ARTIGO DE REVISÃO
FERNANDES, Carlos Henrique Ribeiro [1]
FERNANDES, Carlos Henrique Ribeiro. Citizen Developer, o cidadão desenvolvedor, quais as questões ao redor do conceito? Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 07, Vol. 01, pp. 51-83. Julho de 2025. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-da-computacao/citizen-developer, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-da-computacao/citizen-developer
RESUMO
A área de Tecnologia da Informação, antes vista como exclusiva e intimidadora, evoluiu significativamente com a democratização do acesso a computadores e a criação de interfaces mais intuitivas. No passado, o conhecimento técnico era um requisito para interagir com sistemas, mas com o avanço dos sistemas operacionais e a redução de custos na produção de memória, o uso de computadores se tornou mais acessível e menos assustador. Hoje, muitos se sentem à vontade para desenvolver programas e manipular dados, abandonando o medo e a preocupação que antes predominavam. No entanto, essa facilidade também trouxe riscos, pois a crescente abstração nas ferramentas de programação pode levar a uma falta de compreensão sobre o funcionamento interno dos sistemas e à adoção imprudente de códigos genéricos, ou mesmo a replicação de produtos idênticos e aumento de transações para mantê-los atualizados ou funcionais. A tecnologia, que antes afastava, agora atrai, mas é crucial que esses novos usuários Citizen Developer, que se posicionam de maneira mais avançada, desenvolvendo seus códigos, aplicações, painéis etc, mantenham uma consciência crítica sobre a gestão de recursos e os desafios que ainda existem no desenvolvimento profissional de software.
Palavras-chave: Democratização, Acesso, Citizen Developer, Abstração, Desenvolvimento.
1. INTRODUÇÃO
TI nem sempre foi uma área convidativa, os próprios profissionais de tecnologia da informação, consideravam-se de certa maneira especiais só porque tinham conhecimento suficiente para se comunicarem com sistemas operacionais, programação, banco de dados e dispositivos periféricos (Slingh, 2019). E mesmo com todo o esforço na época em se criar interfaces mais intuitivas, ainda era muito difícil ver uma pessoa de outra disciplina, sentindo-se à vontade frente a um computador (LaFrance, 2015).
Desde os primeiros microcomputadores para cá, a democratização no acesso a essas máquinas foi levada tão a sério, que a camada gráfica (interface gráfica do usuário ou graphical user interface) que um programador se esforçava em desenvolver para aumentar a produtividade do operador de seus softwares, passou a fazer parte de todo o conjunto de programas de computador de fabricantes importantes, como Microsoft, IBM entre outras (Tuck, 2001).
As linguagens, que antes exigiam um conhecimento amplo do gerenciamento dos recursos verticais, como alocação em memória RAM e atenção ao espaço em disco, deram espaço a outras preocupações relacionadas à experiência do usuário (Haeberli, 1988). A elevação desta preocupação reside em grande parte a dois fatores: i) o avanço de sistemas operacionais mais responsáveis com a administração e prevenção a colapsos de memória, performance e conflito na concorrência com outros programas em execução; e ii) um evidente cenário de aumento na oferta de memória (fabricação em maior escala) chegando a um expressivo barateamento e consequente popularização (Segan, 2022).
Quando se olha para hoje, os que se aventuram em desenvolver seus pequenos e médios produtos podem ter deixado três coisas para trás: a ansiedade; a preocupação e a superestimação da máquina. A ansiedade, porque as pessoas não se sentem mais intimidadas pela máquina, havia um temor em usá-la e depois se sentirem sozinhas ou substituídas, a preocupação, porque as pessoas não têm mais receios de perderem tudo ou de apagarem documentos de outros usuários por não saberem usar bem um computador e, por fim, ninguém olha mais para uma máquina como algo mágico e poético, como era comum de se ver até os anos de 1990 (French, 2024). Computador era sinônimo de máquina inteligente e altamente capacitada para cálculos complexos, e hoje é naturalmente visto como um meio, uma máquina útil, por mais sofisticada que seja (Williamson, 2023).
O fato é que isso não ficou só na aproximação das pessoas com o computador de maneira a serem simples operadoras, muitos profissionais estão se aventurando a desenvolver programas e painéis visualizadores de dados, fazendo algumas importações e exportações de tabelas, filtrando, tratando e organizando essas informações, graças à evolução de tecnologias que facilitam o trabalho (Stackpole, 2024). E a questão é: isso é fácil mesmo, é só chegar e fazer? O problema pode residir exatamente nisso, porque a camada de alto nível também está dando possibilidades de desenvolvimento de softwares mais críticos, onde quanto maior a abstração promovida por determinada plataforma no ou low-code, menor entendimento é requerido (Profi, 2024).
O mundo dos computadores vive o inverso da participação dos usuários na computação, que se resumiam em produzir dentro das aplicações, quando hoje “usuários empresariais com habilidades técnicas mínimas podem criar aplicativos, incluindo sites voltados ao público, mercados online básicos, aplicativos móveis, assistentes virtuais, agentes de voz e chatbots, para citar alguns” (Sarvinay, 2024).
Tradicionalmente, os trabalhadores do conhecimento tinham que confiar em seu departamento de TI para desenvolver e implementar aplicativos. Muitas vezes, pode ser um processo longo e caro. Mas agora o surgimento de soluções de baixo código e até mesmo sem código, que permitem que “não desenvolvedores” usem arrastar e soltar para adicionar campos, botões e lógica básica de programação a formulários, está permitindo que as pessoas criem aplicativos para auxiliar em seus processos de negócios (Lepofsky, 2017)
“Há um impacto crescente da tecnologia e da conectividade digital em como vivemos, desde como socializamos e trabalhamos até a produção e a governança” (Comissão Europeia, 2023). A questão atual nasce disso, uma vez que as pessoas estão seguindo na direção do que percebem ser o certo a ser feito. E esse efeito não se resume ao universo da computação, pois as “tendências indicam uma direção de mudança em valores e necessidades que é impulsionada por forças e se manifesta de várias maneiras dentro de certos grupos da sociedade”.
“Riscos e problemas do projeto são uma parte inevitável de qualquer projeto. No entanto, a falta de conscientização desses riscos e problemas pode ter um impacto significativo no sucesso do projeto. Isso é especialmente verdadeiro para recursos não relacionados ao projeto, que podem não estar tão familiarizados com as metas e objetivos do projeto, ou com os riscos e problemas potenciais que podem surgir.” (Waldron, 2023). Sem um projeto, portanto, riscos são desprezados por nem mesmo serem conhecidos, podendo levar a problemas catastróficos. A fase de planejamento é crucial para o sucesso do produto, pois nela residem não só os requisitos necessários para seguir com o desenvolvimento, mas é neste tempo que são documentadas informações essenciais do projeto de software, como tecnologias habilitadoras; recursos e infraestrutura demandada; sustentação; envolvimento e dimensionamento de time técnico; custos de investimento e operação; o valor do produto e expectativas de retorno; o alinhamento com a organização; a necessidade priorização etc (Miguel, 2008).
Figura 1 – Síntese das preocupações gerais de cada tipo de desenvolvedor

Ao se tratar de uma realidade onde muitos desenvolvedores não especializados atuam em frentes diversas, em especial nas empresas de grande porte ou de setores diversificados, o custo com esses recursos, que deveriam produzir dentro do seu escopo de formação, tornam ainda mais complexa a corrida por uma gestão que faça bom uso do tempo e dinheiro (Gonçalvez; Mendes; Resende, 2008). E esses setores estão habituados a deliberarem sobre a distribuição de trabalho, de acordo com a lógica de formação dos profissionais que pode contar, e este escape em especial, na forma de agenda oculta que a liderança simplesmente não vê, pode pesar sobre a visão da produtividade individual, quando se esperava retorno da especificidade de determinado profissional e não se tem (Allen, 2012).
