REVISTACIENTIFICAMULTIDISCIPLINARNUCLEODOCONHECIMENTO
Pesquisar nos:
Filter by Categorias
Pesquisar por:

Integração da enfermagem intensivista e de urgência e emergência: Abordagens interdisciplinares para o cuidado ao paciente cardiopata

Rate this post

CONTEÚDO

REVISÃO INTEGRATIVA

SANTOS, Jhonattan Zaffari dos [1], VIAN, Adrielle Müller [2]

SANTOS, Jhonattan Zaffari Dos. VIAN, Adrielle Müller. Integração da enfermagem intensivista e de urgência e emergência: Abordagens interdisciplinares para o cuidado ao paciente cardiopata. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 11, Ed. 09, Vol. 01, pp. 100-115. Setembro de 2026. ISSN: 2448-0959. Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/enfermagem-intensivista

RESUMO

A presente pesquisa tem como objetivo evidenciar a importância da colaboração entre a enfermagem intensivista e a da urgência e emergência nos cuidados do paciente cardiopata. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, em que foram consultados artigos científicos recuperados dos repositórios digitais Biblioteca Virtual da Saúde, Scientific Electronic Library Online – SciELO, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde – LILACS e PubMed. Foram selecionados 11 artigos para a análise, publicados entre os anos de 2019 e 2024. Os resultados indicaram que enquanto a urgência e emergência prestam os cuidados iniciais ao paciente cardiopata, a enfermagem intensivista monitora e realiza terapia mais ampla e continuada para restabelecer a saúde do paciente. Considera-se que para ofertar cuidados integrais ao paciente cardiopata, a sistematização entre o atendimento da enfermagem de emergência e intensivista é fundamental, pois se complementam. 

Palavras-chave: Cardiopatia, Emergência, Unidade de Terapia Intensiva.

1. INTRODUÇÃO

A enfermagem, ao longo dos anos, vem crescendo em seu campo de atuação abrangendo inúmeras áreas pela perspectiva da totalidade do ser humano. Considera-se, pelo viés da enfermagem, que o sujeito é complexo e completo, de forma que os cuidados em saúde devem abranger as dimensões física, espiritual, emocional e psíquica. Por essa ótica, o trabalho da enfermagem torna-se humanizado centrando no indivíduo o protagonismo de seu tratamento e cura (Ferreira, 2011).

Dessa forma, este profissional está inserido em diversos contextos de atenção em saúde, sendo uma delas a urgência e a emergência. Cabe diferenciar que mesmo sendo situações que demandam cuidados imediatos, enquanto a urgência está associada a riscos próximos que podem provocar a emergência, a emergência é tida como a constatação de uma situação que implica em risco de morte do paciente (Silva, 2019).

Neste contexto de cuidados da enfermagem na urgência e emergência, os pacientes com cardiopatias e doenças cardiovasculares ocupam 52% das internações na UTI (Batista, 2021). As doenças cardiovasculares são as principais causas de morte no mundo, tendo sido responsável por 31% dos óbitos em 2016 (OPAS, 2016) e até nov./2022, 337.930 pessoas foram a óbito no Brasil vítima de doenças cardiovasculares, segundo dados do Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC, 2022).

Portanto, as doenças cardiovasculares se apresentam como um grave problema de saúde pública que demandam grandes esforços do setor de saúde e do Estado em ações de conscientização acerca de hábitos saudáveis e tratamento (SANTOS; MARQUES, 2021). Ainda, as doenças cardiovasculares no Brasil são causadoras de maior índice de óbito que em demais países sul-americanos, e são responsáveis pelo óbito de cerca de 20% dos indivíduos com 30 anos (Santos; Marques, 2021).

Segundo Lucena (2017), atualmente os indivíduos estão adotando hábitos alimentares e de vida menos saudáveis, o que está definindo um novo perfil epidemiológico, portanto, é necessário que haja maior oferta de serviços de urgência e emergência, assim como é necessário a maior capacitação de profissionais da saúde para atender a demanda crescente de pacientes com doenças cardiovasculares. Dentre as doenças cardiovasculares, as mais comuns e que causam mais óbitos no Brasil, são o Acidente Vascular Cerebral (AVC), doenças cardiovasculares inespecíficas e parada cardiorrespiratória (PCR) (Barbosa; Correia; Silva, 2021).

