Estudo e dimensionamento de um sistema de refrigeração portátil

DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-quimica/refrigeracao-portatil
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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL 

SANTOS, Aléxia Botelho dos [1], MENDES, Ana Paula [2], SANTOS, Joycielle Naira dos [3], PEREIRA, Kamyla Sthephne Oliveira [4], SANTOS, Larissa Maria Silva [5], PEREIRA, Raiane Roberta Bueno [6], SANTOS, Alexsander Saves dos [7]

SANTOS, Aléxia Botelho dos. Et al. Estudo e dimensionamento de um sistema de refrigeração portátil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 09, Vol. 01, pp. 93-113. Setembro 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-quimica/refrigeracao-portatil, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-quimica/refrigeracao-portatil

RESUMO

A refrigeração é uma Operação Unitária responsável pela diminuição, de forma artificial, da temperatura de um sólido ou fluído até o ponto de congelamento. O presente trabalho teve como objetivo desenvolver um refrigerador por compressão a vapor tipo portátil, leve e de baixo custo, para o resfriamento de bebidas armazenadas em latas e garrafas. A metodologia adotada foi uma pesquisa experimental, em que é apresentado todo o desenvolvimento do equipamento desde a seleção dos materiais, dimensionamento, montagem, testes de funcionamento e avaliação de desempenho em termos da capacidade de refrigeração. O projeto comprovou sua eficiência, uma vez que apresentou uma queda de temperatura de 27,1 ºC em 150 minutos, sendo que o fluído em temperatura ambiente de 26 ºC, atingiu ao término do processo a temperatura de -1,1 ºC, em um tempo relativamente baixo. Ademais, o trabalho promoveu dados adeptos com a literatura, gerando assim, resultados satisfatórios.

Palavras-chave: Refrigeração, Compressor, Evaporador, Temperatura.

1. INTRODUÇÃO

A refrigeração é uma Operação Unitária responsável pela diminuição, de forma artificial, da temperatura de um sólido ou fluído até o ponto de congelamento. Para Borgnakke e Sonntag (2002) a refrigeração pode ser definida como o processo que transfere calor de forma contínua de um ambiente refrigerado para um ambiente com temperatura mais baixa que o meio. É muito utilizada para diversos fins, como armazenamento e conservação de alimentos, climatizar ambientes, entre outros.

Nunes (2015) relata que na segunda metade do século XVIII, William Cullen (1794 – 1878) em 1755, diminuiu a pressão do éter para facilitar a evaporação e assim acelerar o processo de retirada de calor de uma quantidade pequena de água, notando que a temperatura baixou suficientemente para congelar a água e produzir gelo artificial. Anos depois, em 1834 Jacob Perkins (1766 – 1849) patenteou o primeiro equipamento com ciclo de refrigeração por compressão a vapor, porém, somente após 20 anos, o primeiro refrigerador foi construído. Os modelos atuais de refrigerador surgiram na segunda década do século XX e, desde então a refrigeração é imprescindível a todos.

O elemento pode constituir-se em três diferentes estados físicos, sendo estes, o estado líquido, gasoso e sólido. Entretanto, de acordo com a pressão e a temperatura, um específico tipo de elemento tem a possibilidade de se apresentar em qualquer outro estado físico. Em um sistema de refrigeração estão presentes duas transformações envolvendo a mudança de estado físico: a condensação e a vaporização.  A vaporização é a passagem do estado líquido para o gasoso e ocorre dentro do evaporador e a condensação é a passagem do estado gasoso para o líquido e ocorre dentro do condensador (EVANGELISTA, 2010).

Por meio de uma configuração global ideal de trabalho, pode-se obter uma economia de energia em ciclos de compressão de vapor para cada equipamento do sistema e, em sequência, para todo o sistema (NUNES, 2015).

Segundo Ferraz (2008) refrigeradores são responsáveis pelo resfriamento de bebidas e alimentos, logo, existem inúmeros modelos no mercado com diferentes utilidades e temperaturas, podendo ser classificados nas categorias doméstica, comercial e industrial.

Os sistemas de refrigeração podem ser de compressão de vapor, absorção, refrigeração a ar e por efeitos termoelétricos. O sistema mais utilizado é o de compressão a vapor, enquanto os demais, apenas em condições específicas (NUNES, 2015).

