ENSAIO TEÓRICO
NUNES, Delcidio Aparecido [1]
NUNES, Delcidio Aparecido. Teoria do Big Circle (TBC): Cosmologia cíclica, matéria e antimatéria. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 11, Ed. 02, Vol. 01, pp. 101-128. Fevereiro de 2025. ISSN: 2448-0959. Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/fisica/teoria-do-big-circle,
DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/fisica/teoria-do-big-circle
RESUMO
A Teoria do Big Circle (TBC) propõe um modelo cíclico e informacional do universo, derivado da Teoria da Informação da Informação (TI²). Diferente do modelo do Big Bang, que parte de uma singularidade, ou de outros modelos cíclicos que repetem a estrutura do universo, a TBC descreve o cosmos como uma sucessão de inversões de fase entre matéria e antimatéria, mantendo a continuidade do campo informacional universal. O universo não “nasce” de um ponto, mas reconfigura-se em ciclos sucessivos regidos por defasagens entrópicas e reorganizações informacionais. A TI² redefine os fundamentos cosmológicos ao postular que o espaço é estático, o tempo é relativo ao grau de congestionamento informacional e a gravidade é um efeito emergente da densidade de informação. A entropia, por sua vez, atua como motor cósmico, impulsionando a expansão por meio do descompasso entre regiões de alta e baixa densidade informacional. A TI² concilia a mecânica quântica à física clássica em um espaço estático, estabelecendo o alcance máximo das interações informacionais e, portanto, os limites da coerência entre regiões do universo. Esse princípio define o horizonte informacional efetivo e fornece base para compreender a estrutura e o ritmo dos ciclos cósmicos. O presente estudo investiga como essa diferença entrópica gera um início de expansão suave, acelerando até um ponto de convergência que inicia a desaceleração da expansão até a saturação máxima, quando ocorre a inversão de fase. Essa dinâmica elimina em seu conceito a necessidade de uma inflação cósmica instantânea, como a introduzida por Alan Guth no modelo Big Bang. A TBC oferece, portanto, uma estrutura conceitual capaz de explicar a origem, a aceleração e a ciclicidade cósmica sem recorrer a singularidades iniciais ou a energia escura. A TBC oferece um quadro teórico capaz de explicar a expansão cósmica sem necessidade de uma energia expansiva, descrevendo-a como resultado direto da defasagem entrópica. O modelo fornece um mecanismo natural para ciclos infinitos e reconfigura a questão da origem, propondo que cada universo surge já infinito em extensão. A abordagem informacional unifica tempo, gravidade e entropia sob uma mesma estrutura de fluxo de informação, oferecendo uma base ontológica e matemática alternativa à cosmologia padrão.
Palavras-chave: Cosmologia informacional, Cosmologia cíclica, Expansão do universo, Antimatéria, Energia escura.
1. INTRODUÇÃO
Teoria do Big Bang emergiu a partir da matemática da Relatividade Geral e das observações de Edwin Hubble, que revelaram o afastamento das galáxias. A extrapolação lógica desse movimento levou à hipótese de um átomo primordial, uma origem concentrada de toda a matéria e energia do cosmos (Gomes, Silva e Camacho, 2024).
Contudo, as observações da curva de aceleração da expansão cósmica indicam que o universo não apenas se expande, mas o faz com uma taxa de aceleração crescente, o que implica um início cada vez mais lento, em aparente contradição com o modelo expansivo original, (Fagundes, 2002). É justamente nesse ponto que a Teoria da Informação da Informação (TI²) surge com uma matemática própria, que redefine os pilares ontológicos da física ao propor que o universo não é composto de espaço e tempo fundamentais, mas de informação em fluxo e transformação contínua. Segundo a TI², o espaço é estático, o tempo surge da densidade de trocas informacionais e a gravidade emerge do gradiente de congestão informativa, introduzindo um novo paradigma: a expansão é regida pela entropia informacional, e não por um impulso inicial energético (Nunes, no prelo).
Essa nova ontologia abre caminho para uma cosmologia não linear, na qual a expansão e o colapso não são opostos, mas partes de um mesmo ciclo de reorganização informacional.