No entanto, os computadores e suas plataformas, como máquinas de uso democrático a favor do serviço diário, dão possibilidades para que um criador aprecie ou compartilhe a sua criação, após pronta e funcional, permitindo que infinitas cópias sejam feitas, de maneira que outro profissional, com necessidades semelhantes, não tenha que fazer o mesmo produto no seu tempo (Shiavoni, 2017). Aí reside também uma otimização do tempo, e é nessa métrica que muitas vezes o Citizen Developer se apoia e ganha força, e se somado o tempo de desenvolvimento, que quase sempre vai ser menor do que em uma área preocupada com uma série de questões ao redor do produto digital, o desenvolvimento pelo não profissional especializado soa quase como uma solução ótima, na visão da gestão.
2. AFINAL, QUEM EXATAMENTE É O CITIZEN DEVELOPER?
De acordo com a definição presente no glossário de tecnologia da informação do grupo Gartner, “um desenvolvedor cidadão é um funcionário que cria recursos de aplicativos para consumo próprio ou de outros, usando ferramentas que não são ativamente proibidas por TI ou unidades de negócios. Um desenvolvedor cidadão é uma persona, não um título ou função direcionada. Eles se reportam a uma unidade de negócios ou função diferente de TI.” E se esta definição traz um conceito de que é uma área ou uma espécie de ponto focal no negócio que reporta a esta própria área, mesmo que as pessoas façam uso de ferramentas inicialmente não proibidas pela área de TI e/ou segurança da informação, já reside nisso fortes ameaças ao tom de conformidade com os padrões gerais de áreas competentes.
Em uma analogia simples e imediata, pontos focais de desenvolvimento de aplicações, soariam como áreas jurídicas da mesma empresa, espalhadas nas gerências centrais de negócio, e para que essas áreas jurídicas possam existir e executar as atividades, delegadas pontualmente ou por formalização em procedimentos e regulações internas, os profissionais devem estar habilitados, ou em outras palavras, devem ser advogados, para este exemplo. Então poderíamos discorrer sobre um profissional que tem o poder de desenvolver, mas sem as competências técnicas que habilitam um desenvolvedor por profissão regulamentada, aumentando a necessidade de se estabelecer limites.
Embora se reconheça que os desenvolvedores cidadãos vêm de um processo natural dos novos conceitos de trabalho, tecnologia e sociedade, não se pode permitir que profissionais sem conhecimento suficiente, superem linhas importantes, que separam responsabilidades relacionadas ao desenvolvedor profissional, mesmo que determinadas soluções sejam simples de serem criadas sob o ponto de vista do trabalho com as ferramentas, pois “um nível de controle ainda é necessário para que áreas como marca corporativa, conformidade e governança não sejam negligenciadas” (Lepofsky, 2017).
O Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados do Ceará (SINDPDCE)se manifestou em 2021 quanto ao desenvolvedor cidadão, definindo-o como “uma pessoa que cria soluções digitais, mesmo que eles não façam parte do segmento de Tecnologia da Informação”, ao passo que define a atividade de desenvolvimento, quando feito por um Citizen Developer, como” uma atividade que permite que pessoas sejam capazes de criar e alterar programas, mesmo sem o pleno conhecimento sobre programação”. E sobre a forma que executa tais atividades de criação de soluções digitais em sua área de negócio, o SINDPDCE compreende que o Citizen Developer “geralmente é guiado por experts em tecnologias em questões de qual solução utilizar”.
Desta maneira, quando um profissional atua sem a aprovação ou o consentimento do departamento oficial de TI, é denominado shadow TI (ou uma sombra da TI), mas o problema se situa exatamente na gestão desta fronteira, pois se as ferramentas estão instaladas e disponíveis, não há garantia de que tudo se desenvolverá dentro desta autorização ou conformidade.
O ponto é que, Citizen Developers não gerenciados quanto ao que produzem, “podem causar problemas graves e expor empresas a riscos desnecessários. Sem orientação, monitoramento e suporte, eles podem causar mais problemas do que resolver”, afirma Kevin Shuler (2023), CEO da empresa Quandary Consulting Group, especializada em transformação de negócios. Sem diretrizes claras e todo um esforço nas organizações, não haverá mecanismos de monitoramento que funcione, podendo ocasionar em perda do controle.
Sem governança, você pode se encontrar em uma situação de “Velho Oeste”. O desenvolvimento de aplicativos é executado sem controle. A TI paralela aumenta. A segurança de TI diminui. Os custos aumentam vertiginosamente. A solução que deveria resolver seus problemas agora cria mais dores de cabeça. (Shuler, 2022).
Seja orientado ou não pela área de tecnologia da informação e seus profissionais e processos, o Citizen Developer se resume em uma ou mais pessoas empoderadas, que surgem muito atreladas ao conceito de aceleração, dentro da transformação digital (Simon, 2022). E a ausência de priorização, como tradicionalmente as iniciativas são tratadas em áreas de TI, ao mesmo tempo que soa como um diferencial do conceito de Citizen Developer, “as empresas correm o risco de uma proliferação descontrolada de aplicativos”, além de poder “criar uma dívida técnica significativa e adoção limitada da solução, introduzir riscos corporativos em torno de segurança, funcionalidade e qualidade” (Deloitte, 2023), pois só de não ter que concorrer com outras iniciativas, postular recursos valiosos, como pessoas, tempo e dinheiro, o cidadão desenvolvedor não gerido pode lidar com o desenvolvimento como se tudo fosse viável.
3. PARA QUE SERVEM AS PLATAFORMAS DE DESENVOLVIMENTO RÁPIDO?
Qual seria o sentido das ferramentas de desenvolvimento rápido, como assistentes de criação de código, plataformas de desenvolvimento com pouco ou nenhum código (as Low-Code Development Platforms ou simplesmente LCDP) entre outras ferramentas que permitem o desenvolvimento orientado ao um ambiente totalmente visual (Visual Programming Language)? A ideia imediata que pode passar é que estão a serviço de usuários de negócios não técnicos, os Citizen Developers, mas o fato é que essas plataformas “são projetadas para desenvolvedores profissionais e usuários de negócios não técnicos.
Elas exigem muito pouco treinamento ou experiência e usam modelagem baseada em visual para simplificar o processo de desenvolvimento. Também permitem que pessoas com experiência de codificação se aprofundem, codificando manualmente quando necessário” (Servicenow, 2022).
Figura 2 – 24 das muitas plataformas lowcode encontradas na Web

Para um profissional desenvolvedor, essas ferramentas estão lá também para acelerar o desenvolvimento, ofertando possibilidades, seja para geração de um protótipo, ou mesmo para validar hipóteses em ambientes reais, provas de conceito (PoCs) etc, mas também apoiam os não-desenvolvedores (os Citizen Developers) para que desenvolvam soluções sem terem o conhecimento dos que se dedicam à área profissionalmente (Waszkowski, 2019). “Computadores que todos nós podemos programar, computadores que não exigem treinamento especializado para ajustar e melhorar sua funcionalidade e que não falam em código: esse futuro está rapidamente se tornando o presente” (Manjoo, 2023). O campo da programação está indiscutivelmente mais convidativo para quem deseja seguir carreira, ou mergulhar como um cidadão desenvolvedor, que está preocupado com o seu dia a dia. Desta forma, é possível entender que as plataformas com pouco ou nenhum código são excelentes ferramentas para pessoas sem conhecimento técnico conseguirem desenvolver coisas simples, mas não são as melhores plataformas finais para se trabalhar com cenários mais complexos, que exigem profundo conhecimento sobre tudo que está ao redor da tecnologia (WASZKOWSKI, 2024).
4. CITZEN DEVELOPER É CONSEQUÊNCIA DA DEMORA DA TI?
Será que profissionais de TI estão demorando tanto? Algumas questões, obviamente, estão ao redor da fila de espera, mas o fato é que as TIs nunca estiveram tão ocupadas (McQuillan, 2022). Os desenvolvedores profissionais são suficientes? No Reino Unido foi feito um estudo (The IT Skills Gap Report), destacando que quase todas as 500 empresas ouvidas (93% delas) passam por problemas de habilidades de TI, onde 42% delas colocam a causa na conta do rápido avanço tecnológico (Thornhill and Pratt, 2023).
O relatório do estudo mostra também as habilidades mais procuradas no Reino Unido, e a procura por profissionais apresenta um cenário em que as 4 principais áreas não são sobre o desenvolvimento de aplicações, o que sinaliza que outras expertises mais importantes na nova TI.
