A Atuação do Shiatsu na Síndrome do Pânico

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ALMEIDA, Emanoelle [1], FIORAMONTE, Gisele [2] , PADILHA, Evandro [3], SCATOLIN, Henrique Guilherme [4]

ALMEIDA, Emanuelle; et. al. A atuação do Shiatsu na Síndrome do Pânico. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 01, Vol. 01, pp. 38- 55, Janeiro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

A síndrome do pânico é uma psicopatologia que consiste em ataques de pânico repentinos sucessivos ou não em que o indivíduo se sente em situação de risco de vida e se encontra na necessidade de fugir. O tratamento convencional baseia-se em psicofármacos e psicoterapia. Dessa forma, o shiatsu visa a promoção da saúde do indivíduo através de um tratamento integral porque melhora os sintomas da síndrome através do reequilíbrio energético e fisiológico. O objetivo do trabalho é relatar a eficácia do shiatsu nos sintomas da síndrome do pânico, indicando-o como uma possível terapia complementar ao tratamento convencional da psicopatologia. Foi realizada uma revisão de literatura com buscas em livros publicados entre os anos de 1973 a 2016, monografias entre os anos de 2008 a 2010, dissertação do ano de 2002, tese do ano de 2008, e em bases de dados bibliográficos como Scielo e Google Acadêmico, pesquisando artigos em português publicados entre os anos de 1997 a 2015, utilizando-se os termos a caixa de pandora, acupuntura, cloridrato de clomipramina, fluoxetina, fobia e síndrome do pânico, medicina tradicional chinesa, neurose de angústia e transtorno do pânico, práticas integrativas no transtorno do pânico, psicofarmacologia, psicofarmacoterapia, psicoterapia e depressão, shiatsu e acupuntura, shiatsuterapia, síndrome do pânico,terapias complementares, transtorno do pânico, transtorno do pânico e shiatsu, transtorno do pânico manifestação e transtorno do pânico terapia cognitivo comportamental . O estudo concluiu que o shiatsu é eficaz na melhora dos sintomas de medo, angústia, dores musculares, depressão e ansiedade, através do reequilíbrio fisiológico e energético, sendo uma possível terapia complementar indicada ao tratamento da síndrome do pânico, mas para afirmar com exatidão, é necessário comprovações por meio de estudos práticos.

Palavras-chave: Shiatsu, Pânico, Tratamento.

INTRODUÇÃO

A síndrome do pânico é uma patologia psicológica e emocional, que está relacionada a traumas vivenciados anteriormente pelos portadores, mas também se associa a fatores medicamentosos, de interpretações errôneas provenientes de estímulos externos ou internos, como ruídos ou tontura, abstinência ou dependência de drogas ou de medicamentos (QUEIROZ; SOUZA, 2011).

Também associa-se a fatores estressantes da vida adulta, como a depressão, ansiedade, baixa autoestima e sentimento de culpa, a repressão de sentimentos, o que desencadeia a angústia, o desamparo, caracterizado pela sensação de estar sem recursos e proteção, o medo de outro ataque de pânico se desenvolver e também pode estar associada a agorafobia, em que o indivíduo se encontra em uma situação ou local de difícil fuga, como por exemplo, estar em uma multidão (BLAYA; MANFRO; SALUM, 2009; QUEIROZ; SOUZA, 2011).

Esses fatores se manifestam de maneira diferente em intensidade e quantidade em cada indivíduo, gerando principalmente dores musculares, ansiedade, medo, angústia e depressão, dessa forma, podem desenvolver um ataque de pânico espontâneo, que pode ser sucessivo ou não, em que a pessoa se sente em perigo ou correndo risco de vida, encontrando a necessidade de sair do local (fugir). Essa sensação é iniciada e potencializada pelas alterações fisiológicas que ocorrem no organismo, como a taquicardia, sudorese e aumento do fluxo sanguíneo (BLAYA; MANFRO; SALUM, 2009).