A Teoria do Big Circle (TBC) nasce como desdobramento direto da TI², propondo que o universo evolui por inversões periódicas de fase entre matéria e antimatéria, em um ciclo contínuo inscrito em uma geometria informacional. A TBC não requer uma explosão inicial ou inflação super-rápida (Gomes, 2022). O início do universo é interpretado como uma fase de expansão branda, causada pela diferença de entropia entre regiões congestionadas e vazias de informação em direção ao futuro, a expansão emerge desse descompasso entre regiões mais e menos congestionada informacionalmente, cuja saturação natural conduz à desaceleração e, por fim, à inversão de fase.
A lacuna teórica que motiva este estudo reside justamente na ausência, nos modelos atuais, de uma explicação coerente para a origem da expansão e sua aceleração subsequente, sem recorrer a variáveis ad hoc, (Rodrigues, dos Santos e Chiappin, 2024).
É possível descrever a evolução e a expansão do universo a partir de princípios puramente informacionais, sem necessidade de um evento inicial singular ou de mecanismos inflacionários ad hoc?
O objetivo geral deste trabalho é apresentar a estrutura conceitual da Teoria do Big Circle como um modelo alternativo à cosmologia inflacionária, demonstrando como os princípios da TI² permitem reinterpretar os fenômenos observáveis, expansão, aceleração e inversão cósmica, em termos puramente informacionais.
Desta forma assim como o Big Bang surgiu da combinação da teoria da relatividade geral com as observações astronômicas de um universo em expansão, a Big Circle surge da matemática da TI² com as observações astronômicas do universo em expansão e sua curva de aceleração (Gomes, Silva e Camacho, 2024; Nunes, no prelo).
2. METODOLOGIA: ESTRUTURA CONCEITUAL E FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A TI² constitui o alicerce conceitual da TBC. Ela redefine o universo não como um espaço-tempo em expansão, mas como um sistema dinâmico de fluxos informacionais em constante reorganização reinterpretando o campo de Higgs como campo informacional. Nesse modelo, espaço, tempo, gravidade e entropia são manifestações de uma mesma teia de informação autorreferente.
2.1 ESTRUTURA TEÓRICA DE BASE
A TI² apoia-se em dois postulados fundamentais:
(1) o Postulado da Propagação Informacional, segundo o qual o universo se estrutura e evolui sobre informação, uma entidade relacional e autorreferente, definida por sua capacidade de gerar mais informação; e:
(2) o Postulado da Quantização e Alcance Informacional, que estabelece a existência de uma malha de 61 ordens de grandeza determinando o limite máximo das interações informacionais.
Desses fundamentos decorre a tríade informativa, composta por três estados interdependentes:
- Informação-presença, que expressa a estabilidade e a continuidade dos sistemas (origem dos efeitos de gravidade e inércia);
- Informação-interação, responsável pelas trocas e reorganizações locais (nível das forças e fenômenos observáveis);
- Informação-ressonância, estado emergente de coerência global que permite as transições de fase entre matéria e antimatéria, elemento central para a TBC.
Esses três estados não são compartimentos isolados, mas aspectos complementares do mesmo processo informacional, ou seja, independentes e juntos (Nunes, no prelo).
A partir desse arcabouço, a TBC interpreta o cosmos como uma sucessão cíclica de fases informacionais. A entropia informacional atua como motor de expansão, enquanto o congestionamento informativo define o ritmo do tempo local e a emergência gravitacional. A inversão de fase entre matéria e antimatéria é uma reorganização ressonante do campo informacional global, e não uma ruptura física ou energética. A Informação-ressonância, além de condicionar e possibilitar a inversão de fase de modo global sem quebrar parâmetros da física, ela também está presente em “paradoxos” como entrelaçamento quântico, tunelamento quântico, experimento da fenda dupla, paradoxo da informação em buracos negros, até mesmo questões da própria gravidade, que para a TI² não são paradoxais, mas naturais das combinações da tríade informativa (Bhushan, 2024; Nunes no prelo).
A proposta de uma Cosmologia Cíclica, na qual a informação quântica é preservada globalmente ao longo de sucessivas fases cosmológicas e a entropia gravitacional desempenha papel central na dinâmica do universo, oferece respaldo teórico a modelos que interpretam a evolução cósmica como uma sucessão de fases informacionais, regidas por princípios de conservação, reorganização e transferência de informação (Eckstein, 2023; Sahdo e Möller, 2025).
