A História da Matemática no Ensino Fundamental

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A História da Matemática no Ensino Fundamental
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GUIMARÃES, Ueudison Alves [1], MARINHEIRO, Carlos Alberto [2]

GUIMARÃES, Ueudison Alves; MARINHEIRO, Carlos Alberto. A História da Matemática no Ensino Fundamental. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 02, Ed. 01, Vol. 16, pp. 05-11, março de 2017. ISSN: 2448-0959

Resumo

O presente artigo traz a proposta de mostrar a importância da História e Ensino da Matemática no Ensino Fundamental, buscando processos motivadores e inovadores na alfabetização matemática podendo ser utilizado como uma prática pedagógica, envolvente e motivadora. Os dados foram coletados a partir de questionários, realizados com professores da educação básica e alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Nova Nazaré – MT. Foram realizados estudos bibliográficos durante os horários destinados a formação continuada e hora atividade. Em sala de aula foram realizadas as intervenções juntamente aos alunos propiciando aos alunos e professores uma fundamentação na importância de trabalhar a História da Matemática. Os resultados obtidos foram significantes, pois ajudarão na modificação do modo de ver os fatos e, por conseguinte isto pode levar a uma mudança de pensamentos e atitudes de vários professores com relação ao trabalhar a História da Matemática em sala de aula.

Palavras-Chave: História e Ensino da Matemática, Ensino Fundamental, Alunos, Aprendizagem, Ensino da Matemática.

INTRODUÇÃO

Este projeto tem como objetivo mostrar a importância da matemática no ensino fundamental. Sendo que a matemática é formada por uma série de conteúdos já resolvidos e acabados que nasceram prontos, sem que houvesse uma gênese, uma série de problemas e algumas crises. Não sendo contexto apenas das instituições de ensino, mas também por alguns manuais didáticos utilizados pela escola.

Este não é somente problema da matemática, outras ciências como: Física, Química e Biologia também sofrem do mesmo mal. Segundo o Físico Paul Langevin, sobre a importância educativa da história das ciências, cita que:

Se tivesse permanecido como as primeiras lições de ciências de meus professores (…) se não tivesse tomado contato com o posterior e diferente com a realidade, teria acreditado que a ciência estava pronta e que não restava mais nada para descobrir (LANGEVIN, 1992, p. 9).

Cremos que a utilização da história da matemática no ensino da disciplina contribui para criar nos discentes uma compreensão maior para obter conhecimentos científicos e em particular matemático.

Ao revelar a Matemática como uma criação humana, ao mostrar necessidades e preocupações de diferentes culturas, em diferentes momentos históricos, ao estabelecer comparações entre os conceitos e processos matemáticos do passado e do presente, o professor tem a possibilidade de desenvolver atitudes e valores mais favoráveis do aluno diante do conhecimento matemático. Além disso, conceitos abordados em conexão com sua história constituem-se veículos de informação cultural, sociológica e antropológica de grande valor formativo. A História da Matemática é, nesse sentido, um instrumento de resgate da própria identidade cultural. Em muitas situações, o recurso à História da Matemática pode esclarecer ideias matemáticas que estão sendo construídas pelo aluno, especialmente para dar respostas a alguns “porquês” e, desse modo, contribuir para a constituição de um olhar mais crítico sobre os objetos de conhecimento (BRASIL, 1997, p. 34).

A matemática tem sido ensinada de maneira amedrontadora os alunos. Muitos escolhem suas carreiras universitárias nas áreas em que acreditam não precisar de matemática. Entendemos que a matemática deva ser ensinada de forma a permitir a formação de alunos críticos que percebam as mudanças conceituais e os problemas que existiram e que existem na construção dos seus conhecimentos. Pensamos que a utilização da história da matemática no seu ensino ajude a formar alunos que contextualizem os conhecimentos e os insiram numa perspectiva de construção humana e coletiva.

Uma experiência interessante que começou a me fazer “virar os olhos com mais atenção” para a história da matemática num aspecto que transcendia a simples motivação. Foi quando, numa aula de álgebra que ministrava para alunos de Processamento de Dados, lemos o seguinte texto:

Para representar a incógnita nesse tratado de álgebra, Khayyam utiliza o termo árabe Chay, que significa ́coisa`; essa palavra, grafada Xay nas obras científicas espanholas, foi progressivamente substituída por sua inicial x, que se tornou o símbolo universal do desconhecido (MAALOUF, 1991, p. 43).

