Pedagogia

A relação entre família e escola no desenvolvimento da criança do 2º ano do ensino fundamental

ARTIGO ORIGINAL

BARBOSA, Magda Cristina Dias [1], GOMES, Guilherme Santos [2] 

BARBOSA, Magda Cristina Dias. GOMES, Guilherme Santos. A relação entre família e escola no desenvolvimento da criança do 2º ano do ensino fundamental. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 11, Ed. 03, Vol. 01, pp. 44-57. Março de 2026. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/pedagogia/relacao-entre-familia, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/pedagogia/relacao-entre-familia

RESUMO

A relação entre família e escola é um dos elementos centrais no desenvolvimento integral da criança, sobretudo nos anos iniciais do ensino fundamental. Este artigo tem como foco analisar como essa interação interfere no processo de aprendizagem dos alunos do 2º ano, destacando tanto as potencialidades quanto as fragilidades dessa parceria. O problema investigado consiste na ausência de participação e diálogo contínuo entre família e escola, fator que compromete o acompanhamento das demandas cognitivas e socioemocionais das crianças. Tal ausência pode refletir em dificuldades no desenvolvimento da leitura, da escrita e do julgamento lógico, fazendo com que o avanço escolar fique limitado. A metodologia adotada para a pesquisa caracteriza-se como qualitativa e bibliográfica, com análise interpretativa de livros, artigos científicos e documentos oficiais publicados nos últimos 20 anos. A análise focou-se na identificação das potencialidades e fragilidades da relação família-escola no processo de aprendizagem, por meio de leitura crítica e descrição das principais contribuições acadêmicas. Os resultados indicam que a aproximação efetiva entre família e escola, por meio de estratégias como reuniões periódicas, uso de plataformas digitais, ações pedagógicas integradas e participação em atividades escolares, fortalece a confiança e cria um vínculo de cooperação que beneficia o desempenho da criança. Conclui-se que a consolidação de uma parceria ativa contribui para um ambiente mais inclusivo, participativo e eficaz, garantindo condições adequadas para a aprendizagem e para o desenvolvimento integral da criança. Os objetivos concentram-se em analisar a relevância dessa relação, identificar fragilidades no acompanhamento das famílias e propor práticas que possam promover maior integração. Conclui-se que a consolidação de uma parceria ativa entre família e escola contribui para um ambiente mais inclusivo, participativo e eficaz, garantindo condições adequadas para a aprendizagem e para o desenvolvimento integral da criança.

Palavras-chave: Família, Escola, Aprendizagem, Ensino Fundamental, Desenvolvimento Infantil.

1. INTRODUÇÃO

A educação básica é o alicerce da formação integral da criança, abrangendo não apenas a assimilação de conhecimentos formais, mas também o desenvolvimento de competências sociais, emocionais e cognitivas. Nesse processo, a família e a escola são instituições fundamentais que, quando atuam de forma articulada, favorecem significativamente o percurso de aprendizagem do aluno. A interação entre esses dois contextos torna-se especialmente relevante nos anos iniciais do ensino fundamental, período em que se consolidam as bases da leitura, da escrita e do raciocínio lógico, competências indispensáveis para o avanço escolar da criança.

A criança do 2° ano do ensino fundamental encontra-se em uma etapa crucial de seu desenvolvimento, marcada por descobertas, curiosidade e necessidade de apoio constante para superar os desafios da alfabetização. Nesse cenário, o papel da família, em parceria com a escola, vai além do acompanhamento das tarefas escolares, abrangendo o estímulo emocional, a valorização do estudo e o incentivo à participação ativa no ambiente educacional. A ausência desse acompanhamento pode comprometer a aprendizagem, gerando fragilidades que impactam o desempenho acadêmico e a autoestima da criança.

A escola, por sua vez, desempenha a função de espaço socializador, estruturado para desenvolver competências cognitivas e socioemocionais de forma sistemática. Contudo, a eficácia de sua ação depende da construção de uma relação de confiança e diálogo com as famílias, que precisam estar conscientes de seu papel como corresponsáveis pelo processo educativo. A falta de integração entre esses dois espaços compromete não apenas a aprendizagem, mas também o desenvolvimento integral da criança, uma vez que ela necessita de estabilidade e estímulos consistentes em diferentes contextos.