Figura 3 – Os mais demandados conhecimentos em TI pelo mercado de trabalho

Uma empresa percebe no cidadão desenvolvedor, possibilidades de adoção rápida, menos custos com treinamentos longos e menos custos por usuário com licenças. olha para o que acontece ao seu redor, quando um profissional tem preocupações maiores, como ilustra a figura 1. E um desenvolvedor geralmente está dentro de um time com subdisciplinas relacionadas ao desenvolvimento, o que demanda sintonia, acordos e comunicação contínua. E como um software é um ativo da empresa, com investimentos em homem-hora e a própria materialização do produto, há necessidade de documentar, por mais que isso tenha reduzido bastante. A empresa Avalia, especializada em desenvolvimento de softwares para áreas diversas, publicou em seu site uma relação de possíveis 7 causas para o atraso no desenvolvimento, que podem justificar certos atrasos que um desenvolvedor não profissional geralmente não passa:
Tabela 1 – 7 Reasons Why the Idea of the Citizen Developer Never Materialized
| 1 Rotatividade de desenvolvedores | A adaptação de novos profissionais pode demandar tempo até que esteja a bordo de um desenvolvimento que foi iniciado com outro programador, por exemplo. |
| 2 Ausência de teste automatizado | Quanto maior a dependência de testes automatizados, maiores as chances de um projeto demorar nesta fase. Um programador precisa garantir que um produto seja construído de maneira certa. |
| 3 Gestão do conhecimento | É muito difícil que o mesmo time se mantenha em torno de um produto, ainda mais se este produto já estiver em produção há mais tempo, o que pode tornar uma evolução mais demorada. |
| 4 Falta de conhecimento de domínio | Aqui a empresa alerta para as mudanças frequentes entre times de desenvolvimento, dificultando a continuidade do conhecimento, consequentemente impactando na produtividade e na eficiência. É menos danoso do que o turnover (rotatividade), mas é uma questão a ser considerada como risco, quando os recursos são muito limitados. |
| 5 Mudanças de contextos ou de prioridades | Um time está inclinado a desenvolver o produto conforme a prioridade, que deve ser consequência do demandante na área de negócio. O que acontece é que uma dinâmica pode atrapalhar todo o planejamento e requerer requisitos não-funcionais antes não necessários, a título de exemplo. |
| 6 Falta de Clareza nas Especificações | A empresa aqui alerta para a baixa qualidade das especificações, necessários retrabalhos e fatalmente os indesejados atrasos, como consequência de falhas de comunicação. |
| 7 Débito técnico | Aqui a empresa alerta sobre o desequilíbrio entre o que se produz para o desenvolvimento de novas funcionalidades e a manutenção do que já foi entregue. E de fato essa é uma realidade, pois geralmente o suporte é orientado por pessoas do grupo de desenvolvimento, ou mesmo é criado com um dos que estavam no time. Isso pode paralisar os negócios, acrescenta a Avalia Systems, devido à imprevisibilidade da entrega e a custos crescentes de sustentação e provisionamento |
Fonte: https://www.blueprintsys.com/blog/7-reasons-why-citizen-developer-never-materialized.
5. O QUE EXATAMENTE ESTÁ SENDO DEIXADO PARA TRÁS COM OS CITZEN DEVELOPERS?
Em outras palavras, quais as consequências ao se ignorar a importância do desenvolvimento por áreas donas do macroprocesso ou com a competência corporativa creditada? Não há nenhum preciosismo da parte dos núcleos oficiais profissionais para o desenvolvimento de produtos digitais, pelo menos não institucional ou formal, mas um conjunto de práticas que buscam garantir a qualidade e eficiência em diversos contextos, já que para a priorização das propostas, certamente serão escolhidas às que além do benefício, possam entregar outros atributos importantes para a viabilidade da solução.
Vejamos, na sequência, alguns alertas sobre possibilidades relacionadas ao desenvolvimento sem uma padronização adequada, com parâmetros e práticas profissionais:
Tabela 2 – Quadro com possíveis consequências do desenvolvimento não profissional
| Custo do investimento (CAPEX) | Esta é uma questão relevante, e ao se desenvolver um produto através dos centros oficiais, há transparência e maior detalhamento do dispêndio relativo aos serviços e aquisições relacionadas a cada fase do desenvolvimento, ao passo que – quando o Citizen Developer assume o desenvolvimento de algo para o seu dia a dia em particular – certamente vai utilizar um tempo que não relata de maneira independente de outras atividades, o que mascara um custo que precisava ser apresentado como investimento na forma de homem-hora (HH). |
| Custo em operação e manutenção (OPEX) | Assim como acontece com os custos relacionados ao investimento, o Citizen Developer assume a atividade de manutenção, não permitindo que se observe os parâmetros a fim de comparação e contabilização dos custos efetivos gerados pelo desenvolvimento independente e descentralizado. E imaginando que diversos outros desenvolvedores podem estar fazendo da mesma forma em outros setores da empresa, perde-se a rastreabilidade e gestão da produtividade individual. |
| Alta carbonização gerada por soluções de baixo desempenho energético | Um software, embora ainda carregue certa poesia ao seu redor, como a fala superficial de que o computador já está ligado, e, portanto, o consumo de energia já está acontecendo, os recursos internos de um microcomputador demandam energia em sua aplicação individual. A título de exemplo, uma solução desenvolvida sem parâmetros sobre os recursos disponíveis, pode esbarrar na falta de memória RAM e acessar o HD (o disco rígido) muito mais vezes que um produto bem pensado e que se desdobre em menos esforço computacional. E este exemplo é tão real, que muitas soluções estão atuando para tornar disponível aquilo que é mais acessado pelo operador, ao usar um programa. |
| Baixa adoção, abrangência não pensada e reduzida escalabilidade | Um dos maiores problemas relacionados ao produto desenvolvido em um nicho discreto de determinada área corporativa, é que outros requisitos que atenderiam áreas semelhantes, não são contemplados, na verdade nem são comunicados por não haver um canal, baixando consideravelmente as possibilidades de ganho em escala (pela usabilidade otimizada de um mesmo produto) e reduzindo as cargas de gestão das soluções. O controle de versão de uma solução é geralmente sentimento do Citizen Developer, dentro do seu escopo de trabalho, sua pasta etc. |
| Ausência de acordo em nível de serviço | De service-level agreement, em inglês, ou comumente chamado de SLA, o acordo em nível de serviço é resumidamente uma estrutura lógica, criada para atender desde um simples chamado de usuário para se ter uma informação de uso, até à escalada para as mesas de atendimento especializado e desenvolvimento. Como o desenvolvedor local está destacado dessas áreas, ele é reconhecidamente o dono do produto, o seu gestor e seu suporte. Na prática, o profissional Citizen Developer é uma profissional que, mesmo contratado para atuar com a sua expertise formal em outra área, uma espécie de pai da solução e, ao aumentar o uso da solução, a empresa (ou setor) ficará dependente da pessoa. |
| Baixa performance e alto transacional | A baixa performance é clara, porque o produto acaba por ser desenvolvido sem pensar na relação com todo o ecossistema, que vai dos recursos físicos, até outros softwares e bibliotecas coexistentes, mas uma das maiores ineficiências de uma solução local desenvolvidas por uma pessoa sem práticas mínimas de desenvolvimento, reside no número de transações que estão por trás da solução. Esse transacional pode ser humano, quando considera o trabalho de uma pessoa tratando tabelas e planilhas, ou mesmo com a robotização que muitas vezes é requerida, para servir de paliativo por não ter um plano de consumo de dados oficiais, a título de exemplo. |
| Validação de dados não oficial | Muitas vezes, o desenvolvedor local não especializado é obrigado a validar os dados de maneira manual, trabalhando com exportações sob demanda, o que eleva o grau de risco sobre a confiabilidade e até conformidade. Um dos primeiros desafios que um Citizen Developer precisa vencer é a busca por fontes de dados validadas. É o mínimo para que os riscos sejam amenizados. |
Fonte: Autor, 2025.
