REVISÃO INTEGRATIVA
VALADARES FILHO, João de Deus [1], AMORIM, Fernanda Cláudia Miranda [2]
VALADARES FILHO, João de Deus. AMORIM, Fernanda Cláudia Miranda. Uso de ferramentas digitais no cuidado pré-natal: uma revisão integrativa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 06, Vol. 01, pp. 05-19. Junho de 2025. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/cuidado-pre-natal, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/cuidado-pre-natal
RESUMO
OBJETIVOS: Analisar o impacto das ferramentas digitais na qualidade da assistência pré-natal e compreender de que forma as tecnologias digitais contribuem para a melhoria da experiência e dos desfechos materno-fetais durante o pré-natal. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada entre o período de janeiro a abril de 2025. A pesquisa foi realizada nas bases de dados LILACS, BVS e PubMED, utilizando palavras-chave indexadas aos Descritores em Ciência da Saúde (DeCS) e (MeSH): “Prenatal Care”, “Quality of Care”, “Satisfaction”. Foram incluídos estudos publicados entre 2023 e 2024 nos idiomas português e inglês, artigos completos disponíveis online, com foco em gestantes e assistência pré-natal e uso de ferramentas digitais. RESULTADOS: A partir do cruzamento dos descritores e termos de busca, foram selecionados 61 artigos, dos quais 10 foram incluídos na análise final. Os estudos incluídos abordam diversas ferramentas digitais, como aplicativos, telemedicina e infográficos educativos, e demonstram que essas tecnologias podem melhorar a qualidade da assistência pré-natal, aumentar a satisfação das gestantes e promover melhores desfechos materno-fetais. CONCLUSÃO: O uso de ferramentas digitais tem potencial para grandes avanços ao permitir a identificação de lacunas assistenciais e melhorar a adesão aos programas de saúde.
Palavras-chave: Cuidado pré-natal, Tecnologias em saúde, E-health, Telemedicina, Qualidade da Assistência à Saúde.
1. INTRODUÇÃO
O cuidado pré-natal é crucial para o manejo dos sintomas durante a gravidez, desempenhando um papel vital na detecção precoce de complicações e na melhoria dos desfechos de saúde materna e fetal (Parker; Hofstee; Brennecke, 2024). Quando bem coordenado, permite a identificação de fatores de risco e suas possíveis complicações, como diabetes gestacional, hipertensão e pré-eclâmpsia (Ramírez, 2023). A triagem e o monitoramento regulares ajudam a prevenir ou mitigar essas condições, melhorando os resultados obstétricos. Intervenções como a suplementação de ácido fólico para prevenir defeitos do tubo neural e a administração de aspirina em baixas doses para mulheres em risco de pré-eclâmpsia são exemplos de ações com melhora direta nos desfechos materno-fetais (Zolotor; Carlough, 2014).
Durante a realização do pré-natal, a gestante conta com médicos, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas, odontólogos, dentre outros profissionais, todos em uma mesma equipe, de modo a suprir todas as necessidades que porventura venham a apresentar a fim de permitir uma gestação e parto saudáveis (Leal et al., 2020). Relatos de falhas assistenciais por parte das equipes de saúde da família, como a falta de algum dos integrantes supracitados, são comuns e geram insegurança em relação ao atendimento prestado, muitas vezes fazendo com que o acompanhamento não seja realizado de forma adequada pela gestante (Gomes; Pinto; Cassuce, 2021).
É sabido que uma assistência pré-natal adequada reduz a incidência de diversos indicadores como prematuridade, baixo peso ao nascer, menores taxas de cesariana e melhores índices de ápgar no 5º minuto (Demitto et al., 2017). Silva et al. (2014) encontraram que prematuridade, baixo peso ao nascer, oligohidramnia, índices de ápgar no 5º minuto menores que 7, pré-eclâmpsia e não uso de corticoide são fatore que estão relacionados ao aumento do número de óbitos neonatais. Dados apresentados por Tomasi et al. (2017), mostraram que apesar de que 89% das gestantes pesquisadas tivessem realizado 6 ou mais consultas pré-natais, apenas 15% delas receberam uma atenção adequada durante o pré-natal.