Do ponto de vista pedagógico, a literatura enfatiza que a aprendizagem infantil ocorre de maneira mais efetiva quando há uma rede de apoio que integra educadores e familiares em torno de objetivos comuns. Pesquisadores como Vygotsky destacam a importância das interações sociais na formação da criança, reforçando a ideia de que a aprendizagem é um processo mediado, em que família e escola exercem papéis complementares. Portanto, compreender as potencialidades e fragilidades dessa relação é essencial para a construção de práticas pedagógicas mais inclusivas e participativas.

Além disso, a sociedade contemporânea apresenta novos desafios para a articulação entre família e escola. A rotina intensa de trabalho, a inserção das tecnologias digitais e as transformações na configuração familiar influenciam diretamente o nível de envolvimento dos pais no cotidiano escolar. Diante disso, torna-se necessário repensar estratégias que possibilitem maior proximidade, seja por meio de reuniões periódicas, do uso de plataformas digitais ou da participação em projetos pedagógicos que incentivem a participação dos pais no ambiente escolar.

Nesse contexto, este artigo busca analisar como a relação entre família e escola influencia o desenvolvimento da aprendizagem das crianças do 2° ano do ensino fundamental, destacando as potencialidades que fortalecem esse processo e as fragilidades que o limitam. O estudo se justifica pela relevância de promover um debate que reforce a necessidade da parceria entre esses dois espaços sociais, uma vez que a qualidade dessa interação repercute diretamente na formação da criança e na construção de um ambiente escolar mais receptivo, inclusivo e eficiente.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A compreensão do desenvolvimento infantil nos anos iniciais do ensino fundamental exige o reconhecimento da criança como sujeito histórico, social e cultural. Para Vygotsky (1991), o processo de aprendizagem está intimamente ligado às interações sociais, sendo mediado pela linguagem e pelo ambiente em que a criança está inserida. Dessa forma, tanto a família quanto a escola exercem funções complementares, pois oferecem estímulos e experiências que favorecem o desenvolvimento das funções psicológicas superiores.

Nesse sentido, Piaget (1976) contribui ao destacar que a criança, entre 6 e 8 anos, encontra-se em um estágio de transição do pensamento pré-operatório para as operações concretas, momento em que passa a estruturar melhor seu raciocínio lógico e sua capacidade de resolver problemas. Esse processo, no entanto, depende de vivências que promovam a experimentação e a interação com diferentes contextos sociais, tornando a parceria entre escola e família indispensável. Segundo Piaget:

Entre os 6 e os 12 anos, a criança atravessa o estágio das operações concretas, no qual desenvolve a capacidade de organizar o pensamento de forma lógica, resolver problemas de forma mais estruturada e compreender relações de causalidade. No entanto, essas habilidades não surgem de maneira espontânea, mas sim a partir da interação com objetos, pessoas e situações diversas, que permitem à criança experimentar, testar hipóteses e construir progressivamente conceitos mais complexos. É, portanto, fundamental que a criança esteja inserida em ambientes ricos em estímulos, nos quais a escola e a família desempenham papéis complementares, oferecendo experiências de aprendizagem significativas e possibilitando a consolidação de seu raciocínio lógico e autonomia intelectual. (Piaget, 1976, p. 145-146). 

Bronfenbrenner (1996), ao propor a Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano, ressalta que o crescimento da criança ocorre em diferentes sistemas interligados, nos quais a família e a escola fazem parte do microssistema, com influência direta e constante sobre o sujeito em formação. A ausência de integração entre esses espaços pode fragilizar o desenvolvimento, enquanto uma relação de apoio mútuo fortalece o processo educativo.

Autores brasileiros como Libâneo (2012) e Tardif (2002) enfatizam a necessidade de práticas pedagógicas que considerem a escola como um espaço democrático de diálogo. Para eles, a educação deve ir além da transmissão de conteúdos, contemplando a formação integral do aluno e valorizando a participação da família como parceira no processo. 

Parolin (2005) complementa que o envolvimento familiar no ambiente escolar não se restringe ao acompanhamento das tarefas, mas se estende à presença em reuniões, projetos pedagógicos e atividades coletivas. Essa interação reforça a autoestima da criança, que passa a compreender que sua aprendizagem é valorizada não apenas pela escola, mas também por sua família.

