Entre rotinas e ações docentes: repensando brinquedos

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ARTIGO ORIGINAL

VERAS, Daniela de Sousa Oliveira Melo [1], BIATO, Emília Carvalho Leitão [2]

VERAS, Daniela de Sousa Oliveira Melo. BIATO, Emília Carvalho Leitão. Entre rotinas e ações docentes: repensando brinquedos. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 07, Ed. 01, Vol. 03, pp. 28-39. Janeiro de 2022. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/repensando-brinquedos

RESUMO

O trabalho tem como objetivo aproximar adultos e docentes da prática comum da infância: o brincar e seus desdobramentos perceptíveis, bem como, mostrar que durante a evolução da sociedade, práticas adultocêntricas são inseridas nas brincadeiras das crianças, que passam a ser reprodutoras de determinados tipos de sociedade, atendendo em suas brincadeiras, as exigências do momento. O problema que se insere nessa perspectiva é: como posturas docentes, familiares e sociais podem impactar visões acerca de brinquedos, já que se nota diferenciação de gênero em ações e momentos que são refletidas em rotinas escolares e diárias, que impossibilitam crianças de se relacionarem com diversos tipos de brinquedos. A metodologia utilizada foi o levantamento referencial com base na análise de diferentes autores que ajudaram a construir reflexões do tema de forma ampliada e reflexões autorais que ampliam o debate sobre a temática no que se trata da postura docente e escolar. As reflexões finais foram que, as crianças, já chegam na sala de aula com pensamentos e ideias prontas sobre os brinquedos, pois o mundo em que vivem reforça essas diferenças diariamente, sendo papel dos novos educadores tentar nas particularidades questionar a ampliação de conceitos e pensamentos, os quais a sociedade já deixou pronto e que nunca foram questionados, para que as diferenças não sejam reforçadas, considerando que a escola é fator determinante para o reforço positivo e favorecedora do desenvolvimento crítico e reflexivo de seus alunos.

Palavras-Chave: Brincar, Docência, Escola, Sala de aula, Postura Docente.

1. INTRODUÇÃO

Basta observar uma criança brincando que é visto a importância do brinquedo na construção de mundo e nas visões de si mesmo. A conceituação de brinquedo é percebida como qualquer coisa que a criança possa usar para se divertir ou aprender. Este artigo busca trazer reflexões construídas ao longo do texto e a principal indagação é: Como posturas docentes, familiares e sociais podem impactar visões acerca de brinquedos? Já que se nota bastante a diferenciação de gênero em ações e momentos que  acabam sendo refletidas em rotinas escolares e diárias, que impossibilitam crianças de se relacionarem com diversos tipos de brinquedos.

A metodologia utilizada foi o levantamento referencial com base na análise de diferentes autores que ajudaram a construir reflexões do tema de forma ampliada e reflexões autorais próprias em sua maioria, que ampliam o debate sobre a temática no que se trata da postura docente e escolar.

Brinquedos são capazes de percorrer estilos, modos de vida, regras sociais e relações pessoais, tendo uma importância fundamental para o desenvolvimento das crianças e na construção de conhecimentos, já que: “O mundo da criança difere qualitativamente do mundo adulto, nele há o encanto da fantasia, do faz-de-conta, do sonhar e do descobrir” (PEDROSO et al., 2018, p.1).

É notável considerar que as crianças possuem uma noção de mundo diferente dos adultos, mas que em suas brincadeiras são capazes de retratar o mundo que vivem e a maneira como os adultos próximos se comportam, sendo assim o faz-de-conta uma das brincadeiras mais comuns, porque, por exemplo, duas meninas ao brincarem de bonecas podem retratar que são mães que cuidam de suas filhas, e os meninos ao brincarem de carrinho retratam que estão indo trabalhar, ou são donos de oficinas que cuidam de carros, colocam seus cotidianos em suas brincadeiras, já que suas mães cuidam delas e seus pais trabalham e usam o carro.

“ A brincadeira é a atividade que faz parte do cotidiano de qualquer criança, independentemente do local onde vive, dos recursos disponíveis, do grupo social e da cultura da qual faça parte, todas as crianças brincam”. (PEDROSO et al., 2018, p.1).

