Titanic: A Projeção Do Transatlântico Mais Luxuoso Do Início Do Século Xx E A Disputa De Poder Na Era Das Grandes Navegações

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ARTIGO ORIGINAL

OLIVEIRA, Rosane Machado de  [1]

OLIVEIRA, Rosane Machado de. Titanic: A Projeção Do Transatlântico Mais Luxuoso Do Início Do Século XX E A Disputa De Poder Na Era Das Grandes Navegações. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 12, Vol. 04, pp. 05-30 Dezembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

O presente artigo tem por finalidade discutir a história verídica do navio chamado RMS Titanic, incluindo detalhes da construção do navio, o qual foi construído em Belfast na Irlanda do Norte, assim como, a viagem inaugural, e o triste desfecho do Titanic ao se chocar com o iceberg. Analisa-se, que o Titanic foi idealizado, sonhado e projetado pelos melhores projetistas e trabalhadores/ operários da época, para ser o maior navio do mundo, o mais luxuoso e insubmersível. A sofisticação e a grandeza do Titanic eram surpreendentes, o qual fascinou todos em sua primeira e única viagem. O objetivo geral da pesquisa é compreender os motivos que levaram a projeção e a construção do maior e mais luxuoso navio do mundo. O objetivo específico é analisar a viagem inaugural do Titanic e a tragédia ao Sul da Terra Nova no Canadá. O procedimento metodológico utilizado é de pesquisa bibliográfica exploratória. Com base no resultado do estudo investigado, é possível compreender que o Titanic foi projetado com base em um propósito, o de ultrapassar em tamanho, segurança, e luxo os países rivais bem desenvolvidos com seus transatlânticos, acarretando concorrência principalmente com Alemanha, Estados Unidos, Grã-Bretanha e Inglaterra. Nota-se, que havia uma crença, que o Titanic seria o transatlântico insubmersível. Portanto, o Titanic foi fabricado pelas mãos humanas, e não pelas mãos de Deus para acreditarmos que seria a “obra perfeita”.

Palavras-Chave: Atlântico Norte, Disputa Marítima, Grandes Navegações, Titanic, White Star Line

INTRODUÇÃO

O estudo realizado tem por objetivo compreender a história verídica do maior e do mais luxuoso navio do mundo, já construído pelas mãos dos homens no início do século XX, o Titanic.

O estudo busca ressaltar detalhes da construção do Titanic nos estaleiros da Harland & Wolff de Queen Island, em Belfast na Irlanda do Norte, assim como, algumas características e razões pelas quais o navio foi projetado e construído com tamanha grandeza. O artigo discute ainda, o luxo exuberante do navio, a viagem inaugural do transatlântico em 10 de abril de 1912, assim como, o naufrago em meio ao Atlântico Norte na noite de 14 de abril para 15 de abril de 1912.

Percebe-se, que no início do século XX, apesar de haver um desenvolvimento técnico naval de grande proporção, havia também, muita pobreza, miséria, doenças e um mesmo sonho para muitas pessoas, o de atravessar o Atlântico Norte para construir uma nova vida na América. Na época, ir para a América era um desejo de muitos povos, principalmente para os mais afetados pela pobreza, pelas perseguições políticas e religiosas. A América passou a ser vista como uma oportunidade de enriquecimento fácil, ou seja, uma fonte de riquezas, com possibilidade de se viver melhor, e de se fazer fortunas com pedras preciosas.

A escolha do tema proposto resultou de interesse, pesquisa bibliográfica, análise reflexiva, e leitura construtiva sobre o assunto apresentado, na busca de verificar a história verídica do Titanic. A abordagem metodológica é de natureza qualitativa, sendo desenvolvida através de pesquisa bibliográfica exploratória (livros, artigo, dicionário, revista, etc.).

Em relação à pesquisa exploratória, Gil (2010, p.27), descreve que a pesquisa exploratória tem como objetivo, proporcionar maior familiaridade do pesquisador com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito, pode envolver levantamento bibliográfico (neste caso, da intuição do pesquisador). Com base em pesquisa sobre o tema proposto, foi possível elaborar o seguinte problema de pesquisa:

Quais foram os verdadeiros motivos que levaram a projeção e a construção do Titanic nos estaleiros da Harland & Wolff de Queen Island em 1909 na Irlanda do Norte?

O início do século XX foi marcado por grandes navegações e construções de navios gigantes, cada vez mais modernos. No entanto, essas construções baseavam-se em um único interesse, o de dominar o Atlântico.

A construção de um navio gigante, luxuoso, moderno e potente, era sinal de um alto poder aquisitivo, de honra e, sobretudo, de fama mundial. Não havia concordância entre os países que se sobressaíam nas navegações com seus navios gigantes, em relação aos países que não se sobressaiam com seus transatlânticos.

Verifica-se, que na era das grandes navegações havia uma disputa de poder, assim como, um sistema capitalista implantado pelos homens da época, o qual envolvia empresas, estaleiros, operários, homens ricos e de negócios, e com uma ambição sem limites. Muitos países buscavam investir em grandes construções de navios, para fazer concorrência com os países rivais, ou seja, para ver qual país construiria o melhor navio do mundo, em potência, velocidade, tamanho, modernidade, segurança e técnica.

A luta pelo poder capital e naval no Atlântico, foi um dos principais motivos que levou há uma concorrência acirrada entre os países desenvolvidos, na busca pelo poder no Atlântico. A Alemanha foi um dos países que se sobressaiu com muito sucesso na época das grandes navegações, sendo a mesma colocada no ápice da técnica naval.

Contudo, a construção do Titanic tinha um objetivo muito claro, o de superar os concorrentes alemães, e os navios mais gigantes de sucesso da época, sendo o Lusitania e o Mauretania da empresa Cunard Line. Desde então, o Titanic foi mais um, entre tantos navios construídos, que foi pensado, projetado e fabricado para uma disputa naval. Em março de 1912, o transatlântico mais luxuoso do mundo estava finalizado para vencer a concorrência e obter fama mundial. O Titanic foi reflexo de um desenvolvimento técnico, moderno, e de uma competição acirrada entre os países capitalistas. O presente estudo oferece possibilidades para historiadores, pesquisadores, professores, estudantes e curiosos que desejam pesquisar, compreender os fatos, ou conhecer um pouco a história do Titanic.

2. METODOLOGIA

Na procura de analisar a história verídica em torno da construção do Titanic e da disputa marítima no Atlântico, a realização e a conclusão deste trabalho baseou-se, em pesquisa bibliográfica (artigos, livros didáticos, dicionários, revistas, entre outros). A pesquisa bibliográfica segundo Alves:

É aquela desenvolvida exclusivamente a partir de fontes já elaboradas livros, artigos científicos publicações periódicas, as chamadas fontes de “papel”. Tem como vantagem cobrir uma ampla gama de fenômenos que o pesquisador não poderia contemplar diretamente. (ALVES, 2003, p. 53).