A síndrome do pânico acomete 15 % da população geral, em que a maioria são mulheres e adolescentes na faixa etária entre 15 e 30 anos, quando comparado aos homens, idosos e crianças (CORDÁS; JÚNIOR, 2013).

O diagnóstico deve ser diferenciado, considerando todo o histórico de vida do paciente, em que o tratamento convencional, utiliza-se de consultas psiquiátricas para a prescrição de psicofármacos, que controlam fisiologicamente os sintomas de ansiedade e medo, evitando o desenvolvimento de novos ataques de pânico, porém acompanham efeitos colaterais graves e alguns incluem até o risco de vida ao paciente e também é de suma importância a atuação da psicoterapia (BLAYA; MANFRO; SALUM, 2009; NARDI, 2005).

Essa psicopatologia gera no indivíduo angústia, ansiedade, medo, depressão e dores musculares principalmente, assim muitos são os tratamentos utilizados por meios medicamentosos ou não (SENA FILHO; et. al., 2006, VALENÇA, 2013).

Dentre os não medicamentosos, destaca-se o shiatsu como uma forma de tratamento complementar ao método convencional para auxiliar o processo de liberação da angústia, geralmente relacionada a causa (SENA FILHO; et. al., 2006).

O shiatsu é uma terapia milenar chinesa que tem por objetivo apresentar se há algum desequilíbrio no corpo, um exemplo são os nódulos musculares, e assim, trabalhar para seu reestabelecimento (LEONELLI; MARTINS, 2002, p. 2-76).

Essa prática tem como benefícios a melhora da circulação linfática e sanguínea, liberando as toxinas e tensões musculares do corpo, proporcionando relaxamento, a devolução do equilíbrio da energia denominada de Ki, remove estagnações energéticas e promove o reestabelecimento da harmonia (LEONELLI; MARTINS, 2002, p. 2-76; IMAIZUMI, C.; et.al., 2007).

Para essa manipulação é necessário um diagnóstico específico que inclui a avaliação da língua, os cinco elementos da natureza e o histórico de vida do paciente (LUCA, 2008).

Dessa forma, o objetivo do trabalho é, relatar a eficácia do shiatsu nos sintomas da síndrome do pânico, indicando-o como uma possível terapia complementar ao tratamento convencional da psicopatologia.

OBJETIVO

Relatar a eficácia do shiatsu nos sintomas da síndrome do pânico, sendo eles as dores musculares, a ansiedade, o medo, a angústia e a depressão, indicando-o como uma possível terapia complementar ao tratamento convencional da psicopatologia.

METODOLOGIA

Foi realizada uma revisão de literatura com buscas em livros publicados entre os anos de 1973 a 2016, monografias entre os anos de 2008 a 2010, dissertação do ano de 2002, tese do ano de 2008, e em bases de dados bibliográficos como Scielo e Google Acadêmico, pesquisando artigos em português publicados entre os anos de 1997 a 2015, utilizando-se termos e suas respectivas quantidades de trabalho, em que foram 1 de a caixa de pandora, 1 de acupuntura, 1 de benzodiazepínicos, 1 de cloridrato de clomipramina, 1 de fluoxetina, 1 de fobia e síndrome do pânico, 1 de medicina tradicional chinesa, 1 de neurose de angústia e transtorno do pânico, 1 de práticas integrativas no transtorno do pânico, 1 de psicofarmacologia, 1 de psicofarmacoterapia, 2 de psicoterapia e depressão, 2 de shiatsu e acupuntura, 1 de shiatsuterapia, 1 de síndrome do pânico, 2 de terapias complementares, 4 de transtorno do pânico, 3 de transtorno do pânico e shiatsu, 1 de transtorno do pânico manifestação e 1 de transtorno do pânico e terapia cognitivo comportamental.

