Influência da Adubação Orgânica e Mineral no Desenvolvimento Inicial na Cultura da Abobrinha-Italiana (Cucurbita pepo).

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SOUZA, Pablo Porto [1]

SOUZA, Pablo Porto. Influência da Adubação Orgânica e Mineral no Desenvolvimento Inicial na Cultura da Abobrinha-Italiana (Cucurbita pepo). Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 06, Vol. 02, pp. 133-145, Junho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

O experimento foi implantado no intuito de verificar o efeito da adubação mineral e orgânica no desenvolvimento inicial na cultura da abobrinha italiana (Cucurbita pepo L). O trabalho foi conduzido em condição de campo na área experimental da Fazenda Malhada Grande localizado no município de Baianópolis-Ba. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, no qual foram estabelecidos quatro tratamentos, constituídos de T1: Testemunha; T2: Adubação mineral, utilizando-se a fórmula 4-14-8, sendo aplicadas 18 gramas por cova; T3: Esterco Bovino 200g. cova-¹; T4: 125 g.cova¹ de cama de aviário. A área usada foi de 42 m², com espaçamento de 1,0 x 0,80 m, sendo que as plantas foram dispostas em duas fileiras, cada qual com duas plantas, obtendo-se assim quatro plantas por parcela. A adubação foi feita dez dias antes do plantio conforme os tratamentos pré-estabelecidos. Realizou-se a avaliação dos valores médios de número de folhas (NC), altura de planta (AP), diâmetro de caule (DC), massa fresca (MF). O maior valor comparativo encontrado para a variável AP, durante os 30 dias de avaliação, foram nos tratamentos que receberam a adubação orgânica, tratamento T3 e T4. Os maiores valores médios referentes ao diâmetro do colmo (mm) alcançados foi o com tratamento orgânico em especial o tratamento três que teve valor médio de 7,5 mm. As médias obtidas para o número folhas revelaram que as plantas que foram realizadas a adubação orgânica proporcionaram quantidade de folhas superiores aos tratamentos que não receberam nenhum tipo de adubação (T1) e os que receberam adubação mineral (T2).  Os resultados para o parâmetro de massa fresca (MF) revelaram que, a utilização do esterco bovino como um adubo orgânico proporcionou um maior acréscimo quando comparado com os demais tratamentos. A diferença entre o tratamento 3 e o tratamento 1 foi alta, onde pode se analisar que o tratamento obteve 9,9g a mais que a testemunha. Com os resultados obtidos pode-se analisar que a utilização da adubação orgânica foi o tratamento que se sobressaiu em relação ao crescimento vegetativo da abobrinha italiana, promovendo um aumento em seu potencial produtivo.

Palavras-chave: Adubação, Abobrinha, Desenvolvimento.

1. Introdução

A família Cucurbitácea possui cerca de 118 gêneros e 825 espécies, adaptadas às regiões tropicais e subtropicais de ambos os hemisférios. Nessa família, podemos citar as abóboras e morangas que pertencem ao gênero Cucurbita (RIBEIRO, 2008).

Abobrinha italiana (Cucurbita pepo L), também conhecida como abobrinha de moita, possui crescimento ereto, hastes curtas e folhas mosqueadas. O sistema radicular é comprido e superficial com maior concentração na camada de 20 cm do solo. Os frutos da abobrinha italiana são alongados e cilíndricos, com a cor verde clara com estrias longitudinais mais escuras (RIBEIRO, 2008). Recomenda-se o plantio da abobrinha de setembro a fevereiro nas regiões de inverno frio, ao passo que nos locais de clima quente, o plantio pode ser feito durante o ano todo (CONSTAT CONSULTORES ESTATÍSTICOS, 2003).

