Repensando a Afetividade no processo de ensino e aprendizagem

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ARTIGO ORIGINAL

ANDRADE, Vanessa dos Santos Batista de [1], FONTES, Danilo Martins [2]

ANDRADE, Vanessa dos Santos Batista de. FONTES, Danilo Martins. Repensando a afetividade no processo de ensino e aprendizagem. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 02, Vol. 12, pp. 111-118. Fevereiro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/repensando-a-afetividade

RESUMO

O estudo levantou e organizou o que já se conhece a respeito de situações de envolvimento emocional e ou afetividade em atividades de ensino aprendizagem. A educação é um processo interpessoal, permeado por emoções que influenciam o ato educacional, provocando reações de acordo com a situação de ensino-aprendizagem. Por esta razão, as emoções atualmente representam uma das construções mais estudadas devido à pouca importância que lhe foi atribuída no campo educacional durante o século XX, sob o paradigma positivista. Para tanto, foi utilizada a metodologia de estudo qualitativo, utilizando como fonte de informação pesquisas bibliográficas em sites científicos acadêmicos através do “Portal Capes – MEC”, com o intuito de identificar as interfaces entre aprendizagem e afetividade. Neste sentido, a análise dos dados identificados, objetivou colocar maior ênfase em estados emocionais presentes no processo ensino-aprendizagem, na promoção de emoções positivas para o desenvolvimento de competências e habilidades, bem como o desenvolvimento de atitudes e valores para a compreensão do outro na convivência, os valores do pluralismo, compreensão mútua e paz para alcançar uma formação ideal de personalidade de forma emocional, motivadora. Concluindo-se que o aluno precisa se manter motivado no processo de aprendizagem. Nesse sentido, com essa pesquisa acredita-se obter resultados que agreguem valor para o saber científico no campo da Pedagogia e demais ramificações, viabilizando práticas mais adaptadas tanto no meio educativo como também em outras demandas sociais.

Palavras-chave: Aprendizagem, afetividade, ensino.

INTRODUÇÃO

Educar a partir da afetividade significa fazer uso de uma série de ferramentas pedagógicas que buscam desenvolver as competências emocionais dos alunos. Tradicionalmente, esta dimensão não teve grande importância no sistema de educação formal, uma vez que não foi atribuída uma melhoria para o sucesso acadêmico. Mas estudos recentes mostraram que a educação afetiva desempenha um papel essencial na aprendizagem do aluno.

Já há muitos anos a educação humanista enfatiza a sobreposição dos aspectos afetivos aos cognitivos no processo de ensino aprendizagem e nos últimos anos temos observado que aluno adulto tem voltado às salas de aula. O aluno adulto vive hoje diante de uma proposta de vida agitada, tendo que desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo, sendo bombardeado com uma grande quantidade de informações a uma velocidade nunca antes imaginada.

O aluno precisa se manter motivado no processo de aprendizagem, e neste contexto se apresenta os elementos afetivos.

Um dos fatores importantes na aprendizagem é a afetividade, para que uma criança aprenda e enfrente os desafios que o mundo escolar gera tem que ter e manter uma boa autoestima e autoconceito da escola e isso é conseguido através de feedback positivo.

O aluno que considera que ele é apreciado e valorizado por seu grupo, professores e pais é uma criança que, embora possa sofrer alguns problemas ou dificuldades de aprendizagem, terá sucesso através da motivação de seu grupo mais significativo de pessoas.

Pelo contrário, se um aluno apenas estiver sendo estressado, o negativo acabará por convencer que efetivamente não consegue alcançar, de modo a assimilar o fracasso como parte inevitável de sua vida.

Quando você quer estimular uma criança a ter um bom desempenho escolar não só tem que levar em consideração fatores como horas ou local de estudo, você também deve incentivar a motivação e a perseverança para alcançar a conquista, se começarmos a partir de pequenas coisas para estimular esses fatores, irá finalmente internalizá-lo como parte de sua personalidade, o que os ajudará a serem pessoas com alta tolerância à frustração e criativas na busca de soluções para problemas.

Quando uma criança apresenta notas baixas, problemas de aprendizagem ou qualquer outro tipo de dificuldade, a primeira coisa que deve ser considerado sendo um instrutor é a intervenção profissional adequada competente compreendida pela motivação, a fim de encontrar uma maneira de ajudar a criança que acredita em suas capacidades, dando o melhor esforço, dessa maneira não só estaremos formando o presente, mas também um futuro melhor.

Há também o caso de pais que são muito exigentes com o desempenho escolar de seus filhos, antes disso e mais razões não devem esquecer os fatores de afetividade acima mencionados, além de processar a motivação para a realização. O importante é ter um bom desempenho para ter um bom desenvolvimento futuro pessoal e profissional e não ver os estudos como forma de ganhar o carinho e a aprovação de seus pais.

Este trabalho pretende levantar e organizar o que já se conhece a respeito de situações de envolvimento emocional e ou afetividade em atividades de ensino aprendizagem. O estudo foi desenvolvido através de revisão da literatura com o levantamento de referenciais para base teórica.

