Blockchain: a revolução tecnológica e impactos para a economia

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/tecnologia/blockchain
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ARTIGO ORIGINAL

CHAGAS, Edgar Thiago de Oliveira [1]

CHAGAS, Edgar Thiago de Oliveira. Blockchain: a revolução tecnológica e impactos para a economia. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 03, Vol. 07, pp. 110-144. Março de 2019. ISSN: 2448-0959.

RESUMO

A tecnologia da Blockchain teve inicio com a introdução do Bitcoin para evitar a duplicidade de transações. Pouco tempo se passou e a referida tecnologia expandiu seus horizontes podem ser implementadas em diversas frentes. A Blockchain, como a tradução literal determina, é uma corrente de blocos, os quais guardam os mais diversos tipos de informações de forma segura, imutável e com privacidade, evitando a corrupção dos dados. Neste contexto, o presente artigo buscou elucidar o panorama das Blockchains e sua implementação nos mais diversos campos e, principalmente, no âmbito econômico, observando os impactos causados pela sua aplicação. Através de ampla análise bibliográfica, buscou-se elaborar, de modo descritivo qualitativo, o contexto atual desta tecnologia e como pode auxiliar transações futuras.

Palavras-chave: Blockchain, Economia, Segurança.

1. INTRODUÇÃO

O mundo encontra-se cada dia mais globalizado, interligado e conectado através da internet. Atualmente, é raro encontrar alguém que não tenha arquivos, fotos ou outras informações salvas na nuvem, principalmente homens de negócios. Neste sentido, é importante ressaltar a importância da segurança dessas informações dentro da rede para evitar transtornos.

O tema em questão trata de um banco de dados, uma tecnologia de registros distribuídos, abrangendo transações ou eventos que é compartilhada entre as partes através de seus dispositivos conectados.

O Blockchain é uma modalidade de registro distribuído entre diversos dispositivos conectados representando uma rede descentralizada que armazena diversas espécies de registros com uma timestamp, ou estampa de tempo e com uma assinatura digital.

Entende-se por timestamp ou marca temporal como uma cadeia de caracteres que estabelece a hora ou a data correta de quando o evento ocorreu, enquanto a assinatura digital refere-se a um método utilizado para autenticar uma autenticação de informação digital que elimina a necessidade da versão em papel do documento

O principal objetivo deste registro distribuído é fornecer um grau de segurança mais avançado àquelas informações, haja vista que há a necessidade de anuência de todos os dispositivos conectados sobre os registros armazenados. Todas as transações são avalizadas pelo consenso da maioria dos participantes do Blockchain.

Uma vez que as informações sejam inseridas, não poderão ser apagadas. Este registro distribuído possui um registro determinado e passível de verificação de todas as transações de uma única vez.

A tecnologia de Blockchain tem funcionado bem nos últimos anos e vem sendo aplicada com êxito no âmbito de aplicações financeiras ou não através do mundo e tem sido apontada como uma invenção muito relevante.

A economia digital depende de uma autoridade de confiança, de modo que as transações online dependem de confiar que a transação foi efetuada, a questão é que há uma dependência de terceiros para estabelecer a segurança e a efetividade de determinado evento, além da questão da privacidade de nossas atividades digitais. Analisando este prisma, informações gerenciadas por terceiros podem ser manipuladas, hackeadas ou apagadas. Daí mostra-se a importância do Blockchain.

Esta tecnologia pode revolucionar o mercado digital, permitindo que cada parte de determinada transação online possa verificá-la em qualquer momento futuro e sem comprometer as informações , a privacidade e os outros indivíduos envolvidos. Especialmente em transações com ativos digitais, embora o Blockchain possa abarcar qualquer tipo de informação.

O presente artigo visa esclarecer as questões que envolvem o Blockchain e como sua utilização tem revolucionado o registro de informações de forma mais segura e os impactos causados na economia com o uso desta tecnologia.

Têm-se como objetivo apontar os benefícios desta tecnologia para a economia e elucidar o quão segura é sua utilização relacionando as empresas que já aderiram ao Blockchain para salvaguardar seus registros de transações. Para tal, a metodologia utilizada abrange ampla revisão bibliográfica sobre o assunto com artigos, teses, livros e estatísticas que se relacionem com o tema a fim de exemplificar as questões em tela.

A tecnologia Blockchain ainda é pouco divulgada o que justifica o referido artigo para disseminar informações sobre este registro distribuído que pode solucionar questões envolvendo a guarda de dados com segurança.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 ASPECTOS GERAIS

No campo da economia, foco deste artigo sobre Blockchain, salienta-se que o e-commerce é uma realidade crescente. E as transações realizadas neste ambiente virtual dependem de instituições financeiras, ou seja, terceiros confiáveis para realizar os pagamentos digitais. Geralmente, este sistema funciona bem, mas pode ocorrer alguma falha, o que acarreta quebra de confiança. Segundo Nakamoto[2] “não existe mecanismo para efetuar pagamentos através de um canal de comunicação sem uma parte confiável”.

O artigo publicado por Satoshi Nakamoto[3] foi o primeiro a conceituar a tecnologia Blockchain, em 2008, associando-a a bitcoin. Atualmente, sua aplicação não se encontra ligada a esta criptomoeda, mas especialmente no âmbito econômico. Conceituou a moeda eletrônica como uma cadeia de assinaturas digitais, onde cada proprietário transfere a moeda para o próximo assinando digitalmente a transação, mas ainda seria necessário um terceiro, uma autoridade central de confiança.

Nakamoto considera que a primeira transação é a mais importante e deve ser anunciada publicamente, de modo que as outras partes deêm seu aval na ordem em que receberem, estabelecendo uma solução para evitar o recebimento duplo de determinada quantia: um servidor de timestamp, o qual irá determinar em que momento dado evento ocorreu.

Na verdade, a ideia inicial de Nakamoto, versa sobre os bitcoins, de modo a evitar a duplicidade de pagamentos. Na hipótese de moedas digitais criptografadas, como o bitcoin, o ledge registra o envio e o recebimento dessas transações.

Figura 1: Primeiro modelo de Blockchain
Fonte: Nakamoto

De acordo com o modelo de Nakamoto, cada transação deve ser verificada e avalizada pela parte antecessora, através de uma assinatura digital. Com uma tradução grosseira, Blockchain seria “cadeia de bloco”, o que remete ao modelo inicial de Nakamoto.

A tecnologia Blockchain é uma rede de blocos encadeados, seguros que requerem uma validação digital. Assim, o bloco subsequente contém a validação ou assinatura digital do bloco anterior somado ao seu conteúdo ou sua informação.

