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Uma Reflexão Sobre a Importância do Design Sustentável para o Meio Ambiente.

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Uma Reflexão Sobre a Importância do Design Sustentável para o Meio Ambiente.
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COMARU, Lucas Fernandes [1]

COMARU, Lucas Fernandes. Uma Reflexão Sobre a Importância do Design Sustentável para o Meio Ambiente. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 9. Ano 02, Vol. 05. pp 58-73, Dezembro de 2017. ISSN:2448-0959

Resumo

O presente artigo analisa de forma qualitativa e quantitativa o comportamento do consumidor, os impactos ambientais e apresentam as principais características do Design Social, Eco Design e Design Sustentável, suas diretrizes e a relação entre eles. Busca causar uma reflexão nos designers e mostrá-los caminhos alternativos de executar seus projetos de forma que venham preservar o equilíbrio ambiental.

Palavras-Chave: Design Sustentável, Impactos Ambientais, Meio Ambiente.

1. INTRODUÇÃO

O avanço tecnológico das últimas décadas aliado ao arranjo consumista imposto desenfreadamente na sociedade vem aumentando a utilização da Obsolescência Programada[2] por parte da indústria. Uma prática que vem gerando cada vez mais resíduos os quais, em sua maioria, não são biodegradáveis.

O estilo pode definir a durabilidade de um objeto, pois ele pode ficar “fora de moda” num curto espaço de tempo. As tendências podem colaborar com as vendas de uma empresa, mas frequentemente é um problema para a sustentabilidade (BRANDÃO, 2007, p.23).

O que compramos hoje pode rapidamente ser substituído por outro objeto, sem que levem em consideração os impactos ambientais negativos que esse resíduo vai gerar. Comprometendo, assim, o equilíbrio ambiental para as gerações futuras.

O design sustentável é uma alternativa que vem sendo utilizada com o objetivo de diminuir ao máximo os impactos ambientais, maximizar os objetivos econômicos, o bem-estar social e propor um valor de responsabilidade de não prejudicar o meio ambiente (PAZMINO, 2007, p.8).

A natureza é prejudicada quando é forçada a acompanhar a velocidade de produção tecnológica com os seus recursos naturais, que muitas vezes não tem o tempo necessário para se regenerarem, podendo dar origem à escassez de matéria-prima. Portanto, “é difícil que uma sociedade que quer se movimentar cada vez mais velozmente seja também sustentável do ponto de vista ambiental” (BRANDÃO, 2007, p.25).

Atualmente a visão ambiental do designer gráfico, a partir da concepção de um profissional que cuida somente da comunicação visual, está cada vez mais extinta. O nosso planeta vem desenvolvendo necessidades não tão novas, mas que infelizmente só agora estão recebendo a atenção que merecem entre os profissionais da área.

2. OBJETIVO

O presente artigo visa entender um pouco do comportamento do consumidor nos tempos atuais e refletir acerca da importância do design sustentável para o meio ambiente, de forma que possa conscientizar os profissionais da área do Design Gráfico sobre as vantagens de se fazer um projeto sustentável.

A importância desse artigo consiste no fato de que o Designer Gráfico não deve se limitar apenas aos aspectos visuais, funcionais e estéticos do projeto gráfico, mas também nos impactos ambientais que algumas vezes ainda não são levados em consideração.

3. METODOLOGIA

Se trata de um estudo quantitativo e qualitativo com base em pesquisas bibliográficas, documentários a respeito do assunto Eco Design e de assuntos que se aproximem do tema a ser abordado.

4. Desenvolvimento

Falaremos a seguir sobre o comportamento do consumidor no século XXI onde entenderemos um pouco de seus hábitos e os impactos ambientais negativos que isso trás para o meio ambiente. Será abordado em outro tópico sobre os consumidores e as empresas verdes onde será mostrado suas características básicas e citado um exemplo do nosso cotidiano e, em seguida, veremos sobre o Design Social e Eco Design que se faz necessário para entendermos o Design Sustentável..

4.1 Comportamento do consumidor no século XXI

O poder aquisitivo do consumidor brasileiro vem aumentando com o decorrer dos anos, podemos notar “com o advento do acesso da classe C ao consumo” (PAIXÃO, 2012, p.35). Observamos na Tabela 1, a seguir, o consumo anual de cada uma das classes sociais e veremos o atual poder de compra das classes C, D e E em relação às demais e o quanto elas já superaram a classe média no que diz respeito ao consumo.

