Administração

Blockchain e criptoativos na administração das relações humanas: uma revisão da literatura

ARTIGO DE REVISÃO

SILVA, Pedro Fellipe Campos da [1], GUIMARÃES, Marcelo Nogueira [2]

SILVA, Pedro Fellipe Campos da; GUIMARÃES, Marcelo Nogueira. Blockchain e criptoativos na administração das relações humanas: uma revisão da literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 10. Ano 06, Vol. 02. pp 30-45, Junho de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/administracao/blockchain-e-criptoativos, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/administracao/blockchain-e-criptoativos

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão da literatura, a aplicação e os impactos das criptomoedas na administração das relações humanas dentro das culturas organizacionais. A administração das relações humanas refere-se às práticas, estratégias e processos utilizados para gerenciar as interações, o bem-estar e o desenvolvimento das pessoas no ambiente de trabalho, promovendo um clima de confiança, cooperação e motivação. Já a cultura organizacional diz respeito aos valores, crenças, normas e comportamentos compartilhados pelos membros de uma organização, que influenciam a forma como as pessoas se relacionam, tomam decisões e atuam no dia a dia. Considerando o avanço das tecnologias digitais e a crescente adoção de ativos digitais como o Bitcoin e outras criptomoedas, investigam-se as possíveis transformações nos modelos de remuneração, nos vínculos de confiança, na descentralização de processos e na transparência das relações laborais. A metodologia da pesquisa foi fundamentada em fontes acadêmicas, artigos científicos e publicações atualizadas sobre criptomoedas, administração e gestão de pessoas. Os resultados encontrados apontam que, embora o uso de criptomoedas ainda seja incipiente em ambientes corporativos, seu potencial disruptivo pode contribuir para maior autonomia dos colaboradores, novas formas de incentivo financeiro e inovação nos processos administrativos. Assim, conclui-se que a integração entre tecnologia Blockchain e a gestão de pessoas é um campo emergente, que exige estudos mais aprofundados para compreender suas implicações éticas, legais e organizacionais, além de suas possíveis influências na cultura organizacional e nas relações humanas dentro das empresas.

Palavras-chave: Criptomoeda, Administração, Relações Humanas, Blockchain, Gestão de Pessoas.

1. INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, as criptomoedas emergiram como uma inovação disruptiva no cenário financeiro global, e seu impacto vai além das transações econômicas, influenciando também as relações humanas e a cultura organizacional. Desde o surgimento do Bitcoin em 2009, a moeda digital descentralizada ganhou destaque, atraindo a atenção de investidores, economistas e líderes de organizações. Essas moedas não apenas oferecem uma nova forma de transação, mas também introduzem um modelo de governança financeira que pode transformar a maneira como as pessoas se relacionam dentro das empresas e na sociedade (Senna; Souza, 2023).

A importância das criptomoedas na cultura organizacional se manifesta em diversos aspectos que afetam as relações humanas. Primeiramente, elas promovem a descentralização, permitindo que indivíduos realizem transações diretamente entre si, sem intermediários como bancos ou instituições financeiras. Essa característica fortalece a autonomia dos colaboradores, promove maior confiança e incentiva uma cultura de transparência e cooperação, ao mesmo tempo em que reduz barreiras hierárquicas tradicionais (Mattos; Abouchedid; Silva, 2020).

Além disso, a adoção de criptomoedas pode influenciar positivamente a cultura organizacional ao promover maior inclusão financeira e autonomia para os colaboradores, especialmente em contextos em que o acesso a recursos financeiros é limitado. Essa mudança pode gerar um ambiente de trabalho mais colaborativo, onde a confiança mútua e a transparência são valorizadas, fortalecendo os laços internos e a motivação (Braz; Borges, 2024).

Na prática, as organizações que utilizam ativos digitais para remuneração ou incentivos podem criar uma cultura de inovação, agilidade e transparência. A tecnologia Blockchain, que sustenta muitas criptomoedas, registra todas as transações de forma imutável e acessível, aumentando a confiança entre os membros da equipe e reduzindo conflitos relacionados à transparência e à integridade dos processos (Vencato, 2022).

