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O papel do acolhimento para a permanência do estudante na escola

RC: 125871
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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/permanencia-do-estudante

CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO 

MACHADO, Tatyanne de Souza Oliveira [1]

MACHADO, Tatyanne de Souza Oliveira. O papel do acolhimento para a permanência do estudante na escola. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 07, Ed. 08, Vol. 07, pp. 167-181. Agosto de 2022. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/permanencia-do-estudante, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/permanencia-do-estudante

RESUMO

No presente artigo aborda-se a questão do retorno de crianças e adolescentes à escola, bem como tal situação tornou-se realidade no período quase pós pandemia, visto que a vida escolar de crianças e jovens foi impactada significativamente pela chegada da COVID-19 últimos dois anos, 2020/21. Dessa forma, o presente estudo está pautado na busca em responder a seguinte questão norteadora: como a escola e os educadores podem contribuir com ações de acolhimento para que as crianças e jovens sintam-se encorajados a retornar às aulas após o período de distanciamento social? Considerando esse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar a importância do acolhimento dos alunos nesse retorno escolar, principalmente após o período de pandemia, considerando que o sentimento de pertencimento será um grande diferencial e somador de forças durante o processo de reparo dos impactos emocionais negativos provocados pela pandemia. Com relação à metodologia, o presente artigo está pautado em uma revisão bibliográfica, considerando fontes disponibilizadas em livros, artigos e teses publicadas em sites acadêmicos como Scielo e Pubmed. Em relação aos resultados encontrados, destaca-se a importância do papel da escola como incentivadora e acolhedora dos alunos que estão retornando ao ambiente escolar, onde novos programas pedagógicos devem ser adotados para que as crianças e os adolescentes se sintam motivados em retornar a rotina de estudos.

Palavras-chave: Educação, Pandemia, Âmbito escolar, Ensino a distância.

1. INTRODUÇÃO

Com relação a história da humanidade, o período vivenciado pela sociedade estará marcado para sempre como uma das fases mais difíceis e angustiantes do homem moderno. Tais dificuldades estão relacionadas diretamente com a pandemia do vírus COVID-19, iniciada no ano de 2020 e que perdura até os dias atuais. Entende-se que, durante a pandemia trazida pelo novo coronavírus afetou a sociedade em diversas as áreas de sua vida, desde a área econômica até a psicológica. Dentre os campos atingidos pelo avançar da doença encontra-se a área da Educação, cujo prejuízo potencializou o aumento da desigualdade socioeconômica e educacional.

Dessa forma, entende-se que o campo da Educação foi diretamente atingido durante a pandemia de COVID-19, visto que, as medidas preventivas e o isolamento social imposto pelos órgãos internacionais de saúde resultaram no afastamento de crianças e jovens das atividades escolares. Assim, com a suspensão das aulas, outros prejuízos secundários também ocorreram no campo da Educação, tais como: o aumento na taxa de desemprego e no aumento da evasão escolar (GATTI, 2020).

Diante desse contexto entende-se que o cenário pandêmico trouxe muitos sentimentos de incertezas e angústias para a sociedade que se viu diante de um desafio inimaginável. Assim, visando diminuir o contágio e interromper a disseminação do novo coronavírus, as medidas preventivas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde destacaram o distanciamento e o isolamento social como as estratégias mais eficazes para enfrentar o vírus, visto que a contaminação ocorre através do contato humano. Sendo assim, com todos os estabelecimentos fechados, as escolas não escaparam do movimento chamado lockdown, onde todas as atividades foram suspensas. Dessa forma, a educação foi obrigada a reinventar-se, onde o ensino remoto ganhou destaque (COUTO et al., 2020).

Destaca-se que, durante a pandemia, a sociedade deparou-se com uma situação de calamidade pública, sendo obrigada a reinventar-se em suas principais atividades econômicas. Assim, a área da Educação precisou se renovar, de modo a atender as necessidades educacionais de crianças e jovens mesmo que as atividades presenciais não fossem possíveis. Ainda, os professores também se depararam com dificuldades para atender aos alunos, onde a educação a distância tornou-se a solução mais viável em tempos de distanciamento social Kestring (2020). Sendo assim, a tecnologia tornou-se a ferramenta mais importante durante o período pandêmico, visto que promoveu encontros e possibilitou que a maioria das atividades econômicas e educacionais não fossem totalmente interrompidas durante o isolamento social.

