Relação família/escola: Uma parceria importante no processo de ensino e aprendizagem

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ARTIGO ORIGINAL

SILVA, Maria Das Dores Almeida [1], MONT’ALVERNE, Clara Roseane da Silva Azevedo [2]

SILVA, Maria Das Dores Almeida. MONT’ALVERNE, Clara Roseane da Silva Azevedo. Relação família/escola: Uma parceria importante no processo de ensino e aprendizagem. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 06, Vol. 11, pp. 21-40. Junho de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/parceria-importante

RESUMO

O objetivo do presente artigo é fomentar reflexões acerca do conceito de leitura e da escrita e interpretação, abordando a importância dessas práticas para a continuidade das aprendizagens dos alunos do 9º. ano do Ensino Fundamental, na Escola Municipal Jovina Pereira, da Rede Municipal de Ensino de Guaratinga, estado da Bahia, fazendo alguns apontamentos acerca da pesquisa documental realizada para levantar dados sobre os quatro níveis de proficiência dos alunos. Considera-se, ainda, a importância do envolvimento das famílias no acompanhamento frente aos resultados obtidos. Assim, investigar a atual situação em que se encontra o ensino de leitura e escrita desses discentes implica em oferecer contribuições para estimular a participação da família nas situações de aprendizagem, com o objetivo de envolver a todos nos processos educativos, garantindo a melhoria da aprendizagem de todos os discentes. A metodologia adotada para o desenvolvimento do trabalho foi de natureza qualitativa, através do método fenomenológico, realizado por meio de pesquisa bibliográfica e observação sistemática. Diante do exposto, conclui-se que é relevante destacar a parceria família/escola como elemento fundamental para que o processo de ensino e aprendizagem de leitura, escrita e interpretação dos alunos do 9º ano aconteça dentro dos parâmetros de aprendizado estabelecidos nos documentos norteadores, através do conjunto de habilidades que os alunos devem desenvolver durante sua trajetória escolar.

Palavras-chave: Família, escola, aprendizagem, leitura, escrita, interpretação.

INTRODUÇÃO

As concepções de leitura, escrita e interpretação têm sido objeto de muita discussão, considerando que um número significativo de alunos do Ensino Fundamental II chega ao final desta etapa, apresentando dificuldades em relação às habilidades de leitura, compreensão e produção de textos. As lacunas deixadas pelo não desenvolvimento dessas habilidades resultam em prejuízos no desempenho nas demais disciplinas. Nesse sentido, cabe uma interferência pedagógica voltada para esse exercício de aprendizagem com vistas a amenizar as dificuldades apresentadas pelos discentes. Sabe-se que a escola é a maior responsável pela incorporação da linguagem científica durante a trajetória escolar dos alunos, porém, muitas vezes, alguns educadores demonstram concepções baseadas na mera decodificação do código linguístico e a produção textual é vista como uma maneira mecânica de escrever sobre algo determinado pelo professor sem passar pela reflexão crítica.

No entanto, propõe-se refletir sobre o conceito de leitura, escrita e interpretação como    habilidades que transpõem a sala de aula, podendo ser vistas como práticas sociais importantes para o desenvolvimento de habilidades nas demais disciplinas e composição da sua trajetória escolar.

Nessa perspectiva, a escola deve compartilhar práticas educativas que promovam a busca de conhecimentos, contribuindo para o desenvolvimento dos discentes. Para que isso aconteça, é importante que haja mudanças nas atitudes da escola enquanto comunidade de aprendizagem, pois o momento agora é de buscar soluções para que as habilidades de ler, escrever e interpretar sejam desenvolvidas e os educandos alcancem os objetivos de aprendizagem necessários em cada etapa do seu percurso estudantil.

Para o desenvolvimento desta pesquisa, elegeu-se a metodologia do tipo qualitativa com ênfase no método fenomenológico, conforme exemplifica Alvarenga (2019, p. 51), o objetivo da pesquisa qualitativa é “aproximar as pessoas, com o intuito de compreender a situação problemática e ajudar aos envolvidos na solução da mesma”. Acrescendo a esta afirmação, o método fenomenológico baseia-se nas descrições de vivências, com o objetivo “de tornar evidente a experiência humana através da reflexão, e assim descobrir os próprios pensamentos das pessoas envolvidas” (Alvarenga, 2019, p. 51).  Entendo, nesses termos, que ao observar a prática docente, o envolvimento das famílias e os resultados de proficiência dos alunos, obtém-se subsídios para aprofundar a discussão acerca da relação família com as práticas de leitura, escrita e interpretação ocorridas na escola, constatando a relevância dessa parceria no processo de ensino e aprendizagem.

