Caminhos para entrar no mestrado ou doutorado em uma instituição pública ou privada

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Formas de ingresso na pós-graduação brasileira

Formas de ingresso na pós-graduação brasileira

Olá, tudo bem? Em nossa conversa de hoje iremos discutir novamente sobre a lógica, isto é, o modo de funcionamento das instituições que oferecem cursos de mestrado e doutorado em nosso país.

Como destacamos em outros momentos, a depender da universidade que deseja ingressar, as formas de ingresso podem ter algumas especificidades, então, um processo seletivo não será o mesmo em todas as universidades, porém, há elementos que se tornam, de certa forma, recorrentes na maior parte dessas instituições e é sobre alguns desses que iremos discutir hoje.

Assim sendo, ao longo desse post, iremos apresentar algumas das particularidades de ingresso nesses cursos de pós-graduação, contudo, falaremos, também, sobre as formas de ingresso em instituições privadas, já que o processo é diferente.

Você perceberá, também, que tudo gira em torno do edital e, desse modo, a sua leitura atenta é de suma importância.

A gratuidade dos cursos de mestrado e doutorado

O foco da nossa conversa de hoje é apresentar a você algumas formas gratuitas de se ingressar nos cursos de mestrado ou doutorado de forma gratuita, mesmo no caso de instituições de ensino privadas.

A primeira coisa que você precisa manter em mente é que diferentemente do que muitos pensam, existem formas de se ingressar gratuitamente nas universidades privadas, no caso de cursos de mestrado e doutorado.

As universidades públicas oferecem os seus cursos de forma totalmente gratuita e, assim, você já presta o processo seletivo sabendo que nenhum tipo de mensalidade será cobrada.

No caso das privadas, há a presença dessas mensalidades, contudo, há a possibilidade de você não precisar pagar por esse curso, o que o torna gratuito, mesmo sendo feito em uma instituição de ensino privada.

Você consegue esse financiamento a partir das conhecidas bolsas-taxas.

O que são as bolsas-taxas?

Essas bolsas-taxas são oferecidas pela CAPES, pela FAPESP (caso esteja em outro estado, basta substituir o final da palavra pela sigla do seu estado) e pelo CNPq para alunos que desejam fazer cursos de mestrado ou doutorado em instituições privadas sem ter que pagar qualquer tipo de mensalidade.

Com essas bolsas-taxas, quem irá pagar as mensalidades do seu curso é a própria instituição à qual está se vinculando, uma vez que ela recebe uma cota de bolsas para distribuir para os seus alunos a partir de um processo de seleção.

As bolsas-taxas não existem nas universidades públicas, pois elas já recebem verba do governo estadual/federal para financiar essas “mensalidades”, o que torna os cursos automaticamente públicos e gratuitos.

Já nas instituições privadas é muito comum o pagamento das mensalidades, sobretudo nos seis primeiros meses e, após, você pleiteia uma bolsa-taxa para tornar o curso gratuito.

Como saber se a instituição privada tem a bolsa-taxa?

Antes mesmo de prestar o processo seletivo para o ingresso em um curso de mestrado ou doutorado em uma instituição privada, nós recomendamos que verifique se essa instituição possui parceria com essas agências de fomento, pois, caso não haja, você não terá a possibilidade da bolsa-taxa e precisará pensar em outras formas para pagar as mensalidades.

Atenção: como essas bolsas são governamentais, geralmente, torna-se mais fácil obtê-las quando o programa que você deseja ingressar possui uma nota/conceito alto.

Quanto mais alta for essa nota, atribuída de tempos em tempos pela CAPES, maiores serão as suas chances de conseguir uma bolsa, tanto a bolsa-taxa quanto as bolsas de pesquisa sobre as quais iremos conversar mais adiante.

A nota da CAPES considera uma escala de 3 a 7.

A nota é responsável por definir o padrão de qualidade de uma determinada instituição a partir de certos critérios.

Os programas que possuem nota alta em instituições públicas e privadas

Como ressaltamos, programas que possuem notas altas gozam de alguns benefícios, pois quanto maior é a sua nota, maior será a quantidade bolsas oferecidas pelo governo a essa instituição, seja ela pública ou privada.

