Monitoramento de redes com software livre: solução de baixo custo numa escola da rede privada

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ARTIGO ORIGINAL

JÚNIOR, Enéas Barbosa Lyra [1], NEVES, André Ricardo Nascimento das [2]

JÚNIOR, Enéas Barbosa Lyra. NEVES, André Ricardo Nascimento das. Monitoramento de redes com software livre: solução de baixo custo numa escola da rede privada. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 05, Vol. 08, pp. 17-32 Maio de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O monitoramento de uma rede de computadores demanda apreciar a eficiência do funcionamento de todos os seus serviços, equipamentos e de toda metodologia existentes em uma única infraestrutura, sendo ela comercial ou residencial. O ato de monitorar uma rede, torna-se uma prática fundamental para, assim, assegurar que a rede funcione de maneira contínua, garantindo um alto nível de qualidade dos serviços que a mesma oferece. Tem-se observado nos dias atuais, uma expansão no uso das redes de computadores dentro das organizações, e com essa expansão, os problemas de gestão aumentam também na mesma proporção, como por exemplo: rede inoperante; falha de serviço ou de terminais de trabalho; servidor configurado de forma inadequada, travamento de equipamentos, queda de serviços (e-mail, dns, dhcp) dentre outras. O objetivo da dissertação é apresentar um estudo e implantação da ferramenta Zabbix no monitoramento de serviços e ativos de uma rede de computadores em uma escola da rede privada de Manaus. A metodologia utilizada foi um estudo de caso do funcionamento de serviços e de monitoria de recursos computacionais como impressoras e discos rígidos. Os resultados obtidos após a implementação da ferramenta, apontam um controle satisfatório de equipamentos da rede e serviços oferecidos à comunidade.

Palavras-chave: Gerenciamento de redes, monitoramento, rede de computadores, zabbix.

INTRODUÇÃO

Décadas atrás, quando se deu o conceito de redes de computadores e iniciou-se as primeiras pesquisas sobre o assunto, as redes não eram infraestruturas organizadas e ligadas entre si. Utilizada por um número substancial de pessoas diariamente, o termo gestão de rede era pouco conhecido. Os problemas eram rapidamente identificados e solucionados através de ações razoavelmente simples, resolvidos apenas com modificações elementares no sistema (KUROSE, 2010).

Para auxiliar a detectar, corrigir e solucionar com maior agilidade os problemas na infra-estrutura de rede, a International Organization for Standardization (ISO) criou no final da década de 1980 “um modelo de gerenciamento de rede que é útil para situar os cenários apresentados em um quadro mais estruturado” (KUROSE, 2010, p. 573).

A princípio, as redes de computadores foram criadas como uma forma de compartilhar recursos e serviços tornando-as parte definitiva no nosso dia-a-dia como uma ferramenta que oferece uma gama de opções indispensáveis e imprescindíveis aos usuários.

Com a finalidade de planejar o crescimento da infraestrutura, monitorar e propiciar disponibilidade elevada de seus recursos, surgiu a necessidade do monitoramento e gerenciamento das redes de computadores. Entretanto, com o desenvolvimento e o crescimento substancial dessas redes, tornou-se cada vez mais difícil e complexo o gerenciamento realizado por mãos humanas, desta forma, optou-se por adotar ferramentas automatizadas para esta tarefa.

Para resolver o problema da interoperabilidade e outros problemas relacionados com o desempenho da rede como um todo, foi implementado um conjunto de protocolos padronizados, que posteriormente seriam agrupados na lista de protocolos conhecidos como protocolos TCP/IP. No decorrer do desenvolvimento do TCP/IP não se tinha a exata visão holística do que poderia servir como instrumentos para o gerenciamento e monitoramento da rede.

Com o aumento visível na implementação das redes de computadores, tornou-se necessário desenvolver um novo protocolo, padronizado e mais robusto. Desse novo enfoque, surge o SNMP (Simple Network Management Protocol). O SNMP pertence a camada de aplicação do modelo TCP/IP, designado para tornar fácil a permuta de informações de gerenciamento, envolvendo dispositivos de rede, é o mais conhecido para o gerenciamento de redes (STALLINGS, 2008).