Devemos ter em mente que o pré-natal é uma oportunidade perfeita para educar as gestantes sobre práticas saudáveis, nutrição e preparação para o parto, além de fornecer suporte emocional e psicológico (Phelan, 2008). O ambiente pré-natal influencia o desenvolvimento fetal e a saúde a longo prazo da criança, destacando a importância de um cuidado abrangente para prevenir doenças crônicas futuras (Mcdonald et al., 2022). Estudos mostram que a redução da morbidade e mortalidade associadas à gravidez, diminui significativamente a necessidade de admissões hospitalares e melhora a satisfação das pacientes durante o processo, portanto, para garantir resultados positivos tanto para a mãe quanto para o feto é essencial que haja uma gestão eficaz e adequada dos sinais e sintomas (Price; Caughey, 2020).
A assistência primária falha não apenas evidencia a carência de infraestrutura e recursos, mas também reflete a limitação do acesso a informações fundamentais sobre saúde e educação. Nesse contexto, as tecnologias, especialmente os recursos móveis, apresentam-se como ferramentas que podem potencialmente mitigar essa carência e transformar a forma como a informação é disseminada e utilizada (Belvis et al., 2022).
Quando focamos na área da saúde, os recursos digitais oferecem uma ampla gama de benefícios, que vão desde a promoção de hábitos de vida saudáveis até o acompanhamento de condições crônicas, como hipertensão e diabetes, por meio do monitoramento eletrônico e registro digital de parâmetros. Essa acessibilidade permite ao paciente obter informações precisas sobre sua saúde e a pesquisar sobre quaisquer sinais e sintomas apresentados (Smith et al., 2020).
2. OBJETIVOS
O Presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, o impacto das ferramentas digitais na qualidade da assistência pré-natal e compreender de que forma as tecnologias digitais contribuem para a melhoria da experiência e dos desfechos materno-fetais durante o pré-natal.
3. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada entre o período de janeiro a abril de 2025. Para a construção da questão norteadora utilizou-se o arcabouço metodológico e a estratégia PICo proposta por The Joanna Brigs Institute for Scoping Reviews – JBI 2014. A questão que norteou a pesquisa foi: De que modo as ferramentas digitais podem impactar na assistência pré-natal?
Tabela 1. Estratégia pico
| Elemento | Definição | Aplicação no seu tema |
| P | População / Pacientes | Gestantes em acompanhamento pré-natal |
| I | Intervenção | Uso de ferramentas digitais |
| Co | Contexto | Qualidade da assistência pré-natal |
Fonte: Elaborada pelos autores (2025).
A pesquisa foi realizada nas bases de dados da Literatura Latino Americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (LILACS) via Biblioteca Virtual em Saúde – BVS e US National Library of Medicine (PubMED). Para buscar artigos em concordância com os objetivos propostos nesta Revisão Integrativa, foram utilizadas as palavras-chave indexadas aos Descritores em Ciência da Saúde (DeCS) e (MeSH): “Prenatal Care”, “Quality of Care”, “Satisfatcion”. Os descritores foram combinados entre si pelo operador booleano “AND”. A seleção de artigos foi realizada pelos integrantes do trabalho, em questões de divergência, a decisão final foi dada pelo orientador, considerando a leitura dos títulos e dos resumos como critérios de elegibilidade para inclusão e exclusão.
Foram incluídos os estudos publicados entre 2023 e 2025 nos idiomas português e inglês, artigos completos disponíveis online em sua íntegra, estudos com foco em gestantes e assistência pré-natal e estudos que abordem o uso de ferramentas digitais (apps, plataformas, sistemas de SMS, e-learning etc.). Foram excluídos os estudos com foco exclusivo no período pós-parto, trabalhos duplicados, editoriais, cartas e resumos sem acesso ao texto completo e pesquisas que não se enquadraram nos objetivos do trabalho.
4. RESULTADOS
A partir do cruzamento dos descritores e termos de busca, obteve-se 61 artigos selecionados nas plataformas supracitadas, sendo 1 LILACS, 22 BVS e 38 PubMED, destes, 2 foram removidos antes da triagem por duplicata. Após a leitura preliminar dos estudos e aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram pré-selecionados 31 artigos, dos quais 12 não responderam aos objetivos e 9 não tratavam de ferramentas digitais. Assim, a amostra final para análise foi composta por 10 estudos, demonstrada através do fluxograma PRISMA.
Figura 1. Fluxograma PRISMA

As principais características dos 10 artigos incluídos na revisão estão descritas no Quadro 1. Os estudos foram publicados entre 2023 e 2025.
Quadro 1. Principais características dos estudos
| Título | Ano | Objetivo | Metodologia | Ferramenta de Saúde Digital | |||||||||
| 1 |
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2024 | Avaliar o efeito de um Infográfico educativo criado por médicos sobre o conhecimento e as atitudes dos pacientes que estão passando por vigilância fetal antenatal.
