O uso da tecnologia como aporte ao agronegócio

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ARTIGO ORIGINAL

CUNHA, Fabrício José Krumpos [1], ZAMBONINI, Jean Gilberto Aparecido [2], MENDES, Luciana Maura Aquaroni Geraldi [3]

CUNHA, Fabrício José Krumpos. MENDES, Luciana Maura Aquaroni Geraldi. ZAMBONINI, Jean Gilberto Aparecido. O uso da tecnologia como aporte ao agronegócio. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 09, Vol. 05, pp. 22-35. Setembro de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O mundo passou por uma transformação nos últimos anos devido ao uso intensivo de tecnologia nos mais diferentes ramos. É difícil encontrar áreas que não foram contempladas pela inovação, seja no campo ou na cidade, na cultura ou na educação, na saúde ou nos negócios. O número de empresa inovadoras de base tecnológica cresceu ano a ano. De acordo com a base de dados do ecossistema de startups, da Associação Brasileira de Startups (ABStartup), o Brasil contava, em 2019, com mais de 12,5 mil startups, espalhadas em 65 comunidades e 568 cidades. A partir deste ponto, a tendência é que o número cresça cada vez mais, levando em consideração que esse tipo de empresa nasce com o objetivo de apresentar soluções para problemas latentes na sociedade, transformando a vida da população de forma positiva. A transformação chegou ao campo com o uso intensivo de Tecnologia da Informação, as chamadas Agtechs mudaram a maneira com que o agronegócio se desenvolve, ajudando a transformar, aumentando a produtividade e facilitando o trabalho do agricultor.

Palavras-chaves: Tecnologia da Informação, Startups, AgTechs, Inteligência Artificial, Agronegócio.

1. INTRODUÇÃO

O mundo tem passado por uma transformação nos últimos anos graças ao uso intensivo de tecnologia nos mais diferentes ramos. É difícil encontrar áreas que ainda não foram contempladas pela inovação, seja no campo ou na cidade, na cultura ou na educação, na saúde ou nos negócios.

O número de empresa inovadoras de base tecnológica tem crescido ano a ano. De acordo com a base de dados do ecossistema de startups, da Associação Brasileira de Startups (2019), o Brasil conta com mais de 12,5 mil startups, espalhadas em 65 comunidades e 568 cidades. A tendência é que o número cresça cada vez mais, levando em consideração que esse tipo de empresa nasce com o objetivo de apresentar soluções para problemas latentes na sociedade, transformando a vida da população de forma positiva.

A estimativa da IDC (2019) é que, em 2019, o mercado de Tecnologia da Informação cresça 10,5% se comparado ao ano anterior, impulsionado pelos processos de transformação digital, por movimentos de substituições de tecnologias e pelas vendas de PCs, tablets, smartphones, impressoras e outros dispositivos. Entre as principais tendências apontadas pela pesquisa, encontra-se o setor de Inteligência Artificial, onde os investimentos globais devem chegar a US$ 52 bilhões até 2021.

Ainda de acordo com o estudo, no Brasil, 15,3% das médias e grandes empresas já contam com a tecnologia entre as principais iniciativas e este percentual deve dobrar nos próximos quatro anos. O estudo aponta que, para 2022, a previsão do uso de inteligência artificial é de 20% das empresas usando tecnologias de voz para interação com clientes e, em 2024, interfaces de inteligência artificial e automação de processos devem substituir um terço das interfaces de tela dos aplicativos. Tendência essa que deve chegar aos diversos setores, incluindo o setor agrícola.

Levando em consideração os dados, é possível afirmar que o Brasil se apresenta como um celeiro de boas ideias e, apesar de ser um ecossistema em desenvolvimento, tem chamado atenção mundo a fora. São diversas as empresas que estão se destacando e conquistando a internacionalização, sem d eixar nada a desejar na comparação com inciativas nascidas no exterior.

Ainda que boa parte da sociedade desconheça o seu potencial, o Brasil conta pesquisadores de ponta, que dedicam boa parte de suas carreiras para realizar a transferência do conhecimento da academia para a indústria. Exemplo disso é a região de Ribeirão Preto, onde a presença de pesquisadores, mestres e doutores é fortíssima.