Do ponto de vista da simetria física, essa transição preserva as leis fundamentais por meio da invariância CPT (Carga, Paridade e Tempo) (Lehnert, 2016). O estado S, representando a configuração de matéria, transforma-se em seu correspondente SCTP, equivalente em estrutura, mas de polaridade inversa. Assim, a inversão não implica destruição ou violação das leis, e sim uma reorganização coerente da teia informacional que sustenta o cosmos.
2.2 CONSTRUÇÃO DO MODELO GEOMÉTRICO-INFORMACIONAL
O desenvolvimento conceitual da TBC segue uma abordagem axiomática.
Primeiro, define-se que cada ciclo cósmico é representável por uma estrutura circular (o “Big Circle”), composta por quatro quadrantes que correspondem às fases alternadas de matéria (Q1 e Q3) e antimatéria (Q2 e Q4).
Em cada quadrante do Big Circle, a densidade informacional evolui segundo uma curva entrópica contínua: cresce lentamente nos estágios iniciais, acelera até o ponto de máxima diferença entrópica (equilíbrio em torno de 45°) e, a partir daí, desacelera gradualmente até atingir a saturação (inversão em 90°), Figura 1.
Figura 1 – Big Circle

Importante: a expressão “tempo” no arco é figurativa; o mecanismo físico subjacente é sempre a dinâmica das trocas informacionais. A “fase de saturação” significa que em certas regiões as trocas efetivas praticamente cessaram (estado de saturação informacional), não que “existem dois tempos” distintos em sentido ontológico.
A proposta desta formulação elimina a necessidade de uma singularidade inicial, substituindo-a por um processo de reorganização informacional em que o universo não surge de um ponto finito, mas de um estado de saturação entrópica que dá origem ao ciclo seguinte. Assim, cada fase começa já com extensão infinita, mantendo a continuidade do campo informacional como substrato. O Big Circle, nesse sentido, pode ser visto como uma seção de um cilindro infinito, Figura 2 (Høg, 2014, Nunes, no prelo). Ou caso seja finito em extensão seria uma figura representativa fechada, Figura 3.
Figura 2 – Infinito em extensão

Figura 3 – finito em extensão

A aceleração cósmica, no contexto da TI² e do modelo TBC, pode ser interpretada como o resultado da diferença entrópica entre regiões informacionalmente densas e regiões rarefeitas em combinação com os devidos tempos locais (segundo o conceito da TI²). Na termodinâmica, a entropia de um sistema fechado evolui espontaneamente em direção à saturação máxima, mas o ritmo dessa evolução, sua taxa de variação, não é constante. No universo, essa taxa se manifesta como o gradiente de entropia entre setores de alto e baixo congestionamento informacional, (Goldstein e Lebowitz, 2004; Nunes, no prelo).
Assim expansão do universo, no contexto da TBC, não decorre da dilatação do espaço, mas da difusão entrópica da informação de regiões densas (próximas ao estado inicial) para regiões rarefeitas (o vácuo informacional) embasada na dilatação temporal entre regiões massivas e vazio entre galáxias. A taxa de expansão
é então proporcional ao gradiente de entropia
do sistema:
A TBC descreve, portanto, o cosmos como um sistema cíclico de expansão informacional alternada, Figura 4, governado por uma tríade fundamental: a densidade informacional
, que define o conteúdo informativo da matéria e energia; o gradiente entrópico
, que determina a intensidade e direção da expansão; e o ritmo temporal local (τ ) emergente da taxa de troca informacional (Bertolami e Gomes, 2018; Nunes, no prelo).
Figura 4 – Expansão e inversão no modelo Big Circle

Dessa interação resulta uma dinâmica natural de expansão: um início brando, aceleração até o ponto entrópico máximo, em conformidade com os dados observacionais de aceleração
, e desaceleração progressiva até o equilíbrio, quando ocorre a inversão de fase. O modelo explica assim a evolução cósmica sem recorrer à inflação inicial nem à energia escura, propondo uma transição contínua e informacional entre os ciclos do universo (Nunes no prelo; Pereira Raymundo et al., 2022).
Essa estrutura reinterpretada sob o prisma informacional, oferecendo uma base ontológica e matemática alternativa para os mesmos fenômenos descritos pelo modelo ΛCDM.