Na ciência, como escreve Matthews (1995), a história pode ajudar a supera o “mar de falta de significação” que inunda as salas de aula de ciências. Acreditamos que a história da matemática pode ajudar os alunos e os professores a buscarem e conhecerem maneiras de trabalhar e entender a matemática de forma mais atraente, sendo assim, os alunos teriam outros olhos para a disciplina, vendo como uma matéria prazerosa de estudar.

Cremos que a utilização da história da matemática na sala de aula dá outra significação ao ato de “aprender” e, sem dúvida, todas as publicações e pesquisas que auxiliem alunos e professores nestas verdadeiras viagens onde mais do que encontrar os outros e encontra motivação para empreender novas aventuras são bem-vindas.

Segundo Schender (2013), a investigação tem por finalidade geral certificar a carência da história nos conceitos matemáticos, isto é, a falta da compreensão das questões fundamentais, para que o aluno encontre sentido nas respostas finais.

Essas investigações devem se tornar contextos básicos para influenciar diretamente no ensino da História da matemática como contextos básicos para tornar possível melhorias no aprendizado dos discentes.

Para Berlinghoff e Gouvêa (2012) “Cada etapa no desenvolvimento da matemática é construída com base naquilo que veio antes. […] Como e por que pensaram no que faziam muitas vezes é um ingrediente crítico para se entender sua contribuição”.

Este trabalho tem como objetivos: Analisar a importância da História matemática inserida no ensino Fundamental; Mostrar que o processo do descobrimento matemático é algo vivo e em desenvolvimento; Trabalhar a contexto de leitura matemática no ensino fundamental; Estimular e desenvolver estratégias para trabalhar a história da matemática com maior frequência nas aulas; Aprimorar e investigar os avanços e as dificuldades dos alunos com relação a história da matemática; Compreender a importância da História da Matemática como instrumento facilitador para resoluções de problemas.

A metodologia utilizada neste artigo será feita mediante pesquisa bibliográfica, onde a fundamentação teórica será baseada em livros, artigos publicados e tese sobre o tema: A História da Matemática no Ensino Fundamental

O ENSINO DA MATEMÁTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL

Nas ultimas décadas, percebemos no país uma série de profundas e rápidas transformações ocorrendo em todos os setores, tanto de ordem política como econômica e social. De modo que, no meio educacional, diferentes exigências estão sendo feitas na perspectiva de acompanhar o dinamismo e a rápida evolução tecnológica que atinge o mundo, e que satisfaça às demandas profissionais e pessoais, sem esquecer a qualidade do processo de ensino e aprendizagem.

Contextualizar a Matemática é essencial para todos. Afinal, como deixar de relacionar os Elementos de Euclides com o panorama cultural da Grécia Antiga? Ou a adoção da numeração indo-arábica na Europa como florescimento do mercantilismo nos séculos XIV e XV? E não se pode entender Newton descontextualizado. Alguns dirão que a contextualização não é importante, que o importante é reconhecer a Matemática como a manifestação mais nobre do pensamento e da inteligência humana… e assim justificam sua importância nos currículos (D’AMBROSIO, 2001).

D’Ambrosio (1999), destaca que a História da Matemática serve para professores e alunos, devido à relação que estabelece com a cultura dos povos, demonstrar que a Matemática pode também ser vista como parte dos costumes, valores e crenças dentro do processo evolutivo de um povo, como, aconteceu com os Babilônios, Egípcios e Hindus que desenvolveram os conceitos Matemáticos a partir das necessidades próprias de seus contextos sócio históricos.

As primeiras reflexões ou tentativas de trabalhar a didática da História da Matemática em sala de aula do ensino fundamental começou em décadas passadas, durante as discussões sobre mudanças no currículo de Matemática, fruto do movimento que intencionava abandonar a Matemática moderna. No entanto Baroni e Nobre (1999), apontam que História da Matemática como suporte didático para a contextualização de conteúdos ainda carece de um desenvolvimento metodológico para que sejam traçados procedimentos mais claros quanto à atuação do professor, na abordagem dos conteúdos curriculares.