Pedroso et al (2018), traz a importância da brincadeira para o cotidiano infantil, não importando sua localidade, recursos familiares e situação social. A brincadeira é essencial para o cotidiano de qualquer criança, o simples ato de brincar percorre culturas diferentes, uma mesma brincadeira pode não ser a mesma no Brasil e na Argentina, mas o simples ato de brincar acompanha qualquer cultura. Todas as crianças brincam e quando possuem contato com os brinquedos, se apropriam do mundo real e se relacionam culturalmente com aquele determinado brinquedo.

Existem brinquedos muito famosos que acompanham gerações inteiras: a boneca e o carrinho, ambos são considerados os primeiros brinquedos da história, através deles as crianças conseguem criar formas de se relacionar com os outros, criar, negociar regras e aprender a conviver em sociedade.

Brinquedos, fazem parte da essência da infância e acompanham por toda a vida seus donos, podem ser lembrados com carinho ou desprezo e devem ser situados como objetos de reflexão e análise, principalmente em âmbito escolar e familiar.

2. BRINQUEDOS NA ESCOLA E POSTURA DOCENTE

Nas escolas não se tem espaço para considerar o cotidiano das crianças, visto que, muitos educadores ainda permanecem ensinando de forma tradicional, apegados a conteúdos e metas para alcançar, trâmites burocráticos que passam a desprender-se do mais lindo da infância: o espaço para brincar e experienciar o mundo, previsto também na nova Base Nacional Comum Curricular (2017), como um direito de aprendizagem da Educação Infantil: o Brincar.

O professor ao pensar, analisar e refletir suas abordagens para o conhecimento do aluno, carrega consigo a importância de utilizar recursos e brinquedos em suas aulas, o que tornará sem dúvidas prazeroso para ele e seus alunos, criando significações positivas e situações transformativas de aprendizagem, já que a Educação Infantil é um espaço de acolhimento para o educando fora de casa e deve ser momento possibilitado de estabelecimento de novas interações, já que nessa fase muito se é depositado na figura docente: o cuidar

O educador deve entender as colocações dos seus alunos com o meio em que se encontram, com as dificuldades que lidam e a partir de questionamentos e buscas, entender os processos que diversificam e são responsáveis por essa construção de “si mesmo” ao longo da vida, que podem explicar comportamentos e modos de pensamento desses alunos e tornar a escola um espaço de conhecimento e acolhimento de si mesmo e do mundo em que estão inseridos, afastando assim a possibilidade de exclusão e desfavorecimento das construções identitárias que podem ser oportunizadas pela interação do brincar em suas diversas formas.

Ainda se nota bastante a diferenciação de gênero quando o assunto é brinquedo, bonecas são para meninas e carrinhos para meninos, percebe-se pais e docentes que não aceitam que seus filhos e alunos busquem brincar com outras coisas e não deixam suas crianças conhecer os diferentes tipos de brincar, é o que se identifica como preconceito de gênero, onde um estigma construído socialmente pode acabar interrompendo o surgimento de novas relações e posições do brincar, o que mostra que:

A construção dos sentidos pessoais e a forma pela qual a criança se perceberá sujeito dependem da postura do professor, que objetivando a construção da autonomia, apresentar-se á de forma democrática abrindo espaço para o diálogo que possibilita a troca de conhecimentos e que faz o educando sentir-se parte do processo, sentir-se ativo, o faz construir-se como sujeito histórico.(QUEIROZ; FALCÃO, 2017, p. 5659)

A criança torna-se dependente do ponto de vista do adulto, que pré-determina como essa criança deve ser e controla até mesmo o que essa criança virá brincar. Fugindo assim de perspectivas de construção identitárias e subjetivas que levem ao crescimento e desenvolvimento positivo, já que posturas docentes transformativas e superativas são necessárias.

Quando se pensa a importância da escola na construção de valores para as crianças, o sexismo e as diferenciações de gênero são ainda mais reforçadas na escola, podendo a instituição ser propagadora de preconceitos e reforçadora de diferenças à medida que trata isso como demanda não prioritária quando o assunto é brincadeira e o cotidiano da criança, já que: “Não há mais possibilidade de pensar que apenas suas características biológicas determinam a personalidade, mesmo porque essa viagem para dentro deles mesmos confirma a existência de características tidas como femininas ou masculinas em ambos.” (FINCO, 2003, p. 94)

É uma questão que perpassa gerações e está sempre presente no meio educacional, é nas brincadeiras que as crianças constroem suas formas de ser menina e menino, sendo essas diferenças construídas e naturais, principalmente na infância. É importante que na instituição de ensino tenha uma variedade de brinquedos e que todos os espaços de brincadeira da escola sejam ocupados por meninos e meninas, sem exclusão. Reforçando que: “Esses meninos e meninas ainda não possuem o sexismo da forma como ele está disseminado na cultura construída pelo adulto: as crianças vão aprendendo a oposição e a hierarquia dos sexos ao longo do tempo que permanecem na escola” (FINCO, 2003, p. 95).