Já as principais cardiopatias são a insuficiência mitral, estenose pulmonar, cardiomiopatia hipertrófica, prolapso da válvula mitral, insuficiência cardíaca, cardiopatia dilatada e infarto do miocárdio (Ciuffo, 2013). Considerando a complexidade das doenças que afetam o coração, os cuidados devem ser integrados e interdisciplinares para promover a melhora, a recuperação e o restabelecimento do paciente (Cestari, 2016).

No ambiente hospitalar, a enfermagem desenvolve importante papel nos cuidados do paciente crítico. Porém, para elevar a qualidade dos cuidados é necessário atuar pela sistematização de ações em um contexto multidisciplinar. Nesse sentido, a presente pesquisa parte do seguinte questionamento: quais são os impactos da parceria colaborativa entre a enfermagem da Urgência e Emergência e a enfermagem Intensivista?

As comissões nacionais de Terapia Intensiva (CNTI) e de Urgência e Emergência (CONUE) anunciaram parceria para ofertar amparos técnicos às decisões do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). A intenção de tal empreendimento é garantir maior efetividade e qualidade ao atendimento do paciente crítico (COFEN, 2021). Neste cenário, a presente pesquisa pretende contribuir com a construção de conhecimentos acerca da atuação colaborativa entre a enfermagem intensivista e da urgência e emergência para colaborar com as reflexões acerca dos impactos que pode resultar nos cuidados ao paciente cardiopata. O objetivo da pesquisa foi evidenciar a importância da colaboração entre a enfermagem intensivista e a da urgência e emergência nos cuidados do paciente cardiopata.

2. MÉTODOS

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, narrativa, realizada pelo procedimento da Revisão Integrativa da Literatura – RIL. Os dados foram coletados a partir da busca por artigos científicos nos repositórios digitais da Biblioteca Virtual da Saúde, Scientific Electronic Library Online – SciELO, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde – LILACS e PubMed. Para elaborar o problema de pesquisa foi utilizada a estratégia PICO (P: population/patients; I: intervention; C: control; O: outcome). No Quadro 1 são apresentados os resultados do uso da estratégia PICO:

Quadro 1 – Estratégia PICO

Acrônimo Resultado
População Enfermagem intensivista e de urgência e emergência
Intervenção Cuidados paciente cardiopata
Controle Colaboração dos profissionais
Outcome Quais são os impactos da parceria colaborativa entre a enfermagem da Urgência e Emergência e a enfermagem Intensivista?

Fonte: Adaptado de Santos e Galvão (2014).

A partir da definição do problema de pesquisa, foi realizada a busca pelos artigos usando as seguintes palavras-chave: “enfermagem intensivista”, “enfermagem de urgência e emergência”, “paciente cardiopata” e os operadores booleanos “and” e “or”.

Os critérios de inclusão são: artigos publicados entre os anos de 2019 e 2024, completos, em língua portuguesa, que abordassem a integração dos cuidados da enfermagem intensivista e da urgência e emergência para os cuidados do paciente cardiopata. Os critérios de exclusão são: monografias, capítulos de livros, trabalhos de conclusão de curso, artigos duplicados e que não correspondessem ao tema da pesquisa.

3. RESULTADOS

Com a busca pelos artigos, pelos parâmetros definidos foram encontrados 56 resultados iniciais. Após a inserção dos critérios de inclusão, foram excluídos 14 artigos que não estavam dentro da delimitação temporal e 7 com acesso restrito ou incompletos, restando 35 resultados. Foi feita a leitura dos títulos e resumos, e aplicação dos critérios de exclusão, excluindo 22 resultados que não eram artigos científicos, restando 13 resultados para a leitura na íntegra. Após a leitura na íntegra, 2 resultados foram excluídos por não corresponderem ao tema da pesquisa, gerando a amostra final de 11 artigos para a análise e discussão dos resultados (Figura 1):

Figura 1 – Caminho da seleção dos artigos

Fonte: Dados da Pesquisa (2024).