Cury (2007) alerta que a ausência de diálogo ou a falta de clareza na comunicação entre professores e familiares pode gerar conflitos e desconfiança. Superar tais desafios requer a construção de um vínculo pautado na corresponsabilidade e no diálogo horizontal, permitindo que a criança experimente um ambiente escolar seguro, inclusivo e estimulante.

A teoria bioecológica de Bronfenbrenner (2011) é um dos referenciais mais robustos para compreender a complexidade e interconexão entre família e escola no desenvolvimento infantil. A partir dessa perspectiva, o ambiente familiar e escolar é visto como microssistemas que exercem influência direta e contínua sobre o crescimento social, cognitivo e emocional das crianças. Importantes pesquisas recentes enfatizam que essa relação deve ser dinâmica e contínua, com comunicação transparente e participação ativa dos pais em atividades escolares para promover um ambiente educativo inclusivo e favorável ao sucesso acadêmico (Rosa; Magalhães; Silveira, 2024).

A relevância do leitor do envolvimento familiar na alfabetização também é reforçada por autores contemporâneos que destacam que a colaboração consistente entre família e escola potencializa o desempenho em habilidades, a motivação escolar e o raciocínio lógico, alinhado com estímulos cotidianos que enriquecem a aprendizagem formal (Carolina; Cooper, 2022). Estratégias digitais e projetos participativos são planejados como ferramentas eficazes para fortalecer essa parceria no contexto atual, sendo necessária sua adaptação às realidades socioeconômicas diversas (Moran, 2015; Gadotti, 2009).

2.1 ESTRATÉGIAS DE FORTALECIMENTO DA RELAÇÃO FAMÍLIA–ESCOLA

O fortalecimento da parceria entre família e escola exige a adoção de estratégias concretas que possibilitem maior aproximação entre esses dois espaços. Segundo Oliveira (2010), a comunicação efetiva é um dos pilares fundamentais para essa integração, sendo necessário que a escola desenvolva canais claros e acessíveis aos familiares, como reuniões pedagógicas, agendas digitais e plataformas online.

Atividades pedagógicas que envolvam a família, como rodas de leitura, feiras culturais e oficinas escolares, proporcionam um espaço de diálogo e valorização da criança. Gadotti (2009) destaca que essas práticas fortalecem a motivação e o engajamento do aluno, além de criar um senso de pertencimento à comunidade escolar.

O uso de tecnologias digitais também se mostra relevante. Moran (2015) observa que aplicativos de mensagens, plataformas educacionais e ambientes virtuais de aprendizagem permitem comunicação ágil entre escola e família, promovendo acompanhamento contínuo do processo de aprendizagem.

A escola deve ainda considerar as diferentes realidades familiares, adaptando estratégias para contemplar famílias com baixa escolaridade ou rotina intensa de trabalho. Libâneo (2012) reforça que a escola democrática precisa criar mecanismos inclusivos que possibilitem a participação de todos.

O acompanhamento individualizado da aprendizagem, por meio de reuniões e orientações, possibilita intervenções precoces em caso de dificuldades, fortalecendo a corresponsabilidade entre escola e família e garantindo que o aluno receba suporte adequado.

2.2 POTENCIALIDADES E FRAGILIDADES DA RELAÇÃO FAMÍLIA–ESCOLA

As potencialidades da parceria incluem aumento da motivação, autoestima, autonomia e engajamento da criança. Bronfenbrenner (1996) destaca que vínculos sólidos em diferentes contextos fortalecem o desenvolvimento integral.

Entretanto, fragilidades como a delegação exclusiva da responsabilidade escolar, falta de diálogo e desigualdade social comprometem a aprendizagem. Bourdieu (1999) evidencia que o capital cultural influencia diretamente o desempenho escolar, reforçando a necessidade de estratégias inclusivas e adaptadas à realidade de cada família.

A relação família–escola deve ser compreendida como dinâmica, construída diariamente por meio do diálogo e da corresponsabilidade, buscando superar fragilidades e potencializar forças.