Houve, portanto, um impulso na questão de gerência de redes, aparecendo inúmeras ferramentas e dispositivos que auxiliam os administradores de redes corrigir as possíveis falhas que prejudicam sua operacionalização.

Nesse contexto, surge a ferramenta Zabbix. Sua eficiência na monitoria de uma estrutura de rede está relacionada com a aplicação e implementação de seus plugins, desenvolvidos em Interpretable language, porém, foi projetado para ser executado em plataforma Linux.

O Zabbix é uma ferramenta que monitora diversos parâmetros em uma rede, dos ativos e equipamentos de um modo geral. Utiliza um mecanismo flexível de notificação que possibilita configurar e-mails de alarmes para quase todos os eventos, produzindo ferramentas que geram relatórios consistentes e funcionalidades que permitem visualizar informações com ênfase nos dados coletados e armazenados (VLADISHEV, 2008)

Portanto, o presente trabalho apresenta um estudo sobre a aplicabilidade da ferramenta Zabbix em uma Instituição de Ensino Superior (IES), cuja finalidade é o monitoramento e gerenciamento das redes de computadores da mesma, de modo a obter ganhos pertinentes quanto aos problemas de gestão e monitoramento. Tal estudo visa também facilitar os trabalhos do administrador de rede, com o monitoramento em tempo real de alto desempenho em dezenas de servidores, máquinas virtuais e dispositivos de rede podendo ser realizados simultaneamente.

DESENVOLVIMENTO

II. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 REDE DE COMPUTADORES

As redes de computadores, a princípio foram concebidas para compartilhar os mais diversos dispositivos periféricos tais como impressoras, plotters, modens dentre outros. Uma rede de computadores pode ser entendida como um conjunto de computadores interconectados. Dois computadores estão interconectados quando podem trocar informações. Essa conexão pode ser feita por diferentes tipos de enlaces como fio de cobre, fibras óticas, micro-ondas, ondas de infravermelho e satélites de comunicação (TANENBAUM, 2003).

De acordo com Mendes (2007), rede de computadores é um termo que se atribuía um conjunto de processadores capazes de trocar informações e partilhar recursos, interligados entre si de modo que compartilham recursos físicos e lógicos, sendo estes de vários tipos: dados, impressoras, mensagens, etc. Este conjunto de processadores possui equipamentos que são comumente categorizados como ativos ou passivos, i.e., equipamentos que podem ser configurados (Exemplos: roteadores, computadores, servidores, dentre outros) e equipamentos não configuráveis (hubs, switches, cabos de rede, dentre outros), respectivamente (Amaral e Dias, 2011).

2.2 GERENCIAMENTO DE REDE

A coordenação, o controle e monitoramento de recursos, e a todos esses elementos podemos definir como sendo gerenciamento, ou em outras palavras, a gestão. A gestão tem por natureza garantir se possível, a confiabilidade, a segurança e a disponibilidade conforme indicado na citação que segue. A área de gerência de rede foi impulsionada pela necessidade de monitoração e controle do universo de dispositivos que as redes de computação.

Existe uma comparação feita entre o conceito de gerenciamento de redes com o cockpit de um avião. Nesse contexto, o cockpit é visto como sendo um sistema complexo, com diversos componentes, que necessitam de monitoramento, gerenciamento e muito controle, já que contempla um leque bastante grande de instrumentos para que seja possível de o piloto ter total controle dentre os muitos componentes da aeronave. O piloto tem que gerenciar equipamentos de forma remota e avaliar os diversos dados para garantir o perfeito funcionamento dos equipamentos e operar em torno dos limites especificados (KUROSE, ROSS, 2010, p. 553).

