Marketing: Evolução e Tendências

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CARVALHO, Suellen dos Santos [1]

CARVALHO, Suellen dos Santos. Marketing: Evolução e Tendências. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 05, Vol. 01, pp. 5-20, Maio de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

Este trabalho buscou fazer uma revisão bibliográfica sobre os principais conceitos de Marketing, no sentido de analisar as influências exercidas pelo contexto histórico da sociedade nas estratégias empresariais, pois o marketing das organizações teve que se adaptar, e continua se adaptando, ao contexto social. Também se efetuou uma breve revisão sobre as Eras do Marketing, expondo os principais pontos do Marketing 1.0, Marketing 2.0, Marketing 3.0 e o mais recente Marketing 4.0.  Posteriormente aprofundou-se nas características das Eras dos Marketings 3.0 e 4.0, por serem as mais recentes, e também por serem as que mais podem dar uma diretriz sobre as próximas tendências da ciência. Esta análise de entender a evolução do Marketing para prever o futuro é devido a ciência ser dinâmica e ter a necessidade de responder as expectativas da sociedade para alcançar seu objetivo. As empresas que acompanharem as evoluções certamente terão vantagens, em relação as que não fizerem.

Palavras-chave: Marketing, Evolução, Eras, Tendências.

1. INTRODUÇÃO

Este artigo tem por tema abordar a tendência das futuras gerações do marketing. Falar de tendência não é algo simples, para tentar explicar algo que possa acontecer, nos recorremos ao que tem sido a realidade até o momento. Pois entendendo como o mecanismo vivo funciona, podemos ter uma ideia das mutações que possam surgir nos próximos anos.

O objetivo primordial é analisar as alterações no foco do marketing ao longo dos anos. Verificar como o ambiente de negócios afetou (no passado) e afeta (no presente) o conceito de marketing e as estratégias das empresas, para termos um parâmetro no que pode afetar (no futuro) as diretrizes do Marketing.

A ciência do Marketing está presente na vida das pessoas, e graças às tecnologias e mudanças nos hábitos das mesmas, estão convivendo cada vez mais. As alterações na sociedade afetam diretamente na forma como as empresas devem agir para se manterem competitivas. A busca pela compreensão das transformações e essa ligação entre hábitos da sociedade e estratégias empresariais é o que justifica esse trabalho.

Embora seja uma ciência relativamente nova, comparada a outras, já passou por várias atualizações no decorrer desses anos, e entender como isso tem funcionado nos torna pessoas capazes de se adequar melhor a situação atual, e as tendências para o mercado das próximas gerações, seja como consumidor ou como empreendedor.

Num primeiro momento, vamos explicar o que significa o marketing. Abordando os principais conceitos, as principais definições, que facilitarão o entendimento de todo o conteúdo abordado neste trabalho. Qual é o objetivo da ciência, onde ela quer chegar, sua importância, e sua relação dinâmica com o mundo dos negócios.

Após as definições, vamos entender o processo histórico do marketing. Uma abordagem de forma sucinta que vai passear pelos perfis de estratégias empresariais de cada época, que é o que diferencia as Eras de Marketing. Veremos as particularidades de cada Era: Marketing 1.0, Marketing 2.0 e Marketing 3.0. Deixando claro qual é o foco de cada era, ou seja, onde os esforços estavam sendo centralizados de acordo com a demanda que era ditada pelo consumidor e o momento em que vive. E introduziremos o Marketing 4.0 nesse momento também.

No tópico a seguir nos aprofundaremos mais no Marketing 3.0, em sua origem, suas abordagens, no novo modo de relacionamento das empresas com seus clientes, nas três grandes forças que, segundo Kotler, Kartajaya e Setiawan, transformaram os consumidores. O Marketing 3.0 nos mostra que, além de si mesmos, os clientes também estão preocupados com o futuro da sociedade, ter valores é a palavra chave dessa Era.

Na sequência, vamos entrar na mais atual era, que é o Marketing 4.0, seu maior propósito, e as tendências recorrentes de seu uso. A recente bibliografia sobre o Marketing 4.0 nos estimula a pensar nas possibilidades futuras do marketing nas próximas gerações.

Com a exposição dos conceitos e das evoluções do marketing, esperamos dar uma base para entender a relação de dinamismo da ciência com o contexto social, pois assim será possível analisar com mais zelo o mercado, entender as suas transformações, e imaginar como poderá ser as futuras evoluções.