Conhecida nacionalmente por ser uma região forte na área da saúde e do agronegócio, Ribeirão Preto também tem chamado atenção pelo forte trabalho que vem desenvolvendo em relação ao empreendedorismo inovador. Aqui, nasceram importantes iniciativas, como o Supera Parque de Inovação e Tecnologia, fruto de uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP) e Prefeitura Municipal, MOVER- Movimento Empreende Ribeirão; Sevna Startups – aceleradora de empresas; Pluris Aceleradora.

Isso sem citar outras importantes iniciativas que são desenvolvidas na região, em cidades como Franca, Sertãozinho, Jaboticabal e São Carlos. São iniciativas que têm contribuído para que novas soluções cheguem à sociedade, mitigando problemas que antes pareciam sem solução.

Desta forma, o presente trabalho tem como objetivo tratar das soluções desenvolvidas para o agronegócio e que estão ajudando a transformar a vida no campo. Uma pesquisa divulgada em abril pelo Parque Tecnológico de Ribeirão Preto, Inovajab e Liga Ventures mostra que já são mais de 300 iniciativas voltadas para o setor.

Além de oferecerem soluções para problemas cotidianos no campo, contribuem para aumentar a aumentando a produtividade. No âmbito do Supera Parque, por exemplo, é possível encontrar soluções de controle biológico de pragas – que amplia a produtividade e reduz custos com agrotóxicos, além de fornecer alimentos mais saudáveis.

Ou, sistemas de meteorologia que podem ser utilizados na propriedade e que contribuem para aumentar a produção e lidar com as catástrofes climáticas. Há ainda outros exemplos, como startup que desenvolve soluções utilizadas para a agrimensura através de drones.

Este são apenas alguns dos exemplos de como o desenvolvimento tecnológico tem contribuído para mudar o status quo do setor. De tal modo, neste artigo, pretendemos dar um panorama geral do setor de inovação no agronegócio, focando especificamente em startups que utilizam Tecnologia da Informação para o desenvolvimento de seus produtos e serviços.

Queremos verificar, por exemplo, se o uso de Inteligência Artificial tem causado um impacto positivo e de que outras formas o uso de TI tem sido aplicado. A ideia, claro, é apenas iniciar um debate sem esgotar o assunto. Entendemos que este é um campo vasto e que está é apenas uma contribuição para chamar atenção para um assunto que tem ainda muito campo de desenvolvimento.

1.1 O SETOR AGRO NO BRASIL

O Brasil é um país com um potencial muito grande para o agronegócio, exportando produtos para diversos outros países, principalmente, os localizados na Ásia e Europa. De acordo com informações do site Bayer Jovens (2019) o país ocupa a 9ª posição entre as maiores economias do mundo, sendo que o PIB (Produto interno Bruto) foi de R$ 6,6 trilhões em 2017. É também o 2º maior produtor de alimentos do planeta, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. São diversos os fatores que fizeram do país uma potência, entre elas, o clima, localização privilegiada, água, solo fértil, entre outros.

Conforme aponta BARROS, o agronegócio no Brasil é um sistema complexo por apresentar uma série de cadeias produtivas altamente complexas. Diz o especialista:

O país apresenta diversas cadeias completas de produção. Todo segmento de insumos (máquinas agrícolas e tratores, fertilizantes, defensivos, sementes, reprodução animal, melhoramento genético, etc), segmento de produção agrícola (que contempla as principais culturas e animais produzidos no mundo), toda cadeia processadora e de distribuição, informática associada ao agronegócio, dentre outros, constituem e caracterizam um amplo sistema. Produtivo (2010, p-2-3).

