Balanço das potencialidades turísticas na cidade dos três climas: Itapipoca (CE)

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ARTIGO DE REVISÃO

JUNIOR, Ailton Batista de Albuquerque [1], ALVES, Mariana Fernandes [2], VIANA, Raila Beserra [3], SOUSA, Dion Rey Lucas de [4], COELHO, Flávia de Araújo [5], LIMA, Rachel Figueiredo Viana Martins [6], PRACIANO, Elenice Pinto [7]

JUNIOR, Ailton Batista de Albuquerque. Et al. Balanço das potencialidades turísticas na cidade dos três climas: Itapipoca (CE). Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 04, Vol. 03, pp. 75-101. Abril de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/turismo/potencialidades-turisticas

RESUMO

O presente artigo teve como objetivo analisar o potencial turístico do município de Itapipoca, conhecido como a cidade dos três climas, por haver em seu território praias, serras e sertão. Para isso, buscou-se responder a um questionamento central ancorado na interpelação dos pontos turísticos de Itapipoca, suas características e exploração econômica, sendo tal questionamento: porque ainda existem pontos turísticos não explorados no município de Itapipoca-CE? Esse trabalho justifica-se por seu destaque para a sociedade civil, para o poder público e para a academia, uma vez que incentiva a reflexão mais detalhada e agrega valor ao tema. Neste sentido, quanto aos procedimentos técnicos, utilizou-se de pesquisa bibliográfica. Como resultado foi possível listar e descrever diversos pontos turísticos do município. Constatou-se que existem locais pouco explorados e/ou mesmo inexplorados pelo turismo da cidade, sendo isso consequência da falta de investimentos governamentais em políticas públicas. Logo, o investimento é necessário e vai fazer toda diferença no desenvolvimento econômico local e regional.

Palavras-chave: Potencial turístico, pontos turísticos, turismo, investimentos governamentais, exploração econômica.

1. INTRODUÇÃO

O turismo para Sancho (2001) é um fenômeno social que consiste na atividade de viajar ou permanecer em local diferente do seu local de residência habitual por um período menor que um ano, com a finalidade de negócios, lazer, descanso, cultura ou compras. É um nicho econômico em expansão, sendo um setor da economia que a cada dia se desenvolve mais, gerando riqueza e renda para as comunidades que o tem como economia principal. Esse segmento gera inúmeros benefícios para a localidade receptora do turista como criação de novos empregos, aumento do consumo e distribuição de renda.  Nesse sentido, a Cartilha Marketing de Destinos Turísticos, elaborada pelo Ministério do turismo (2015) diz que essa atividade pode ser considerada um dos principais fenômenos do planeta, pois possui vultosa importância para a economia mundial.  Apesar de ser uma atividade antiga, essa prática, atualmente, vem se mostrando cada vez mais comum, tanto entre as elites quanto entre as pessoas de classe média, posto que consoante pensamentos de Ansarah (1999): houve um aumento no número de pessoas que viajam. Dessa forma, esse fenômeno sugere uma democratização do turismo.

Alguns motivos podem ser apontados para tal democratização, dentre eles pode-se citar: o desenvolvimento tecnológico das aeronaves, a criação dos voos comerciais e melhores condições econômicas.  Beni (1999, p. 97), ainda, defende que o setor deve ser visto como uma alternativa para o desenvolvimento de cidades quando fala que: “o turismo […] é poderoso instrumento de aceleração ou complementação do processo de desenvolvimento”. Dessa forma, as cidades que reconhecem seu potencial turístico se destacam em meios às outras. Itapipoca é um município do norte cearense que de acordo com Torres (2012) é conhecido como a cidade dos três climas, por haver em seu território praias, serras e sertões. A cidade se destaca por sua beleza, diversidade cultural e pela hospitalidade de seu povo, possuindo um vasto potencial turístico, onde se destacam diversos locais ainda inexplorados nessa área. Dessa forma, ilustramos de forma panorâmica um visão geral da Sede da cidade através da imagem 01:

Imagem 01: Visão panorâmica de Itapipoca

Fonte: Ceará em foco

Sua economia é essencialmente baseada no comércio varejista, visto que conforme o jornal Diário do Nordeste (2014) a cidade “se destaca com o seu comércio pujante e uma economia com grande participação da pequena e média indústria, além do setor agropastoril”.

Na concepção de Busarello  (2013) “o turismo é uma das fontes de renda da cidade, devido às atrações naturais, arqueológicas e arquitetônicas.”. E ainda, para Câmara (2018): “apesar do grande potencial, o turismo [apesar de ser um setor crescente na economia da região] é pouco explorado”. Vários são os motivos para isso: falta de investimentos do poder público em infraestrutura, em capacitação profissional e em subsídios para empresas hoteleiras.  Essas abordagens inspiraram e encorajaram a escolha do tema deste trabalho e assunção do propósito de elaborar uma pesquisa cujo objetivo geral é analisar o potencial turístico do município de Itapipoca-Ce. Para tanto, procurar-se-á elencar e descrever os pontos turísticos do município de Itapipoca e identificar as particularidades desses pontos turísticos no que se refere a sua exploração ou não exploração financeira para o município.

Este estudo possui importância para o poder público que se dá pela identificação do potencial turístico da cidade em questão, abrindo margem e servindo como embasamento teórico para que sejam realizadas políticas públicas voltadas ao desenvolvimento turístico do município. Já para a academia, avalia-se essa pesquisa como relevante, uma vez que se busca expandir as pesquisas nesse campo de conhecimento, trazendo um olhar crítico acerca dos pontos turísticos da cidade de Itapipoca. No que tange à sociedade, vê-se como importante esse tema, na medida em que o estudo proposto pode incentivar o desenvolvimento de atividades econômicas voltadas ao turismo local, uma vez que se vê nesse setor um nicho de mercado a ser explorado.