Vale ressaltar que o envolvimento família nas ações da escola possibilita um maior comprometimento de toda a comunidade em torno do Projeto Pedagógico, transformando-se em um aspecto indispensável no que se refere ao processo de ensino e aprendizagem. Assim, torna-se bastante relevante, também, que diretor, coordenador pedagógico, professores, família, assim como os alunos estejam conscientes de que a educação é um direito e sua efetivação acontece quando todos se engajam para que a escola se transforme em uma comunidade educativa, na qual a qualidade e a garantia da aprendizagem de todos os alunos seja o foco principal.

Nesse sentido, percebe-se que o ensino de leitura, escrita e interpretação precisa ser repensado e discutido como uma ação pedagógica transformadora, na qual todos estejam envolvidos de maneira efetiva e comprometida para que o processo de ensino e aprendizagem dos alunos aconteça de forma satisfatória para todos, garantindo a melhoria da proficiência, e, consequentemente, do desenvolvimento das diferentes habilidades nas mais variadas áreas do conhecimento, favorecendo o prosseguimento exitoso do aluno na sua trajetória escolar.

CONTEXTUALIZANDO LEITURA, ESCRITA E INTERPRETAÇÃO

Quando se fala em ensino e aprendizagem, é necessário levar em consideração o ato de ler, escrever e interpretar de cada indivíduo na construção da sua própria identidade. Portanto, formar cidadãos capazes de ler e produzir é oportunizar aos alunos o uso do texto para interpretar situações contextualizadas, entreter-se, descobrir novas possibilidades de compreender o mundo. Além disso, a leitura amplia o vocabulário e auxilia na produção de textos mais coerentes como forma de expressão. Através da produção textual, o estudante pode manifestar suas ideias, argumentando com consistência. Nesse sentido, pode-se afirmar que conseguiram compreender seus significados que são construídos no processo de interação entre o texto e o leitor.  Segundo a Base Nacional Comum Curricular, (BNCC), (2017, p. 87). Uma das competências específicas de língua portuguesa para o ensino fundamental a ser desenvolvida pelos alunos é “compreender a língua como fenômeno cultural, histórico, social, […], reconhecendo-a como meio de construção de identidades de seus usuários e da comunidade a que pertencem.” Nessa perspectiva, entende-se que a visão socio-discursiva de expressão, que já vinha sendo assumida em outros documentos, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (2001), está incorporada, também, na BNCC.

Nesse entendimento, quando o aluno adquire as competências de ler, escrever e interpretar, ele vai além da representação, pois para que o sujeito adquira essas habilidades, é necessário que compreenda a sua própria existência. É preciso, portanto, se conscientizar que a escrita tem a função de registrar fatos criados e vividos pelo homem, pois a mesma é vista como um processo de aperfeiçoamento do sujeito, de desenvolvimento intelectual e cultural do ser humano. Conquistar essas competências   é de grande importância para o convívio social, pois é a partir disso que o ser humano transmite informações, constrói visões de mundo e produz conhecimento.

Nesse sentido, é função da escola e da família garantir uma aproximação aos saberes linguísticos necessários para o exercício da cidadania, direito inalienável a todos. Por isso, é importante investigar o que pode ter acontecido para que esses alunos chegassem ao 9º ano sem adquirir as competências e habilidades que teriam que ter alcançadas. Freire (1998, p. 11), acredita que ler vai muito além do processo de decodificação de palavras escritas. Assim:

[…] não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre texto e contexto.

É por meio da leitura, da escrita e do contato com diversos textos, que o discente começa a sentir segurança para fazer questionamentos, discordar, construir suposições. A partir dessa construção, passa a entender melhor o que está acontecendo. Quando se adota o hábito de ler todos os dias, o aluno começa a viver uma nova realidade e a desenvolver um pensamento crítico sobre o que acontece a sua volta. Para os PCNs, (2001, p. 52), “leitura e escrita são atividades integrantes bastante confrontadas, que se modificam respectivamente no processo de letramento, a escrita transfigura a fala e a fala estimula a escrita”. Através dessas práticas, o aluno vai construindo seu conhecimento sobre os gêneros, adquirindo procedimentos adequados para lê-los e escrevê-los. Desse modo, a concepção de linguagem como forma de interação serve ao campo do ensino da leitura e da escrita quando voltados para a produção do texto escrito adequado a diversas situações comunicativas. Isso pode contribuir para o desenvolvimento e aperfeiçoamento das competências leitoras e escritoras, propiciando ao aluno o domínio dos recursos linguísticos oferecidos pela própria língua.