Marques (2010) relata que o desempenho do ciclo de refrigeração por compressão a vapor depende, em particular, do fluído refrigerante, portanto, é importante a análise do coeficiente de desempenho do ciclo, através do Coeficiente de Performance (COP), onde é possível determinar qual fluído é mais viável para ser utilizado.

Determinados estudos apontam que para o melhoramento do desempenho dos sistemas de refrigeração é aplicado um o controle eletrônico nos equipamentos, como o comando eletrônico na velocidade do compressor e na abertura de válvula de expansão (NUNES, 2015). Assim, para que haja progresso no projeto e em seu controle contínuo, os avanços tecnológicos são essenciais para o melhor desempenho e confiabilidade dos sistemas de refrigeração (MCKINLEY; ALLEYNE, 2008).

Martínez (2009), termodinamicamente o ciclo ideal de refrigeração por compressão de vapor é composto por quatro processos, sendo um processo de compressão adiabática e reversível (compressor), desde o estado de vapor saturado até vapor superaquecido; um processo de rejeição de calor à pressão constante (condensador), reduzindo inicialmente a temperatura do refrigerante e condensando-o até um estado de líquido saturado; um processo de expansão irreversível, a entalpia constante (num dispositivo de expansão com redução de pressão) até atingir a pressão de evaporação; e finalmente,  um processo de ganho de calor a pressão constante, resultando na evaporação do refrigerante até o estado de vapor saturado.

O fenômeno da refrigeração é resultante de transformações físicas sofridas por um fluido refrigerante durante seu percurso em um sistema fechado. Dentro de um sistema de refrigeração por compressão de vapor é composto basicamente por um compressor, condensador, um mecanismo de expansão (tubo capilar) e um evaporador (OLIVEIRA; REBELATTO; YAMASHITA, 2016).

Fluídos refrigerantes, são as substâncias empregadas como transmissores térmicos na realização dos ciclos de refrigeração. Por terem propriedades termodinâmicas, esses compostos são capazes de absorver calor, esfriando o ambiente de maneira controlada. A qualidade do fluído refrigerante é um fator fundamental para funcionamento e rendimento de sistemas de refrigeração (MORAIS, 2012).

Além de propriedades termodinâmicas, esses fluidos não devem ser tóxicos ou trazerem impactos ao meio ambiente. Rowland e Molina (1975) demostraram que o fluído refrigerante extensivamente utilizado nos sistemas de refrigeração, o CFC-12 (da família dos clorofluorcarbonos), possuía alto índice de destruição da camada de ozônio, o que fez com que fosse interrompido na década de 90, embora seus efeitos ainda sejam sentidos (SELLENT, 2011). O fluído mais usufruído em equipamentos de refrigeração no Brasil é o HFC-134A, pois independente da sua contribuição na degradação dentro da camada de ozônio ser quase inexistente, o efeito do aquecimento global continua considerável (OLIVEIRA; REBELATTO; YAMASHITA, 2016).

Nas palavras de Carmeis (2002) e Salvador (1999), o compressor é um componente mecânico mais complexo, movido por um motor elétrico, cuja função é puxar o refrigerante vaporizado do evaporador e o comprimir em um volume pequeno a uma alta temperatura, assim, fornece um diferencial de pressão de forma que o fluido refrigerante possa evaporar a uma temperatura inferior à temperatura de condensação e assim retirar calor de uma fonte fria e rejeitar esse calor para uma fonte quente.

Condensadores são os elementos do sistema de refrigeração que têm a função de transformar o gás quente, que é descarregado do compressor a alta pressão, em líquido. Para isso, rejeita o calor contido no fluido refrigerante para alguma fonte de resfriamento (FERRAZ, 2008).

O dispositivo de expansão tem a função de reduzir a pressão do refrigerante desde a pressão de condensação até a pressão de vaporização. Ao mesmo tempo, este dispositivo deve regular a vazão de refrigerante que chega ao evaporador, de modo a satisfazer a carga térmica aplicada ao mesmo (SEELENT, 2011).

O evaporador é a parte do sistema de refrigeração onde o fluído refrigerante passa uma modificação de estado, deixando a fase líquida e passando para a fase gasosa. Após passar pela válvula de expansão, o fluido refrigerante é admitido no evaporador da forma líquida. Como a pressão do evaporador é baixa, o fluido refrigerante se evapora com uma temperatura baixa (JÚNIOR, 2003).