Para a revista Eventos (2018) o “turismo é fundamental para desenvolver economia do Brasil”, consequentemente, o perene crescimento do turismo é de extrema importância para a economia municipal, como destacou o secretário de Turismo Fábio Pires na página do município na internet (2017): “entre as vocações econômicas de Itapipoca, o turismo é o grande potencial que está adormecido e nós o despertaremos para um grande salto”. Nessa acepção, são levantadas reflexões que interpelam levam a pesquisa sobre a existência de pontos turísticos não explorados no município de Itapipoca-CE, elencando algumas de suas estruturas turísticas em imagens infracitadas:

Imagem 02 –Parque de Exposição Hildeberto Barroso

Fonte:  Portal de Itapipoca

Imagem 03– Praça da Matriz

Fonte: Portal Tur

Imagem 04 – Praça dos Três Climas

Fonte: Portal Tur

Imagem 06 – AABB

Fonte: AABB Itapipoca

Dessa forma, destacamos ainda que, a contribuição social desta pesquisa, no sentido de elencar e caracterizar os potenciais pontos turísticos da cidade pesquisada, além disso, servirá como base incentivadora para subsídios do governo e de políticas públicas, voltadas ao desenvolvimento do turismo local, uma vez que a atividade turística é vista como um segmento pouco aproveitado no município e que, apesar disso, possui grande potencial de desenvolvimento, se houverem os investimentos necessários.

2. METODOLOGIA

Para consubstanciamento do estudo, foi utilizada a pesquisa aplicada de natureza qualitativa, onde não houve a preocupação em quantificar, mas de acordo com pensamentos de Edna e Estera, (2005) se deteve em interpretar o fenômeno. Logo, em qualificar os dados acerca de conhecimentos sobre interesses locais no que diz respeito ao turismo e sobre problemas específicos relacionados a este setor, em especial, a falta de aproveitamento econômico e suas causas. Ademais, a tipologia da pesquisa foi desenvolvida por meio de um minucioso estudo bibliográfico prévio em literatura específica na página do site do município estudado, em cartilhas do Ministério do Turismo e em vários trabalhos acadêmicos com temática semelhante.

Outrossim, buscou-se desenvolver essa investigação por meio de uma pesquisa de campo do tipo exploratória onde se buscou certa familiaridade entre o pesquisador e o contexto turístico daquela realidade de maneira a conhecê-la, e desenvolver reflexões críticas sobre a problemática abordada. Consoante ao ponto de vista de Gil, (2002) a pesquisa exploratória e descritiva tem o objetivo de proporcionar melhor compreensão do tema por meio do estudo bibliográfico.  Na etapa do estudo bibliográfico, realizamos um denso delineamento descritivo sobre o tema, em especial, conceituando a magnitude do turismo para a economia de uma região, deslindando as potencialidades turísticas e discorrendo sobre a cidade de Itapipoca em seus vários aspectos, dando ênfase para a questão econômico-turística, inclusive, enumerando e descrevendo os seus pontos turísticos, sejam eles explorados ou não explorados economicamente.

O estudo de caso foi a estratégia empregada para realização da etapa exploratória, a segunda etapa, por meio da observação. Nesse contexto, para Yin (2005, p. 32) estudo de caso é “uma investigação empírica que avalia um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real”. A pesquisa foi realizada no município de Itapipoca e em suas regiões (praia, serra e sertão), onde a amostra foi escolhida pela acessibilidade e pela conveniência dos dados, não sendo, portanto, uma amostra probabilística. Através da abordagem exploratória foi realizada com a visitação de alguns dos pontos turísticos – de dezembro de 2017 a agosto de 2019, ressaltado que nessa etapa da pesquisa não se utilizou de técnicas estatísticas, pois o objeto do estudo foi a fonte para coleta de informações e o pesquisador procurou utilizar como base conceitos bibliográficos de vários autores e obras sobre o assunto.

A análise dos dados foi realizada por meio do confronto entre as informações obtidas tanto na etapa descritiva quanto na etapa exploratória da pesquisa. Os resultados foram apresentados por meio de um relatório escrito, em que se discorreu sobre a descrição dos pontos turísticos da cidade de Itapipoca, a identificação de quais desses pontos turísticos não são explorados economicamente na região e os motivos desse não aproveitamento econômico.

3. CONCEPÇÕES DE TURISMO

Em 1960,  o setor turístico conheceu o seu apogeu, devido a modernização da aviação, o surgimento de uma classe média mais robusta, crescimento econômico e legalização de direitos trabalhistas – como férias remuneradas –  pois deixou de ser um bem de consumo das elites passando a ser um setor varejista (BACAL, 1990, p. 5 apud ANSARAH, 1999, p. 17). Com esse crescimento do setor turístico e o advento do turismo de massa começaram a surgir produtos e serviços inovadores que tinham a função de atrair todos os tipos de turistas. Dessa forma, surge a segmentação, que utiliza, como ferramenta essencial, a informação a respeito do cliente. De acordo com Ansarah (1999) essas informações possibilitam realizar a segmentação do mercado, personalizando os produtos e serviços de acordo com o perfil do cliente.