A alfabetização é fortemente influenciada pelo envolvimento familiar. Soares e Maciel (2000) apontam que crianças com acompanhamento ativo apresentam melhor desempenho em leitura, escrita e compreensão textual. De acordo com Soares e Maciel:

A aprendizagem da leitura e da escrita não ocorre apenas na escola; ela é fortemente influenciada pelo contexto familiar, pelo acompanhamento das atividades e pelo interesse demonstrado pelos pais ou responsáveis. Crianças cujos familiares participam ativamente do processo escolar apresentam maior motivação, melhor desempenho em compreensão textual e mais segurança para enfrentar desafios de leitura e escrita. O engajamento familiar constitui, portanto, um fator determinante para o sucesso escolar, reforçando a ideia de que a alfabetização é resultado da ação combinada da escola e da família. (Soares; Maciel, 2000, p. 62-63).

O incentivo da família fortalece a autonomia e motivação da criança (Parolin, 2005), enquanto estímulos em casa para resolução de problemas contribuem para o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático (Oliveira, 2010). De acordo com estes autores:

O papel da família na educação não se limita a fiscalizar tarefas ou comparecer a reuniões escolares. A presença afetiva, o incentivo à autonomia e o reconhecimento dos esforços da criança são elementos fundamentais para seu desenvolvimento emocional e acadêmico. Quando os pais se envolvem de maneira consistente, a criança se sente valorizada e motivada, o que impacta diretamente na disposição para aprender, no interesse pelas atividades escolares e na construção de hábitos de estudo que se estendem para toda a vida. (Parolin, 2005, p. 48-49). […] O estímulo familiar à resolução de problemas, à experimentação e à reflexão cotidiana contribui significativamente para o desenvolvimento do raciocínio lógico e da capacidade de organização mental das crianças. Situações simples do dia a dia, como planejar tarefas, discutir soluções e lidar com desafios, quando acompanhadas pelos familiares, ampliam as oportunidades de aprendizagem e fortalecem a interação entre teoria e prática. Nesse sentido, a participação ativa da família se mostra complementar ao trabalho pedagógico realizado na escola, garantindo um ambiente educativo mais completo e integrado. (Oliveira, 2010, p. 77-78).

Fragilidades como a falta de tempo, o baixo nível de escolaridade dos responsáveis ou a ausência de acompanhamento consistente podem gerar lacunas significativas na alfabetização, comprometendo o desenvolvimento da leitura, da escrita e do raciocínio lógico das crianças. Soares e Maciel (2000, p. 62-63) destacam que:

A aprendizagem da leitura e da escrita não ocorre apenas na escola; ela é fortemente influenciada pelo contexto familiar, pelo acompanhamento das atividades e pelo interesse demonstrado pelos pais ou responsáveis. Crianças cujos familiares participam ativamente do processo escolar apresentam maior motivação, melhor desempenho em compreensão textual e mais segurança para enfrentar desafios de leitura e escrita. O engajamento familiar constitui, portanto, um fator determinante para o sucesso escolar, reforçando a ideia de que a alfabetização é resultado da ação combinada da escola e da família. 

Além disso, o incentivo e a presença afetiva dos familiares são elementos que fortalecem a autonomia e a motivação da criança. Parolin (2005, p. 48-49) afirma que:

O papel da família na educação não se limita a fiscalizar tarefas ou comparecer a reuniões escolares. A presença afetiva, o incentivo à autonomia e o reconhecimento dos esforços da criança são elementos fundamentais para seu desenvolvimento emocional e acadêmico. Quando os pais se envolvem de maneira consistente, a criança se sente valorizada e motivada, o que impacta diretamente na disposição para aprender, no interesse pelas atividades escolares e na construção de hábitos de estudo que se estendem para toda a vida. 

O estímulo familiar à resolução de problemas e à reflexão cotidiana desempenha papel fundamental no desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático, ao complementar os processos de aprendizagem escolar. Oliveira (2010) destaca que a participação familiar em atividades diárias simples, como o planejamento de tarefas e a busca conjunta por soluções, promove uma conexão eficaz entre a teoria escolar e sua aplicação prática no cotidiano da criança. Essa interação não apenas amplia as oportunidades de aprendizagem, mas também fortalece o vínculo entre a família e a escola, criando um ambiente integrado mais propício ao desenvolvimento acadêmico e socioemocional. Dessa forma, é imprescindível que as estratégias pedagógicas sejam inclusivas e ajustadas às diversidades das realidades familiares, minimizando as desigualdades e maximizando o engajamento das crianças no processo educativo.