Partindo destes conceitos, o objetivo foi desenvolver um refrigerador por compressão à vapor tipo portátil, leve e de baixo custo, para o resfriamento de bebidas armazenadas em latas e garrafas, de forma agradável para o consumo humano.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

O presente projeto foi realizado no período de julho a agosto de 2020 na Universidade Brasil, localizada na Estrada Projetada F-1 s/n Fazenda Santa Rita, no Município de Fernandópolis-SP. A pesquisa desenvolvida foi experimental e seguiu as etapas elencadas na Figura 1:

Figura 1Etapas de desenvolvimento do projeto

Fonte: Os autores, 2020.As aquisições dos materiais para o desenvolvimento do projeto de refrigeração foram de recursos próprios, estabelecidos e providenciados nas proporções adequadas para o funcionamento do protótipo (Tabela 1).

Tabela 1 – Custos dos materiais utilizados e aplicações externas

Material Quantidade Valor Unitário (R$) Valor Total (R$)
Abraçadeira 3,1 cm x 1,8 cm 9 2,00 18,00
Abraçadeira 4,2 cm x 1,8 cm 8 2,75 22,00
Abraçadeira 8 cm x 1,8 cm 15 3,50 52,50
Adesivo + Arte 1 25,00 25,00
Arruelas 8 0,20 1,60
Caixa térmica 50 litros 1 100,00 100,00
Chapa metálica 21,7 cm X 16,2 cm 1 8,00 8,00
Chapa metálica 16,1 cm x 8,1 cm 1 7,00 7,00
Chapa metálica 16,1 cm x 7,1 cm 1 7,00 7,00
Cilindro de gás refrigerante            Eos R-409A 750g 1 102,00 102,00
Controlador digital MT-512E 1 160,00 160,00
Cooler 1 58,90 58,90
Dimmer rotativo 1000W 1 18,00 18,00
Filtro secador 1 9,90 9,90
Motor de bebedouro 1/8 1 100,00 100,00
Parafuso 1” x 3/8” 8 0,71 5,68
Parafuso brocante 1,3 cm 120 0,12 14,40
Porcas 8 0,25 2,00
Silicone PU-30 420g 1 13,80 13,80
Tinta spray colorgin 350 ml 1 20,00 20,00
Tubo capilar 0,50” 3 metros 6,67 20,00
Tubo de cobre 5/16 11 metros 9,27 102,00
Tubo de cobre 3/8 4 metros 11,25 45,00
Válvula schrader 2 5,00 10,00
Aplicações externas (gás refrigerante no sistema) 1 300,00 300,00
TOTAL R$ 1.222,78

Fonte: os autores, 2020.

Para que o protótipo funcionasse, seguiu-se as etapas de funcionamento do sistema de Compressão Mecânica de Vapor (CMV), de acordo com explanações de Ferraz (2008), onde o fluido refrigerante adentra no evaporador à baixa pressão, na forma de líquido mais vapor, e retira energia do meio interno enquanto passa para o estado de vapor. Após, o vapor entra no compressor onde é comprimido e bombeado, tornando-se vapor superaquecido, onde desloca-se para o condensador, que tem a função de liberar a energia retirada do ambiente. Após liberar energia, o fluido passa do estado de vapor superaquecido para líquido (condensação), entrando no dispositivo de expansão, após, a pressão é reduzida, volta ao evaporador e o ciclo inicia novamente. A Figura 2 ilustra esse sistema.

Figura 2 – Representação de um sistema de refrigeração.

Fonte: Rey, 2019.

Para desenvolvimento do projeto de refrigeração, seguiram as etapas que estão destacadas no Quadro 1.

Quadro 1 – Desenvolvimento do protótipo.

Fonte: Os autores, 2020.

De acordo com o projeto de mini refrigerador desenvolvido por Seelent (2011), um refrigerador de bebidas com alto rendimento e potência de 960 W, consegue refrigerar de 28 °C para 0 °C, 24 garrafas de 600 ml em uma hora e vinte minutos. Partindo disso, fez-se os testes no protótipo para verificação da capacidade do compartimento conforme demonstrado na Tabela 2.

TABELA 2: Capacidade de cervejas do Mini Refrigerador Portátil.