Para Krippendorf (2001) existe uma grande variedade de motivos, necessidades e desejos que levam alguém a consumir determinado produto ou serviço do setor turístico, além disso, esse conceito varia de pessoa para pessoa, para alguns o importante é descansar e conhecer novos lugares, outros buscam se divertir e viver uma aventura, já outros viajam a trabalho. Ademais, o turismo tem papel preponderante no desenvolvimento da região onde é realizado, uma vez que, atualmente, encontra-se em ascensão numa dinâmica econômica que valoriza a cultura e gera oportunidades de emprego para a cidade receptora da demanda turística. Contudo, para que o turismo de determinada cidade atenda as demandas do seu público, o turista é primordial que haja investimentos por parte dos órgãos competentes. Nesse sentido, Barreto Filho corrobora a proposição elencada ao citar que (1999, p.07) “no caso de cidades interessadas em participar do mercado turístico, é importante a decisão política”.

Apesar do reconhecimento da atividade turística para a localidade, muitas vezes, o Poder Público não dar a devida relevância ao setor, configurando na falta de investimentos que, consequentemente, impede o crescimento do segmento e dificulta a realização de atividades turísticas. Assim, para Barreto Filho (1999) o desenvolvimento das atividades turísticas exige esforços integrados dos órgãos oficiais, do setor de transporte, do setor hoteleiro, do setor de alimentos e bebidas, da comunidade e dos demais envolvidos na atividade turística, inclusive, para este autor, cada cidade possui sua individualidade, seja na cultura, política ou história, essas particularidades possibilitam o surgimento de alternativas potenciais para o turismo de determinadas cidades.

4. POTENCIAL TURÍSTICO DE UMA CIDADE

Para avaliar se uma cidade possui potencial de desenvolvimento turístico é necessário realizar uma observação detalhada e uma análise profunda dos seus atrativos consolidados e dos possíveis locais a serem explorados, economicamente, com atividades relacionadas ao turismo. Tal avaliação deve ser realizada de forma precisa, para que essas informações possam servir de base para os órgãos do governo relacionados ao setor, de forma a permitir maiores investimentos no setor. Além disso, a divulgação de informações corretas e atuais facilita a criação de produtos e serviços do setor turístico que atendam às necessidades e desejos de cada segmento. Algumas cidades possuem uma paisagem serrana ou localizam-se próximo à zona litorânea, outras possuem grandes obras arquitetônicas ou são polos culturais. Nesse ângulo, possuir algum atrativo sui generis favorece para que elas se tornem cidades turísticas. É nesse âmbito que Castrogiovanni, (1999) descortina que:

A cidade é repleta de entornos e estabelece entornos, alguns fortes, expressivos; outras vezes suaves, interativos com a continuidade espacial. A cidade é viva; mesmo não sendo conceitualmente dinâmica, apresenta um dinamismo de relações. Com isso, sempre é possível a renovação urbana. A cidade deve ser vista como um bem cultural, onde devem ser valorizadas funções culturais que atendam à vida qualificada do sujeito cidadão. (CASTROGIOVANNI, 1999, p.32).

Com o atual ritmo de crescimento ou surgimento de novas cidades, entende-se que bilhões de pessoas tenham sua residência na zona urbana, surgindo um novo perfil de turistas, os que preferem visitar outras localidades. Nessa perspectiva, Gastal (1999, p 37) menciona categoricamente que “esta situação (a de morar em cidades) as levaria a desejar conhecer outras localidades similares, outras soluções urbanas, mas, principalmente, os vestígios do passado e as propostas de futuro guardadas em muitos lugares pelo mundo afora”. Logo, as cidades precisam saber visualizar o seu potencial turístico e mostrar os seus atributos de maneira a atrair o turista, necessitando de uma visão de empreendedorismo que permita crescimento social, econômico e cultural para a localidade, haja vista que consoante Castrogiovanni e Gastal (1999) cada cidade é única, possuindo sua singularidade e se diferenciando das demais seu potencial turístico.

Deve ser considerada no mercado turístico a visualidade, posto que conforme Silva (2004, p.19) “para o turismo, trata-se de ressaltar aspectos visuais peculiares e significativos para a composição de imagens, suficientemente, atraentes para induzir o consumo”. Ainda para Silva (2004) o turista se encanta ao visitar uma cidade arborizada, organizada, limpa e com pessoas educadas e acolhedoras, o impacto é ainda maior quando a sua cidade de origem não possui essas mesmas características. Outro fator importante, para o desenvolvimento turístico de uma cidade, é a forma como ela trata a sua história local. Para o setor turístico é importante, nesse contexto, que sejam feitos investimentos no patrimônio público e histórico do município. Dessa forma, Silva (2004) defende, veementemente, que é possível identificar e caracterizar uma cidade pela sua paisagem urbana, sendo que o seu patrimônio arquitetônico histórico se destaca em meio às outras construções, tornando-se uma atração turística. Conforme os pensamentos de Castrogiovanni (1999, p.23) “a ordenação turística é a busca conveniente dos meios existentes no espaço para o sucesso das propostas relativas às atividades turísticas”, sendo a cultura, também, fator motivacional do setor turístico em cidades, ressaltando que investimentos no potencial artístico de um município podem alavancar a economia local por meio da atividade turística. À vista disso, Gastal (1999) enfatiza que:

Hoje, num momento que os teóricos chamam de pós-moderno – em que se trabalha para reunir os recursos que irão pagar as férias, ou seja, trabalha-se para poder viajar, o viajante parece retomar uma predileção pelos destinos urbanos, em detrimento dos destinos juntos à natureza. E, a exemplo do grand tour, os turistas modernos percorrem as cidades em busca de um produto muito especial, a Cultura, levando os teóricos a descrever esse novo momento do turismo a partir do binômio cultura-cidade. (GASTAL, 1999, p. 34).

