A Importância Da Inclusão De Aluno Com Deficiência Auditiva Na Escola De Ensino Regular De Naviraí/MS: Um Estudo De Caso

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ARTIGO ORIGINAL

RICARDO, Fátima Sueli Vidoto [1]

RICARDO, Fátima Sueli Vidoto. A Importância Da Inclusão De Aluno Com Deficiência Auditiva Na Escola De Ensino Regular De Naviraí/MS: Um Estudo De Caso. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 12, Vol. 03, pp. 153-169 Dezembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

A deficiência auditiva é a incapacidade total ou parcial de ouvir, apresentando assim um entrave ao desenvolvimento social dos indivíduos com deficiência. Nesse sentido, observa-se a importância da inclusão escolar, que deve garantir a igualdade de acesso ao conhecimento a todos os alunos, inclusive aos que apresentam deficiências, equipando as salas com recursos visuais garantindo o acesso do aluno surdo a informações que o ajudem a construir seu conhecimento de forma eficiente superando os entraves da surdez. Observamos um aluno surdo matriculado em uma escola regular de ensino no município de Naviraí- MS, aplicamos questionários com perguntas abertas à equipe gestora dessa escola e aos professores do estudante para analisar sua inclusão na escola. Durante a pesquisa, não encontramos muitos recursos disponíveis na sala de aula do aluno, o que sugere que o mesmo não tem acesso a todos os recursos necessários a seu pleno desenvolvimento, observamos também que o professor continua a desenvolver suas funções para o restante da turma, enquanto cabe ao intérprete auxiliar o aluno com deficiência auditiva, então não ocorreu a adequação da escola para receber o aluno surdo.

PALAVRAS CHAVE: Deficiência auditiva, Inclusão escolar, Naviraí-MS.

INTRODUÇÃO

Atualmente, muito tem se discutido sobre a acessibilidade, que é a inclusão de todas as pessoas com deficiências ou capacidades reduzidas, na rede regular de ensino com adequação física,social e cognitiva para acesso e permanência do aluno com qualidade na escola. Mas percebemos que em muitos casos não são disponibilizados todos os recursos necessários para garantir o pleno desenvolvimento do aluno surdo. Para conhecer essa realidade foram realizadas pesquisas bibliográficas e estudo de caso em uma escola de Naviraí-MS, para entender como ocorre a inclusão do aluno surdo.

A Educação Inclusiva entende que todos os alunos, independentemente de sua condição orgânica, afetiva, socioeconômica ou cultural, devem ser inseridos na escola regular, com o mínimo possível de distorção idade-série, e com condições físicas e pedagógicas adequadas às suas limitações.

A escola tem a responsabilidade de promover a inclusão. Para tanto, deve se adequar para receber alunos com deficiências, para garantir o direito à igualdade presente na Constituição Federal (BRASIL, 1988), existem leis específicas como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB 9394/96 (BRASIL, 1996), o Decreto lei nº 5296/2004 (BRASIL, 2004), como forma de se fazer cumprir a igualdade e garantir a inclusão de todos.

Acessibilidade não se reporta só a deficiência motora, mas visual, auditiva, entre outras. Não basta construir rampas de acesso, placas e pisos táteis, mas é necessário equipar as escolas com materiais e profissionais habilitados para dar condições de realmente promover a inclusão com qualidade nas escolas.

Mediante os resultados das pesquisas bibliográficas e de estudo de caso, este realizado com o objetivo precípuo de saber quais as dificuldades encontradas por esse aluno no dia -a -dia escolar, busca-se compreender como ocorre a interação desse aluno com os professores e demais colegas na sala de aula comum, visando à caracterização das formas de atendimento pedagógico que a ele têm sido disponibilizadas.

O estudo se justifica na medida em que se torna necessário conhecer quais as metodologias já utilizadas para o ensino de pessoas nessa condição ontogenética. Desse modo, será possível avançar na compreensão dos atuais processos e práticas educacionais considerados inclusivos.

NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS E ACESSIBILIDADE

Deficiência é toda dificuldade ou anormalidade no desempenho de uma função seja motora, cognitiva ou intelectual ou, segundo o Decreto Federal nº 3.956 de 2001:

Entende-se que o termo “deficiência”significa uma restrição física, mental ou sensorial, de natureza permanente ou transitória, que limita a capacidade de exercer uma ou mais atividades essenciais da vida diária, causada ou agravada pelo ambiente econômico e social.(BRASIL, 2001, P.2)

Portanto a audição reduzida é uma deficiência física, que não atrapalha o desenvolvimento cognitivo, com as metodologias adequadas o aluno surdo pode ter as mesmas oportunidades de um aluno que ouve bem.

Cada indivíduo é único e, assim, apresenta níveis de dificuldades diferentes em relação à aprendizagem isso é uma questão individual de aprendizagem e de oportunidades de vivências, experiências significativas que auxiliem na aquisição do conhecimento. Se o professor souber compreender o progresso alcançado por cada um dos seus alunos estará contribuindo para solucionar e desmistificar os problemas de aprendizagem, eliminando ou minimizando a repetência e a evasão e as dificuldades de aprendizagem.

Essas mudanças requerem novas atitudes em relação à compreensão de como se dá a aprendizagem dos alunos. Exigem o entendimento de que a aprendizagem não é um produto escolar, mas sim objeto cultural, resultado do esforço coletivo da humanidade e não uma utilização de técnicas e métodos que um sujeito reproduz.

As causas para a ocorrência da deficiência já foram muitas vezes atribuídas à responsabilidade divina, sendo o deficiente caracterizado como aquele que merece castigo de Deus e ao mesmo tempo necessita da caridade daqueles que acreditavam nos preceitos religiosos, determinados pela salvação através do amor aos semelhantes. Na Antiguidade Clássica havia muita segregação e abandono de pessoas com deficiência. Na Grécia e em Roma, pessoas com deficiência eram mortas, abandonadas à sorte e expostas publicamente; outras vezes, as crianças eram eliminadas após o parto por seus próprios pais, havendo uma lei que dava o direito ao pai para realização desse ato (MORAES, 2007 p 12).

As formas como as instituições sociais e as famílias veem as pessoas com deficiências têm se modificado ao longo do tempo, mas ainda percebemos uma exclusão em relação à inserção dessas crianças na rede regular de ensino, receber essas crianças na escola não garante a inclusão.É necessário à escola se adequar e se estruturar para receber com qualidade, pois, caso contrário, corre-se o risco de aumentar os problemas decorrentes da exclusão. Portanto, a escola deve promover a acessibilidade e a eliminação de todas as barreiras à aprendizagem e participação social.

A acessibilidade é a promoção de condições para que os alunos com deficiências possam circular nos espaços públicos de forma mais autônoma e cômoda. Garantir essas condições favorece a inclusão social e melhora a qualidade de vida dessas pessoas. O Decreto 5.296, de 2 de dezembro de 2004, define acessibilidade como

[…] condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. (BRASIL, 2004, p. 45-46).

Portanto, a acessibilidade não se refere só ao espaço físico, mas também aos mobiliários e equipamentos necessários para que a inclusão aconteça, e com qualidade, que a criança com deficiência seja inserida na escola de forma plena, com todos os direitos garantidos, e não simplesmente colocada na sala regular porque a legislação assim determina.

Segundo conceitos provenientes do Ministério da Educação/ Secretaria da Educação Especial (BRASIL, 2006), é importante evidenciar que a deficiência deve ser considerada como uma diferença que faz parte da diversidade e não pode ser negada, porque “ela interfere na forma de ser, agir e sentir das pessoas”. Segundo a Declaração de Salamanca, para promover uma Educação Inclusiva, os sistemas educacionais devem assumir que “as diferenças humanas são normais e que a aprendizagem deve se adaptar às necessidades das crianças ao invés de se adaptar a criança a assunções preconcebidas a respeito do ritmo e da natureza do processo de aprendizagem” (BRASIL, 1994, p 15).

O ambiente físico não garante o acesso e a inclusão aos alunos com deficiência, pois suas necessidades não se limitam à locomoção, mas ao acesso a todos os recursos tecnológicos ou não, que garantam melhores condições de vida. No caso das pessoas com deficiência auditiva, necessitam de materiais diversificados em Língua Brasileira de Sinais (Libras), um intérprete, além de material adequado à sua deficiência, somando-se a isso a necessidade de professores habilitados e capacitados para trabalhar essas diversidades.