APRENDIZAGEM E AFETIVIDADE

A afetividade é aquele conjunto de eventos emocionais que ocorre na mente do homem e expressa através de comportamentos emocionais, sentimentos e paixões.  Consiste num conjunto de sentimentos inferiores e superiores, positivos e negativos, fugazes e permanentes que colocam a totalidade da pessoa diante do mundo exterior.

Etimologicamente, o termo de emoção vem dos emotio-onis, o que significa o impulso que induz a ação. Por isso, as emoções e os sentimentos são importantes para o processo de ensino-aprendizagem, pois é necessário manter um comportamento motivado nos alunos para garantir uma aprendizagem de qualidade.

Existem vários especialistas que pesquisam e discutem as relações sociais desde a perspectiva da construção do conhecimento e do próprio processo de treinamento do sujeito. Vygotsky (1988, p. 103-117) enfatiza que o processo de internalização envolve uma série de transformações que mostram a relação do social com o indivíduo: “todas as funções no desenvolvimento da criança aparecem duas vezes: primeiro, no nível social e posterior ao nível individual primeiro entre pessoas (interpsicológicas) e depois dentro da criança (intrapsicológica)”.

A afetividade como inerente à pedagogia afetivamente significante, toda a experiência de aprendizagem começa com a experiência afetiva; esse pensamento nasceu de carinho; no entanto, é necessário entender que esse carinho que é defendido aqui é aquele que se origina na expressão latina “affetare” que se traduz em “voltar”. É o Eros platônico, que causa fome de conhecimento na alma e faz com que ele voe em busca do resultado desejado.

Porque é um processo de construção do conhecimento e treinamento do sujeito através do sistema educacional formal, é que este assunto deve ser considerado com extremo compromisso e responsabilidade, as relações humanas são essenciais para a construção do conhecimento e isso não existe fora desses relacionamentos. De fato, para alcançar o objeto, é necessário que o sujeito entre em relação com outros sujeitos que são, pela função social que lhe foi atribuída, tornando este objeto como tal. (PIAGET, 1981).

Não há dúvida de que o fortalecimento de relações saudáveis ​​e motivacionais entre professores e alunos é uma parte importante do processo de construção de valores e conhecimentos que fundamentam a base emocional, profissional e humana dos atores envolvidos na prática efetiva do ensino. É por isso que é fundamental promover uma relação saudável e comprometida entre os agentes do processo educacional; e a busca de caminhos que orientem essas relações para alcançar o sucesso neste processo.

Nesse sentido, é importante ressaltar que os processos emocionais devem ser considerados no campo educacional, uma vez que estes não só ocorrem dentro do assunto, mas também fazem parte da interação social. Circunstância pelo que muitas vezes são chamados de processos psicossociais, que constituem a base central da educação. Assim, é necessário fazer uma breve visita às teorias que emergiram sobre as emoções com o objetivo de conhecer as características mais destacadas que são conhecidas no presente e que foram estabelecidas em um contexto histórico-social, respondendo às tradições que os seres humanos têm experiência na sociedade. (PIAGET, 1981; STERNBERG, 1992).

As emoções são impulsos enraizados que nos levam à ação, ou seja, são impulsos para agir. Ao mesmo tempo em que os considera guias inteligentes concebidos como uma predisposição para enfrentar a vida em situações cotidianas, isto é, são adaptativas e, por sua vez, ocorrem em um espaço social. Acredita-se que qualquer sistema racional surge como um sistema de coordenação, ou seja, interações, baseadas nas emoções experimentadas no momento em que se destinam, ou seja, que as emoções têm um ponto de inflexão no que se refere ao fator cognitivo que faz uso de sua memória de longo prazo para efetuar a memorização de algum evento emocional para o ser humano, por isso as emoções são adaptativas, que analisa e avalia para gerar uma atitude em relação a uma determinada situação.

CONCLUSÃO

Nesse sentido, as relações grupais são importantes não apenas para que a aprendizagem social seja efetivada, mas essencialmente para que a tomada de consciência de cada indivíduo presente no grupo tenha liberdade para expor sua própria personalidade. Este paralelo com os companheiros, permite que haja um sentimento de identificação entre o que é e entre os outros, sendo paradoxalmente igual e diferente em grupo. Em síntese, sendo a vida afetiva, social e intelectual individualmente que constrói a vida social no coletivo deveras.

O homem aprendeu a aprender, aprendeu a mudança e a adaptabilidade, percebeu que nenhum conhecimento é garantido e que apenas o processo de busca por conhecimento continuamente é que traria um pouco de segurança na sua trajetória. Pois, apenas em um contexto interpessoal no qual a aprendizagem seja facilitada surgirão alunos verdadeiros, autênticos aprendizes, cientistas e intelectuais criativos e praticantes, e indivíduos viventes em equilíbrio, resilientes quanto ao presente e aos fatos do futuro. A facilitação de aprendizagem não é o mesmo que o conceito de ensino definido comumente. Ela não é dependente de aptidões particulares do líder, do conhecimento erudito, do planejamento curricular ou do uso de recursos audiovisuais, da aprendizagem programada, das aulas, dos relatórios orais ou, ainda, de livros, lápis e papel, não necessariamente, visto que qualquer um desses, podem utilizar como recursos de modo natural.