Nesse âmbito, também existem pessoas que buscam alternativas para fugir do turismo de massa das cidades, procurando o chamado turismo na natureza, que são locais (pequenas cidades) com paisagens naturais pouco modificadas pelo homem, onde se possa ter uma viagem tranquila, longe da agitação das metrópoles. Assim sendo, a natureza ganha espaço no setor, atraindo turistas por uma opção diferenciada de lazer. Esse tipo de atividade valoriza a cidade onde é realizada, pois contribui para a conservação do patrimônio natural, gerando renda. Campanhola e Silva (1999) ratificam que esse turismo estimula a utilização sustentável do recurso natural e beneficia a população local enquanto para Almeida e Souza (2004) as localidades envolvidas com esse tipo de turismo são beneficiadas com aumento na renda local. Isto posto, encaixam-se os destinos que possuem recursos naturais e podem ser visualizados como um local em potencial para exploração e desenvolvimento de atividades relacionadas ao segmento.

5. ITAPIPOCA: A CIDADE DOS TRÊS CLIMAS

Itapipoca é uma expressão de origem tupi-guarani, que significa “pedra rebentada”. Conforme o perfil básico municipal elaborado pela Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado do Ceará (2009), é um município brasileiro situado no litoral oeste, na mesorregião norte do estado e conforme dados da página do município na internet (2019), fica localizado a “130 quilômetros da capital do estado, Fortaleza, 140 quilômetros de Sobral, 87 quilômetros do perímetro irrigado do Baixo Acaraú e 115 quilômetros do Porto do Pecém”. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/IBGE (2014), município é constituído de 11 distritos, além da sede, quais sejam: Arapari, Assunção, Baleia, Barrento, Bela Vista, Calugi, Cruxati, Deserto, Ipu Mazagão, Lagoa das Mercês e Marinheiros.

O perfil básico municipal (2009, p. 6) menciona que o clima de Itapipoca pode ser classificado como “tropical quente semiárido”, devido a algumas particularidades, dentre as quais, é “conhecida como “terra dos três climas” (DIÁRIO DO NORDESTE, 2014), por haver em seu território praias, serras e o sertão”. A cidade destaca-se por possuir um povo hospitaleiro e de bom humor, histórias e lendas únicas, arte irreverente e culinária diversificada. Dessa forma, a cidade valoriza sua cultura e suas tradições, o que leva ao incremento da atividade turística e agrega valor ao segmento. Quanto ao fator econômico, a comarca se destaca na região como um polo econômico de compras, tendo em vista que possui um “comércio pujante e uma economia com grande participação da pequena e média indústria” (DIÁRIO DO NORDESTE, 2014), possuindo uma população de aproximadamente 128 mil habitantes conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2017). Essa é considerada um polo cultural, pois possui recursos físicos para a realização de diversos eventos, verbi gratia, o parque de exposições, as praças, as quadras desportivas, os colégios, os clubes de festas e a avenida principal, onde se realiza, anualmente, o desfile de Sete de setembro. Ainda existem os estabelecimentos gastronômicos como restaurantes, lanchonetes, bares, polos de lazer e educação superior cada vez mais presente através da Faculdade Novo Tempo (FNT), Faculdade de Educação de Itapipoca (FACED/UECE), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Anhanguera e outros institutos privados com educação presencial, semipresencial e a distância (EaD).

O acesso é realizado por vias rodoviárias com a CE 168, a CE 354, a BR 222 e a BR 402. Sobre a via ferroviária, que divide a cidade ao meio, está desativada para o transporte de passageiros, sendo utilizada, atualmente, apenas para transportar cargas. Contemporaneamente, o aeroporto regional está em projeto junto ao Departamento Aeroportuário do Estado do Ceará, a obra tem prazo de 03 anos para conclusão, conforme dados da página do município na internet (2019).

Devido às suas diversidades naturais, culturais, arqueológicas e arquitetônicas o município de Itapipoca, para Câmara (2018), possui um vasto potencial turístico, no entanto pouco explorado economicamente. Assim, o turismo em Itapipoca, apesar de modesto, ainda é uma fonte de renda do município, e esse setor vem recebendo ações de fomento, objetivando seu fortalecimento de acordo com a página do município na internet (2017). Nesse sentido, cabe salientar que o município possui um diferencial que lhe dá vantagem em relação a outras cidades, reunindo em seu território uma realidade sui generis, a existência de três climas: serra, praia e sertão. Dessa forma, conforme Oliveira (2009, p. 60) o município “abrange grande diversidade paisagística com diferentes potencialidades e limitações para as atividades turísticas”. Ainda para Câmara (2018), “Itapipoca agrada qualquer um, terra para todos os climas”.

Dentre as ações de incentivo ao setor turístico, realizadas pela Prefeitura Municipal de Itapipoca, pode-se citar a realização de reuniões que têm o objetivo de debater ações de fomento e melhoria para o turismo local. Tais reuniões, divulgadas na página do município na internet (2017) contaram com a presença do prefeito, do vice-prefeito, de representantes da secretaria de cultura e turismo, de associações de moradores, de gerentes de bancos – como o Banco do Nordeste do Brasil – de representantes do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, o (SENAC), de consultores locais e de representantes de instituições de proteção ao meio ambiente. À vista disso, Oliveira (2009) observa que:

o setor turístico desponta com muita significância no município de Itapipoca, […]. Assim existe um esforço embrionário de fomento às atividades turísticas […]. Essas estratégias se fundamentaram na existência de um ambiente natural preservado e de uma comunidade receptora integrada (OLIVEIRA, 2009, p. 114).

Nessa lógica, para expansão das atividades turísticas na comarca, são indispensáveis os consubstanciamentos em políticas públicas através de programas, projetos e recursos financeiros que viabilizem um serviço de qualidade.

6. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Conforme o jornal Diário do Nordeste (2014), Itapipoca possui uma característica que lhe dá vantagem em relação a outras cidades, tendo em vista reunir em seu território praias, serras e sertão. Assim sendo, serão delineados seus pontos turísticos, características e consequências para a economia itapipoquense.  Basta dar uma volta na cidade, com olhar mais atento, para perceber inúmeros potenciais pontos turísticos no distrito sede de Itapipoca. Faz-se mister, salientar um fator que atrai turistas: são os eventos culturais da cidade, dentre eles a encenação da Paixão de Cristo na Semana Santa, a festa das Flores, as festas Juninas, a festa do aniversário do município, as comemorações do dia Sete de setembro e as festas e novenas religiosas – eventos esses que atraem inúmeros turistas para a cidade, o que também gera renda e emprego.

A cidade tem uma diversidade de estabelecimentos culinários que despertam desejos e olhares: restaurantes, lanchonetes, sorveterias, docerias, salgadeiras e bares com deliciosos pratos para todos os tipos de paladares, desde o mais popular baião de dois com churrasco até a culinária requintada de restaurantes como o 3M Gourmand, oferecendo, inclusive,  culinária brasileira, japonesa, italiana, cozinha padrão internacional e pratos regionais e locais.

Na sede existem diversas praças, cada uma com suas particularidades. Por exemplo, a praça dos três climas, inaugurada em 1992, localizada em uma das principais avenidas da cidade, exibe um conjunto de esculturas que simbolizam a diversidade climática do município (praia, serra e sertão), ilustradas nas imagens 11, 12 e 13:

Imagem 07 – Jangadas ao mar

Fonte: Portal Itapipoca

Imagem 08 – Vaqueiro tentando laçar o boi

Fonte: Portal Itapipoca

Imagem 09 – Gruta de Pedra Ferrada

Fonte: Portal Itapipoca

A praia é representada por três pescadores empurrando uma jangada ao mar, o sertão é representado por uma torre no formato retangular com um quadrado de acrílico e uma bola dentro da mesma, fazendo referência ao sol e um vaqueiro montado em um cavalo tentando laçar um boi. Quanto à serra, é representada por uma réplica da gruta da Pedra Ferrada com as inscrições rupestres que há na gruta original, havendo na frente da gruta uma estátua de uma índia se banhando, fazendo referência aos índios que habitavam as serras de Itapipoca.

Essa praça possui uma academia sustentável, que foi construída pela Unimed Ceará para incentivar a prática de exercícios físicos por parte da população; três quiosques bar-restaurantes, além de uma pista para prática de caminhada ao ar livre em volta da praça. Os dias de maior fluxo de pessoas são sextas-feiras, sábados e domingos. Todas as noites, um parquinho é instalado para as crianças com pula-pula, piscina de bolinhas e várias barraquinhas de comidas e lanches. Nessa praça, também, é o ponto de partida e de chegada para um passeio infantil muito divertido pela cidade, em um carro cheio de personagens lúdicos e músicas infantis. Esse clima leve e descontraído acaba atraindo muitas famílias, que vão à praça em busca de diversão para as crianças. O espaço é ponto de encontro para ciclistas da cidade que realizam, semanalmente, um passeio, escoltado pela autarquia de trânsito, pelas principais vias do município, sendo a praça o ponto de partida e chegada desse passeio. Nesses eventos, é realizada distribuição de brindes: blusas, bonés, garrafinhas de água, mochilas; sorteios de bicicletas e artigos esportivos, também há a participação de alguns profissionais desportivos e de saúde.

Outra praça sobremodo visitada é a praça do Hotel, localizada em frente ao Hotel Municipal, possuindo quatro quiosques, onde funcionam quatro churrascarias, que servem o tradicional baião de dois com carne do sol, esses estabelecimentos são extremamente visitados por moradores e turistas, por ser um local de fácil acesso e com comida com preço acessível. Existe também um quiosque de sorvete e uma mini quadra que é utilizada por jovens para prática de esportes, cooper, skates, skates e patins. Além disso, todos os finais de semana a praça fica tomada por uma multidão de jovens, adultos e crianças que vêm a praça para apreciar as comidas típicas que são vendidas em barraquinhas montadas ao seu redor, comprar artesanatos que também são expostos nessas barraquinhas ou brincar no parquinho que ali é montado composto por diversos brinquedos, inclusive, um passeio de carrinhos motorizados guiados por controle remoto.

A praça Perilo Teixeira (imagem 10), construída no contorno da Igreja Matriz Nossa Senhora das Mercês, trata-se de um local agradável, arborizado e bem iluminado.  No centro da mesma há uma estrutura circular feita em tijolos e dentro algumas carnaubeiras, no piso há uma rosa dos ventos. O local conta com acesso para cadeirantes, uma parada para ônibus coberta e dois quiosques, sendo uma lanchonete e uma revistaria que vende também artesanato da região.

Imagem 10 – Praça Perilo Teixeira

Fonte: Portal Itapipoca

Nesse espaço, são realizados inúmeros eventos – missas, cultos, feiras literárias, feiras culinárias, apresentações culturais, sociais, manifestações de rua e relacionados à saúde pública.

A Igreja Catedral Nossa Senhora das Mercês, também conhecida como Igreja da Matriz é um templo que possui adro circular à frente. À direita, encontram-se mastros para hasteamento de bandeiras e na frente da porta principal há um monumento comemorativo feito em pedra e cimento, e em cima desse uma estátua simbolizando o Senhor Jesus Cristo, construído em comemoração ao 1º centenário da paróquia de Nossa Senhora das Mercês.