Para fins de reflexão a respeito do tema inclusão, é importante salientar sua extensão em relação à acessibilidade em escolas e edifícios públicos, ressaltando-se a importância de se estabelecer o acesso não somente no interior dessas edificações concretas, mas também a relevância de se adaptar as condições das vias, estacionamentos e passagens e eliminar o máximo de barreiras que impeçam e dificultam a circulação das pessoas. É preciso criar possibilidades para que um deficiente se insira na sociedade e possa exercer sua cidadania. (MORAES 2007, p.36).

Portanto, além de garantir a livre circulação devemos garantir direitos básicos para que o aluno exerça sua cidadania, contribuindo para a construção de um ambiente mais igualitário e dinâmico.

A preocupação com a acessibilidade nas escolas vem sendo ainda que timidamente demonstrada em várias pesquisas e reportagens, mas efetivamente ainda se mostra pouco desenvolvida no interior das escolas.

Fisicamente, muitas escolas brasileiras não estão preparadas para receber alunos com deficiências. Apesar das políticas públicas voltadas para a acessibilidade na escola, esta ainda não é realidade em muitos municípios brasileiros, uma vez que depende muito dos governos estaduais e municipais, e esses não têm cumprido seus compromissos com o governo federal para adequar as escolas, tanto nos aspectos físicos como nos equipamentos, o que dificulta a acessibilidade nas escolas.

Outro problema enfrentado pelas pessoas com deficiência é o despreparo dos profissionais em educação para receber esses alunos. Realmente, é necessário que os cursos de formação de professores comecem a mudar a cultura de exclusão, não só de alunos com deficiência, mas de todos os alunos que supostamente não se enquadram nos parâmetros esperados pelos professores.

A mudança de postura dos professores já melhoraria muito o processo de inclusão, pois o professor por si só já é formador de opinião, daí a grande importância do trabalho do professor em promover a inclusão social do aluno com deficiência.

Quanto à deficiência auditiva, as dificuldades de inclusão são as mesmas, porquanto:

A tentativa do movimento de direito dos surdos é afastar a velha sensação de que o deficiente auditivo é estrangeiro dentro de seu País de origem, tendo em vista a dificuldade de comunicação quando vai ao banco, ao médico ou registrar boletim de ocorrência. “Além do preconceito linguístico e cultural, os surdos sofrem com dificuldade do acesso às novas tecnologias”, destaca a especialista em Educação Bilíngue e Interpretação e Ensino de Libras, Neiva Aquino. Aqueles que defendem a inclusão entendem que as escolas especializadas não oferecem ambiente adequado para o aprendizado pleno. (AMARO, 2006, p. 23).

Portanto, podemos ver que as escolas regulares de ensino tanto as públicas como as privadas não oferecem plenamente as condições de acesso aos deficientes, sejam elas quais forem. É necessário que os órgãos competentes se organizem, unam forças no intuito de fazer cumprir a legislação e oferecer um ambiente acessível para todos os deficientes, incluindo não só a adequação física, mas a disponibilidade de material e capacitação de profissionais.

Só as adequações físicas das escolas não garantem a inclusão, e não são sinônimos de escola acessível. Além do espaço físico, é necessário que haja a disponibilidade de material e equipamentos necessários para que os deficientes possam ser atendidos, e também a inserção social do aluno é importante, só a presença dele nas unidades regulares não garante a inclusão social, em muitos casos pode até favorecer a exclusão.

Quando a escola não faz a ponte entre todos os envolvidos no processo educacional, favorecendo a interação, as dificuldades de inserção podem ser bem mais negativas sobre o aluno, são necessários esforços conjuntos de toda a comunidade escolar, órgãos administrativos, entidades não governamentais, no intuito de promover a acessibilidade e a inclusão do aluno com deficiência no sistema regular de ensino, mas com qualidade, com condições para que esse aluno seja inserido no contexto social e se desenvolva tendo qualidade de vida e um convívio social que garantam seu desenvolvimento social e cognitivo.

DEFICIÊNCIA AUDITIVA/SURDEZ: BREVE REVISÃO CONCEITUAL

A deficiência auditiva é a incapacidade de ouvir, e ela pode se apresentar em graus diferentes, leve, moderada e surdez, que é a inexistência da audição. A deficiência auditiva, em alguns casos, pode ser resolvida com aparelhos ou intervenções cirúrgicas, mas nos casos congênitos e irreversíveis o indivíduo deve buscar outros meios de se comunicar. Nesse caso, foi criado a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).