As crianças brincam com quaisquer brinquedos, sem diferenciação, é natural para ela interagir com qualquer coisa que esteja a seu alcance, os adultos acabam construindo um poder de manipulação sobre a criança muito grande e são capazes de continuar e reforçar valores construídos historicamente e enraizados para elas, já que aspectos culturais sempre constroem noções de mundo próprias.

O ambiente escolar pode ser considerado um dos maiores culpados quanto a isso, pois percebe-se a prisão a valores os quais a sociedade já deixou pronto, que nunca foram questionados, fazendo com que certos modos de comportamento por parte de meninos e meninas sejam repreendidos e as diferenças continuem sendo ensinadas e naturalizadas.

Porém, ao observar as relações entre as crianças, foi possível levantar a hipótese de que os estereótipos dos papéis sexuais, os comportamentos pré-determinados, os preconceitos e discriminações são construções culturais, que existem nas relações dos adultos, mas ainda não conseguiram contaminar totalmente a cultura da criança (FINCO, 2003, p. 95).

As crianças são capazes de múltiplas relações e estão a todo instante, estabelecendo contato e criando novos mecanismos de brincadeiras, e a função dos brinquedos é mediar esse contato e essa relação entre elas, cada brinquedo é neutro, seu significado vai se construindo na interação.

Linhares (2012) traz a necessidade de uma prática reflexiva do docente da Educação Infantil, pois somente a partir dela que poderá se iniciar um ciclo de mudança, que não começa só com o desejo de mudança, mas a realização, além do querer. O que percebemos claramente, é que se confunde o papel do cuidar e educar, identificando o desafio que permeia o professor de Educação Infantil, já que seu papel é muito confundido, o que pode acarretar um processo de ensino aprendizagem inicial prejudicial. Pois o professor exercerá de fato em uma grande demanda de tempo, outra atribuição que não foi lhe passada a receita, o cuidar em um grande espaço de tempo.

Os brinquedos são muito importantes na relação da criança com o mundo, a criança se desenvolve com base nas suas experiências e essas experiências, podem ser inúmeras se permitidas, construídas a partir das interações oportunizadas.

Ao escolher um brinquedo, uma criança não pensa se é de menino ou de menina, ela simplesmente pega, e, com sua criatividade inventa um novo jeito de brincar, passando o brinquedo a ser um objeto cuja significação é dada pela criança, a qual o adulto adora se intrometer, dizendo a essa criança qual é a melhor maneira de brincar com aquele brinquedo e tendo influência diretamente a como a criança pode vir a interpretar o uso daquele brinquedo, mais tarde.

Bellotti (1975) em seus estudos afirma que existem brinquedos neutros, que são aqueles que tanto meninos, quanto meninas podem brincar, sendo brinquedos geralmente compostos de materiais não-estruturados e que existem brinquedos com elementos perfeitamente identificáveis, principalmente o das meninas que possuem objetos em miniatura que imitam utensílios de uma casa, por exemplo. Para os meninos já é diferente, são navios de guerra, heróis de guerra, objetos que remetem a armas, utensílios de carros, sendo assim também um meio propagador de violência.

Bellotti(1975) traz contribuições reflexivas que questionam o porquê realmente existir tipos de brinquedo para meninos e meninas se quem faz o brinquedo é a criança, que a partir do momento que desperta sua curiosidade interage e não existe fronteiras na hora de brincar do que é ou não permitido.

A categorização existente foi criada pelos adultos, que supõem que a escolha dos brinquedos pode levar a uma orientação sexual diferenciada, o que reforça a  importância dos educadores de não incentivarem ao planejarem suas aulas o sexismo exacerbado, desconstruindo conceitos já prontos e ampliando a noção dos alunos de que podem sim brincar juntos, porque estão construindo seus próprios conceitos.