Dessa forma, visando formalizar o ensino a distância no país, foi promulgada a Portaria nº 343, de 1 de março de 2020, responsável por regulamentar o ensino remoto no Brasil, sendo vigente até o fim do decreto de pandemia (BRASIL, 2020). Vale a pena ressaltar que a educação escolar realizada no formato a distância, mesmo com planejamento e execução dentro do previsto, principalmente referindo-se ao ensino básico, têm menos possibilidades de promover o envolvimento dos alunos, bem como despertar interesse.  Ainda, a tecnologia pautada no ensino remoto também não atrai as famílias em situação precária de infraestrutura, sendo condicionante para que a ação de aprender dos filhos seja bem-sucedida, ou seja, é necessário maior investimento em tecnologia para que seja possível acompanhar as atividades on-line (MONTEIRO, 2020).

Sendo assim, o presente estudo visa analisar como as escolas se preparam diante dos desafios trazidos pela pandemia de COVID-19, bem como reestruturou sua atuação de modo a acolher crianças e jovens no momento de voltar às aulas presenciais. Com relação à questão norteadora, este artigo está pautado na seguinte reflexão: como a escola e os educadores podem contribuir com ações de acolhimento para que as crianças e jovens sintam-se encorajados a retornar às aulas após o período de distanciamento social?

Com relação ao objetivo geral, este estudo visa analisar a importância do acolhimento dos alunos nesse retorno escolar, principalmente após o período de pandemia, considerando a necessidade de capacitação dos educadores para lidar com o novo período pós pandemia.  Ainda, neste estudo, os processos metodológicos estão pautados em uma revisão bibliográfica, onde construiu-se um artigo de revisão, considerando fontes publicadas em livros e disponibilizadas em sites acadêmicos e bibliotecas digitais. Espera-se que, com o presente estudo, mais informações acerca do campo da Educação sejam divulgadas, contribuindo para que novas pedagogias sejam elaboradas, visando melhorar o processo ensino-aprendizagem.

2. O NOVO CORONAVÍRUS E SEUS IMPACTOS NAS ATIVIDADES ESCOLARES

Destaca-se que a pandemia trazida pelo vírus COVID-19 evidenciou as desigualdades sociais a nível mundial, prejudicando o desenvolvimento das atividades econômicas, educacionais e sociais. Com a interrupção das atividades em todas as suas esferas, não demorou para que muitas famílias presenciassem a diminuição de sua renda, resultando na falta de insumos básicos para a sobrevivência. Assim, o campo da educação também foi diretamente impactado pela pandemia do novo coronavírus, ocorrendo a interrupção das atividades e, consequentemente, o afastamento da maioria dos alunos (GATTI, 2020).

Diante de tal cenário, a dificuldade financeira foi inevitável para grande parte da população, inclusive crianças e jovens que se viram obrigados a deixar o compromisso escolar com a imposição das medidas de distanciamento social. Vale a pena ressaltar que, com as atividades educacionais no formato on-line, muitos alunos deixaram de seguir com seus estudos, visto que não detinham de condições financeiras para acompanhar as aulas através de computadores ou telefones móveis (FACCI, 2020).

Assim, a evasão escolar aumentou de modo a evidenciar ainda mais as desigualdades sociais existentes entre a população brasileira, visto que, em muitos locais a infraestrutura e iluminação são precárias, não havendo nem mesmo acesso à internet. Tal fato apresenta um paradoxo que deve ser ressaltado, sendo que a alternativa encontrada pelas escolas para que as aulas continuassem mostrou-se interessante por utilizar a tecnologia para aproximar os indivíduos. Contudo, o ensino remoto não é de fácil acesso a todos, permanecendo a mesma dificuldade para os alunos de prosseguirem com os estudos (RAMBO, 2020).