Compreende-se, portanto, a importância do ensino utilizando o texto e o gênero textual como unidades básicas do ensino-aprendizagem, pois os gêneros possibilitam ao aluno articular relações entre diversos tipos de enunciados. Nesse âmbito, o professor pode selecionar de forma planejada, os gêneros para que, com eles, os alunos aprendam quais são as características que os definem. Essa estratégia pode auxiliá-los no desenvolvimento tanto da leitura quanto da produção textual. Enfim, poderão participar ativamente das atividades discursivas na escola e na sociedade em que vivem. Os PCNs, (2001, p. 52, 53), afirmam que:

A relação que se estabelece entre leitura e escrita, entre o papel de leitor e de escritor, no entanto, não é mecânica: alguém que lê muito não é, automaticamente, alguém que escreve bem. Pode se dizer que existe uma grande possibilidade de que assim seja. É nesse contexto – considerando que o ensino deve ter como meta formar leitores que sejam também capazes de produzir textos coerentes, coesos, adequados e ortograficamente escritos – que as relações entre essas duas atividades devem ser compreendidas.

Assim, compreende-se que essas técnicas exigem esforço e dedicação do aluno, mas também se faz necessário que haja a orientação e a mediação segura do professor, para que o educando adquira essas competências e as compreenda, promovendo, assim, a autonomia e a participação de todos. O docente precisa ser um motivador de produção escrita, agindo como facilitador desse processo, visto que todos os sujeitos possuem habilidades para realizar uma tarefa ou outra. Compete, então, a este profissional um trabalho de organização da ação pedagógica para que a aprendizagem seja bem-sucedida.

É preciso ampliar, portanto, as reflexões sobre o que é leitura, compreendendo sua real importância para a efetivação da aprendizagem nos anos finais do Ensino Fundamental e, posteriormente, na continuidade da trajetória escolar dos educandos.

Para Evangelista e Jerônimo, (2014, p.6):

Vivemos uma época em que a leitura decodificadora não é suficiente para suprir as necessidades sociais e de trabalho, é necessário ampliar esse conhecimento para as interações em diversos contextos e espaços sociais. A leitura e o letramento são elementos importantes da ação escolar, a necessidade de aprimorar o conhecimento da linguagem de forma sistematizada contribui para a interação dos alunos nos diversos contextos sociais, exigindo que a escola proporcione uma melhor formação escolar.

É importante se relacionar com o texto, ampliando o vocabulário, posicionando-se, ora eliminando elementos, ora acrescentando, instruindo o aluno a adentrar nesse universo e dominá-lo. Tanto ler quanto escrever fazem parte das práticas sociais e dos procedimentos utilizados para atribuir sentido aos textos selecionados. Eles são mediadores da relação com o mundo e com o outro. Para que os discentes possam se relacionar com estes processos, há uma grande necessidade de ultrapassar o conceito de leitura centrada na decodificação, é preciso conceber a leitura e escrita enquanto práticas letradas, pois é na escola, especialmente, que se busca motivação e incentivo para obter bons resultados nas competências a serem trabalhadas no processo de ensino-aprendizagem.

Saber ler e escrever não parece ser uma tarefa fácil, mesmo assim, sabe-se que tal habilidade é um recurso indispensável na sociedade contemporânea, pois não basta escrever por escrever, é preciso escrever com compreensão, garantindo o domínio da língua e da comunicabilidade entre as pessoas. Segundo Senna (2015, p. 20), “o envolvimento do indivíduo com o meio processa por meio da fala”, fator indispensável para a interação e comunicação do homem que se expressa através desse mecanismo. A leitura e a escrita são habilidades essenciais para a formação de escritores. Elas possibilitam a aprendizagem e auxiliam no processo comunicativo do homem. Nogueira (2016, p. 44), reforça que:

O escopo do trabalho com a leitura é a formação de leitores e escritores competentes, pois a possibilidade de conceber textos eficazes está intimamente associada a prática da leitura, que nos fornece matéria-prima para a escrita (o que escrever) e contribui para a composição de modelos (como escrever).