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Estudo de Coorte Prospectivo | Infográfico educativo com informações sobre vigilância fetal antenatal. | ||||||||
| 2 | Evaluation of focused antenatal care services quality at University of Gondar Comprehensive Specialized Hospital, Central Gondar zone, Northwest Ethiopia
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2024 | Avaliar a qualidade dos serviços de cuidado antenatal focado no Hospital Universitário de Gondar, no Noroeste da Etiópia.
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Estudo de Caso de método misto | Uso de Softwares para melhorar a coleta e análise dos dados permitindo identificar melhor áreas que necessitam de melhorias. | ||||||||
| 3 | Digital health interventions for improving maternal health outcomes: A systematic review
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Revisar e sintetizar as evidências sobre a eficácia de intervenções digitais na melhoria dos desfechos de saúde materna, abordando as características das tecnologias digitais utilizadas e os resultados clínicos associados.
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Revisão de Escopo
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Como os aplicativos digitais podem melhorar a saúde materno-fetal em diversos aspectos. | ||||||||
| 4 | Group Multimodal Prenatal Care and Postpartum Outcomes
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2024
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Como a abordagem de consultas em grupo online aliadas a consultas presenciais pode melhorar os desfechos pré-natais. | ||||||||
| 5 |
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2024
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Impacto da telemedicina na satisfação e empoderamento do usuário quanto ao sistema de saúde. | ||||||||
| 6 |
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Uso de dispositivos móveis para coleta de dados e como isso pode agilizar e organizar este processo | ||||||||
| 7 |
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2024 |
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Estudo Transversal
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Escala de cuidados pré-natais, disponível online para gestantes. Permite Avaliar a qualidade do pré-natal com mais agilidade. | ||||||||
| 8 |
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2024
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Uso de teleconsultas, aplicativos e dispositivos eletrônicos e seu impacto na assistência obstétrica. | ||||||||
| 9 |
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2025
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Aplicativo para melhorar a relação da gestante com o meio ambiente e comunidade e como isso impactou em seu bem-estar. | ||||||||
| 10 |
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Telemedicina e outras soluções digitais inovadores e seu impacto na saúde e experiência da paciente durante o pré-natal. |
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
5. DISCUSSÃO
Os avanços tecnológicos na área da saúde têm contribuído significativamente para a elevação da qualidade na assistência prestada, impactando positivamente diversas áreas do conhecimento. Inovações essas que devem ser incorporadas às práticas assistenciais, atuando como ferramentas de suporte na coleta de informações, na tomada de decisões clínicas e na ampliação do conhecimento científico (Moreira et al., 2016). Neste cenário, já existem ferramentas, como softwares de coleta e análise de dados, que proporcionam um impacto significativo na melhoria dos cuidados pré-natais. Sua implementação permite uma coleta de dados mais precisa e em tempo real, permitindo verificar a conformidade com as diretrizes de saúde. Com isso, a capacidade de monitorar a qualidade dos serviços e identificar áreas que necessitam de intervenção resulta em adaptações mais rápidas e eficazes nas práticas de saúde. Além de aumentar a acessibilidade à informação para as gestantes, o que promove uma participação mais ativa delas nos cuidados de saúde, levando a uma maior adesão às consultas, bem como reduzindo complicações durante a gravidez (Fenta; Atinafu; Addis, 2024).
O uso efetivo dessas tecnologias de informação e comunicação para a saúde é chamado de Eletronic Health (eHealth). Essas vem modificando profundamente como a sociedade funciona, mediando as relações sociais de forma generalizada e estão disponíveis mesmo em locais com escassez de recursos (Belvis et al., 2022). O Brasil, apesar de sua vasta extensão territorial e riquezas naturais, ainda se depara com a classificação de país em desenvolvimento, frequentemente rotulado como “país de Terceiro Mundo”. Nesse cenário, a falta de acesso à informação de qualidade se destaca como um obstáculo que compromete a eficácia da assistência primária, que é essencial para o bem-estar da população. Como nos mostram Avalos e colaboradores (2024), onde gestantes participaram de grupos de cuidados pré-natais via teleconsulta. Esse modelo permitiu a participação ativa das gestantes durante o pré-natal bem como reduziu as barreiras geográficas. O modelo ainda permitiu com que elas compartilhassem suas próprias experiências, dando origem a uma rede de suporte mútuo, que fez com que 70% relatassem se sentir melhor preparadas para cuidar do bebê em casa, aumentou a percepção de cuidado e a satisfação com o cuidado recebido além de resultar em desfechos materno-infantis por vezes melhores quando comparados ao cuidado individual.