À esquerda, no próprio monumento, tem-se a fisionomia do Frei Cassiano de Camachio – o responsável pela construção da Matriz – e a direita a fisionomia do Monsenhor Antero José de Lima – o benfeitor de Itapipoca. Na igreja são realizadas inúmeras atividades – missas, casamentos comunitários e particulares, sendo aberta à visitação.

O parque de exposições Hildeberto Barroso, é o local onde, anualmente, realiza-se a Feira Agroindustrial em comemoração ao aniversário do município com diversas atividades -exposição de animais, de produtos agroindustriais, de artesanatos e de produtos de lojas locais. São expostos vários estandes de instituições oficiais como Banco do Nordeste, Banco do Brasil (BB), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Exército Brasileiro, Polícia Militar, várias secretarias da Prefeitura Municipal com distribuição de brindes e serviços de cabeleireiro, maquiagem e manicure grátis. Nessa grande festa que dura uma semana, realizam-se passeios de pôneis, venda de comidas típicas da culinária brasileira, leilão de animais, vaquejada, shows de artistas locais/regionais/nacionais e passeios em parque de diversões. Nesse espaço, também se realiza uma grande festa de carnaval de rua com desfile de blocos como tradicional bloco das Fuampas – homens vestidos de mulheres e vice-versa.

O parque fica aberto às visitações todos os dias, inclusive, reúnem-se pessoas para fazer caminhadas e prática de outros esportes como ciclismo e motocross. Há encontros de cães, ensaios fotográficos, piqueniques, passeios escolares, festas de aniversários, treinamentos policiais, aulas de trânsito e direção, dentre outras atividades. Portanto, o local possui uma grande estrutura com enorme área verde, abrigando um mosaico de pessoas, de costumes e de origens diferentes.

O Museu da Pré-história Itapipoca (MUPHI), espaço que faz parte do conjunto de atrativos do município detém um acervo de fósseis da megafauna encontrados em Itapipoca e região, réplicas de esqueletos de dinossauros, uma trilha científica para os tanques fossilíferos do assentamento Taboca-Lajinhas e ao Sítio Jirau. Veja a ilustração na imagem 11:

Imagem 11 – Esqueletos de dinossauros no MUPHI

Fonte: Diário do Nordeste

O artefato possui 500 peças fósseis e 70 peças arqueológicas em exposição, sendo criado com o objetivo de desenvolver uma cadeia de atividades culturais, ambientais, sociais e econômicas, em torno desse riquíssimo patrimônio, visando despertar a consciência da população no que diz respeito a conservação desse patrimônio e gerar emprego e renda com atividades de turismo científico.

O Estádio Dr. Perilo Teixeira (ilustrado na imagem 15) – localizado no bairro Boa Vista – também é conhecido pela imprensa e pelos torcedores como Perilão. Um estádio de futebol inaugurado em 1993, com capacidade  para 10.000 espectadores. Utilizado pelo Itapipoca Esporte Clube – time da cidade. No local são realizados jogos do Campeonato Cearense de Futebol, shows, eventos da prefeitura e comunidade, além de servir também como uma espécie de heliporto utilizado pelo hospital da cidade para transferir pacientes mais graves para Fortaleza.

6.1 PRAIAS

Região com vários pontos turísticos é o litoral de Itapipoca, que conforme a página do município na internet (2019) é formado por 25 quilômetros de praias, sendo as principais: praia da Baleia, praia do Maceió e praia das Pedrinhas. A primeira, possui pousadas e restaurantes, destacando-se dentre eles o Altas Horas Beach com infraestrutura, gastronomia e serviços diversificados em lazer e entretenimento de qualidade, conforme as imagens que se seguem:

Imagem 12: Vista panorâmica externa

Fonte: produzida pelos autores

Imagem 13: Entorno da pousada Altas Horas Beach

Fonte: produzida pelos autores

Imagem 14: Frente da pousada

Fonte: produzida pelos autores

Imagem 15: Estrutura interna

Fonte: produzida pelos autores

Imagem 16: Área de lazer

Fonte: produzida pelos autores

Nessa região, há datas festivas e feriados prolongados – como a Regata da Baleia, o carnaval, o trilhão das flores e o réveillon – onde a orla é tomada por pessoas, paredões e muita folia. A praia fica a 55 quilômetros da sede de Itapipoca, salientando que a partir doa relatos contadas por moradores mais antigos da região, as baleias costumavam encalhar nessa faixa do litoral itapipoquense, por isso a origem do nome praia da Baleia. À vista disso, com grande potencial para o turismo, a Baleia apresenta em alguns pontos um mar de águas transparentes e tranquilas onde é possível realizar passeios de jangada, inclusive, existem alguns pontos que proporcional ventos fortes, sendo possível praticar esportes como kitesurf.

Ao realizar um passeio ao longo da orla, é possível observar alguns corais e formação de piscinas naturais quando a maré está baixa; um cenário de coqueirais ao longo da sua orla; várias dunas, onde é possível realizar passeios de bugue; a barra do rio Mundaú, local onde o rio encontra o mar e serve como divisa natural entre a praia da Baleia e a praia do Mundaú; e o fóssil de um grande animal que está enterrado na zona da maré que aparece esporadicamente. Outrossim, existem cenários multifacetados: o manguezal, a lagoa de Humaitá, a lagoa do Mato e muitas outras, quase desconhecidas pela população de Itapipoca. É possível apreciar a bela vista do morro do tacacá, desfrutar de banhos nas piscinas naturais dos lençóis baleienses e provar uma riquíssima culinária baseada na pesca artesanal da região nas inúmeras barracas, localizadas ao longo da orla da praia.