Contemplando essas competências, é possível formar autores com oportunidades para a formação de redatores. Nesse sentido, “a compreensão da linguagem escrita é adquirida mais pela leitura do que pela própria escrita” (Nogueira, 2016, p. 45), logo, ao se envolver com a leitura, o indivíduo se apropria de uma imensa bagagem de informação que promove no aluno o desenvolvimento de habilidades pessoais que lhe permitem inferir na realidade e transformar positivamente o ambiente que o cerca. De acordo com os PCNs, (2001), a formação do sujeito deve ser influenciada por uma educação de qualidade. Segundo Paviani, (2012, p. 34), “o uso da linguagem é, certamente, um dos domínios fundamentais para a construção de conhecimento em todas as áreas do conhecimento e da cidadania”. Nesse sentido, percebe-se que a fala é individual, já a escrita é social, porém, ambas devem estar ajustadas ao modelo linguístico atual para serem compreendidas por todos no momento da sua leitura. Diante disso, Saldanha (2016, p. 2) compreende que:

Entender a linguagem ou a própria fala como experiência de interação humana e social implica assumir que as palavras pronunciadas por qualquer um de nós estão estreitamente ligadas ao contexto, as nossas intenções, aos papéis e as funções que desempenhamos na sociedade ou nas relações interpessoais, além de outros aspectos. Isso quer dizer que a fala ocorre no contexto de práticas sociais, sendo mais do que uma forma de expressar ideias e comunicar uma mensagem.

A escola exerce um papel fundamental na formação dos seus educandos, é sua a função de prepará-los para as práticas sociais e para o exercício da cidadania, na formação do sujeito como ser social. Porém, não podemos desconsiderar a necessária participação da família no acompanhamento das crianças e adolescentes em seu percurso estudantil. Nesse contexto, aprender ler, escrever e interpretar é um processo que exige do aluno novas habilidades e atenção, portanto, no processo de ensino aprendizagem, alguns discentes se saem melhor, enquanto outros levam mais tempo, necessitando de um apoio e atenção integrados que é de suma importância que seja realizado, conjuntamente, entre família e escola, assegurando que o adolescente se sinta motivado a aprender. No entanto, cabe ao professor uma atenção maior com aqueles que expressam desconformidade na aprendizagem, podendo, então, fazer uma autoavaliação, rever os métodos que estão sendo aplicados para garantir que os alunos possam alcançar a aprendizagem na leitura e na escrita, através de atividades práticas para despertar a sua autoestima.

Partindo da compreensão de que a escrita é uma atividade que serve para mediar e modificar as relações do homem com o mundo, ela ainda é vista como algo muito complexo, daí o entendimento por que alguns estudantes apresentam dificuldades de escrever corretamente ao longo de suas vidas.

A escrita é compreendida como algo indispensável no contexto social, por isso, é fundamental propiciar aos alunos o contato com uma maior variedade de textos que possam favorecer o desenvolvimento da capacidade discursiva de cada um.

O contato com a leitura, vai muito além de simplesmente passar os olhos sobre as letras, é através da prática que os sentidos vão se construindo. Quando se trabalha com leitura, a principal finalidade é formar leitores competentes e capazes de compreender tudo que leem. Nesses termos os PCNs, (2001, p. 53) apontam que:

A leitura é o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção e significado do texto, a partir dos seus objetivos, do seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a língua: características do gênero, do portador do sistema de escrita, etc. Não se trata simplesmente de extrair informação da escrita, decodificando-a letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que implica, necessariamente, compreensão na qual os sentidos começam a ser constituídos antes da leitura propriamente dita.

Assim, a leitura vai muito além de uma simples decodificação de símbolos, ela se completa quando o aluno consegue interpretar e compreender o que está lendo. Segundo Kleiman, (2011, p. 25),” o entendimento de um texto é uma atividade que se qualifica pela utilização da experiência prévia”, independente da finalidade dessa competência, as atividades precisam ser relacionadas com a realidade de cada educando, tendo em vista que os aspectos formais e discursivos precisam estar diretamente ligados aos textos. Solé (1998), afirma que muitos alunos talvez não tenham muitas oportunidades fora da escola, de se familiarizar com a leitura, talvez porque não vejam adultos lendo; ou ninguém que lhes ofereça leitura frequentemente. Nesse sentido, a instituição não pode desconsiderar essas situações que foram adquiridas ao longo da história, é uma linguagem que faz parte de um processo ativo e formativo de cada indivíduo. À escola, cabe a função de estimular o gosto e a aquisição dos hábitos de leitura, permitindo aos alunos a produção de saberes, podendo envolver suas famílias através de projetos mais abrangentes e que extrapolem as paredes da sala de aula, permitindo ao aluno contextualizar suas vivências de leitura e escrita fora do espaço escolar.