A espécie Cucurbita pepo L. é uma planta vulnerável a geadas, mas possui uma boa tolerância às baixas temperaturas. A temperatura desempenha grande influência na germinação sendo que cada espécie possui uma temperatura mínima, máxima e ótima para a germinação (RIBEIRO, 2008). O ideal para o desenvolvimento das abóboras está na faixa de 20 a 27°C. Temperaturas menores prejudicam a produção, sendo que as plantas podem até morrer em temperaturas menores que 10°C. Por outro lado, O calor elevado e o alto teor de umidade podem desencadear o aparecimento de doenças. As abobrinhas também necessitam de temperaturas na faixa de 22 a 25°C e não suportam frio prolongado e forte (SANTOS et al., 2005).

As hortaliças são consideradas exigentes em nutrientes, pois necessitam de grandes quantidades de nutrientes em um ciclo curto para que ela obtenha um desenvolvimento ótimo (GOTO; TIVALLI, 1998).

Um dos objetivos da exploração agrícola é aumentar a produtividade das culturas. Porém, estes aumentos devem ser compatíveis com a redução dos custos de produção. Para que isto aconteça, as práticas culturais associado com as adubações devem ser eficientes (KANO et al., 2010).

Em relação à adubação é possível inferir para que seja alcançada a produtividade esperada, bem como levando em consideração a fertilidade do solo onde a cultura está sendo inserida.  O cálculo para a calagem e adubações do solo devem levar em consideração a fertilidade do solo e os seus nutrientes (COSTA, 2006). Para que os nutrientes alçassem eficiência máxima no sistema em que foi empregado, é necessário distribuir em equilíbrio e em quantidade necessária (TOLEDO; MARCOS FILHO, 1997).

Os adubos químicos são formados de compostos inorgânicos, sendo os mais empregados na agricultura devido ao alto conteúdo de nutrientes, menor custo por unidade do elemento, menor umidade e se obtém resultado mais rápido.

Na adubação mineral, os fertilizantes químicos aplicados no solo provocam produtividade elevada e imediata do cultivar, no entanto as frequentes aplicações desses fertilizantes podem afetar tanto a qualidade nutricional dos alimentos quanto as características químicas do solo, em algumas situações levando a um esgotamento do potencial produtivo do solo (PORTO, 2006).

A adubação com NPK tem como objetivo repor os nutrientes absorvidos pelas plantas para seu desenvolvimento ou para melhorar a fertilidade do solo. A aplicação pode ser efetuada com a mistura, como o NPK 4-14-8 ou aplicando os nutrientes de forma isolada (OLIVEIRA, 1998)

O uso de adubo mineral, além de modificar o padrão de crescimento e de produção da planta, influencia processos metabólicos, como absorção e distribuição de íons minerais (ROBSON; PITMAN 1983).

As hortaliças em geral são beneficiadas pelo uso de adubos orgânicos, tanto em produtividade como em qualidade dos produtos alcançados, sendo o esterco bovino a fonte mais usual, especialmente em solos pobres em matéria orgânica, (FILGUEIRA, 2000). Pois agem como um poderoso agente condicionador do solo, capaz de melhorar substancialmente muitas de suas características físicas e químicas (FERREIRA et al., 1993).

Adubo orgânico é um produto de origem vegetal, animal ou agroindustrial que aplicado ao solo propicia uma elevação de sua fertilidade, aumento da produtividade e qualidade das culturas (TRANI et al., 2013). Os estercos de animais, os resíduos de culturas e os adubos verdes constituem as principais fontes de adubos orgânicos disponíveis (SBCS, 2004). A adoção do uso de matéria orgânica tem sido relacionada com a alteração das propriedades físicas do solo e com o acréscimo de nutrientes para o sistema (KANG 1993).

A seleção do resíduo orgânico a ser aplicado se dá quanto à disponibilidade deste, o que pode variar não só quanto à região, mas também quanto à cultura (KIEHL, 1985).

A aplicação continua de esterco bovino provoca a elevação significativa do pH isto está relacionado à liberação de amônia durante a sua decomposição ou possivelmente a presença de Ca e Mg proveniente desse resíduo, que neutraliza e desloca elementos responsáveis pela acidez , nos conteúdos dos demais elementos na camada de 0-20 cm no solo, em comparação às áreas sem esterco (GALVÃO et al., 2008). O esterco apresenta interações benéficas com microrganismos do solo, diminui a compactação, aumenta à qualidade de sua estrutura e a estabilidade de seus agregados, melhora a capacidade de infiltração de água, a aeração e beneficia a penetração radicular (ANDREOLA et al., 2000).

