DISSERTAÇÃO
SANTOS, Rosimeira Pereira dos Reis dos [1]
SANTOS, Rosimeira Pereira dos Reis dos. A promoção da autonomia na prática educativa: uma análise à luz da pedagogia de Paulo Freire. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 09, Ed. 09, Vol. 02, pp. 110-123. Setembro de 2024. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/pedagogia/promocao-da-autonomia, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/pedagogia/promocao-da-autonomia
Este artigo examina como a prática educativa influencia os educandos, com foco na promoção da autonomia, à luz dos princípios expostos na “Pedagogia da Autonomia” de Paulo Freire. A análise entre a interação dos métodos de ensino e aprendizagem e a formação de indivíduos críticos e autônomos. A análise bibliográfica destaca a importância de estratégias pedagógicas que valorizem a participação ativa dos alunos, promovendo a reflexão crítica e a autonomia no processo educativo. Esse trabalho é uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa destacando a relação entre a prática docente e a formação de cidadãos autônomos e críticos.
Palavras-chave: Prática educativa, Aprendizagem, Autonomia, Paulo Freire, Cidadania.
A educação é um processo complexo que vai além da transmissão de conhecimentos; ela deve capacitar os indivíduos a se tornarem sujeitos críticos, autônomos e capazes de transformar sua realidade. Nesse contexto, a “Pedagogia da Autonomia” de Paulo Freire surge como uma referência fundamental, destacando a importância da autonomia do educando no processo educativo. Este artigo busca investigar como a prática educativa influencia os educandos, com ênfase na promoção da autonomia, à luz dos princípios freirianos. Paulo Freire na sua obra a Pedagogia do Autonomia (2022, p. 16) menciona que:
É nesse sentido que reinsisto em que formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas, e por que não dizer também da quase obstinação com que falo de meu interesse por tudo o que diz respeito aos homens e às mulheres […]
Reforçando que atualmente exige uma educação que vá além da transmissão de conteúdo, buscando desenvolver habilidades como pensamento crítico, resolução de problemas e colaboração, conforme Veiga (2013) demonstra na obra Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. A partir desse contexto, a Pedagogia da Autonomia oferece uma resposta relevante, redefinindo a relação entre educadores e educandos, e defendendo uma abordagem que promova não apenas o acúmulo de informações, mas a capacidade de aplicá-las de maneira significativa e transformadora. Pois, a Pedagogia da Autonomia propõe uma educação que reconhece a experiência, a subjetividade e a participação ativa dos educandos no processo de construção do conhecimento. Ressaltando que a educação em sua essência, desempenha um papel fundamental na formação de indivíduos capazes de refletir criticamente sobre o mundo que os cerca. E, ainda em Pedagogia da Autonomia (Freire 2022, p.18):
É não só interessante, mas profundamente importante que os estudantes percebam as diferenças de compreensão dos fatos, as posições às vezes antagônicas entre professores na apreciação dos problemas e no equacionamento de soluções. Mas é fundamental que percebam o respeito e a lealdade com que um professor analisa e critica as posturas dos outros.
Com isso, a busca pela autonomia no processo educativo surge propiciando aos educandos não apenas o acesso ao conhecimento, mas também a capacidade de questionar, refletir e agir de forma consciente em suas vidas e na sociedade. Conforme Paulo Freire (2022) “o respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros.”
E, ainda, tem sido temática central nas discussões sobre prática educativa, destacando-se na formação de indivíduos críticos e conscientes de seu papel na sociedade, conforme Libâneo (2004), aponta na sua obra Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. Pois, a educação está ligada à construção de conhecimento, valores e habilidades que moldam a maneira como os indivíduos percebem e interagem com o mundo. E, a autonomia no processo educativo se destaca para o desenvolvimento de cidadãos críticos, participativos e conscientes. Freire propõe uma educação que estimula a participação ativa, a reflexão crítica e a autonomia como pilares essenciais para a formação de indivíduos capazes de transformar sua realidade.