COMPARTIMETO FREZER (maior) COMPARTIMENTO GELADEIRA (menor)
12 GARRAFAS 1L EM PÉ + 10 GARRAFINHAS 300 mL = 22
20 GARRAFAS 600 Ml EM PÉ + 10 GARRAFINHAS 300 mL = 30
22 GARRAFAS 500 Ml DEITADA + 10 GARRAFINHAS 300 mL = 42
50 GARRAFAS 300 Ml DEITADA + 10 GARRAFINHAS 300 Ml = 60

Fonte: Os autores, 2020.

2.1 MÉDIA LOGARÍTMICA DAS DIFERENÇAS DE TEMPERATURAS

Com intuito de analisar a eficiência do protótipo realizou-se o primeiro teste. Colocou-se o fluido refrigerante em um circuito fechado, que entrou no compressor a temperatura de -15°C e saiu para o sistema de refrigeração a -12°C. No interior da caixa térmica, armazenou-se uma cerveja de 500 ml por 30 min que entrou a temperatura ambiente de 29°C e que após o tempo de resfriamento, saiu a 19 °C.

Utilizou-se a Equação 1 para o cálculo da MDT, considerando a operação em correntes opostas.

(1)

Onde,  é a variação de temperatura máxima, calculada pela subtração entre a temperatura de entrada do fluído quente com a temperatura de saída do fluído frio e  é a variação de temperatura mínima, calculada pela subtração da temperatura de saída ou descarga do fluído quente, com a temperatura de entrada do fluído frio.

2.2 CÁLCULO DA CAPACIDADE TÉRMICA DO REFRIGERADOR

Do ponto de vista matemático, a capacidade térmica (C) é definida como a razão entre o calor recebido (Q) pelo corpo e a variação de temperatura (ΔT) sofrida por ele. A expressão que se utiliza a fins de calcular essa relação é a Equação 2.

   (2)

Onde:

C: capacidade térmica (kJ/kg°C);

Q: quantidade de calor (kJ);

ΔT: variação de temperatura (°C ou K).

O Quadro 2 apresenta as especificações da caixa refrigeradora e da garrafa de cerveja.

Quadro 2: Especificações da caixa refrigeradora e garrafa de cerveja.

ESPECIFICAÇÕES
CAIXA REFRIGERADORA GARRAFA DE CERVEJA
Capacidade: 50 litros

Peso: 22 kg

Espessura do isolante térmico 0,03m

Tensão de alimentação: 127 V 60 Hz

Dimensão interna da caixa térmica:

Altura: 0,43m Largura: 0,40m Comprimento: 0,56m

Massa cerveja: 300ml

Massa vidro: 240 g

Calor específico do vidro: 0,67 kJ/kg°C

Calor específico da cerveja: 4,27 kJ/kg°C (SEELENT,2011)

 

Fonte: Os autores, 2020.

A capacidade térmica é proporcional à massa dos corpos. Essa proporcionalidade é definida por uma grandeza denominada calor específico ©, que é determinado pela razão constante entre a capacidade térmica e a massa de uma substância, quanto maior a massa de um corpo, maior a quantidade de calor necessária para variar sua temperatura (TEIXEIRA, 2021).

Logo após, de posse de um termômetro mediu-se a temperatura da caixa e da cerveja em função do tempo e assim calculou a variação da temperatura com a Equação 3.

(3)

Onde:

ΔT: variação de temperatura (°C)

Tf: temperatura final (°C)

Ti: temperatura inicial (°C)

Portanto, calculou-se a Energia Térmica da cerveja com a Equação 4.

(4)

Onde:

Q: energia térmica (Kj)

m: massa (kg)

c: calor específico (Kj/kg°C)

ΔT: variação de temperatura (°C)

2.3 CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA

Para estimar o consumo de energia elétrica mensal no período 24 horas por dia, utilizou-se Equação 5 e Equação 6.

(5)

C: consumo de energia elétrica (kWh)

P: potência consumida (W)

t: tempo de funcionamento (h)

Consumo mensal:     (6)

C = consumo de energia elétrica (kWh)

h = horas de utilização do mini refrigerador

Tomando a Lei de Ohm, junto a fórmula da Figura 3, determinou-se o valor da potência elétrica dissipada pela Equação 7.

Figura 3: Representação da Lei de Ohm.

Fonte: (BISQUOLO, 2021).