Por exemplo, a expansão acelerada observada por supernovas do tipo Ia (Riess et al., 1998; Perlmutter et al., 1999) é explicada, na TBC, não pela ação de uma energia escura repulsiva, mas pelo crescimento do gradiente entrópico entre regiões informacionalmente densas e rarefeitas, um processo que naturalmente acelera enquanto o sistema busca o equilíbrio (Doran e Robbers, 2006; Nunes, no prelo).
A radiação cósmica de fundo mantém-se coerente dentro da TBC: o campo informacional residual de um ciclo anterior gera a isotropia observada, sem requerer uma fase de inflação exponencial. Essa isotropia seria consequência do equilíbrio entrópico terminal do ciclo anterior e atualizada pela interação-ressonância, projetando-se sobre o novo quadrante como ruído informacional remanescente, extremamente coerente com as observações que também embasam o modelo cosmológico Lambda-CDM, entretanto não requerendo energia escura no conceito (Cordoeira, 2025; Nunes, no prelo).
Assim, a TI² e a TBC preservam os dados observacionais da cosmologia contemporânea, mas redefinem suas causas fundamentais, substituindo entidades ad hoc (como energia escura e inflação cósmica) por uma dinâmica de informação, entropia e tempo emergente.
A modelagem se baseia na análise do fluxo entrópico diferencial, expresso como:
Onde
representa a entropia informacional,
a densidade de informação local e
o gradiente de fluxo informacional.
A expansão cósmica é descrita como um efeito emergente da diferença entre regiões congestionadas
e regiões de baixo fluxo
.
À medida que essa diferença diminui, pela equalização dos fluxos, a taxa de expansão desacelera naturalmente, eliminando a necessidade de uma “inflação” súbita. Quando a diferença entrópica tende a zero, o sistema atinge a saturação e ocorre a inversão de fase, reiniciando o ciclo em polaridade oposta, desta forma matéria e antimatéria se alternam entre os quadrantes do Big Circle, Figura 5.
2.3 ESTRUTURA CONCEITUAL E FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Para conjecturar uma dinâmica estrutural da TI² e TBC será necessário conceituar parâmetros matemáticos por ainda desenvolver testes observacionais futuros, mas uma matemática básica com termos, definições e significados podem ser apresentados para uma matemática simples inicial, Tabela 1.
Figura 5 – Quadrantes do Big Circle

Tabela 1 – Premissas e Notação Informacional

2.3.1 MODELO DE RITMO LOCAL (INFORMACIONAL)
Com o fator de Lorentz (γ ) para um observador movendo-se com velocidade υ relativo ao referencial do modelo e
Com uma função simples e monótona para
dentro do conceito da TI²:
ou seja: quanto maior
(tempo local mais lento). Essa forma evita singularidades e é conveniente analiticamente.
A relação entre tempos é então:
Se o observador também se move relativisticamente com velocidade
, sua relação com
inclui a dilatação Lorentz:
A taxa de expansão medida por um observador é:
Usando
(ou incluindo γ ) obtemos:
(observador local em repouso relativo ao referencial do modelo),
(observador em movimento relativístico).
Interpretação: se
(região congestionada), então
o observador local, medindo com seu relógio próprio mais lento, atribui à expansão um valor maior quando a expressa por unidade de seu tempo. Um observador em movimento verá ainda uma modulação adicional pela γ
Critérios de consistência e analogia matemática
Exemplo numérico ilustrativo
Escolha de parâmetros (apenas ilustrativo):
Então:
Assim temos a taxa de expansão observada por cada observador, Tabela 2.
Tabela 2 – Taxa de expansão observada

Esses números não são predições finais, são demonstração de que efeitos podem ser marcantes e testáveis.
Predição geral: a expansão percebida é uma função multiplicativa do congestionamento informacional e do movimento relativo, conceito que unifica dilatação de tempo relativística e ritmos informacionais sob uma mesma métrica dinâmica.
- Correlação entre densidade informacional e tempo local
Idades locais diferentes: um observador em região pouco congestionada pode ver estruturas “mais evoluídas” (aparente maior idade cosmológica local) do que um observador em região congestionada, explica a possibilidade de galáxias “muito velhas” vistas por quem observa desde regiões rarefeitas (Rocha e Botti, 2020).
- Heterogeneidade nas medidas de
, discrepâncias entre medidas locais de
, (por exemplo, Cepheids/SN Ia versus CMB) poderiam, em parte, refletir diferenças informacionais entre regimes observacionais (Stávek, 2022, Nunes, no prelo).