Infelizmente as questões de gênero, em geral, não são tratadas devidamente nas salas de aula. Na educação infantil esta dificuldade aumenta devido aos tabus construídos em torno da discussão da sexualidade, com as crianças. Porém, mesmo assim, é cada vez mais necessário que esta discussão seja introduzida na escola (SOUSA; ARAÚJO; ASTIGARRAGA, 2015, p. 9).

As crianças ao chegarem na sala de aula chegam com pensamentos prontos e ideias prontas sobre os brinquedos, já que o mundo que vivem reforça essas diferenças diariamente. O fato de um menino brincar de boneca não faz dele uma menina e com a menina ao brincar de futebol não a faz um menino, visto que essa é a maior preocupação dos pais, a escola deve ser sim, um espaço de diálogo, respeito e tolerância ao brincar.

A escola participa da construção da identidade de gênero e de forma desigual, é papel dos profissionais de educação o gesto de desconstruir, segundo Meneses (2013), aquilo que já está posto sob o brincar limitado, que não causa abalamento, e construir novos sentidos sobre o que já temos e as possíveis marcas de singularidade que são construídas, deixar que nossas crianças vivam sua infância em sua plenitude, é necessário um trabalho árduo para que preconceitos estigmas não continuem sendo reforçados .

Os brinquedos fazem parte do desenvolvimento infantil e levam a criança a aprendizagem, coletiva e individual, sendo a brincadeira o fio condutor do mundo da criança, a escola sempre esteve ligada a aspectos culturais, cada época do mundo a escola foi uma.

Hoje em um mundo globalizado, onde tudo chega em primeira mão, é papel dessa escola oferecer um ambiente de construção social positiva para as novas gerações, um ambiente que enriqueça as noções infantis e contemple a melhor fase da vida, desprendendo-se dos modelos antigos de ser e se fazer escola.

Os brinquedos fazem parte da construção de novas ideias e de novos métodos que podem estar relacionados com a maneira em que tanto o aluno como o professor podem ver o mundo e nele ser capaz de adaptar novas visões.

As dificuldades encontradas de lidar com esse assunto se dão pelo medo do “novo”, que é considerado algo incerto e sem importância, passando a ser assim algo de um futuro a ser alcançado, distante.  Se afastar dessa realidade não é jamais a melhor alternativa, práticas educacionais acomodadas e a desmotivação não podem ser maiores que a prioridade principal: a criança.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pensar esse ato desconstrutor como parte da educação e do brincar é extremamente desafiante, já que ao se crescer é notável o quanto é difícil mudarmos pensamentos acerca dos brinquedos até em nós mesmos como pessoas, docentes e participantes de uma sociedade.

Entender os brinquedos, o brincar e a relação de gênero que está por trás, parte do princípio de que até hoje, comportamentos segregacionistas continuam sendo reforçados pela sociedade, ao se entrar em uma loja de brinquedos podem ser vistos na sessão de brinquedos para meninas: existem muitas bonecas, acessórios, casa de bonecas, brinquedos de faxina, que limitam as meninas a trabalhos domésticos, ao cuidar. Na sessão dos meninos: muitas armas, carrinhos, motos, bonecos de guerra, o que vemos explicitamente que a visão social do menino é muito cobrada, ele deve gostar de carro, de armas e de videogame, se não gostar e se interessar algo está errado.

São visões construídas e reforçadas pela mídia, família e pela escola, que juntas possuem um papel crucial na formação dos indivíduos. Existem questões dos brinquedos e aspectos que se perpetuam na história da educação, que até hoje impactam, como por exemplo, preconceito com as cores de certos brinquedos que direcionam somente para um tipo de criança, sem abrir os horizontes para que ela interaja com outras coisas, bem como diversas brincadeiras que acabam sendo um limiar de separação na própria escola.

Brincando, a criança aprende a lidar com o mundo e forma sua personalidade, recria situações do cotidiano e experimenta sentimentos básicos, é através das brincadeiras, que a criança irá se conhecer e terá a oportunidade de se constituir socialmente.

A brincadeira, como atividade na infância, é a forma pela qual a criança começa a aprender, é onde tem início a formação de seus processos de imaginação ativa, onde ela se apropria das funções sociais e das normas de comportamento presentes na sociedade que são retratadas em suas brincadeiras.