Tabela 1 – Consumo anual Brasileiro

Classe Consumo
Classe A R$ 213 bilhões
Classe B R$ 301 bilhões
Classe C,D e E R$ 372 bilhões

Fonte (PAIXÃO, 2012, p.36)

De acordo com os dados acima, há uma tendência a uma maior quantidade de compras e consequentemente uma maior quantidade de resíduo e consumo de energia na fabricação e no uso desses novos produtos que visam atender as necessidades dos consumidores.

Entre 2006 e 2010, o aumento do consumo foi de 11,31%, quase duas vezes maior que o crescimento da população no período, segundo relatório da Empresa de Pesquisa Energética, devido ao crescimento da economia e a consequente ascensão das classes menos favorecidas. As projeções para 2011 indicam que a expansão chega a 17%, elevando o consumo para 2.494 kWh/hab e a previsão é de que até 2020 o consumo chegue a 3.728 kWh/hab (MACROPLAN, 2012, p.7).

A aquisição de produtos se tornou uma necessidade, física, psicológica, emocional e social. As pessoas trabalham para consumir e satisfazer essas necessidades (casa, carro novo, móveis confortáveis, eletrônico de última geração). O marketing é na maioria das vezes o responsável por estudar o comportamento do consumidor e convencê-lo a trocar seu objeto por outro mais moderno e/ou sofisticado, muitas vezes sem levar em conta o esgotamento dos recursos naturais, explorando-os com frequência de maneira degradante e irreversível (SILVEIRA; PINHEIRO; ROSSI, 2010).

O mercado é baseado em tendências que duram de um a cinco anos, portanto, é possível afirmar que um produto (principalmente do seguimento tecnológico que tem um ritmo de evolução muito acelerado) atualmente é feito com uma vida útil ou um prazo de validade subjetivo, não vem descrito na embalagem, no rótulo e muito menos no próprio produto, mas ao adquirí-lo você sabe que em um determinado período de tempo (geralmente não muito longo), este produto irá se tornar obsoleto e será substituído por um modelo novo que irá adentrar no mercado.

Por outro lado, tendo consciência disso, o consumidor se torna cada vez mais exigente com relação aos impactos ambientais negativos e enxergam as empresas com responsabilidades socio-ambientais de uma maneira mais positiva e com um diferencial. Segundo pesquisas da Macroplan (2012), uma experiente empresa brasileira de consultoria, o consumo responsável está entre as principais tendências de consumo para os próximos 20 anos e diz o seguinte:

O consumidor brasileiro está mais preocupado com a aquisição e o uso de produtos e serviços sócio-ambientalmente sustentáveis. Além disso, diversas leis de regulação ambiental têm sido criadas e estão colaborando para maior conscientização da sociedade. […] Nesse contexto, o consumidor desejará obter cada vez mais informações sobre os produtos oferecidos, desde a aquisição de matérias-primas, passando pelo processo de fabricação, até o destino final (MACROPLAN, 2012, p. 3).

Com a popularização da internet na década de 90 e o crescente número de usuários desse meio, o acesso a informação fica cada vez mais fácil, dando ao consumidor a autonomia de pesquisar, fiscalizar e cobrar das empresas o seu dever com relação ao meio ambiente. Atualmente algumas empresas estão utilizando o design sustentável de maneira errada para gerar valor à marca, sendo muitas vezes mais um slogan ou estratégia de vendas que atitudes inovadoras (SILVEIRA; PINHEIRO; ROSSI, 2010).

4.2 Impactos Ambientais

É sabido que durante todo o século XX as empresas tiraram muito mais da natureza que repuseram e se não tomarmos cuidado em relação a este fato a tendência será aumentar. Os números aumentaram na última década, principalmente no que diz respeito ao crescimento populacional (e um provável aumento do consumo), aumento do número de veículos motorizados (e consequentemente a liberação de poluentes por queima de combustíveis), consumo de água e de papel. Este último muito utilizado na grande maioria das embalagens que vemos no cotidiano e a água também muito utilizada no processo de fabricação do papel. Veja no Gráfico 1 o crescimento de algumas das atividades humanas ao longo dos três últimos séculos que podem ser de grande relevância para o meio ambiente.