A Blockchain é especialmente conhecida como uma tecnologia para executar moedas criptografadas como o bitcoin, que até os dias atuais é o meio mais usado com esta tecnologia. O bitcoin caracteriza-se pela manutenção do valor da moeda em qualquer administração governamental no controle e é a moeda digital mais próspera usando o Blockchain.[4]

Segundo o site IHODL[5], conceitua-se Blockchain como:

Base de dados distribuída, o que significa que os dispositivos de armazenamento da base de dados não estão todos ligados a um processador comum. A mesma mantém uma lista crescente de registros ordenados, chamados “blocos”. Cada bloco tem um carimbo de data e hora e uma ligação ao bloco anterior. A criptografia garante que os usuários apenas podem editar as partes da Blockchain que “detêm” ao terem as chaves privadas necessárias para escrever no ficheiro. Também garante que a cópia da Blockchain distribuída a que todos têm acesso é mantida em sincronia.

Faz-se necessário esclarecer o significado de alguns conceitos técnicos. Hash é um termo que se refere a uma função matemática que transforma uma mensagem ou arquivo em um código com letras e números que representa as informações inseridas. O Hash reúne uma grande quantidade de informações e transforma em uma reduzida quantidade de dados. É a representação digital de um arquivo. Quando uma informação é alterada, o hash é modificado também.

O hash garante a assinatura de um determinado bloco. A criação de um novo bloco que contém o hash anterior cria um selo digital que é passível de verificação e sinaliza qualquer alteração. Tais informações ficam relacionadas no ledger como um livro-razão, uma espécie de livro contábil. Quando se armazena a hash ou impressão digital de um ativo, ao invés de armazenar o ativo digital em si, o anonimato é garantido, bem como a privacidade.

Faz-se necessário apontar como é a estrutura do Blockchain. Um bloco possui um cabeçalho que inclui o conjunto de regras para a validação que o bloco deve seguir, apontando assim sua versão; o valor do hash de 256 bits que indica qual o bloco anterior, chamado Parent block hash; o valor de hash que se refere a todas as transações daquele bloco, denominado merkle root hash; o timestamp; um alvo de hash compacto – nBits; e Nonce um campo de 4 bytes e aumenta para cada hash.

O corpo do bloco é formado por um contador de transações e por estas transações. O máximo de transações que um bloco comporta depende de seu tamanho e da dimensão de cada transação. A tecnologia Blockchain usa criptografia assimétrica para validar cada transação em um ambiente não confiável.[6]

A estrutura do bloco segue as especificações relacionadas no site Bitcoin investimento:[7]

Figura 2: Estrutura de dados de cada bloco.
Fonte: Bitcoin investimento

De acordo com Alex Braz[8], CTO da Star Labs em sua palestra na Web.br a tecnologia Blockchain é muito segura, uma vez que usa do poder de processamento para garantir que o hash de cada bloco é válido.

Em outra palestra, André Salem[9], pesquisador do IBM Blockchain, conceituou o Blockchain como a transferência de itens e valor entre os participantes, através de um ledger comum distribuído, que todos têm uma cópia e cujo conteúdo é constantemente sincronizado.

Figura 3: Funcionamento da Blockchain.
Fonte: IHODL, 2017

Mesmo que o início da tecnologia Blockchain esteja intrinsecamente ligada ao bitcoin, pode ser aplicada a qualquer transação de ativos digitais online.

No caso do bitcoin é empregada a criptografia no lugar do terceiro de confiança para que as partes executem transações no ambiente digital. Cada uma das transações é protegida através de uma assinatura digital que é remetida para a chave pública do destinatário e validada com a chave privada do remetente. Para gastar a criptomoeda o dono precisa provar a propriedade da chave privada.

Apenas no bitcoin peer-to-peer as transações são notificadas na ordem em que são geradas, havendo a necessidade de certificação daquelas que são realizadas para evitar gasto duplo, ou seja, no bitcoin não há garantia de que a ordem das transações é a correta.

A rede peer-to-peer é estrutura de computadores ou redes que compartilham eventos ou arquivos entre pares, denominados peers, sendo que todos possuem as mesmas prerrogativas e privilégios no ambiente da Blockchain, o que não ocorre em outras plataformas. Em uma rede peer-to-peer casa usuário é denominado “nó”.

Figura 4: Rede peer-to-peer.
Fonte: Silva, Alves e Fernandes

Cada um desses “nós” funciona como usuário ou servidor, possibilitando o compartilhamento de serviços e informações sem a necessidade de um servidor central. Na tecnologia Blockchain, a rede peer-to-peer é composta por vários computadores e servidores onde cada um representa um “nó” na rede. Quando uma nova informação entra na rede, ela é disseminada entre todos os nós da rede peer-to-peer, validada, criptografada e privada. Não se pode identificar quem adicionou a informação na rede, apenas validá-la.

Para evitar a duplicidade de gastos nasceu esta ferramenta, pois toda a rede Bitcoin deveria ter dados suficientes para determinar a ordem das transações e evitar a duplicidade de eventos, o que foi solucionado pelo Blockchain.

Para garantir um maior grau de segurança a tecnologia Blockchain envolve programas de computador que executam de forma automática os termos de um contrato, denominados contratos inteligentes. Na hipótese de haver uma cláusula pré-configurada neste contrato inteligente entre as entidades participantes é cumprida, as partes envolvidas podem, automaticamente, realizar pagamentos de forma segura e conforme o contrato.

Outra questão que envolve a Blockchain é a propriedade inteligente que está relacionada ao controle de uma propriedade ou ativo através desta tecnologia utilizando-se dos contratos inteligentes. Essa propriedade pode ser física ou virtual.

A tecnologia Blockchain está sendo aplicada em diversas áreas financeiras e não financeiras. Atualmente, a aplicação desta tecnologia por instituições financeiras é uma realidade e não representa uma ameaça aos modelos tradicionais e os bancos que ainda não aderiram, estão procurando oportunidades e pesquisando novas aplicações para a Blockchain. No que se refere às aplicações não financeiras desta tecnologia pode-se conceber sua utilização para provar a veracidade de documentos legais, registros de saúde, dentre outros.

Cabe salientar que a Blockchain possibilita o registro contínuo de todas as transações com equidade e de forma distribuída, ou seja, sem um terceiro certificador, o que garante independência de qualquer uma das partes, como demonstra a figura abaixo:

Figura 5: Estrutura em Blockchain para transação de ativos e dados.
Fonte: Bridge Consulting

De acordo com Camara[10], a tecnologia pessoa-para-pessoa (peer-to-peer) permite a colaboração entre pares no ambiente digital, sem intermediário ou controle centralizado, enquanto a criptografia da hash garante a confidencialidade a autenticidade dos os.