No caso das privadas, quanto mais alta for a nota, maior será a sua chance de conseguir a isenção da mensalidade.

A partir desse momento iremos discutir sobre as formas de ingresso nesses programas de pós-graduação a fim de que você possa se preparar melhor.

A primeira coisa que você precisa ter em mente sobre esse aspecto é que a pós-graduação brasileira é regida e avaliada pela CAPES e, assim, para que os programas consigam obter boas notas, precisam ater-se a alguns critérios.

Para que uma nova turma de mestrado e/ou doutorado possa existir, será preciso, primeiramente, lançar um edital, que abrirá, quando aprovado, o processo seletivo.

Trâmites legais de um edital

Todo processo seletivo tem o seu início com a publicação do edital a ele associado, contudo, antes disso, ele precisa ser registrado e publicado, quando aprovado, no Diário Oficial da União.

Neste edital, algumas informações são de suma importância, como, por exemplo, os prazos, as datas para inscrição e de cada uma das etapas da prova, os documentos necessários, as linhas de pesquisa e a bibliografia que será utilizada para a elaboração das questões da prova de conhecimentos específicos.

Você encontra lá, também, a quantidade de vagas e os nomes dos orientadores (com as suas respectivas vagas).

Há, ainda, todas as indicações para a elaboração do seu projeto de pesquisa.

Todos os itens devem ser considerados, pois, ao contrário, a inscrição não será ao menos aprovada.

Muito provavelmente você encontrará, também, indicações acerca de como o Lattes deverá ser impresso e apresentado.

Quais são as provas para ingresso na pós-graduação?

Em geral, o pleiteado da vaga passa, pelo menos, por duas provas.

A primeira delas é a prova de proficiência.

Há duas possibilidades: você pode realizar o teste de proficiência antes da prova e apresentar o certificado de que possui o nível mínimo exigido pela instituição que deseja ingressar, o que torna essa etapa dispensável para você ou poderá se submeter a essa prova.

Nela, avalia-se a sua capacidade de interpretação de texto em uma outra língua, bem como pede-se uma pequena tradução.

Os idiomas variam de acordo com cada instituição, mas os mais comuns são o inglês, o espanhol e o francês.

Já na prova de conhecimentos específicos, analisa-se as suas habilidades e conhecimentos sobre uma determinada área e, dessa forma, não adiantará estudar apenas os conteúdos específicos da sua linha de pesquisa, pois irá cair conteúdos de todas as áreas que integram o programa por você escolhido.

A política de algumas instituições

Embora todas as instituições lancem os seus editais e, em tese, todos podem participar, há algumas universidades que seguem determinadas políticas, o que acaba favorecendo certos alunos em detrimento de outros.

No caso das universidades públicas, é muito comum que os professores-orientadores deem preferência para as pessoas com as quais já tiveram um contato prévio durante a graduação, o que coloca outros aspirantes à vaga desse professor em uma situação de desvantagem, sobretudo os que fizeram a graduação em instituições privadas ou mesmo em uma outra universidade pública.

É comum que já na graduação esse aluno comece a participar do grupo de pesquisa do professor, que tenha uma bolsa de iniciação científica e que participe de eventos científicos da área.

Nesse sentido, mesmo que o aluno tenha que passar pelo processo seletivo como qualquer outro, possui essa vantagem.

Cuidados tomados pelos alunos que não possuem contato com o orientador que desejam

Cuidados tomados pelos alunos que não possuem contato com o orientador que desejam

É muito comum que os aspirantes que não se encaixam nessa situação optem por criar um vínculo prévio com o orientador antes do processo seletivo.

A prática mais comum é a inscrição nas disciplinas desse professor-orientador como aluno especial. Para que você possa participar dessas disciplinas de forma oficial precisará aguardar o edital.

Para participar das disciplinas como aluno especial não precisará estar vinculado a uma instituição de ensino.

Geralmente, os alunos optam por fazer um ou dois semestres de disciplinas com o professor desejado para construírem esse vínculo e verificarem se é essa área mesmo com a qual se identificam e se o professor em questão tem interesse em orientar a pesquisa pretendida pelo aluno que irá prestar o processo seletivo.

É comum, também, que os alunos mandem e-mails perguntando se podem frequentar essas disciplinas e, ainda, o grupo de pesquisa desse professor-orientador.