Gerenciamento de rede inclui o oferecimento, a integração e a coordenação de elementos hardware, software, humanos, para monitorar, testar, consultar, configurar, analisar, avaliar e controlar os recursos de rede, e de elementos, para satisfazer às exigências operacionais, de desempenho e de qualidade de serviço em tempo real e um custo razoável (SAYDAM e MAGEDANZ, 1996).

Kurose e Ross (2010) citam alguns tópicos fundamentais para a gerência de redes, a saber:

• Identificação e gerenciamento de falhas;

• Detecção proativa de anomalias;

• Correlação entre alarmes;

• Gerenciamento de serviços.

III. PROCEDIMENTOS

A aplicabilidade do software Zabbix foi realizada nas redes de computadores de toda a área administrativa da IES, bem como no bloco de laboratórios e na área reservada ao hotspot (wi-fi), com vistas a adquirir parâmetros comparativos relacionados aos benefícios e das características da implantação dessa ferramenta e, não de outra ferramenta do mesmo segmento de monitoria.

A coleta de dados foi levantada junto aos colaboradores do setor de CPD e equipe técnica de T.I., sobre os principais problemas existentes relacionado ao tráfego de informações. Desta investigação, alguns pontos cruciais foram observados, cujo os tais serviram de base para o presente estudo.

Dentre os problemas levantados, três problemas distintos que podem ser esmiuçados através de uma ferramenta de gerenciamento de rede: (1) Monitoramento de espaço em disco (2) Monitoramento do sistema de impressão (3) Link da área do hotspot indisponível. Os três citados terão uma abordagem mais específica no decorrer desta sessão, pois os mesmos são os que norteiam todo o restante do trabalho prático.

3.1 INFRAESTRUTURA DE T.I

Em meados de fevereiro de 2014 deu início à reestruturação de toda a malha de computadores, ou seja, toda a rede foi separada fisicamente em 3 (três) redes, a saber: uma destinada para o administrativo/corpo docente, uma para fins acadêmicos (professores e alunos) e, outra para os usuários internos e externos. A lista com os ativos da instituição (IES) é apresenta no quadro 1.

Quadro 1. Ativos operando dentro da IES

Adm. Lab. Hotspot
Equipamentos qtd. qtd. qtd.
Ponto de Acesso (AP) 3 2 1
Computador (Torre) 35 240 4
Computador (Móvel) 15
PDA’s 4
Impressora em rede 12 6- 1
Pabx (Telefonia) 1
Servidor Físico 4 2
Servidores virtualizados 18 12 1
Switch 2 3 1
Switch Gerenciável 14 8
Total 108 273 8

Fonte: Autores, (2018).

3.2 PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO DO ZABBIX

Na implementação do software Zabbix, foi determinado que os ativos para serem monitorados seriam os serviços, as aplicações e controle de espaço em discos rígidos e, por fim, demais itens com índices elevados de reclamação por parte dos usuários internos e externos da instituição.O Zabbix Server foi implementado usando o código fonte em um virtual server, disposto no server center (servidor físico), possibilitando dessa forma, a intercomunicação entre todos os terminais (hosts) das três redes de computadores da instituição. A instalação ocorreu de maneira unificada em que as seguintes características ficassem em harmonia: Zabbix Server, banco de dados e interface web, definidos em um mesmo servidor virtual.

Para a instalação do Zabbix foi necessário baixar arquivos-fonte do site oficial da Zabbix SAI, no qual optou-se por utilizar a versão 2.8, por considerar que é a versão mais confiável atualmente. A configuração do Zabbix Server foi mantida considerando o padrão oficial de instalação. Os ajustes para implementação dessas configurações seguiram padrão de escolha tendo como parâmetros a quantidade de hosts(terminais) a serem monitorados e na documentação oficial do Zabbix. O quadro 2, apresenta as características do servidor virtual com o Zabbix Server.

Quadro 2. Características do servidor virtual com Zabbix Server.