A apresentação dos estudos selecionados foi realizada pelas variáveis “Título”, “Autor/Ano”, “Objetivo”, “Método” e “Resultados” (Quadro 2): 

Quadro 2 – Principais características dos estudos selecionados

Título Autor/Ano Objetivos Métodos Resultados
Atuação do enfermeiro em uma unidade de terapia

intensiva coronariana, relato de experiência

Mötke et al. (2020) Contextualizar acerca do papel e influência que o enfermeiro exerce diante da equipe de enfermagem em uma Unidade de Terapia Intensiva Coronariana. Relato de Experiência Para um cenário de práticas seguras, a educação em serviço deve ser contínua e ir ao encontro das demandas de conhecimentos dos profissionais.
Cuidado de enfermagem no pós-operatório

de cirurgia cardíaca pediátrica: revisão

integrativa

Cabral; Chaves (2020) Identificar a atuação do enfermeiro no pós-operatório de cirurgia cardíaca no paciente pediátrico. Revisão Integrativa A atuação do enfermeiro se traduz por meio de uma condução sistemática, complexa e minuciosa, que assume a responsabilidade de assegurar à criança um cuidado completo, providenciando insumos, monitorando-a constantemente e propiciando um cuidado integral orientado pelos diagnósticos e intervenções de enfermagem.
Assistência intensiva às cardiopatias congênitas:

apontamentos ao cuidado de

enfermagem neonatal

Melo et al. (2021) Descrever a assistência intensiva de enfermagem cardiovascular a neonatos com cardiopatia congênita. Revisão Integrativa A atuação do enfermeiro e sua equipe nessa abordagem no contexto intensivo é sistematizada

dentro do processo de enfermagem e deve ocorrer de forma interdisciplinar.

Paciente cardiopata em tratamento de câncer:

Implicações para o cuidado de

enfermagem

Flauzino et al. (2021) Descrever as particularidades  do tratamento contra o câncer em

pacientes cardiopatas, além de

descrever  os

cuidados  de enfermagem no  paciente com cardiopatia que está em tratamento de câncer com uso  de quimioterapia e

radioterapia.

Revisão da Literatura Somente com uma prática

clínica padronizada e sistematizada, será possível garantir a segurança no tratamento do paciente oncológico com

cardiopatia.

Cuidados de enfermagem ao paciente no pós-operatório de cirurgia cardíaca, na Unidade de Terapia Intensiva Reisdorfer; Leal; Mancia (2021) Investigar os nós críticos relacionados ao cuidado de enfermagem ao paciente no pósoperatório de cirurgia cardíaca Estudo de caso Emergiram três categorias: Fragilidades na qualificação profissional para o cuidado ao paciente no pós-operatório de cirurgia cardíaca; Desafios da equipe em relação aos cuidados específicos ao paciente no pós-operatório de cirurgia cardíaca; e A (des)organização do trabalho na Unidade de Terapia Intensiva e sua repercussão no cuidado de enfermagem ao paciente no pósoperatório de cirurgia cardíaca. C
Conduta de enfermagem em gestantes cardiopatas contaminadas pela

Covid-19

Ribeiro et al. (2021) Identificar

os principais cuidados de enfermagem realizados em gestantes cardiopatas contaminadas  pela covid-19

Revisão da Literatura Faz-se imprescindível que  o cuidado humanizado e individualizado se

mantenha presente, pois as gestantes fazem parte de um grupo de pacientes que precisam de uma atenção crítica por

conta de suas alterações fisiológicas e imunológicas.

Cuidados de enfermagem à pessoa com

insuficiência cardíaca: scoping review

Nascimento et al. (2021) Identificar os cuidados de enfermagem à pessoa com insuficiência cardíaca e mapeá-los nas necessidades humanas básicas Revisão de Escopo Foram selecionados 28 artigos, publicados entre janeiro de 2000 a junho de 2020 e identificados 110 cuidados de enfermagem mapeados em 17 níveis das necessidades, prevalecendo as psicobiológicas (64%) nos níveis Oxigenação e Atividade física; psicossociais (19%) nos níveis Liberdade e participação e Educação para a saúde e aprendizagem; e psicoespirituais (17%) no nível Espiritualidade e Religiosidade.
Cuidados de enfermagem aos pacientes com arritmias Abreu et al. (2022) Realizar um levantamento sobre as intervenções de enfermagem diante de um quadro de arritmia em ambiente hospitalar. Revisão Integrativa A compreensão das complicações pós-operatória contribui para a elaboração de um plano de cuidado mais eficaz. As intervenções de enfermagem devem ser pautadas no monitoramento da arritmia, bem como orientação sobre o uso dos antiarrítmicos e esclarecimento de dúvidas sobre a doença.
Percepção do enfermeiro em relação a assistência de enfermagem ao recém