Considerando a complexidade do acesso ao ensino remoto, bem como a desigualdade entre os indivíduos que necessitam de utilizar o serviço, o autor Vygotsky (2021) destaca que o humano só é capaz de se desenvolver por completo ao manter contato com o outro indivíduo. Assim, caso os contatos sejam interrompidos, o ser humano não conclui seu processo de aprendizagem. Então, a teoria de Vygotsky pode ser aplicada ao contexto pandêmico que a sociedade enfrenta, cuja interrupção de atividades e imposição do distanciamento social impediu que o contato entre os indivíduos fosse possível.

Entende-se que, a pandemia da Covid-19 acentuou o drama vivenciado pelas populações mais humildes, bem como em vulnerabilidade social, ocorrendo a chamada exclusão digital. Assim, as desigualdades no acesso e utilização da internet em áreas urbanas periféricas ou nas zonas rurais reforçam as diferenças marcadas pela desigualdade econômica. Vale a pena ressaltar que, tal acesso limitado e instável a internet não permite que os alunos em vulnerabilidade social possam cumprir com suas atividades escolares. Destaca-se a falta de computadores, boa conexão de banda larga e insuficiência de aparelhos para todas as crianças e jovens de uma mesma família (COUTO et al., 2020).

Diante dos fatores citados que dificultaram a aprendizagem dos estudantes durante a pandemia, é preciso considerar, também, a visão dos educadores, que veem seus alunos ficarem em situação de estagnação, sem evoluir nos estudos. Assim, é imprescindível que o educador tenha um olhar cuidadoso para com seus alunos nesse período de volta às aulas, já que é fundamental um bom planejamento a fim de solucionar ou ao menos minimizar os prejuízos escolares identificados (GATTI, 2020).

Ainda, conforme Vygotsky (2021), o processo de aprendizagem de um indivíduo também depende da abordagem, bem como a mediação do educador para com o sujeito, no caso, seu aluno. Assim, é impossível negar os prejuízos no processo de aprendizagem que a pandemia provocou na vida escolar de crianças e jovens. Dessa forma, destaca-se como a interação social é uma atividade importante para o ser humano, visto que, desde o seu nascimento, ocorre entre ele e o meio social e cultural uma constante troca, capaz de moldar sua personalidade, influenciando seus pensamentos e ações.

Deste modo, entende-se que ser humano está em constante processo de aprendizagem e tal processo não ocorre de forma isolada, ou seja, são diversos envolvidos na troca de experiências do ser humano com seu ambiente, tais fatores podem ser tanto biológicos, quanto sociais ou históricos, que acabam por influenciar na formação do sujeito, mas que isoladamente não determinam a sua composição (NIZ e TEZANI, 2021).

Dessa mesma forma, o processo de aprendizagem não advém de maneira absolutamente independente, visto que sujeito faz parte de um grupo social, conforme convive com os seus pares, ou seja, com os outros indivíduos, vai de acordo com seu desenvolvimento biológico e psíquico, construindo e ampliando seus conhecimentos. Dessa forma, considerando a teoria de Vygotsky, é possível destacar que a interação social exerce papel fundamental no desenvolvimento humano. Ainda, a partir da interação entre diferentes indivíduos é que ocorrem os processos de aprendizagem, sendo dependente diretamente da troca de experiências entre os sujeitos (FRANKL, 2019).

Diante desse contexto, antes do início da vida escolar, os seres humanos estão inseridos em grupos, onde o primeiro grupo é a família. É nesse grupo que se iniciam as primeiras interações da criança, progredindo para outras trocas com outros grupos sociais como amigos e o da escola. Assim, a frequência de encontros faz com que a experiência seja diferenciada de qualquer outra vivenciada até então, imputando à escola o status de espaço legítimo de construção e partilha de conhecimentos (PIETROBON, 2010).