REVISÃO DE LITERATURA

O trabalho tem como objeto de estudo os principais sintomas da síndrome do pânico, a ansiedade, a angústia, o medo, a depressão e as dores musculares, que afetam negativamente a vida do indivíduo, principalmente a social, uma vez que os ataques de pânico são repentinos e a psicopatologia pode estar associada à agorafobia. A partir disso o trabalho visa incorporar o shiatsu como uma possível forma de tratamento complementar ao convencional para a melhora desses sintomas.

A síndrome do pânico tem sua origem em 1872, com o psiquiatra alemão Karl Frederic Westphal, que relatou sobre a agorafobia, em que o indivíduo se encontra em local público ou privado ou situação de difícil fuga e desenvolve um ataque de pânico, indicando uma questão social relacionada a causa do ataque (RIBEIRO, 2009).

Conforme o passar dos anos, diversos autores adicionaram estudos a esta psicopatologia, até ser definida segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), como o surgimento súbito de medo por uma interpretação errônea de um comportamento corporal normal, apreensão intensa desencadeante das sensações de risco e sentimentos catastróficos, como o de morte. E em 1995 trouxe a nova nomenclatura, transtorno de pânico (DSM-III, 1980).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou esta síndrome como baseada nos ataques súbitos e recorrentes de pânico, nos sintomas variantes de cada indivíduo, entre eles, a taquicardia (98%), a sudorese (93%), a tontura (95%), a dor no peito, a dispneia (90%), os sentimentos de irrealidade, a vontade de fugir, a paralisia motora, as congestões, a insônia, os calafrios, a fome excessiva, a parestesia, a sensação de desfalecimento, os distúrbios gastrointestinais, a irritabilidade, a perda de controle (90%) e o medo de insanidade (OMS, 1993).

A síndrome do pânico é de etiologia multifatorial e variante em cada indivíduo, englobando traumas não resolvidos na infância, como o comportamento reprimido, fatores estressantes da vida adulta, como a depressão, ansiedade, baixa autoestima e sentimento de culpa, a dependência ou abstinência de substâncias como drogas e nicotina (tabagismo), a repressão de sentimentos, o que desencadeia a angústia, assim como o desamparo, caracterizado pela sensação de estar sem recursos e proteção e o medo de outro ataque de pânico se desenvolver (BLAYA; MANFRO; SALUM, 2009; QUEIROZ; SOUZA, 2011).

Os ataques podem ser sucessivos ou não, espontâneos, que são os mais comuns, ou por um fator desencadeante, como estar em uma multidão e sentir a necessidade de fugir difícil. Nos casos em que são sucessivos, acompanha uma ansiedade aguda antecipatória, ocorrente entre os ataques de pânico (LEVITAN; et. al., 2002).

Há os ataques de pânico noturnos, que ocorrem de 44% a 71% pelo menos uma vez e de maneira sucessiva de 30% a 45%, em um grupo portador. Indivíduos com este tipo de ataque são mais propensos ao desenvolvimento de depressão, anorexia nervosa e transtorno de somatização (BARLOW; CRASKE, 2016).

A síndrome do pânico acomete 15% da população geral, em que a maioria são mulheres e adolescentes entre 15 e 30 anos, quando comparados a homens, idosos e crianças, tendo que no estado de São Paulo 33,1% corresponde ao público masculino e a síndrome com causa relacionada a dependência de tabaco. A porcentagem de desenvolvimento da psicopatologia é de 25% ao longo da vida para homens e mulheres. Também pode estar relacionada de 6.5% a 24% em asmáticos e 13,1% em agorafóbicos (CORDÁS; JÚNIOR, 2013; NARDI, 2005).

Outro ponto importante é o fato da síndrome ser muito encontrada em quadros de histerias e fobias antecedentes de medos infantis, em que o indivíduo guarda alguma conexão inconsciente com o objeto fobígeno, porém este é desconhecido (ROSENBERG, 1997).

O tratamento convencional para a síndrome do pânico baseia-se no uso de psicofármacos e na psicoterapia, em que os três principais medicamentos utilizados são os antidepressivos tricíclicos, como o cloridrato de clomipramina, os inibidores seletivos da recaptação da serotonina, como a fluoxetina e os antidepressivos atípicos, como os benzodiazepínicos (BRASIL; FILHO, 2000; MORENO; MORENO; SOARES, 1999).