O Blockchain pode impulsionar o crescimento da economia digital, tendo em vista que a utilização da internet como meio para realizar compras, compartilhar dados pessoais e efetuar transações mostra-se cada vez mais corriqueiro.

Qualquer transação realizada na tecnologia Blockchain só é avalizada quando aquele “bloco” de transações é totalmente preenchido. Como analisado, estes blocos são selados por códigos criptografados (hash) o que torna a possibilidade de alteração dessas informações impossível garantindo que, no caso, a moeda chegue ao destino determinado; que não haja duplicidade de pagamentos e alterações nas transações já efetuadas. Estes fatores garantem a segurança na utilização do Blockchain.

Um exemplo da utilização de Blockchain é conhecido como ether, a qual é uma moeda criptografada descentralizada, que alimenta a rede Ethereum. A rede Ethereum é uma rede de Blockchain que reúne dados da execução de códigos de programação de qualquer aplicação descentralizada, que não podem ser manipuladas ou alteradas.[11]

A Ethereum criou uma plataforma que permite a qualquer um desenvolver sua própria criptomoeda e usá-la para executar e pagar por contratos inteligentes, enquanto a criptomoeda ether paga os serviços, e, deste modo, está incentivando áreas governamentais, bancos autônomos e outras transações usando contratos inteligentes.

Diversos bancos têm demonstrado interesse por esta tecnologia e pretendem implantá-la em seus processos para otimizar transferências bancárias internacionais dentro de uma mesma instituição bancária. Segundo Larghi[12], o Banco Itaú implementou o controle de margem das transações de derivados utilizando-se da tecnologia Blockchain e relata sobre os benefícios de sua utilização

A ideia de usar a ferramenta para esses ativos, segundo os executivos do banco, vem do fato de o preço dos derivativos não serem acompanhado por um regulador e não poderem ser consultados em uma clearing. Por isso, o valor que as partes transacionam é decidido por meio de uma negociação entre elas. Com a ferramenta, essa transação é fechada virtual[13]

O Banco Itaú usa um programa onde as partes podem negociar através de um chat o valor do ativo. Ao término da transação é gerado um documento digital com as informações da transação que fica armazenado no Blockchain.

Outro banco que se mostrou interessado nesta tecnologia é o Banco Santander, que busca desenvolver uma aplicação para seus correntistas em outro país consigam realizar transações entre contas através da rede de forma segura e mais rápida. A mesma tecnologia seria ofertada aos clientes locados no Brasil que tenham conta em outros países. Outras grandes instituições interessadas na aplicação da tecnologia Blockchain são o HSBC e o Bradesco.

O Bradesco busca empregar a tecnologia Blockchain para potencializar os procedimentos e oferecer soluções para reduzir os custos de processos e beneficiar os clientes finais. Para tal, grupos têm sido constituídos para avaliar como a tecnologia e Blockchain pode integrar os serviços financeiros.

Há poucos estudos sobre Blockchain que expliquem a tecnologia e a estrutura que vêm mudando as transações e quais plataformas podem ser amparadas no âmbito econômico, pois são inúmeras as aplicações a tecnologia Blockchain. Contudo, o presente artigo visa elucidar os impactos para a economia, apontando seus benefícios, bem como os pontos que carecem de maior atenção.

Grande parte das informações econômicas e sociais são digitalizadas atualmente, o que requer mais segurança para evitar o vazamento e utilização ilegal de tais dados. A tecnologia Blockchain veio para coibir a difusão dessas informações, possibilitando que os participantes do mercado avaliem as condições da transação e firmem contratos sem expor os dados velados a terceiros, o que permite que as partes confirmem a veracidade das informações, sem acesso a registros anteriores.[14]

A tecnologia Blockchain proporciona a certificação de características da transação de modo a preservar a privacidade. Neste sentido, a digitalização reduziu os custos de verificação de diversos tipos de transações a quase zero.

Um Blockchain como o Bitcoin pode ser utilizado para averiguar a propriedade e as trocas na criptomoeda. A implementação da Blockchain precisa de uma infraestrutura de computação para proteger transações e ampliar seu livro-razão, uma pequena exigência em comparação aos custos de mão-de-obra e capital envolvidos nas transações com infraestrutura financeira tradicional.

Outras plataformas intermediárias possuem acesso a todas as informações de transações e acumulam poder de mercado, o que não ocorre com sistemas baseados na tecnologia Blockchain, o qual garante maior nível de concorrência para diversos tipos de serviços.

Quando há uma transação econômica, esta vem acompanhada de algumas características básicas, quais sejam: a transação, quando ocorreu, informação sobre as partes envolvidas e suas credenciais, dentre outras informações que fundamentam a execução de ações subsequentes.

Entretanto, alguns eventos podem solicitar uma verificação adicional, como por exemplo, uma auditoria que pode requerer dados dos participantes do mercado, para realizar um processo baseado no caso de exceção. Tais processos são onerosos e podem exigir que um terceiro mediador entre comprador e vendedor.

Figura 6: Custos de Blockchain em comparação com intermediários. Fonte: Elaborado pelo autor

Entende-se que o Blockchain altera esse fluxo facilitando a verificação do problema sem maiores custos. Os atributos das informações sobre as partes envolvidas são armazenadas em um distributed ledger podendo ser acessadas em tempo real pelos participantes do mercado, de modo que a confiança é depositada no código subjacente e nas regras contratuais pactuadas. Tais regras definem como essa rede distribuída pode avaliar, regularmente, o estado das informações compartilhadas que precisa manter para que o mercado opere corretamente.[15]

Essas informações compartilhadas podem conter transações passadas e pendentes em um token criptográfico adjacente. Em plataformas avançadas, tais dados também podem ocultar o código e as informações necessárias para executar uma operação específica, como uma verificação das cláusulas contratuais, conhecidas como contratos inteligentes[16].

Os efeitos causados pela introdução da tecnologia Blockchain e a consequente redução de custos em serviços de verificação foram notórios pela intensiva margem de produção e para ativos digitais, onde antigos investidores moveram as transações existentes para sistemas baseados em Blockchain para reduzir os custos de operação.

O Ripple, sistema de liquidação bruta em tempo real, câmbio de moeda e rede de remessa, utiliza essa tecnologia para possibilitar pagamentos entre países de maneira mais barata que em moeda fiduciária entre bancos existentes.[17]

Ativos e cadeias digitais vêm utilizando a mesma estratégia para proporcionar negócios mais eficazes de ativos financeiros, dentre eles a Western Union investiu no espaço para reduzir custos no mercado de remessas. Abra e Circle utilizam essa tecnologia para pagamentos globais peer-to-peer em moedas fiduciárias, enquanto a NASDAQ implantou uma solução para observar a imparcialidade em empresas de capital fechado[18].

