional, deve priorizar o contato direto com a natureza e estimular a reflexão sobre as nossas relações socioambientais (Carvalho, 2012). Afinal, como disse Freire (1996, p. 39), “a educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”.
Nosso objetivo central com este trabalho é, portanto, analisar a importância e os desafios de implementar a Educação Ambiental Crítica nos anos iniciais, focando na formação de valores éticos e no engajamento socioambiental das crianças.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A EDUCAÇÃO AMBIENTAL CRÍTICA E A CRIANÇA
A presente fundamentação teórica se estabelece na compreensão da criança como sujeito ativo e socialmente engajado, buscando alicerçar uma Educação Ambiental (EA) que seja verdadeiramente transformadora e que vá além da dimensão meramente ecológica, abraçando as esferas pedagógica, política e social (Loureiro, 2004). O ponto de partida é o olhar para a criança, onde a convergência entre Piaget (1972) e Vygotsky (2001) é fundamental: enquanto Piaget nos ensina a respeitar a criança como um agente ativo que constrói seu saber pela interação concreta com o meio, exigindo da EAC a promoção da experiência direta, como o cultivo de hortas, Vygotsky demonstra que o conhecimento é construído socialmente, mediado pela cultura e pela linguagem. A união dessas visões humaniza a pedagogia ambiental, pois o saber ecológico é internalizado individualmente na experiência, mas também é ampliado na cooperação, aproveitando a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) em projetos coletivos e campanhas de conscientização.
Neste contexto, a articulação das teorias do desenvolvimento com a pedagogia crítica torna-se vital. A dimensão pedagógica e política da EAC é, então, orientada pela perspectiva da transformação social, tendo em Paulo Freire (1987) nossa bússola para a prática libertadora; para ele, a educação é um ato de comunhão capaz de problematizar a realidade, exigindo da EAC a leitura crítica do mundo e a ação coletiva diante das injustiças ambientais. Essa abordagem crítica e emancipatória é reforçada por Loureiro (2007) e Layrargues (2011), que defendem a urgência de fugir do viés conservacionista, que foca apenas em ações técnicas, para se aprofundar nas raízes econômicas e sociais da degradação ambiental. Essa necessidade de criticidade e problematização é central, como aponta Vygotsky na compreensão do aprendizado social:
“A aprendizagem não é simplesmente a aquisição de um conjunto de reflexos, de habilidades mensuráveis ou de cópias mentais do mundo. É uma participação ativa em um contexto socialmente construído, que envolve a apropriação de ferramentas culturais e o desenvolvimento de formas de pensamento que são fundamentalmente moldadas pela interação com os outros” (Vygotsky, 2001, p. 119, tradução nossa).
Ao adotar essa postura crítica, a Educação Ambiental Crítica assume seu papel político, visando a mudança estrutural. Essa intencionalidade é crucial, pois, como afirma Loureiro, o foco deve ser o sujeito transformador:
A Educação Ambiental Crítica, diferentemente da conservacionista, tem por objetivo não só a mudança de comportamento, mas principalmente a formação do sujeito histórico, crítico e participativo que possa compreender as contradições da sociedade capitalista e, a partir de então, atuar de forma coletiva e organizada na transformação da realidade socioambiental, buscando a sustentabilidade ecológica, social e política” (Loureiro, 2007, p. 57).
Finalmente, Saviani (2011) e Resende (2023) nos lembram do papel intencional da escola, que deve ser um espaço de apropriação do conhecimento historicamente produzido, exigindo do professor uma formação consistente para promover experiências significativas. Em síntese, a EAC Crítica nos Anos Iniciais se apoia em um tripé coerente: o respeito ao desenvolvimento da criança (Piaget e Vygotsky), a construção de uma pedagogia libertadora e transformadora (Freire, Loureiro e Layrargues) e a valorização intencional da escola como espaço de apropriação do saber e de mudança social (Saviani e Resende).
Para que a Educação Ambiental seja realmente transformadora, ela precisa de uma base teórica sólida, que vá além da ecologia e abrace a dimensão pedagógica e política (Loureiro, 2004). Para isso, fazemos um diálogo entre as teorias do desenvolvimento infantil e a pedagogia crítica.
3. METODOLOGIA
Nosso estudo foi conduzido a partir de uma abordagem qualitativa, utilizando a pesquisa bibliográfica como método principal, conforme as orientações de Gil (2008). Optamos por esse caminho por ser o mais adequado para construir uma análise crítica das concepções da Educação Ambiental (EA) e sua aplicação pedagógica, alinhada à perspectiva humanizada e transformadora. A pesquisa bibliográfica, longe de ser uma mera compilação de dados, foi concebida como um diálogo crítico e profundo com o conhecimento historicamente produzido.