(7)

P: Potência (W)

U: Tensão (V)

I: Corrente elétrica (A)

3. RESULTADO E DISCUSSÃO

A Tabela 3 demostra os resultados obtidos através dos testes, do valor da MLDT e das temperaturas, tanto de entrada (E) e saída (S) dos fluídos quentes (TQ) e frios (TF) em °C. Após a realização dos testes 2 e 3 no tempo estimado de 15 minutos, a quantidade de cerveja continuou armazenada na caixa e observou que no primeiro teste ocorreu a formação de gelo na serpentina de cobre do evaporador. Já no segundo e terceiro testes, a formação de gelo continuou aumentando na área refrigerada.

Tabela 3 – Temperaturas e MLDT.

Teste TQ, E (°C) TF, E (°C) TQ, S (°C) TF, S (°C) MLDT
1 29 -15 19 -12 37,12
2 19 -15 15 -12 30,36
3 27 -15 19 -12 36,22

Fonte: Os autores, 2020.

Conforme explanações de Silva e Thadeu (2012)

O fluxo de calor transferido entre os fluidos e o trocador de calor é diretamente proporcional à diferença de temperatura média entre os fluidos. No trocador de calor de correntes opostas à diferença de temperatura entre os fluidos não varia tanto, o que gera em uma diferença média maior, como consequência mantida as mesmas condições, logo o trocador de calor trabalhando em correntes opostas é mais eficiente.

Realizou-se um 4º teste, para descobrir a capacidade térmica da máquina, onde permite calcular a quantidade de energia trocada (cedida ou recebida) por um corpo. Esta troca de energia é proveniente da variação de temperatura do protótipo. O Quadro 3 mostra a variação da temperatura da caixa em função do tempo.

Quadro 3: Variação de temperatura da caixa.

T (min) T °C
0 22,5
15 18
30 10,9
45 6,8
60 4,1
75 3,1
90 2,4
105 1,6
120 1,2
135 0,5
150 -1,1

Fonte: Os autores, 2020.

Analisando os resultados do Quadro 3, foi possível elaborar o gráfico da Figura 4 para identificar a curva das variações de temperatura. Observa-se que quanto maior o tempo de refrigeração menor a temperatura, confirmando a eficiência do equipamento.

Figura 4: Gráfico das variações de temperatura.

Fonte: Os autores, 2020.

A Figura 5 apresenta a temperatura inicial e final da cerveja, sendo 27,5 °C e 5,7 °C, respectivamente.

Figura 5: Temperatura da cerveja.

Fonte: Os autores, 2020.

Calculou-se a variação da temperatura da cerveja e da caixa, e respectivamente.

Após, determinou-se a energia térmica total da cerveja e da caixa refrigeradora, sendo igual

Assim, efetuou-se o cálculo da capacidade térmica da caixa e da cerveja, obtendo um valor de

O resultado -1,45 kJ/kg°C da capacidade térmica indica que o material perdeu calor e diminuiu a energia do sistema, ou seja, a energia térmica está saindo do corpo. Isso ocorre quando um corpo recebe ou perde calor e a temperatura aumenta ou diminui, ocorrendo assim a mudança de estado e agregação das moléculas, do estado sólido para líquido, líquido para vapor, ou vice-versa (SCHULZ, 2009). Segundo Bekon (2019) como a capacidade máxima do refrigerador é de 60 garrafas de 300ml, a carga máxima de calor no interior da caixa será 2053,2 kJ. O protótipo atingiu o valor esperado de -1,1°C abaixo de 0 °C visto que não necessariamente poderemos ter a carga máxima.

Com o auxílio de um Alicate Amperímetro Digital mediu-se a tensão média e a corrente elétrica, resultando em 127 V e 1,07 A, respectivamente e encontrou o valor da potência dissipada em .

Como a taxa por kWh é aproximadamente R$ 0,33, estimou-se o gasto de energia elétrica do mini refrigerador por mês em

Quadro 4: Informações de eficiência energética.

Fonte: Procelinfo, 2006.

Figura 6: Valores do kWh das companhias elétricas.

Fonte: Coelho, 2012.