Com o maior uso de resíduos orgânicos nas lavouras, é possível diminuir, ao longo dos anos, a aplicação de adubos minerais e melhorar a qualidade do solo (menor poluição de diversos recursos naturais), já que os resíduos orgânicos atuam também como condicionadores do solo (SILVA, 2005).

A utilização de resíduos produzidos dentro de uma propriedade podem diminuir custos de produção, como é o caso da cama do aviário gerada na criação de aves que pode ser utilizada como adubação orgânica (VILELA, 2009).

Segundo Primavessi (1982), a cama de aviário, intensifica a capacidade de troca catiônica do solo, aumenta o pH ,reduz o teor de alumínio trocável, eleva a disponibilidade de nutrientes e favorece a sanidade vegetal, por diversificar a produção de substâncias como fenóis, melhorando as condições físicas, químicas e biológicas do solo.

A crescente geração de resíduos avícola vem causando impactos ambientais, pois sua taxa de produção é maior que a taxa de degradação; portanto é cada vez mais importante a necessidade de reduzir, reciclar e reaproveitar os resíduos produzidos na avicultura, com intuito de recuperar matéria e energia (STRAUS; MENEZES, 1993).

Os efeitos benéficos do esterco de aves são comparados com aos da ureia, devido à rápida resposta e normalmente apresentam alta taxa de nutrientes (SOUZA, 2007). As concentrações de N, P e K somados no esterco de galinha são maiores que outras espécies de animais domésticos, pois sua matéria seca contém de 5 a 15% de água, enquanto outros estercos possuem de 65 a 85%. Os resíduos de esterco contêm sólidos e líquidos que em grande maioria é originaria de aves criadas com rações concentradas (TEDESCO et al., 2008).

Esse insumo normalmente contêm altos níveis de fósforo, potássio, cálcio e magnésio, o que o torna um fertilizante orgânico com potencial de uso em diversas culturas de importância agronômica (FARIDULLAH et al., 2008).

Mesmo com o crescimento do cultivo de abóboras no Brasil nos últimos anos, com utilização, entre outras práticas, da adubação mineral e orgânica, a produtividade, segundo Makishima (1991), tem sido variável, necessitando assim dados de adubação e nutrição (RELATÓRIO, 1991).

Sendo assim, o principal objetivo deste trabalho foi avaliar a influência da adubação mineral (npk 4-14-8) e orgânica (esterco bovino e cama aviaria) no desenvolvimento inicial da abobrinha italiana.

2. Desenvolvimento

2.1 Material e métodos

O experimento foi conduzido do dia 18/06/2017 até 23/07/2017 na área experimental da Fazenda Malhada Grande localizado no município de Baianópolis-Ba, com as seguintes coordenadas geográficas: 12°18’53” Latitude Sul e 44°35’59.29  Longitude Oeste, com altitude de 668 m, com precipitação média anual de 1040 mm, com temperatura média de 24.9 °C e com umidade relativa do ar entre 65% a 68%.

Segundo análise de solo do local foi encontrado um solo arenoso, com pH 5,79; P=7,90mg/dm³ (muito baixo); K= 89 mg/dm³  (alto); Ca= 2,30cmolc/l (alto); Mg= 0,70cmolc/l (baixo); Na= 10Ppm e matéria orgânica 2,60% (m/v) (baixo).