–

nascido

cardiopata: revisão integrativa da literatura

Soares et al. (2022) Analisar a percepção do enfermeiro em relação a assistência

da equipe de enfermagem ao recém

–

nascido cardiopata

Revisão da Literatura Foi identificado no estudo a atuação do enfermeiro durante o processo de cuidado,  ressaltando a importância

de  estar na linha de frente da triagem ao  receber  o RN cardiopata

As ações do enfermeiro frente ao paciente com infarto agudo do miocárdio na urgência e emergência Moraes et al. (2023) Identificar as ações do enfermeiro frente ao paciente com infarto agudo do miocárdio na urgência e emergência. Revisão Integrativa Constatou-se que a enfermagem percebe de forma positiva o uso da  classificação de risco, protocolos e diretrizes como forma de tornar a assistência segura e ágil
Sistematização da assistência de enfermagem ao paciente com Infarto Agudo do Miocárdio em urgência e emergência Martins et al. (2024) Descrever a sistematização da assistência de enfermagem ao paciente com infarto agudo do miocárdio em unidades de urgência e emergência Revisão da Literatura No que diz respeito à doença cardíaca coronária (DCC), verificou-se uma taxa de mortalidade significativa em comparação com outras doenças cardíacas, abrangendo condições

como infarto do miocárdio, angina, cardiopatia isquêmica crônica com insuficiência cardíaca, morte súbita e ataque cardíaco

Fonte: Dados da pesquisa (2024).

Pela caracterização dos estudos pode-se notar que a literatura que aborda diretamente a integração do trabalho da enfermagem intensivista com a urgência e emergência ainda é escassa, porém, em todas as pesquisas são enfatizadas as necessárias integrações e sistematização do trabalho da enfermagem na assistência ao paciente cardiopata. Nesse sentido, na próxima seção serão exploradas as evidências da literatura na intencionalidade de alcançar o objetivo da pesquisa.

4. DISCUSSÃO

O avanço nos conhecimentos científicos e tecnológicos na medicina da cardiologia possibilitou ampliar e sistematizar o atendimento ao paciente cardiopata. Para os cuidados ao paciente cardiopata deve haver a colaboração multidisciplinar de profissionais capacitados, com bons conhecimentos em hemodinâmica para a avaliação precoce de riscos e complicações ao paciente cardiopata (MÖTKE et al., 2020).

Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a enfermagem é responsável pela organização de treinamentos e informações do paciente, e atuar diretamente nos cuidados do paciente pela prática ética, humanista, integralizada. A enfermagem intensivista, ainda, deve desenvolver programas de prevenção às doenças cardiovasculares (Mötke et al., 2020).

Nas UTI’s há constante troca de informações e experiências entre os profissionais da enfermagem para aperfeiçoar os cuidados ao paciente cardiopata, focando em suas necessidades individuais (Mötke et al., 2020).

Nos cuidados de neonatos cardiopatas, dada a gravidade, deve ser realizada a atuação multidisciplinar entre a equipe intensivista e da urgência e emergência. Nesses casos, deve haver a avaliação emergencial e intervenções hemodinâmicas até a correção cirúrgica (Melo et al., 2021). Nesse contexto, a atuação da enfermagem tem início com a entrada do neonato ou da gestante até a internação na UTI em contexto emergencial, onde são realizados os cuidados multidisciplinares (Melo et al., 2021).

Nesse contexto, Cabral e Chaves (2020) explicam que a enfermagem atua sistematicamente para assegurar que a criança com cardiopatia receba cuidados completos. A Terapia Intensiva Pediátrica é um grande desafio dada a complexidade de cuidados e grande vulnerabilidade do paciente. As cardiopatias exigem tratamentos invasivos realizados com auxílio de tecnologia, demandando que a enfermagem esteja capacitada e atue em contexto colaborativo (Cabral; Chaves, 2020).

Ainda, diante dos cuidados ao neonato cardiopata, Soares et al. (2022) evidenciaram que a linha de cuidados da enfermagem é realizada a partir da Sistematização da Assistência em Enfermagem. Pela SAE é realizado um planejamento com objetivos de cuidados para garantir ao paciente o atendimento necessário para alcançar bons resultados ao término do tratamento.

A SAE tem início com a coleta de dados sobre o paciente, o diagnóstico, o planejamento, as intervenções e as avaliações. Ressalta-se que todas as etapas ocorrem por multiprofissionais da enfermagem, que planejam ações colaborativas objetivando a eficácia do tratamento e bem-estar do paciente (Soares et al., 2022).