[1] Efeito de movimento: observadores em movimento relativístico (só relevantes em situações extremas) mediriam taxas ainda distintas; isso sugere correções quando se comparam relógios de emissor e receptor em altas velocidades (Caetano e Silva, 2012).
- Assinaturas testáveis: estatísticas de idades galácticas como função de ambiente (densidade local), ou correlações entre medidas de
e proxies de densidade informacional (p.ex. entropia local estimada a partir de perfil de massa/temperatura) podem validar ou refutar o modelo (Rocha e Botti, 2020, Nunes, no prelo).
2.3.2 LIMITAÇÕES E NOTA METODOLÓGICA
O modelo apresentado é proposicional e não é derivado de uma teoria relativística/informacional completa;
É uma escolha conveniente, outras formas (p.ex. potência, saturação logística) são possíveis e podem ser calibradas.
Uma versão consistente requererá (i) acoplamento das equações informacionais com uma métrica efetiva, (ii) previsão para observáveis radiativos (redshift em função de τ e (iii) simulações numéricas que relacionem ρ a quantidades fisicamente mensuráveis.
2.4 ESTRUTURA ANALÍTICA E VALIDAÇÃO TEÓRICA
Embora se trate de uma formulação teórica, a TBC propõe critérios de validação indireta, como a detecção de assinaturas energéticas que possam indicar inversões de fase, por exemplo, emissões de alta energia associadas à reorganização informacional em regiões de saturação gravitacional (análogas a buracos negros primordiais).
Uma tradução das previsões da TBC em modelos quantitativos que possam fazer análises cruzadas de escaneamento da entropia com presença/ausência de antimatéria, possibilita construir métodos observacionais.
Esses fenômenos, se observados, poderiam fornecer suporte empírico à hipótese cíclica da TBC.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados teóricos derivados da TI² e aplicados ao modelo cosmológico do TBC permitem reinterpretar a expansão do universo sob um novo enquadramento informacional, que descreve a evolução cósmica como um processo contínuo de redistribuição entrópica em um espaço estático, com tempo local e gravidade emergente. A análise discute como a dinâmica de expansão, lenta no início, acelerada até o ponto de máxima diferença entrópica e posteriormente desacelerada até a inversão de fase, conceitua de forma natural as anomalias do modelo ΛCDM sem a necessidade de energia escura ou inflação cósmica em sua estrutura. Há previsões observacionais decorrentes dessa estrutura, destacando sua consistência com dados cosmológicos atuais e seu potencial de falseabilidade frente a medições futuras.
3.1 COMPARAÇÃO TEÓRICA E AVANÇO EM RELAÇÃO AO MODELO ΛCDM
A metodologia conceitual inclui a reinterpretação comparativa dos fenômenos descritos pelo modelo ΛCDM, mantendo suas observações, mas atribuindo-lhes uma nova causalidade, Tabela 3.
Tabela 3 – Comparativo ΛCDM e TBC/TI²

Com base nessa correspondência, a TBC apresenta um avanço teórico: oferece uma explicação unificada para expansão, aceleração e inversão cósmica, eliminando variáveis arbitrárias e preservando a consistência observacional.
3.2 PREDIÇÕES OBSERVACIONAIS DO MODELO INFORMACIONAL DE EXPANSÃO
A formulação comparativa do ritmo informacional introduz consequências diretas e verificáveis que diferenciam o modelo da TBC do cenário padrão do ΛCDM.
Essas previsões emergem do princípio de que a taxa de expansão não é universal, mas localmente modulada pela densidade informacional
e pelo estado cinemático do observador, entretanto, ainda assim, uma curva coerente observacional.
3.2.1 DISCREPÂNCIAS SISTEMÁTICAS NO VALOR DE H0
A expressão:
Implica que observadores em regiões de menor congestionamento informacional (
baixa,
) medem taxas de expansão mais próximas ao valor “cosmológico médio”.
Já observadores em regiões densas (alto
) obtêm valores de
sistematicamente maiores, pois o ritmo local de tempo é mais lento.
– Previsão: a chamada tensão de Hubble entre medições locais (Cefeidas/SN Ia) e do CMB pode refletir diferenças informacionais e não exigir nova física inflacionária ou energia escura variável.