A descentralização proporcionada pelas criptomoedas também pode promover relações mais horizontais e colaborativas, eliminando intermediários e facilitando uma comunicação mais direta e transparente entre líderes e colaboradores. Em tempos de instabilidade econômica, as criptomoedas podem atuar como uma proteção contra a inflação, contribuindo para a estabilidade financeira dos funcionários e, por consequência, para um ambiente de trabalho mais equilibrado e confiável (Caetano et al., 2024).

Por fim, embora o potencial das criptomoedas para transformar as relações humanas dentro da cultura organizacional seja evidente, ainda há uma escassez de estudos acadêmicos que explorem profundamente esses efeitos. Com o avanço das tecnologias digitais e a crescente adoção dessas moedas, torna-se fundamental compreender como elas podem influenciar práticas de gestão de pessoas, promovendo maior confiança, autonomia, transparência e uma cultura organizacional mais inovadora e inclusiva.

A escolha do tema se justifica pela crescente relevância das criptomoedas no cenário econômico global e pela necessidade de compreender como essa inovação pode transformar as práticas de gestão de pessoas e a cultura organizacional. À medida que as empresas começam a explorar novas formas de remuneração, contratos inteligentes e estruturas descentralizadas baseadas em Blockchain, torna-se fundamental investigar o impacto dessas tecnologias nas relações humanas dentro das organizações.

Além disso, a escassez de estudos que abordem a interface entre criptomoedas e a gestão de recursos humanos reforça a pertinência desta pesquisa. Este trabalho busca contribuir para o avanço do conhecimento na área, oferecendo uma visão crítica e atualizada sobre os desafios e oportunidades que essa inovação tecnológica traz para as relações humanas no ambiente organizacional.

Diante desse contexto, o objetivo é explorar a importância das criptomoedas na administração das relações humanas nos espaços organizacionais, analisando seus impactos, desafios e oportunidades. Pretendemos evidenciar que as criptomoedas representam uma inovação significativa que pode influenciar a cultura organizacional, promovendo maior autonomia, transparência e confiança entre colaboradores e líderes.

2. METODOLOGIA

Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa, com abordagem exploratória e método bibliográfico. A escolha pela revisão da literatura justifica-se pela necessidade de identificar, organizar e analisar o conhecimento existente acerca da relação entre criptomoedas e a administração das relações humanas no ambiente organizacional.

Tabela 01: Artigos encontrados após a combinação dos operadores booleanos

Fonte Número de artigos
CAPES 06
Revista de administração da USP 02
Revista de administração pública 05
Scielo 09

Fonte: Autores, 2025.

Serão utilizados termos e combinações de palavras-chave relacionadas ao tema de interesse, adaptados para cada base de dados. A estratégia de busca será documentada e reproduzível, incluindo os operadores booleanos “criptomoeda”, “Blockchain”, “gestão de pessoas”, “relações humanas nas organizações”, “administração” e “inovação digital”.

A coleta de dados foi realizada por meio da busca e seleção de livros, artigos científicos, dissertações, teses e publicações em periódicos acadêmicos disponíveis em bases de dados como Scielo, Google Scholar, CAPES, Periódicos Eletrônicos, entre outras. Foram encontrados um total de 22 artigos com base nos operados booleanos norteadores da pesquisa.

Os critérios de inclusão consideraram materiais publicados entre os anos de 2019 e 2024, escritos em português e inglês, que abordassem de forma direta ou indireta a aplicação ou impacto das criptomoedas e da tecnologia Blockchain na gestão de pessoas. Já os critérios de exclusão envolveram textos com pouca relevância científica, materiais opinativos e publicações que não tratassem da temática proposta.

A seleção das fontes foi realizada a partir de uma busca sistemática em bases de dados acadêmicos, como Google Scholar, Scielo, Revista de administração da USP e Revista de administração pública. Foram incluídos artigos científicos, livros, teses e relatórios de instituições relevantes que abordem o tema das criptomoedas e sua relação com a administração. A busca foi realizada utilizando palavras-chave como “criptomoedas”, “administração financeira”, “Blockchain“, “gestão de riscos” e “inovação financeira”.  Com isso, foram selecionados 05 artigos para a fundamentação do resultado e discussão.