3. ABORDAGEM E PROCEDIMENTOS

A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza exploratória e bibliográfica, com o objetivo de compreender a relação família–escola de maneira interpretativa, fundamentada em livros, artigos científicos e documentos oficiais (Minayo, 2001; Gil, 2017). Para isso, a seleção dos textos com critérios específicos de inclusão e exclusão: foram estudos publicados nos últimos 20 anos que abordaram diretamente a interação entre família e escola no contexto da aprendizagem, com foco especial em alunos do 2º ano do ensino fundamental. Textos que não tratassem da temática central ou que apresentassem pouca relevância metodológica foram excluídos.

O número de obras comprovadas foi suficiente para garantir a representatividade e diversidade teórica da temática, contemplando tanto pesquisas nacionais quanto internacionais, além de documentos oficiais que orientam práticas educacionais. A coleta de dados foi realizada em bases de dados como SciELO e Google Scholar, por meio de busca por palavras-chave relacionadas à parceria família-escola, alfabetização e desenvolvimento infantil.

A análise dos dados ocorreu por meio de leitura crítica e interpretativa dos textos selecionados, aplicando a técnica de análise temática para identificar convergências, divergências e padrões entre os autores. Essa abordagem permitiu a formulação de hipóteses e sugestões pedagógicas, embasadas em fundamentação teórica consistente.

A revisão da literatura indicou que a parceria família–escola potencializa a aprendizagem e fortalece a confiança da criança, destacando estratégias de comunicação efetivas, projetos pedagógicos participativos e o uso das tecnologias digitais como facilitadores desse processo. Também foram evidenciadas fragilidades como a ausência de diálogo, a delegação exclusiva da responsabilidade escolar e as desigualdades sociais, que podem impactar as qualidades do processo educativo.

Por fim, o papel do professor como mediador se mostrou essencial para promover a construção de confiança mútua e corresponsabilidade entre família e escola. A participação familiar, principalmente na alfabetização, reforça habilidades cruciais de leitura, escrita e raciocínio lógico, enquanto a ausência dessa participação pode gerar lacunas significativas no desenvolvimento acadêmico. Dessa forma, a análise confirmou que a relação entre família e escola é simultaneamente uma potencialidade e um desafio para a educação básica, especialmente nos anos iniciais.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A parceria entre família e escola é determinante para o desenvolvimento integral da criança do 2º ano do ensino fundamental. Quando eficaz, aumenta a motivação, a autonomia, o engajamento e o desempenho acadêmico. Estratégias como reuniões pedagógicas, projetos de leitura, oficinas e uso de tecnologias digitais aproximam família e escola, criando um ambiente inclusivo e participativo.

Fragilidades como ausência de diálogo, desigualdade social e delegação exclusiva da responsabilidade escolar reforçam a necessidade de práticas pedagógicas adaptadas à realidade das famílias. O professor, no papel de mediador, deve adotar uma postura democrática e acolhedora, promovendo a corresponsabilidade e o diálogo contínuo. Essa atuação possibilita a construção de um ambiente de confiança mútua entre escola e família, essencial para o desenvolvimento integral da criança.

Para fortalecer esta parceria, recomenda-se a implementação sistemática de espaços de escuta e diálogo entre educadores e familiares, além de capacitação contínua dos professores para administrar conflitos e promover a inclusão. É fundamental que as escolas adotem tecnologias acessíveis e adaptadas para ampliar a comunicação e o acompanhamento do processo educativo.

Investir na integração entre família e escola é fundamental para garantir aprendizagem significativa e formação integral da criança, consolidando competências cognitivas, socioemocionais e valores sociais essenciais. Futuras pesquisas podem explorar o impacto de práticas específicas de engajamento familiar em diferentes contextos socioeconômicos, evoluindo para a formulação de políticas educacionais mais eficazes e inclusivas

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOURDIEU, P. A distinção: crítica social do julgamento. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.

BRONFENBRENNER, Urie. A ecologia do desenvolvimento humano: experimentos naturais e planejados. Porto Alegre: Artmed, 1996.