Gráfico 1 – Crescimento das atividades humanas. Fonte (ALENCASTRO, 2012, p.36)
Gráfico 1 – Crescimento das atividades humanas. Fonte (ALENCASTRO, 2012, p.36)

Como indicado no Gráfico 1, a população vem crescendo consideravelmente nos últimos anos e por consequência da falta da educação ambiental de alguns, junto a este crescimento estão algumas consequências. O Brasil atualmente já enfrenta problemas como a falta de água, o desmatamento (para diversos fins, dentre eles a produção de papel), e o aumento das emissões de gases poluentes com a grande frota de veículos no país.

No primeiro episódio do documentário “Sem Floresta Não Tem Água” (Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?t=47&v=S0uUYiP1cLY>. Acesso em 22 de maio de 2015. Greenpeace, 2015) é possível ver que o desmatamento em torno dos rios afeta diretamente o volume de água. A represa Paraibuna (uma das represas que forma o sistema do rio Paraiba do Sul) é responsável pelo fornecimento de água a 8 milhões de pessoas no Rio de Janeiro. Em maio de 2014 a represa contava com 40% do volume total de água, já no mesmo período desse ano, conta apenas com 4% e 87% da bacia do Paraíba do Sul encontra-se desmatada. Os danos são praticamente irreversíveis e quase não se ver água na represa. Tomando como base os dados do consumo de água do Gráfico 1 e analisando a situação da represa Paraibuna é possível ver que estamos seguindo rumo ao colapso.

Não se pode afirmar se as empresas que contribuem para a degradação do meio ambiente tem consciência disso, porém, mudar esse quadro é uma tarefa muito complexa, tendo em vista que terá que mudar boa parte do processo produtivo no qual já estão acostumados a trabalhar e isso também requer um investimento alto tanto de tempo quanto de dinheiro que nem sempre as empresas estão dispostas ou preparadas para pagar.

4.3 Consumidor e empresas verdes

Em um mercado onde a concorrência é muito grande o Design Sustentável pode ser agregado ao produto como um diferencial. Existe um novo perfil de consumidor no mercado, chamado: Consumidor Verde. Essas pessoas tem como principais carcterísticas: “[…] pagar mais caro por um produto ambientalmente responsável, ele não adquire produtos sem o selo de produto ecologicamente responsável, prefere produtos com embalagens recicláveis e biodegradáveis, entre outros comportamentos.” (http://www.administradores.com.br/artigos/marketing/o-consumidor-verde-e-a-pressao-por-produtos-ecologicamente-corretos/29273/, acessado em 10/05/2015)

As crianças de hoje já são educadas ambientalmente bem mais do que a geração passada e é com esse novo tipo de consumidor que devemos nos preocupar de hoje em diante, pois em um futuro bem próximo eles serão a maioria e quem não acompanhá-los estará fadado ao fracasso.

Pensando nisso já é possível encontrarmos várias empresas no mercado que são conhecidas como “empresas verdes”. A Centauro, empresa do seguimento esportivo, já adota o conceito de sustentabilidade. Ao consumir algo em suas lojas o cliente recebe uma sacola de compras cujo 90% da matéria-prima é origem renovável. Observe na Figura 1 que ela procura deixar essa característica visível ao cliente, assim como o método que foi utilizado para medir o conteúdo renovável, no caso, ASTM D6866, para usar isso como um diferencial dentro do mercado no qual atua.

Figura 1 – Sacola de produtos da Centauro. Fonte: Elaborada pelo Autor
Figura 1 – Sacola de produtos da Centauro. Fonte: Elaborada pelo Autor

Isso dá início a um novo segmento de mercado e a partir de agora devemos focar também nesse tipo de consumidor que já é tendência.

4.4 Entendendo o Design Sustentável

O Design sustentável tem como principal característica projetar soluções que garantam a manutenção do meio ambiente para as gerações futuras,  Engloba mais dois outros aspectos do design que são: Design Social e Eco Design que serão abordados com mais detalhes a seguir.

4.4.1 Design Social

Tem como principal característica o design voltado para a sociedade. Deve atender as necessidades de indivíduos desfavorecidos, social, cultural e economicamente. Atua em áreas onde tem pouco interesse dos Designers.

Como podemos ver na Figura 2, o Design Social deve ser socialmente benéfico e economicamente viável. Deve priorizar os aspectos sociais em todos os estágios da produção e garantir a qualidade de vida para o indivíduo (PAZMINO, 2007, p. 3).