A implementação de Blockchain para a redução dos custos de verificação agregam valor às cadeias de valor existentes, reduzindo o custo de liquidação e conciliação de transações.

Além disso, embora muitas etapas de verificação tenham seus preços reduzidos pela extrema competição, intermediários ainda participam para proporcionar um ambiente amigável ao usuário, gerenciando casos específicos que solicitam formas de verificação off-line intensivas, o que explica a difusão lenta na aplicação desta tecnologia, haja vista que a verificação de atributos digitais pode ser aplicada através de um Blockchain, mas o mapeamento inicial de instituições off-line e suas representações digitais são atividades caras para iniciar e manter.

Verifica-se, portanto, que os custos de verificação caem, em contrapartida a tecnologia Blockchain se torna mais valiosa. A Blockchain pode ser utilizada para liquidar negócios de bens digitais escassos e autossuficientes dentro de uma plataforma. A concordância com as regras estabelecidas no código definem como os tokens são obtidos e como a rede alcança o aval sobre o verdadeiro estado de propriedade dos tokens ao longo do tempo.

O custo da verificação dos atributos de transação e aplicação de contratos simples para tokens independentes é praticamente nulo, o que possibilita que o valor seja transferido através do Bitcoin por um curto muito baixo.

A conformidade com as regras Know-Your-Customer e Anti-Money Laundering pode requerer que indivíduos e empresas mantenham custos adicionais para vincular suas identidades creditícias off-line com seus Bitcoins, mas julgando que os indivíduos acordem que o token subjacente tem valor, mostra-se como um meio de troca extremamente barato[19].

Assim, um token criptográfico pode ser usado para facilitar transações de baixo custo de recursos digitais como computação, no caso da Ethereum, armazenamento de dados, como na Filecoin ou largura de banda ou eletricidade, como na verificação de atributos de transações.

Em contrapartida, quando as entradas em um distribuited ledger são representações digitais de identidades, produtos, serviços e transações relacionadas, a verificação com custos reduzidos é mais difícil.

Nesta hipótese, a diminuição no custo de verificação é secundária na manutenção de um link confiável entre eventos off-line e seu registro on-line. Este link é mais barato estabelecer quando os atributos off-line são fáceis de capturar e caros para alterar ou falsificar, diga-se, no caso de diamantes, Everledger usa as propriedades físicas das gemas como uma impressão digital que pode ser gravada e rastreada em um Blockchain, identificando os produtos e sua localização na cadeia de suprimentos evitando a falsificação[20].

A manutenção de um link robusto entre off-line de eventos e registros distribuídos ainda é caro e pode exigir vários intermediários confiáveis de várias partes para definir as regras para entrada e compartilhamento seguro de dados. Na ausência de um link com registros off-line e eventos online, os dados assimétricos e o risco moral ainda serão um problema.

De acordo com Tapscott, a tecnologia a Blockchain permite transacionar tudo, o que a torna parte da “internet de valor”, possibilitando a negociação de variados itens sem intermediários e sem tarifas. A alteração da forma com os negócios têm sido realizados ao longo dos séculos exerce impactos na economia[21].

As transações internacionais crescem com o fenômeno da globalização. Através da Blockchain é possível enviar valores sem possibilidade de fraude, e sem taxa de câmbio. A segurança fica a cargo da criptografia, gerando um protocolo de confiança na rede.

O autor relata ainda que diversas empresas estão apostando nessa tecnologia em torno das criptomoedas. Empresas como a Kodak desejam lançar sua criptomoeda para a remuneração de profissionais de imagem. A aplicação desta tecnologia e dos Smart Contracts inerentes a ela permitem a gravação dos registros e transações de forma mais ágil e torna a propriedade intelectual mais líquida[22].

Em outros países, a tecnologia Blockchain tem sido aplicada em diversas frentes. Na Holanda, algumas cidades criaram aplicativos desenvolvidos em Blockchain para administrar contratos imobiliários, enquanto nos Estados Unidos, o serviço postal trabalha com Blockchain desenvolvendo uma ferramenta para monitorar suas entregas.

2.2 ASPECTOS JURÍDICOS

Questiona-se sobre o impacto da Blockchain no desenvolvimento do país e como seria sua regulamentação. Vale realizar um breve apanhado sobre a tecnologia Blockchain no ambiente jurídico. De acordo com Mckinsey[23] esta tecnologia pode provocar mudanças em diversos setores econômicos, tornando-os mais democráticos, seguros, transparentes e eficazes.

Neste sentido, Vieira, Marinho e Casais, levantam a questão sobre as soluções jurídicas pertinentes quando houver uma execução forçada em caso de conflito sobre os direitos e obrigações originados a partir de registros no Blockchain[24]

Os referidos autores salientam que as partes devem, inicialmente reconhecer que há uma transação concebida e gerenciada pela Blockchain, caso contrário as partes teriam apenas “uma ilusão de direitos e deveres”. A solução determinada através de Smart Contracts no âmbito da tecnologia Blockchain, deve ser reconhecida pela legislação[25].

Os registros em Blockchain podem servir de prova para os negócios que não dependam de instrumento público ou outra formalidade requerida por lei. Entretanto, quando forem requeridas solenidades para a validade ou eficácia, tais registros são questionáveis.

Segundo o Art. 406 do Código de Processo Civil quando a lei solicitar instrumento público como comprovação do ato, nenhuma outra prova poderá suprir-lhe a falta. Vieira, Marinho e Casais apontam que a legislação deve atualizar-se em prol das novas tecnologias[26].

Outras questões legais envolvem a Blockchain na área jurídica. A ata notarial é um instrumento emitido pelo cartório com fé pública, constatando os fatos e comprovando sua existência, onde o cartório garante a certificação.

Verifica-se que a Blockchain, apenas não possuiu a fé pública, mas é capaz de fornecer um registro imutável com timestamp e com a possibilidade de verificação da autenticidade do conteúdo. Outro benefício dessa utilização na realização de atos pelos particulares seria a redução dos custos e possibilidade de falha e motivações pessoais.

Quanto ao ato produzido pelo cartório na Blockchain, na sua lavratura de maneira pública e criptografada, todos poderão acessar os atos de forma online. Com relação ao conteúdo do ato de forma descriptografada e transparente, somente as partes terão acesso, garantindo a privacidade das informações[27].

Quanto à realização de contratos na Blockchain, sua infraestrutura permite a elaboração de uma certificação digital com chaves de acesso e homologações que garantem a imparcialidade e a autenticidade de manifestações de vontade. A Blockchain pode reduzir as etapas para a execução dos Smart Contracts, haja vista a conexão relacionada a validade da transação anterior, seja na análise contratual ou sua validação por certificado digital.