Isso nos permitiu interagir com um conjunto robusto de materiais já publicados, como livros de referência, artigos científicos e documentos oficiais (PNEA, DCNs e BNCC). Nossas fontes foram rigorosamente selecionadas por critérios de reconhecimento acadêmico e relevância para o tema da EAC, sendo priorizados os trabalhos que fundamentam a relação entre desenvolvimento humano e crítica social, incluindo as obras de Piaget, Vygotsky, Freire, Loureiro, Layrargues, Saviani e Resende, entre outros.
O processo de análise das obras seguiu três etapas interligadas e progressivas, estruturadas para garantir a profundidade e a coerência entre o referencial teórico e a proposta de intervenção pedagógica: 1) Levantamento e Sistematização do Material, onde as obras foram organizadas em eixos temáticos claros (pedagogia crítica, desenvolvimento infantil, desafios da EA etc.); 2) Leitura Crítica e Categorização, que focou na leitura aprofundada para entender as categorias e definições dos autores e desvelar as categorias analíticas; e 3) Interpretação e Triangulação Humanizada, a etapa central, na qual comparamos as ideias dos autores para formular as categorias analíticas que orientam nossa proposta pedagógica, articulando o olhar para o desenvolvimento individual (Piaget), o potencial social (Vygotsky) e a práxis política (Freire).
Essa metodologia de pesquisa bibliográfica, pautada na leitura crítica e na triangulação humanizada, não apenas nos garantiu um referencial sólido e coerente, mas também conferiu intencionalidade ao estudo, assegurando que as sugestões pedagógicas para a EAC sejam compreendidas em sua profundidade teórica e seu potencial de transformação social e ecológica.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL CRÍTICA
Ao analisar as obras e o campo de estudo, confirmamos que a Educação Ambiental Crítica (EAC) é, de fato, a abordagem mais completa, pois consegue articular intrinsecamente as dimensões cognitiva, ética e política na formação das crianças. Essa plenitude é essencial para desenvolver um sujeito capaz de atuar ativamente na transformação da realidade socioambiental. O que descobrimos, no entanto, é que existe uma grande distância entre o ideal emancipatório da EAC e o que é praticado na realidade de muitas escolas brasileiras. Constatamos que a EA ainda é frequentemente desenvolvida de forma fragmentada, resumida a atividades pontuais e desarticuladas do projeto político-pedagógico, como o dia da árvore ou a coleta de lixo, sem um vínculo real com o currículo e, crucialmente, sem questionar as causas estruturais da crise. Essa prática, que não toca nas raízes econômicas e sociais do problema, reflete as tendências conservacionistas e pragmáticas criticadas por Loureiro (2007) e Layrargues (2011).
A Interdisciplinaridade, por outro lado, as experiências pedagógicas baseadas nos princípios da EAC são altamente eficazes quando mediadas por professores com formação teórica consistente. Projetos interdisciplinares (como uma horta que se torna laboratório de ciências, matemática e história) estimulam o protagonismo infantil e a reflexão sobre temas complexos como consumo, produção e desigualdade social.
A superação dessa fragmentação curricular exige a adoção da transversalidade e da interdisciplinaridade como pilares metodológicos. A crise socioambiental é multifacetada e, portanto, sua compreensão e solução devem mobilizar todas as áreas do conhecimento, garantindo que o aprendizado seja visto como um todo orgânico e coerente. Além disso, a transversalidade da EA se conecta diretamente à Agenda Global, especificamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU (com destaque para a ODS 4, Educação de Qualidade e ODS 13, Ação contra a Mudança Global do Clima), fornecendo o arcabouço ético e político para que as crianças compreendam o seu papel como cidadãs globais.
Protagonismo e Práxis: A Força do PBL, esta metodologia é mais eficaz para concretizar essa interdisciplinaridade e promover o engajamento crítico é a Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL – Project Based Learning). O PBL, quando aplicado à EAC, transforma problemas ambientais reais e relevantes para a comunidade escolar, como o desperdício de água ou a gestão de resíduos, em desafios de aprendizagem. A criança deixa de ser receptora passiva de conteúdo e se torna uma protagonista na busca por soluções. Essa abordagem potencializa o aprendizado por meio da experiência ativa, garantindo que a EAC atinja sua finalidade transformadora. A educação, na perspectiva de Freire (1987), precisa partir da leitura crítica da realidade. Isso significa que, na EAC mediada pelo PBL, a criança não apenas estuda o rio poluído, mas questiona por que ele está poluído e quem é afetado por isso, propondo, em seguida, ações concretas para a sua recuperação ou mitigação do problema.