Figura 2 – Infográfico Design Social. Fonte: (PAZMINO, 2007, p. 3)
Figura 2 – Infográfico Design Social. Fonte: (PAZMINO, 2007, p. 3)

Nesse aspecto do design, assim como nos outros que veremos posteriormente, é necessário que o Designer tenha um perfil interdisciplinar ou que coloque pessoas de outras áreas do conhecimento para que possa ajudar no desenvolvimento do projeto. Como veremos a seguir na Figura 3, os fatores sociais e econômicos são os principais, porém, entre eles hás outros fatores importantes que são: funcionais, ergonômicos, culturais, tecnológicos, estéticos e ambientais.

Figura 3 – Infográfico Fatores do Design Social. Fonte: (PAZMINO, 2007, p. 4)
Figura 3 – Infográfico Fatores do Design Social. Fonte: (PAZMINO, 2007, p. 4)

É visto também muitas vezes como um desafio para o Designer, que precisa sair da sua zona de conforto e estudar as dificuldades e problemas das pessoas que vivem a sua volta. A seguir, na Tabela 2, veremos as principais diferenças entre o design social e o design formal, o segundo refere-se ao que estamos mais acostumados a presenciar em nosso cotidiano.

Tabela 2 – Design social e Design formal

Design social Design formal
Pequena escala de produção Grande escala de produção
Mercado: Local Mercado: Local e Global
Tecnologia adequada Alta tecnologia
Orientado a população baixa renda, excluídos, idosos, deficientes Orientado ao mercado
Maximiza a função prática Maximiza a função simbólica
Baixo custo Custo médio e alto
Inclusão social Satifazer necessidades emocionais

Fonte (PAZMINO, 2007, p. 4)

Para Pazmino (2007, p.4), a partir desses parâmetros “é possível estabelecer algumas diretrizes de projeto de forma a que os produtos industriais e visuais forneçam aos usuários outros benefícios econômicos duradouros e mais justos socialmente.” No Quadro 1 veremos as principais diretrizes. A ordem de leitura desse quadro deve ser da primeira coluna de cima para baixo, em seguida a segunda coluna de cima para baixo e por último a terceira seguindo a mesma ordem das colunas anteriores. Essa metodologia de leitura deve ser mantida em todos os quadros que veremos.

Quadro 1 – Diretrizes de projeto social

Uso de materiais simples Adequação do produto ao contexto sócio-cultural Atender ao estilo e simbolismo do grupo social
Uso de materiais de qualidade compatíveis com as necessidades do produto Redesign de produtos que realmente atendem as necessidades locais Linguagem do produto adequada ao estilo de vida do grupo social
Uso de materiais de fácil obtenção e de baixo custo Ser funcional e ter boa usabilidade Uso racional e otimizado de matérias primas e componentes
Uso de materiais nativos Proporcionar a auto-estima do grupo social Fácil fabricação; montagem; manutenção; desmontagem; reciclagem
Uso de materiais adequados aos recursos dos processos de fabricação disponíveis Abrangência local, continental sem alterações Longo ciclo de vida
Uso de mão de obra com condições de absorver o conhecimento Atender as características biomecânicas do grupo Baixo custo
Uso de processos de fabricação disponíveis e com tecnologia dominada localmente Valorizar os aspectos sociais, culturais e ambientais da localidade

Fonte (PAZMINO, 2007, p. 4)

Design social, ao contrário do que muitos pensam, não é desenvolver um trabalho voluntário. Levando em consideração que a população carente é uma das que mais crescem no mundo, se o projeto seguir todas essas diretrizes e for economicamente viável para os cidadãos é possível ver esse aspecto do design com um olhar mercadológico e lucrativo, afinal, o designer também tem um orçamento limitado para desenvolver o projeto adequado.

4.4.2 Eco Design

Na década de 60 deu início a preocupação com o meio ambiente, foi um período onde houve uma massificação do consumo, o emprego de novos materiais sintéticos e o uso da obsolescência programada, mas por um outro lado havia uma rejeição pelo consumismo moderno e com isso surgiram grupos ambientalistas como o WWF, Friends of the Earth e Greenpeace (PAZMINO, 2007, p.5).

O trabalho do designer está diretamente ligado ao meio ambiente, tendo em vista que ele é o profissional responsável por projetar o produto que na maioria das vezes tem pouca durabilidade e acaba virando resíduo. O Eco Design vai surgir do encontro da atividade de Projetar e o Meio Ambiente e compõe um modelo projetual orientado por critérios ecológicos (PAZMINO, 2007, p.5). O produto projetado dentro desses parâmetros do Design deve ser ecologicamente benéfico e economicamente viável, possibilitando assim a sua concorrência no mercado com os demais produtos e podendo mensurar seus benefícios ambientais como podemos ver na Figura 4.