Quanto à infraestrutura, destaca-se a praça recém-reformada, que fica na parte principal do distrito, em frente à igreja e ao mar, sendo o cenário principal para as festividades que ocorrem na região, reunindo um grande número de transeuntes, barraquinhas de comida e parquinhos de diversão.

6.2 SERRAS

As serras de Itapipoca são ideais para a prática do ecoturismo e de esportes radicais. Do mesmo modo, são patrimônios naturais, arqueológicos e paleontológicos, haja vista a presença de tanques fossilíferos e grutas com inscrições rupestres, inclusive, frequentemente, encontram-se fósseis de animais da megafauna. Nesse cenário, percebem-se alguns locais de exuberante beleza natural, quais sejam: a bica da Canoa e a bica da Loca, ambas na serra do Arapari. São locais em que a água escorre entre as pedras, formando pequenas cachoeiras naturais constantemente visitadas, e que possuem balneários onde são comercializadas comidas e bebidas.  Além dessas, existem outras bicas que não são tão conhecidas e ficam localizadas em sua maioria nos quintais de casas da região, por isso são aproveitadas apenas por moradores locais.

Pode-se citar a pedra de Itacoatiara como destaque no turismo itapipoquense, local utilizado para prática de rapel e de voo livre; o açude Quandu, construído no leito do riacho Quandu a 300 metros de altura, possui vários balneários a sua margem com a venda de peixes da região; a bica do Novo; a pedra de Itapicu, utilizada para prática de trilhas; e a pedra Ferrada, com inscrições rupestres, fazendo parte dos sítios paleontológicos e arqueológicos do município.

6.3 SERTÃO

No sertão de Itapipoca predomina um vasto patrimônio arqueológico e paleontológico. Nessa região, são encontrados vários fósseis de animais da megafauna, datados de 10.000 anos atrás, que estão, atualmente, expostos no museu arqueológico da cidade, quais sejam: a preguiça gigante, o mastodonte e o tigre dentes-de-sabre. Esses fósseis foram localizados em várias localidades: a Taboca, a Lagoa do Juá, o Mucambo de baixo e o Lagoa das Pedras. Além do turismo cultural, é possível visitar o açude do Ipu Mazagão – um balneário amplo e arborizado – com culinária diversificada através de um cardápio típico: o baião de dois, o peixe frito, carne do sol e a galinha caipira.

Um ponto conhecido da população itapipoquense, são os balneários à margem do açude Poço Verde (imagem 17) que nos finais de semana são realizados eventos como serestas e forró pé de serra com artistas locais e serviço gastronômico típico, consoante ilustrado abaixo:

Imagem 17 – Balneário poço verde

Fonte: Portal Itapipoca

A pedra Ferrada – localizada no Mucambo – para Câmara (2018) “preserva um raro tesouro: inscrições rupestres avaliadas como as mais antigas do Ceará. […] Apesar de ser bem conhecida, a pedra Ferrada é pouco visitada”. O sítio Paleontológico Laginhas, um belo local que possui tanques naturais em meio ao sertão. Conforme o retrocitado autor, Itapipoca tem cerca de oitenta tanques naturais, como esse, espalhados na sua região.

6.4 BALANÇO DAS POTENCIALIDADES TURÍSTICAS DE ITAPIPOCA

Tendo em vista o resultado supracitado, é importante que se reconheça o elevado potencial do município de Itapipoca no que diz respeito ao setor turístico. Não obstante, percebeu-se que tal setor, apesar de passar por um processo de expansão, não recebe muitos investimentos para seu pleno desenvolvimento. Pensando nisso, nos últimos dois anos, a administração pública municipal de Itapipoca resolveu adotar uma nova postura, no que diz respeito à alavancagem turística de Itapipoca, sendo uma das primeiras ações a promoção de um encontro – em março de 2017, na praia da Baleia, cujo objetivo principal era discutir maneiras de solidificar o setor turístico do Município – entre diversas autoridades da região, representantes dos setores público e privado para debater sobre as demandas e anseios da sociedade civil acerca daquela temática. Pela primeira vez, o público e o privado estavam juntos, para traçar o consubstanciamento de metas e prioridades para o turismo local.

No entanto, nenhuma ação concreta foi incrementada no setor em questão. Nada saiu do papel, os investimentos discutidos não apareceram e são esperados até a presente data. Então, apesar de haver diversos potenciais pontos turísticos em sua sede, essa atividade econômica não é devidamente explorada, porque não tem o investimento necessário para melhoria da infraestrutura e de divulgação.

Na praça três climas e na praça do hotel, mesmo havendo um atrativo noturno para famílias com crianças, não há visitação de turistas, além disso, não há um investimento municipal no sentido de fornecer capacitação profissional e uma estrutura mais adequada para o público infantil.

Não foram realizados investimentos, no sentido de promover divulgação das praças do hotel, três climas, Perilo Teixeira, da Igreja Catedral Nossa Senhora Mercês (imagem 18), do Parque de Exposições, do Museu da Pré-história Itapipoca (MUPHI) e do Estádio Perilo Teixeira. A falta de marketing, nesse caso, ocasiona a não associação da imagem do município ao setor de turismo, o que dificulta a atração de pessoas de outras localidades. Dessa forma, prejudicando o turismo local.