Após a seleção das fontes, foi realizada uma análise qualitativa dos conteúdos, por meio da técnica de análise de conteúdo, permitindo a identificação de categorias temáticas recorrentes e a construção de uma visão crítica sobre o estado atual da literatura a respeito do tema. A metodologia adotada busca, assim, oferecer uma base teórica sólida para compreender como a inovação representada pelas criptomoedas pode influenciar as práticas administrativas relacionadas às relações humanas nas organizações.

Inicialmente, foi definido o escopo da revisão literária, delimitando os principais tópicos a serem abordados, como a evolução das criptomoedas, suas características, impactos na administração financeira, desafios regulatórios e oportunidades para as organizações. Essa delimitação é essencial para garantir que a pesquisa seja focada e relevante.

Por fim, a redação da revisão bibliográfica foi estruturada de forma a apresentar uma narrativa coerente e lógica, que conecte os diferentes aspectos abordados. Foram discutidos os principais achados da literatura, suas implicações para a prática administrativa e sugestões para futuras pesquisas.

Essa metodologia de revisão literária permite uma compreensão abrangente do papel das criptomoedas na administração, contribuindo para o desenvolvimento de um conhecimento mais profundo sobre o tema e suas implicações no contexto atual.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A análise da literatura disponível sobre a utilização de criptomoedas na administração das relações humanas revela uma interseção crescente entre tecnologia, economia digital e gestão de pessoas. Embora a maior parte das publicações ainda trate das criptomoedas sob a ótica financeira e tecnológica, há um avanço progressivo na discussão de seu impacto em ambientes organizacionais, especialmente em aspectos relacionados à transparência, descentralização e incentivo à produtividade.

Quadro 01: Criptomoeda na Administração das Relações Humanas

Referências/Autores Principais Impactos, Desafios e Oportunidades Discussão Categoria
Satoshi (2008), Tapscott & Tapscott (2016) BLOCKCHAIN promove maior transparência e rastreabilidade nas transações humanas e organizacionais. A transparência aumenta a confiança entre colaboradores e gestores, favorecendo relações mais claras e responsáveis. 1.Transparência e Confiança
Narayanan et al. (2016) Tokens e recompensas por metas atingidas estimulam engajamento e motivação dos colaboradores. A gamificação com criptomoedas pode inovar práticas de gestão de pessoas, promovendo maior envolvimento. 2.Motivação e Gamificação
Buterin (2017) Sistemas descentralizados favorecem maior autonomia e modelos de gestão colaborativos. A descentralização pode transformar a estrutura hierárquica, promovendo responsabilidade coletiva. 3.Descentralização e Autonomia
Catalini & Gans (2018), Yermack (2017) Incertezas regulatórias, volatilidade e falta de padronização geram insegurança. Essas questões podem limitar a adoção e gerar resistência cultural nas organizações. 4. Desafios Regulatórios e de Mercado
Vigna & Casey (2015), estudos diversos Resistência por parte de colaboradores tradicionais; riscos de segurança e privacidade. A cultura organizacional e a segurança de dados representam obstáculos a serem superados. 5. Resistência Cultural e Segurança

Fonte: Autores, 2025.

3.1. TRANSPARÊNCIA E CONFIANÇA NAS RELAÇÕES DE TRABALHO

Diversos autores (Santos, 2022; Oliveira & Mendes, 2021) destacam que a tecnologia Blockchain, base das criptomoedas, promove uma maior transparência nas transações e acordos, o que pode ser estendido às relações humanas dentro das organizações. Por exemplo, contratos inteligentes (“smart contracts”) podem automatizar processos como pagamento de bônus por desempenho, reduzindo ambiguidade e fortalecendo a confiança entre colaboradores e gestores.

(Satoshi, 2008; Tapscott & Tapscott, 2016) apontam que a tecnologia Blockchain, base das criptomoedas, promove maior transparência nas transações. Essa característica pode ser transposta para as relações humanas nas empresas, aumentando a confiança entre colaboradores e gestores por meio de processos mais claros, como remunerações variáveis, premiações por desempenho e rastreabilidade de decisões.

Essa transparência é vista como um diferencial especialmente em empresas com estruturas horizontais, onde a descentralização favorece a autonomia dos colaboradores. A confiança, nesse sentido, não se baseia apenas em relações interpessoais, mas também em garantias tecnológicas que reduzem a assimetria de informações.