Conforme Paulo Freire destaca na sua obra Pedagogia da Autonomia (2022, p.26):
O que quero dizer é o seguinte: quanto mais criticamente se exerça a capacidade de aprender, tanto mais se constrói e desenvolve o que venho chamando “curiosidade epistemológica”, sem a qual não alcançamos o conhecimento cabal do objeto. É isto que nos leva, de um lado, à crítica e à recusa ao ensino “bancário”, de outro, a compreender que, apesar dele, o educando a ele submetido não está fadado a fenecer, […]
No âmbito dessas reflexões, a obra “Pedagogia da Autonomia” de Paulo Freire proporciona insights sobre como a prática educativa pode impactar a autonomia dos educandos. Para compreender a importância da autonomia na prática educativa, é imperativo mergulhar nos fundamentos da Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire, que propõe um modelo educativo baseado na libertação, no diálogo e na construção conjunta do saber.
E, ainda segundo Freire “neste caso, é a força criadora do aprender de que fazem parte a comparação, a repetição, a constatação, a dúvida rebelde, a curiosidade não facilmente satisfeita, que supera os efeitos negativos do falso ensinar.” Deixando assim um legado na educação, que desafia concepções tradicionais e propõe uma abordagem emancipadora e crítica, revelando-se como um guia para compreensão da interseção entre prática educativa e autonomia dos educandos.
E, ainda Freire argumenta que a educação não deve ser um ato de depositar conhecimento no educando, mas um processo interativo que impulsiona a construção coletiva do saber, fomentando a participação ativa e a autonomia. A autonomia, segundo Freire não é um atributo dado, mas um processo dinâmico de conquista, no qual os educandos são instigados a assumir um papel ativo em seu próprio aprendizado, questionando, refletindo e participando ativamente na construção do conhecimento. Como citado por Paulo Freire (2022), “a autonomia vai se constituindo na experiência de várias, inúmeras decisões que vão sendo tomadas.”
Com isso, na obra Pedagogia da Autonomia (Freire 2022, p.28), Freire menciona que:
O educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. Uma de suas tarefas primordiais é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica… É exatamente nesse sentido que ensinar não se esgota no “tratamento” do objeto ou do conteúdo, superficialmente feito, mas se alonga à produção das condições em que aprender criticamente é possível.
Nesse contexto, este artigo visa explorar como a prática educativa, quando alinhada aos princípios freirianos, influencia a autonomia do educando. Compreender esse impacto não apenas enriquecerá o debate acadêmico, mas também fornecerá subsídios práticos para educadores que buscam promover uma educação mais inclusiva, participativa e transformadora. O educador, nesse contexto, torna-se um mediador, um facilitador do processo de aprendizagem, estimulando a participação ativa e crítica dos educandos.
Na obra Pedagogia da Autonomia (Freire 2022, p.32), Freire questiona:
Por que não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deva associar a disciplina cujo conteúdo se ensina, a realidade agressiva em que a violência é a constante e a convivência das pessoas é muito maior com a morte do que com a vida? Por que não estabelecer uma “intimidade” entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos?
A prática educativa freiriana envolve a criação de espaços dialógicos, nos quais o diálogo entre educadores e educandos é incentivado. Esse diálogo não é um monólogo do educador, mas uma troca de saberes, no qual ambos aprendem e ensinam. O educador desafia os educandos a pensarem criticamente sobre sua realidade, a identificarem problemas e a buscarem soluções coletivas. A importância da experiência concreta também é ressaltada por Freire. A prática educativa não deve ser desvinculada da realidade dos educandos; ao contrário, deve partir de suas vivências para que o aprendizado seja significativo e contextualizado. A contextualização permite que os educandos percebam a relevância do conhecimento para suas vidas, estimulando um engajamento mais profundo e duradouro.
Cabendo ao educador conforme Freire cita em Pedagogia da Autonomia (Freire 2022, p.39):
A tarefa coerente do educador que pensa certo é, exercendo como ser humano a irrecusável prática de inteligir, desafiar o educando com quem se comunica, a quem comunica, a produzir sua compreensão do que vem sendo comunicado (…) O pensar certo, por isso é dialógico e não polêmico.