Figura 4 – Infográfico Eco Design. Fonte: (PAZMINO, 2007, p. 6)
Figura 4 – Infográfico Eco Design. Fonte: (PAZMINO, 2007, p. 6)

Muitas empresas já estão optando em fazer um redesign dos seus produtos e torná-los ecológicos, o que é plenamente possível. No entanto, um produto ecológico na maioria das vezes, já é pensado como tal ainda no processo de concepção, de criação, onde são definidos os tipos de materiais que serão utilizados, como será o processo de fabricaçao, a utilização e o descarte do produto.

Em todo o processo há também a preocupação em gerar o menor numero possível de resíduos, tanto na criação quanto no descarte ou reciclagem do produto, para que se tenha um ciclo sustentável desde o inicio da sua concepção até o momento em que o produto não é mais utilizado da forma como inicialmente foi projetado (NEVES, 2011, p.3-4).

Não adianta escolher materiais que sejam biodegradáveis, mas que para produzi-los o custo seja muito alto ou tenha que queimar muito combustível para produzir, nesse caso o produto só teria a aparência de ecológico mas não seria de fato.

A seguir, na Figura 5, veremos os fatores ambientais e econômicos que devem ser tratados como objetivos do projeto.

Figura 5 – Infográfico Fatores do Eco Design. Fonte: (PAZMINO, 2007, p. 6)
Figura 5 – Infográfico Fatores do Eco Design. Fonte: (PAZMINO, 2007, p. 6)

O designer deve estar ciente de todos esses fatores durante o processo de criação, principalmente dos fatores ambientais e econômicos que são primordiais para a concretização de um projeto ecológico, os demais devem ser pensados posteriormente. A seguir serão mostradas na Tabela 3 as principais diferenças entre Eco Design e o Design Formal.

Tabela 2 – Eco Design e Design formal

Eco Design Design Formal
Grande escala de produção Grande escala de produção
Mercado: Local e Global Mercado: Local e Global
Tecnologia limpa Alta tecnologia
Orientado ao mercado Orientado ao mercado
3 Rs Reciclagem, Reuso, Reaproveitamento Maximiza a função simbólica
Custo Médio e Alto Custo Médio e Alto
Reduzir o impacto ao meio ambiente ao longo do ciclo de vida. Satisfazer necessidades emocionais sem pensar no impacto ambiental

Fonte (PAZMINO, 2007, p. 6)

Assim como o Design Social, o Eco Design também possui suas diretrizes que funcionam como base nas criações dos projetos ecológicos. No Quadro 2 veremos tais diretrizes.

Quadro 2 – Diretrizes de projeto ecológico

Reduzir a utilização de recursos naturais e de energia Escolha de técnicas de produção alternativas Assegurar a estrutura modular do produto
Usar Materiais não exauríveis (esgotáveis) Menos processos produtivos Aumentar a confiabilidade e durabilidade
Usar Materiais não prejudiciais (danosos, perigosos) Pouca geração de resíduos Design clássico
Usar Materiais reciclados Redução da variabilidade dos produtos Elimina embalagens ou projetar embalagens recicláveis ou reutilizáveis
Usar Materiais recicláveis Reduzir o consumo de energia Tornar a Manutenção e reparos mais fáceis
Usar materiais renováveis Utilizar tecnologias apropriadas e limpas Converter os componentes em reposições ou refil
Usar um só material (monomaterial) Redução de peso Desmaterializar os produtos
Codificar os materiais para facilitar a sua identificação; Redução de volume

Fonte (PAZMINO, 2007, p. 7)

Alguns pensam que o Eco Design são produtos gerados a partir de sucatas e materiais recicláveis, pode ser possível, mas não necessariamente. Existem muitos outros materiais alternativos e biodegradáveis que podem ser usados como substitutos. Há também processos de produções alternativos que os próprios designers podem fazer utilizando métodos manuais e/ou atersanais e dessa forma é possível economizar energia elétrica e atribuir outros valores ao produto como a expressividade do designer.