A pesquisa bibliográfica como citada acima, realizou-se com base em material bibliográfico referente ao assunto apresentado, analisado em escritos sob a visão de autores que buscaram relatar cuidadosamente a história do navio mais “fabuloso” já construído no início do século XX. Na busca por obter respostas aos questionamentos suscitados pela consecução das metas estabelecidas, optou-se pelo estudo de natureza qualitativa.

O estudo de natureza qualitativa possibilitou uma compreensão construtiva em torno da história do Titanic e dos acontecimentos que marcaram a construção do navio, a viagem inaugural e o naufrago em meio ao Atlântico Norte. A pesquisa desenvolveu-se com base em investigação, leitura, questionamentos, e análise pessoal sobre o tema norteador do trabalho.

3. O CRESCIMENTO DO TRÁFEGO DE PASSAGEIROS NO ATLÂNTICO NORTE

Com base em pesquisa sobre o tema foi possível constatar que, as construções dos navios gigantes tiveram início no final do século XIX e início do século XX. Tais construções decorreram de uma intensa e desafiadora disputa naval, ou seja, de um crescimento comercial (mercantilismo) e do tráfego de passageiros para a América.

Nota-se ainda, que desde o século XV os transatlânticos eram os únicos meios de transporte a percorrer longas distâncias, como também, os únicos a atravessar o Atlântico. Em cinquenta anos o tráfego de passageiros aumentou consideravelmente no Atlântico Norte, que se tornou a vitrine da grande navegação comercial. Além de uma corrente crescente de homens de negócios, de reis das finanças e da indústria. Já os americanos abastados passavam temporadas nos locais da moda da Europa, seja para assistir a manifestações esportivas e artísticas, seja para participar de eventos mundanos. Á maneira das grandes famílias, como a dos Roosevelt, é de bom-tom para as mulheres vestir-se em Paris, e para os homens, ter um alfaiate célebre em Londres.

Essa clientela abastada contrasta com a massa crescente de emigrantes, cujas origens geográficas evoluem continuamente. Até os anos de 1880, irlandeses, ingleses e escandinavos são os mais numerosos, seguidos pelos alemães. A partir do começo do século XX, o grosso dos que emigram é constituído por habitantes dos países do Mediterrâneo, por eslavos e por israelitas oriundos da Áustria-Hungria ou do império dos czares. A pobreza, as restrições políticas ou religiosas e as perseguições aos judeus explicam o aumento crescente desse fenômeno.

No apogeu dos navios a vela, por volta de 1850, as partidas já envolviam mais de 200 mil pessoas. Em 1913 chegava a 1,4 milhão. A esses dois tipos de clientela acrescenta-se outra, intermediária, por assim dizer, que exige a criação de uma segunda classe a bordo dos grandes transatlânticos. Essa categoria, cada vez mais numerosa, composta por homens de negócios, universitários, eclesiásticos, engenheiros, turistas e mesmo emigrantes á moda antiga que sentem necessidade de rever o país natal, no coração do velho continente.

4. TITANIC: A CONSTRUÇÃO DO MAIOR E MAIS LUXUOSO NAVIO DO MUNDO DO SÉCULO XX

Contemporaneamente, não faz sentido acreditarmos, que o Titanic foi idealizado, e fabricado apenas para ser o navio mais belo, gigante, moderno e luxuoso já construído pelas mãos dos homens no início do século XX. Percebe-se, que por trás da história de projeção e construção do “navio fabuloso”, á outra história que não é tão fabulosa assim.

O Titanic foi construído na era das grandes navegações, aonde a luta marítima era desafiadora, e sem acordo algum entre os países rivais. No entanto, questionamentos fazem parte da história, ainda mais quando se trata de uma história que ainda hoje é cercada de muitos mistérios, de pontos de interrogação, de falta de esclarecimentos, de investigações precisas e construtivas sobre o caso do Titanic.

As perguntas são inúmeras, as respostas são mínimas, como por exemplo: “Por que motivo o tamanho e a modernidade do Titanic era destaque no mundo todo e impressionava a imprensa?” “Sob qual argumento a empresa White Star Line construtora do Transatlântico buscou afirmar que o Titanic era insubmersível?” “Houve questionamentos sólidos por parte da imprensa e da mídia para com os construtores sobre a afirmação que o navio não afundaria?” “Houve uma fiscalização construtiva antes da partida do Titanic para a viagem inaugural?”.

O Titanic foi projetado para ser o gigante dos mares, o mais luxuoso, e certamente, o mais moderno. O navio foi construído com o objetivo de superar os concorrentes e rivais alemães, assim como, os bem sucedidos navios já lançados no mar, o Lusitania e o Mauretania da Cunard Line.

A Alemanha na disputa marítima lança uma grande empreitada naval que visa tanto á marinha de guerra quanto à frota mercante. Dois magníficos transatlânticos, o Kaiser Wilhelm der Grosse da Norddeutscher (1897) e o Deutschland (1900) da Hansa demostram cabalmente o domínio da técnica pelos alemães. Ultrapassando pela primeira vez o limite de 200 metros de comprimento e as 15 mil toneladas, essas duas esplêndidas naves superam seus rivais e inauguram a era de uma nova geração de gigantes dos mares e palácios flutuantes.

Com mais de 30 mil cavalos de potência, alcançam a velocidade de 23 nós, para espanto geral, a Grã-Bretanha perde a fita azul que ostentava desde 1893 com o Caronia. Outras unidades são fabricadas. Com regularidade, a Hamburg Amerika põe em funcionamento, em 1900, o Kaiserin Maria Thereza, no ano seguinte, o Kronprinz Wilhelm, e o Kaiser Wilhelm II, lançado em 1903, em Stettin, na presença do imperador. Com 215 metros, suas 20 mil toneladas e seus 48 mil cavalos, essa magnífica embarcação confirma a primazia alemã. A fita azul parece constituir, então, um monopólio germânico.

Em 1906 e 1907 a empresa Cunard com base em um empréstimos de 2 milhões de libras, concedido pelo governo da Grã-Bretanha, com juros irrisórios de 2,75%, a Cunard Line consegue lançar dois navios a vapor (o Lusitania e o Mauretania).

O Lusitania e o Mauretania foram dois navios de tamanho gigante, de velocidade rápida, fabricados e destinados a restabelecer a superioridade britânica e a obter novamente a fita azul. Esses dois navios, o Lusitania e o Mauretania, foram um verdadeiro sucesso. Com 252 metros e 32.500 toneladas, representava um novo passo do gigantismo e da potência. A adoção de um motor com quatro turbinas lhes confere uma potência imediata de 68 mil cavalos. Nos testes, os dois “galgos dos mares” superam os 26 nós, e alcançam os 25 nós quando entram em serviço.

Alternadamente o Lusitania e o Mauretania conquistaram a fita azul. A vitória acabou sendo do Mauretania, em setembro de 1909, por causa de uma travessia realizada á velocidade média de 26,06 nós. A duração do percurso caiu para 4 dias e 11 horas.