A autonomia, no âmbito educativo, não é apenas a capacidade de tomar decisões, mas uma jornada que permite aos educandos se tornarem protagonistas ativos de seu processo de aprendizagem. É a habilidade de analisar, questionar, criar e agir de maneira consciente e reflexiva, conforme Hoffmann (1992) aborda na sua obra Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. Em um cenário global onde as demandas sociais, culturais e tecnológicas estão em constante evolução, a autonomia torna-se um instrumento essencial para a adaptação e o empoderamento dos indivíduos. Ao fomentar a ideia de diálogo, respeito mútuo e construção coletiva, Freire oferece uma visão de educação que vai ao encontro das necessidades de uma sociedade em constante transformação.
A busca pela autonomia não é apenas um componente da aprendizagem, mas um catalisador para a emancipação e a formação de sujeitos críticos capazes de compreender e transformar a realidade ao seu redor. A complexidade da relação entre prática educativa e autonomia requer uma abordagem metodológica igualmente abrangente. Para compreender o impacto da prática educativa na autonomia dos educandos, esse trabalho adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica, que proporciona uma compreensão dos princípios da Pedagogia da Autonomia.
A escolha da abordagem qualitativa se justifica pela natureza complexa e multifacetada da interação entre prática educativa e autonomia. Este trabalho tem como propósito explorar o impacto da prática educativa na autonomia. Ao longo desse trabalho haverá diferentes abordagens pedagógicas à luz da Pedagogia da Autonomia, analisando como tais práticas podem estimular o desenvolvimento da autonomia e, por conseguinte, contribuir para a formação de cidadãos mais críticos e engajados em suas comunidades. Ponto de vista reforçado em sua obra Educação como prática da Liberdade (1967), onde Paulo Freire menciona que “Há uma pluralidade nas relações do homem com o mundo, na medida em que responde a ampla variedade dos seus desafios. Em que não se esgota num tipo padronizado de resposta.”
O objetivo é desvelar essas estratégias pedagógicas, e como podem impactar a autonomia nos educandos, pois compreender essa dinâmica não apenas enriquece o debate acadêmico, mas também proporciona orientações práticas para educadores comprometidos com a formação de cidadãos críticos e participativos.
Para compreender a importância da autonomia no processo de ensino e aprendizagem, é crucial definir o conceito de autonomia e entender seus fundamentos teóricos. A autonomia educacional refere-se à capacidade do aluno de assumir a responsabilidade por seu próprio aprendizado, tomando decisões informadas e agindo de forma independente. Na obra Pedagogia da Autonomia (Freire 2022, p.67) Freire destaca:
A capacidade de aprender, não apenas para nos adaptar, mas sobretudo para transformar a realidade, para nela intervir, recriando-a, fala de nossa educabilidade a um nível distinto do nível de adestramento dos outros animais ou do cultivo das plantas.
Essa capacidade é construída ao longo do tempo e envolve o desenvolvimento de habilidades como pensamento crítico, resolução de problemas e autorregulação. Os fundamentos teóricos da autonomia educacional podem ser encontrados em várias correntes pedagógicas, incluindo o construtivismo, o socioconstrutivismo e a teoria da aprendizagem experiencial. Segundo essas abordagens, o aluno é visto como um agente ativo na construção de seu próprio conhecimento, e cabe ao educador criar as condições necessárias para que isso ocorra.
Ainda, em na obra Pedagogia da Autonomia (Freire 2022, p.70), Freire destaca:
Há uma relação entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança. A esperança de que professor e alunos juntos podemos aprender, ensinar, inquietarnos, produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos a nossa alegria.
A análise da prática educativa à luz da Pedagogia da Autonomia revela a importância de estratégias pedagógicas que promovam a participação ativa dos alunos no processo de ensino e aprendizagem conforme abordado por Paulo Freire na obra Pedagogia da Esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido (1997). O diálogo, a problematização e a contextualização do conhecimento são elementos chave para o desenvolvimento da autonomia dos educandos. Além disso, a valorização da experiência prévia dos alunos e a criação de espaços para reflexão crítica são fundamentais para empoderá-los como agentes ativos de sua própria formação.