Isto é, na prática um facilitador de aprendizagem é fundamentalmente, um recurso em relação ao aprendiz. Mas sendo este um recurso vivo, o facilitador tem sua funcionalidade guiada a partir da construção de uma relação interpessoal com o aprendiz. É esta relação que deve, portanto, ser de primordial importância em qualquer cenário educacional. Assim, a realidade e autenticidade dos indivíduos na construção da aprendizagem é uma das atitudes mais primordiais e essenciais desses processos.

Desse modo, a educação precisa ser incluída dentre os objetivos da ação pedagógica, que pressupõe um conhecimento da essência de sua funcionalidade.

A afetividade não é mera configuração da pessoa: ela também constituiu a fase do desenvolvimento, aquela mais arcaica. Tendo em vista que o ser humano foi, logo que saiu da vida puramente orgânica, um ser afetivo. Esta afetividade teve seu processo de diferenciação numa vida racional, lentamente. Deste modo, no início da vida, a afetividade e a inteligência estão conectadas de modo sincrético, tendo a predominância da primeira. Concluindo-se, então, que o desenvolvimento do sujeito e do objeto alimentam-se mutuamente, nos permitindo afirmar que a elaboração do conhecimento submete-se à construção do sujeito nos conjuntos do desenvolvimento concreto.

As relações de um indivíduo entre um determinado grupo são, basicamente, importantes para o desenvolvimento da aprendizagem social e, sobretudo, para a compreensão da sua própria personalidade. A relação entre os companheiros possibilita a constatação da sua interação entre os outros, enquanto, são indivíduos iguais e diferentes entre si. Por fim, a vida afetiva, social e intelectual supõe, de maneira efetiva, a vida social.

O homem educado é aquele que aprendeu a aprender, a se adaptar e a mudar, é aquele que percebeu que nenhum conhecimento é seguro e que somente a busca pelo conhecimento dá alguma base para a segurança. Assim, uma aprendizagem facilitada possibilitará o desenvolvimento de estudantes autênticos e que verdadeiramente estão dispostos a estudar e a aprender, bem como cientistas e intelectuais criativos que sejam praticantes. Sendo válido ressaltar que a facilitação de aprendizagem não é o mesmo que o conceito de ensino definido comumente, visto que um líder apto, não é necessariamente preciso e fundamental para a facilitação da mesma, assim como o conhecimento erudito, um plano curricular, o uso de recursos audiovisuais, aulas, relatórios ou mesmo livros, lápis e papel, dado que cada indivíduo compõem um conjunto de recursos que podem ser utilizados naturalmente.

Deste modo, de fato, um facilitador de aprendizagem trata simplesmente de um recurso voltado ao aprendiz que funcionará somente em função de uma relação interpessoal com o mesmo, sendo essa relação primordialmente importante no âmbito da educação.

Neste sentido, dentre os propósitos da ação pedagógica, a integração da educação da emoção deve ser considerada, permitindo assim, a suposição do conhecimento íntimo do seu modo de funcionamento.

Visto que a afetividade é uma configuração do sujeito, a mesma também é uma fase do processo de desenvolvimento do mesmo, tratando daquela mais arcaica. Neste sentido, o ser humano foi um ser de afetividade, uma vez que saiu de sua vivência prioritariamente orgânica. Bem como, a afetividade se diferenciou, vagarosamente, na vida racional. Contudo, nessa perspectiva, no que se refere ao início da vida, a inteligência e a afetividade encontram-se entrelaçadas intrinsecamente.

Nesse contexto, em suma, o que foi admitido como relação entre a afetividade e inteligência foi colocado como a ligação entre o sujeito e objeto. Podendo então, concluir que a constituição do objeto e do sujeito convivem mutuamente, se retroalimentando um do outro, evidenciando o quanto a formação do sujeito deve perpassar pela busca contínua de conhecimento para a firmação de quadros de desenvolvimentos mais concretos.

REFERÊNCIAS

PIAGET, J. Intelligence and affectivity: their relationship during child development. Califórnia: Palo Alto, 1981.

STERNBERG, R. As capacidades intelectuais humanas: Uma abordagem de Processamento da Informação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

VYGOTSKY, L. S. Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem, v. 10, p. 103-117, 1988

[1] Especialista em Gestão; Supervisão e Orientação. Graduação em Pedagogia.

[2] Orientador. Especialização em Psicopedagogia Institucional. Especialização em Gestão Escolar. Graduação em andamento em Letras – Inglês. Graduação em Pedagogia.

Enviado: Setembro, 2020.

Aprovado: Fevereiro, 2021.

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