É importante destacar que as métricas relacionadas ao desenvolvimento de software são acompanhadas durante todo o ciclo de vida, implicando muitas vezes na redução de escopos e até mesmo paralização, quando um software em desenvolvimento fora dos controles da área oficial, geralmente nem é questionado por qualquer ponto que implica sob o ponto de vista físico, tampouco orçamentário. Sob controle, é possível constatar que muitos projetos de desenvolvimento de software sofrem com atrasos ou estouros no orçamento previsto.
O gráfico seguinte apresenta uma pesquisa do Boston Consulting Group feita em 2024 com 403 executivos globais de 25 áreas de negócio distintas:
Gráfico 1 – Pesquisa do BCG com 403 executivos

A Quandary Consulting Group (grupo americano de consultoria para o crescimento de negócios), tem uma visão bastante positiva sobre o Citizen Developer, entendendo que tais desenvolvedores existem por uma série de questões ao redor da burocracia que uma área de TI apresenta organicamente e como objeto do trabalho integral. Desta maneira, o grupo publicou em 2022 – dentro da sua própria visão ou experiência – uma relação de prós e contras sobre a existência de desenvolvedores cidadãos em suas áreas de negócio:
Prós
Tabelas 3 – Recorte da publicação Citizen vs. Professional Developer [Comparison Guide]
| Ajuda a reduzir custos | Aplicativos tradicionais criados usando desenvolvedores profissionais são caros, de US$ 100.000 a US$ 300.000 em média. Desenvolvedores cidadãos podem criar um aplicativo por uma fração do preço, geralmente abaixo de US$ 10 mil. |
| Resposta à escassez de Talentos | Com a escassez de desenvolvedores profissionais, a TI luta para equilibrar sua carga de trabalho. O backlog é comum. O esgotamento é alto. Felizmente, os desenvolvedores cidadãos podem reduzir as pressões da demanda. Qualquer funcionário da sua organização pode aprender a ser um desenvolvedor cidadão em semanas. Isso significa que você pode treinar sua equipe para construir as soluções únicas que eles precisam para resolver seus problemas em vez de esperar para encontrar os programadores necessários para terminar uma construção. |
| Melhor colaboração | Atualmente, TI, Liderança e departamentos são frequentemente isolados. Cada grupo tem obstáculos que precisam superar para fazer o trabalho. Isso desacelera os processos e leva a aplicativos que podem não atender às necessidades de seu público-alvo.
Os desenvolvedores cidadãos podem trabalhar como uma ponte entre TI, líderes empresariais e clientes, fortalecendo a colaboração e gerando melhores resultados. Como os desenvolvedores cidadãos estão mais diretamente envolvidos com todas as partes, eles podem compartilhar expertise com a equipe, levando a melhorias de processo mais bem-sucedidas. |
| Tempo de lançamento mais rápido | Aplicativos criados por desenvolvedores cidadãos levam menos tempo para serem desenvolvidos e chegam ao mercado mais rapidamente.
De ponta a ponta, o processo é mais rápido, com menos obstáculos a serem superados, aprovações a serem obtidas e recursos a serem alinhados. É comum reduzir o ciclo de vida tradicional do aplicativo de meses para semanas ou até mesmo dias. |
| Aumento da produtividade | Tarefas manuais e repetitivas consomem o tempo da sua equipe. Classificar planilhas sem parar, tentar encontrar informações e esperar por aprovações pode prolongar o tempo de conclusão de uma tarefa de minutos para semanas.
Os desenvolvedores cidadãos podem reduzir essas ineficiências criando automações e integrações simples para conectar fluxos de trabalho. Com o tempo, sua equipe reduzirá as tarefas tediosas que precisa gerenciar. Como resultado, eles terão mais largura de banda para focar em questões críticas. |
| Reduz a TI oculta ou ajuda a monitorá-la | Usar uma estrutura de desenvolvimento cidadão cria um único ponto de controle e monitoramento. Este modelo reduz os incentivos para se envolver em Shadow IT . Ele também aumenta a visibilidade da atividade de Shadow IT e permite melhor conformidade. Pense nisso: se sua equipe tiver as ferramentas para trabalhar mais rápido e alcançar resultados, ela não ficará tentada a ignorar a TI para encontrar soluções. |
| Melhores resultados | Quando os donos do aplicativo escrevem as especificações, é uma boa aposta que o aplicativo resultante atenderá às expectativas. Os desenvolvedores cidadãos sabem melhor do que ninguém o que precisa de melhoria ou automação.
No final das contas, eles podem criar a solução exata para seu problema. Isso garante implementação, treinamento e adoção suaves de novas tecnologias. |
| Uma abordagem ágil | O desenvolvimento cidadão se presta melhor a técnicas ágeis, aumentando a flexibilidade e reduzindo o tempo de desenvolvimento. O desenvolvimento, o teste e o envio de aplicativos são mais rápidos do que com métodos convencionais.
Como resultado, você pode obter as soluções necessárias enquanto elas ainda são relevantes e dimensionar o crescimento do seu negócio. |
| Libera recursos de desenvolvimento profissional | Equipes de desenvolvimento profissional sobrecarregadas podem se concentrar em projetos de maior prioridade quando desenvolvedores cidadãos ajudam a carregar a carga. Isso otimiza recursos e ajuda a TI a recuperar os tickets. |
Fonte: https://quandarycg.com/citizen-developer-vs-professional-developer.
Contras
Tabelas 4 – Recorte da publicação Citizen vs. Professional Developer [Comparison Guide]
| Pode ser difícil de gerenciar | O desenvolvimento cidadão pode ser difícil de gerenciar sem uma estrutura de desenvolvimento cidadão para centralizar o controle e o monitoramento. Isso também pode levar a instâncias maiores de Shadow IT. |
| Risco de sufocar a criatividade com uma governança ineficaz | O desenvolvimento cidadão requer governança efetiva. Caso contrário, os desenvolvedores cidadãos não podem aproveitar totalmente as novas tecnologias.
Desenvolvedores cidadãos desonestos podem negligenciar a segurança ou a qualidade, causando mais danos ao seu negócio. Além disso, a criatividade deles será sufocada sem um ambiente sandbox seguro para testar soluções e ideias. |
| Aprendizagem constante necessária | O desenvolvimento cidadão bem-sucedido requer educação e treinamento. Treinamento em fundamentos de segurança de dados é essencial, assim como educação contínua em ferramentas de baixo código/sem código.
Como resultado, a liderança precisa ajustar orçamentos e recursos para garantir que a TI possa fornecer suporte e que os desenvolvedores cidadãos tenham tempo para aprender. |
| Mudança cultural necessária | O desenvolvimento cidadão exige uma mudança cultural no relacionamento entre o desenvolvimento profissional e o restante da organização.
Desenvolvedores profissionais possuem software há muito tempo. Eles podem sentir que o desenvolvimento cidadão os tornará obsoletos ou criará mais problemas. Problemas de controle podem surgir. |
| Departamentos de TI não reconhecem o valor | Os departamentos de TI podem ser céticos em relação ao desenvolvimento cidadão e vê-lo como desestruturado e sem valor. Pior, eles podem vê-lo como mais uma tarefa que precisam gerenciar.
Também pode haver um grau de mentalidade de “Não é assim que fazemos as coisas aqui” ou “Nós contra Eles”, o que leva ao antagonismo, impedindo a colaboração e os resultados. |
Fonte: https://quandarycg.com/citizen-developer-vs-professional-developer.
A publicação também englobou uma série de prós e contras dos desenvolvedores profissionais, mas as informações foram suprimidas deste artigo. Assim como esta empresa de consultoria, há outras mais que se manifestaram no início do conceito de Citizen Developer. Entretanto, atualmente há entidades manifestando preocupações com o que se teve até aqui, na crescente democratização do desenvolvimento, a popularização do Citizen Developer e seus produtos colocados em produção.
Chris Kosmopoulos, da canadense Blueprint, desenvolvedora de produtos digitais e serviços de consultoria relacionados à inovação contínua, produziu um material digital recentemente (2024), contendo 7 desafios que inibiram a ascensão do Citizen Developer, considerando que a ideia nunca se materializou de fato, ao entender que os produtos entregues até aqui não têm as características profissionais indissociáveis atreladas a eles.