Em sua obra Pedagogia da Autonomia (Freire 2022, p. 78), Freire esclarece que:
Como educador preciso ir “lendo” cada vez melhor a leitura do mundo que os grupos populares com quem trabalho fazem seu contexto imediato e do maior de que o seu é parte. O que quero dizer é o seguinte: não posso de maneira alguma, nas minhas relações político-pedagógicas com os grupos populares, desconsiderar seu saber de experiência feito.
Compreendendo a amplitude da discussão sobre o impacto da prática educativa na autonomia, especialmente à luz da pedagogia de Paulo Freire obra “Pedagogia da Autonomia” representam uma imersão profunda nos princípios e ideias que fundamentam sua abordagem pedagógica. Conforme Torres (2002), na sua obra A prática educativa nos movimentos populares: um olhar Freireano, Freire, um dos mais renomados educadores do século XX, desafiou os paradigmas tradicionais da educação ao propor uma prática pedagógica centrada na emancipação e na formação de sujeitos críticos e autônomos. Sua obra “Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa” é um marco na reflexão sobre a educação e tem sido fonte de inspiração para educadores em todo o mundo.
Paulo Freire nasceu em 1921, em Pernambuco, Brasil, e sua trajetória pessoal e profissional foi marcada por um profundo engajamento com as questões sociais e educacionais do país. Sua experiência como educador em contextos de extrema pobreza o levou a desenvolver uma abordagem pedagógica inovadora, centrada na valorização do conhecimento prévio dos educandos, no diálogo como instrumento de construção do conhecimento e na conscientização como ferramenta de transformação social, conforme Moraes (2008) aponta na sua obra Paulo Freire: A Educação como prática da Liberdade.
A “Pedagogia da Autonomia” de Paulo Freire está fundamentada em uma série de
princípios que orientam a prática educativa e promovem o desenvolvimento da autonomia dos educandos. Entre esses princípios, destacam-se:
Diálogo como Base da Relação Pedagógica: Freire enfatiza a importância do diálogo horizontal entre educador e educando, no qual ambos são sujeitos ativos no processo de ensino e aprendizagem. O diálogo é visto como um instrumento essencial para a construção do conhecimento e para o desenvolvimento da consciência crítica.
Contextualização da Aprendizagem: A contextualização da aprendizagem na realidade dos educandos é um elemento-chave da Pedagogia da Autonomia. Freire defende que o conhecimento deve ser relacionado às experiências concretas dos alunos, tornando-o significativo e relevante para suas vidas.
Empoderamento dos Educandos: A autonomia dos educandos é um objetivo central da Pedagogia de Freire. Ele acredita que os alunos devem ser capacitados a pensar criticamente, a questionar o status quo e a agir de forma consciente e transformadora em suas comunidades.
Ética e Responsabilidade: Freire ressalta a importância da ética na prática educativa, destacando valores como o respeito, a solidariedade e a responsabilidade social. Ele enfatiza a necessidade de os educadores assumirem uma postura ética e comprometida com a promoção da justiça social e da igualdade.
Essa abordagem pode ser claramente vista quanto Freire destaca:
Como professor não me é possível ajudar o educando a superar sua ignorância se não supero permanentemente a minha. Não posso ensinar o que não sei. Mas, este, repito, não é saber de que apenas devo falar e falar com palavras que o vento leva. É saber, pelo contrário, que devo viver concretamente com os educandos. O melhor discurso sobre ele é o exercício de sua prática. É concretamente respeitando o direito do aluno de indagar, de duvidar e de criticar que “falo” desses direitos. A minha pura fala sobre esses direitos a que não corresponda a sua concretização não tem sentido. (Freire 2022, p.93)
A promoção da autonomia dos alunos requer a implementação de estratégias e
metodologias pedagógicas específicas. Uma abordagem eficaz é a aprendizagem baseada em projetos, na qual os alunos trabalham em projetos de pesquisa ou criação que lhes permitem explorar temas de interesse pessoal e aplicar o conhecimento de maneira prática. Outra estratégia é a aprendizagem colaborativa, na qual os alunos trabalham em grupos para resolver problemas e completar tarefas, desenvolvendo habilidades de trabalho em equipe e comunicação. A aprendizagem experiencial, que envolve a participação ativa dos alunos em atividades práticas e experiências do mundo real, também é uma maneira eficaz de promover a autonomia, conforme aponta Oliveira (2015) na obra Paulo Freire: Pedagogia da Autonomia e Educação Inclusa.