Desvincular a matemática das outras atividades humanas é um dos maiores erros que se pratica particularmente na educação da Matemática. Em toda a evolução da humanidade, as ideias matemáticas vêm definindo estratégia de ação para lidar com o ambiente, criando e desenhando instrumento para esse fim e buscando explicações sobre os fatos e fenômenos da natureza e para própria existência (D’AMBRÓSIO, 1999, p. 97).

Segundo Pereira (2002), a História da Matemática ameniza esse status de disciplina exata que a Matemática possui, pois, mostra que os conteúdos ainda estão em evolução e pode vir acrescidos de novos elementos, o que, pode contribuir para a formação de alunos críticos em relação à construção do conhecimento humano, conscientes das condicionantes sócio históricas para a evolução dos conteúdos.

Portanto, a História da Matemática pode ser desenvolvida como estratégia de abordagem e motivação para o ensino dos conteúdos matemáticos. D’Ambrósio (1996) afirma que a História da Matemática é fundamental para o estabelecimento da Matemática como um elemento cultural, inverso ao modo mecanicista de considerá-la como algo exato, acabado e alheio às vicissitudes humanas.

Os alunos necessitam compreender a História da Matemática, com tudo isso favorecera melhoria no ensino aprendizagem e eles também passaram a ver a disciplina com outros olhos, deixando de vê-la como uma disciplina que nunca se apreende e passando ter um maior prazer para estudá-la e compreendê-la.

É importante salientar que a História da Matemática ajudará o aluno a perceber que a Matemática não é uma ciência isolada dos demais saberes, podemos ratificar estas concepções segundo Miguel e Miorim (2004, p. 33) onde simplifica as contribuições da seguinte forma:

(1)  A  matemática  como  uma  criação  humana;  (2)  as  razões  pelas  quais  as pessoas  fazem  Matemática;  (3)  as  necessidades  práticas,  econômicas  e físicas que servem de estímulo ao desenvolvimento das ideias matemáticas; (4)  as  conexões  existentes  entre  matemática  e  filosofia,  matemática  e religião, matemática e lógica, etc.; (5) a curiosidade  estritamente intelectual que  pode  levar  a  generalização  e  extensão  de  ideias e  teorias;  (6)  as percepções  que  os  matemáticos  têm  do  próprio  objeto da  matemática,  as quais mudam e se desenvolvem ao longo do tempo; (7) a natureza da uma estrutura, de uma axiomatização e de uma prova.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

A presente pesquisa foi desenvolvida com 2 professores e 115 alunos do 6º ao 9º Ano do Ensino Fundamental de uma Escola Municipal Nova Nazaré – MT. Foi distribuído aos professores de matemática um questionário onde continha entre outras perguntas, as seguintes: Qual o nome da instituição onde conclui seu curso? Quando você estudava tinha muitas disciplinas teóricas? Teve alguma disciplina voltada sobre História da Matemática? Você enquanto professor acha importante História da Matemática para alunos do Ensino Fundamental? Usa História da Matemática com seus alunos? Entre os alunos foi distribuído um questionário perguntando primeiramente se eles gostam de histórias, e depois perguntas como: O professor de matemática conta História da Matemática dentro da sala de aula? Vocês acham a História da Matemática interessante? Presta atenção quando o professor relata sobre a mesma?

Os professores entrevistados relataram que a quantidade de aula da disciplina na grade curricular deixa quase impossível a realização de trabalhar com as histórias referente à matemática, alegando que o tempo é muito curto para ensinar todo o conteúdo anual, além de não terem estudo nenhuma matéria relacionada a História da Matemática quando estavam cursando a graduação. Todos concordaram que deve ser trabalhado a História da Matemática, buscando com isso introduzir um conhecimento mais complexo da matemática, para que os alunos passem a ter interesse pela matéria e deixar de vê-la como uma disciplina assustadora.

Parte dos discentes comentaram que tinham interesse pela a história da matemática e que achariam interessante que seus professores contassem como surgiu a matemática, pois facilitaria o ensino aprendizagem, sendo que na maioria das vezes eles já conhecem as fórmulas devidamente prontas, mas nunca sabe o contexto de seu surgimento. Verifiquei também que os próprios livros utilizados pelos alunos contextualizam a pouca existência da História da Matemática.