Nota-se, assim, que os cuidados da enfermagem ocorrem no contexto dos Processos da Enfermagem (PE), pelas etapas da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). Pela SAE, a enfermagem organiza seu trabalho por linhas de assistência e cuidados, garantindo a integridade do atendimento ao paciente cardiopata (Melo et al., 2021).

No contexto do pós-operatório de cirurgia cardíaca em UTI, Reisdorfer, Leal e Mancia (2021) ressaltam a necessidade de superar as fragilidades na qualificação profissional e organizar os processos de trabalho para mitigar os nós críticos da assistência prestada ao paciente cardiopata crítico.

Diante disso, Nascimento et al. (2021) ressaltam a necessidade de um arcabouço teórico que solidifique as ações da enfermagem na promoção da integralidade do indivíduo. Tal perspectiva parte da visão integrada entre a saúde e a doença.

Já nos cuidados com as arritmias cardíacas é necessário o conhecimento sobre as possíveis complicações no pós-operatório. Com isso, as principais ações da enfermagem intensivista e de urgência e emergência se pautam no monitoramento dos sinais vitais e determinação dos efeitos hemodinâmicos. Ao enfermeiro observador cabe o olhar atento e rápido na identificação das alterações para que sejam evitados os eventos fatais (Abreu et al., 2022).

Aos cuidados intensivos, cabe ressaltar que as maiores causas de morte no mundo estão associadas ao câncer e os problemas cardiovasculares. Porém, aos pacientes que são acometidos por essas comorbidades há chances de sobrevivência, dado o avanço tecnológico e das práticas em saúde. Ao paciente oncológico com riscos cardíacos, os cuidados ocorrem por múltiplos profissionais, cabendo à enfermagem acompanhar e prestar cuidados essenciais ao paciente (Flauzino et al., 2021).

Aos pacientes considerados clinicamente graves, a enfermagem intensivista e de urgência e emergência representam a abordagem fundamental, objetivando restaurar a saúde do paciente ou ofertar cuidados paliativos. Enquanto a urgência e emergência está focada nos cuidados iniciais do paciente em estado crítico, a enfermagem intensivista monitora progressivamente os cuidados e condições clínicas do paciente, realizando intervenções de níveis complexos e invasivos (Ribeiro et al., 2021; Moraes et al., 2023).

O paciente que chega à emergência com problemas cardiovasculares é estabilizado pelos profissionais da urgência e emergência, prosseguindo o tratamento na Unidade de Terapia Intensiva. Ribeiro et al. (2021) explicam que em pacientes de risco, como as gestantes, é necessário atentar-se para a humanização e individualização dos cuidados, evitando os riscos de doenças cardíacas que afetam a mãe e o feto.

Moraes et al. (2023), nesse sentido, afirmam que os cuidados prestados pelos profissionais da urgência e emergência são fundamentais, pois é o primeiro contato estabelecido com o paciente. O acolhimento ocorre por classificação de risco, para que sejam priorizados os casos em que há risco de morte do paciente. Assim, diante da gravidade e do risco de prognóstico negativo, o atendimento é priorizado.

Nesse contexto, o paciente com Infarto do Miocárdio deve ser atendido com prioridade, já que o tempo de atendimento é um dos determinantes para que receba a angioplastia ou terapia trombolítica. É no atendimento de urgência e emergência integrado à terapia intensiva que se observam a gravidade e complexidade terapêutica para a recuperação do paciente. Ressalta-se que a integração de cuidados é capaz de reduzir o tempo de internação do paciente (Moraes et al., 2023).

Ao paciente com infarto no miocárdio, cabe à enfermagem identificar rapidamente os sintomas do paciente, o que lhe requer destreza e habilidades específicas. Deve, então, conseguir interpretar eletrocardiogramas e exames de enzimas para que possa mitigar riscos de complicações. Os enfermeiros da emergência devem tomar decisões ágeis e encaminhar o paciente, após os cuidados iniciais, à UTI, local onde serão ofertados cuidados mais amplos (Martins et al., 2024).