Quanto ás instalações interiores, estavam á altura das dimensões e dos desempenhos. A construção do Titanic realizou-se, juntamente com o Olympic, e foi confiada aos estaleiros da Harland & Wolff de Queen Island, em Belfast, na Irlanda do Norte. Fundada em 1847, a empresa Harland & Wolf desenvolveu-se continuamente, a ponto de constituir um dos conjuntos mais imponentes do mundo.

No final do século XIX, Belfast ganhava status por ter os maiores e mais produtivos estaleiros do mundo. Os estaleiros chegavam a empregar mais de 14 mil (Quatorze Mil) trabalhadores, e podiam fabricar simultaneamente oito navios.

Milhares de trabalhadores construíram o que chamavam de navio mais seguro do mundo, o Titanic. Fundos duplos, casco dividido em 16 compartimentos estanques (seções separadas), condições de segurança nunca antes utilizadas em uma embarcação. Os construtores, e a própria empresa dona do navio chegavam afirmar que “nem Deus afundaria o Titanic”.

Ao custo de sete milhões e quinhentos mil dólares na época (algo próximo de meio bilhão de dólares hoje) a cidade irlandesa acompanhou, entre 1909 e 1912, a construção de um dos mais belos transatlânticos da história – o Titanic, o qual deveria ser a estrela da White Star Line, companhia de navegação proprietária do navio. O Titanic foi projetado por William Perrie, diretor e engenheiro naval, e financiado pelo empresário americano JP Morgan e sua companhia.

Em virtude de recomendação da White Star, de construir o melhor navio capaz de atravessar o Atlântico, o arquiteto Alexander Carlisle e o engenheiro chefe dos estaleiros, Thomas Andrews de 36 anos, foram os escolhidos para definir as características das embarcações. Na imagem um, é possível observar a grande estrutura de aço que foi erguida na época para construção do Titanic e do Olympic.

Imagem 1. Andaime de aço erguido para a construção do Titanic e do Olympic lado a lado

Fonte: <www.iengenharia.org.br/site/noticias/exibe/id_sessao/4/id_noticia/7312/Curiosidade—Constru%C3%A7%C3%A3o-do-Titanic>

Para a construção do Titanic e do Olympic foi necessário uma estrutura de aço reforçada, afinal, os navios eram gigantes, e como se pode imaginar, quanto maior o tamanho de um navio, maior o seu peso em toneladas. Com 269 metros e mais de 46 mil toneladas, os três novos mastodontes, principalmente o Titanic, supera o Lusitania e o Mauretania da Cunard, assim como, os mais recentes paquetes alemães.

Construído para acomodar 2.559 passageiros, além de um grande número de oficiais e tripulação, o Titanic poderia comportar cerca de 3.500 pessoas. Ao entrarem em serviço, o Gigant, o Olympic e o Titanic seriam sem dúvida, os maiores navio do mundo, isso retrata a dimensão das ambições da empresa White Star. A construção do Titanic e do Olympic ocorreu quase simultaneamente, com três meses de intervalo. Com algumas adaptações, desenvolvesse num conjunto de diques até então previsto para a construção dos três navios há mesmo tempo.

A colocação da quilha do Titanic foi realizada em março de 1909, o lançamento, em 31 de maio de 1911. O término da construção do navio ocorreu em março de 1912. Os testes foram feitos em 1° de abril, e, dois dias depois, a embarcação chega a Southampton, de onde o Titanic deveria sair em uma semana para Nova York.

5. CARACTERÍSTICAS E INSTALAÇÕES DO TITANIC

Nota-se, que por ser o navio mais moderno já construído no início do século XX, o Titanic era diferente dos demais, ou seja, se diferenciava principalmente pelo luxo, pelo tamanho, e pela técnica a qual foi fabricado. O navio era deslumbrante, magnífico, com instalações personalizadas, clássicas, e com características marcantes, assim como fascinante.No plano técnico, o Titanic surgiu indiscutivelmente como um empreendimento bem-sucedido.

O Titanic foi construído com 16 compartimentos, separados por 15 divisórias. O fechamento das portas estanques foi feito sob a ação de um comando elétrico situado na cabine de comando. As portas podiam ser fechadas manualmente no local ou mesmo automaticamente por intermediários de válvulas de segurança, caso houvesse a entrada imprevista de água. A embarcação comportava ainda um fundo duplo, limitado em sua parte inferior pelo casco.

Quanto á propulsão, o engenheiro Thomas Andrews, adotou uma fórmula original e econômica. Diferentemente dos navios velozes da empresa Cunard ou mesmo do France da Compagnie Genérale Transatlantique (CGT), Andrews deixou de lado um sistema motor baseado unicamente em turbinas. O Titanic foi equipado com duas máquinas alternativas a vapor de 30 mil cavalos, enquadrando uma turbina de baixa pressão de 16 mil cavalos, prevista unicamente para a marcha para a frente. A potência total transmitida aos eixos dos três hélices alcançava assim, 45 mil cavalos para uma velocidade de cruzeiro de 21 ou 22 nós. O vapor era fornecido por 29 caldeiras e 159 fornalhas.

Levando-se em conta a iluminação interior produzida por dez mil lâmpadas, motores auxiliares que acionavam guindastes, guinchos, cabrestantes, aparelhos de cozinha, aquecimento, sistemas de refrigeração e de ventilação, a energia elétrica –ultrapassava a que se consumia em uma cidade de porte médio – a qual era fornecida por quatro dínamos de uma potência de 400 quilowatts. Em caso de falha nesse sistema, dois dínamos de 30 quilowatts poderiam entrar em funcionamento para assegurar o fornecimento, os quais estavam situados no convés superior, bem acima da linha de flutuação. O Titanic, tanto quanto seus sister-ship (navio gêmeo), o Olympic, contava ainda com uma instalação telefônica considerada uma das mais moderna da época. O sistema era duplo, comportando uma central navigation. A ponte de comando, assim, estava ligada ao castelo de proa, ao cesto da gávea, á sala de máquinas e ao compartimento posterior. O chefe dos mecânicos poderia entrar em contato com a sala de máquinas e com cada um dos seis compartimentos estanques onde se encontrava as caldeiras.

O sistema telefônico interior, com capacidade para cinquenta linhas, permitia que as cabines de luxo se comunicassem com os diferentes serviços, com o bar, com o restaurante. As áreas de serviço eram também ligadas às cozinhas, a padaria e ao açougue. O Titanic possuía uma estação de telégrafo de tipo Marconi, com grande potência, situada no convés das embarcações a bombordo, após os aposentos dos oficiais. Para assegurar uma escuta permanente, dois operadores eram escalados para permanecer nessa estação, que ocupava três salas. A primeira era reservada para os aparelhos, a segunda para as baterias de reserva, e a terceira dotada de um beliche que servia de cabine para o operador que não estava em serviço.

Em seu conjunto, o Titanic parecia oferecer um nível de segurança inédito. Seu sistema de navegação – bússola, timão, tábua de marés, odômetro – estava na vanguarda da técnica. A embarcação possuía um aparelho de detecção acústica de obstáculos submersos. Por suas dimensões, parece a salvo dos vendavais mais violentos. Seu fundo duplo, mesmo não alcançando a linha de flutuação, deveria permitir-lhe resistir a um atrito do casco com o fundo do mar ou mesmo a um encalhe.