LIBRAS, “é uma língua de modalidade gestual-visual, reconhecida como língua natural dos surdos e constitui o “símbolo da surdez”. Hoje consideramos que a Língua de Sinais é o único meio efetivo de comunicação entre os surdos, possibilitando-lhes se desenvolver linguístico-cognitivamente. (BRITO, 1993, p. 28).

Para promover a inclusão na escola, no caso da deficiência auditiva, a primeira atitude é solicitar um intérprete de LIBRAS, e materiais necessários para que o surdo possa desenvolver habilidades de leitura e escrita, pois qualquer escola que tiver alunos com deficiência auditiva nas classes regulares tem o direito a um intérprete de LIBRAS. Como já foi citada anteriormente, a deficiência auditiva não incapacita o indivíduo de aprender; o que dificulta é a falta de estrutura apresentada pelos sistemas de ensino.

Assim, são os gestores municipais e as escolas os responsáveis por solicitar aos órgãos competentes intérpretes e materiais para que o aluno surdo tenha condições iguais e necessárias para aprender e se desenvolver garantindo sua inclusão social, e não ampliando a desigualdade.

Segundo Rinaldi (1994), deficiência auditiva pode ser definida como: “a diminuição da capacidade de percepção normal dos sons, sendo considerado surdo aquele cuja audição não é funcional com ou sem prótese auditiva”.

O índice de nascimento de crianças com surdez profunda é uma em cada mil; muitas desenvolvem algum problema auditivo no decorrer de sua vida. Os principais tipos de deficiência auditiva podem ser assim relacionados: uma afeta o ouvido externo ou médio, podendo ser tratada e mesmo extinta; a outra afeta o ouvido interno ou o nervo auditivo, de forma permanente e inalterável, na maioria dos casos. A audição é usualmente medida em decibéis (dB), unidade sonora que mede a intensidade ou volume dos sons, e em Hertz (Hz), unidade que determina o comprimento da onda sonora.(RINALDI, 1994).

A capacidade auditiva é classificada como: normal (entre 10 e 26 decibéis); leve (entre 20 e 40 decibéis); moderada entre (40 e 70 decibéis); severa entre (70 a 90 decibéis) e profunda (superior a 90 decibéis). A criança surda pode ter as mesmas condições intelectuais e habilidades psicomotoras do aparelho fonoarticulatório de uma criança sem deficiência, porém não poderá reproduzir sons que não ouve (RINALDI, 1994). A deficiência auditiva pode, também, ser congênita ou adquirida.

As principais causas da deficiência congênita são: hereditariedade, viroses maternas (rubéola, sarampo, doenças tóxicas da gestante, como sífilis, citomegalovírus e toxoplasmose), ingestão de medicamentos ototóxicos (que lesam o nervo auditivo durante a gravidez). Essa deficiência pode ser adquirida quando existe uma predisposição genética no indivíduo, a otoclesrose; bem como quando ocorre meningite, ingestão de remédios ototóxicos, exposição a sons impactantes (explosão) e viroses, ao longo do desenvolvimento ontogenético da pessoa. (RINALDI, 1994 p 14).

A educação de uma criança com deficiência auditiva/surdez deve ser feita de forma diferenciada, utilizando diversos recursos comunicativos, adaptados a suas possibilidades e de modo a contribuir para sua participação social, sem que se deixe, portanto, essa criança à margem das apropriações e objetivações culturais do gênero humano. No aspecto cognitivo, sabe-se que a inteligência da criança surda não é limitada em relação à criança ouvinte, ambas diferindo apenas na limitação vocal. Todavia, em decorrência das dificuldades de apropriação linguística, algumas dificuldades podem se tornar evidentes. Como nos relata Coll (1999, p. 203),

As primeiras limitações na evolução intelectual das crianças surdas manifestam-se em suas expressões simbólicas, não somente na aquisição do código linguístico oral, mas também em outras formas como o jogo simbólico.