Como construir o vínculo com o orientador pretendido?

Como construir o vínculo com o orientador pretendido?

A melhor forma de captar a atenção desse professor-orientador que deseja é demonstrar que está a sua disposição.

Assim sendo, apontar que está disposto a ouvir e acatar as sugestões, a pesquisar as suas recomendações de leitura, a frequentar o grupo de pesquisa e os eventos científicos da área é uma boa estratégia para demonstrar que é interessante o investimento em uma pesquisa como a sua.

Contudo, como estamos destacando, esse é um processo que leva tempo e, dessa forma, terá que, pelo menos, começar a construir esse vínculo um ano antes do processo seletivo.

Quem tem o contato com o orientador apenas no momento da entrevista de mestrado terá muita dificuldade para ser aceito pelo professor, uma vez que ele dará preferência para aqueles que já conhece e que estão engajados com o que costuma trabalhar.

A lógica das instituições privadas

Essa situação sobre a qual conversamos, no caso das universidades privadas, é mais comum no doutorado, sendo que nas públicas esse processo é comum nos mestrados e doutorados espalhados por todo o país.

No caso do mestrado nas instituições privadas, normalmente, você não precisa ter esse contato prévio com o possível orientador para que seja aceito no programa.

A oferta de vagas nas instituições costuma ser maior do que a demanda, o que não é uma realidade nas universidades públicas.

Como há uma oferta maior, o aceite por parte do orientador é mais acessível e, assim, você não precisa fazer as disciplinas como aluno especial, isto é, não precisa ter um vínculo prévio com o orientador.

Isso acontece por causa da inclinação das universidades públicas.

A pesquisa é incentivada desde a graduação, então, após o término, os pesquisadores, em sua maioria, querem continuar a pesquisar.

O olhar mercadológico das instituições privadas

O olhar mercadológico das instituições privadas

É muito comum que as instituições de ensino privadas do nosso país não tenham essa inclinação à pesquisa nos cursos de graduação e, desse modo, a lógica gira em torno de uma ótica mais mercadológica, cujo intuito é inserir esses alunos, agora formados, no mercado.

Nesse sentido, o aluno que realiza um curso de graduação em uma instituição privada não necessariamente terá uma inclinação para a pesquisa, pois estará mais focado em começar a trabalhar logo após o término desse curso de graduação.

A busca frenética por dinheiro é o grande objetivo de pessoas com esse perfil, o que coloca a pesquisa em um segundo plano.

Assim sendo, a busca pela pós-graduação por parte de alunos formados a partir dessa lógica é muito menor, o que faz com que a quantidade de vagas à nível de mestrado e de doutorado seja mais expressiva, uma vez que a demanda não é tão grande, como nas públicas.

Ingressar na pós-graduação privada é acessível?

Ingressar na pós-graduação privada é acessível?

Embora haja as bolsas-taxas, como mencionamos, nem sempre o aluno consegue obtê-las logo de cara e, dessa forma, as mensalidades precisarão ser pagas até que ele consiga esse financiamento.

Precisamos destacar que esse valor é bastante alto, o que torna a pós-graduação nessas entidades acessível a apenas uma pequena parcela da população brasileira.

Devemos apontar, também, que, pelo menos, você precisará ter dinheiro suficiente para pagar essas parcelas durante os seis primeiros meses.

Contudo, precisamos retomar novamente a questão das notas da CAPES.

Caso a sua instituição possua um conceito alto (na verdade, o seu programa), muito provavelmente pelo menos a bolsa-taxa você terá.

Entretanto, é preciso que saiba que caso opte por fazer um curso em uma instituição privada que não possui uma nota tão alta, conseguir a bolsa-taxa pode ser bastante difícil, sobretudo se você não ficou em uma posição muito alta no processo seletivo para ingresso nesse programa.

Atenção: o valor da bolsa-taxa pode ser única e exclusivamente usado para pagar as mensalidades e não para as outras obrigações da pesquisa, como é o caso das outras modalidades de bolsa.

Optamos por trazer essas duas possibilidades para a nossa conversa de hoje para que você compreenda a lógica de funcionamento das universidades públicas e privadas, pois, no caso das públicas, é preciso construir o vínculo, por exemplo.

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