Como o Neuropsicopedagogo pode Auxiliar Famílias de Crianças com Transtorno do Espectro Autista

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CONTEÚDO

DOMICIANO, Giselli Cristini [1]

ROSA, Bárbara Madalena Heck da [2]

DOMICIANO, Giselli Cristini; ROSA, Bárbara Madalena Heck da. Como o Neuropsicopedagogo pode Auxiliar Famílias de Crianças com Transtorno do Espectro Autista. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 07. Ano 02, Vol. 01. pp 117-127, Outubro de 2017. ISSN:2448-0959

Resumo

O presente artigo visa analisar a importância do neuropsicopedagogo no auxilio de famílias que precisam de ajuda com a substituição de alimentos na hora das refeições. Tem como objetivo mostrar que autistas possuem um alto grau de doenças gastrointestinais, desta maneira a substituição e o diálogo são fundamentais. Ainda este estudo traz algumas considerações sobre como o consumo de glúten e caseínas são prejudicais ao organismo, assim como a ausência da vitamina D durante a gestação e ao longo da vida são prejudiciais. Portanto, para realizar este trabalho, utilizamos a pesquisa bibliográfica, fundamentada na reflexão de leitura de livros, artigos e sites referente a este tema. Desta forma, este estudo proporcionará uma leitura mais consciente acerca do valor e de como o diálogo entre pais e neuropsicopedagogo pode influenciar na vida da criança.

Palavras-chave: Neuropsicopedagogia, Transtorno do Espectro Autista, Família.

INTRODUÇÃO

O transtorno do espectro autista é considerado um distúrbio do desenvolvimento, onde as características manifestam-se antes dos três anos de idade. Os diagnósticos não possuem comprovação cientifica que leve um fator está associado a alguma condição médica ou genética conhecida ou a fator ambiental. Dependendo do período do desenvolvimento, as intervenções e o apoio atual podem mascarar as dificuldades, pelo menos em alguns contextos. Manifestações do transtorno também variam muito dependendo da gravidade da condição autista, do nível de desenvolvimento e da idade cronológica; daí o uso do termo espectro.  (APA,2013).

Algumas características apresentam uma incrível obsessão pelas rotinas. Segundo, Maranhão e Souza (2012) apesar de se manifestar de forma mecânica, a memória era considerada surpreendente, sem relevância contextual. Para esse transtorno ainda não se tem diagnóstico genético ou por exames biológicos. Embora seja ainda muito inicial as pesquisas, o interesse em caracterizar os promotores dessa desorganização tem sido grande

Outro fator que chamou a atenção é a incidência sobre a hipersensibilidade a estímulos, com reações súbitas aos ruídos diversos e problemas alimentares, em que alimentos com determinadas texturas, cores e sabores eram veementemente evitados (KANNER, 1943) e as presenças de alergias imediatas foram a determinados grupos de alimentos são observadas. Segundo Pedrosa (2012), entre as principais comorbilidades identificadas em autistas estão diversas patologias gastrointestinais (CUBALA-KUCHARSKA, 2010), diarreia, hiperplasia nodular linfóide íleo-cólica, enterocolite, gastrite, esofagite, disbiose e permeabilidade intestinal aumentada. Assim como, Willians et al (2011) observou alterações no perfil enzimático de doentes autistas, com diminuição da expressão de enzimas e transportadores, condições promotoras de má digestão e absorção.

A neuropsicopedagogia hoje é um campo em expansão, desenvolvendo investigações mais profundas a cerca de métodos e maneiras na qual podemos atender diferencialmente crianças com diversos transtornos, como o TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Transtorno do Neurodesenvolvimento: Transtorno do espectro autista

Em 1943, o psiquiatra americano Leo Kanner, descreveu, em sua publicação cientifica, onze casos clínicos de crianças com “distúrbios autistas de contato afetivo” e apresentou a primeira tentativa teórica de explicar tal alteração, através de seu estudo em psicanálise, desenvolvimento e psicologia médica (KANNER, 1971).  Usou o termo autista para caracterizar a natureza do transtorno, termo que foi empregado 1911 para referir-se ao quadro de esquizofrenia. A palavra Autismo tem origem palavra grega “autos” = em si mesmo, ao contrário da doença descrita por Bleuler, o quadro de autismo deve estar presente desde o nascimento (WOICIECHOSKI, 2013).

Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID – 10 – OMS, 1992), os indivíduos enquadrados como TEA apresentam como características possuem desenvolvimento com anormalidade entre esteriotipias, ecolalia, o comportamento caracterizado por um conjunto de características: a “Tríade de Lorna Wing” (Figura 1) que consiste em desvios:

Figura 1. Fonte: Elaborado pelo autor, 2015
Figura 1. Fonte: Elaborado pelo autor, 2015

O DSM – V (APA, 2014) classifica o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no quadro de Transtornos do Neurodesenvolvimento. As características essências para o enquadramento do mesmo (Tabela 1), os sintomas devem estar presente desde o início da infância e ocorrer a limitação ou ocorre pelo prejuízo do funcionamento diário. O estágio em que o prejuízo funcional fica evidente tende de acordo com características do indivíduo e seu ambiente.

Tabela 1: Critérios de Diagnóstico, DSM – V, 2014

Características do DSM- V(Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders em 2014)
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Critérios A

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos;

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Critério A1

Déficits na reciprocidade socioemocional.

Critério A2

Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social.

 

Critério A3

Déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos.

 

 

Critério Específico:

Deve-se a gravidade baseando-se em prejuízos na comunicação social e em padrões de comportamento restritos e repetitivos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Critério B

 

 

 

 

 

 

 

Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades

conforme manifestado por pelo menos dois dos seguintes, atualmente ou por história prévia;

 

 

Critério B1

Movimentos motores,uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos (p. ex., estereoti- pias motoras simples, alinhar brinquedos ou girar objetos, ecolalia, frases idiossincráticas).

 

Critério B2

Insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal.

 

Critério B3

Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco.

 

Critério B4

Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente.

 

Critérios C

 

Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do desenvolvimento (mas podem não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as capacidades limitadas ou podem ser mascarados por estratégias aprendidas mais tarde na vida).

 

Critério D  

Os sintomas causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo no presente.

 

Fonte: Elaborado pelo autor

PAPEL DA NEUROPSICOPEDAGOGIA NO TEA

“Em síntese, a neuropsicopedagogia procura reunir e integrar os estudos do desenvolvimento, das estruturas, das funções e das disfunções do cérebro, ao mesmo tempo que estuda os processos psicocognitivos responsáveis pela aprendizagem e os processos psicopedagógicos responsáveis pelo ensino.” (FONSECA, 2014, p.1).

Segundo Hennemann (2012), a primeira descrição no campo científico se deu através de Jennifer Delgado Suárez, no artigo intitulado “Desmistificacion de la neuropsicopedagogía” . Assim como Fernandez (2010) aponta os três pontos elucidativos da Neuropsicopedagogia: 1º Educação; 2º Psicologia e 3º Neuropsicologia. Educação no intuito de promover a instrução, o treinamento e a educação dos cidadãos. A Psicologia com os aspectos psicológicos do indivíduo. E, finalmente, a Neuropsicologia com a teoria do cérebro trino, propostas por Gardner.

A construção da Neuropsicopedagogia tem por principal objetivo ressignificar o processo de aprendizagem estando atento ao fato de que aprender é uma interferência nossa no mundo e em suas múltiplas possibilidades de conexão. (BEAUCLAIR, 2014).

Os estudos em Neuropsicopedagogia remetem a prática de um propósito comum de toda construção teórica; contudo esta ocorre como uma intervenção psicopedagógica, onde a psicopedagogia tem como propósito abrir espaços objetivos e subjetivos de autoria de pensamento; sendo necessário propor situações, onde o pensamento não é somente uma produção cognitiva, mas é um entrelaçamento inteligência-desejo, dramatizado, representado, mostrado e produzido em uma ação. (FERNÁNDEZ, 2001).