Acreditava-se, que em caso de colisão, o Titanic não corria o risco de ter o mesmo destino do navio Republic, da White Star, que naufragou em 1909, ao largo de Nantucket, após uma colisão com outra embarcação. O Titanic poderia continuar a flutuar com dois, três e até quatro dos compartimentos principais invadidos pela água. Todos os equipamentos maiores, caldeiras, máquinas, turbinas, estariam localizados em compartimentos independentes. Em caso de alagamento, cinco bombas de lastro, em ligação com três bombas de porão, com capacidade de evacuar 400 toneladas de água por hora.

A proteção contra incêndio foi particularmente cuidada. Detectores de fumaça e de calor foram instalados em todos os locais nevrálgicos, ligados a um centro de segurança capaz de intervir no local ameaçado de maneira mais rápida.

Como a impressa especializada principalmente o Engineering, fez questão de destacar, o Titanic parece dar início a uma nova geração de transatlânticos “praticamente insubmersíveis”. Nesse caso, é o próprio navio que constitui o melhor instrumento de socorro. Uma nova etapa capital na história do mar se inicia. De fato, á margem de uma campanha de imprensa cuidadosamente orquestrada, deve-se reconhecer que o novo super-liner constitui uma obra prima da arquitetura naval, isto é, nunca se fez algo melhor, e não se fará nada muito melhor. Trata-se do maior transatlântico do mundo. Com seus 269 metros e suas 46.328 toneladas, o Titanic ultrapassa em alguns centímetros e em algumas centenas de toneladas seu sister-ship (navio gêmeo Olympic).

O Titanic era também o mais bonito. Para o grande público, o aspecto mais espetacular diz respeito, certamente ao luxo das instalações, inédito até então. De acordo com o que tende a se tornar uma tradição, os passageiros de primeira classe ocupam a parte central do navio, do convés A, ao convés C. O convés A, era dotado de largas janelas, os passageiros poderiam chegar com facilidade ao grande salão e á biblioteca, que se prolongava num gabinete de leitura e de correspondência, utilizado também, como sala de visitas para as mulheres. Mais atrás, poderiam ainda usufruir da sala para fumantes, que dá acesso ao bar, cercado de duas varandas ou jardins de inverno que, através de portas-janelas, permitiam chegar ao tombadinho e contemplar o mar. Havia também uma grande piscina, uma quadra de tênis, uma sala de banho turco (versão diferente de sauna), duas salas com cabeleireiros, e uma academia de ginástica.

Já no convés C, se encontrava a maior atração, o que era mais monumental: a vasta sala de jantar precedida de um verdadeiro saguão, e era de estilo jacobino, isto é, da primeira metade do século XVII. Uma parte da decoração era composta de imitações de algumas residências, como Hatfield ou Haddon Hall.

No Titanic havia uma imponente cozinha situada no convés C, com equipamentos completos como: fornos, grelhas, torradeiras, máquinas de fatiar e cafeteiras. Encontrava diretamente integrada ao açougue, a padaria, aos depósitos de legumes e de carvão, assim como as áreas de serviço. Tudo foi preparado para limitar os deslocamentos e fazer com que os pratos fossem servidos quentes. As refeições eram presididas pelo comandante, cuja mesa se encontrava no centro, ostentava o brilho das luzes, dos trajes noturnos, um aspecto deslumbrante. Na época, era indispensável vestir-se bem para esses jantares que se constituíam o acontecimento do dia.

O restaurante á la carte e a terceira classe tinham sua própria cozinha. A louça contava com dez mil peças fabricadas especialmente pela sociedade Goldsmith & Silversmith, assim como 21 mil garfos, colheres e facas.

Nos convés os movimentos do navio, balanço e arfagem, eram sentidos com menor intensidade, e atenuados de algum modo. Os passageiros poderiam escolher entre as cabines clássicas exteriores, que davam diretamente para o mar, avistado através das janelas ou de vigias, e cabines internas mais modestas, dando para os corredores. Podem ainda optar por instalações de luxo, dignas dos maiores palácios.

Esses apartamentos eram localizados no convés de passeio do Titanic, comportavam um salão, uma sala de jantar, quarto, chuveiro e toalete. Tais instalações contavam com pessoal de serviço contratado ou ligado a uma ou duas cabines que facultam a esses hóspedes privilegiados usufruir o serviço de camareiro pessoal. Muitas cabines de primeira classe só tinham pias e eram servidas por banheiros e lavabos coletivos instalados nos corredores próximos. Havia nisso uma anomalia aparente ligada ás exigências de higiene dos privilegiados da época.

O Titanic comportava três elevadores destinados a servir os conveses da primeira classe. Os passageiros da segunda classe tinham acesso a uma bela escadaria e um elevador. Já os passageiros da terceira classe ficavam em um porão obscuro e nauseabundo, onde se amontoavam, havia muitas pessoas na terceira classe, a classe menos favorecida, os quais emigravam com seus pertences.

A climatização foi objeto de estudos avançados. Em princípio, todos os locais receberam aquecimento via ar quente. Para as cabines, os construtores levaram em conta hábitos diferentes de cada país. Com isso, as cabines foram dotadas de radiadores elétricos suplementares, reguláveis á vontade. A ventilação também foi objeto de inovação. Os arquitetos praticamente deixaram de lado os enormes tubos de ventilação que atravancam os conveses, adotando ventiladores acionados por motores elétricos.

O Titanic contava com quatro elegantes chaminés inclinadas em 10°. As chaminés eram pintadas de cor parda com uma faixa preta na extremidade, a bordo do Titanic, apenas as três primeiras chaminés serviam para expelir a fumaça. A última chaminé era postiça, e utilizada unicamente para a ventilação.

A bordo do Titanic, o conjunto era mais discreto, e representava uma amostra quase completa de todos os estilos europeus dos séculos XII e XIII. As grandes escadarias foram inspiradas na época de Guilherme III e de Maria II da Inglaterra, da segunda metade do século XVII. Os largos painéis de carvalho ornamentados com placas de bronze e esculturas. Um conjunto dominava o primeiro patamar: as estátuas da honra e da glória ladeando um relógio, símbolo do tempo. A decoração do Titanic era em estilo clássico.

6. A VIAGEM INAUGURAL DO LUXUOSO TRANSATLÂNTICO – TITANIC

Aquela viagem prometia. Para alguns era a chance de “fazer a América”, para outros, a oportunidade de desfrutar do navio mais luxuoso já construído. O Titanic levou em média três anos para ser construído. No entanto, verifica-se, que toda construção seja ela qual for, desde uma simples casa, é necessário um projeto construtivo e qualitativo sobre o que se deseja construir, para então, os trabalhadores poderem dar início à obra, ou seja, sem projetos não há construção, precisa-se muito de conhecimentos práticos, matemáticos, de engenharia, entre outros. Cada etapa deve ser cuidadosamente planejada e fabricada. É fato, que toda construção quando iniciada, pode levar dias, meses, e até anos para ser concluída, como foi o caso do Titanic.