Nota-se, assim, que enquanto a urgência e emergência é a porta de entrada hospitalar ao paciente cardiopata ou com problemas cardiovasculares, é na UTI que os cuidados se prolongam e ampliam. A integração e sistematização da assistência da enfermagem de emergência e urgência e da intensivista é fundamental para fornecer cuidados holísticos na restauração da saúde do paciente.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa teve como objetivo evidenciar a importância da colaboração entre a enfermagem intensivista e a da urgência e emergência nos cuidados do paciente cardiopata. Para tanto, foi feita uma revisão sobre as características dos cuidados da urgência e emergência e da terapia intensiva, bem como, da complexidade e gravidade dos cuidados em cardiopatias.

Com a pesquisa, pode-se perceber que a integração dessas especialidades de enfermagem tem um impacto direto nos resultados clínicos dos pacientes. Um cuidado mais coordenado e especializado pode reduzir a incidência de complicações, diminuir a duração da estadia em unidades de terapia intensiva e emergência, e evitar prognósticos ruins.

REFERÊNCIAS

ABREU, Wanessa Oliveira de et al. Cuidados de enfermagem aos pacientes com arritmias. Research, Society and Development, v. 11, n. 9, e38411931885, 2022.

BARBOSA, Neyri Karla Gomes da Silva; CORREIA, Marjorie Andrade; SILVA, Jefferson Severiano da. Perfil de pacientes adultos com doenças cardiovasculares no Brasil: uma revisão integrativa. Revista Eletrônica Estácio, Recife, v. 6, n. 2, 2021.

BATISTA, Tais dos Santos. Assistência de enfermagem ao idoso em unidade de terapia intensiva cardiológica: percepções do cuidar. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 13, n. 6, p. e7706, 2021.

CABRAL, João Victor Batista; CHAVES, Juliana Sousa de Castro. Cuidado de enfermagem no pós-operatório de cirurgia cardíaca pediátrica: revisão integrativa. Revista de Enfermagem Contemporânea, v. 9, n. 1, p. 118-126, 2020.

CESTARI, Virna Ribeiro Feitosa et al. Competências do enfermeiro na promoção da saúde de indivíduos com cardiopatias crônicas. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 69, n. 6, p. 1195-1203, 2016.

CIUFFO, Luisa Allen. O estudo das patologias cardíacas em casos de necropsia do Instituto Médico Legal de Salvador, Bahia, no período de 2010 a 2011. 2013. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2013.

CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM – COFEN. Comissões de Urgência e Emergência e Terapia Intensiva desenvolvem parceria. Brasília: COFEN, 17 dez. 2021. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/comissoes-de-urgencia-e-emergencia-e-terapia-intensiva-desenvolvem-parceria/. Acesso em: 7 mar. 2024.

FERREIRA, Marcia de Assunção. Enfermagem: arte e ciência do cuidado. Escola Anna Nery, v. 15, n. 4, p. 664-666, 2011.

FLAUZINO, Victor Hugo de Paula et al. Paciente cardiopata em tratamento de câncer: Implicações para o cuidado de enfermagem. Research, Society and Development, v. 10, n. 6, e49110615899, 2021. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/15357/13899. Acesso em: 8 mar. 2024.

LUCENA, Renata Eloah de. Mudança no perfil epidemiológico e os desafios na urgência e emergência. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 70, n. 2, p. 120-128, 2017.

MARTINS, Carolina de Souza et al. Sistematização da assistência de enfermagem ao paciente com Infarto Agudo do Miocárdio em urgência e emergência. Contribuciones a Las Ciencias Sociales, v. 17, n. 2, p. 01-12, 2024. Disponível em: https://ojs.revistacontribuciones.com/ojs/index.php/clcs/article/view/5419/3588. Acesso em: 8 mar. 2024.

MELO, Laércio Deleon de et al. Assistência intensiva às cardiopatias congênitas: apontamentos ao cuidado de enfermagem neonatal. Research, Society and Development, v. 10, n. 5, e38610515123, 2021.

MORAES, Cladis Loren Kiefer et al. As ações do enfermeiro frente ao paciente com infarto agudo do miocárdio na urgência e emergência. Global Academic Nursing Journal, v. 4, n. 1, e369, 2023. Disponível em: https://www.globalacademicnursing.com/index.php/globacadnurs/article/view/446/692. Acesso em: 8 mar. 2024.