Além disso, é importante que os educadores forneçam feedback construtivo e apoio individualizado aos alunos, incentivando-os a refletir sobre seu próprio aprendizado e a definir metas pessoais. A utilização de tecnologias educacionais, como plataformas de aprendizagem online e recursos digitais interativos, também pode ser uma ferramenta valiosa na promoção da autonomia dos alunos.
A Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire (2022) tem sido objeto de intensos debates e análises críticas ao longo dos anos. Embora sua abordagem tenha sido amplamente elogiada por sua ênfase na emancipação e na participação dos educandos, também tem sido alvo de críticas e questionamentos. Uma crítica comum à Pedagogia de Freire é a sua suposta idealização do diálogo e da participação, pois em contextos de desigualdade social e poder, o diálogo pode ser dificultado e a participação dos educandos pode ser limitada.
Além disso, a realidade complexa das escolas pode tornar difícil a implementação de uma abordagem tão idealizada, bem como à ênfase excessiva na autonomia individual, em detrimento da responsabilidade coletiva.
Freire na obra Pedagogia da Autonomia (Freire 2022, p.94) menciona que:
Não posso ser professor sem me pôr diante dos alunos, sem revelar com facilidade ou relutância minha maneira de ser, de pensar politicamente. Não posso escapar à apreciação dos alunos. E a maneira como eles me percebem tem importância capital para o meu desempenho. Daí, então, que uma de minhas preocupações centrais deva ser a de procurar aproximação cada vez maior entre o que digo e o que faço, entre o que pareço ser e o que realmente estou sendo.
A análise sublinha a construção coletiva do conhecimento como a síntese da autonomia na perspectiva freiriana. Não se trata apenas de capacitar individualmente os educandos, mas de criar ambientes educativos que fomentem uma participação ativa e colaborativa. A autonomia, vista como um processo dinâmico, emerge não apenas da capacidade individual de tomar decisões, mas da habilidade coletiva de questionar, refletir e transformar a realidade, conforme Vieira (2012) na obra Paulo Freire e a Educação Popular: História, Memória e Contribuições para a pedagogia da Autonomia.
A construção coletiva do conhecimento, quando fundamentada nos princípios da Pedagogia da Autonomia, torna-se uma força catalisadora para uma educação libertadora. No entanto, apesar desses desafios, a promoção da autonomia dos alunos oferece inúmeras oportunidades para enriquecer o processo de ensino e aprendizagem. Alunos autônomos tendem a ser mais motivados e engajados em seu próprio aprendizado, desenvolvendo habilidades de pensamento crítico e resolução de problemas que são essenciais para o sucesso na vida pessoal e profissional.
Apesar dos benefícios evidentes da promoção da autonomia dos alunos, a implementação eficaz dessa prática enfrenta alguns desafios. Um dos principais desafios é a resistência dos próprios alunos, que podem estar acostumados a um modelo tradicional de ensino centrado no professor e relutar em assumir um papel mais ativo em seu próprio aprendizado. Como o próprio Freire ressalta na obra Pedagogia da Autonomia (2022, p.105) “a autonomia vai se constituindo na experiência de várias, inúmeras decisões que vão sendo tomadas.”
Diante da análise realizada, fica evidente que a prática educativa desempenha um papel crucial na promoção da autonomia dos educandos, conforme Freire (2022) “a autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser. Não ocorre em data marcada.” A Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire oferece importantes subsídios para repensar e transformar as práticas pedagógicas, destacando a necessidade de uma abordagem centrada no aluno, participativa e reflexiva. Promover a autonomia dos educandos não é apenas uma questão de justiça social, mas também uma condição essencial para a construção de uma sociedade mais democrática, igualitária e transformadora.