2. DESENVOLVIMENTO

O mundo mudou, na verdade, está em constantes adaptações. Gomes e Kury (2013, apud SILVA, ZUCHI, 2017, p. 02) comentam que com o início da Era da Informação, na década de 1990, os consumidores começaram a ter acesso à inúmeras fontes de informação, tendo poder de conhecer a fundo suas necessidades, de comparar produtos e marcas antes de efetivar uma compra.

O envolvimento dos clientes na gestão das empresas nunca foi tão presente. E isso se reflete na forma como as organizações e seus departamentos começam a agir no mercado.

As empresas bem-sucedidas já perceberam a importância de direcionar seus esforços para os clientes, os entendendo e os satisfazendo. Clientes bem atendidos ficam felizes com suas aquisições, e a empresa que vai além disso, que ainda supera as expectativas, gera valor superior a esses clientes. Dessa forma, a criação de valor da empresa com o cliente, traz uma recompensa que é revertida em lucro e rentabilidade, ou seja, um benefício recíproco.

Relacionamento com o cliente e valor são especialmente importantes hoje em dia. Ao se deparar com grandes mudanças tecnológicas e profundos desafios econômicos, sociais e ambientais, os clientes de hoje estão gastando com mais cautela e reavaliando seu relacionamento com as marcas. Por sua vez, nunca foi tão importante desenvolver forte relacionamento com o cliente baseado em valor real e duradouro. (KOTLER, ARMSTRONG, 2015, p.3)

Mas nem sempre foi assim, ao longo desse trabalho veremos que os conceitos de marketing vão se modificando de acordo com a época que é elaborado. E embora o marketing seja uma ciência nova, se comparada com outras, já passou por várias mudanças no seu foco. Não que tudo mude completamente, mas vai se sobrepondo um conceito no outro.

2.1 O significado da palavra Marketing

Ainda é muito comum as pessoas, de um modo geral, confundirem o significado de marketing com propaganda, ou vendas. Mas o marketing vai além disso, propaganda e vendas estão ligadas sim com o marketing, mas não são sinônimos, pois essas duas palavras são partes de um todo. A definição do que é o marketing é muito mais abrangente.

Cohen em seu livro, onde fala das melhores práticas de Peter Drucker (considerado o pai da Administração moderna) diferencia marketing e vendas da seguinte maneira:

O marketing foca no cliente e nos desejos do cliente. Portanto, o profissional de marketing precisa descobrir o que o cliente quer, para desenvolver, produzir, estocar, manter e fornecer o que o cliente quer. Esse é o objetivo: foco no cliente para manter e oferecer algo que o cliente quer. Já a venda foca no produto ou serviço disponível e na persuasão do cliente a comprar os itens em estoque. (COHEN, 2017, p.90)

Ou seja, os objetivos são diferentes, o que não os tornam sinônimos.

Segundo a Associação Americana de Marketing (AMA), marketing é “o processo de planejamento e execução de concepção, precificação, promoção e distribuição de ideias, bens e serviços para criar trocas que satisfaçam metas individuais e organizacionais”. (FOGGETTI, 2015, p.29).

Kotler e Keller (2013, p.2) veem a administração de marketing como “a arte e a ciência de escolha de mercados-alvo e da captação, manutenção e fidelização de clientes por meio da criação, da entrega e da comunicação de um valor superior para eles”.

Kotler e Armstrong (2015, p. 4) definem marketing “como o processo pelo qual as empresas criam valor para os clientes e constroem fortes relacionamentos com eles para capturar valor deles em troca”.

A palavra valor é muito usada nas definições de marketing. “O propósito de criar valor para o cliente acabou se tornando central para a definição de marketing”. (FERREIRA JUNIOR, 2017, p.30).

O significado de valor aqui não é referente a preço. Adicionar valor é muito mais do que uma simples troca comercial.

Para Ferreira Junior (2017, p.30), “O valor para o cliente resulta de uma diferença entre os benefícios obtidos por meio do consumo de determinado produto e os custos com que o consumidor teve de arcar para adquiri-lo ou usá-lo”.

“Ao analisar as definições de marketing vemos claramente a interdependência entre o estudo do comportamento do consumidor e a gestão mercadológica”. (FOGGETTI, 2015, p.29).