Entende-se que o educador é o mediador da relação do aluno com o conhecimento, atuando como elemento de intervenção, bem como de ajuda, intervindo de maneira explícita e interferindo no desenvolvimento dos seus alunos. Assim, o educador é capaz de provocar avanços que não ocorreriam espontaneamente durante o processo de aprendizagem do aluno, conforme Vygotsky destaca. Então, a importância da escola e do papel do professor como agentes indispensáveis do processo de ensino aprendizagem deve ser enfatizado (MONTEIRO, 2020).

Vale a pena ressaltar que, o professor também pode interferir no processo de aprendizagem do aluno e contribuir para a transmissão do conhecimento acumulado historicamente pela Humanidade. É nesse sentido que se deve avaliar, portanto, os impactos negativos da ausência física do professor e do aluno na escola para buscar as melhores possibilidades de intervenção nesse retorno presencial das aulas (COUTO et al., 2020).

Diante desse contexto, entende-se que, as interações sociais são de extrema importância para o processo de desenvolvimento do sujeito, cujas habilidades cognitivas aprimoram-se e preparam o indivíduo para a vida em sociedade. Contudo, destacou-se o grande prejuízo que a pandemia trazida pelo novo coronavírus resultou nesse processo de aprendizagem. Assim, a pandemia trouxe para a humanidade novas regras de convivência onde o contato entre os indivíduos tornou-se impossível por um período. Com a interação social impossibilitada, entende-se como o processo de aprendizagem dos alunos também foi impactado, resultando em maiores dificuldades de desenvolvimento de habilidades e de compreensão do conteúdo escolar (RAMBO, 2020).

3. A REABERTURA DAS ESCOLAS E OS NOVOS DESAFIOS PARA A EDUCAÇÃO 

A pandemia causada pela COVID-19 ocasionou uma situação inimaginável, bem como um período longo de distanciamento e isolamento social, resultando em uma rápida e abrupta transição para o formato de educação à distância. Dessa forma, o ensino remoto trouxe mais tecnologias e inovações nas práticas pedagógicas, contudo resultou em forte transtorno emocional em milhões de estudantes e familiares devido às vulnerabilidades históricas das organizações educacionais e os distintos níveis de aprendizagem dos estudantes (FACCI et al., 2020).

Dessa forma, entende-se que o momento pandêmico apresentou um aumento expressivo da desigualdade educacional entre os estudantes, o que acrescenta desafios na rotina escolar como proporcionar e garantir a aprendizagem de qualidade a todos os estudantes. Então, considerando a importância da aprendizagem cognitiva, outro fator a ser destacado é o desenvolvimento socioemocional dos alunos. Destaca-se que o processo de aprendizagem ocorre de maneira satisfatória quando o aluno se sente acolhido no ambiente, bem como em segurança emocional, para que possa desenvolver suas habilidades e construír relações de confiança (SCHMIDT et al., 2020).

Diante desse contexto, é preciso destacar que a pandemia também resultou em impactos na vida familiar dos alunos, visto que muitos são vítimas de violência e vulnerabilidade social, e acabam por encontrar nas escolas um local seguro e que podem receber apoio e suporte emocional.  Assim, por trás de cada educador está um sujeito mediador e transformador, capaz de oferecer aos alunos uma troca de experiências, auxiliando na formação da ideologia e identidade cultural da criança e do jovem aluno (COIMBRA, 2015).

Sendo assim, com o isolamento social, muitos alunos viram-se privados de frequentar a escola, deixando de frequentar o ambiente em que conseguem apoio e acolhimento. Assim, um ambiente acolhedor para os alunos, educadores e funcionários mostra-se fundamental na busca da promoção de um bem-estar coletivo, observando as necessidades da preservação da saúde emocional de todos. Dessa forma, é preciso maior esforço da gestão, pautado em um formato participativo e democrático para a preparo dos gestores de educadores e de todos os funcionários da instituição escolar (COUTO et al., 2020).

Assim, a retomada das aulas presenciais demanda um olhar cuidadoso dos gestores para algumas questões que vão além dos protocolos de segurança sanitária e das dificuldades de aprendizagem. Entende-se que as escolas necessitam se preparar para receber os alunos no período pós pandemia, visto que o equilíbrio emocional e a saúde mental dos alunos foram prejudicadas durante o isolamento social e o reencontro deve ser algo positivo para todos os envolvidos (GATTI, 2020).