Para que os discentes desenvolvam o gosto pela leitura, é fundamental que o professor busque recursos para despertar nesses autores a vontade e o desejo de estudar. Para tal, a elaboração de atividades que envolvam gêneros como entrevistas permitem que o aluno busque respostas para suas perguntas junto à família, amigos ou pessoas da comunidade em que vive. Instigando, nesse sentido, a motivação pela pesquisa, o desenvolvimento de habilidades para usar diferentes gêneros discursivos; além de promover a extensão das atividades escolares para além dos muros da escola.

Para que o progresso na aprendizagem seja contínuo, é também importante contar com o acompanhamento da família, especialmente quando a escola estabelece um diálogo que favorece essa perspectiva. Nessa visão Ribeiro (2012, p. 71), ressalta que:

A leitura é o ato de poder perceber o mundo, conhecer e compreender seu entorno social. O homem precisa ser motivado a ler o mundo; a partir daí ele se motivará a fazer uso da leitura e da escrita, e compreendendo tudo isso poderá viver melhor num universo onde conhecerá cada vez mais.

Portanto, a partir da leitura o indivíduo perceberá o mundo e entenderá as diferenças e semelhanças existentes a sua volta. Além disso, ele se tornará apto a compreender o sentido das coisas e atuar sobre cada uma, atribuindo-lhe significados e entendendo como se dá a comunicação, pois todo falante é também ouvinte. Nessa via, precisa-se ter clareza do conceito de interpretação, sobre isto Koch, (2002, p.12), afirma que:

A concepção foco na interação autor texto leitor é a melhor, pois é uma leitura ativa, crítica contextualizada, o sujeito é ativo, o autor constrói o texto, o texto é um instrumento de interação com o autor e leitor. O leitor é responsável pela interpretação do texto. Nesta concepção o texto não é um código, e sim interpretações de sentidos.

Assim, ao construir essas competências, o aluno começa a identificar o conhecimento e aprende a usá-lo a seu favor, pois é a partir daí que ele começa a transformar a sociedade. Não é possível transformar a sociedade sem que este sujeito tenha clareza sobre os contextos, apropriando-se da leitura para além do texto escrito, pois ao interpretar o texto escrito, o aluno o concebe enquanto uma unidade de sentidos permeado pelas vivências do autor, sua relação com o mundo e com outros sujeitos.

PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA LEITURA E DA ESCRITA: CONTRIBUIÇÕES DA ESCOLA E DA FAMÍLIA

As competências e habilidades de ler e escrever não acontecem do mesmo jeito para todos os discentes e, dependendo da maneira como esse ensino é orientado, pode ocasionar sérios problemas na aprendizagem de modo geral. Aprender a lidar com essas técnicas que são essenciais para a formação do aluno enquanto ser histórico e social, não se restringem simplesmente em reconhecer os signos e posteriormente juntá-los para chegar ao formato de texto. Infelizmente, essa visão simplista de ensino ainda está presente em muitas instituições, e ainda que se tenha modificado alguns métodos parece que estes foram apenas substituídos por alguns livros didáticos que insistem em manter a forma de ensinar totalmente descontextualizada, sem propiciar o verdadeiro objetivo de aprender a ler e a escrever de maneira significativa.

A prática de colocar a leitura como um exercício contínuo precisa ser vista como algo importante na vida intelectual, profissional e social das pessoas, pois é por meio dela que se abrem novos horizontes e torna-se possível entender e aprofundar conhecimentos sobre o mundo, até mesmo atuar nele como cidadão de direito.

O costume em apreciar esses métodos, periodicamente, desenvolve no aluno o gosto em aprender e apreciar todas as oportunidades de aprendizado oferecidas pela leitura, pois mesmo existindo uma variedade de técnicas que ensine a ler e escrever, estas são pautadas na preocupação de como fazer para que esse conhecimento chegue até o aluno de forma interessante e prazerosa, Bacca, (2017).