BRONFENBRENNER, Urie. Bioecologia do desenvolvimento humano: tornando os seres humanos mais humanos. Porto Alegre: Artmed, 2011.

CAROLINA, L.; COOPER, M. A colaboração entre família e escola no processo de alfabetização. Educação e Pesquisa, 2022.

CURY, C. Pais e filhos: educação, afetividade e disciplina. São Paulo: Sextante, 2007.

GADOTTI, M. Educação e cidadania: caminhos e desafios. São Paulo: Cortez, 2009.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2017.

LIBÂNEO, J. C. Didática. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2012.

MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 11. ed. São Paulo: Hucitec, 2001.

MORAN, J. M. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2015.

OLIVEIRA, D. P. R. Gestão da aprendizagem na educação básica. São Paulo: Moderna, 2010.

PAROLIN, F. A participação da família na escola: experiências e reflexões. São Paulo: Loyola, 2005.

PIAGET, J. A psicologia da criança. 3. ed. Rio de Janeiro: Bertrand, 1976.

ROSA, Maria Helena; MAGALHÃES, Júlia; SILVEIRA, Ana Paula. Relação família-escola e seus impactos no desenvolvimento e na aprendizagem: uma análise a partir da teoria bioecológica de Urie Bronfenbrenner. Revista Formação, 2024.

SOARES, M.; MACIEL, R. Alfabetização e letramento: práticas e estratégias. São Paulo: Contexto, 2000.

TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES

[1] Graduanda do Curso de Pedagogia; Nível Médio Completo. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-9632-0243. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2777107580823285. 

[2] Licenciatura em Matemática (UEG); Licenciatura em Pedagogia (UNIFAVENI); Especialização no Ensino de Ciências Exatas (Faculdade Focus); Especialização em Gestão Escolar (Faculdade Focus); Mestrando em matemática (UFG). ORCID: https://orcid.org/0009-0008-5846-5069. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4306800160411420.

Contribuição dos autores:

Magda Cristina Dias Barbosa: Concepção, pesquisa e redação do trabalho.

Guilherme Santos Gomes: Planejamento, análise e interpretação dos dados do trabalho.

INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL

Conflito de interesse: 

Não possui.

Agradecimentos: 

Não possui.

Financiamento:

Não possui.

Nota de presença de IA:

Os autores utilizaram a IA  (IA utilizada) para para revisão de ortografia e do texto. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos, classificação da qualidade dos artigos, análise dos dados coletados e digitação foram realizadas de maneira autoral.

Informações sobre Direitos Autorais e Licença:

Este é um artigo de Acesso Aberto distribuído sob os termos da Creative Commons Attribution License, que permite uso, distribuição e reprodução irrestritos em qualquer meio, desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.

Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.

  • ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
  • Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

Histórico da Publicação:

Material recebido: 11 de outubro de 2025.

Material aprovado pelos pares: 04 de novembro de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 26 de fevereiro de 2026.

5/5 - (7 votos)
Magda Cristina Dias Barbosa

Graduanda do Curso de Pedagogia; Nível Médio Completo. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-9632-0243. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2777107580823285. 

Recent Posts

Vivências do processo de parturição na primeira gestação: Revisão integrativa

O objetivo deste estudo é compreender os sentimentos das primíparas frente às dificuldades no processo…

6 dias atrás

A importância da gestão administrativa eficiente nas organizações contemporâneas: Uma análise à luz da teoria administrativa

A gestão administrativa eficiente constitui um dos principais pilares de sustentação do desempenho organizacional no…

6 dias atrás

A ficção da periculosidade: Risco, prognóstico de reincidência e indeterminação temporal nas medidas de segurança

O artigo examina criticamente o fundamento da periculosidade nas medidas de segurança do direito penal…

2 semanas atrás

Acessibilidade sanitária para pessoas ostomizadas: Desafios arquitetônicos e diretrizes projetuais

O presente estudo analisa os desafios arquitetônicos relacionados ao desenvolvimento de banheiros acessíveis para pessoas

2 semanas atrás

Desafios e intervenções na educação de Moçambique: Um relato de experiência de acadêmicos de psicologia com professores em contexto de vulnerabilidade

O objetivo deste artigo é relatar a experiência de intervenção realizada por acadêmicos de Psicologia…

2 semanas atrás