Características do servidor virtual com Zabbix Server
Sistema Operacional GNU/Linux
Distribuição CentOS 6.5 (RHEL) 64 bits
Memória RAM 4 GB
Disco Rígido 15 GB (SATA)
2 Processadores Intel(R) Xeon(R) E5-2650 v2 2.60GHz
3 Placas de Rede Intel PRO/1000 MT Desktop (Placa em modo bridge)

Fonte: Autores, (2018).

Para o armazenamento dos dados foi escolhido a ferramenta PostgreSQL que é um sistema gerenciador de banco de dados objeto relacional (SGBDOR).

Foi utilizado o servidor Apache versão 2.2.13 para a Interface web juntamente com o interpretador de código PHP versão 5.2, o pré-requisito da Zabbix SIA é a versão 1.3, ou superior. Foi feito uma configuração bastante simples do Zabbix Server, visto que o mesmo, segue um ritual de instalação complexo e abrangente possuindo vários parâmetros conforme Zabbix SAI. No entanto, o cenário encontrado na IES, permitiu realizar a configuração mais simples e adequada.

Após toda a configuração do servidor e de todos os serviços necessários para o funcionamento do Zabbix Server, deu-se início às configurações no navegador e a inicialização do gerenciamento e monitoramento propriamente dito. Nessa etapa O primeiro host a ser monitorado é o próprio servidor Zabbix Server com o template padrão. Esses templates são padrões de regras de coletas, alertas e representações gráficas que são aplicados aos componentes que serão monitorados.

Foi instalado também o Zabbix Agent para coletar as informações de todos os servidores virtualizados da rede administrativa e da rede acadêmica. A importância de instalar o Zabbix Agente, é pelo fato de que através dele, pode-se capturar uma gama substancial de informações. O Zabbix Agent foi instalado no modo ativo, ou seja, ele envia de forma periódica os dados que o Zabbix Server solicitou na sua primeira conexão. Foi usado a configuração padrão dos agentes, ou seja, parâmetros mínimos durante a troca de informações entre o agente e o gerente, sendo que essa tarefa não requer outros parâmetros mais específicos.

Outro recurso importante foi integrado à segunda versão do Zabbix; a auto busca interna (LLD – Low Level Discovery). Ele agrega a toda a rede, a descoberta automatizada da própria rede com o que há em cada uma delas, a nível de hardware, nesse caso, os equipamentos, no qual possibilitam assim, gerar regras de descoberta interna no equipamento, executar uma varredura sistemática e tendo esses dados encontrados pelo LLD, todo o perfil de monitoramento do host poderá sofrer modificações.

Foi criado um template para resolver incidentes relacionados aos problemas que norteiam este trabalho, cuja função é manter a padronização. Itens gráficos, mapas e triggers estarão em todos os servidores monitorados, sendo que toda a infraestrutura dos servidores, seguem o mesmo padrão de configuração, usando inclusive o sistema operacional para as redes.

Já para o uso do auto busca, foi implantado a regra de descoberta, cujas funcionalidades são de descobrir quais e quantas partições existem e qual o seu tamanho total. Foi criado protótipos de itens, capazes de guardar o espaço geral da partição, cuja função é de aferir qual o espaço total de cada particionamento.

Outro protótipo a se considerar, é o espaço utilizado no disco que verifica a quantidade de espaço que está sendo utilizado. Para avisar a equipe de técnicos de TI, foi elaborado alguns protótipos triggers relacionados ao espaço de disco. O alerta inicial é disparado quando o espaço livre do disco está menor que 20 %, neste caso, o grau de severidade foi definido como “atenção”. Um outro gatilho na forma de trigger é disparado no exaro momento que o espaço livre de disco rígido atingir 10% e o grau de importância para este alerta é considerado como “alto”. O terceiro e último alerta considerando limite máximo para o disparo da terceira trigger foi definido com 5% livre, para esse evento, o nível de severidade foi estipulado “desastre”. O modelo de item que captura o espaço do disco rígido é apresentado na Figura 1.

Figura 1. Modelo de item que captura o espaço do disco rígido.

Fonte: Autores, (2018).