Muitas dessas dificuldades se explicam devido ao fato de que criança que apresenta a deficiência supracitada não consegue captar informações transmitidas, sobretudo, em nossa sociedade, de forma oral. Tal situação coloca alguns obstáculos ao desenvolvimento psicolinguístico dos sujeitos nessa condição ontogenética. Contudo, essas limitações não querem dizer que, intelectualmente, as crianças surdas são inferiores em relação às demais. Elas apenas apresentam outro curso de desenvolvimento ontogenético, descrevendo uma trajetória singular. Por isso, segundo Coll (1999, p. 205), um fator importante a ser considerado é a forma de comunicação que elas recebem em casa, especialmente quando os pais não são surdos também.

A partir das considerações apresentadas pelo autor, deduz-se a importância, para a pessoa com deficiência auditiva/surdez e seus familiares, da aquisição da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), como forma de possibilitar a comunicação entre ouvintes e não ouvintes. Quanto à interação da criança surda com a ouvinte, esta pode ocorrer de forma mais lenta em relação à comunicação estabelecida entre duas crianças ouvintes ou, ainda, entre duas surdas. Isso se dá pelo fato da primeira não utilizar a comunicação oral, ao passo que a segunda, a ouvinte, raramente conhece e domina a língua de sinais Como esclarece Coll (1999, p. 211),

As relações que a criança surda estabelece com seus colegas dependem tanto do seu nível linguístico como dos códigos que podem ser empregados na comunicação. A maior parte dos estudos indica que as relações que a criança surda estabelece são pouco estruturadas e flexíveis, manifestando mais dificuldades, quando são baseadas na interação verbal e exigem uma constante atenção mútua. A criança surda não tem habilidades sociais suficientes para iniciar normalmente, as interações, para controlar o desenvolvimento das mesmas e satisfazer as demandas de seus interlocutores.

Por essas dificuldades, os surdos unem-se em grupos ou associações por interesses comuns, para evitar problemas e incompreensões na interação social. Outra causa da associação dos surdos é a pouca importância das informações não verbais para o mundo dos ouvintes, caracterizado pela prevalência da linguagem oral, nas relações interpessoais.

Assim,a maior dificuldade em incluir crianças surdas e ouvintes em uma mesma sala refere-se à questão da comunicação, pois a barreira linguística existente nesse caso dificulta a interação entre os alunos.

CAMINHOS METODOLÓGICOS PERCORRIDOS

Para a realização deste trabalho, adotou-se a abordagem qualitativa de pesquisa, com aplicação de questionários abertos, uma vez que não nos preocupamos com a representação numérica dos fatos pesquisados, mas sim com o aprofundamento da compreensão do caso que é objeto de estudo, a fim de se compreender como é realizada a assistência educacional para o aluno com deficiência auditiva.

A pesquisa qualitativa, no entanto, trata-se de uma atividade da ciência, que visa a construção da realidade, mas que se preocupa com as ciências sociais em um nível de realidade que não pode ser quantificado, trabalhando com o universo de crenças, valores, significados e outros construto profundos das relações que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. MINAYO (2003, p. 16-18)

A pesquisa teve início com a seleção de uma escola onde há alunos com deficiência auditiva matriculados no ensino regular. Os procedimentos metodológicos e instrumentos de pesquisa adotados foram a observação não participante na vida cotidiana da sala de aula, na qual o aluno com deficiência auditiva está inserido.

Foram aplicados questionários com perguntas abertas a um coordenador e a seis professores a fim de obter melhor interpretação sobre a situação observada, podendo-se comparar e compreender as respostas dadas em diferentes momentos e situações. Primeiro, aplicamos os questionários e, depois, as pesquisas in loco com as observações do cotidiano do aluno na sala de aula do sexto ano do ensino fundamental.

A utilização da metodologia mencionada foi fundamental para que se obtivesse uma maior compreensão acerca das dificuldades encontradas pelos professores no processo de inclusão do aluno com deficiência auditiva na sala de aula comum do ensino regular.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

A inclusão dos alunos surdos na rede regular de ensino exige a adequação da escola com recursos visuais, que favoreçam sua comunicação no espaço escolar, além de recursos didáticos e profissionais capacitados, para que realmente ocorra a inclusão.