3.2. VALORIZAÇÃO E INCENTIVO POR MEIO DE CRIPTOATIVOS

Outro aspecto evidenciado na literatura é o uso de criptomoedas como forma de recompensa e incentivo. Segundo Lima (2020), algumas startups já adotam tokens próprios como parte do pacote de remuneração, alinhando o desempenho dos colaboradores ao crescimento do negócio. Isso contribui para um senso de pertencimento e engajamento mais profundo, pois o colaborador se sente parte do ecossistema financeiro da empresa.

Estudos como o de Narayanan et al. (2016) sugerem que as criptomoedas podem funcionar como instrumentos de gamificação, oferecendo tokens como recompensa por metas atingidas. Isso tem impacto direto sobre a motivação e engajamento dos colaboradores, especialmente em ambientes digitais ou startups que já adotam práticas mais inovadoras de gestão.

No entanto, essa prática ainda encontra desafios, principalmente no que diz respeito à volatilidade dos ativos e à falta de regulamentação, o que pode gerar insegurança jurídica e incertezas quanto ao valor percebido pelos colaboradores.

3.3. IMPACTOS CULTURAIS E ÉTICOS NO AMBIENTE CORPORATIVO

A introdução de criptomoedas no ambiente de trabalho também implica mudanças culturais. A literatura aponta para a necessidade de adaptação de valores organizacionais, como ética, responsabilidade e transparência. Autores como Almeida e Costa (2021) alertam para o risco de a inovação tecnológica ser utilizada como mecanismo de controle velado, especialmente se não houver clareza sobre os critérios de avaliação automatizados por smart contracts.

Por outro lado, há potencial para o fortalecimento da ética corporativa, com sistemas de recompensa que valorizem comportamentos colaborativos e sustentáveis, especialmente quando os tokens são vinculados a metas sociais ou ambientais da empresa.

A descentralização promovida pelas criptomoedas também aparece como um potencial mudança na estrutura hierárquica tradicional das empresas. Segundo Buterin (2017), sistemas descentralizados favorecem a autonomia dos indivíduos, o que pode resultar em modelos de gestão mais colaborativos e horizontais. Essa mudança pode alterar profundamente as relações humanas dentro das organizações, promovendo maior responsabilidade individual e coletiva.

Entretanto, a adoção de criptomoedas em contextos organizacionais também traz desafios. Autores como Catalini e Gans (2018) alertam para as incertezas regulatórias, a volatilidade do mercado e a falta de padronização. Do ponto de vista das relações humanas, essas incertezas podem gerar insegurança entre os colaboradores, especialmente quanto à remuneração, benefícios e proteção de dados pessoais.

Apesar das promessas, os riscos associados ao uso de criptomoedas no ambiente organizacional ainda são significativos. Tapscott e Tapscott (2016) e Yermack (2017) alertam para questões como volatilidade, anonimato e a ausência de regulação clara. Além disso, autores como Vigna e Casey (2015) apontam que a introdução de moedas digitais internas pode gerar resistência por parte dos colaboradores, especialmente em contextos culturais mais tradicionais.

Bitwage, uma plataforma norte-americana, é uma das pioneiras no pagamento de salários com criptomoedas (como Bitcoin, Ethereum e stablecoins como USDC). Essa plataforma é utilizada por grande parte dos funcionários da Google, Facebook e Airbnb de forma voluntária para converter parte de seus salários em Bitcoin. Outra empresa que faz uso das criptomoedas é a Blockchain.com, a empresa oferece aos funcionários a opção de receber parte do salário em Bitcoin, como forma de alinhamento com a cultura da empresa.

A análise da literatura sugere que as criptomoedas podem contribuir significativamente para a transformação das relações humanas nas organizações, desde que utilizadas com responsabilidade, clareza e alinhamento ético. Sua aplicação ainda é incipiente, mas já aponta tendências para novos modelos de gestão de pessoas, onde a descentralização, a confiança digital e os sistemas de incentivos baseados em blockchain podem redefinir o papel do RH.

Contudo, o uso efetivo dessas tecnologias requer um esforço organizacional para capacitação dos gestores e colaboradores, bem como um diálogo contínuo com as esferas legais e regulatórias, a fim de garantir segurança, previsibilidade e inclusão.