MÖTKE, Taíse Tatiele et al. Atuação do enfermeiro em uma unidade de terapia intensiva coronariana, relato de experiência. In: SALÃO DO CONHECIMENTO, 2020, Ijuí. Anais da XXI Jornada de Extensão… Ijuí: Unijuí, 2020. Disponível em: https://publicacoeseventos.unijui.edu.br/index.php/salaoconhecimento/article/view/18032. Acesso em: 8 mar. 2024.

NASCIMENTO, Maria Naiane Rolim et al. Cuidados de enfermagem à pessoa com insuficiência cardíaca: scoping review. Enfermagem em Foco, v. 12, n. 6, p. 1-7, 2021.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE – OPAS. Doenças cardiovasculares. Folha informativa. Brasília: OPAS, 2016. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/doencas-cardiovasculares. Acesso em: 7 mar. 2024.

REISDORFER, Paula Smaniotto; LEAL, Fátima Cristina Tissot; MANCIA, Joel Rolim. Cuidados de enfermagem ao paciente no pós-operatório de cirurgia cardíaca, na Unidade de Terapia Intensiva. Enfermagem em Foco, v. 12, n. 3, p. 512-518, 2021.

RIBEIRO, Daniele Vignoli et al. Conduta de enfermagem em gestantes cardiopatas contaminadas pela Covid-19. Research, Society and Development, v. 10, n. 9, e40610918097, 2021. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/18097/16164. Acesso em: 8 mar. 2024.

SANTOS, Ana Paula Costa dos; MARQUES, Patrícia Bezerra. Atuação do enfermeiro frente à parada cardiorrespiratória em ambiente extra-hospitalar. Revista Eletrônica Atualiza Saúde, Salvador, v. 9, n. 9, p. 07-15, jul./dez. 2021.

SANTOS, Marilene Augusta Rocha Crispino; GALVÃO, Márcia Garcia Alves. A elaboração da pergunta adequada de pesquisa. Residência Pediátrica, v. 4, n. 2, p. 53-56, 2014.

SBC – SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Cardiômetro. Rio de Janeiro: SBC, 2022. Disponível em: http://www.cardiometro.com.br/. Acesso em: 7 mar. 2024.

SILVA, Laurice Aguiar dos Santos et al. Atuação do enfermeiro no atendimento da Urgência e Emergência. Revista Extensão, v. 3, n. 1, p. 83-92, 2019.

SOARES, Tamires de Nazaré et al. Percepção do enfermeiro em relação à assistência de enfermagem ao recém-nascido cardiopata: revisão integrativa da literatura. Research, Society and Development, v. 11, n. 6, e52711629007, 2022. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/29007/25184. Acesso em: 8 mar. 2024.

INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES 

[1] Graduando em Enfermagem. ORCID: 0009-0007-3980-8508. 

[2] Graduanda em Enfermagem. ORCID: 0009-0007-6604-2659.

Contribuição dos autores:

Jhonattan Zaffari dos Santos: Autor do tema, planejou, elaborou, fundamentou exemplos de artigos, articulou o esqueleto do artigo com bases nas evidencias visíveis e plausíveis a realidade, elaborou gráfico e diagramas. 

Adrielle Müller Vian: Participou na escolha do tema, fundamentou as a elaboração do artigo, corrigiu erros possíveis, participou no planejamento e na elaboração, citou exemplos possíveis mediante ao tema selecionado e supervisionou. 

INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL

Conflito de interesse: 

N/A.

Agradecimentos:

N/A.

Financiamento:

N/A.

Nota de presença de IA:

Os autores utilizaram a Inteligência Artificial (Word 365) para auxílio no ajuste textual, correção gramatical e sugestão de estilo durante o processo de revisão do manuscrito. No entanto, todas as buscas de conteúdo, seleção e avaliação da qualidade dos artigos foram realizadas de forma estritamente autoral.

Informações sobre Direitos Autorais e Licença:

Este é um artigo de Acesso Aberto distribuído sob os termos da Creative Commons Attribution License, que permite uso, distribuição e reprodução irrestritos em qualquer meio, desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.

Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.

  • ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
  • Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

Histórico da Publicação:

Material recebido: 20 de janeiro de 2025.

Material aprovado pelos pares: 05 de março de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 31 de agosto de 2026.

Rate this post
Jhonattan Zaffari dos Santos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POXA QUE TRISTE!😥

Este Artigo ainda não possui registro DOI, sem ele não podemos calcular as Citações!

Este anúncio ajuda a manter a Educação gratuita
Este anúncio ajuda a manter a Educação gratuita