Uma outra implementação efetuada utilizando o LLD foi o protótipo de gráfico, o qual tem a capacidade de gerar gráficos, tipo torta, para cada uma partição encontrada. Cada item escolhido para apresentar nesse gráfico são o total de espaço em disco e o espaço livre no disco. Pensando na praticidade visual das partições de cada disco rígido em todos os servidores monitorados, foi implementado uma tela de visualização que o usuário possa acompanhar qualquer servidor virtual. A figura 2 mostra o protótipo de triggers para espaço disponível em HD.

Figura 2. Protótipo de triggers para espaço disponível em HD.

Fonte: Autores, (2018).

A IES possui uma estrutura atual no que tange às questões de hardware e conta com impressoras ligadas à rede, (1) HP Color LaserJet Enterprise M750dn, (2) Sharp MX-M314N.

Um outro problema relatado pela equipe de T.I é que os níveis de toner têm superado as condições normais de uso, causando prejuízos para a instituição. Decidiu-se então utilizar o Zabbix como ferramenta para solucionar o problema de consumo excessivo de toner. Considerando que o Zabbix trabalha com templates, optou-se por implementar o monitoramento das duas impressoras utilizando um template. Para executar a coleta nesse tipo de host foi necessário utilizar o protocolo SNMP, visto que não é possível instalar um Zabbix Agent no equipamento. Nesse template especifico foram criados dois grupos distintos com os nomes de controlador_copias e controlador_toner, considerando que essas aplicações são fundamentais para organização e agrupamento dos itens. Na aplicação contador_copias foram criados 2 itens relevantes que são: quantidade de cópia/impressão e soma/impressão. Na aplicação tonner, foi criado apenas 1 item relevante que é: nível atual de tonner.

As impressoras foram implementadas de forma manual no Zabbix Server e associadas ao Template Sharp. Com isso as configurações feitas no Template Sharp são heranças dos hosts associados. Na aplicação Contador, para coletar a quantidade de cópia/impressão foi definido que esse item é do tipo Agente SNMPv2 e um nome da chave QtdCopyPrint. No SNMP OID que é a identificação encontrada na MIB da impressora relacionada a quantidade de cópias e impressões e o SNMP COMMUNITY foi colocado como public, essas coletas são realizadas a cada 10 minutos.

Os Itens relevantes para o monitoramento da impressora sharp são mostrados na figura 3.

Figura 3. Itens relevantes para o monitoramento da impressora sharp

Fonte: Autores, (2018).

Para obter a totalidade de páginas impressas em todas as impressoras da IES, foi implementado o item quant_total, esse item é do tipo que calcula, pois tem a função de efetuar os cálculos com os itens que foram recolhidos. A chave selecionada foi a mesma criada anteriormente QtdeCopImpressa e no campo da fórmula foi implementado o cálculo simples do item somando cada impressora. O padrão limite de tempo de cálculo foi definido em 13 minutos para as requeridas atualizações dos números de páginas impressas.

Para o monitoramento das páginas impressas, foram criadas 3 Triggers, no intuito de registrar a quantidade de páginas impressas em dado período de tempo. Um gatilho é disparado quando o total de impressão alcançar 10.000 páginas e o nível de impressão foi aceita como sendo a média aceitável, para lembrar que já está se aproximando o limite predefinido para aquele mês. Outra trigger é disparada no instante que o número de páginas impressas chegar ao nível de 15.000 e o nível de controle neste caso foi atribuído como “alto”, pois já houve casos em que foram impressas em um único dia, mais de 1.000 páginas. A terceira e última trigger é executada quando o limite de impressões já ultrapassou o total máximo de 15.000 páginas por mês, nesta situação, o nível de controle adequado e escolhido para o monitoramento foi o de “desastre”.