3.2.2 IDADES APARENTES DISCREPANTES DE GALÁXIAS E QUASARES
O ritmo de tempo local mais lento em regiões congestionadas faz com que eventos internos a elas aparentam evoluir mais rapidamente quando observados de fora.
– Previsão: galáxias em ambientes de alta densidade aparentarão “mais velhas” do que o esperado pelo modelo ΛCDM, reproduzindo observações de estruturas maduras em altos redshifts sem requerer inflação ou formações precoces anômalas (Wu et al., 2025; Nunes, no prelo).
3.2.3 EFEITO INFORMACIONAL NO REDSHIFT
O redshift cosmológico adquire um componente adicional, pois a diferença entre tempos locais
introduz uma modulação no fator
. (Cardoso, 2021).
– Previsão: o redshift total não depende apenas da métrica espaço/temporal, mas da diferença de densidade informacional entre origem e observador. Pequenos desvios podem ser detectáveis em amostras de quasares e linhas espectrais precisas.
3.2.4 CORRELAÇÃO ENTRE DENSIDADE INFORMACIONAL E EXPANSÃO LOCAL
Ambientes de baixa entropia informacional (vazios cósmicos, halos rarefeitos) devem exibir expansão local mais lenta (menor
).
– Previsão: estatisticamente, o gradiente informacional correlaciona-se com a expansão diferencial, produzindo pequenas variações anisotrópicas na taxa de Hubble observada em diferentes direções do céu, um efeito mensurável com futuros levantamentos de precisão.
3.2.5 EXPECTATIVA PARA TESTES FUTUROS
Missões de alta precisão (como Euclid, JWST, Roman) poderão medir variações locais de
com precisão suficiente para detectar desvios informacionais em torno de 1–2% (Latif e Whalen, 2025; Nunes, no prelo).
Além disso, medições de lentes gravitacionais em ambientes contrastantes podem servir como teste direto da modulação informacional da métrica.
Na TBC, a taxa de expansão observada é função do ritmo local de trocas informacionais. Modelando o fator de ritmo por
e incluindo dilatação relativística γ , obtemos
. Assim, diferentes observadores (regiões congestionadas vs. rarificadas; observadores em movimento) medem taxas de expansão distintas, uma consequência direta do caráter local do tempo na TI² e uma via prática para testes observacionais.
3.3 MÉTRICA INFORMACIONAL E DETERMINAÇÃO DO QUADRANTE
A formulação matemática do Big Circle permite, em princípio, a construção de uma métrica informacional capaz de estimar a posição angular do universo dentro de seu quadrante evolutivo. A métrica se basearia em variáveis observáveis, a taxa de expansão
, a densidade informacional local ρ , o fator de dilatação do tempo
e, quando necessário, o fator relativístico
. Com esses parâmetros seria possível definir, para cada observador, a posição relativa
do universo no ciclo, indicando se ele se encontra em regime de aceleração ou desaceleração entrópica. A aplicação prática dessa métrica abriria caminho para estimar, dentro da nossa perspectiva local, quanto tempo resta até a próxima inversão de fase, bem como refinar as estimativas da idade do universo de acordo com o referencial informacional de cada região. Em escalas mais amplas, esse método permitiria comparar o ritmo evolutivo de diferentes domínios cósmicos, revelando que a idade e o estado do universo não são universais, mas dependentes do grau de congestionamento informacional de cada setor do Cosmo, corroborando assim para refinar com dados mais direcionados e precisar ou justificar as discrepâncias atuais com relação a idade do universo (Halpern e Tomasello, 2016; Nunes, no prelo).
4. CONCLUSÃO
O presente estudo teve como objetivo investigar se a estrutura informacional proposta pela TI² poderia sustentar um modelo cosmológico alternativo à inflação do Big Bang, capaz de explicar a curva de expansão observada sem recorrer a ajustes ad hoc. A partir da fundamentação informacional e entrópica, demonstrou-se que a TBC descreve de forma coerente a dinâmica de expansão do universo como resultado direto dos gradientes de entropia informacional em um espaço estático.
Os resultados conceituais obtidos indicam que a aceleração e a desaceleração cósmicas emergem naturalmente da evolução entrópica do sistema, sem necessidade de uma fase inflacionária súbita. Essa abordagem sugere de modo unificado as três anomalias clássicas associadas ao modelo inflacionário, o problema do horizonte, da planaridade e da abundância de monopolos, reinterpretando-os como efeitos informacionais decorrentes de diferenças locais de densidade informativa.