O Titanic foi fabricado com base em um projeto ambicioso e muito luxuoso, o qual ficou exuberante depois de finalizado. Nota-se, que a viagem inaugural do Titanic era esperada por muitas pessoas no porto de Southampton, no Reino Unido, na Inglaterra.

Certamente, a viagem inaugural do navio, era comemorada por todos aqueles que admiravam a obra prima da engenharia. Assim como em toda a viagem, muitas pessoas que não embarcariam no Titanic, se fizeram presente para se despedirem de familiares, colegas, e amigos que embarcariam no gigante dos mares, como também, desejar uma excelente viagem há todos abordo.

Além de fabuloso, o Titanic era incomparável em luxo, requinte, conforto e elegância. A decoração em estilo clássico foi inspirada em grandes reinados e impérios da história, como o de Luís XV (França) e o palácio de Versalhes.

Com 269 metros de comprimento, 28 metros de largura, 54 metros de altura, 29 caldeiras, três hélices, e uma potência de milhares de cavalos, o Titanic garantia ao capitão Edward John Smith, tranquilidade e confiança plena. Na sequência é possível ver na imagem dois, o Titanic saindo do porto de Southampton, para a sua viagem inaugural.

Imagem 2. Titanic saindo do porto de Southampton no Reino Unido (Inglaterra) em 10 de abril de 1912.

Fonte: <http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/7205-veja-imagens-historicas-do-titanic#foto-139605>

Era uma quarta-feira, 10 de abril de 1912, no começo da tarde, sob um céu cinzento tipicamente britânico, o Titanic, o maior e mais luxuoso transatlântico do mundo, zarpava de Southampton ás 12h15min, para o começo de sua primeira viagem com destino à Nova York.

Lenta e majestosamente, a enorme embarcação desce o canal, contorna a ilha de Wight pelo estreito de Solent e penetra no canal da Mancha. Á noite, a “maravilha das maravilhas”, brilhando com todos os seus faróis, atraca em Cherbourg, na França, e uma centena de passageiros embarca. No dia seguinte, por volta de meio-dia, o navio faz uma última escala ao largo da Irlanda, diante de Queenstown: 120 pessoas também embarcam nesse lugar. Duas horas depois, o navio parte para Nova York. Num tempo esplêndido, contorna a costa da Irlanda, salpicada de casinhas brancas imersas na vegetação. Ao final do dia, escoltado por um voo de gaivotas, o Titanic penetra no Atlântico.

O Titanic percorreu 464 milhas no primeiro dia, de meia a meia noite, 519 milhas no segundo dia, e 546 milhas no terceiro dia. O número de rotações da máquina passou progressivamente de 70 para 72, depois a 75 e então 76. O navio não tinha chegado ao seu limite. No dia seguinte, o Capitão Smith mandou acender as últimas caldeiras e tentar uma prova de velocidade. Esperava-se alcançar 23 nós (43 km/h), e talvez 24 nós, em todo caso, estabilizar a marcha em 78 rotações, considerada a velocidade do cruzeiro.

Duas mil e duzentas pessoas deveriam desembarcar em Nova York em 17 de abril de 1912, mas infelizmente, o Titanic tomou um rumo inesperado. O navio não resistiu ao choque com um iceberg e pereceu nas águas profundas do Atlântico Norte.

7. O NAUFRAGO INESPERADO DO TITANIC NO ATLÂNTICO NORTE – CANADA

Falar do naufrago do Titanic em meio ao Atlântico Norte, nas águas negras e gélidas do oceano, é realmente chocante. Triste pelo fato, que muitas vidas inocentes foram levadas nesse trágico acidente, o qual poderia ter sido evitado se o orgulho humano, o capitalismo e a disputa de poder no Atlântico não fosse tão acirrada como era, e desejada pelos homens da época. Certamente, o Titanic era para a maioria das pessoas abordo, incluindo passageiros, e tripulantes, a ilusão do próprio “colete salva vida”.

O desenvolvimento da indústria naval era tão grande e a recompensa financeira tão garantida que, apesar de tantos acidentes, um transatlântico de luxo era a expressão mais alta do prestígio nacional e o seu comandante um predestinado, que galgara um alto degrau na escala social. Essa mística durou até a Segunda Guerra Mundial.

O Titanic foi construído para ser o melhor transatlântico do mundo, isto é, o mais luxuoso, moderno, e de fato, o navio mais seguro de todos os tempos. A crença que o Titanic não afundaria, ganhou fama mundial, pois o transatlântico seria superior há todos os outros já construídos pelos homens, e em alguns casos, essa crença de que o navio não naufragaria, levou muitas pessoas a fazerem comentários maldosos dos quais não souberam refletir sobre o que falavam, como por exemplo: “nem Deus afunda esse navio” ou “o Titanic é uma rocha jamais afundaria”.

Com base na projeção do Titanic, o navio poderia dar sequência em sua viagem com dois, três e até quatro compartimentos invadidos pela correnteza das águas, mas com cinco compartimentos, o Titanic não conseguiria evacuar a água, pois sua estrutura não aguentaria tamanha pressão. Portanto, com cinco compartimentos inundados, a invasão da água seria inevitável nos demais compartimentos, o que forçaria a estrutura para baixo, na propensão que quando mais água entrasse mais o Titanic iria afundando.

Nota-se, que a crença em torno do navio insubmersível ganhou fama. A empresa buscou anunciar que o Titanic continuaria viagem com compartimentos inundados de água, diferente dos outros navios da época. A informação que o navio prosseguiria a viagem mesmo inundado pode ter levado muitas pessoas, incluindo viajantes, empresários, universitários, pobres e milionários, acreditarem que o Titanic seria mesmo insubmersível.

Analisa-se, que a informação do “navio que não afunda” foi repassada há todas as pessoas. Porém, tal informação não foi questionada com precisão na época, e muito menos explicada corretamente por aqueles que afirmavam que o navio não naufragava. Os questionamentos deveriam ter sido feitos á risca, e cobrados da empresa responsável, a (White Star Line). Cito apenas um exemplo de questionamento, que a mídia, os jornalistas da época, poderiam, ou melhor, deveriam ter feito diante das informações que o Titanic era inaufragável. “Por que e como o Titanic não naufraga se é um navio construído de ferro?” “Sobre qual condição o Titanic não afundaria ao se chocar com um grande iceberg?” “Se o Titanic é capaz de continuar a viagem com compartimentos inundados, poderia então continuar a viagem caso se chocasse com um iceberg mais alto que o próprio navio?”.

Muitas foram às pessoas, que infelizmente, acreditaram verdadeiramente que o navio jamais afundaria, por este motivo, pode-se imaginar que a informação espalhada na época pela empresa White Star Line que o Titanic era insubmersível não foi detalhada eticamente, era um mito, uma crença, pois não foi repassada a mensagem correta à sociedade em geral, pois a informação deveria conter as explicações do Por quê? E como não afundaria?