Enquanto a psicoterapia atua em três principais procedimentos, o acompanhamento psicológico, a escuta das questões sobre os sintomas da síndrome e os ataques de pânico, porém o diagnóstico deve ser realizado o mais rápido possível, para o menor desenvolvimento e resultado mais rápido no tratamento (DEMETRIO; HUMES; TENDG, 2005; LEVITAN; et. al., 2012).

Os medicamentos inibem a recaptação da norepinefrina e da serotonina nos sistemas noradrenérgicos e serotoninérgicos através dos neurônios pré ganglionares, ou seja, ultrapassam a barreira hematoencefálica, sendo que o componente de maior relevância para a ação farmacológica é relacionado a serotonina, popularmente conhecida como o “hormônio do prazer”, é liberada em situações ou atividades consideradas prazerosas pelo indivíduo, promovendo bem estar, além de inibir os receptores adrenérgicos, anticolinérgicos e histamínicos, evitando a ansiedade (DEMETRIO; HUMES; TENG, 2005).

Porém estes psicofármacos apresentam efeitos colaterais, sendo alguns deles respectivos ao Cloridrato de Clomipramina os distúrbios nos sistemas sanguíneo e linfático, no sistema imunológico, laboratoriais como o aumento de peso podendo incentivar a depressão e psíquicos, por aturem no sistema nervoso como alucinações (FURP, 2015).

Considerado com menos efeitos colaterais que o Cloridrato de Clomipramina, medicamentos à base de fluoxetina tem como alguns efeitos colaterais a ideação suicida, as alucinações e os distúrbios psiquiátricos, aumentando o risco de vida e podendo auxiliar para o desenvolvimento da agorafobia e de ataques de pânico (CARLINI; et. al., 2009). E os benzodiazepínicos que apresentam efeitos colaterais como a indução do sono, aumentando o risco de acidentes, altos níveis de desenvolvimento de dependência se forem de alta potência, dislexia e diminuição das funções psicomotoras e cognitivas (AUCHEWSKI, 2004; BRASIL; FILHO, 2000).

A psicoterapia cognitiva trabalha com a indução controlada dos sintomas relatados pelos pacientes, com o objetivo de mostrar que estes são inofensivos, ou seja, não oferecem risco à vida, não havendo a necessidade de desencadear um ataque de pânico (KING; et. al., 2007).

Os ataques de pânico são tratados na psicoterapia, através do fator principal que o desencadeia, descoberto através da escuta das questões sobre os sintomas, em que há a atuação do psicólogo clínico (ROSENBERG, 1997).

Assim, a partir da escuta das questões, de associações livres e seguindo o modo de operar do inconsciente, o profissional consegue perceber sinais do que seja aquele trauma, identificando o sintoma principal e tornando o trabalho de outros profissionais focalizado (FLECK; SCHESTATSKY, 1999).

Estas técnicas instigam o paciente a investigar o caso dos seus ataques, reestabelecendo o entendimento das reações psicológicas e minimizando a frequência dos ataques de pânico (KING; et. al., 2007).

A síndrome acompanha também transtornos de ansiedade, que limitam o indivíduo a tomar decisões e segundo a medicina tradicional chinesa isso ocorre devido a estagnação de energia do sistema que nutre os órgãos (zang) e vísceras (fú) (SILVA, 1997, p. 1-43).

De acordo com Luca (2008) esta estagnação causa o esgotamento da energia do Jing (Ch’i e Xue), que é a essência dos rins, responsável pela constituição do indivíduo proveniente dos pais no momento da fecundação, e de regular o desenvolvimento cerebral normal. Este órgão se relaciona com o medo e o pânico, caracterizado por um desequilíbrio do elemento água, representando os sentidos de ação e reação, tornando comum perder o controle urinário após um ataque de pânico (desequilíbrio energético da bexiga).