Portanto, o consumo mensal do mini refrigerador foi de R$ 32,29 durante 30 dias, e conforme o Quadro 4, observa-se que o valor do protótipo é relativamente próximo ao freezer horizontal/vertical, que de acordo com a Figura 6, a taxa administrativa das companhias elétricas é variável. Segundo Kronbauer (2013) no qual possui um refrigerador de capacidade 3 litros compostos de pastilhas termoelétricas que operam utilizando o efeito Peltier, gastou-se 5,88 kWh por mês utilizando a caixa 4h por dia. Portanto, verificou-se que o projeto gastou menos energia e possui uma capacidade maior.

4. CONCLUSÃO

O desenvolvimento deste trabalho abrange conhecimentos práticos e teóricos do processo de refrigeração, que possibilita essa flexibilidade de transporte devido ao seu tamanho, podendo ser reproduzido facilmente e com baixo custo de fabricação.

Elaborou-se um modelo de refrigeração portátil por compressão a vapor com refrigerante ecológico (R-409) para o resfriamento de bebidas e alimentos, composto basicamente por um evaporador onde o fluido adentra a baixa pressão, compressor onde o gás é comprimido e bombeado e condensador evaporativo atmosférico.

Através dos cálculos referente ao método (MLDT) e testes de funcionamento, o protótipo apresentou uma queda de temperatura de 27,1 ºC em 150 minutos sendo que o fluído em temperatura ambiente de 26 ºC, atingiu ao término do processo a temperatura de -1,1 ºC, resultado satisfatório comparado com a literatura.

À vista disso, o protótipo suportou a capacidade de até 60 garrafas de 300 ml, promovendo uma economia energética considerável, já que depende de uma fonte elétrica para realizar trabalho.

Diante disso o projeto comprovou sua eficiência que validou dados adeptos com a literatura, gerando resultados satisfatórios para essa versão do protótipo.

REFERÊNCIAS

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BISQUOLO, Paulo Augusto, Potência elétrica – Cálculo do consumo de energia elétrica, 2021. Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/fisica/potencia-eletrica-calculo-do-consumo-de-energia-eletrica.htm>. Acesso em: 27 de fevereiro 2021.

BORGNAKKE, Claus, SONNTAG Richard. Fundamentos da Termodinâmica, 2002. Disponível em: <http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/261696>. Acesso em: 21 de Abril de 2021.

CARMEIS, Dean Willian Moraes. Os efeitos da diversidade de tensões de distribuição no setor elétrico brasileiro: Estudo do Caso do Refrigerador Doméstico, 2002. Disponível em: <http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/261696>. Acesso em: 21 de abril 2021.

COELHO, Barbara. Tarifação da Energia Elétrica, 2012. Disponível em: <http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/1012705_2012_cap_6.pdf>. Acesso em: 31 de julho 2021.

EVANGELISTA, Carla Reis. Vaporização, 2010. Disponível em: <https://www.infoescola.com/termodinamica/vaporizacao/amp/>. Acesso em: 22 de fevereiro 2021.

FERRAZ, Fábio. Apostila de refrigeração. Centro Federal de Educação Tecnológica, 2008. Disponível em: < https://fabioferrazdr.files.wordpress.com/2008/09/ref13.pdf>. Acesso em: 06 de março 2021.

JÚNIOR, Luiz Carlos Martinelli. Refrigeração, 2003. 134p. Disponível em: < http://www.portaldoeletrodomestico.com.br/cursos/refrigeracao_ar/apostila_refrigeracao.pdf>. Acesso em: 14 de abril 2021.

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OLIVEIRA, Mário Henrique da Fonseca; REBELLATO, Daisy Aparecida do Nascimento; YAMASHITA, Bruno Dantas. Análise dos refrigeradores e freezers utilizados no Brasil e de novas tecnologias que possam aumentar sua eficiência energética. Disponível em: <https://revista.feb.unesp.br/index.php/gepros/article/viewFile/1484/735#:~:text=O%20fen%C3%B4meno%20da%20refrigera%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A9,conforme%20exposto%20pela%20Figura%201>. Acesso em: 27 de julho 2021.

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[1] Acadêmico em Engenharia Química.

[2] Acadêmico em Engenharia Química.

[3] Acadêmico em Engenharia Química.

[4] Acadêmico em Engenharia Química.

[5] Acadêmico em Engenharia Química.

[6] Acadêmico em Engenharia Química.

[7] Orientador.

Enviado: Junho, 2021.

Aprovado: Setembro, 2021.

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