E, por ser um sistema diversificado, reúne um amplo número de produtos que são estruturados em uma cadeia completa, passando por vários segmentos, ainda de acordo com BARROS, que cita alguns exemplos interessante:

Açúcar e álcool, laranja, café, soja, algodão, segmento da madeira (móveis, papel e celulose, compensado, etc.), tabaco, borracha, cacau, frutas, tomate, carne vermelha, carne de frango, cadeia de suínos, ovos, leite, batata, tomate, cadeias menores como flores e hortaliças encontram-se presentes no país. […] Ademais, note-se que o Brasil tem, além da diversificação das exportações, um grande mercado consumidor doméstico. (2010, p.4)

De acordo com dados do Ministério da Agricultura (2017), o PIB do agronegócio compreende, além das atividades primárias realizadas no estabelecimento, as atividades de transformação e de distribuição, participa com aproximadamente 24% do PIB brasileiro.

O setor é estratégico para o país e é possível dizer que o seu desenvolvimento ano após ano é possível graças ao apoio de importantes instituições que trabalham, incansavelmente, com pesquisas, desenvolvimento e inovação. É o caso, por exemplo, da Embrapa e outras instituições privadas e universidades, conforme aponta BUAINAIN:

A chave do sucesso, como já amplamente reconhecido, veio do desenvolvimento de um importante sistema de pesquisa, composto pela Embrapa, por instituições estaduais, pelas universidades e, mais recentemente, por instituições privadas. Chamamos a atenção para a forte interação entre as instituições públicas e o setor produtivo, um caso quase único no panorama acadêmico brasileiro. Naturalmente, essa interação afina as questões postas para a pesquisa e facilita a obtenção de resultados positivos, coisa pouco relevante no caso da indústria, que, em geral, busca na importação a solução de suas questões tecnológicas. O esforço de pesquisa assentado sobre as características específicas do território brasileiro acabou por produzir pacotes tecnológicos adaptados e responsáveis pela grande tropicalização da agricultura brasileira, que em pouco tempo saiu das áreas temperadas do Sul do Brasil e chegou ao sul do Piauí e do Maranhão (2014, p.17).

Dada a sua importância, vive uma série de desafios. Ainda segundo BUAINAIN:

[…] processo de desenvolvimento econômico caracteriza-se por uma constante mudança e uma sucessão de desafios, que surgem a cada sucesso. Ao mesmo tempo, fatores externos sempre estarão criando novas agendas, como é o caso da discussão sobre o aquecimento global e seus impactos no setor, algo inexistente há 15 anos. Daí porque, apesar do enorme avanço e da mudança no crescimento agrícola, a lista atual de desafios continua a ser grande. (2014, p.18)

Na lista de desafios citados pelo autor estão a infraestrutura brasileira – que ficou pequena para acomodar o extraordinário crescimento da produção e dos mercados; os desafios agronômicos, tanto para a pesquisa quanto para a produção; os desafios institucionais como o enfraquecimento do Ministério da Agricultura; questões de trabalhistas; a disputa sobre terceirização de atividades; entre outros.

Atualmente, um dos desafios do agronegócio diz respeito ao uso crescente da tecnologia, principalmente, nos últimos anos, quando o país passou por um momento delicado no que diz respeito à economia. Em um artigo publicado pela revista Dinheiro Rural, Renato Levien, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, chamou a atenção para o fato de que o Brasil é considerado uma referência em ciência e inovação para a agricultura.

Esse status só foi possível graças à fundação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e ao trabalho de pesquisa e de desenvolvimento de institutos e universidades. A consequência foi a grande expansão da produção agrícola brasileira. A área plantada de grãos, por exemplo, mais que dobrou: passou de 27 milhões de hectares em 1970, para 58 milhões de hectares no ano passado. Já a produção neste período saltou de 29 milhões de toneladas para quase 200 milhões de toneladas (2016).

LEVIEN afirma que, apesar de todo o avanço conquistado pelo agronegócio brasileiro, investir em tecnologia para o País crescer e atender os mercados interno e externo é imprescindível, já que as novas tecnologias possibilitam o aumento de competitividade do setor agroindustrial.

2. O USO DE TECNOLOGIA NO AGRONEGÓCIO

Assim como em outras áreas como saúde e educação, o uso de tecnologia no agronegócio vem crescendo ano após anos, principalmente, com o crescimento no número de empresas inovadoras de base tecnológica que estão surgindo no mercado. O agro atrelado à tecnologia é uma verdade inexorável, o que ajuda com que o setor se desenvolva de forma mais rápida, mitigando problemas que, antes, pareciam longe de uma solução eficaz.