Ademais, o tempo de negociação seria reduzido, pois as partes teriam acesso a uma cópia imutável do acordo e o contrato teria execução imediata após a concordância um sua atuação no processo.

Abreu[28] relata também a importância da Blockchain como uma testemunha eletrônica, haja vista que esta tecnologia pode certificar atos judiciais. Atualmente, na esfera tributária, a comprovação de entrega das declarações nas esferas federal, estaduais e municipais no sistema das Secretarias de Fazenda. Esta tecnologia pode comprovar a regularidade das transações e o cumprimento de obrigações acessórias.

No que tange a propriedade intelectual, o registro e validade da transação pode constituir prova de direito autoral, o qual é criado pela Fundação Biblioteca Nacional e Escola de Belas Artes, contendo os requisitos de identificação do autor.

Por outro lado, o Governo Brasileiro vem estudando a possibilidade de incluir os dados do Governo Federal sob os cuidados da tecnologia Blockchain, como relatado pelo Tribunal de Contas da União, no processo nº TC 033.619/2016-6.

GRUPO I – CLASSE II – Plenário TC 033.619/2016-6 Natureza: Solicitação do Congresso Nacional Órgãos/Entidades: Banco Central do Brasil; Secretaria do Tesouro Nacional Interessados: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (33.657.248/0001-89); Ministério da Fazenda; Procuradoria geral da Fazenda Nacional (00.394.460/0216-53) Representação legal: Bernardo Faustino Clarkson e outros, representando Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social; Dilmar Ramos Pereira, representando Banco Central do Brasil; Francisco Eduardo de Holanda Bessa, representando Ministério da Fazenda. SUMÁRIO: SOLICITAÇÃO DO CONGRESSO NACIONAL. REQUERIMENTO DE FISCALIZAÇÃO SOBRE A DÍVIDA PÚBLICA INTERNA FEDERAL. AUDITORIA. DETERMINAÇÕES E RECOMENDAÇÕES AOS ÓRGÃOS GESTORES DA DÍVIDA PÚBLICA. CIÊNCIA AO CONGRESSO NACIONAL. ARQUIVAMENTO.

. Informaram que há estudos no Congresso, no Bacen e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre o ambiente regulatório para aplicação do Blockchain, considerado, ainda, insipiente o modelo no Brasil. A empresa de processamento de dados do Governo Federal (Serpro) lançou recentemente a plataforma Blockchain segundo informações divulgadas no site da empresa. Sabe-se que a necessidade de manter o sigilo sobre dados dos clientes é um dos maiores desafios para a tecnologia Blockchain ser adotada pelo mercado financeiro de Wall Street[29]

Tais aplicações estão emergindo no campo do direito de modo que a Blockchain ainda é uma novidade nesta área, mas de certo os benefícios seriam inúmeros. Neste contexto, Tapscott[30], considera que os Governos podem atuar como reguladores da Blockchain delimitando sua atuação e prejudicando seu desenvolvimento como ocorreu recentemente na Coreia, que restringiu os negócios com Bitcoin.

Segundo Tapscott[31], limitar este tipo de inovação pode prejudicar economia por anos, pois os investidores achariam outros meios de negociar moedas virtuais e realizar suas transações.

2.3 ASPECTOS ECONÔMICOS

No âmbito nacional, a economia é baseada em commodities agropecuárias e minerais e a implementação da Blockchain poderá inseri-lo nas cadeias de suprimentos globais, tornando a produção mensurável, controlável e rastreável e cada unidade da commodity será identificada[32].

De acordo com um relatório da IBM[33], divulgado em 2016 o mercado financeiro e bancário estão adotando essa tecnologia de forma muito rápida e tentando adaptá-la aos negócios. Acredita-se que em 2020, 66% dos bancos usarão Blockchain em escala comercial.

Apesar de esta tecnologia impactar todos os setores da economia, o setor mais afetado é o mercado de ação, mas sem grandes mudanças de curto prazo. Um relatório elaborado pela empresa GreySpark Partners[34], em 2016, aponta que a disrupção ocorrerá num período de 10 anos, através da redefinição de todos os processos.

A diminuição dos custos de negociação e segurança beneficiará os usuários e proporcionará um aumento nas transações e dentro do mercado de ações, os processos de validação das transações serão os mais impactados. O processo de pós-transação ainda é manual e reduz a lucratividade das organizações. A tecnologia de Blockchain permite a redução da vida dos processos pós-transação, o que diminuirá os riscos para as partes envolvidas nas transações.

A questão da centralização mostra-se como princípio de organização para a economia, bem como para a sociedade, que funciona de forma eficaz quando os custos de transação são elevados. Desse modo, a Blockchain tem a capacidade de democratizar o setor econômico, reduzindo custos para criar e gerenciar uma plataforma online.

As transações submetem-se aos contratos inteligentes ou podem ser realizadas com um custo menor por pequenos fornecedores, o que facilita o surgimento de novos modelos de organizações descentralizadas. Sem diretores ou hierarquia, com administração coletiva pelas partes que cooperam com a tecnologia Blockchain.

Sem intermediário, o valor produzido nessas plataformas pode ser distribuído de modo mais justo entre aqueles que colaboraram para a sua criação. Um exemplo a ser citado de economia compartilhada é a La’zooz[35], um aplicativo baseado em Blockchain, gerenciado pelo código implantado e projetado para administrar interações entre motoristas e usuários, recompensando os motoristas que colaboram com a plataforma através de tokens.

Nesse sentido, a economia brasileira capitalista requer uma abordagem de fluxo de caixa, com posições ativas e passivas. Esta economia precisa de um sistema de balanços relacionados entre si, com a moeda fiduciária, bem como com a moeda bancária constituindo o cerne do sistema de pagamentos contemporâneo[36].

No sistema monetário moderno, as moedas brasileiras são moedas estatais fiduciárias, que tem seu valor garantido pela autoridade estatal emissora e aceitas pelos cidadãos e empresas compulsoriamente no território nacional.

Ademais, são a única forma de pagamento de impostos aceita pelo Estado e pelo Banco Central para o quadro das posições dos bancos. O capitalismo moderno requer uma moeda global por excelência, atualmente o dólar americano.[37]

Verifica-se que as moedas nacionais estão se tornando basicamente fiduciárias, utilizadas devido a confiança de sua aceitabilidade pelo governo para o pagamento de taxas, o que garante sua demanda. Questiona-se, então, o que pode ocorrer quando a população creditar confiança no sistema digital de Blockchain permitindo a redução de custos e a liberdade de transação online.