O Xue é uma energia encontrada nos neurotransmissores e neuropeptídios, como a noradrenalina e a serotonina (por isso utilizam remédios que inibem a recaptação da mesma). Os mecanismos de harmonia da energia vital Ch’i e Xue, fortalecem o Jing e a energia dos rins se consolidam. Isso ocorre através do uso de terapias complementares, como o shiatsu, que visam a causa do desequilíbrio e trabalham para resolve-la, através do reequilíbrio físico, mental, espiritual e emocional, ou seja, trabalha o indivíduo em sua integralidade melhorando o fluxo energético (LUCA, 2008; SILVA, 1997, p. 1-43).

No shiatsu cada sintoma da síndrome relaciona-se com o desequilíbrio de um elemento da natureza, sendo assim, o trabalho foca em sintomas principais, são eles a angústia relacionada ao desequilíbrio do elemento fogo, as dores musculares, relacionadas ao desequilíbrio do elemento madeira, o medo relacionado ao desequilíbrio do elemento água, a ansiedade relacionada ao desequilíbrio do elemento terra e a depressão, relacionada ao desequilíbrio no elemento metal (BOLA, 2012, p. 7-15; VACCHIANO, 2010, p.20-31; YAMADA, 2002).

Para essa manipulação é necessário um diagnóstico específico que inclui a avaliação da língua, os cinco elementos da natureza e o histórico de vida do paciente (LUCA, 2008).

Apesar de não ter sido encontrado estudos específicos da atuação do shiatsu em indivíduos com síndrome do pânico, muitos autores em seus estudos sobre esta psicopatologia citam a terapia manual, como um procedimento complementar indicado para o tratamento, por exemplo ALVIM, N. A. T.; et. al., (2013); FLORES, P. M. M., (2010); SENA FILHO, J. G.; et. al., (2006).

Segundo Alvim; et. al. (2013) em seu estudo sobre as implicações e aplicabilidade das práticas integrativas e complementares em enfermeiros, tendo como uma das principais indicações a síndrome do pânico, citou o shiatsu como uma técnica capaz de auxiliar no equilíbrio das emoções e da energia circulante no corpo humano, sendo uma terapia complementar indicada para a depressão e a ansiedade.

Pelo shiatsu a depressão relaciona-se aos meridianos do pulmão (yin) e do intestino grosso (yang), em que o pulmão é responsável pela purificação, através dos processos de absorção, distribuição para todo o corpo e eliminação gasosa, filtrando a tristeza e a melancolia, quando em desequilíbrio a fluidez dos processos se torna deficiente porque a energia vital se acumula, obstruindo o meridiano (VACCHIANO, 2010, p. 21-31; YAMADA, 2002).

Enquanto o meridiano do intestino grosso (yang), é responsável pela eliminação sólida, quando desregulado, resulta em distúrbios mentais e emocionais, assim como o negativismo e a retenção de sentimentos antigos, relacionada a constipação. Dessa forma, o shiatsu trabalha de maneira estimulante em ambos os meridianos, promovendo a desestagnação do Ki e consequente desobstrução do meridiano e evacuação da energia estagnada no intestino grosso, gerando fluidez e reequilíbrio energético (VACCHIANO, 2010, p. 21-31; YAMADA, 2002).

A ansiedade relaciona-se aos meridianos do baço-pâncreas (yin) e do estômago (yang), em que o baço-pâncreas é responsável por transformar e transportar a energia proveniente dos alimentos ao pulmão, equilibrando as funções fisiológicas, emocionais e psicológicas do organismo, responsável pelo desenvolvimento de opiniões, pensamentos e ideias, quando desregulado o fluxo se torna deficiente, assim como as funções (LIECHTI, 1994, p. 38; LUCA, 2008).