Vejamos as 7 razões levantadas Kosmopoulos: 1) a complexidade dos problemas empresariais do mundo real; 2) a baixa qualidade e escalabilidade do produto desenvolvido; 3) os riscos relacionados à segurança do produto; 4) desafios de integração não visualizados ou desprezados; 5) dependência de soluções instaladas para manter aplicações em funcionamento; 6) capacitação aquém dos Citizen Developers e suporte da TI insuficiente, para acompanhá-los; e 7) os cidadão desenvolvedores podem subestimar a necessidade de gente mais qualificada.
Figura 2 – Sintetização da rotina de desenvolvimento profissional x Citizen Developer

Há erros mais comuns que podem ser observados no dia a dia do desenvolvedor local não profissional, e muitos deles já se configuram na origem, uma vez que o desenvolvedor pode começar a sua empreitada sem simplesmente ter a validação de ninguém, apenas por contar com a ferramenta bem ali na sua máquina.
A falta de priorização e aprovação do negócio; a falta de alinhamento com a cadeia de valor da área, o gerenciamento de agenda oculta; a entrega de produtos fora da arquitetura de referência da organização, a falta de especificação, necessidades de funcionalidades surgindo em tempo de desenvolvimento, falta de valoração e cálculo do retorno do investimento etc. São muitas questões que podem ser deixadas para trás, simplesmente por não haver um projeto elaborado – mesmo que básico e descomplicado, em quase todos os casos em que o Citizen Developer atua.
Gráfico 2 – O gigantismo do projeto de software em ágil escalado com framework SAFe

6. A CARREIRA DO CITIZEN DEVELOPER
O conceito de Citizen Developer se desenvolve necessariamente como um profissional de determinada área de negócio, que não é um especializado em TI, mas que por conhecer muito as próprias dores individuais ou na escala do negócio que está fisicamente inserido, é visto com bons olhos. Uma questão que surge é: o cidadão desenvolvedor não especializado possui uma trajetória de carreira formal? Ao que tudo indica, os conhecimentos que esses profissionais têm sobre soluções digitais se agregam às suas propriedades de especializado em outra área, e esses conhecimentos passam a fazer parte de um perfil que já está sendo desejado por muitos gestores não-TI, pois esses profissionais com conhecimento diversificado, podem não só desenvolver produtos, mas se adequam bem ao papel de “dono de produto”, product owner em inglês, ou somente PO, como se fala nas organizações. A questão está tomando um rumo tão sério, que muitas universidades pelo mundo estão claramente incentivando tais conhecimentos, de maneira que se caminha para que essas habilidades em ferramentas de assistência ao desenvolvimento sejam consideradas inerentes ao desempenho profissional.
O alto custo de contratação de profissionais de tecnologia e uma crescente força de trabalho híbrida ou sem fronteiras contribuirão para a adoção de tecnologias low-code. Fortalecidos pelos recursos intuitivos, flexíveis e cada vez mais poderosos das ferramentas de desenvolvimento de low-code, especialistas em tecnologia e de negócios, assim como outras pessoas envolvidas com TI, estão desenvolvendo soluções leves para atender às necessidades de suas empresas para alcançar a maior produtividade, eficiência e agilidade (Wong, 2022).
No final de 2023, Giovanna Chirardello, profissional da BotCity, empresa brasileira que atua especialmente no segmento de desenvolvimento de software para automação robótica, publicou um artigo sobre citizen delevoper, onde teve cuidado sobre a distinção entre Citizen Developer e shadow TI, ao mesmo passo que coloca como diferencial positivo do desenvolvedor local não-TI, ao considerar que “esses profissionais podem acelerar a criação de soluções já que não dependem totalmente da equipe de TI”.
A vicissitude deste equilíbrio soa como uma zona de conflito entre as gestões do negócio versus da TI, e o que se pode destacar ainda no texto, é que a autora apresenta 5 passos importantes para se conseguir ter sucesso na carreira:
Tabela 5 – Adaptação da publicação Citizen Developer: o que é e vale a pena contratar?
| Entender o básico de desenvolvimento | A autora destaca que apesar de não ser necessário programar de fato, o Citizen Developer deve se familiarizar com os conceitos básicos ao redor de programação e desenvolvimento de software. |
| Explorar as plataformas low-code | Aqui há um destaque especial às plataformas de baixo ou nenhum código, como OutSystems e Power Apps, para entender basicamente como funciona. |
| Entender a necessidade | Este é um ponto de crítica a ser feita sobre o que espera do desenvolvedor cidadão na empresa. Dialogar sobre como a área de negócio pode extrair benefícios com desenvolvimento local. |
| Colaborar com o time de TI | Giovanna Chirardello entende como fundamental o atendimento às políticas corporativas de segurança e questões normativas, quando for desenvolver um produto. |
Fonte: https://blog.botcity.dev/pt-br/2023/11/23/citizen-developer.
Para um desenvolvedor local não especializado, são muitas oportunidades surgindo, em especial o reconhecendo como ponto de apoio em assuntos relacionados ao desenvolvimento, o que pode carimbar o profissional como uma espécie de posto avançado de TI. Tudo pode se agravar, quando o desenvolvedor está sozinho na área de negócio, pois muito provavelmente vai personificar o suporte, acarretando desde problemas relacionados ao seu próprio desempenho nas suas atividades objeto do seu cargo, até a situações em haja um sobrecarregamento do indivíduo, podendo prejudicar o planejamento de férias e até mobilidade para assumir outras funções, como posições no mesmo nível hierárquico, ou promoções.
E é portanto imprescindível a disseminação do conhecimento e o compartilhamento das informações entre os profissionais da área, de maneira que se torna necessário um projeto corporativo, que tanto mapeie esse trabalho de troca e responsabilidade no tecido humano, observando estruturalmente o que mantem essa consciência forte de que todos devem acessar o conhecimento, haja vista que as organizações – por si só – não são produtoras de conhecimento algum, apenas cabendo às instituições, cuidar para o engajamento (Santos et al., 2020).
Um cidadão desenvolvedor não-especializado muito provavelmente não terá uma carreira na área central de Tecnologia da Informação. E isso não acontecerá não só pelo motivo óbvio da falta de habilitação, mas porque não tem a habilidade em si, pois seus conhecimentos são superficiais e respondem a um aspecto imediato do seu trabalho diário, mesmo que tenha contemplado diversos assuntos. Assim, para seguir na carreira como um profissional especializado reconhecido no desenvolvimento de produtos digitais, o Citizen Developer na realidade mudará de carreira, entrando em programas de desenvolvimento, para estar pronto para fazer a transição.
Líderes estão de acordo que o conhecimento é chave para a solução de problemas, além de diferencial competitivo dos colaboradores, que se aprofundando em assuntos, têm tudo para potencializar o resultado da área de negócio Cross, Parker, Prusak, & Borgatti, 2001). Desta forma, a carreira de Citizen Developer é a carreira de uma profissão somada ao conhecimento ora adquirido para desenvolver, ou em outras palavras e a título de exemplo, seria como um advogado ou um economista na atribuição de Citizen Developer.
7. O QUE O MERCADO MUNDIAL SINALIZA SOBRE CITIZEN DEVELOPER?
A crescente presença dos Citizen Developers nas empresas não representa tão somente um movimento à serviço de uma transformação digital no seu conceito mais corporativo, pois o Citizen Developer é algo que vem de características das novas gerações, onde o digital não se resume mais em uma possibilidade, mas em uma realidade inegociável, onde
[…] tem impulso em uma nova geração de humanos, que observa as coisas e enxerga o tempo e o custo como o seu maior inimigo. Esta geração quase não quer pegar em papel, quase não lê instruções de uso e coloca em desuso um alerta antigo, de meados do século XX: “não pegue o bonde andando!”. Ora, estamos diante de uma geração que já entra no jogo com ele em andamento, que usa o aparelho celular e procura ver vídeos online quando não consegue avançar em alguma coisa, que compartilha know-how, que critica, avalia, vê valor na imagem digital, que se lança como formador de opinião mesmo que não tenha preparo sobre o assunto, mesmo que nem seja estudioso ou seja possuidor de qualquer formação ou especialização. É a geração que quer fazer antes de aprender e impulsiona a indústria a atender a este gosto (Fernandes, 2019).