O sistema bancário, liderado por grandes bancos internacionais, demonstra os impactos provocados pela implementação da tecnologia Blockchain, de forma que tais instituições têm atuado ativamente nessa esfera[38].

Segundo Morgan[39], os impactos da Blockchain são decorrentes de compartilhadas e protegidas a partir de um padrão comum, baixa taxa de falhas e transferência contínua de ativos digitais, mostrando-se bastante funcional para o sistema financeiro moderno, que é centralizado.

Além dos efeitos positivos e iminentes sobre o BackOffice e o processo interno dessas entidades, a Blockchain possui a possibilitar a transferência de dados em alta velocidade, proporcionando flexibilidade na liquidação de contratos, viabilizando a precificação e oferta de serviços inovadores.

O conceito da Blockchain, inicialmente, afetou os serviços financeiros, com capital de risco e investimentos e atingindo para as startups tecnológicas. Entretanto, acredita-se que sua aplicação em sistemas e processos dos serviços financeiros e bancários hoje torna-se cada dia mais ampla e real, contrariando opiniões sobre sua vulnerabilidade.

Os investimentos em startups que utilizam a tecnologia Blockchain aumentaram, principalmente nas Fintechs (startups que trabalham para inovar e otimizar serviços do Sistema financeiro).[40]

Os grandes bancos internacionais estão observando a associação entre peer-to-peer, criptografia assimétrica e hashing criptográfico, proveniente do bitcoin. Contudo, nessas entidades, essa tecnologia tem sido desenvolvida e implementada dentro de uma regulamentação do Estado, pois possibilita a descentralização da confiança das partes e um sistema de processamento de informações hábil a propiciar milhões de transação ao mesmo tempo[41].

A Blockchain tem a capacidade de possibilitar a redução do risco, atribuir cálculo real do risco do ativo e, garantir uma precificação mais precisa dos ativos, além de proporcionar um melhor posicionamento de produtos e serviços financeiros, bem como promover um sistema mais eficaz de gerenciamento de ativos.

Entende-se que a utilização da Blockchain pode permitir um uso mais eficaz dos recursos, com maior celeridade nas transações e custos reduzidos de produtos e serviços financeiros oferecidos pelos bancos e do sistema financeiro.

Morgan[42] declara que o impacto da Blockchain pode reorganizar estrutura do mercado, a experiência do cliente e a capacidade do produto, além de influenciar o sistema econômico mundial de forma duradoura, o que demonstra que tal tecnologia está além das criptomoedas, sendo implementada em diversas instituições da ordem monetária atual.

Diversos bancos internacionais uniram-se ao banco de investimentos UBS para gerar uma moeda virtual para nivelar e liquidar transações financeiras, buscando superar as questões que envolvem a Blockchain, promovendo o diálogo entre bancos centrais e agências reguladoras sobre o assunto[43].

Procura-se com esta iniciativa tornar os mercados financeiros mais eficazes, além de reduzir os riscos, acelerar os sistemas de liquidação de BackOffice, liberar capital para operações financeiras internacionais.

Esta moeda de liquidação tem como finalidade possibilitar que comunidades financeiras realizem pagamentos entre si ou adquiram instrumentos financeiros de forma mais célere com moedas digitais, conversíveis em dinheiro nos bancos centrais reduzindo o tempo pós-transação.

As moedas digitais, conversíveis em diferentes países, seriam reunidas usando o Blockchain, um sistema contábil de distributed ledge, possibilitando a troca rápida por instrumentos financeiros negociados.

De acordo com Morgan[44], a tecnologia Blockchain pode proporcionar uma reestruturação do sistema financeiro, tornando as transações menos onerosas e mais simples, garantindo também, maior controle e privacidade sobre as transações financeiras aos usuários.

Do mesmo modo, pode motivar a elaboração de ferramentas melhores de monitoramento e proteção aos agentes reguladores. Salienta-se que há dificuldades técnicas, legais e regulatórias da tecnologia Blockchain, sendo questionável sua velocidade, escala e, principalmente, segurança.

Por fim, cabe salientar que a moeda digital baseada na tecnologia Blockchain deve ser utilizada pelas instituições financeiras para transacionar diretamente entre si, para contornar o processo tradicional de liquidações e reduzir o tempo e o custo de liquidação e pós-negociação.

2.4 VANTAGENS E DESVANTAGENS DA BLOCKCHAIN

Nota-se que são inúmeras as aplicações e vantagens na utilização da tecnologia Blockchain, dentre as quais podemos destacar:

  • A eliminação do terceiro intermediário na realização de transações, haja vista que com a Blockchain, as partes envolvidas podem realizar a troca sem intermediários que supervisionam o evento, diminuindo os riscos de inadimplemento das partes.
  • Qualidade dos dados e informações, pois a autenticidade das transações é verificada quando há o fechamento de cada bloco. Na hipótese da transação não se concretizar, ela não será adicionada a determinado bloco. Conclui-se que as informações contidas em cada bloco e ao longo da Blockchain são consistentes, datados e verossímeis, o que garante o alto grau de qualidade dos dados.

Outro ponto relevante versa sobre a durabilidade e a confiabilidade desta tecnologia, considerando-se que a rede é descentralizada, seguindo a concepção peer-to-peer, de modo que a Blockchain não tem um ponto central. Quando houver uma falha no sistema, ou mesmo que este seja hackeado, a descentralização auxilia na proteção do sistema, devido a fala de um ponto central. A cada “peer” possui uma cópia dos dados o que impede que eles se percam.

A integridade do processo é mais uma vantagem do sistema de Blockchain. Os usuários têm a garantia de que as transações serão efetuadas de acordo com os termos propostos, caso contrário o evento não será validado. A transparência, a imutabilidade e a publicidade relacionadas principalmente às Blockchain públicas é apontado como outro fator relevante para a transparência das transações.

O processo de compactar todas as informações demonstra a simplicidade de reunir em um único livro-razão público todas as transações efetuadas, bem como a redução do custo por transação. Sem a intervenção de terceiros, as despesas relacionadas a troca e bens diminui.

A utilização da tecnologia Blockchain também apresenta benéficos para o meio ambiente, pois reduz o número de impressões de documentos e de espaços destinados para arquivos. Todo documento ou bem pode ser guardado ou reduzido na forma de código e referenciado no livro-razão, demonstrando que a tecnologia Blockchain tem aplicações amplas.

Outras aplicações vantajosas com a implementação da Blockchain são:

  • Criação de marketplaces distribuídos e autônomos: De acordo com Zacho[45], marketplace é como um shopping virtual, que reúne diversas marcas e lojas em um só lugar. Assim, o Blockchain garante a transferência de ativos de forma segura, privada, autorregulada e com celeridade, permitindo a flexibilidade ao caixa e gerenciamento de ativos.