A imagem, a experiência visual tem papel fundamental no processo educacional, permitindo ao aluno surdo compreender, intervir e reagir no meio, tendo um efeito facilitador na educação do surdo, função de instrumento mediador da aprendizagem desses alunos. A imagem visual tem o potencial de ser aproveitada como recurso de transmissão de conhecimento e no desenvolvimento do raciocínio (REILY, 2003)

É inegável que a Língua Brasileira de Sinais é a forma de linguagem que favorece o surdo a inclusão social, mas na construção do conhecimento sistematizado além da linguagem outros recursos são importantes para ajudar o aluno a construir seu conhecimento, portanto só conhecer a Língua Brasileira de Sinais e ter um intérprete não é suficiente como metodologia didática para trabalhar com aluno surdo.

Ao responder o questionário, o coordenador pedagógico esclareceu que ao receber alunos com necessidades educacionais especiais os professores procuram se preparar para trabalhar com o aluno, procurando diminuir ao máximo as distorções entre a turma e o aluno, evitando assim as desigualdades e a exclusão. A coordenação pedagógica procura dar o suporte teórico na medida do possível, mas, com certeza, o professor aprende na prática a trabalhar com os alunos. No caso da deficiência auditiva, analisamos especificamente um aluno que já estuda há mais de quatro anos na escola e que domina o conhecimento da linguagem de Libras e conta com um intérprete que inclui o aluno nas atividades e os próprios alunos para poder se corresponder com o colega já aprenderam alguma coisa de libras.

Após a resposta do coordenador, passamos a fase dos questionários com os professores, pudemos observar que alguns professores não apresentam preparo para trabalhar com aluno surdo, não aplicando metodologias diferenciadas próprias para favorecer esse aluno .

Ao realizar a discussão sobre os questionários vamos utilizar as letras: A,B,C,D,E e F para designar os professores que responderam o questionário como forma de resguardar suas identidades.

Em relação à pergunta 1 – Qual o seu posicionamento sobre a inclusão escolar dos alunos com deficiência auditiva/surdez nas classes comuns do ensino regular?

O professor (A) ao responder disse que “essa prática é válida, pois, com o auxílio da intérprete, ele consegue acompanhar todas as atividades desenvolvidas.”

Já o Professor “B” articulou que: “O aluno incluso se desenvolve melhor com o meio diferenciado”.

O Professor “C” falou: “Acho que esse aluno deve sim estudar no ensino regular desde que o mesmo tenha o acompanhamento de uma intérprete”.

O professor “D” descreveu: “É perfeitamente aceitável, uma vez que o aluno interage e assimila todas as atividades desenvolvidas. O Aluno deve estar incluso para desenvolver suas habilidades”.

O professor “E” relatou que: “Para o aluno com deficiência é um grande avanço, pois em meio aos outros alunos ele se sente mais à vontade, claro que precisamos do apoio da intérprete, pois se não houvesse seria difícil a comunicação entre aluno e professor”.

O professor “F” preferiu: “Para mim, a inclusão é normal. Trato o aluno como os outros, somente o diferencio quando está sendo avaliado”.

Como podemos observar, existe uma boa aceitação por parte dos professores em trabalhar com o aluno com surdez, mas só aceitar o aluno na sala e contar com intérprete não garante a inclusão uma vez que percebemos que as aulas continuam do mesmo modo sem direcionar ou usar metodologias que possam facilitar o desenvolvimento do aluno surdo, como utilização de diversos recursos visuais.

Pessoa que interpreta uma língua (língua fonte) para outra (língua alvo) o que foi dito. Intérprete de língua de sinais – Pessoa que interpreta de uma dada língua de sinais para outra língua, ou desta outra língua para uma determinada língua de sinais, (Brasil 2004 p.7)

Observou-se que a sala não possuía cartazes ou outros recursos que poderiam ser utilizados facilitando a compreensão dos conteúdos trabalhados, uma vez que os recursos visuais são extremamente importantes, pois,

Os sujeitos surdos, com sua ausência de audição e do som, percebem o mundo através de seus olhos, tudo o que ocorre ao redor deles: desde os latidos de um cachorro – que é demonstrado por meio dos movimentos de sua boca e da expressão corpóreo-facial-bruta – Essa diferença de percepção do mundo para os surdos, consolida-se todos os dias em seu cotidiano, não só através do olhar, da visão, da pessoa surda, mas da forma como se comunicam, suas expressões, corporais, faciais, etc. Enfim, todos os meios que usam para se comunicar, e acima de tudo por meio da língua de sinais. (CAZARIN, 2011, p.1).