Contudo, antes de planejar as práticas pedagógicas e de acolhimento direcionadas aos estudantes, é preciso destacar a importância do gestor escolar na ação de acolher o educador e todos os outros funcionários da instituição.  Assim, é de responsabilidade da instituição escolar promover a escuta e o diálogo entre os próprios educadores, oferecendo um espaço para que eles compartilhem suas questões, ideologias, experiências e conhecimentos.  Dessa forma, é preciso preparar a instituição emocionalmente para recepcionar com espírito solidário e responsável toda a equipe, promovendo uma escuta ativa da realidade social de cada indivíduo envolvido naquele ambiente (FACCI et al., 2020).

Diante da reabertura das escolas, novos desafios surgem para o campo da Educação, visto que, além dos desafios financeiros e logísticos para promover um bom retorno às atividades presenciais, é preciso destacar a questão dos problemas emocionais desencadeados pela pandemia. Ressalta-se que tais problemas continuarão a se manifestar no ambiente escolar, mesmo após o fim da situação pandêmica no país (NIZ e TEZANI, 2021).

Assim, problemas emocionais, bem como o desenvolvimento de doenças relacionadas como depressão, ansiedade e sentimentos de inferioridade e baixa autoestima também serão questões recorrentes no ambiente escolar, mesmo com o término da pandemia, sendo necessário que a escola esteja preparada pra lidar com tal situação complexa (RAMBO, 2020).

Outro desafio importante é o retorno do aluno ao ambiente escolar e a retomada das atividades. Destaca-se a dificuldade existente na retomada das atividades escolares que estiveram estagnadas por um período relativamente extenso, visto que, se antes da pandemia era complexo inserir o aluno na escola, no momento do retorno o sentimento de pertencimento deste aluno com a instituição escolar estaria esquecido e sem significância para aquele indivíduo (COUTO et al., 2020).

O contexto vivido por consequência da pandemia da COVID-19, trouxe consequências negativas para a relação que os estudantes estabelecem com a escola, bem como com os seus professores e com o programa de estudos. Tal situação pode resultar em um sentimento de estranheza por parte do aluno, que já não se reconhece mais naquele ambiente. Destaca-se então, a importância da metodologia do Acolhimento, para que o aluno possa retornar para a escola e se sentir inserido nesse espaço de aprendizagem. Ainda, o acolhimento deve ser uma metodologia constante na rotina escolar, de modo a trazer de volta o aluno para o ambiente, auxiliando-o a ali permanecer (FACCI et al., 2020).

Dessa maneira, considerando o atual momento vivenciado, pensar em retorno presencial, é planejar as atividades necessárias para receber os alunos que passaram por sofrimentos e situações de negatividade decorrentes da pandemia do novo coronavírus, de modo a serem trazidos novamente para aquele ambiente que esteve esquecido em sua memória. Diante disso, a metodologia do Acolhimento é pautada em ações responsáveis por provocar a diferença na vida escolar dos alunos (ITABORAI et al., 2021).

Importante ressaltar que a escola não deve tornar-se um espaço de terapia em livre demanda, contudo, as instituições escolares terão que lidar com os sentimentos dos alunos e todos os envolvidos no processo de ensino aprendizagem, enfrentando os efeitos do período pós pandemia. Sendo assim, o foco da escola deve manter-se em ensinar e contribuir para a formação social, ética e moral do aluno, exigindo tempo e qualificação por parte dos educadores e da instituição escolar (SCHMIDT et al., 2020).

Vale a pena ressaltar que as ações de qualquer natureza a serem executadas na escola precisam, obrigatoriamente, serem planejadas pelo departamento de gestão da instituição, não podendo ocorrer nenhum desvio do cunho pedagógico. Portanto, criar ferramentas, bem como desenvolver metodologias para ensinar e acolher os estudantes, precisa ser uma ação pedagógica planejada e intencional por parte da instituição de ensino (KESTRING et al., 2020).