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, no qual foram estabelecidos quatro tratamentos, constituídos de T1: Testemunha; T2: Adubação mineral, utilizando-se a fórmula 4-14-8, sendo aplicadas 18 gramas por cova; T3: Esterco Bovino 200g. cova-¹; T4: 125 g.cova¹ de cama de aviário correspondendo à dose da recomendação da ROLAS (1994), distribuídos em cinco repetições. A área utilizada foi de 42 m², com espaçamento de 1,0 x 0,80 m, que foram dispostas em duas fileiras, cada qual com duas plantas, obtendo-se assim quatro plantas por parcela. O espaçamento utilizado entre parcelas foi de 0,70m. O método de propagação aconteceu por semeio manual no qual se se utilizou de 3 a 4 sementes da abobrinha caserta por cova, numa profundidade de 4 a 5 cm, a adubação foi feita 10 dias antes do semeio.

Oito dias após a emergência foi feito o desbaste no intuito de retirar o excesso de plantas por cova, deixando apenas 1 planta por cova. O controle de plantas invasoras aconteceu manualmente e o fornecimento de água ocorreu por meio de sistema de irrigação por aspersão convencional.

Em cada coleta (10, 20 e 30 DAE) foram avaliados características do desenvolvimento vegetativo das plantas como a altura da planta (cm), o diâmetro do colmo (mm), número de folhas maiores que 3 cm e a massa fresca total (gramas). Para determinar a altura foi utilizada uma fita métrica de aço com extensão de 3m, graduada em cm, medindo da base do solo até a folha mais estendida. Para determinar o diâmetro do colmo foi utilizado um paquímetro analógico em aço, tipo universal, medido no colo da planta. Após o corte, da fitomassa da abobrinha, a mesma foi colocada em sacos de papel e devidamente identificada. Em seguida foi levada para retirada dos respectivos pesos em balança analítica de precisão, no qual se avaliou a massa de matéria fresca. Os dados coletados foram submetidos à análise de variância, sendo que as médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade, utilizando o programa estatístico Sisvar.

3. Resultados e discussão

3.1 Altura de planta (AP)

Os dados obtidos referentes à altura de planta (cm), em função dos diferentes tipos de adubação realizados na cultura da abobrinha-italiana estão expostos na Tabela 1. Com relação aos tratamentos aplicados, observa-se que, quando as médias foram submetidas ao teste de Tukey a 5%, as mesmas apresentaram diferenças significativas entre si.

Tabela 1 Valores médios referentes à altura (cm) total de plantas de abobrinha-italiana submetidas à adubação orgânica e mineral.

Tratamentos Altura de planta (cm)
T1 – (Testemunha) 3,5b
T2 – (NPK (4-14-8)) 4,2ab
T3 – (Esterco Bovino) 4,4a
T4 – (Cama aviária) 4,4a
CV(%)*: 12,1

Média geral: 4,1

DMS**: 0,95

*CV: coeficiente de variação;
**DMS: Diferença mínima significativa;
Médias seguidas pela mesma letra não diferem entrem si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade

Apesar de ter apresentado efeitos significativos, as médias encontradas nos tratamentos não ficaram muito distante uma das outras, numericamente falando. O maior valor comparativo encontrado para a variável AP, durante os 30 dias de avaliação, foram nos tratamentos que receberam a adubação orgânica, tratamento T3 e T4. Ao comparar esses tratamentos com o tratamento controle, pode-se notar que houve uma diferença de quase 1 cm.

Em uma pesquisa realizada por Campos (2013), também foi confirmada a superioridade dos tratamentos com matéria orgânica sobre o tratamento com adubação mineral (NPK). A altura média das plantas provenientes dos tratamentos com adubação orgânica superou de forma significativa em 10,5% a AP do tratamento com NPK. Leite et al. (2015), também encontraram respostas positivas para a AP ao utilizarem adubação orgânica. Eles relatam que, a altura de planta foi influenciada significativamente pelas quantidades de adubação orgânica utilizada, tendo um comportamento quadrático, onde o valor máximo foi obtido quando se utilizou a quantidade máxima de adubo. Segundo eles, este fato possivelmente pode estar ligada diretamente a maior disponibilidade de nutrientes à planta, favorecendo, assim, o crescimento em altura.