Drucker dizia que todas as empresas têm duas funções básicas: inovação e marketing, e devem zelar pela execução eficaz das duas (COHEN, 2017, p.87). O “Marketing de Drucker” compõe-se dos seguintes princípios e corolários de acordo com Cohen (2017, p.89):

– A primazia do marketing sobre todas as outras funções de negócios.

– A distinção fundamental entre marketing e vendas, na medida em que, teoricamente, o marketing perfeito dispensaria vendas.

– A possibilidade de marketing e vendas, além de não complementarem, serem de fato antagônicos.

– Foco no cliente e no valor para o cliente, em vez de em especulações sobre os desejos do cliente e sobre como avaliam nossas ofertas.

– Marketing como tema difuso que impregna toda a organização e cada departamento.

“O bom marketing não é acidental. Ele é resultado de um planejamento e uma execução cuidadosos, que utilizam as melhores e mais modernas ferramentas e técnicas”. (FOGGETTI, 2015, p.2).

As empresas devem estar atentas às novas tendências do mercado e gerir seus negócios da melhor forma que atendem às necessidades dela e de seus consumidores.

No que diz respeito à área de gestão, o conceito de marketing refere-se a uma série de funções, ferramentas e atividades que envolvem a concepção da ideia, a criação, o planejamento e o desenvolvimento de produtos ou serviços que têm como premissa básica satisfazer às necessidades de potenciais consumidores dos produtos ou serviços ofertados. (FERREIRA JUNIOR, 2017, p.27)

É importante destacar que aquelas empresas que conseguem identificar as mudanças no mercado e inserir as melhorias na sua estratégia organizacional angaria de uma vantagem competitiva.

A vantagem competitiva, por sua vez, gera uma posição de mercado superior e duradoura para determinada empresa, obtida pela competência dominada pela organização detentora dessa vantagem e que não pode ser copiada pela concorrência. (FERREIRA JUNIOR, 2017, p.30)

Como o marketing está diretamente relacionado com as evoluções sofridas pelas sociedades, é de fácil entendimento que a sua definição é um processo dinâmico, e como stakeholders desse processo, nos torna útil entender como tem sido as mudanças até o momento, para tentar prever como poderá ser para os próximos anos.

2.2 As eras do Marketing

Com a Era Industrial, período onde houve uma grande explosão de ofertas de produtos industrializados no mercado, o marketing teve suas atenções voltadas no próprio produto. A intenção era disponibilizar aos consumidores o que a empresa fornecia, sem se preocupar com a opinião destes. Produtos padronizados, onde o ganho era obtido através da quantidade vendida, ganhos de escala, onde os custos são reduzidos por conta da quantidade fabricada, tornando os preços menores e assim atingindo uma parcela maior da população. Algumas empresas, da nossa época atual, ainda optam por trabalhar desta forma. Conhecido como Marketing 1.0, é centralizado no produto, em vender produto.

Um declínio na atividade econômica fez com que, para estimular demanda, as empresas alterassem a maneira de entregar seus produtos/serviços. O foco do marketing teria de ser mudado.

Os profissionais de marketing perceberam que, para gerar demanda, o “cliente” deveria substituir o “produto” no âmago de todas as atividades de marketing. Introduziu-se, então, a disciplina de gestão do cliente, inclusive estratégias como segmentação, definição de mercado-alvo e posicionamento. (KOTLER et al., 2012, e-book não paginado)

Então o marketing passou a focar no consumidor, deixou de ter uma visão tática para ter uma visão estratégica.

Com o surgimento de novas tecnologias, e novos pensamentos, a atual Era da Informação ganhou grandeza. As pessoas passaram a se informar mais, ter mais conhecimento sobre as empresas e os produtos, começaram a diferenciar e selecionar melhor suas opções. Foi perceptível que as empresas que mantêm um relacionamento mais próximo com seus clientes usufruem de benefícios como uma maior lucratividade, fidelização, e maior rentabilidade. Nesse momento, ouvir o que o cliente tem a dizer se tornou essencial para uma boa gestão estratégica, o que proporciona uma vantagem competitiva mais duradoura para as organizações. “Os profissionais de marketing de hoje tentam chegar ao coração e à mente do consumidor” (KOTLER et al., 2012, e-book não paginado). O marketing de relacionamentos, ou marketing 2.0 como ficou conhecido, e atualmente é o mais usual, é centrado no cliente, o foco é satisfazer e manter esses consumidores.