Mais detalhadamente, a informação deveria esclarecer que se o navio se chocasse com um iceberg, teria sim probabilidade de afundar, pois era feito de ferro, e de fato, era seguro que afundaria, ainda mais se atingido cinco de seus compartimentos. Sendo que a chance do navio não afundar era mínima, ou seja, se invadido apenas três ou quatro, dos dezesseis compartimentos do Titanic.

Essa informação na época ficou muito vaga, talvez seja por isso, que os passageiros do navio, ficaram tão assustados e revoltados ao saber do choque do navio com o iceberg, e principalmente com a notícia de que o Titanic iria naufragar, pois quem viajava no Titanic naquele exato momento, jamais acreditava que o navio mais moderno do mundo, considerado o mais “seguro” ou o “colete salva vida”, iria para o fundo do oceano atlântico em questão de duas horas no máximo.

O choque do navio com o iceberg foi inevitável. Tudo leva a crer, que o Titanic estava muito próximo do iceberg, e os vigias só avistaram o iceberg, no momento em que o navio já se encontrava perto demais. Por mais que se tentou a marcha ré, o Titanic não obteve êxito, não foi possível desviar do grande bloco de gelo, e chocou-se com o iceberg por volta de 22: h25, hora de Nova York.

No choque com o iceberg a invasão da água foi rápida, os primeiros compartimentos do Titanic foram inundados, os registros tiveram que ser fechados, a máquina foi desligada. Na época, o engenheiro-chefe Thomas Andrews estava na viagem inaugural do transatlântico, e com a planta do navio em mãos Andrews buscou analisar de imediato a situação que o Titanic se encontrava logo após a colisão.

Portanto, depois da análise da planta do navio, o engenheiro Andrews acrescentou a sua equipe que o Titanic poderia sobreviver à invasão de dois dos compartimentos principais, ou a invasão de três e talvez até mesmo de quatro compartimentos dianteiros, não mais que isso. A colisão com o iceberg deixou entrar água nos três primeiros compartimentos, talvez mesmo no quarto, em todo caso, também entrou água no sexto compartimento das salas das cadeiras. Como as divisórias estanques não vão além do convés E, ou, a rigor, do convés D, é fácil prever o resto. Com a invasão progressiva dos cinco primeiros compartimentos, a parte dianteira afundaria cada vez mais, e a água, passando por cima das divisórias, inundaria o quinto, depois o quarto compartimento das caldeiras. Era matemático, não tinha o que fazer. As bombas só poderiam dar tempo, e retardar o desastre do Titanic.

O iceberg fez um corte de 100 metros de comprimento no casco do navio, abrindo os primeiros compartimentos estanques. Não é difícil imaginar, a angústia e o desespero de todas as pessoas quando perceberam que o navio iria afundar.

Duas mil e duzentas pessoas a bordo (2.200), não havia botes nem para a metade dos passageiros. Vinte barcos e botes salva-vidas distribuídos na proa e na popa ofereciam uma acomodação para um total de 1.178 pessoas (33% da capacidade total do Titanic). Ninguém contava com a possibilidade de uma tragédia.

Naquela noite, não havendo outra saída, o Capitão Smith, solicitou um pedido de socorro e imediatamente passou a posição do Titanic, 41.44N 50.140, ressaltando que o transatlântico assinalava que estava afundando pela proa e que a tripulação estava embarcando as mulheres nos botes. O Carpathia da Cunard respondeu que estava a 58 milhas dali, e que só poderia prestar socorro ao Titanic em quatro horas.

Por fim, a água invadiu a ponte de comando após ter submergido o tombadilho. O mar invadiu todos os conveses do Titanic, chegando ao primeiro patamar da grande escadaria. A dianteira mergulhou no mar. A popa se ergueu, deixando aparecer os hélices e o leme. A inclinação se acentuou, a popa emergia a 45°, enquanto a embarcação se inclinava fortemente para o estibordo.

Percebe-se que com a força da água batendo nas bases do navio, a água foi tomando conta de todos os compartimentos do Titanic, a dianteira foi afundando cada vez mais, e forçando o navio para baixo, sendo que a estrutura do Titanic não foi projetada para suportar tamanha pressão e inundação, quanto mais água entrava no navio, mais o navio afundava, sendo que isso facilitou o naufrago, e foi o que fez o Titanic se quebrar ao meio. Ou seja, o Titanic não suportou a pressão da água invadindo seus compartimentos, e se dividiu em duas partes, onde afundou por completo.

Depois do choque com o iceberg, o Titanic suportou duas horas e vinte minutos (2h20). Depois desse tempo, o navio naufragou para as profundezas, onde desapareceu no Atlântico Norte, ao Sul da Terra Nova, no Canadá. Conforme pesquisa e análise, foi possível constatar que mil e quinhentas pessoas morreram no naufrago, e apenas setecentos foram salvas, de duas mil e duzentas pessoas. O Titanic foi a maior tragédia de todos os tempos, o navio que parecia ser “o mais seguro do mundo”, marcou tristemente a história da humanidade na era das grandes navegações, deixando marcas de incertezas em torno do desastre marítimo, que até hoje não foi esclarecido como deveria ter sido.

A trajetória do maior e mais luxuoso navio do mundo, marcou uma era, e ainda hoje, emociona e mexe com os sentimentos de milhares de pessoas do mundo inteiro. O desastre inesperado deixou dúvidas, perguntas, angústias, e muitas tristezas.

A tragédia abalou o mundo, e deixou muitas interrogações, como por exemplo: “Quem seria os maiores culpados pela tragédia no Atlântico Norte?” “Por que não havia uma segurança maior para os passageiros em um transatlântico tão moderno como o Titanic?” “Como a empresa White Star Line poderia ter afirmado que o Titanic era insubmersível se essa informação não era verdadeira?”.

As incertezas, e os questionamentos que ficaram foram muitos, mas percebe-se, que não tem como culpar apenas uma pessoa pelo naufrago do Titanic e pelas vidas que se foram. De fato, se analisarmos detalhadamente, há muitos culpados nessa história.

Nota-se, que capitalismo exagerado foi um dos principais motivos que levou ao fato ocorrido, pois, se não houvesse tanta disputa de poder no Atlântico, certamente muitas vidas inocentes teriam sido preservadas, e protegidas dos perigos a bordo. Mas, como foi possível analisar o interesse da empresa e dos construtores do Titanic estava focado no sucesso e na concorrência naval.

O capitalismo, o mercantilismo e a busca constante pelo prestígio na era das grandes navegações, fez do homem um ser sem ética, sem reflexão sobre si e sobre seus atos. A concorrência naval fez com que muitos homens senhores de poder, acreditassem que poderiam desafiar a natureza, e até mesmo, o próprio Deus. O poder alienou os homens, ou seja, eram homens alienados em busca de vantagens, e de riqueza fácil.