Imagem 18 – Igreja Catedral Nossa Senhora das Mercês

Fonte: Portal Itapipoca

No que tange às regiões de praia e serra, percebeu-se uma maior exploração turístico-econômica, pois tais localidades possuem visitação de pessoas não pertencentes ao município. No entanto, ainda há diversos problemas no que se refere à falta de infraestrutura local desses pontos turísticos e de capacitação profissional, uma vez que a maior parte dos estabelecimentos está relacionada às pequenas empresas familiares, onde a mão de obra em sua maioria é informal. Nesse sentido, cabe salientar que tais regiões não percebem vantajoso investimento municipal no que diz respeito a sanar esses problemas, uma vez que, não se observou a realização de obras de infraestrutura pertinentes e nem de cursos profissionalizantes.

A região sertão, apesar de riquíssima em atrativos naturais e culturais não há exploração econômica do turismo por consequência da falta de investimentos públicos no que se refere à infraestrutura e a capacitação profissional. Assim, respondendo ao questionamento da pesquisa, ainda existem pontos turísticos não explorados no município de Itapipoca-CE, tendo em vista a falta de políticas públicas por parte do poder público, principalmente, no que se refere à infraestrutura apropriada, capacitação profissional e marketing de divulgação.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Procurou-se neste artigo analisar o potencial turístico do Município de Itapipoca-CE, levantando seus pontos turísticos e identificando as suas particularidades e atentando para os motivos da não exploração de determinados locais, o que geraria retorno financeiro para a cidade. Nesse sentido, a sede do município conta com um leque de atrativos, potencialmente, turísticos, quais sejam: as praças, as construções antigas e as festas tradicionais – a festa das flores e a festa do aniversário do município. Todos esses atrativos em conjunto, tornam a sede da cidade um grande polo de lazer e com vasto potencial turístico, entretanto, com pouca exploração. A cidade de Itapipoca se destaca por possuir um vasto potencial turístico, conhecida como a cidade dos três climas, por haver em seu território praias, serras e sertão, onde se sobressaem diversos locais ainda não explorados economicamente.  As praias de Itapipoca, exibem grandes atrativos: as paisagens estonteantes, a tranquilidade e as festas tradicionais, no entanto, ainda existem locais pouco conhecidos – as lagoas e os lençóis baleienses.  As serras com suas bicas, açudes e paisagens exuberantes possuem regiões apropriadas para prática de esportes radicais como rapel e voo livre, são exploradas, economicamente, por moradores e turistas. O sertão tem um vasto patrimônio arqueológico e paleontológico próprio para o turismo cultural, todavia, essa região não possui exploração econômica.

É notável o potencial turístico do município de Itapipoca, porém o setor apresenta algumas dificuldades, inclusive, existem pontos turísticos não explorados, economicamente, devido à falta de investimento da administração pública local na atividade.  Apesar dos benefícios trazidos pela atividade turística ao município, falta investimento no setor, por parte da administração pública municipal, no que diz respeito à infraestrutura, ao incentivo a capacitação e qualificação dos estabelecimentos e profissionais envolvidos, bem como no investimento em marketing de divulgação.

Acreditamos que o tema levantado é de extrema importância para a economia local e estadual, tendo em vista que, ao se dar uma atenção especial ao problema da falta de investimentos, isto irá suscitar a vontade de se levantar recursos para incremento dessas atividades no município. Vemos também como uma excelente oportunidade da academia, no que diz respeito da produção de material sobre o assunto e dando visibilidade à cidade. O assunto não se esgota aqui e por conta da sua abrangência, outras pesquisas poderão ser realizadas, buscando encontrar as saídas necessárias para o desenvolvimento do setor de turismo da cidade de Itapipoca, incrementando o turismo local, trazendo visibilidade ao município e gerando renda para o povo da região.

REFERÊNCIAS

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[1] Mestrando em Avaliação de Políticas Públicas (MAPP-UFC); Especialização em Educação Especial e Inclusiva (FESL), Gestão Pública (UNILAB), Gestão e Coordenação Escolar (FVJ), Psicopedagogia Institucional, Clínica e Ludopedagogia (UCAM), Gênero e Diversidade (UFC), Educação a Distância (Barão de Mauá); Educação Infantil (FLATED), Docência no Ensino Superior (FLATED), Negócios com ênfase em Gestão de Recursos Humanos (FLATED). Pós-graduando em Docência na Educação Básica (IFMG). Graduação em Pedagogia (UECE), Letras Português/Espanhol (FGD), Letras Português/Inglês (FGD).

[2] Mestre em Administração (UNIFOR). Graduação em Administração (UNIFOR).

[3] Especialista em Gestão Pública Municipal (UNILAB). Graduação em Ciências Contábeis (UFCG).

[4] Graduação em Tecnologia em hotelaria (IFCE).

[5] Mestranda em Avaliação de Políticas Públicas (UFC/CE). Graduação em Gestão de Recursos Humanos (UVA).

[6] Mestranda em Avaliação de Políticas Públicas (MAPP-UFC). Graduação em Direito (UNIFOR).

[7] Graduação em Nutrição (UNIFOR).

Enviado: Janeiro, 2020.

Aprovado: Abril, 2020.

Mestrando em Avaliação de Políticas Públicas (UFC); Especialização em Educação Especial e Inclusiva (FESL), Gestão Pública (UNILAB), Gestão e Coordenação Escolar (FVJ), Psicopedagogia Institucional, Clínica e Ludopedagogia (UCAM), Gênero e Diversidade (UFC), Educação a Distância (Barão de Mauá); Educação Infantil (FLATED), Docência no Ensino Superior (FLATED), Negócios com ênfase em Gestão de Recursos Humanos (FLATED). Pósgraduando em Docência na Educação Básica (IFMG). Graduação em Pedagogia (UECE), Letras Português/Espanhol (FGD), Letras Português/Inglês (FGD).

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