Hoje em dia, estamos presenciando o marketing 3.0, onde o produto e o cliente continuam sendo focados, e agora entra no contexto a questão de valores, a Era voltada para os valores. O marketing 3.0 está centrado no ser humano, Kotler et al. (2012, e-book não paginado) afirmam que “a lucratividade tem como contrapeso a responsabilidade corporativa”.

Surgem as preocupações das empresas em relação à imagem, ao valor da marca, a responsabilidade social, a sustentabilidade, ou seja, há uma intenção de fazer do mundo um lugar melhor. O consumidor está atento a missão, visão e valores das empresas, e segundo Kotler et al. (2012, e-book não paginado) “buscam não apenas satisfação funcional e emocional, mas também satisfação espiritual, nos produtos e serviços que escolhem”.

Como uma evolução natural do conceito de Marketing 3.0, surge o Marketing 4.0.

Recentemente, os profissionais de marketing desenvolveram novas abordagens de marketing, que desde sites criativos e aplicativos para smartphones até redes sociais e blogs. Essas novas abordagens fazem mais que simplesmente despejar mensagens para as massas: elas alcançam você de maneira direta e pessoal. As empresas de hoje querem se tornar parte de sua vida e enriquecer suas experiências com a marca delas – para ajudar você a viver as marcas dela. (KOTLER, ARMSTRONG, 2015, p. 4)

“ No livro Marketing 4.0, Kotler, Kartajaya e Setiawan, admitem o momento atual da sociedade como uma era de transição, que requer uma nova abordagem de marketing” ( COSTA, 2017, p.54). Essa transição se refere a uma mudança na postura da ciência do marketing, “os autores abordam a mudança de paradigmas e de diretrizes de um modelo de marketing tradicional para o digital”. (COSTA, 2017, p.54).

2.3 Marketing 3.0

O Marketing 3.0 teve origem na Ásia, no ano de 2005, em uma empresa de marketing liderada por Hermawan Kartajaya. Philip Kotler, conhecido como o pai do marketing moderno, aprimorou o conceito e lançou o livro Marketing 3.0 em 2010 no Brasil. Chegamos em um novo rumo no marketing, como afirma Kotler et al. (2012, e-book não paginado):

Portanto, o marketing evoluiu. Na primeira fase, o marketing era orientado pela transação, concentrava-se em como efetuar a venda. Na segunda fase, o marketing tornou-se orientado para o relacionamento – como fazer o consumidor voltar e comprar mais. Na terceira fase, convida os consumidores a participar do desenvolvimento de produtos da empresa e de suas comunicações. (KOTLER et al., 2012, e-book não paginado)

O Marketing 3.0 surgiu com a ascensão de três grandes forças: a era da participação, a era do paradoxo da globalização e a era da sociedade criativa. Essas três grandes forças transformaram os consumidores, tornando-os mais colaborativos, culturais e voltados para o espírito. (KOTLER et al., 2012, e-book não paginado).

Na era da participação, as pessoas criam e consomem notícias, ideias e entretenimento. Um dos fatores que permitiram a nova onda de tecnologia foi a ascensão das mídias sociais, que podemos classificar em duas categorias: mídias sociais expressivas (como blogs, twitter, Facebook) e mídias sociais colaborativas, como o Wikipedia. (KOTLER et al., 2012, e-book não paginado).

“Ao contrário da tecnologia, a globalização é uma força que estimula o equilíbrio. Em busca do equilíbrio certo, a globalização muitas vezes cria paradoxos”. (KOTLER et al., 2012, e-book não paginado). Os autores enumeram três paradoxos da globalização: o político, o econômico e o “sociocultural da globalização, que tem impacto mais direto sobre indivíduos ou consumidores”. (KOTLER et al., 2012, e-book não paginado).

Na era da sociedade criativa:

Uma das principais características das sociedades avançadas e criativas é o fato de as pessoas acreditarem na autorrealização, além de suas necessidades primárias de sobrevivência. São cocriadores expressivos e colaboradores. Como seres humanos complexos, acreditam no espírito humano e estão atentos a seus desejos mais profundos. (KOTLER et al., 2012, e-book não paginado)

Kotler et al. (2012, e-book não paginado) afirmam que os novos conceitos de marketing são sempre uma reação às mudanças no ambiente de negócios, como recessão, preocupações com o meio ambiente, novas mídias sociais, empowerment do consumidor, nova onda de tecnologia e globalização.