Reitera-se que a tecnologia Blockchain não precisa de terceiros intermediários e, portanto, se uma empresa disponibilizar itens de valor para potenciais compradores, com a garantia da autenticidade, a relação mostra-se positiva através da concorrência aberta e melhores ofertas.[46]

  • Transações comerciais facilitadas: Com a aplicação desta tecnologia, o gerenciamento de gastos torna-se mais fácil, tendo em vista que proporciona que as empresas criem uma rede autônoma de fornecedores e parceiros, automatizando os contratos e acompanhando toda a cadeia de suprimentos.[47] Ademais, com a redução de interações humanas, a Blockchain reduz os erros de transação ou a falta de informações, implementando agilidade entre as partes.
  • Administrar e garantir registros privados descentralizados: Cada registro é criptografado individualmente e requer uma chave de acesso personalizada, o que garante dados com total segurança, inclusive em instituições educacionais e nas empresas no setor de Recursos Humanos, sem a preocupação com a possibilidade de falsificação.[48]
  • Acompanhar a procedência de produtos e materiais: a Blockchain pode assegura a qualidade e a segurança de determinado produto e o rastreamento de seus insumos.[49]

Segundo Gomes[50], observando sob uma visão social, utilizar a tecnologia Blockchain permite dentre as vantagens já descritas a auto-soberania, que permite aos usuários identificarem, ao mesmo tempo, e controlar o armazenamento e o gerenciamento de seus dados pessoais.

Mais uma vantagem inerente a tecnologia Blockchain é a velocidade no envio de valores, haja vista que algumas instituições financeiras demoram dias para realizar uma transferência bancária e não funciona nos finais de semana. Em se tratando de transações internacionais, fuso horário interfere. Com a aplicação da Blockchain, as transações podem ser realizadas 24 horas por dia, todos os dias, para qualquer localidade e com confirmação de envio imediata. A questão da segurança é o que mais aflige os interessados na tecnologia Blockchain e sua aplicação nos negócios. De acordo com Madeira[51] há diferença entre as redes públicas, denominadas permisionless das redes privadas, chamadas de permissioned.

No caso de redes privadas, onde as partes se conhecem, a segurança é determinada pela estrutura de nós da rede peer-to-peer. O ledger reúne as transações autorizadas sob a validação conjunta dos membros. Cada nó possui uma cópia exata do ledger, que é atualizado constantemente, e os operadores do Blockchain privado controlam quem pode executar o que em cada peer e nas conexões entre eles. Para validar um nó ativo, este deverá manter um número determinado de conexões ativas.

Assim, um nó que se mostra falho na transmissão de informações, deve ser identificado e cingido para manter a integridade do sistema. Para não travar o sistema, são aplicadas políticas de alta disponibilidade de operação consensual. O proof-of-work é uma validação prévia à permissão de criação de um novo bloco, o que aumenta a segurança e a confiabilidade dos processos.

No caso das redes públicas, a validação dos membros, conhecida como consenso, ocorrem em lapsos de 10 minutos, tempo médio para a escolha de um nó como líder validador para realizar a atualização do ledger, prática conhecida como mineração. Após algumas horas as transações são consideradas seguras neste ambiente. Neste ínterim, a transação pode ser invalidada após nova atualização, operação conhecida como fork. Para as transações mais antigas do ledger, realizar um fork solicitaria altos custos de equipamentos e ocasionaria dualidade de transações.

Devido a necessidade de mineração em redes públicas, considera-se que o percentual de segurança não atinge os 100%, mas a aplicação de diferentes estratégias de algoritmos consensuais poderia determinar quem investe o maior número de bens na Blockchain, como o minerador do proporcional investido.[52]

Cabe também ressaltar os desafios que a aplicação da tecnologia Blockchain pode enfrentar, quais sejam:

  • A Velocidade dos mineradores, os quais buscam verificar com agilidade às transações e as informações inseridas na Blockchain, o que requer equipamentos onerosos e rendimentos.
  • Regulação pelos Estados: entende-se que há um certo receio sobre a regulamentação desta tecnologia, principalmente em relação as criptomoedas que estão na Blockchain como o bitcoin. As instituições financeiras e do próprio Estado tem perder espaço no mercado, ocasionando uma instabilidade econômica e política.
  • Consumo de energia: Os mineradores da Blockchain gastam tempo e muitos recursos computacionais para validar transações.
  • Controle, segurança e privacidade: Sem a regulamentação estatal, não há controle ou segurança no compartilhamento de dados, mesmo com os smart contracts, pois contratos podem ser violados e, como observado, a justiça está iniciando no caminho desta tecnologia.
  • Integração: A tecnologia Blockchain ainda é inovadora e pouco utilizada e a criação de uma rede depende da aceitação das empresas para desenvolver estratégias internas para, enfim, aplicar esta tecnologia em larga escala. Neste contexto, sua abrangência deve ser mais extensa para considerar a Blockchain como uma rede efetivamente descentralizada.
  • Custo: O preço e o tempo das transações é reduzido. Em contrapartida os custos de capital inicial para sua aplicação são muito altos.
  • Complexa aplicação: Sua aplicação carece da reunião de diversos projetos o que pode ser uma tarefa difícil.

De acordo com Lamonier[53], em 2018, 23% das empresas tinham a intenção de implementar a tecnologia Blockchain em seu negócio. Dentre elas, instituições financeiras apresentavam maior percentual, enquanto 43% das empresas estavam interessadas, mas sem estudar sobre o assunto. A implementação da Blockchain requer mais investigação, mas tem o potencial de operar grandes indústrias e transformar a economia.

Dos passos demonstrados na figura a seguir sobre a implementação de uma Blockchain, vale esclarecer o conceito de POC – Proof of Concept que é um termo utilizado quando a Blockchain está em teste. Lamonier[54] esclarece que muitas empresas estão dispostas a investir em provas de conceito para esta tecnologia e esclarece que uma recente pesquisa, apontou de 66% dos experts de TI, e os CEOs acreditam que a Blockchain será a próxima revolução digital.

Figura: Implementação da Blockchain.
Fonte: Lamounier, 2018

Neste contexto, o sistema bancário é o setor com maior número de implementações da tecnologia Blockchain com êxito, de modo que as novas empresas que utilizam a segurança da Blockchain conseguem atrair os investimentos dos bancos tradicionais, dos quais alguns já estão se adaptando a esta tecnologia.

Sua aplicação neste campo permite que os serviços financeiros tenham maior exatidão e segurança em suas transações financeiras, o que garante um serviço melhor aos seus clientes dentro e fora do país com grande agilidade.