Foi desenvolvida uma aplicação QtdeToner, para registrar o nível de tinta em cada impressora, bem como a aplicação Contador, foi listado que esse item especifico é do tipo Agente SNMPv2 e um nome da chave LevelToner, no SNMP OID é a identificação encontrada na MIB da impressora referente ao nível de tonner e o SNMP COMMUNITY foi definido como public, essa coleta é feita a cada 12 horas. A figura 4 mostra a configuração para coletar o nível atual de tonner da impressora.

Para as quantidades pertinentes ao conteúdo de toner, a empresa que fabrica essa impressora deixou disponível em sua MIB apenas os cinco valores relacionados ao nível de tonner, que são: 0% quando está vazio; 25%, 50% e 75% quando existe tonner; e 100% quando está cheio. Foram implementadas 2 triggers que são ativadas nos valores mais baixos relativos ao nível de tonner. A trigger primeira é enviada quando o nível de tonner chega em 25%, dessa forma, tem-se tempo hábil para o fiscal de contrato verificar se possui em estoque tonner de reserva, o grau de severidade escolhido para esse tipo de alerta é “alto”. No segundo gatilho, o eventual problema é sinalizado quando o nível de tonner chegar em 0%, ou seja, chagar ao seu fim, o grau de severidade para esse tipo de ocorrido foi estabelecido como “severo”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

IV. RESULTADOS

4.1 MONITORAMENTO DAS IMPRESSORAS

Após à implementação do monitoramento das quantidades de páginas impressas, os fiscais de contrato eliminaram a atividade de anotações de controle das quantidades de cópias/impressões, em razão do alto índice de erros de digitação, bem como da longa demora para realizar tal atividade.

Os fiscais de contrato passaram a ter uma melhor visão das quantidades de impressão, do nível de tonner, bem como de todas as impressoras monitoradas, podendo deste modo, realizar o controle e monitoramento adequado de cada equipamento. A figura 5 mostra o monitoramento do controle da quantidade de impressão e nível de tonner.

Figura 5. Monitoramento do controle da quantidade de impressão e nível de tonner.

Fonte: Autores, (2018).

Outro benefício alcançado com a implementação de monitoria desses equipamentos está relacionado ao tempo para reunir as informações de forma manual, logo esse tempo fica diretamente relacionado com as finanças da empresa.

Após a implementação do controle de tonner monitorado pelo Zabbix, o tempo de inatividade das impressoras foi significativamente reduzido devido aos técnicos e equipe estarem sempre atentos, mantendo o equipamento em status operacional e mantendo também uma quantidade suficiente de tonner reserva.

Uma outra questão relevante a ser mencionada diz respeito aos prejuízos não concretos em suplantar o limite máximo das impressões ou até mesmo a falta de tonner em período letivo.

4.2 MONITORAMENTO DO HOTSPOT

Todo o processo de implementação de monitoria da rede que controla a área do Hotspot, se deu através da utilização de uma template. O protocolo SNMPv2 foi fundamental para interação e comunicação do Zabbix Server com o agente monitorado. Nesta template específica já existem aplicações para a monitoria de vários itens, dentre os quais podemos citar como os processos e status do sistema, espaço de disco, memória, interface de rede. O monitoramento web no template também foi customizado, para monitorar o captive portal da instituição. Com o uso desta template houve ganho significativo de tempo, basta apenas customizar os parâmetros para atender as necessidades.

Houve a necessidade de criar um cenário web para monitorar o hotspot da instituição, no qual foi configurado a página a ser acessada, todos os passos a serem seguidos, bem como as configurações de retorno da página web, em consonância com RFC 261614.

As primeiras abas (cenários) são definidas o nome, aplicação, intervalo de atualização, quantidade de tentativa e qual navegador para execução dos testes. Na segunda aba (passos), foi criado 2 passos para os testes, no primeiro definimos um nome e a URL do teste, em nosso caso foi utilizado o endereço que direciona a página de autenticação e o código requerido 200, no segundo passo também definimos outro nome, a URL onde o sistema deve ir após a autenticação e o código requerido que é 200.