Verifiquei na análise dos questionários a pouca existência da História da Matemática no ensino aprendizagem. Ressalta-se ainda que os alunos da Escola Municipal Nova Nazaré apresentaram respostas superficiais sobre o tema trabalhando, sugerindo aos professores a utilização desse conteúdo como uma ferramenta para mudar a visão dos alunos em relação a disciplina, vendo-a como uma matéria primordial em seu contexto escolar e não tratar a mesma como impossível de compreender ou aprender.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui que os professores atuantes na Escola Municipal Nova Nazaré, localizada no município de Nova Nazaré – MT, que já tem um tempo maior de sala de aula, quando se formaram não tiveram uma disciplina específica sobre História da Matemática, pois os cursos visavam muito mais os cálculos e resoluções de problemas, esquecendo de trabalhar as histórias matemáticas.Conclui que os professores atuantes na Escola Municipal Nova Nazaré, localizada no município de Nova Nazaré – MT, que já tem um tempo maior de sala de aula, quando se formaram não tiveram uma disciplina específica sobre História da Matemática, pois os cursos visavam muito mais os cálculos e resoluções de problemas, esquecendo de trabalhar as histórias matemáticas. Tenho como sugestão que os Governantes ampliem os Cursos de Capacitação e Formação Continuada em História da Matemática para esses professores onde eles possam ter um maior contato com essa Tendência Matemática para assim utilizá-la dentro da sala de aula no processo de ensino-aprendizagem. Em relação aos livros didáticos sugiro a valorização da História da Matemática, já que a mesma pode ser a corrente elétrica entre a explicação do professor e a compreensão do aluno.

REFERÊNCIAS

BARONI, Rosa L.S. E NOBRE, Sergio. A pesquisa em história da Matemática e suas relações com a Educação Matemática, in BICUDO, Maria Aparecida Viggiani (org.) Pesquisa em Educação Matemática Concepções e Perspectivas. São Paulo: Editora UNESP, p. 129-136,1999.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais:Matemática/Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997.

BERLINGHOFF, William P., GOUVÊA, Fernando Q. A Matemática através dos tempos: um guia fácil e prático para professores e entusiastas. Trad. Elza F. Gomide e Helena Castro. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2012.

BOYER, Carl B. História da matemática. São Paulo. Edgar Bluch, Ed. da USP. 1974.

CARAÇA, Bento de Jesus. Conceitos Fundamentais da Matemática. Lisboa: Gradiva, 1998.

D’AMBROSIO, Ubiratan. A História da Matemática: Questões Historiográficas e Políticas e Reflexivas na Educação Matemática, in Bicudo, Maris Aparecida Viggiani (org.) Pesquisa em Educação Matemática: Concepções e perspectivas. São Paulo: Editora UNESP, p. 97, 1999.

FERREIRA, E. Sebastani. História e Educação Matemática. Cadernos CEDES, nº 40, Campinas: PAPIRUS, pg. 5-6, 1996.

LANGEVIN, Paul. O valor educativo das ciências. in gama, Ruy, (org), p. 9, 1992.

MAALOUF, Amin. Samarcanda. São Paulo: Brasiliense, 1991.

MATTHEWS, Michael R. História, Filosofia e Ensino de Ciências: A tendência de

Reaproximação. Florianópolis: CADERNO CATARINENSE DE ENSINO DE FÍSICA, Vol. 12(3), Dez. 1995.

MIGUEL, A.; MIORIM, M. Â. História na Educação Matemática: propostas e desafios. – Belo Horizonte: Autêntica, pg. 33, 2004.

PEREIRA, Luiz Henrique Ferraz. Teorema de Pitágoras – lembranças e desencontros na matemática. Passo Fundo: UFP, 2002.

SCHENDER, Wertz Klim; História da Matemática: A importância no processo do Ensino Aprendizagem na Educação Básica, (2013). Disponível em: http:/www.faculdadedoguaruja.edu.br/…/artigo11-a-importancia-da-historia-da-matematica. Acesso em: 17 de maio de 2016.

[1] Graduação em andamento em Matemática Centro Universitário Claretiano de Batatais, CEUCLAR, Brasil. Graduação em Química. Faculdade Cidade João Pinheiro, FCJP, Brasil.

[2] Mestrado em Bioengenharia pelo Interunidades Bioengenharia – EESC – IQSC – FMRP, Brasil. Coordenador Geral do PARFOR – Plataforma Frei do Centro Universitário Claretiano de Batatais , Brasil

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