A importância do foco na Formação Docente e na Comunidade, em virtude da complexidade dessa abordagem, que exige a aplicação de métodos como o PBL e o domínio da interdisciplinaridade, a urgência da formação docente emerge como o principal desafio e, ao mesmo tempo, como a chave para a mudança. Resende (2023) é enfático: o educador precisa dominar as bases filosóficas e sociais da prática para ser um mediador transformador. Sem esse preparo, a EA corre o risco de permanecer apenas na superfície, perpetuando o ciclo da fragmentação e do conservacionismo. Finalmente, a pesquisa reforça a importância da articulação entre escola, família e comunidade. Projetos que envolvem esses três núcleos são essenciais para que as práticas sustentáveis não fiquem restritas ao ambiente escolar, mas se consolidem como valores compartilhados e fortaleçam a cidadania ecológica em um sentido amplo e duradouro.
5. CONCLUSÃO: DA TEORIA À PRÁXIS TRANSFORMADORA NA SALA DE AULA
Nossa pesquisa demonstra, com clareza, que a Educação Ambiental Crítica (EAC) é um instrumento poderoso de transformação social e de construção da cidadania ecológica. Quando bem planejada e integrada ao currículo dos Anos Iniciais, ela cumpre seu papel de formar valores, atitudes e competências voltadas para a sustentabilidade. A teoria está posta, é robusta e nos aponta o caminho: a prática pedagógica precisa ser crítica e contextualizada, mergulhando fundo nas causas da crise ambiental, estimulando nas crianças a ação coletiva e o senso de responsabilidade, não apenas por elas, mas pelas futuras gerações.
Contudo, a partir da nossa experiência e do contato direto com a realidade escolar, a percepção que emerge é a de um abismo entre o ideal e a atitude. De dentro da sala de aula, vemos a força da teoria crítica nos documentos e nas discussões, mas sentimos a carência aguda da sua materialização em projetos e práticas transformadoras que realmente questionem as estruturas de poder. A EAC idealizada, aquela que une o conhecimento científico, os valores éticos e a ação social para um projeto político-pedagógico de emancipação, fica, muitas vezes, refém de atividades pontuais e sem continuidade. A teoria existe para nos mover, mas, no dia a dia, a prática da mudança se esvai por falta de suporte, tempo e, essencialmente, preparo intencional.
Portanto, a conclusão deste estudo não é apenas acadêmica, mas um chamado urgente à ação. Os dois pontos-chave para o avanço da EAC não são apenas conceitos, mas exigências práticas inadiáveis: A formação docente: Professores bem-preparados são o elo central para articular teoria, prática e ética. É preciso investir urgentemente em formações que transformem o conhecimento teórico em competência prática para a mediação de projetos críticos (PBL).
A integração com a comunidade: A EAC se torna um processo contínuo e transformador quando a escola, a família e a comunidade caminham juntas, assumindo a responsabilidade ecológica como um valor compartilhado, e não como uma tarefa isolada da escola.
Em suma, a Educação Ambiental Crítica é um projeto político-pedagógico de emancipação. É a nossa chance de construir um futuro mais justo e sustentável para todos, mas isso só será possível quando o ser humano na sala de aula se armar com a atitude e a prática que a teoria já nos ensinou a valorizar.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
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LOUREIRO, Carlos Frederico Bernardo. Educação ambiental: repensando o espaço da cidadania. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2007.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 4. ed. São Paulo: Cortez; UNESCO, 2001.
PIAGET, Jean. A epistemologia genética. Petrópolis: Vozes, 1972.
RESENDE, Guilherme Dalla Mutta. Educação Ambiental no curso de Pedagogia: a formação socioambiental do professor. 2023. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2023.
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 11. ed. Campinas: Autores Associados, 2011.
VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. Trad. José Cipolla Neto et al. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES
[1] Graduanda em Pedagogia. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-5177-0298. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/5677909308701811.
[2] Orientador. Doutorando em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Mestre em Ensino de Ciências e Matemática pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Especialista em Docência Superior, Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). ORCID: https://orcid.org/0009-0004-2175-8758. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8143449053228335.
Contribuição dos autores:
Camila Santos de Jesus: Concepção da pesquisa, coleta de dados em campo, análise teórica e redação do manuscrito.
Guilherme Dalla Mutta Resende: Orientação científica, acompanhamento metodológico, revisão crítica do conteúdo intelectual e contribuições para a versão final do manuscrito.
INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL
Conflito de interesse:
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Agradecimentos:
Não possui.
Financiamento:
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- ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
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Histórico da Publicação:
Material recebido: 19 de novembro de 2025.
Material aprovado pelos pares: 04 de dezembro de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 19 de março de 2026.