No âmbito dos serviços bancários podem-se citar como benefícios os custos reduzidos, tempo de liquidação mais curto; melhor qualidade dos dados; auditoria fácil e transparente, além de maior segurança.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A tecnologia Blockchain é mais conhecida por dar suporte ao Bitcoin, contudo apresenta diversas aplicações nos dias atuais. Esta tecnologia representa um registro permanente distribuído entre as partes envolvidas o que demonstra uma medida de segurança baseada na descentralização das informações, principalmente voltada para o mercado financeiro. Sua abrangência se expandiu para a guarda de qualquer tipo de documento.

Uma das grandes vantagens da utilização da Blockchain é a globalização, pois não há interferência de fatores externos como dados, capital ou mesmo o governo. Sua tecnologia reside na guarda dos registros de transações, principalmente transações econômicas, guardadas num bloco com um número de identificação, conhecido como hash. Quando o bloco está cheio, ele é selado com a hash, determinando que as transações daquele bloco são válidas e imodificáveis, iniciando-se assim um novo bloco.

Esta tecnologia permite que as partes envolvidas, empresas ou indivíduos, criem contratos, façam transações e movimentem valores sem depender de intermediários para garantir o evento e estabelecer os negócios de acordo com as normas comerciais.

Verifica-se que os bancos têm estudado a implementação da Blockchain em suas transações visando reduzir os custos e agilizando o processo de liquidez. Dinheiro, ações, títulos, títulos, ações, contratos e todos os tipos de ativos podem ser movimentados e armazenados de forma segura, privada e de peer to peer, nesta tecnologia.

A redução de custos e falhas mostram-se como os pontos principais que tem levado as instituições financeiras, empresas de auditoria e bancos a investir em soluções com Blockchains, haja vista que intermediários financeiros custam muito para suas próprias operações.

Os estudos realizados por empresas inovadoras na área de Blockchain, com certeza podem reduzir os riscos do processo de aplicação da Blockchain no ambiente financeiro. A diminuição de custos entre todos os atores da economia possibilitaria através da rede peer-to-peer uma colaboração em massa que influenciaria nossas formas de organização existente.

O aumento das transações online requer maior segurança dos dados que pode ser fornecida por esta tecnologia. Apesar de seu caráter inovador, acredita-se que a Blockchain apresenta um grau de segurança aceitável para resguardar dados, documentos e principalmente registros de transações financeiras com segurança.

Os impactos da Blockchain na relação do consumidor com as instituições financeiras podem ser observados através alteração de foco das instituições, pois o potencial disruptivo é maior do que se esperava no âmbito econômico, financeiro e no social. A regulamentação das Blockchains é necessária para assegurar as relações jurídicas estabelecidas em seu interior, mas também pode permitir que o governo limite as atribuições desta tecnologia.

Entende-se que a tecnologia Blockchain ainda precisa crescer muito e ganhar credibilidade frente a este novo mercado virtual. Neste contexto, novas pesquisas devem ser realizadas para agregar valor a Blockchain e garantir sua credibilidade, aumentando a rede e impactando de forma benéfica na economia do país.

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3. Idem

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9. Idem

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15. Idem

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25. Idem

26. Idem

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28. Idem

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30. MOURA, Marcelo. op. cit.

31. Idem

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42. MORGAN, J. P; WYMAN, Oliver. op. cit.

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44. MORGAN, J. P; WYMAN, Oliver. op. cit.

45. ZACHO, Ricardo. O que é Marketplace? – veja as vantagens e desvantagens Disponível em: https://www.ecommercebrasil.com.br/artigos/marketplace-vantagens-e-desvantagens/

46. ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE. Quatro vantagens do Blockchain para empresas. Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2017/12/quatro-vantagens-do-Blockchain-para-empresas.html

47. Idem

48. Idem

49. Idem

50. GOMES, Ezequiel. As Principais vantagens da tecnologia Blockchain. Guia do Bitcoin. Disponível em: https://guiadobitcoin.com.br/as-principais-vantagens-da-tecnologia-Blockchain/

51. MADEIRA, Bernardo. Blockchain é seguro. 2018. Disponível em: https://portaldobitcoin.com/o-Blockchain-e-seguro/

52. Idem

53. LAMOUNIER, Lucas. Guia de implementação para criar seu negócio na Blockchain. 101 Blockchains. Disponível em: https://101Blockchains.com/pt/Blockchain-implementacao/

54. Idem

[1] Bachelor of Business Administration, Trader Professional.

Enviado: Março, 2019.

Aprovado: Março, 2019.

30 COMENTÁRIOS

  1. Edgar,

    Ótimo Artigo. Vejo que tudo estará conectado em rede, o blockchain é o ambiente que nasce para processar e validar os trilhões de dados que serão produzidos por segundo. Estamos caminhando para um futuro onde cada indivíduo será um bloco nesta cadeia, capaz de transacionar com mais liberdade e com mais justiça.

    Parabéns!

  2. Estamos em meio a tecnologias que são e serão diferenciais de grande relevância. Blockchain associada a Inteligência Artificial e outras tecnologias vão mudar a percepção de tudo que vemos hoje em dia.
    Excelente abordagem, Edgar.

  3. Blockchain, aos poucos está se tornando uma revolução nos mercados. Tecnologia de ponta e as grandes empresas estão aderindo para serem diferencial no mercado. Além das empresas de Tecnologias que estão entrando em massa, temos o Santander que largou na frente de todos os bancos.
    Edgar, parabéns!

  4. Eu fiquei impressionado com o conteúdo. Eu tinha pouca noção da matéria, mas, esse artigo esclarece e explica de forma clara e construtiva, desenvolvendo bem cada etapa de forma excepcional. Parabéns ao Sr. Edgar, nós leitores só temos a agradecer pelo compartilhamento de tanta informação produtiva. Sem dúvida o melhor artigo que já li. Vai servir de instrumento de estudo, legal quando alguém compartilha todo esse conhecimento, temos a obrigação de agregar por ajudar tanto a todos . Parabéns de verdade ! Show ! 👏👏👏

  5. Edgar, mais um artigo com excelente abordagem e compreensível. Você nos trouxe em seus dois artigos, assuntos que estão movimento todo o cenário econômico e tenho certeza que a blockchain já é uma revolução tecnológica. Continue nos agraciando com seus conhecimentos.
    Parabéns.

  6. Sensacional o Artigo. Sua base referencial foi muito boa. Assunto muito relevante. Aguardo pelas próximas publicações.

  7. Olha Edgar, estou aprofundando cada vez mais nestas novas tecnologias e blockchain tem sido uma das principais. Vejo mercado aquecendo muito nesta direção. Achei super interessante o seu artigo. Parabéns!

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