Segundo Beauclair (2014), os especialistas em Neuropsicopedagogia são instruídos para: compreender o papel do cérebro nas relações complexas dos neurocognitivos e a sua inserção na aplicação de estratégias em diversos âmbitos sociais; na intervenção do desenvolvimento humano do sujeito aprendente; Ampliar na capacidade de intervir em novos produtos educacionais e construir alternativas para o melhor desenvolvimento do assistido.

Apesar da capacidade de aprendizagem ser inerente a várias espécies, a espécie humana é a única que ensina de forma intencional e sistemática. Cabe então, o especialista compreender quais são os fundamentos neuropsicopedagógicos da aprendizagem, para aperfeiçoar o ensino e aproximação de professores, pais e cuidadores a fim de dar continuidade às atividades executadas em atendimentos. (FONSECA, 2014).

A formação desse profissional especialista pode ter um impacto positivo no trabalho desenvolvido pelo profissional com trabalhos voltados para pais de crianças com o TEA e levar ao sucesso intra e interpessoal de crianças e adolescentes, já que o aprendizado é complexo e envolvem funções cognitivas, conativas e executivas onde a memorização dos conteúdos envolve emoção, interação, motivação, entre outros.

SUGESTÕES DE INTERVENÇÕES NUTRICIONAIS

  • Mudança na rotina

No enquadramento que se encontram crianças se tornam mais seletivas ao consumo de determinados pratos. Admas et AL (2011), constata que a adoção de uma alimentação sem o acréscimo de glúten ( proteína presente em cereais, como trigo) e caseína (proteína constituinte do leite e seu derivados), que juntos formam biomoléculas, chamadas de exorfinas. Assim, na ausência destes, crianças que apresentam o transtorno, mostram-se sensíveis a permeabilidade intestinal significativamente menor, contribuindo para uma melhora química da criança,

Assim o paralelismo entre as manifestações clínicas do autismo e da doença celíaca não passam despercebido, pois em alguns casos, são identificadas certas disfunções no sistema nervoso central (GENUIS, 2010).

Outra contribuição benéfica, a absorção de vitamina D. Entretanto, a seletividade e a restrição alimentar não permitem que muitos façam o consumo de todos os alimentos, mas o aumento da ingestão de alimentos como atum, fígado, salmão, suco natural de laranja e a exposição ao sol pode contribuir para as elevações dos níveis desta vitamina no organismo.

A importância dos altos níveis de vitamina D são importantes  para o desenvolvimento do cérebro na gestação; já para o longo da vida, ele desempenha o papel de absorção de cálcio e outros sais minerais que são necessários para o corpo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através do estudo feito para esse trabalho, supõe-se que o autismo pode estar ligado as uma doença que destroem células nervosas, causando as diversas comorbidades já descritas. Devido a alta complexidade, são necessárias mais pesquisas aplicadas com diversos grupos de crianças diagnosticas para se ter um padrão de ocorrência.

As patologias desenvolvidas, como as alergias alimentares merecem total atenção, pois neurotoxinas podem estar sendo liberadas pela flora intestinal prejudicando o indivíduo na formação da consciência fonológica, no aprendizado e na linguagem.

De acordo com o que foi descrito, deve-se ter uma atenção voltada a alimentação, com tentativas de mudanças de hábitos mesmo sendo apresentado resistência na ingestão de alimentos.

Aconselha-se a brincadeira na hora da alimentação, desenhos, brinquedos e filmes. No horário das refeições promoverem um momento de prazer para que a cada tentativa de substituição seja obtido o sucesso no novo alimento.

Referências

ADAMS JB, Johansen LJ, Powell LD, Quig D, Rubin RA. Gastrointestinal flora and gastrointestinal status in children with autism–comparisons to typical children and correlation with autism severity. BMC gastroenterology. 2011; 11:22.