REDIVO (2009) corrobora com esse pensamento e afirma que que a disseminação da tecnologia da informática e a produção de computadores mais velozes e mais baratos possibilitaram uma evolução significativa nos últimos anos no setor rural.

Já o estudo Liga Insigths Agtechs divulgado pelo Jornal da USP (2019), promovido pela Liga Ventures, aponta que apesar do avanço no uso da tecnologia associado ao setor agro, ainda existem muitos desafios. Entre os mais complexos, os burocráticos e estruturais que impedem que o setor seja ainda mais inovador. Outra dificuldade é fazer com que os tomadores de decisão no campo optem por adotar as soluções apresentadas e, assim, enfrentar um conservadorismo e um gap informacional ainda presentes.

As questões transitam desde a abertura do mercado para a construção de aplicações nos seus mais variados elos, passando pela estrutura necessária para a construção de soluções mais complexas e suas necessidades de tempo e investimentos para amadurecimento, além de pontos básicos como a conectividade no campo e o acesso ao capital para a implantação destas soluções.

Tal estudo, inclusive, é uma excelente ferramenta para entender como a tecnologia está sendo aplicada no setor agro e que tipo de solução está sendo desenvolvidas e aplicadas. Foram mais de 11 mil startups brasileiras analisadas das quais 307 foram consideradas e subdivididas em 18 categorias. Em depoimento ao estudo, José Paulo Molin, professor e coordenador do Laboratório de Agricultura de Precisão da Esalq-USP e presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão, aponta que a predominância da agricultura tradicional é um dos principais desafios enfrentados pelo setor agro ao tentar se digitalizar. Ele aponta ainda que não há maturidade suficiente para que se entenda conceitos como agricultura de precisão, e a real necessidade de implementar as tecnologias.

Os primórdios da agricultura de precisão são da virada do milênio para nós. É um tempo muito curto na história da agricultura para se dizer que virou a página. Veremos uma maior adoção de soluções tecnológicas a partir das propriedades maiores. […] No futuro, as atividades da agricultura de precisão e todos seus derivados serão conduzidas por uma equipe, não por um indivíduo (…) (2019, p.12)

Ainda sobre o mapeamento, em entrevista à rádio USP (2019) de Ribeirão Preto, o pesquisador do Núcleo de Inovação Tecnológica do Supera Parque de Inovação e Tecnologia , Diego Siqueira, explicou que o impacto das chamadas agtechs no setor é considerável, já que o mercado mundial é estimado em US$ 8 trilhões e vem crescendo, em média, 43% ao ano, sendo que em 2017, o valor investido nas agtechs foi de R$ 437 milhões.

Ainda de acordo com o pesquisador, o uso da tecnologia pelas agtechs impulsiona a chamada Revolução 4.0 no campo, sendo que a expectativa é que até 2020 haja um crescimento 20% nos segmentos na área de tecnologia robótica voltada para a agricultura. Já o mercado de Smart Agriculture deve alcançar US$ 15,3 bilhões.

2.1 USO DE TI NA AGRICULTURA

Data Analytics e Inteligência Artificial foram contemplados em uma das categorias do estudo da Liga Insight. Nesta categoria, foram apresentadas 20 plataformas e soluções para a captação, organização, interpretação e uso de dados, resultando em inteligência aliada ao setor para fomentar melhorias, eficiência e produtividade que, por sua vez, é a precursora da chamada agricultura 4.0

Luis Otávio da Fonseca, head global de soluções agro da IBM, em entrevista à Globo Rural (2018), explicou que esse conceito está ligado à quarta revolução, onde se utiliza a tecnologia, principalmente, a tecnologia da informação.

Sensorização, conexão remota, estatística, inteligência artificial. A combinação disso forma a agricultura 4.0, que visa melhorar a performance do produtor. Habilitada essa performance, com o campo falando, pode trazer essa informação para toda a cadeia e aumentar a eficiência.