Assim, a TBC, sustentada pela TI², confirma-se como um arcabouço teórico consistente, no qual o tempo, a gravidade e a expansão são expressões complementares de fluxos informacionais quantizados. Embora ainda exija modelagem observacional e simulações numéricas para consolidação empírica, o modelo estabelece bases matemáticas e ontológicas sólidas para reinterpretar a evolução cósmica sob uma perspectiva informacional.
Como perspectiva futura, propõe-se o desenvolvimento de métricas comparativas para estimar a posição atual do universo dentro do quadrante entrópico do Big Circle, bem como a implementação de simulações que permitam testar a variabilidade da taxa de expansão em diferentes densidades informacionais.
Em síntese, o presente trabalho responde positivamente à questão norteadora: a expansão do universo pode ser compreendida como um fenômeno emergente da entropia informacional, dispensando a necessidade de uma inflação cósmica inicial.
A TBC consolida-se, assim, como uma proposta conceitualmente robusta e compatível com as observações cosmológicas, oferecendo um novo paradigma para o entendimento da estrutura e evolução do cosmos em um arcabouço falseável com formulações, hipóteses claras e exclusivas sobre a estrutura e evolução do universo, propondo métodos observacionais mensuráveis (expansão, entropia, antimatéria, tempo local, coerência informacional) e prevê cenários que podem ser contraditos por observações futuras.
É uma teoria científica emergente, fundamentada em princípios informacionais, mas com implicações empíricas diretas e testáveis.
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APÊNDICE
Estamos tão acostumados a compreender o tempo como uma quarta dimensão, somada às três espaciais, que nos parece natural perguntar: o que havia antes de tudo? O tempo sempre existiu?
Na cosmologia tradicional, especialmente sob a Relatividade Geral, espaço e tempo formam uma única entidade: o espaço-tempo. Nesse contexto, o Big Bang representaria o início de ambos, o surgimento não apenas do universo, mas do próprio tempo. Perguntar o que havia “antes” torna-se, portanto, sem sentido, pois nem o tempo existia.
Entretanto, a TI² propõe uma abordagem radicalmente diferente: o tempo não é uma dimensão, mas uma manifestação da troca informacional. O tempo existe apenas onde há interação, ele não é um cenário, mas um processo. Se nada acontece, não há tempo.
O universo, assim, não começa no tempo; ele é informação em movimento. O tempo surge como reflexo da qualidade e intensidade das trocas informativas. Onde o congestionamento informacional é maior, como em campos gravitacionais intensos, o tempo se dilata, pois as interações tornam-se mais densas e lentas.
Dentro da tríade informativa da TI², o tempo manifesta-se no domínio da informação-interação, mas é modulada pela informação-ressonância, a atualização coerente e global do campo informacional. Essa atualização não é uma troca, mas uma sincronização: acontece instantaneamente no todo.
Pode parecer, à primeira vista, que essa instantaneidade violaria o limite da velocidade da luz. No entanto, a TI² distingue claramente propagação e atualização. A luz limita a propagação causal; mas a atualização do estado informacional global não é um evento físico no espaço-tempo (termo emprestado da Relatividade geral apenas para compreensão, pois para a TI², espaço e tempo são entidades separadas. Como a atualização é integral, é válido usar o termo aqui).
Uma boa analogia seria a do mar: as ondas possuem uma velocidade de propagação limitada, enquanto as marés elevam ou abaixam o nível do oceano como um todo, muito além da velocidade das ondas. Na TI², a velocidade das ondas corresponde à da luz; a maré, à informação-ressonância.
Assim, o tempo não é um fio que corre, é o padrão das trocas que acontecem. Onde nada interage, o tempo simplesmente não existe. E aqui vale inverter o conceito gravidade e tempo, pois não é a gravidade que dilataria o tempo, mas sim o tempo que ocasiona o efeito gravidade.
Desta forma, vale também a incoerência da pergunta: Qual é a força que impulsiona a expansão? Em um senário que a gravidade não seria uma força fundamental, mas o resultado que os corpos fazem em linha reta por um espaço-tempo curvado pela matéria. Enfim, para a TI² o espaço é estático e a gravidade não gera a dilatação temporal, mas sim a dilatação temporal, originaria da congestão informacional, quem causa o efeito gravidade, a pergunta se torna ainda mais sem sentido.