Portanto, a atuação do professor é extremamente importante para facilitar a aprendizagem do aluno surdo, e como vimos dos cinco entrevistados só um mencionou metodologias diferenciadas; os outros, têm no intérprete a base para a inclusão.

Na pergunta 2:“Em suas aulas, como ocorre o atendimento educacional para esse aluno com deficiência auditiva?”

A professora “A” respondeu: “O aluno tem acompanhamento de uma intérprete durante todas as aulas. Assim, o aluno é atendido como todos os outros.”

O professor “B” relatou o seguinte: “Explico o conteúdo normalmente e que há uma intérprete para auxiliar o aluno.”.

Professor “C”: “O aluno tem a professora que acompanha ele durante as aulas teóricas . Nas aulas práticas, o mesmo lê os lábios, ou através de sinais.”

Professor “D”: “O conteúdo e atividades são explicados sempre de forma direcionada a esse aluno e o atendimento individual ocorre durante toda a aula com o assessoramento do intérprete de sala de aula.”.

O Professor “E” afirmou que: “com o apoio da intérprete ocorre igual aprendizado para todos.”

O Professor “F”: “É normal, pois ele tem uma tradutora, quando não entende ela está sempre pronta para ajudar, apesar de ficar pouco tempo não tive problemas com ele.”

Segundo as falas dos professores percebemos que, continuam desenvolvendo suas aulas normalmente direcionadas para os alunos que ouvem bem, sem preocupar-se em direcionar suas metodologias para o aluno surdo, apenas o professor “D” menciona aulas direcionadas para o aluno surdo, quando o certo seria que todo professor pudesse incluir esse aluno usando o mínimo possível a atuação do intérprete, mas o que percebemos é que a inclusão fica por conta do intérprete. Isso mostra que muitos profissionais se mostram despreparados para receber alunos com deficiências.

Sob essa ótica, reforça-se que se faz necessário a universidade se aproximar da escola para viabilizar, em parceria com os professores, materiais que atendam às suas necessidades pedagógico-didáticas. Entretanto, essa não é função exclusiva da universidade, uma vez que o poder público – tanto por intermédio das Secretarias de Educação Estaduais e Municipais, quanto e, principalmente, por meio do Ministério da Educação – é o maior responsável por garantir a acessibilidade para todos os alunos comnecessidades especiais que estão presentes em salas regulares de ensino. (BASSO & CAPELLINI 2012 p. 509)

Assim é necessário um esforço conjunto para aproximar teoria e prática e prepara melhor os professores para a inclusão dos alunos com deficiências, assim como maior empenho dos órgãos públicos para que a inclusão de qualidade aconteça.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A legislação é bem clara: é dever do Estado, da família e da sociedade organizada favorecer condições de acesso e permanência para todos os cidadãos nos sistemas públicos de ensino. Como diz a Constituição brasileira em seu artigo 205:

A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988, p.105)

Portanto, cabe ao poder público promover em parceiras as condições necessárias para que a inclusão de qualidade aconteça, e não só matricular nas salas de aula regulare de ensino os alunos, sem dar condições para que essa inclusão aconteça de verdade, pois assim corremos o risco de que esse aluno permaneça na sala, mas sem perspectiva de inclusão, aumentando as desigualdades.

Ao professor cabe promover dentro de sala de aula a inclusão diminuindo as barreiras intelectuais e sociais para que os alunos possam ter as mesmas oportunidades na sociedade e no mundo do trabalho. Para isso, todavia, cada envolvido no processo deve fazer sua parte, principalmente os pais, acionando o poder público para que cumpra a legislação, adequando a escola para receber esses alunos, com equipamentos, estrutura física e profissionais capacitados, necessários para oferecer um trabalho de qualidade e que amplie os horizontes das crianças deficientes. No caso do aluno surdo é necessária uma combinação de Libras e metodologias diversificadas,

Recomenda-se que a educação dos surdos seja efetivada em língua de sinais, independentemente dos espaços em que o processo se desenvolva. Assim, paralelamente às disciplinas curriculares, faz-se necessário o ensino de língua portuguesa como segunda língua, com a utilização de materiais e métodos específicos no atendimento às necessidades educacionais do surdo. Nesse processo, cabe ainda considerar que os surdos se inserem na cultura nacional, o que implica que o ensino da língua portuguesa deve contemplar temas que contribuem para a afirmação e ampliação das referências culturais que os identificam como cidadãos brasileiros (SALLES, FAUSTICH e CARVALHO, 2004, p. 47).