Enquanto o estômago (yang) é responsável pela digestão dos alimentos, no caso da síndrome emocionais, como traumas ou sociais, como evitar locais públicos por medo de um ataque de pânico se desenvolver, quando desregulado a digestão se torna deficiente, ou seja, algo que o indivíduo não foi capaz de lidar, causando uma confusão mental e consequente ansiedade pelo motivo do desequilíbrio ser desconhecido (LIECHTI, 1994, p. 38; LUCA, 2008).

Dessa forma, o shiatsu trabalha através de movimentos estimulantes no meridiano do baço-pâncreas para aumentar a fluidez do Ki fazendo com que atinja adequadamente todos os órgãos e vísceras, uma vez que se torna deficiente, e movimentos sedantes no meridiano do estômago, uma vez que a confusão é um estado de euforia, caracterizado pela presença de azias, e deve-se acalmar para o compreendi mento do que possa ter promovido o desequilíbrio (CHOU, 2009).

Segundo Flores (2010) apud Coco (2001) em seu estudo sobre a qualidade de vida dos trabalhadores de uma empresa relatou que o desenvolvimento da síndrome do pânico é comum nos funcionários, dessa forma citou o shiatsu como eficaz para o alívio das dores musculares, da depressão e da ansiedade, por promover o fortalecimento e reequilíbrio dos órgãos e vísceras, porque quando há a estagnação do Ki, a energia que atinge os órgãos é deficiente, iniciando o processo da doença.

E também segundo Sena Filho (2006) em seu estudo sobre a atuação das terapias complementares nos fatores cognitivos e emocionais de psicopatologias como a síndrome do pânico, citou o shiatsu como eficaz na melhora da ansiedade e dores musculares, por amenizar a tensão muscular e a exaustão.

As dores musculares relacionam-se aos meridianos do fígado (yin) e da vesícula biliar (yang), em que o fígado é responsável pela fluidez do Ki e consequente fluidez das emoções, promovendo melhor fluxo energético e equilíbrio, porém quando desregulado, resulta em desequilíbrios emocionais (AZEVEDO; HERSZKOWICZ; ROCHA, 2010).

Enquanto o meridiano da vesícula biliar (yang), é responsável pela tomada de decisões e em desequilíbrio gera a instabilidade, dessa forma o shiatsu trabalha através de movimentos estimulantes, atingindo profundamente os músculos, aumentando a circulação sanguínea e promovendo consequente aquecimento e fluidez que auxiliam o processo de remoção dos nódulos musculares, pontos de energia estagnada e alívio das dores (AZEVEDO; HERSZKOWICZ; ROCHA, 2010; CHOU, 2009).

Segundo Pessoa (2008), na síndrome do pânico o medo é provocado por desgaste emocional, frustação e estresse, dessa forma cita o shiatsu por reestabelecer o equilíbrio das energias do corpo, sem causar efeitos colaterais.

O shiatsu atua promovendo movimentos rápidos e vigorosos nos meridianos a serem estimulados como a bexiga (yang) e o rim (yin), relacionados à água, que em desequilíbrio promovem o medo, dessa forma os meridianos devem ser trabalhados no sentido descendente e ascendente, respectivamente, ou seja, oposto ao que está prevalecendo, uma vez que yang é ascendente e yin descendente, para promover o equilíbrio. (SILVA, 1997, p. 1-43).

O rim armazena a essência ancestral e pós-natal, monitora a atividade do Ki e é o suporte das forças opostas yin e yang. Quando em desequilíbrio não executa suas funções corretamente, assim o shiatsu atua de maneira estimulante com movimentos ascendentes em ambos os meridianos, para aumentar a energia, resultando no equilíbrio, enquanto a bexiga transforma a água em energia e elimina emoções negativas, quando em equilíbrio (PINHEIRO, 2011).

Segundo Teodoro (2010), a angustia é um dos sintomas relacionado à síndrome do pânico, dessa forma cita o shiatsu como terapia complementar para equilibrar o fluxo da energia vital e consequentemente, relaxamento e diminuição do estresse promovendo bem-estar, acrescentando as chances de recuperação do individuo.