4.4.3 Design Sustentável

Trata-se de um processo mais abrangente e complexo e engloba características do Design Social e o Eco Design que já foram explicados anteriormente. Como vemos na Figura 6, o produto deve ser economicamente viável, ecologicamente correto e socialmente equitativo (PAZMINO, 2007, p. 7).

Figura 6 – Infográfico Design Sustentável. Fonte: (PAZMINO, 2007, p. 7)
Figura 6 – Infográfico Design Sustentável. Fonte: (PAZMINO, 2007, p. 7)

O Design Sustentável apoia-se no fato de que deve-se  projetar produtos visando a manutenção do meio ambiente para as gerações futuras. Se não há esta preocupação não há sustentabilidade aplicada ao projeto. E um dos principais problemas a ser enfrentado está na durabilidade do produto:

No desenvolvimento de produtos sustentáveis tem-se a problemática da duração desses produtos no meio desde a sua concepção até o seu descarte ou reaproveitamento/reciclagem e a questão da gestão de todo esse processo (CAVALCANTE; et al 2012, p. 259).

Como mostra a Figura 7, busca maximizar os fatores ambientais, econômicos e sociais, a ênfase maior está nos dois primeiros fatores propondo um valor de responsabilidade de não prejudicar o equilíbrio ambiental.

Figura 7 – Infográfico Fatores do Design Sustentável. Fonte: (PAZMINO, 2007, p. 8)
Figura 7 – Infográfico Fatores do Design Sustentável. Fonte: (PAZMINO, 2007, p. 8)

Esse processo utiliza as mesmas características e diretrizes de projeto do Design Social e Eco Design, mas para se obter resultados realmente significativos deve haver uma mudança cultural nos hábitos dos consumidores de curto, médio e longo prazo, assim como das empresas fabricantes.

O Design Sustentável no final acaba se tornando o resultado da somatória dos outros dois processos que o antecedem e é isso que o torna bem mais complexo, são mais características, fatores e diretrizes para serem manipuladas.

Conclusão

Este artigo teve como finalidade causar uma reflexão nos designers que se encontram no mercado atualmente, mostrando-lhes um pouco o comportamento do consumidor, o comportamento de algumas empresas, os impactos ambientais que estão cada vez mais visíveis aos olhos humanos e os conceitos básicos de Design Social, Eco Design e Design Sustentável para que possam ser aplicados nos projetos de design visando sempre o equilíbrio ambiental para as gerações futuras.

REFERÊNCIAS

Administradores, O consumidor verde e a pressão por produtos ecologicamente corretos. Disponível em: < http://www.administradores.com.br/artigos/marketing/o-consumidor-verde-e-a-pressao-por-produtos-ecologicamente-corretos/29273/> Acesso em 10 de maio de 2015.

BRANDÃO, Marili de Lima Ferreira. Design sustentável: O uso da matéria prima renovável. Um estudo de caso da produção do couro vegetal no norte do Brasil.São Paulo, 2007. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo.

CAVALCANTE, Ana Luisa Boavista Lustosa. et al. Design para a Sustentabilidade – um conceito interdisciplinar em construção. Projética Revista Científica de Design, Londrina, v. 3, n. 1, p. 252-263, jul. 2012.

FERREIRA JUNIOR, Achiles Batista; RIEPING. Marielle. iTrends: uma análise de tendências e mercados. Curitiba: InterSaberes, 2014.

NEVES, Daniel Bezerra Lima. Ecodesign e design sustentável. Fortaleza, 2011.

PAIXÃO, Márcia Valéria. A influência do consumidor nas decisões de marketing. Curitiba: InterSaberes, 2012.

PAZMINO, Ana Verónica.Uma reflexão sobre Design Social, Eco Design e Design Sustentável. I Simpósio Brasileiro de Design Sustentável. Curitiba, setembro de 2007.

Sem Floresta Não Tem Água – Episódio 1 – Represa Paraibuna. Greenpeace. 5’29”. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?t=47&v=S0uUYiP1cLY>. Acesso em maio de 2015.

SILVEIRA, Cristiane Gianezi da et al. Design sustentável e desenvolvimento social. IX Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design. São Paulo, outubro de 2010.

___________A Macroplan Prospectiva Estratégia & Gestão. Editora Macroplan Prospectiva Estratégia e Gestão. Rio de Janeiro: Janeiro de 2012.

[1] Graduado em Design Gráfico e Marketing

[2] Projetar um produto com um tempo de vida útil menor para estimular o consumo das versões mais recentes no mercado.

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