Outro desafio que a escola enfrenta refere-se à participação da família no acompanhamento escolar do filho. Considerando essa realidade, cada instituição de ensino também pode avaliar a realidade de cada aluno, de modo a fortalecer o vínculo e a relação família-escola. Dessa forma, entende-se que o retorno das atividades escolares presenciais pode ser percebido como uma oportunidade de recomeço, bem como de aproximação familiar, sendo o momento para diagnosticar e planejar intervenções para a aprendizagem. Ainda, deve-se considerar todo o contexto no qual a escola está inserida, avaliando fragilidades e potencialidades que favoreçam oportunidades de retomada de aprendizagem para os estudantes (ITABORAI et al., 2021).

4. ACOLHER: UMA AÇÃO PARA RESGATAR E PERMANECER

A palavra acolher tem origem latina, do termo acolligere, que significa considerar, levar em consideração, receber bem, acolher, amparar. O acolhimento proporciona que as pessoas se tornem mais próximas, cria, promove, fortalece elos, conexões, vínculos fundamentados num sentimento de confiança. Ter uma atitude de acolhimento é ser receptivo ao outro, é dar espaço, é promover uma escuta ativa; acolher é ser e estar presente, é oferecer um olhar, um gesto de carinho, de atenção, é oferecer um ombro amigo, é estender uma mão amiga (FACCI et al., 2020).

Com a interrupção das aulas presenciais e a ausência da rotina escolar, as conexões, os vínculos afetivos ficaram estremecidos, sendo abruptamente alterados pela mediação tecnológica; diga-se de passagem, que em alguns casos, estudantes ficaram isolados, uma vez que nem o uso da tecnologia era possível diante do contexto social em que são inseridos. Dessa forma, dentre os diversos desafios trazidos e amplificados pela pandemia, há de se considerar que é imprescindível promover ações pedagógicas para criar, reestabelecer, estimular e incentivar as relações entre aluno-professor-escola (RAMBO, 2020).

Na situação deixada pela pandemia, ações de acolhimento serão imprescindíveis, onde os educadores, gestores, assim como a equipe escolar, juntamente com os professores pode planejar e executar ações que promovam interação, ações de retomar e estabelecer novos vínculos com os estudantes e suas famílias, para desenvolver um sentimento de comunidade para amenizar os efeitos da pandemia e buscar a superação dos desafios infligidos pela COVID-19 (NIZ e TEZANI, 2021).

Pela fragilidade de todos, possivelmente, os professores, ou qualquer funcionário da escola devidamente preparado e orientado pela equipe gestora, poderá se sentir inseguro para acolher, talvez imaginado que precisará de ações muito elaboradas para promover o acolhimento, mas em muitas situações o que precisará fazer será apenas ouvir, acolher e não julgar o estudante, oferecer-lhe suporte (RAMBO, 2020).

Nesse retorno às aulas presenciais, o acolhimento ganha um papel consideravelmente importante para promover o resgate e favorecer a permanência do aluno na escola. Será fundamental reapresentar a escola como um lugar importante, para que a criança, adolescente ou o jovem sinta vontade de ir, ou de retornar. Além de cumprir as medidas sanitárias exigidas para o momento, a escola deve se preocupar também com as emoções dos alunos, professores e demais funcionários da instituição (COUTO et al., 2020).

Evidentemente que a escola não pode perder o foco em ensinar que é a sua maior função, mas relacionado a preocupação do ensino deve estar a responsabilidade social da instituição de ensino que não pode abandonar a prática pedagógica relacionada ao respeito, empatia e preocupação com o sentimento do outro. Para desenvolver ações de acolhimento, uma sugestão pode ser a escola abrir espaços para fazer uma escuta ativa, através de rodas de conversa em que possam ser compartilhadas experiências, pensamentos e emoções vividas na pandemia. Será importante oferecer conforto para o estudante perseverar nos estudos (FACCI et al., 2020).