Na angustia, os meridianos desestabilizados são os do coração (yang) e do intestino delgado (yin), em que no primeiro é excelente sua estimulação para diluir a angustia, ajudando o músculo cardíaco a reagir, tranquilizando seus movimentos e equilibrando as suas funções, enquanto no segundo sua estimulação é excelente para melhorar a aceitabilidade e entendimento daquilo que é encaminhado ao indivíduo, uma vez que se relaciona com a digestão, absorção e separação, sendo fundamental no processo de descoberta da causa (VACCHIANO, 2010).

Outro órgão relacionado à angústia denomina-se timo, localizado aproximadamente no centro do esterno, atinge seu tamanho máximo na puberdade, fase de mutações emocionais constantes e após, diminui gradualmente. Pelo shiatsu é conhecido como ponto da angústia e remete a caixa de pandora da mitologia grega, aonde todos os sentimentos do mundo foram guardados. Dessa forma, entende-se que todos os sentimentos e traumas vivenciados pelo indivíduo ficam retidos, gerando desequilíbrio e sendo um fator desencadeante da síndrome (PEREIRA, 1996; MONTANARI, 2016).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo concluiu que o shiatsu pode ser um complemento eficaz no tratamento dos sintomas de medo, angústia, dores musculares, depressão e ansiedade, através do reequilíbrio fisiológico e energético, indicada então ao tratamento da síndrome do pânico, porem se faz necessário mais comprovações por meio de estudos práticos.

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[1] Graduanda do Curso de Bacharelado em Estética – FHO/Uniararas.

[2] Graduanda do Curso de Bacharelado em Estética – FHO/Uniararas.

[3] Mestre em Ciências Biomédicas (Fisiologia) pelo Centro Universitário Hermínio Ometo – FHO/Uniararas (2013), Especialista em MBA em Cosmetologia pelas Faculdades Integradas Metropolitanas de Campinas METROCAMP – 2008. Graduação em Tecnologia em Estética pelo Centro Universitário Herminio Ometto (2006). Docente do curso de Bacharelado em Estética do Centro Universitário Herminio Ometto com experiência na área da Saúde, com ênfase em Estética e coordenador do programa de estágio supervisionado do Curso de Bacharelado em Estética nas áreas de Terapias Manuais e Estética facial/ corporal – Campinas e professor do Curso de Bacharelado em Estética – FHO/Uniararas. Pós-graduando em Terapia Ayurveda pelo Instituto de cultura Hindu Naradeva Shala

[4] Pós doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Possui doutorado (2014) e mestrado (2007) em Psicologia (Psicologia Clínica) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Possui graduação (bacharelado e licenciatura) em Psicologia pela Universidade Metodista de Piracicaba (2003). Atua há 13 anos como psicoterapeuta de enfoque psicanalítico e há 09 anos como consultor. Atualmente realiza a função de psicólogo clínico (de enfoque psicanalítico) e organizacional. É consultor credenciado a FESPSP (Fundação Escola de Sociologia do estado de São Paulo), como também foi consultor credenciado a Fundap (secretaria de gestão pública do estado de São Paulo) durante 08 anos, prestando serviços na área da educação e saúde. É proprietário da empresa HGS consultoria, atuando como pesquisador e consultor público. Atua como professor, em regime parcial, do Centro Universitário Hermínio Ometto de Araras. É revisor da revista Subjetividades (Programa de pós-graduação em Psicologia da UNIFOR), da revista Administração em Diálogo (PUC-SP), do periódico latino Spacios (localizado em Caracas – Venezuela), dos periódicos americanos science and Education Publishing e Psychology Research, ambos com sede em New York, como também da revista psicologia revista (da PUC-SP). Tem 5 livros de psicanálise lançados nos Estados Unidos, Inglaterra e China, dois livros de psicanálise publicados no Brasil, 15 artigos nacionais publicados, 22 trabalhos publicados em países da América latina (Argentina, Uruguai, peru e Guatemala) e 84 resumos publicados em congressos nacionais e internacionais.

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