A brincadeira é algo próprio de cada criança de cada imaginação sem a interferência dos adultos, onde somente ela se entende e aprende com isso, o brinquedo é oportunidade de desenvolvimento e deve ser sim um auxiliar do desenvolvimento infantil saudável, seja ele qual for, ainda existe uma limitação enorme nas instituições de ensino quanto ao tempo do brincar.

Brincando a criança experimenta, descobre, inventa, aprende e confere habilidades, além de estimular sua curiosidade, linguagem e pensamento.

Os adultos possuem grande poder sobre as crianças e criam expectativas e modos de ser idealizados para elas, é um assunto bastante polêmico de se falar e que está ganhando cada vez mais espaço, como novo direito de aprendizagem da nova Base Nacional Comum Curricular (2017). É papel dos novos educadores tentar nas particularidades questionar a ampliação de conceitos e pensamentos os quais a sociedade já deixou pronto e que nunca houve questionamento, para que as diferenças construídas socialmente não sejam continuamente reforçadas, a criança se desenvolve com base nas suas experiências e os docentes possuem o poder de estimular essas experiências.

Os brinquedos fazem parte de suas vidas e se os docentes entenderem que vivemos em uma sociedade que existem valores e princípios que são o ponto de partida para a cultura e que a sociedade é formada pela união desses grupos que podem ou não partilhar as mesmas ideias, podendo possuir uma maneira especifica de estabelecer as interações, tudo o que os rodeia pode passar a ser compreendido e as questões contraditórias podem ser resolvidas mais facilmente,  ajudando a entender o que faz essas questões existirem, que no fundo ações docentes podem impactar e tirar a liberdade de nossas crianças viverem sua infância e fazerem suas escolhas.

Felizes os docentes que se deixam envolver e contagiar, buscando entender que seus alunos  fazem parte de uma prática que os contempla e não os afasta, sendo necessário a adoção do processo tradutório de acordo com Corazza (2019),um processo marcado pela crítica, autorreflexão docente e análise curricular nas perspectivas singulares, ou seja, a tradução docente se dá de acordo com o contexto, alunos, formas de ensinar e de sonhar. O professor que reflete ativamente sobre suas ações e práticas frente à criança, traz concepções de saber de acordo com o momento vivido, o saber em jogo é objeto dinâmico e caminha com aquilo que é, sem mudanças e restrições totalitárias, se aproxima e constrói novos sentidos, é a abertura para o novo discurso, já que nem tudo pode ser mudado completamente sem pequenas resistências posturais, aquilo que é tido como incompleto, é apenas o início de um novo processo tradutório, o qual o docente acaba estabelecendo uma relação de amor e ódio, já que é um trabalho complexo que exige adaptação psíquica, social e política, cada professor insere suas marcas à partir de quem é em sua singularidade, cada aula que dá insere seus próprios aspectos identitários e construtores, aproximando o sonho da realidade e aproximando-se do que pode ser evitado, como o afastamento do brincar e  dos brinquedos em suas escolhas e posturas diárias, sendo necessário que esse tema seja amplamente debatido e que não se esgote apenas com problemas e dilemas, mas com soluções construtivas, significativas e valorativas para o educando.

REFERÊNCIAS

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FINCO, Daniela. Relações de gênero nas brincadeiras de meninos e meninas na educação infantil. Pro-posições, São Paulo, v. 14, n. 3, p.89-101, set. 2003. Disponível em:  <http://www.cppnac.org.br/wp-content/uploads/2013/07/Relações-de-genero-nas-brincadeiras-de-meninos-e-meninas.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2018.

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QUEIROZ, C.L. S.; FALCÃO, M. S. M. Autonomia e educação infantil:uma análise sobre a concepção de autonomia nos centros municipais de educação infantil de paranaguá. Educere,p.5656-365671, 2017. Disponível em:  <https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2017/23726_14002.pdf>. Acesso em:19 dez. 2019.

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[1] Mestranda em Educação pela Universidade de Brasília (UnB), Pós Graduada em Docência do Ensino Superior e Orientação Educacional, Formada em Pedagogia pela Universidade de Brasília- UnB.

[2] Orientadora. Doutora em educação.

Enviado: Fevereiro, 2021.

Aprovado: Janeiro, 2022.

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