Ainda não se sabe exatamente como os estudantes retornarão às atividades, e nem quais deverão ser as possíveis novas metodologias para tentar sanar as lacunas de aprendizagem intensificadas pela pandemia, mas é fato que o retorno será marcante por conta de todas as dificuldades da pandemia. A escola terá que lidar com as situações que aparecerem, e ajudar da melhor forma que puder para que os danos da pandemia não piorem a premissa ensino aprendizagem (GATTI, 2020).

No âmbito escolar, o Acolhimento é uma ação pedagógica, que favorece a integração de estudantes. A escola tem o papel de criar espaços e condições para que os estudantes se envolvam em atividades que garantam seu pleno desenvolvimento. Quando são acolhidos no ambiente escolar, os alunos tendem a ser menos tímidos, demonstram mais interesse pelo conteúdo e se sentem mais confortáveis para falar sobre suas impressões (COIMBRA, 2015).

O acolhimento deve ser uma ferramenta pedagógica intencional, planejada e executada com ética e responsabilidade. À princípio, era parte da rotina dos centros de ensino em período integral, dedicada prioritariamente aos estudantes ingressantes na instituição de ensino, mas a situação de pandemia ampliará a atuação e a relevância dessa ação (SCHMIDT et al., 2020).

A acolhida deve ser cultivada entre todos os envolvidos com o processo da aprendizagem, todos os funcionários da escola, de maneira que todos os alunos sintam, desde o primeiro retorno na escola, enxergar, sentir e experimentar as oportunidades que a instituição escolar vai oportunizar, para estimular a integração e convívio social baseados no diálogo e nas trocas de experiências (PIETROBON, 2010).

O acolhimento não deve se limitar ao retorno, especificamente, mas deve ser uma metodologia constante na rotina escolar. Apresentar a escola não só como um espaço de aprendizagem, mas sobretudo como um ambiente acolhedor, em que se exerce a empatia, a inclusão e o respeito. O acolhimento possibilitará que o estudante (re)estabeleça uma relação com a escola, e possivelmente até ressignifique essa relação, transformando até mesmo sua maneira de encarar a vida. Ao ser acolhido, ele se sente pertencente ao espaço escolar, estabelecendo novos modelos de vínculos e relacionamentos (KESTRING et al., 2020).

Sendo assim, compreende-se que o acolhimento tem papel fundamental no processo de recepção, considerando o cenário de distanciamento social e de isolamento, decorrido da pandemia da covid-19, sendo uma das possíveis estratégias pedagógicas para minimizar e auxiliar na ultrapassagem, em que a constituição de um clima escolar positivo dará suporte a retomada do processo de ensino aprendizagem (FACCI et al., 2020).

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do conteúdo exposto até o momento, o presente artigo atingiu seu objetivo em trazer respostas à questão norteadora citada no início da discussão, sendo ela: como a escola e os educadores podem contribuir com ações de acolhimento para que as crianças e jovens sintam-se encorajados a retornar às aulas após o período de distanciamento social? Assim, destacou-se a necessidade das instituições de ensino em investir diretamente em capacitação profissional e infraestrutura, de modo a preparar seus funcionários e corpo docente para lidar com a retomada das aulas após um período conturbado de isolamento social.

Vale a pena ressaltar que cada momento histórico exige determinadas ações por parte das escolas, dessa forma, o departamento de gestão deve estar atento ao momento em que a sociedade se encontra, bem como acompanhar as constantes mudanças trazidas pelos movimentos sociais. Assim, é preciso que a instituição escolar seja capaz de avaliar em que condições ocorrerá o movimento de retomada das aulas, de modo que tal processo seja contínuo e o mais positivo possível. Vale a pena ressaltar que as consequências da pandemia da COVID-19 para o processo de aprendizagem foram imensuráveis, onde milhares de estudantes sofreram com os sentimentos de insegurança e instabilidade emocional, resultando em estagnação no desenvolvimento do seu saber.