A sustentabilidade e questões ambientais passaram a ser temas de maior relevância:

Diante de consumidores cada vez mais sensíveis e da regulamentação governamental, empresas inteligentes estão trabalhando de maneira criativa, tendo em mente a eficiência de energia, a medição do nível de carbono, a toxidade, e a questão do descartável. Algumas estão preferindo fornecedores locais, em vez de outros mais distantes. (KOTLER, KELLER, 2013, p. 391)

Kotler durante o segundo dia de palestra na HSM Expomanagement 2010 (site Exame, 2010) disse que “A missão do marketing 3.0 nas empresas consiste em estabelecer um elo com o cliente, promover a sustentabilidade no planeta e melhorar a vida dos pobres. Se você criar um caso de amor com os seus clientes, eles próprios farão a sua publicidade”. Essa última frase vem a ser muito similar com as ideias de Peter Drucker:

Como o objetivo do marketing é desenvolver o produto ou o serviço perfeito, almejado pelo cliente potencial, se você já o tem e ele é bem conhecido, os consumidores satisfeitos provavelmente o divulgarão, sem necessidade de uma grande campanha de vendas, para apresentar o produto aos clientes potenciais e para convencê-los a comprá-lo. (COHEN, 2017, p.91)

O avanço das tecnologias e o empoderamento dos consumidores ganham destaque nesse novo momento. “A internet possibilita um aprofundamento e uma abrangência sem precedentes na comunicação e na distribuição, e sua transparência exige que as empresas sejam honestas e autênticas.” (KOTLER, KELLER, 2013, p. 391).

“Em poucos anos, chegaram os dispositivos móveis, mídias sociais, plataformas de comércio eletrônicos e diversas outras ferramentas que mudaram a forma das pessoas se relacionarem, e com isso, um grande impacto foi provocado nas ferramentas do marketing em geral.” (SILVA, ZUCHI, 2017, p. 02).

No marketing 3.0, observamos um aumento na participação e cooperação ativa do consumidor dentro das empresas, mostrando que o elemento básico dessa modalidade de marketing é a colaboração e o foco nos valores. Além disso, um dos pilares que sustentam o marketing 3.0 é a comunicação, que tem como grande propulsora a tecnologia. Assim podemos afirmar que o marketing 3.0 está mais ligado ao marketing digital e à era tecnológica. (FERREIRA JUNIOR, 2015, p. 49 e 50)

“As empresas continuarão utilizando mais as mídias sociais e menos as mídias tradicionais” (KOTLER, KELLER, 2013, p.391).

Barreira e Lasalvia (2008 apud SILVA, ZUCHI, 2017, p.05) destacam algumas vantagens do marketing digital:

  • Baixo custo: anunciar na Internet pode ser considerado mais barato se comparado aos meios tradicionais como rádio e televisão, além de poder atingir muitos consumidores potenciais de forma mais assertiva.
  • Marketing um a um: talvez esse possa ser um dos elementos mais importantes causados pela introdução da Internet nos negócios. A possibilidade de interagir e adaptar a comunicação para cada cliente, ofertando produtos e serviços de acordo com os desejos e necessidades dos consumidores.
  • Formação de banco de dados: navegando por websites, diversas informações de identificação são gravadas e reunidas em banco de dados. Essas informações ajudam empresas a conhecerem seus clientes e podem ser úteis para a segmentação de mercado, promoções, etc.

Para os autores Kotler, Kartajaya e Setiawan, nomes de peso nessa área do marketing, a tendência será a convergência do marketing tradicional para o digital, o que deu origem a sua obra mais recente, o livro Marketing 4.0: do tradicional ao digital, lançado no Brasil em 2017.

2.4 Marketing 4.0 e as próximas tendências

O propósito do marketing 4.0 é fortificar a relação entre o consumidor e a marca, a ponto dele se tornar um defensor, um advogado da marca.

Assim, o marketing 4.0 surge como uma solução para compreender essa possibilidade, uma vez que tem como principal essência reconhecer essas mudanças para melhor aproveitar seus potenciais. É saber usar bem suas ferramentas de marketing para proporcionar uma experiência com a marca demasiadamente prazerosa ao ponto de fidelizar o cliente, mas não no sentido de lealdade que estamos habituados. (MONTEIRO, BARRETTO, 2017, p.03)

Sabemos que um consumidor influencia muito mais o outro do que qualquer tentativa de influência por meio de campanhas publicitárias. O cliente, de hoje em dia, acredita mais em um outro consumidor do que confia em um especialista.