E além do natural impulso, ao qual Fernandes (2019) faz referência, “a aceleração de negócios digitais está pressionando os líderes de TI a aumentar drasticamente a velocidade de entrega de aplicativos e o Time to Value (tempo que os clientes levam para perceberem o valor de um produto ou serviço). Esta crescente demanda crescente por soluções de software personalizadas em suporte à transformação digital desencadeou o surgimento de desenvolvedores cidadãos fora da TI, o que, por sua vez, influenciou o aumento do low-code” (Costello, 2021).
A consequência disso é a resposta do mercado com a forte e crescente presença de ferramentas digitais de baixo código, que podem ser divididas entre plataformas de aplicações low-code; automação de processos de negócio (BPA); desenvolvimento de multiexperiência; automação robótica de processos (RPA); integração com serviços em nuvem (conceito “as a service”); automação e desenvolvimento para cidadãos (ou em inglês, citizen automations and development plataforms); e outras tecnologias mais que movimentam bilhões de dólares anualmente.
“As organizações estão cada vez mais se voltando para tecnologias de desenvolvimento de low-code para atender às crescentes demandas por aplicações para a otimização de fluxos de trabalho e de automação altamente personalizadas” (Mehta, 2021).
Gráfico 3 – Receitas anuais com tecnologias de desenvolvimento low-code em bilhões de dólares

8. HÁ LIMITES SEGUROS SOBRE O ESCOPO DE ATUAÇÃO DO CITIZEN DEVELOPER?
Quando se trata de uma oportunidade de aceleração da maturidade digital nas organizações, o Citizen Developer direciona o seu conceito a algo mais nobre do que o demérito do peso da organização de outra área, com processos, métodos e práticas que demandam tempo e dinheiro, pois este profissional tem enorme potencial de se somar no processo de transformação digital, em especial atendendo dentro de um escopo que as áreas de TI simplesmente não têm planos em resolver porque “afinal, o mundo nunca teve tantos engenheiros de software, a produtividade dos desenvolvedores está nas alturas e os salários estão em alta” (Kissflow, 2024).
Na forma tradicional, as áreas de negócio submetiam as suas demandas para a TI e um ou mais times se preparavam para estimar prazos e custos do projeto, mas coisas como planilhas eletrônicas do Microsoft Excel e os populares formulários do Microsoft Access quase sempre estiveram nas áreas de negócio. Era algo nem sempre delimitado, onde os usuários naturalmente colapsavam com algum tipo de limite relacionado às ferramentas que tinham à mão, levando-os à conclusão de que deveriam abandonar as cansativas planilhas e bases de dados locais, para desenvolverem junto à TI, sistemas mais completos e que exigiam menos transações.
São coisas que de maneira geral, não mudaram muito em termos de relação com a TI, só que os problemas começaram a se tornar visíveis, à medida que as ferramentas permitiram que o Citizen Developer avançasse para romper o que antes era limitado, e a cultura de se reproduzir painéis visualizadores de dados (dashboards) foi permitindo que uma verdadeira febre se alastrasse pelos setores. Surgiram riscos sobre a validação dos dados, inconsistências, questões relacionadas ao tratamento correto e classificação da informação etc. “A plataforma de BI (business inteligence) de uma empresa é o bolo e o painel é a cereja do bolo. O que o BI faz é a investigação além da apresentação original, e a comunidade de BI reconhece que eles são a base de informações para os painéis” (Hagerty, 2013).
Desta maneira, ao que se conclui é que não adianta toda essa correria para se criar dashboards por toda a organização, se não houver um plano de estabelecimento de plataforma de BI promovido pela área central de tecnologia da informação na empresa. Este é um limite claro, em que o Citizen Developer não pode ultrapassar, e ao mesmo tempo o cidadão desenvolvedor pode não perceber que é preciso frear um desenvolvimento sem a base estruturante.
A ausência de um trabalho de padronização e disponibilidade de dados pela TI, levam os painéis não só a perderem a dinâmica que muitos acham que têm, mas a ficarem pouco inteligentes, pouco úteis em por fim, pouco significativos para o negócio. Já nos alertava Mark Smith em 2012, quando na publicação The Pathetic State of Dashboards (O estado patético dos painéis) “As primeiras formas de painéis surgiram na década de 1980, mas na minha avaliação honesta, os painéis de hoje não ficaram muito mais inteligentes em todos esses anos”.
O ponto é que a governança não é simples, e exige o desenho de um projeto estratégico integral, mas ao mesmo tempo com uma flexibilidade que permita novos diálogos aceta do Citizen Developer e seis limites (Ahmed et al., 2017). Não é incomum que normas e procedimentos se alterem com o tempo, mas com as coisas mudando continuamente, não é um passo tão objetivo quanto parece, mas é evidente que as pessoas devem estar capacitadas na organização, através de negociação sobre escopo dos papéis e responsabilidades, de maneira que tudo fique claro em uma matriz objetiva (Bughin, 2021). Institucionalizar uma equipe centralizada na TI para orientar Citizen Developers de toda a organização, unindo normas e boas práticas, pode ser uma saída (Callinan e Perry, 2024).
Em 2019, o Gartner se pronunciou sobre as zonas seguras para os Citizen Developers, onde considerou a criticidade ou abrangência da solução com relação à instituição, departamentos e times nas áreas de negócio; a característica do produto desenvolvido; e os limites de atuação do desenvolvedor no negócio. O quadro é objetivo, e foi muito bem recebido pela comunidade desenvolvedora. Ao interpretá-lo, é importante entender que muitas vezes um mesmo produto pode carregar características que esbarram nas fronteiras, o que pode exigir uma análise de pessoal especializado, como uma forma de apreciação e parecer para validar um desenvolvimento.
Figura 3 – Traduzido e adaptado Adaptive governance framework for defining Citizen Developer safe zones

Dois anos depois, Jason Wong, também pelo grupo Gartner, publicou um quadro que permitiu uma compreensão da tipicidade dos desenvolvedores, o tempo dedicação ao desenvolvimento, a predileção por ferramentas e o escopo dos produtos que desenvolvem. O quadro revela, com bastante simplicidade, uma visão de cada um dos tipos de profissionais dedicados: o Citizen Developer usuário final; o Citizen Developer usuário avançado; o desenvolvedor profissional que está dentro do negócio; e o desenvolvedor profissional que está na TI, entendendo que qualquer pessoa pode ser desenvolvedora de produtos digitais, respeitados seus escopos de acordo com a sua capacitação técnica e área de atuação:
Figura 4 – Traduzido do quadro de Jason Worng: Anyone Can Be a Developer

Nas corporações, já não se fala em Transformação Digital como um projeto de trabalho localizado, mas como uma visão estratégica, onde atualmente o olhar local carrega um conceito de hiperautomação, muito mais focado na automação sistemática das áreas de negócio. A hiperautomação envolve o uso de maneira orquestrada de todos os processos de negócio, ferramentas disponíveis para análise da eficiência das transações e automatização do que se sinaliza com oportunidades de se tornar mais produtivo. “A hiperautomação mudou de uma opção para uma condição de sobrevivência.” (Gartner, 2020).
Desta maneira, certamente o crescimento dos Citizen Developers nas empresas não vai se estabilizar, portanto as fronteiras serão renovadas, e qualquer sinal de coibição perderá forças, diante de respostas através de ferramentas autosupervisionáveis que poderão garantir conformidade e segurança, pois a força por trás de tudo isso reside na ideia de que o movimento não pertence mais à particularidade de uma organização, mas a um sistema complexo, uma rede, onde todos se conectam necessariamente por meios digitais, incluindo clientes, operadores de ativos, uma completa e intangível cadeia supridora, com prestadores de serviços de manutenção, logística etc, preconizando como um sinal de resiliência das empresas em um planeta cada vez mais volátil (Giuliano, 2021).