Dessa forma, a discussão proposta neste artigo pretende chamar a atenção de todos os profissionais envolvidos no processo de ensino aprendizagem para a importância do acolhimento dos estudantes no retorno presencial das aulas. Não se deve descartar a necessidade de acolhimento de toda a comunidade escolar e também do departamento de gestão da instituição de ensino. Sendo assim, foi possível concluir que a pandemia de COVID-19 resultou em muitos impactos negativos para o progresso da educação, bem como colocou a sociedade diante de novos desafios como a adoção de um sistema de ensino até então inimaginável, ou seja, o ensino remoto.

Dessa forma, com o presente artigo, pretende-se despertar uma atitude reflexiva acerca do fazer pedagógico momentâneo e daqui em diante, decidindo coletivamente pelos melhores caminhos para promover uma educação escolar ideal, efetiva e com significativa para os estudantes. Ainda, a Educação deve promover verdadeiramente mudanças individuais e sociais, sendo capaz de utilizar a metodologia do acolhimento como ferramenta de resgate do aluno e que se sentindo acolhido, bem como parte do processo de aprendizagem, ele consegue permanecer naquele ambiente, sentindo-se seguro e acolhido. Assim, o acolhimento deve passar a fazer parte da rotina escolar, parte do trabalho pedagógico proposto e desenvolvido pela unidade escolar, sendo uma ação capaz de promover a aproximação dos alunos e consequentemente, um melhor desenvolvimento do processo de aprendizagem.

REFERÊNCIAS

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COIMBRA, Renata Maria; MORAIS, Normanda Araújo de. A resiliência em questão: perspectivas teóricas, pesquisa e intervenção. Porto Alegre: Artmed, 2015, 232p.

COUTO, Edvaldo Souza., COUTO, Edilece Souza., & CRUZ, Ingrid De Magalhães Porto. #Fiqueemcasa: Educação na Pandemia da COVID-19. In: Revista Educação, nº 8(3), p.200–217, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.17564/2316-3828.2020v8n3p200-217. Acesso em:04/08/2022.

FACCI, Marilda Gonçalves Dias.; SILVA, Silvia Maria Cintra.; SOUZA, Marilene Proença Rebello. A Psicologia Escolar e Educacional em Tempos de Pandemia (editorial). In: Psicologia Escolar e Educacional, São Paulo, nº 24, vol. 1, p. 1-3, 2020. Disponível em: https:// doi.org/10.1590/2175-3539202001. Acesso em: 03/08/2022.

FRANKL, Viktor. Psicoterapia e sentido da vida: fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial. 7ª ed. São Paulo: Editora Quadrante, 2019, 424p.

GATTI, Bernardete Angelina. Possível reconfiguração dos modelos educacionais pós-pandemia. In: Revista Estudos Avançados, São Paulo, v. 34, nº 100, p.29-41, Dec. 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/7M6bwtNMyv7BqzDfKHFqxfh/ Acesso em: 04/08/2022.

ITABORAI, Flávia Cristina Souza.; PORTELA, Claudia Paranhos de Jesus.; REIS, Cristina de Araújo Ramos. Gestão escolar e pandemia: caminhos para uma educação inclusiva. In:  Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Bahia, v. 6, n. 17, p. 328-344, 2021. Disponível            em: https://www.revistas.uneb.br/index.php/rbpab/article/view/9198. Acesso   em: 05/08/2022.

KESTRING, Bernardo., HORN, Geraldo Balduino., ROCHA, Luiz Carlos Paixão., SANTA ROSA, Sebastião Donizeti. Aulas não presenciais em tempos de Pandemia: Improviso, exclusão e precarização do ensino no Paraná, 1ª ed. Curitiba: Platô Editorial, 2020.

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[1] Mestranda em Educação pela Faculdade de Inhumas – FacMais – GO, Especialista em Psicopedagogia pela Faculdade Apogeu – Brasília – DF, Licenciada em História pela UEG – Campus Morrinhos – GO, e em Pedagogia pela Universidade Norte do Paraná – Unopar – Campus Piracanjuba – GO. ORCID: 0000-0001-5933-4177.

Enviado: Julho, 2022.

Aprovado: Agosto, 2022.

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Tatyanne de Souza Oliveira Machado

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