A principal orientação do livro marketing 4.0 é de que o marketing e os profissionais que atuam nessa área devem ser, acima de tudo, flexíveis, dinâmicos e com recorrente capacidade de adaptação. A principal premissa é de que o marketing deve se adaptar à natureza mutável dos caminhos percorridos pelos clientes na economia digital. (COSTA, 2017, p. 55)

“Da obra anterior, mantem-se a percepção de que as pessoas querem, cada vez mais, uma relação pessoalizada, com calor e valores humanos” (COSTA, 2017, p. 55), ou seja, uma relação mais profunda.

Os hábitos da sociedade, cada dia mais, nos mostra que a convergência tecnológica inevitavelmente levará à convergência entre marketing digital e tradicional. “Marketing digital é a atividade estratégica da empresa que utiliza ferramentas de marketing por meio da internet.” (FERREIRA JUNIOR, AZEVEDO, 2015, p. 60).

As pessoas estão cada vez mais conectadas e interligadas, o comportamento da sociedade está visivelmente diferente de poucos anos atrás. E para continuar atingindo esses consumidores o marketing deve acompanhar essa evolução.

Assim, compreendemos que o modelo de comunicação tem mudado, fazendo as empresas deixarem de lado o monólogo, característico da mídia tradicional, para investir em diálogo, cada vez mais presente nas mídias sociais. Também muda o modelo de interrupção, típico da publicidade tradicional, para o de envolvimento. (FERREIRA JUNIOR, AZEVEDO, 2015, p. 161)

Sendo assim, o que podemos esperar para os próximos anos é um relacionamento cada vez mais próximo entre clientes e empresas. O marketing digital é o presente e o futuro, e para continuar atendendo a sua finalidade, ele estará sempre acompanhando o comportamento da sociedade. As empresas devem estar atentas às tendências mercadológicas, para adequarem suas estratégias empresariais e se manterem vivas nesse ambiente tão competitivo e dinâmico.

3 METODOLOGIA

Neste artigo utilizou-se a abordagem qualitativa, visto que o foco são as relações sociais e sua dinâmica com a ciência do Marketing. Pesquisou-se autores, como Kotler, Kartajaya e Setiawan, assim como artigos cuja linha de pesquisa compreende a evolução do pensamento de marketing.

Inicialmente buscou-se fazer uma revisão bibliográfica sobre todo o assunto, inventariados livros, sites e artigos sobre o Marketing, em especial os seus conceitos e as Eras de Marketing.

Após o inventário dessa bibliografia, efetuou-se um fichamento dos principais conceitos e ideias expostas por cada um desses textos. Utilizou-se o método histórico ou método de revisão teórica para correlacionar conceitos e o método comparativo para evidenciar semelhanças e diferenças ocorridas ao longo dos anos.

Este artigo caracteriza-se como uma pesquisa explicativa visto que registra fatos, suas análises, interpreta-os a partir de sua teorização e síntese, com o objetivo de explicar o que vem ocorrido com o marketing ao longo desses anos, identificando os fatores que afetam o processo.

4. DISCUSSÃO

Entender como tem evoluído o conceito de marketing e qual a tendência para os próximos anos foi o problema de pesquisa desse artigo. Para responder esses questionamentos foi necessário um levantamento teórico, e a partir deles fazer uma análise histórica para tentar prever o futuro próximo. Uma análise a longo prazo não seria possível visto que, como foi verificado, Marketing é uma ciência bem dinâmica que acompanha as transformações da sociedade, e estas estão mudando constantemente, principalmente por motivos de evoluções tecnológicas.

De acordo com os conceitos expostos nesse artigo, as Eras do Marketing podem ser resumidas da seguinte forma:

 Eras  Pontos principais
 Marketing 1.0  Centrado no produto Produtos padronizados Ganhos de escala Consumidor não era consultado
 Marketing 2.0  Foco no cliente Gestão de relacionamento Cliente passou a ser ouvido
 Marketing 3.0  Era dos valores Missão, visão e valores da empresa são observados Responsabilidade social, sustentabilidade, comunicação são questões importantes Clientes mais participativos, colaborativos
 Marketing 4.0  Era de transição entre marketing tradicional para o digital Fortificação na relação do cliente com a marca Cliente cada vez mais inserido no contexto das empresas

Cada Era possui a sua devida ênfase, mas é importante salientar, que os conceitos das Eras anteriores não são descartados, e sim, é adicionado uma nova ênfase de acordo com o perfil histórico da sociedade. Principalmente a partir do Marketing 2.0, onde o cliente, a cada Era, se torna cada vez mais empoderado.