De acordo com o executivo, ainda em entrevista à revista, a inserção da tecnologia da informação na agricultura abre, para o produtor, a possibilidade de melhoria na operação agronômica. De outro lado, um banco poderá prover crédito conforme a performance do produtor. Ele alerta que, se o mercado brasileiro quiser continuar competitivo não só pelo volume que produz, deve ter uma identidade associada ao produto.

[…] uma indústria poderá selecionar o melhor produto para a necessidade dela e as seguradoras poderão monitorar o risco de maneira mais eficiente, vender mais seguros ou assegurar mais produtores. É uma mudança não só para produzir mais, mas o que o mercado quer, no momento que precisa.

Algumas das linguagens desenvolvidas dentro dessa área já se encontram em uso há alguns anos. É o caso, por exemplo da Aprendizagem de Máquina (Machine Learning), que utiliza algoritmos para a análise de dados, por exemplo.

Em um artigo publicado no Linkedin, Rossely Favilla, CEO do Seed Rain, explica que o Aprendizado de Máquina é um método de análise de dados, utilizando algoritmos que aprendem ao interagir com um grande volume de dados, com capacidade de fazer generalizações obtidas a partir de premissas mais particulares.

O campo, a sua lavoura e todas as suas culturas geram dados. Informações que podem ser utilizadas por você para otimizar cada vez mais. É identificar as melhores áreas para cada talhão, regiões que costumam ter deficiência de nutrientes e qual a área mais produtiva do terreno, para falar alguns exemplos. A máquina pode fazer desde tarefas simples que vão economizar seu tempo, como contar mudas e calcular plantas por metro quadrado, até situações mais complexas, como identificar uma praga na lavoura, determinar a área total que atinge e até dar sugestões de como eliminá-la. (2018)

Uma outra tendência é a utilização de drones, VANTs e geoprocessamento. De acordo com o estudo da Liga Insigths, um desafio enfrentado pelo setor Agro é a obtenção de eficiência em uma grande área de monitoramento de colheita e criação, sendo que até então, uma das formas mais utilizadas para o monitoramento era por imagens de satélites – que além de altos custos, apresentavam imprecisão na qualidade das imagens e a necessidade de solicitá-las com antecedência.

Na região de Ribeirão Preto, uma empresa que utiliza a tecnologia é a Velbrax Agro, que atua no desenvolvimento de informações estratégicas para a agricultura, gerando precisão através de imagens aéreas e dados obtidos através da utilização de ARPs (Aeronaves Remotamente Pilotadas) também conhecidos por drones.

A startup, ligada à aceleradora Sevna Startups, atua principalmente no mercado de cana. A empresa reta ao produtor o serviço de monitoramento e análise de grandes áreas, contribuindo para que o agricultor possa conduzir e controlar toda a extensão da sua propriedade. Com isso, consegue apontar falhas na produção agrícola em crescimento, áreas com estresse hídrico, além de áreas com baixa fertilidade ou falhas no plantio, facilitando a tomada de decisão para a resolução dos problemas.

A solução da empresa combina soluções e ferramentas que fornecem informações estratégicas de forma muito mais ágil. São utilizadas captações áreas, combinando processamento e análise digital de relatórios, o que é uma vantagem em relação aos métodos tradicionais.

Outro exemplo de startup que utiliza a Tecnologia da Informação em favor do agronegócio é o LabMet – uma plataforma tecnológica de fácil compreensão, desenvolvida para o pequeno, médio e grande agricultor. A empresa está sediada na cidade de Jaboticabal e combina monitoramento, localização e simulações meteorológicas avançadas com análise profunda de dados do solo e cultura para apresentar soluções e recomendações aos produtores e seu plantio.

A empresa utiliza modelos estatísticos, onde sensores conectados à internet são os responsáveis pela captura e envio de dados ao sistema de análise. Com isso, os produtores contam com o apoio de uma espécie de “agrônomo digital”, já que a plataforma combina técnica de Internet das Coisas (IoT) e Inteligência Artificial.