9. CONCLUSÃO
A ascensão dos Citizen Developers no mercado atual é um reflexo das mudanças profundas que ocorreram nas dinâmicas de trabalho e nas expectativas das novas gerações. Estas mudanças não são meramente tecnológicas; elas representam uma transformação cultural onde o digital se tornou uma parte intrínseca da vida cotidiana. As novas gerações, imersas em um ambiente digital, não só buscam soluções rápidas e eficientes, mas também estão dispostas a protagonizar o processo de desenvolvimento, rompendo barreiras e desafios que antes eram exclusivos das áreas de TI. Os Citizen Developers emergem como uma resposta à pressão por agilidade e eficiência no desenvolvimento de software.
E a demanda por soluções personalizadas e a necessidade de otimizar processos têm impulsionado as organizações a buscar alternativas fora do tradicional. Isso se traduziu em um aumento do uso de plataformas low-code, que permitiram que indivíduos sem formação técnica em desenvolvimento de software criassem soluções que atendesse às necessidades específicas do negócio. Essa democratização do desenvolvimento não apenas reduz a carga de trabalho dos times de TI, mas também permite que as áreas de negócio sejam mais proativas e autônomas.
Mas a liberdade atribuída aos Citizen Developers não vem sem riscos, o desenvolvimento descentralizado pode levar a problemas sérios para o negócio, como inconsistências nos dados e falta de padronização da comunicação. Faz-se essencial que as organizações estabeleçam diretrizes claras e áreas de suporte dentro das equipes de TI para orientar e supervisionar o trabalho dos Citizen Developers, garantindo que suas contribuições sejam alinhadas com os objetivos estratégicos da empresa.
Vai ser ainda mais urgente um esforço institucional em manter o equilíbrio entre inovação e segurança, em busca por padrões que definam limites no contexto das ferramentas disponíveis. As coisas terão que ser constantemente avaliadas e ajustadas à medida que as tecnologias e as demandas do mercado evoluam, garantindo que a flexibilidade necessária para a inovação não comprometa a integridade e a qualidade dos dados.
Em síntese, a presença crescente dos Citizen Developers sinaliza uma nova era no desenvolvimento de software, caracterizada pela colaboração entre áreas de negócio e tecnologia. Para que essa colaboração seja bem-sucedida, as organizações devem investir em estruturas de governança que apoiem a inovação e garantam a qualidade dos resultados. O futuro aponta para um ecossistema onde a capacidade de cada indivíduo de contribuir para o desenvolvimento digital é reconhecida e valorizada, formando um tecido interconectado que sustenta a transformação digital em larga escala. Essa evolução não apenas redefine o papel da tecnologia nas empresas, mas também promove um ambiente onde a agilidade, a criatividade e a colaboração são fundamentais para o sucesso em um mundo cada vez mais digital.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALLEN, Kevin. A Agenda Oculta. 1.ed. São Paulo: Elsevier Editora Ltda, 2012.
ALABAMA WRITING TEAM. Why Software Development Projects Fail In 2024. Alabama Solutions. Disponível em: <https://alabamasolutions.com/why-software-development-projects-fail-in-2024>. Acesso em: 20 set. 2024.
BIEZEN, Vicent van der. The Importance of Citizen Development and Citizen IT. IQ InnovationLab, 2019. Disponiível em: <https://www.citizen-developer.nl/post/the-importance-of-citizen-development-and-citizen-it>. Acesso em: 22 set. 2024.
BUGHIN, J., et al. Digital Transformation: Improving the Odds of Success. 2019. Disponível em: <https://www.mckinsey.com/~/media/McKinsey/Business Functions/McKinsey Digital/Our Insights/Digital transformation Improving the odds of success/Digital-transformation-Improving-the-odds-of-success-final.pdf>. Acesso em: 22 set. 2024.
CALLINAN, Natalie; PERRY, Martin. Critical Success Factors for Citizen Development. Scientific Research, 2024. Disponível em: <https://www.scirp.org/journal/paperinformation?paperid=132715>. Acesso em: 22 set. 2024.
COMISSÃO EUROPEIA. Accelerating technological change and hyperconnectivity. Comissão Europeia, 2023. Disponível em: <https://knowledge4policy.ec.europa.eu/accelerating-technological-change-hyperconnectivity_en>. Acesso em: 24 set. 2024.
COSTELLO, Katie. Gartner Forecasts Worldwide Low-Code Development Technologies Market to Grow 23% in 2021. Gartner, 2021. Disponível em: <https://www.gartner.com/en/newsroom/press-releases/2021-02-15-gartner-forecasts-worldwide-low-code-development-technologies-market-to-grow-23-percent-in-2021 >. Acesso em: 23 set. 2024.
CROSS, R., PARKER, A., PRUSAK, L., & BORGATTI. S. Knowing what we know: supporting knowledge creation and sharing in social networks. Organizational Dynamics, 2001.
CRYPTO ID. Gartner prevê que o mercado mundial de tecnologias de desenvolvimento de low-code crescerá 20% em 2023. Crypto ID, 2022. Disponível em: <https://cryptoid.com.br/mercado/gartner-preve-que-o-mercado-mundial-de-tecnologias-de-desenvolvimento-de-low-code-crescera-20-em-2023>. Acesso em: 23 set. 2024.
DELOITTE. Accelerate Software Development Utilizing Citizen Developers: Five Keys to Success. Deloitte, 2023. Disponível em: <https://www2.deloitte.com/us/en/pages/operations/articles/5-keys-to-s uccess-with-citizen-developers.html >. Acesso em: 24 set. 2024.
FERNANDES, Carlos H. R. Por Dentro da Transformação Digital e Novos Modelos de Gestão e Trabalho. 1. ed. Rio de Janeiro: Lightning Source Inc, 2019.
FRENCH, Kristen. Why We Reject New Ideas. Nautilus Psuchology, 2024. Disponível em: <https://nautil.us/why-we-reject-new-ideas-500455/#:~:text=When%20the%20personal%20computer,one’s%20health%2C%20and%20a%20range>. Acesso em: 24 set. 2024.
GARTNER. Gartner Says Worldwide Robotic Process Automation Software Revenue to Reach Nearly $2 Billion in 2021. Gartner Group, 2020. Disponível em: <https://www.gartner.com/en/newsroom/press-releases/2020-09-21-gartner-says-worldwide-robotic-process-automation-software-revenue-to-reach-nearly-2-billion-in-2021 >. Acesso em: 23 set. 2024.
GARTNER. Gartner Forecasts Worldwide Low-Code Development Technologies Market to Grow 23% in 2021. Gartner Group, 2021. Disponível em: <https://www.gartner.com/en/newsroom/press-releases/2021-02-15-gartner-forecasts-worldwide-low-code-development-technologies-market-to-grow-23-percent-in-2021>. Acesso em: 22 set. 2024.
GIULIANO, Luca. The Hype Around Hyperautomation. Community SAP, 2021. Disponível em: <https://community.sap.com/t5/technology-blogs-by-sap/the-hype-around-hyperautomation/ba-p/13461901>. Acesso em: 23 set. 2024.
GHIRARDELLO, Giovanna. Citizen Developer: o que é e vale a pena contratar? BotCity, 2023. Disponível em: <https://blog.botcity.dev/pt-br/2023/11/23/citizen-developer/>. Acesso em: 22 set. 2024.
GOMES, L. F. A. M.; GOMES, C. F. S.; ALMEIDA, A. T. Tomada de decisão gerencial: enfoque multicritério. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Atlas, 2009.
GONÇALVES, J. F.; MENDES, J. J. M.; RESENDE, M. G. C. A genetic algorithm for the resource constrained multi-project scheduling problem. European Journal of Operational Research, n. 189, p. 1171-1190, 2008. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1016/j.ejor.2006.06.074>. Acesso em: 19 set. 2024.
KISSFLOW TEAM. O que Gartner diz sobre a ascensão do desenvolvedor cidadão. Kissflow 2024. Disponível em: <https://kissflow.com/citizen-development/gartner-on-citizen-development>. Acesso em: 22 set. 2024.
HAEBERLI, Paul E. ConMan: a visual programming language for interactive graphics. ACM Digital Library, 1988. Disponível em: <https://dl.acm.org/doi/10.1145/378456.378494>. Acesso em: 24 set. 2024.