A telemedicina é uma das principais ferramentas disponíveis hoje, como nos mostram Wu et al. (2024). Quando implementada durante o cuidado pré-natal, trouxe benefícios significativos para a população. A possibilidade de realizar consultas virtuais permitiu a muitas mulheres grávidas acessar serviços de saúde essenciais sem as barreiras de transporte ou aglomerações, promovendo um aumento na iniciação precoce de cuidados enquanto minimizou riscos de exposição a doenças, representando um avanço crucial na acessibilidade ao cuidado. O estudo FATE (Cai; Hamm; Schwartz, 2024) forneceu ferramentas digitais com informações e infográficos sobre a realização de vigilância fetal durante os cuidados pré-natais. As participantes apresentaram maior índice de satisfação com os cuidados que estavam recebendo, gerando uma experiência pré-natal mais positiva e maior adesão aos cuidados pré-natais. Essa disponibilidade de informações sendo de boa legibilidade e de fácil acesso, contribui para o engajamento das pacientes, promovendo um acompanhamento mais adequado e contribuindo para a redução da ansiedade comumente associada às gestações de risco.
A assistência primária falha não apenas evidencia a carência de infraestrutura e recursos, mas também reflete a limitação do acesso a informações fundamentais sobre saúde e educação. Nesse contexto, as tecnologias, especialmente os aplicativos móveis, apresentam-se como ferramentas que podem potencialmente mitigar essa carência e transformar a forma como a informação é disseminada e utilizada (Belvis et al., 2022). Quando focamos na área da saúde, os recursos digitais oferecem uma ampla gama de benefícios, que vão desde a promoção de hábitos de vida saudáveis até o acompanhamento de condições crônicas, como hipertensão e diabetes, por meio do monitoramento eletrônico e registro digital de parâmetros. Essa acessibilidade permite ao paciente obter informações precisas sobre sua saúde e a pesquisar sobre quaisquer sinais e sintomas apresentados (Smith et al., 2020).
Mohamed et al. (2025) são precisos ao mostrar que hoje existem aplicativos capazes de monitorar a saúde da mãe durante o pré-natal. Essas plataformas permitem o registro e acompanhamento de sinais vitais como nível de pressão arterial, glicemia, dentre outros, oferecendo ainda conteúdo educacional e lembretes para exames e consultas. Esses aspectos levam a um maior empoderamento da mulher em relação à sua saúde, maior adesão ao pré-natal e, consequentemente, melhores desfechos maternos e neonatais. Outras plataformas vão além e além de facilitar o acesso à informações educativas sobre cuidados essenciais, o que aumentando a conscientização e a adesão aos cuidados médicos, ainda permitem a comunicação direta com profissionais de saúde, o que permite relatar sintomas e receber orientações em tempo real, resultando em intervenções mais rápidas e eficazes, o que eleva a qualidade dos serviços pré-natais e contribui para melhores desfechos de saúde para mães e bebês (Içke; Çifçi; Kokatürk, 2024)
O aplicativo DECO-MOM, desenvolvido na Coréia do Sul, em conjunto, por pesquisadores da Jeon Ju University e Kongju National University é um bom exemplo. Jo e Kim (2025) demonstraram que o aplicativo não apenas melhorou as práticas de saúde pessoais e comunitárias das usuárias, mas também aumentou a qualidade de vida das participantes ao proporcionar informações cruciais sobre riscos ambientais e incentivar comportamentos saudáveis. A satisfação com o aprendizado digital atingiu altos níveis, sugerindo que essa abordagem educacional é bem recebida entre o público-alvo. No entanto, os pesquisadores destacam a importância de incluir suporte psicológico e social nas intervenções, a fim de atender plenamente às necessidades das gestantes e potencializar os benefícios à saúde psicológica.
De acordo com Tormen et al. (2024) a flexibilidade proporcionada por consultas virtuais elimina barreiras logísticas, como deslocamento e tempo de espera, especialmente para mulheres em áreas rurais ou com dificuldades de transporte. Além disso, esses dispositivos de saúde digital promovem um maior empoderamento das gestantes, incentivando-as a se envolver ativamente na gestão de sua saúde, com acesso a informações e recursos que melhoram sua compreensão sobre o ciclo gravídico. A maioria das usuárias reporta maior satisfação com os cuidados recebidos, destacando a conveniência de ter profissionais disponíveis a um clique de distância. Por fim, essa integração de tecnologias na saúde não apenas aprimora a experiência do cuidado pré-natal, mas também ajuda a reduzir desigualdades no acesso a serviços obstétricos essenciais, promovendo assim um atendimento mais equitativo e eficaz.