Cabe aos professores oferecerem atividades diversificadas, com recursos visuais que seja instigante e interessante para o aluno, a tecnologia é uma grande aliada, com recursos visuais em jogos, slides entre outros recursos midiáticos, atualmente muito tem se falado em tecnologia assistiva.

Essas discussões e estudos passam então a construir uma nova racionalidade que ultrapassa a preocupação com a eliminação de obstáculos voltando-se agora à garantia de acesso, instituindo dessa forma e consequentemente um novo campo do saber, a Tecnologia Assistiva.O termo Tecnologia Assistiva é utilizado para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover vida independente e inclusão. (CAZARIN, 2011, p.1).

Muitas escolas possuem esses recursos, que muitas vezes não são utilizados, outras não foram contempladas com os recursos, portanto é necessária uma reflexão sobre a formação de professores e a estrutura do sistema educativo, para que os alunos possam ter acesso a um atendimento de qualidade.

No município de Naviraí- MS, a inclusão do aluno com deficiência auditiva foi aceito no ensino regular, com o auxílio de um intérprete, mas só isso não garante a sua inclusão uma vez que as atividades pedagógicas não são planejadas para facilitar a aprendizagem do aluno surdo, mas para alunos que ouvem e é a intérprete que facilita a aprendizagem do aluno, quando sua função seria só facilitar a comunicação entre professor e aluno, as aulas poderiam ser mais visuais com cartazes, com recursos midiáticos que despertem a atenção e facilitem a compressão dos conteúdos pelos alunos em geral.

Assim, percebemos que, como o aluno conta com intérprete, não se tem a preocupação de utilizar outras metodologias próprias para facilitar o aprendizado do aluno surdo, e que também são atrativas para os alunos que ouvem normalmente. Incluir não é só receber o aluno deficiente na escola, mas, receber com qualidade diminuindo as barreiras para seu desenvolvimento, assim não basta ter uma intérprete; é necessário capacitar os profissionais, disponibilizar material didático, adequar o ambiente, se isso não acontece não existe inclusão.

Portanto, o aluno surdo observado na escola regular de ensino em Naviraí-MS, foi recebido na sala, mas não tem o atendimento adequado para seu pleno desenvolvimento, mas mesmo assim consegue com a ajuda da intérprete aprender os conteúdos. O fato de ele aprender o conteúdo, e superar as barreiras impostas pela surdez, não garante que o sistema promoveu a inclusão, com qualidade, pois o que percebemos é que a estrutura física e pedagógica da sala de aula continua a mesma, portanto a escola não está adequada para recebê-lo.

Enfim, precisamos rever os conceitos de inclusão presentes nas escolas, pois receber os alunos deficientes não é sinônimo de inclusão.

É necessário que a escola facilite, através dos materiais, espaços físicos e profissionais habilitados, a adaptação desses alunos e também é preciso que haja um amplo trabalho de conscientização de direitos e deveres para que a legislação possa ser cumprida e todos tenham resguardado o seu direito à cidadania.

O professor tem o dever de acionar os órgãos competentes quando os direitos dos alunos não são garantidos, mas muitas vezes não cumprem esse dever por trabalhar para o próprio sistema que deveria garantir a eficácia do seu trabalho.

A educação brasileira precisa ser estruturada adequadamente, com sistemas de organização educacional que funcionem de forma eficaz.

REFERÊNCIAS

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AMARO,DeiglesGiacomelli, Educação Inclusiva:aprendizagem e cotidiano escolar. São Paulo, Casa do Psicólogo, 2006.

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[1] Pós graduada em língua portuguesa e literatura.Graduação: Letras. Pós graduada em Educação musical aplicada à educação básica. e Pós em Educação especial inclusiva à educação básica. Graduação: Pedagogia.

Enviado: Novembro, 2018

Aprovado: Dezembro, 2018

 

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