Na Relatividade, um dos aspectos mais intrigantes é que, para qualquer observador, esteja ele em repouso ou viajando a velocidades próximas à da luz, o fóton sempre se move à mesma velocidade c. Isso cria um paradoxo conceitual: como pode a luz manter-se constante mesmo para quem se aproxima da própria velocidade da luz?
A resposta relativística é elegante, mas complexa: o próprio tecido do espaço-tempo se deforma, ajustando-se à situação para preservar a invariância de c. Tempo e espaço não são absolutos; são moldados pela velocidade e pelo campo gravitacional.
Na TI², esse mesmo fenômeno recebe uma explicação mais direta e intuitiva. O tempo, aqui, não é uma dimensão do “espaço-tempo”, mas a quantidade de interações informacionais que ocorrem localmente no espaço.
Se, por exemplo, definirmos que “um segundo” corresponde à ocorrência de um bilhão de interações informacionais, então, esteja o observador na Terra, em órbita, em uma região de intenso congestionamento informacional ou no vazio cósmico, o que define o segundo não é a distância percorrida nem o estado de movimento, mas o número de interações locais que ocorreram.
Assim, em regiões de maior densidade informacional (como campos gravitacionais intensos ou na compressão da informação em velocidade relativística), as interações acontecem de forma mais lenta, e o tempo se dilata. Em regiões mais rarefeitas, o tempo flui mais rapidamente, pois as trocas informacionais são menos congestionadas.
O fóton, por sua vez, é um caso especial: ele não interage em sua trajetória, apenas na emissão e na absorção. Não há, portanto, tempo de fóton. Para o fóton, nenhum bilhão de interações ocorre entre origem e destino; ele existe apenas no instante da troca.
Por isso, tanto para o viajante relativístico quanto para o observador em repouso, a luz se comporta da mesma forma, sem tempo. A diferença está na contagem de interações locais: o viajante que se move em alta velocidade realiza menos interações por unidade de referência externa, e por isso seu tempo se dilata.
Nesse contexto, a TI² revela que o “ajuste do tecido espaço-tempo” descrito pela relatividade é, na verdade, uma variação na taxa de troca informacional. A luz que parece sempre “viajar à frente” à velocidade c é, na visão informacional, uma ilusão perceptiva decorrente da forma como o campo se atualiza em um espaço estático que não se molda à vontade de objetos velozes.
A atualização da malha informacional ocorre na velocidade c, não porque a luz seja uma entidade privilegiada, mas porque c representa o limite da coerência das trocas informacionais no universo. O fóton apenas surfa nesse limite, não o mede, nem o desafia.
O universo é unânime e deve ser explicado desta mesma forma, seja pela física atual ou por uma emergente, a TI² simplesmente identifica o meio, pois mesmo que a Relatividade geral certifique que o espaço se curve, de alguma forma a matéria informaria o tecido e seria informada pelo tecido espaço-tempo o processo. Entretanto há a possibilidade do universo ser mais simples, eliminando o intermediário, sendo o espaço estático comportando uma teia informacional unânime que vá do quântico ao infinito como tem que ser: O universo apenas é. Em sua extensão Unânime.
A TBC se faz necessária por não existir uma proposta estrutural que explique a origem do universo sobre os conceitos da TI².
INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES
[1] Formação Ensino Médio. ORCID: 0009-0005-3329-2307.
Contribuição dos autores:
Delcidio Aparecido Nunes: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.
INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL
Conflito de interesse:
Não há conflito de interesse.
Agradecimentos e Financiamento:
Não há financiamento.
Nota:
Os autores utilizaram a Inteligência Artificial CHATGPT (versão GPT-05) para correção gramatical e ortográfica para as normas da ABNT e resumo de textos longos, como artigos ou relatórios, para acelerar o processo de leitura. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos, classificação da qualidade dos artigos e formulações teóricas, análises, interpretações, seleção bibliográfica e avaliação crítica, foram realizadas de maneira autoral.
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- ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
- Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.
Histórico da Publicação:
Material recebido: 05 de outubro de 2025.
Material aprovado pelos pares: 04 de novembro de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 02 de fevereiro de 2026.

