O que se foi observado é que há uma tendência cada vez maior de participação dos consumidores nas decisões empresariais:

Figura 1 
Figura 1

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As estratégias empresariais vão seguindo as tendências do mercado. Clientes estão inseridos em um meio social, e esse ambiente vai se alterando com o passar dos anos, devido a surgimentos de novas tecnologias, novas rotinas, novos comportamentos. O que atendia consumidores há 20 anos atrás, hoje já não atende mais, pois as pessoas se tornaram mais exigentes, mais seletivas, mais participativas também. Esse empoderamento do consumidor leva as empresas a se adequarem ao novo contexto.

A grande tendência do mercado atual é valorar as relações com os clientes, promover um envolvimento emocional, fazer com que o que é oferecido pelas empresas realmente façam parte da vida do consumidor. E as pessoas também estão fazendo parte da “vida” da empresa. As estratégias não são feitas mais para as pessoas, e sim COM elas. O grande fator que trouxe esse conceito foi o avanço das tecnologias, junto com a mudança de comportamento da sociedade.

O marketing digital possibilitou algo que antes não era possível, ou pelo menos não tão visível como é hoje, como a participação, a cooperação, dos clientes na empresa. Ele deu voz aos consumidores, e voz com um microfone, pois as informações hoje são mais compartilhadas. E as empresas que conseguirem se beneficiar disso, estarão bem colocadas no mercado.

O que vem pela frente? Não sabemos. Mas a história nos mostra que as novas tecnologias e os novos usos das já existentes não vão parar por aqui. Surgirão inovações, novos comportamentos, novos pensamentos, que afetarão o mundo dos negócios. E nesse momento, novamente o conceito de marketing se adaptará para se manter vivo e fazer sentido num mundo tão dinâmico, serão definidas novas estratégias, novas diretrizes e quem sabe mais o quê, pois nesse mercado tão competitivo, o que faz a diferença é a capacidade de se adequar à nova realidade.

REFERÊNCIAS

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COSTA, C. G. A. Gestão de mídias sociais. Curitiba : InterSaberes, 2017

FERREIRA JUNIOR, A. B. Caminhos do marketing: uma análise de vertentes mercadológicas. Curitiba: Intersaberes, 2017

FERREIRA JUNIOR, A. B.; AZEVEDO, N. Q. Marketing digital: uma análise do mercado 3.0. Curitiba: InterSaberes, 2015

FOGGETTI, C. Comportamento do consumidor e pesquisa de mercado. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015

KOTLER, P. et al. Marketing 3.0: as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012

KOTLER, P.; ARMSTRONG, G. Princípios de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015

KOTLER, P.; KELLER, K. L. Marketing essencial: conceitos, estratégias e casos. 5. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013

MONTEIRO, A. H.; BARRETTO, A. G. P. Marketing 4.0 e a Cultura de Fãs: Potterheads comprovam que, mais uma vez, Kotler está certo. In: XIX Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste, Fortaleza. Disponível em : <http://www.portalintercom.org.br/anais/nordeste2017/lista_area_DT02.htm> Acesso em: 30.11.2017

REDAÇÃO. Philip Kotler propõe às empresas o conceito do marketing 3.0. Exame, nov. 2010, marketing. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/marketing/philip-kotler-propoe-as-empresas-o-conceito-do-marketing-3-0/ >. Acesso em: 26.11.2017

SILVA, G. F.; ZUCHI, J. D. IMPACTOS DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO SOBRE O MARKETING. Revista Interface Tecnológica, [S.l.], v. 14, n. 1, p. 12, jul. 2017. ISSN 2447-0864. Disponível em: <http://159.203.166.88/index.php/interface ztecnologica/article/view/143>. Acesso em: 27.12.2017.

[1] Pós-graduada em Planejamento e Gestão Estratégica pela UNINTER, bacharel em Engenharia de Produção pela UCAM

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