Após a configuração do template foi criado um host virtual, que tem a função de executar os testes de conexão a sites externos, em nosso cenário este host é o próprio Zabbix Server associado a este host virtual o template criado anteriormente. Por fim foi criado uma trigger que monitora a disponibilidade do site, caso o valor de retorno do site seja diferente de “OK” o alerta é disparado com a severidade de nível alto.

Com o monitoramento do sistema de HotSpot, os técnicos de TI passaram a identificar com maior rapidez quaisquer incidentes, a quantidade real de incidentes e os momentos das ocorrências destes incidentes. Para a equipe de TI as quantidades de reclamações quanto ao acesso dessa rede, extinguiram, com isso a equipe pode desprender seus esforços no atendimento de outras demandas.

V. CONCLUSÃO

Com a implementação do software Zabbix nas redes da IES, pode-se mencionar alguns dos importantes benefícios listados no decorrer desse trabalho como discorridos a seguir:

Com a automatização dos processos, como o de impressão por monitoramento; tendo em vista que o mesmo era realizado manualmente, permitiu que a equipe de técnicos passasse a manter o foco nos problemas de maior gravidade e, que necessitam de acompanhamento pessoal de um profissional mais qualificado. A automatização possibilitou também maior, rapidez e facilidade em diagnosticar prováveis problemas pertinentes ao armazenamento dos backups de servidores virtuais; visto que essas unidades de armazenamento externos possuem limitação de espaço. Com isso, tornou-se possível que a equipe gestora estudasse novas estratégias com os equipamentos mais novos e com maior poder de armazenamento.

As particularidades na metodologia de implantação do sistema de monitoria e gerência de redes de computadores com o software Zabbix, pôde ser entendida como aspectos positivos, em razão do sistema Zabbix ser totalmente livre. É de suma importante frisar que sendo gratuito, não gerou nenhuma oneração financeira, diferentemente de sistemas proprietários.

Outro aspecto extremamente positivo é que não havia, de fato, nenhuma ferramenta ou software que monitorasse toda a rede do IES, portanto, a partir do desenvolvimento desse trabalho, foi possível ter uma noção real de quão foi importante e fundamental o trabalho de toda a equipe técnica de TI, em prol de manter o perfeito funcionamento e sincronismo dos equipamentos de toda a rede de computadores.

Com o sistema de monitoramento de rede Zabbix instalado, deixa muito mais segura toda a equipe gestora de TI, trazendo uma maior confiabilidade dos equipamentos, serviços e sistemas.

REFERÊNCIAS

AMARAL, K. T. V. d.; DIAS, S. R. Uma proposta para documentação de redes. Anuário da Produção de Iniciação Científica Discente, v. 13, n. 16, p. 303–315, 2011.

CASTRO, Michel Lima Paiva. Monitorização e Detecção Automática de Anomalias em Redes IP. Pearson, São Paulo. 2011.

CORMODE, S. Muthukrishnan, What’s new: Finding significant differences in network data streams, in Proc. of IEEE Infocom, 2004.

MENDES, D. R. Redes de Computadores. [S.l.]: São Paulo: Novatec, 2007.

KUROSE, F; ROSS, K. W. Rede de Computadores e a Internet: uma abordagem topdown. 5.ed. São Paulo: Pearson Education, 2010.

SAYDAM, T.; MAGEDANZ, T. From networks and network management into service and service management. Journal of Network and Systems Management, Kluwer Academic Publishers-Plenum Publishers, v. 4, n. 4, p. 345–348, 1996.

STALLINGS, W. Criptografia e segurança de redes: Princípios e práticas. 4 ed., São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008.

TANENBAUM, Andrew S. Redes de Computadores. Rio

de Janeiro: Elsevier, 2003.

VLADISHEV, A. Manual Zabbix, vs 1.6, 17 ed. 2008.

[1] Mestre em Engenharia de Processos, Especialista em Docência do Ensino Superior, Graduado em Ciência da Computação.

[2] Mestre em Engenharia de Processos – UFPA.

Enviado: Maio, 2019

Aprovado: Maio, 2019

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