O material orgânico que pode ser disponibilizado através de estercos, tende a aumentar a capacidade de troca catiônica do solo, também funciona com fonte de energia para microrganismos uteis, minimiza as variações na reação do solo que podem ser provocadas por diversas causas, aumenta a infiltração e armazenamento de água. Condiciona o solo, dando uma melhor estruturação e aeração que facilitam o desenvolvimento do sistema radicular além de ajudar no fornecimento de nutrientes para o solo, disponibilizando-os para as plantas e promovendo um bom desenvolvimento para as mesmas (MALAVOLTA et al., 2002).

3.2 Diâmetro do colmo

O emprego de diferentes tipos de adubação (Mineral e orgânica) na produção de abobrinha-italiana acrescentou positivamente (p<0,05) no diâmetro do colmo (mm) dessas plantas, como pode ser observado na Tabela 2.

Tabela 2 Valores médios referentes ao diâmetro do colmo (mm) total de plantas de abobrinha-italiana submetidas à adubação orgânica e mineral.

Tratamentos Diâmetro do colmo (mm)
T1 – (Testemunha) 4,4b
T2 – (NPK (4-14-8)) 6,6a
T3 – (Esterco Bovino) 7,5a
T4 – (Cama aviária) 6,5a
CV(%)*: 10,8

Média geral: 6,2

DMS**: 1,27

*CV: coeficiente de variação;
**DMS: Diferença mínima significativa;
Médias seguidas pela mesma letra não diferem entrem si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade

Ao analisar a variável diâmetro do colmo de plantas de abobrinha-italiana, observou-se que o único tratamento que não apresentou valores elevados foi justamente o tratamento que não recebeu nenhum tipo de adubação (T1). Ao comparar o T1 com os demais tratamentos, a diferença entre eles chegou a ultrapassar 3 mm.  Dos tratamentos que receberam adubação, o que se sobressaiu melhor foi o tratamento 3, que recebeu esterco bovino. Já o tratamento T2 e T4 ficaram na mesma linha.

Oliveira Júnior et al. (2009), ao estudarem o efeito das diferentes fontes de fertilizantes orgânicos na cultura da moringa, também observaram que os maiores diâmetros de colmo foram obtidos nos tratamentos que receberam a aplicação de esterco bovino. Além disso, outros estudos também comprovam esse efeito positivo e gradual da adubação orgânica. De acordo com Santana et al. (2012) o aumento do diâmetro do caule das plantas acontece, possivelmente, devido a adição de matéria orgânica no solo, que resultam em vários efeitos benéficos como a melhoria nas propriedades do solo e desta forma aumentando o fornecimento de nutrientes às plantas.

E mais uma vez, alguns estudos comprovaram o efeito positivo e gradual da adubação orgânica. Walter et al. (2009), em estudos onde avaliaram os efeitos imediatos e residuais da utilização de cama de aviário, obtiveram produções superiores às obtidas com adubação mineral. A elevação da concentração de matéria orgânica do solo é considerada o principal benefício do uso agrícola de resíduos orgânicos, devido à sua contribuição para a melhoria nos atributos químicos, físicos e biológicas do solo (BERTON; VALADARES, 1991).

3.3 Número de folhas

As médias que foram encontradas e submetidas a análise de variância, mostrou em seus resultados, resultados esses que estão expostos na tabela 4 que, a utilização de diferentes adubações na produção de abobrinha-italiana apresentou efeitos significativos para o número de folhas.

Tabela 3 Valores médios referentes aos números de folhas totais de plantas de abobrinha-italiana submetidas à adubação orgânica e mineral.

Tratamentos número de folhas
T1 – (Testemunha) 4,4b
T2 – (NPK (4-14-8)) 5,3ab
T3 – (Esterco Bovino) 5,9a
T4 – (Cama aviária) 5,6a
CV (%)*: 14,68

Média geral: 5,2

DMS**: 1,43

*CV: coeficiente de variação;
**DMS: Diferença mínima significativa;
Médias seguidas pela mesma letra não diferem entrem si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade

Para a variável número de folhas, os resultados obtidos referentes aos diferentes tipos de adubação utilizado na produção de abobrinha-italiana (Tabela 4) mostraram que, as plantas que receberam adubação orgânica, como esterco bovino (T3) e cama aviária (T4) apresentaram quantidade de folhas superiores aos tratamentos que não receberam nenhum tipo de adubação (T1) e os que receberam adubação mineral (T2).