KOSMOPOULOS, Chris. 7 Reasons Why the Idea of the Citizen Developer Never Materialized. Blueprint 2024. Disponível em: <https://www.blueprintsys.com/blog/7-reasons-why-citizen-developer-never-materialized>. Acesso em: 20 set. 2024.
LAFRANCE, Adrienne. When People Feared Computers. 2015. Disponível em: <https://www.theatlantic.com/technology/archive/2015/03/when-people-feared-computers/388919> Acesso em: 24 SET. 2024.
LEPOFSKY, Alan. Empowering the Firstline Workforce: Technology, Autonomy and Information Sharing Deliver Growth to Forward-Thinking Organizations. Forbes Insights, 2017. Disponível em: <https://cdn2.hubspot.net/hubfs/5802259/1.%20Assets%20by%20Product/First%20Line%20Workers/Forbers_Microsoft_Empowering%20Workforce_First_Line_Worker.pdf?hsCtaTracking=47f7e7bc-feb
1-4e3d-8280-fd3a392f2b06%7C57b3fd21-cfbe-4c91-86c5-68e45103addf>. Acesso em: 24 SET. 2024.
LIMA, Maria T. de ARAUJO; OLIVEIRA, Elaine C. B. de, ALENCAR, Luciana Hazin. Modelo de apoio à decisão para priorização de projetos em uma empresa de saneamento. Scientific Electronic Library Online (SCIELO Brasil). Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0103-65132013005000072>. Acesso em: 19 set. 2024.
LUNDGREN, Regina; MCMAKIN, Andrea. Risk communication: a handbook for communicating environmental, safety and health risks. Ohio: Battelle Press, 2000.
MANJOO, Farhad. It’s the End of Computer Programming as We Know It. (And I Feel Fine). The New York Times, 2023. Disponível em: <https://www.nytimes.com/2023/06/02/opinion/ai-coding.html>. Acesso em: 24/09/2024.
MCQUILLAN, Ronan. Empowering Citizen Developers | Ultimate Guide. Budibase, 2022. Disponível em: <https://budibase.com/blog/inside-it/citizen-developers>. Acesso em: 26 set. 2024.
MIGUEL, António. Gestão de Projetos de Software. 5.ed. Caxias do Sul: FCA Editora, 2008.
MESKENDAHL, S. The influence of business strategy on project portfolio management and its successa conceptual framework. International Journal of Project Management, v. 28, n. 8, p. 807-817, 2010. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1016/j.ijproman.2010.06.007>. Acesso em: 19 set. 2024.
PROFI, Marinela. Trecho extraído da publicação “The line between Citizen Developers and IT pros gets fuzzier – is that a problem?” por McKendrick. ZD Net Business, 2024. Disponível em: <https://www.zdnet.com/article/the-line-between-citizen-developers-and-it-pros-gets-fuzzie
r-is-that-a-problem/>. Acesso em: 24 set. 2024.
SANTOS, A. L. A., SILVA, R. S., SANTOS, J. M., & CAMPOS, J. A. Centralidades, Densidade e Troca de Conhecimento: Um Estudo Sobre a Rede Social Formada pelos Funcionários da Gerência de Solicitação de Bens da Petrobras/SE. Anais do Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente, São Paulo, SP, Brasil. 2020, novembro.
SARVINAY, Berry. Trecho extraído da publicação “The line between Citizen Developers and IT pros gets fuzzier – is that a problem?” por McKendrick. ZD Net Business, 2024. Disponível em: <https://www.zdnet.com/article/the-line-between-citizen-developers-and-it-pros-gets-fuzzie
r-is-that-a-problem/>. Acesso em: 24 set. 2024.
SEGAN, Sascha. 1982 vs. 2022: Has Technology Really Become More Affordable? PC Magazine, 2022. Disponível em <https://www.pcmag.com/news/1982-vs-2022-has-technology-really-become-more-affordable>. Acesso em: 24 set. 2024.
SERNEELS, Guillaume et al. 8 Causas do atraso no desenvolvimento de software e como os investidores podem ajudar. Avalia Systems. Disponível em: <https://www.avalia.io/post/8-causas-do-atraso-no-desenvolvimento-de-software-e-como-os-investidores-podem-ajudar-2>. Acesso em: 19 set. 2024.
SINDPDCE. O que é um Desenvolvedor Cidadão (Citizen Developer)? SINDPDCE. Disponível em: <https://sindpdce.org.br/2021/06/08/o-que-e-um-desenvolvedor-cidadao-citizen-developer>. Acesso em: 21 set. 2024.
SHULER, Kevin. Your Comprehensive Guide to Citizen Developer Governance. Quandary Consulting Group, 2022. Disponível em: <https://quandarycg.com/citizen-developer-governance- guide/#:~:text=
9)%20Provide%20Support.%20Support%20can%20take%20the,key%20stakeholders%20are%20on%20the%20same%20page.>. Acesso em: 24 set. 2024.
SHULER, Kevin. 12 Risks of the Citizen Development Movement. Chronicles Human Resources, 2023. Disponível em: <https://itchronicles.com/human-resources/12-risks-of-the-citizen-development-mov
ement>. Acesso em: 24 set. 2024.
SIMON, Phil. Low-Code/No-Code: Citizen Developers and the Surprising Future of Business Applications. 1.ed. New York City: Racket Publishing, 2022.
SMITH, Mark. The Pathetic State of Dashboards. Mark Smith’s Analyst Perspectives, 2012. Ventana Research. Disponível em: <https://marksmith.ventanaresearch.com/2012/08/21/the-pathetic-state-of-dashboards>. Acesso em: 22 set. 2024.
STACKPOLE, Betch. Why companies are turning to “Citizen Developers”. MIT Management, 2024. Disponível em: <https://mitsloan.mit.edu/ideas-made-to-matter/why-companies-are-turning-to-citize n-developers>. Acesso em: 24 set. 2024.
THORNHILL, Jo. PRATT, Kevin. IT Skills Gap Report 2023. Forbes Advisor, 2023. Disponível em: <https://www.forbes.com/uk/advisor/business/software/digital-skills-gap>. Acesso em: 26 set. 2024.
TUCK, Michael. The Real History of the GUI. 2001. Disponível em <https://www.sitepoint.com/real-history-gui>. Acesso em: 24 set. 2024.
WALDRON, David. Lack of Project Risks and Issues Awareness from Non – Project Resources. Institute Project Management, 2023. Disponível em: <https://instituteprojectmanagement.com/blog/lack-of-project-risks-and-issues-awareness-from-non-project-resources>. Acesso em: 24 set. 2024.
WASZKOWSKI, R. Low-code platform for automating business processes in manufacturing. IFAC-PapersOnLine, v. 52, n. 10. IFAC Workshop on Intelligent Manufacturing Systems. 2019. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2405896319309152>. Acesso em: 20 set. 2024.
WILLIAMSON, Timothy. History of computers: A brief timeline. Live Science, 2023. Disponível em: <https://www.livescience.com/20718-computer-history.html>. Acesso em: 24 set. 2024.
YELLOW Team. Are Business Intelligence dashboards on the brink of extinction? Disponível em: <https://www.yellowfinbi.com/blog/are-business-intelligence-dashboards-on-the-brink-of-extinction>. Acesso em: 22 set. 2024.
[1] Mestre em Gestão Integrada da Inovação e dos Mecanismos de Transferência de Tecnologia pela Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense, lato sensu Post Graduate Program in Artificial Intelligence for Leaders pela Universidade do Texas em Austin, Cientista de Dados com MBA pela Universidade de São Paulo, lato sensu MBA em Business Intelligence, Design Thinking, pós-graduação lato sensu em Algoritmos e Estruturas de Dados, MBA em Gestão de Projetos em Tecnologia da Informação e MBA em Desenvolvimento e Metodologias Ágeis. Graduado em Licenciatura em Matemática, Licenciatura em Literatura e Bacharel em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-9912-8386. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/5216409933536213.
Material recebido: 23 de setembro de 2024.
Material aprovado pelos pares: 01 de novembro de 2024.
Material editado aprovado pelos autores: 21 de junho de 2025.










Uma resposta
Perfeito, artigo detalha a onda que ameaça as estruturas, ao mesmo tempo que pode promover a produtividade.