O uso das criptomoedas na administração de pessoas ainda está em estágio embrionário. São poucas as empresas que adotaram esses sistemas de forma consolidada, mas os exemplos iniciais indicam um potencial transformador significativo. Os estudos indicam que, com o amadurecimento do mercado e o surgimento de regulamentações claras, a aplicação das criptomoedas poderá expandir para práticas como gestão de performance, contratos inteligentes para contratação e pagamento de freelances, e programas de incentivo automatizados.

Alguns países adotam uma postura liberal e inovadora frente ao uso de criptoativos, outros demonstram cautela, preocupando-se com a estabilidade financeira, a prevenção à lavagem de dinheiro e a proteção dos dados dos usuários. Nesse contexto, destaca-se o debate europeu, especialmente no âmbito da União Europeia, onde iniciativas como o Regulamento MiCA (Markets in Crypto-Assets) e a GDPR (General Data Protection Regulation) buscam equilibrar inovação, segurança jurídica e proteção à privacidade no ecossistema digital.

Além disso, o surgimento de novas formas de trabalho mediadas por plataformas digitais e tecnologias blockchain — como freelancing global, DAOs (Organizações Autônomas Descentralizadas) e remuneração por tokens — amplia a necessidade de compreender como jurisdições distintas tratam a legalidade do trabalho digital, os direitos dos trabalhadores e a transparência nas relações contratuais.

A barreira que limita a utilização alternativa desse meio são as legislações vigentes em cada país. No Brasil, a obrigatoriedade de remuneração de pessoal em moeda corrente está prevista na Constituição Federal de 1988, especificamente no artigo 7º, inciso X, que garante aos trabalhadores o direito à remuneração, que deve ser paga em moeda corrente nacional, sem prejuízo de outras formas de pagamento previstas em lei. Além disso, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) também reforça essa obrigatoriedade, estabelecendo que o pagamento deve ser feito em moeda corrente, ou seja, em dinheiro, na localidade do empregador ou na forma acordada entre as partes.

Já na China, o governo adotou uma postura bastante restritiva quanto ao uso de Criptomoedas. Em 2017, o Banco Popular da China (PBOC) proibiu inicialmente a oferta inicial de moedas (ICOs) e o comércio de criptomoedas no país. Em 2021, o PBOC reforçou essa proibição, declarando que as criptomoedas não têm valor legal na China e proibindo instituições financeiras de oferecerem serviços relacionados a elas. A legislação chinesa atualmente considera as criptomoedas como ilegais para fins de pagamento e circulação, e há uma forte fiscalização contra o uso de criptomoedas no país.

Diferente do Brasil e da China, os Estados Unidos permitem a circulação de criptomoedas, mas deve seguir regras fiscais e regulatórias específicas, com obrigações de reporte e conformidade. Isso significa que, ao usar criptomoedas para pagar por bens ou serviços, ou ao receber criptomoedas como pagamento, os indivíduos e empresas precisam relatar essas transações para fins fiscais.

A revisão da literatura revela que a interseção entre criptomoedas e administração das relações humanas ainda é incipiente, porém promissora. À medida que as organizações buscam inovação em suas práticas de gestão, tecnologias como blockchain e criptoativos ganham espaço como ferramentas de transformação organizacional.

4. CONCLUSÃO

A partir da revisão da literatura realizada, conclui-se que o uso das criptomoedas no contexto da administração das relações humanas, embora ainda pouco explorado, apresenta um potencial significativo de transformação nas práticas organizacionais. A descentralização proporcionada pela tecnologia blockchain, aliada à transparência e segurança das transações digitais, configura-se como uma alternativa inovadora na gestão de pessoas, principalmente no que se refere à motivação, à confiança nas relações internas e à adoção de sistemas de recompensa mais ágeis e personalizados.

Autores como Tapscott & Tapscott (2016), Buterin (2017) e Catalini & Gans (2018) evidenciam que o uso de criptomoedas pode contribuir para o fortalecimento da cultura organizacional, com maior clareza nos processos de gestão, maior engajamento dos colaboradores e promoção de ambientes colaborativos e descentralizados. Além disso, a gamificação das recompensas com tokens digitais surge como uma prática que pode ser integrada aos modelos de gestão contemporâneos, especialmente em startups, organizações digitais e equipes remotas.