Lima et al. (2001), estudando a aplicação de adubo orgânico e adubo mineral, em plantas de cajueiro anão-precoce, observaram que a utilização desses adubos apresentaram efeitos positivos no quantidade de folhas das plantas. Já Melo (2008) relatou que os melhores resultados foram encontrados em plantas que receberam a adubação orgânica. Costa (2008) também encontrou os melhores resultados com a utilização de esterco caprino, obtendo uma média de 63,87 folhas.

3.4 Massa fresca total

Assim como as demais variáveis, a massa fresca total também apresentou efeitos significativos para os diferentes parâmetros avaliados. Esses dados podem ser conferidos na tabela a seguir (Tabela 4):

Tabela 4Valores médios referentes à massa fresca total (gramas) total de plantas de abobrinha-italiana submetidas à adubação orgânica e mineral.

Tratamentos Massa fresca (gramas)
T1 – (Testemunha)          21,7b
T2 – (NPK (4-14-8))         27,3ab
T3 – (Esterco Bovino)          31,6a
T4 – (Cama aviária)         24,0ab
CV (%)*: 17,25

Média geral: 26,15

DMS**: 8,47

*CV: coeficiente de variação;
**DMS: Diferença mínima significativa;
Médias seguidas pela mesma letra não diferem entrem si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade

Os resultados encontrados neste parâmetro mostraram que, a utilização do esterco bovino como um adubo orgânico apresentou um maior incremento quando comparado com os demais tratamentos. A diferença entre o tratamento 3 e o tratamento 1 foi gritante, onde pode se observar (Tabela 4) que o tratamento obteve 9,9g a mais que o tratamento 1.

Silva et al. (2016) relata em seu trabalho que, a maior produção de massa fresca total do feijão-vagem foi alcançada quando se utilizou a adubação via esterco, esse fator pode estar ligado diretamente ao fornecimento de nutrientes presentes no esterco, seja ele bovino ou caprino. Eles apresentam a vantagem de disponibilizar os nutrientes de forma mais rápida na solução do solo, quando fornecido um volume adequado da água de irrigação, com isso, proporcionando maior resposta da cultura e favorecendo maior produção, uma vez que a associação dos fatores (adubação orgânica e níveis de água de irrigação) maximizou a relação solo-água-planta, com isso havendo o maior acúmulo de fitomassa.

Essa superioridade da adubação orgânica também foi observada em um trabalho desenvolvido por Galbiatti et al. (2011), onde ele fala que, a mineralização da matéria orgânica potencializou a ação de microrganismos, vindo a resultar em um melhor aproveitamento dos nutrientes do solo, vindo a favorecer um maior equilíbrio nutricional da cultura avaliada.  De acordo com Borchartt et al. (2011), o aumento da matéria orgânica presente do solo através da aplicação de estercos, pode vir a aumentar consideravelmente a disponibilização de nutrientes às plantas, como confirmado em trabalhos realizados por outros autores. A disponibilização desses nutrientes pode vir a atender as exigências nutricionais das plantas, além de contribuir para a melhoria da capacidade de retenção de água no solo que em função disso diminuirá a frequência de irrigação amenizando os gastos do produtor (SILVA et al., 2016).

Conclusão

Com os resultados alcançados, foi possível analisar que a utilização da adubação orgânica, contribui no crescimento vegetativo da abobrinha italiana (Cucurbita pepo L), promovendo um incremento em seu potencial produtivo. Entretanto, a adubação química também pode ser empregada, desde que seu uso seja feito de forma racional e sem a aplicação de agrotóxicos que prejudiquem o meio ambiente.

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[1] Graduando em Agronomia, Faculdade São Francisco de Barreiras.

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