Segundo Marcolino et al. (2018) o fato de existirem aplicativos que auxiliem na tomada diária de medicamentos por meio de lembretes e que permitam o agendamento online de consultas contribuam para uma melhor adesão ao tratamento proposto, possibilitando melhores resultados clínicos. Essas intervenções têm demonstrado eficácia em aumentar a adesão aos cuidados de saúde, melhorar a comunicação entre gestantes e profissionais de saúde, e reduzir as complicações associadas à gravidez, promovendo desfechos mais positivos tanto para as mães quanto para os bebês. Entretanto todo o progresso deve vir acompanhado por melhoria na segurança dos dados e na qualidade das informações disponíveis nos aplicativos, sendo necessário regulamentações rigorosas e adoção de práticas de segurança cibernética de forma a garantir a confiabilidade do método. (Kritz et al., 2021)
As ferramentas digitais, como a telemedicina e aplicativos de saúde, têm revolucionado o acesso aos cuidados pré-natais, trazendo benefícios significativos para a população. Elas permitem que gestantes se conectem com profissionais de saúde de forma remota, superando barreiras geográficas e financeiras, especialmente em áreas rurais ou de difícil acesso. Além disso, esses recursos oferecem educação em saúde personalizada, que capacita as mulheres a tomarem decisões informadas sobre sua gravidez e cuidados infantis. O suporte social facilitado por comunidades online também ajuda a reduzir a ansiedade e melhora a adesão ao tratamento. Assim, a utilização de tecnologias digitais não só melhora os desfechos de saúde materno-infantil, mas também promove uma experiência de cuidado mais humanizada e eficaz (Ladak et al., 2024).
6. CONCLUSÃO
O uso de ferramentas digitais tem potencial para grandes avanços no que se refere ao campo da saúde pública, em especial quando nos referimos às gestantes e nutrizes. O maior acesso à informação, a facilidade de agendar e realizar consultas de forma remota e o melhor acompanhamento dos dados são pontos cruciais que nos permitirão tanto aumentar a adesão das usuárias aos cuidados propostos pelas equipes da estratégia de saúde da família quanto analisar melhor os dados, permitindo identificar lacunas assistenciais e realizar correções pontuais e precisas, melhorando o sistema de saúde de forma global.
O Brasil é um país de dimensões continentais e que ainda enfrenta muitos problemas com disponibilidade de serviços de saúde. Nesse cenário, a efetiva implementação dessas tecnologias ainda enfrenta barreiras estruturais significativas, como o acesso desigual à internet, o baixo letramento digital de parte da população e a escassez de investimentos em infraestrutura tecnológica nas unidades básicas de saúde. O alto investimento historicamente realizado pelo país em políticas públicas é um campo fértil para a implementação dessas ferramentas de modo que para que essa transição digital seja efetiva e equitativa, é necessário garantir a formação continuada das equipes, o fortalecimento da rede de atenção e a promoção de soluções tecnológicas adaptadas às diversidades socioculturais do país.
Podemos concluir que as ferramentas digitais, embora não substituam a presença física de uma equipe de saúde multidisciplinar e qualificada, é essencial para uma melhor distribuição do cuidado, permitindo maior acesso à informação, maior adesão às políticas de saúde e por consequente, melhores indicadores de saúde materno-fetais.
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[1] Mestrando em Saúde da Família – UNINOVAFAPI, Residência Médica em Mastologia – Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia – Conjunto Hospitalar do Mandaqui, Pós-Graduação em Reprodução Humana Assistida – UNICAP, Graduação em Medicina – Centro Universitário Uninovafapi. ORCID: 0000-0002-7471-5581. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9365926869251711.
[2] Orientadora. Doutorado em Engenharia Biomédica/UNIVAP-SP, Mestrado em Enfermagem/UFPI, Docente do Centro Universitário – UNINOVAFAPI, Graduação em Enfermagem – UFPI. ORCID: 0000-0002-1648-5298.
Material recebido: 28 de abril de 2025.
Material aprovado pelos pares: 07 de maio de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 30 de maio de 2025.