BEAUCLAIR, João. Formação em Neuropsicopedagogia: Fazer pensáveis os conteúdos presentes nos avanços das neurociências. Revista Científica CENSUPEG, nº. 3, p. 14-19, 2014.

BEAUCLAIR, João. Neuropsicologia e Biociências: aprendendo Ecologia Humana com um novo olhar – sobre si mesmo e os outros- a partir da autopoiese. In: CAPOVILLA, Fernando César e RIBEIRO DO VALLLE, Luiza Helena (orgs.)Temas multidisciplinares de Neuropsicologia & Aprendizagem. Tecmedd Editora, Ribeirão Preto, 2004, 3ª Edição, 2011.

CUBALA-KUCHARSKA M. The review of most frequently occurring medical disorders related to aetiology of autism and the methods of treatment. Acta neurobiologiae experimentalis. 70(2):141-6; 2010.

DSM-V-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 9488 p. 2014.

FERNANDEZ, Ana C. G. Aportes de la  Neuropsicopedagogía  a la  pedagogia. La visión de Jennifer Delgado em: Desmistificación de la Neuropsicopedagogía. Colômbia, ASOCOPSIP, 2010.

FERNÁNDEZ, Alicia. O saber em jogo: a psicopedagogia propiciando autorias de pensamento. Porto Alegre: Artmed Editora, página 55, 2001.

FONSECA,  VITOR . Papel das funções cognitivas, conativas e executivas na aprendizagem: uma abordagem neuropsicopedagógica. Revista Psicopedagogia, Portugal,31(96): 236-53, 2014.

GENUIS SJ, Bouchard TP. Celiac disease presenting as autism. Journal of child neurology. 2010; 25(1):114-9.

HENNEMANN, Ana L. Neuropsicopedagogia: novas perspectivas para a aprendizagem, 2012. Disponível em

http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2012/10/neuropsicopedagogia-novas-perspectivas.htmlKANNER, L. Distúrbios Autísticos de Contato Afetivo. NervousChild, vol. 2, p. 217-250, 1943.

KANNER, L. Follow-up study of eleven autistic children originally, reported in 1943. Journal of Autism and Childhood Schizophrenic, 1, 119-145, 1971.

MARANHÃO,  Brenda Salenna da Silva; DE SOUZA, Moíseis Simão Santa Rosa. Educação Física, Transtorno do Espectro Autítico (TEA) e Inclusão Escolar: Revisão Bibliográfica. UEPA, 2012.

OMS (Organização Mundial da Saúde). Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

WILLIANS BL, Hornig M, Buie T, Bauman ML, Cho Paik M, Wick I, et al. Impaired carbohydrate digestion and transport and mucosal dysbiosis in the intestines of children with autism and gastrointestinal disturbances. PloS one. 6(9):e24585; 2011.

WING Lorna.The definition and prevalence of autism. A rewiew. Eur Child Adolesc Psychiatry; 2:1,1993.

WOICIECHOSKI, Camila Gabriela; FERNANDEZ, Patrícia Martins.  Importância da retirada do glúten e da caseína na dieta na dieta de crianças portadoras do Transtorno do Espectro Autista. UniCEUB. 2013.

[1] Pós-graduada em Neuropsicopedagogia Institucional com Enfase em Educação Especial.– Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação (CENSUPEG, Joenville/BR)

[2] Orientadora – Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação (CENSUPEG, Joenville/BR)

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5 respostas

  1. Gostaria de receber mais artigos sobre autismo. Quais os primeiros passos para se chegar a um diagnóstico e formas de tratar em casa.
    Grata,
    Marlene Ribas

  2. Quero receber artigos sobre o trabalho desenvolvido pelo neuropsicopedagogia clínica com crianças autista e suas contribuições.

  3. Olá boa noite! Gostaria de da ajuda de vcs para fazer meu Artigo em Neuropsicopedagogia clínica e institucional na área da famíliia com criança com transtorno Autista.

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