Conforme citado na obra Pedagogia da Autonomia (Freire 2022, p.116):
Ensinar e aprender têm que ver com o esforço metodicamente crítico do professor de desvelar a compreensão de algo e com o empenho igualmente crítico do aluno de ir entrando como sujeito em aprendizagem, no processo de desvelamento que o professor ou professora deve deflagar.
Além disso, os educadores podem encontrar dificuldades em adaptar suas práticas pedagógicas para promover a autonomia dos alunos, especialmente em sistemas educacionais que enfatizam a padronização e a avaliação baseada em testes. A falta de recursos e apoio institucional também pode representar um obstáculo significativo para a implementação da autonomia na prática educativa, conforme Libâneo (2013) na obra Pedagogia e prática educativa: Um debate sobre o conhecimento escolar.
A prática educativa na busca pela autonomia no processo de ensino e aprendizagem do aluno é fundamental para o desenvolvimento integral do indivíduo. Ao promover ambientes de aprendizagem que incentivam a exploração, o questionamento e a descoberta ativa, os educadores podem ajudar os alunos a se tornarem aprendizes autônomos e motivados.
Superar esses desafios requer o comprometimento e a colaboração de todos os envolvidos no processo educativo, incluindo educadores, alunos, pais e administradores escolares. Apesar das críticas, a Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire continua sendo uma fonte de inspiração e reflexão para educadores em todo o mundo. Pois, Freire destaca que:
respeitar a leitura de mundo do educando significa tomá-la como ponto de partida para a compreensão do papel da curiosidade, de modo geral, e da humana, de modo especial, como um dos impulsos fundantes da produção do conhecimento (Freire 2022, p.120).
No entanto, é importante reconhecer os desafios e as complexidades envolvidos na implementação da Pedagogia da Autonomia em contextos diversos. É necessário um compromisso contínuo com a reflexão crítica, o diálogo e a adaptação às necessidades e realidades específicas dos educandos e das comunidades, conforme abordado por Garcia (2009) na obra Formação de professores e práticas pedagógica.
Em última análise, a Pedagogia da Autonomia representa uma visão transformadora da educação como um instrumento de libertação e empoderamento. Ao reconhecer os desafios e as oportunidades que ela apresenta, podemos avançar em direção a uma prática educativa mais inclusiva, democrática e socialmente justa. Sendo que, a promoção da autonomia dos alunos é uma parte essencial de uma educação de qualidade, que visa capacitar os indivíduos a se tornarem cidadãos críticos, responsáveis e autônomos em um mundo em constante mudanças.
Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Ed. Paz e Terra, 2022.
Freire, Paulo. A Educação Como Prática da Liberdade. Rio de Janeiro. Ed. Paz e Terra, 1967.
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HOFFMANN, J. M. L Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre. Ed. Mediação, 1992.
LIBÂNEO, J. C. Pedagogia e prática educativa: Um debate sobre o conhecimento escolar. São Paulo. Ed. Cortez, 2013.
LIBÂNEO, J. C. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo. Ed. Loyola, 2004.
MORAES, M. C. Paulo Freire: A Educação como prática da Liberdade. São Paulo. Ed. Paz e Terra, 2008.
OLIVEIRA, J. F. Paulo Freire: Pedagogia da Autonomia e Educação Inclusiva. Rio de Janeiro. Ed. Wak Editora, 2015.
TORRES, R. M. A prática educativa nos movimentos populares: um olhar Freireano. Petrópolis. Ed. Vozes, 2002.
VEIGA, I. P. A. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. Campinas. Ed. Papirus, 2013.
VIEIRA, M. L. Paulo Freire e a Educação Popular: História, Memória e Contribuições para a Pedagogia da Autonomia. Campinas. Ed. Autores Associados, 2012.
A autora utilizou a IA ChatGPT 3.5 para correção gramatical. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral.
[1] Pós-graduada Pedagogia Empresarial, MBA Gestão de Pessoas, Graduação em Pedagogia e Ciências Contábeis. ORCID: 0009-0000-4726-0879. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/6093915296742546.
Material recebido: 29 de abril de 2024.
Material aprovado pelos pares: 10 de julho de 2024.
Material editado aprovado pelos autores: 16 de setembro de 2024.
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