A empresa da propaganda enganosa a White Star Line, com certeza foi a maior culpada e responsável pela tragédia ocorrida na noite de 14 de abril, para 15 de abril de 1912. Pois além de desafiar a natureza e ao próprio Deus com a construção do navio que nem “Deus afundaria”, coube-lhe mentir até o final sobre sua obra-prima da engenharia, o Titanic. Contudo, ainda teve coragem de negar o naufrago nas primeiras horas do dia 15 de abril as famílias dos passageiros do transatlântico, afirmando novamente que o “Titanic não corria risco de afundar, pois o navio era insubmersível”, a empresa, mentiu até no último instante, com um ar de superioridade.

Porém, independentemente da perda do navio, segurado apenas em três quartos de seu valor, a empresa White Star Line teve que desembolsar 600 mil libras em favor das vítimas. O desaparecimento do Titanic afastou a esperança de reconquistar o domínio do Atlântico, com o Olympic e o Gigantic.

No entanto, é possível analisar também, que o Capitão do Titanic o Sr. Smith poderia ter se preocupado em ter um cuidado maior durante a navegação, diminuído a marcha, e exigido dos vigias uma atenção redobrada em relação aos icebergs, pois os avisos chegaram ao capitão afirmando que poderiam encontrar grandes icebergs, por se tratar de uma área muito gélida. Foram recebidas várias mensagens durante o dia sobre a presença de icebergs ou de pack (zona de banquisa, isto é, de mar gelado), entre 40° e o 42°paralelo. Essas indicações foram transpostas para o mapa e, desde as 19: h30, uma das mensagens tinha sido afixada na ponte de comando.

As posições indicadas figuravam ao Norte e ao Sul da rota seguida pelo navio, tratava-se de uma presença normal nessa parte do itinerário, onde termina, sob a impulsão da corrente do Labrador, a deriva dos grandes icebergs que se soltam da costa ocidental da Groenlândia. Desde então, aparentemente o capitão não se preocupou com os avisos de gelo, pois estava tão confiante que o navio não afundaria, e que dificilmente se chocaria com um iceberg, que solicitou acender as últimas caldeiras.

A tragédia envolveu muitas pessoas, as quais perderam suas vidas no Atlântico Norte nas águas negras e gélidas do oceano. Alguns inocentes, outros culpados por implantarem um sistema capitalista, desleal, desafiador e desumano.

No entanto, a culpa não poderia deixar de cair principalmente sobre a empresa dona do maior navio do mundo, mas tal culpa não se deve apenas a White Star Line, pois, o Capitão Smith, também não respeitou os limites e os avisos de icebergs na região onde navegavam, reagindo ao contrário dos avisos repassado ao mesmo para ter cuidado. Observa-se, que Capitão do Titanic não fez questão de priorizar a vida das pessoas que conduzia naquele exato momento da viagem.

Em uma edição especial, a Revista Veja, traz indagações sobre a tragédia ocorrida na noite 14 de abril de 1912, questionando o choque com o iceberg, e a falta de segurança que o navio mais moderno da época não oferecia a todos os passageiros a bordo.

Totem da ousadia humana, orgulho da engenharia náutica, colosso de 269 metros de comprimento e 46 mil toneladas, obra-prima de 7,5 milhões de dólares, o RMS Titanic, tido e havido como inexpugnável pelos mais insuspeitos especialistas, soçobrou em sua viagem inaugural. Ao colidir com um iceberg, nas últimas horas do dia 14 de abril, o navio afundou e levou consigo a vida de 1.500 pessoas nas águas gélidas do Atlântico Norte. Ao choque e à incredulidade pela notícia, soma-se agora, no rescaldo da acachapante tragédia, a ânsia pelas respostas às perguntas que não querem calar. Como um gigante do porte do Titanic pode ter simplesmente afundado pelo choque com um iceberg? Por que o maior e mais moderno navio de nosso tempo não oferecia plenas condições de segurança a todos os seus passageiros? Autoridades dos Estados Unidos e da Inglaterra já se mobilizam para investigar as causas do sinistro e atribuir possíveis responsabilidades (REVISTA VEJA, 2012)

Por mais que a tragédia tenha causado pânico, tristeza e incerteza na era das grandes navegações, o Titanic jamais será esquecido mundialmente, e principalmente por aqueles homens que o construíram, homens esses, que o projetaram, que o testaram, e que se encantaram com a sua obra-prima.

A lembrança do navio jamais será apagada também, da memória daqueles que sobreviveram à tragédia, e que navegaram cinco dias no luxuoso Titanic antes do seu naufrago, assim como, da memória daquelas pessoas que se aproximaram do moderno transatlântico no dia de seu lançamento ao mar, e em sua viagem inaugural no porto de Southampton, no Reino Unido (Inglaterra), em 10 de abril de 1912.

O Titanic é muito mais que uma tragédia no mar. A noite de 14 de abril para 15 de abril de 1912 virou uma lenda, um mito, que até hoje provoca extraordinária repercussão. O desaparecimento do gigante dos mares, a calma e a espantosa abnegação demonstradas pelos passageiros inspiraram operetas, canções, filmes, romances e até poemas épicos.

A Sociedade Histórica do Titanic, em pleno funcionamento, recolhe documentos e lembranças. A cada cinco anos, no aniversário da tragédia, seus associados, os Entusiastas, multiplicam as manifestações na presença dos últimos sobreviventes.

O Titanic enfeitiçou todos aqueles que o construíram ou que navegaram nele. Quanto mais os anos passam, mais fabulosa fica a lembrança de sua imagem. Os sobreviventes, pobres ou ricos, passageiros ou tripulantes, todos possuem duas qualidades em comum: de início, dão uma maravilhosa impressão de equilíbrio, como se o fato de ter passado por essa prova espantosa lhes facilitasse a convivência com todos os problemas da existência. Sua velhice está impregnada de uma espécie de elegância e paz. Além disso, todos demostram um notável desprendimento, como se depois de terem testemunhados os maiores devotamentos e as maiores renúncias, tivessem passado o resto de suas vidas eliminando de si todo e qualquer traço de egoísmo. (LORD, 1999)

O Titanic é ainda uma espantosa ressureição, que constitui um dos feitos mais retumbantes da pesquisa oceânica e da arqueologia submarina. Em 1985-1986, após uma expedição de busca, admirável pelo seu rigor, uma equipe franco-americana encontrou os destroços a 4 mil metros de profundidade, visitou algumas partes e registrou imagens espantosas do gigante desaparecido, em grande parte intacto, e recoberto por uma abundante vegetação aquática. O navio é uma lenda.

Nota-se, que o Titanic se tornou uma lenda, desde sua construção nos estaleiros da Harland em Belfast na Irlanda do Norte, pelo motivo da grandeza do gigante, e da crença que o Titanic seria o navio insubmersível.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante o desenvolvimento do artigo científico foi possível analisar, que o Titanic foi o transatlântico mais luxuoso e moderno já construído pelas mãos dos homens no início do século XX. O navio era composto por instalações exuberantes, entre essas instalações, as que mais chamavam a atenção era a escadaria da primeira classe, a qual era composta por um corrimão de ferro fundido, assim como, os painéis de madeira esculpida, e a decoração em estilo clássico. O luxo demasiado fazia do navio um verdadeiro hotel cinco estrelas, ou um palácio flutuante, como se dizia na época.