As estações implantadas pela empresa são conectadas à internet móvel e são autônomas, já que produzem a energia que consomem. Os dados coletados são enviados para o sistema de Inteligência Artificial que analisam as características do microclima, do solo e da cultura para indicar ao agricultor quais são os processos mais adequados para cada uma das etapas do plantio. As informações são repassadas pelo agricultor por mensagem de texto por meio do celular.

Esses são apenas dois entre tantos exemplos de como a Tecnologia da Informação tem contribuído para o setor agro. A região de Ribeirão Preto, em especial, é rica em soluções que, em um futuro próximo, serão capazes de revolucionar a operação do produtor rural, inclusive, na maneira com que se relaciona com o mercado.

3. CONCLUSÃO

O objetivo do presente artigo foi o de iniciar um debate acerca de como a Tecnologia da Informação está contribuindo para a transformação do agronegócio no Brasil e no mundo. Trata-se de um tema muito rico uma vez que o campo vem passando por uma verdadeira transformação com chamada Agricultura 4.0.

Discutir tal tema é enriquecedor e, principalmente, é importante para entender de que forma os profissionais da área de TI podem contribuir para que o agricultor seja inserido nessa nova realidade, onde tudo e todos estão conectados 24 horas por dia, sete dias por semana. O uso intensivo de tecnologia tem trazido benefícios para as mais diversas áreas do conhecimento e não pode ser diferente no campo – é um caminho inexorável.

Estar conectado significa para o agricultor um processo muito mais automatizado e preciso, com uma gestão com dados mais confiável, utilização de novas ferramentas, novas técnicas, que garantem o negócio se tornará muito mais competitivo e lucrativo, já que terá uma gestão mais eficiente de todo o processo de produção, produzindo mais e melhor.

Hoje, o agricultor conta com informações precisas, com alta tecnologia e que podem ser acessadas na palma da mão, por meio do seu smartphone, por exemplo. Com isso, consegue, por exemplo, antecipar fatores climáticos que interferem diretamente no desenvolvimento da cultura em sua propriedade, definindo qual o melhor tempo para plantar e qual o melhor tempo para colher, para citar um dos diversos benefícios do uso da tecnologia do campo.

Por outro lado, com o presente artigo, é possível pensar também em como a agricultura oferece ao profissional de Tecnologia da Informação um amplo campo de atuação, já que é um campo que ainda carece de soluções que sejam capazes de solucionar tradicionais gargalos, barateando custos e reduzindo a drasticamente a perda ocasionada por falhas que, com a tecnologia, poderão deixar de acontecer.

REFERÊNCIAS

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BUAINAIN, Antônio Márcio; ALVES, Eliseu; SILVEIRA, José Maria da; NAVARRO, Zander (Org.). O mundo rural no Brasil do século 21: a formação de um novo padrão agrário e agrícola. Brasília, DF: Embrapa, 2014.

FAVILLA. ROSSELY. Big data, machine learning e inteligência artificial já chegaram na agricultura. Linkedin. Disponível em: <https://www.linkedin.com/pulse/big-data-machine-learning-e-intelig%C3%AAncia-artificial-j%C3%A1-favilla>. Acesso em: 21/jun/2019.

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LEVIEN, Renato. Os novos desafios da tecnologia no agronegócio. Dinheiro Rural. 20/dez/2016. Disponível em: < https://www.dinheirorural.com.br/os-novos-desafios-da-tecnologia-no-agronegocio>. Acesso em: 15/jun/2019.

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STARTUPBASE. Startups pelo Brasil – O ecossistema brasileiro em números. Página inicial. Disponível em: <https://startupbase.com.br/>. Acesso em: 18/jul/2019.

[1] Graduado em Sistemas de Informação.

[2] Graduado em Sistemas de Informação.

[3] Doutorado em Educação Escolar. Mestrado em Engenharia (Engenharia de Produção). Especialização em Informática aplicada E Matemática. Especialização em Didática na Prática Escolar nos Diferentes Níveis. Graduação em Tecnologia Em Processamento de Dados.

Enviado: Agosto, 2019.

Aprovado: Setembro, 2019.

 

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