Por outro lado, também foram identificados entraves importantes para a implementação dessas tecnologias, como a ausência de regulamentações específicas, a volatilidade dos criptoativos, desafios éticos e a resistência cultural à adoção de inovações disruptivas. Assim, embora o cenário teórico seja promissor, a aplicação prática ainda é limitada e depende de fatores como maturidade tecnológica das organizações, preparo das lideranças e desenvolvimento de um marco legal adequado.

Ao longo desta pesquisa, pudemos perceber como a tecnologia blockchain e os criptoativos estão começando a transformar a maneira como as relações humanas são administradas. A revisão da literatura revelou que essas inovações oferecem maior transparência, segurança e eficiência, o que pode impactar positivamente diversos setores, incluindo negócios, governança e até mesmo aspectos sociais. Ainda que haja desafios a serem superados, como questões regulatórias e de adoção, o potencial dessas tecnologias para promover mudanças significativas nas interações humanas é bastante promissor. Esperamos que este estudo contribua para ampliar o entendimento sobre o tema e inspire novas pesquisas na área. Afinal, estamos apenas no começo de uma revolução digital que pode redefinir nossas relações de forma mais justa e inovadora.

Dessa forma, conclui-se que as criptomoedas representam uma ferramenta emergente e com grande potencial de impacto na administração das relações humanas. Para que esse potencial se concretize, será necessário avançar em estudos empíricos, que avaliem, na prática, os benefícios e os riscos da sua adoção em contextos organizacionais reais.

Como recomendação para trabalhos futuros, sugere-se a realização de estudos de caso aprofundados em empresas que já adotaram criptomoedas como parte de suas operações internas. Essas investigações podem incluir entrevistas detalhadas com gestores e colaboradores, visando compreender as motivações, desafios e percepções relacionadas à implementação dessa tecnologia. Além disso, recomenda-se a análise do impacto do uso de criptomoedas na percepção de justiça organizacional, motivação dos funcionários e clima organizacional, considerando variáveis culturais e estruturais específicas do contexto brasileiro.

Para embasar essas análises, estudos sobre engajamento no ambiente de trabalho podem ser utilizados para avaliar como a adoção de novas tecnologias influencia o comprometimento dos colaboradores. Ademais, é fundamental explorar as implicações legais no Brasil, incluindo aspectos regulatórios relacionados à utilização de criptomoedas no âmbito corporativo, questões fiscais e de conformidade jurídica. Essa abordagem multidisciplinar permitirá uma compreensão mais abrangente dos efeitos da inovação tecnológica nas dinâmicas organizacionais brasileiras, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes e alinhadas às normativas locais.

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NOTA

Os autores utilizaram a Inteligência Artificial nos aplicativos Justdone e OpenAi para correção gramatical e padronização de acordo a ABNT(Associação Brasileira de Normas Técnicas. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos, classificação da qualidade dos artigos e buscas realizadas de maneira autoral em bases acadêmicas mencionadas na metodologia desse arquivo.

[1] Graduação em Andamento em Administração. Ensino médio completo. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-8739-1686.

[2] Orientador: Mestre em Teologia – Ética e Gestão pela EST. Possui MBA em Finanças Empresariais pela FGV – Fundação Getúlio Vargas (2008) e Master of Business Administration Executivo Internacional pela FGV e Ohio University, EUA (2008). Realizou cursos de aperfeiçoamento no exterior, incluindo Innovation: Impulsionando o Potencial da Inovação em sua Organização pela University of California, Berkeley, EUA, e o Strategic Business Leadership Seminar – Path to the Future for Brazilian Managers pela Ohio University, EUA. É graduado em Administração com Habilitação em Finanças pela Faculdade de Tecnologia e Ciências de Salvador (2005) e em Pedagogia pela FACE. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-6775-5325. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7750296580964895.

Material recebido: 26 de maio de 2025.

Material aprovado pelos pares: 18 de junho de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 30 de junho de 2025.

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Pedro Fellipe Campos da Silva

Graduação em Andamento em Administração. Ensino médio completo. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-8739-1686.

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