Certamente, o surgimento dos gigantes nos mares, marcou uma era, a era das grandes navegações marítimas. Sabe-se, que os navios foram os primeiros meios de transportes a percorrer longas distâncias, e a atravessar o Atlântico. Esse meio de transporte aquático, fez muita diferença no desenvolvimento mercantilista dos países capitalistas, e no transporte de passageiros para a América entre o século XV e o século XX.

O Titanic foi muito mais que uma tragédia no mar. Na era das grandes navegações, a construção de navios gigantes foi muito relevante para muitos homens, pois oportunizou muitas vagas de trabalho para os trabalhadores sustentarem suas famílias. Porém, o trabalho nos estaleiros era muito perigoso, os trabalhadores não tinham acesso a nenhum tipo de segurança no trabalho, muitos homens perderam suas vidas na construção do Titanic, pois o trabalho exigia agilidade e competência, quanto mais ágil fosse o trabalhador, maior seria o seu ganho. Mas essa agilidade nos estaleiros, fez com que muitos homens caíssem da construção e perdessem suas vidas.

Para a fabricação do Titanic foi contratado os melhores profissionais selecionados pelas Ilhas britânicas, os homens mais capacitados, entre esses, pode-se destacar, (carpinteiros, eletricistas, encanadores, ferreiros, marceneiros, metalúrgicos, montadores, pintores, projetistas, rebitadores, rebocadores, etc.).

Contudo, a disputa naval era cada vez mais acirrada, em busca de vantagens e lucros no Atlântico. O que estava em jogo era o orgulho das nações e uma ambição sem limite dos homens da época. O estudo baseou-se principalmente na análise histórica do Titanic, desde sua construção do navio, ao naufrago.

De fato, não se pode negar que o capitalismo, e a disputa de poder no Atlântico, foi o que levou a tragédia do Titanic ocorrida na noite do dia 14 de abril para 15 abril de 1912. As disputas marítimas resultaram em uma grande guerra e uma rivalidade entre os países desenvolvidos. O orgulho dos estaleiros, das empresas construtoras dos navios, e dos próprios operários prevaleceu durante séculos.

No entanto, não podemos lembrar-nos do Titanic apenas como a maior tragédia marítima já ocorrida na história da humanidade, por mais que tenha sido um desfecho triste, focada no capitalismo e na disputa naval, a projeção e a fabricação do Titanic deixou uma lição para a humanidade, ou seja, á resultados positivos em torno do naufrago.

Contemporaneamente, é possível analisar resultados positivos em torno dessa tragédia. Primeiramente, é essencial compreendermos que tudo que é construído pelas mãos humanas, é de fato falível, não há como oferecer um projeto infalível, ou ter tanta certeza sobre um projeto, um resultado que envolve a vidas de milhares de pessoas ao mesmo tempo.

No entanto, percebe-se que ainda hoje, em pleno século XXI, algumas pessoas ”tentam” desafiar a natureza perfeita, construída pelas mãos de Deus (o Criador do céu e da terra). A tecnologia por mais moderna que seja, jamais terá a força, a resistência e a sabedoria da natureza divina. Devemos ter consciência de nossas atitudes, de nossas ambições, e nunca desafiar a natureza, pois ela nos detém.

O naufrago do Titanic foi inesperado, porém os resultados dessa tragédia devem ser refletidos constantemente, e utilizados para a prevenção de novos desastres marítimos, que podem vir acontecer, pois não estamos livres.

Nota-se, que além de competições, de construções gigantes e de luxos exuberantes, é necessário que em toda fabricação haja uma segurança reforçada e comprometida com a vida humana, como também, uma atenção especial aos perigos que podem surgir no caminho.

Contudo, o desastre do transatlântico em meio ao Atlântico Norte, acabou com a vida de mil e quinhentas (1.500) pessoas, de fato, os mais atingidos foram à terceira classe (proletariado). Porém, em meio à catástrofe, o Titanic se tornou uma lenda fabulosa que dificilmente será esquecido, os destroços do gigante continuam ano após ano a repousar no fundo do oceano.

A tragédia do Titanic ao Sul do Canadá não será apagada, mas sim relembrada. Os destroços do navio desaparecido na noite de 15 de abril de 1912 permanecem no mar a quatro mil metros de profundidade. O Titanic contínua presente.

REFERÊNCIAS

AGUIAR, Hugo Hortêncio de. O Titanic continua navegando. Brasília a. 49 n. 193 jan./mar. 2012.

ALVES, Magda. Como escrever teses e monografias: um roteiro passo a passo. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

BASSO, Cleiton. No coração do oceano/ Cleiton Basso. — Rio de Janeiro: Sinergia, 2012. 1° edição, 166p. ISBN 978-85-7947-07-69.

CORDEIRO, Gisele do Rocio. Orientações e dicas práticas para trabalhos acadêmicos/ Gisele do Rocio Cordeiro, Nilcemara Leal Molina; Vanda Fatorri Dias (Org.). – 2.ed.rev.e atual. – Curitiba: Intersaberes, 2014. Bibliografia ISBN 978-85-8212-967-8.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 184p.

LORD, Walter. A tragédia do Titanic. São Paulo: Presença, 1999.

MASSON, Philippe, 1928-2005. Titanic: A história completa/ Philippe Mason; tradução Angela M. S. Corrêa. – 1. ed. 1° reimpressão. – São Paulo: Editora Contexto, 2015, 265 p. Título original: Le drama du Titanic. Bibliografia ISBN 978-85-7244-691-4.

REVISTA, Veja. Edição especial Titanic. 2012.

[1] Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Faculdade Internacional de Curitiba – PR, (FACINTER). Graduada em Licenciatura Plena em História – pela Faculdade Internacional de Curitiba (FACINTER). Graduanda de Licenciatura Plena em Sociologia – Turma de Outubro de 2017 da (FACINTER). Especialização em Educação Especial e Inclusiva (FACINTER). Especialização em Docência no Ensino Superior pela Faculdade de Educação São Luís de São Paulo – SP. Especialização em Gestão Escolar: Orientação e Supervisão pela Faculdade de Educação São Luís – SP. Especialização em Ensino Lúdico pela Faculdade de Educação São Luís – SP.

Enviado: Dezembro, 2018

Aprovado: Dezembro, 2018

Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Faculdade Internacional de Curitiba – PR, (FACINTER). Graduada em Licenciatura Plena em História – pela Faculdade Internacional de Curitiba (FACINTER). Graduanda de Licenciatura Plena em Sociologia – Turma de Outubro de 2017 da (FACINTER). Especialização em Educação Especial e Inclusiva (FACINTER). Especialização em Docência no Ensino Superior pela Faculdade de Educação São Luís de São Paulo – SP. Especialização em Gestão Escolar: Orientação e Supervisão pela Faculdade de Educação São Luís – SP. Especialização em Ensino Lúdico pela Faculdade de Educação São Luís – SP.

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