Percebe-se que no contexto histórico educacional do nosso país, são discutidas muitas concepções em relação ao objetivo dos discentes adquirirem formas mais práticas de evidenciar a magia que a leitura pode proporcionar na vida de uma pessoa, que é o contato desde cedo com a leitura dos livros de histórias infantis, pois é através desse contato com os livros que será possível garantir um conhecimento de mundo, e não apenas de códigos.

Para (Coelho, 2009), é através da curiosidade, e da abertura de novos conceitos que nasce a motivação para ler os mais diversos tipos de textos, reforçando que o aprendizado só acontece se os discentes tiverem acesso ao ato de ler e de escrever. E para que isso de fato aconteça é preciso que os envolvidos tenham contato direto com uma diversidade de textos, ricos em informações para que possam ser exploradas inúmeras possibilidades no transcorrer do processo de aprendizagem. Por essa razão, Soares (2017), descreve que quando as pessoas aprendem a dominar essas técnicas, elas se tornam diferentes e sentem prazer em participar das atividades de leitura enquanto práticas sociais, ou seja, não são mais as mesmas de antes. Quando o indivíduo se apropria da escrita ele muda o seu lugar na sociedade, sua relação com o mundo e com todos que estão ao seu redor.

À medida que o novo conhecimento é produzido, ele vai superando outros, isso pode estar na visão de educação, pois entendo o pensamento de Paulo Freire, (1988), que sempre alertou que a leitura se faz primeiramente no mundo, que a capacidade de adquirir conhecimentos torna o homem sujeito de sua história e cidadão capaz de modificar a sociedade em que vive. Assim, o ensino ocorrerá de forma diferente, uma vez que a criança começa a desenvolver a escrita antes mesmo de ingressar na escola, através do simples convívio com o mundo que a rodeia. Para tanto, é necessário que se trabalhe dentro do padrão de cada aluno, no nível de conhecimento e realidade que cada um vive, considerando as vivências do seu cotidiano. Mas, nem todos os educadores têm esta visão de que, para o aluno é mais estimulante vivenciar a cultura do seu dia a dia, em vez de ensinar métodos desordenados que causam bloqueio das habilidades. Essas práticas devem recorrer de uma interação ativa entre leitor e ouvinte, envolvendo textos escritos e orais, para que o discente aprenda a ter mais conhecimento e um bom desenvolvimento nas ações sociais, entre outros.

Nesse entendimento, os resultados tendem a demonstrar em que nível as práticas docentes estão ou não contribuindo para o desenvolvimento das competências e habilidades dos seus alunos. Assim, faz-se importante considerar como estão acontecendo essas práticas no contexto investigado, a partir dos dados obtidos na análise documental acerca da proficiência dos alunos do 9º Ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Jovina Pereira.

Nessa perspectiva, a escola municipal na qual se deu a pesquisa apresenta dados preocupantes em relação às aprendizagens de leitura, escrita e interpretação, considerando os dados do Índice de Desempenho da Educação Básica (IDEB), coletados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e apresentados pelo Portal Qedu, no ano de 2015. A saber que a avaliação de larga escala, Prova Brasil, é aplicada a cada dois anos, foi realizada uma análise comparativa dos anos de 2013, 2015 e 2017 para verificar o nível de proficiência dos alunos do 9º Ano. A análise revelou que o Ideb 2015 nos anos finais da rede municipal não atingiu a meta. Além disso apresentou queda, não alcançando a nota 6,0.

No que se refere aos dados específicos da escola pesquisada, não há dados dos anos de 2013 e 2017, considerando que a mesma não tinha o número mínimo de alunos matriculados na turma do 9º Ano do Ensino Fundamental para realização da Prova Brasil. Cabe ressaltar que há exigência de número mínimo de 20 alunos cadastrados no Censo escolar para que a escolar possa participar da avaliação. Portanto, os dados obtidos, na análise documental se deu com base no ano de 2015. Tais dados apresentam 38 alunos matriculados na série referenciada na pesquisa, sendo que destes, apenas 24 realizaram a Prova Brasil, somando 63% de taxa de participação.

Quanto ao aprendizado, os alunos participantes apresentaram o desempenho inadequado conforme os dados observados em Português, no item Interpretação 0% dos alunos estão em nível avançado ou além da expectativa, 7 % estão com aprendizado esperado ou proficientes.  Porém, 67% encontram-se em nível básico ou pouco aprendizado e 26% são considerados com nível insuficiente.

Diante dos dados apresentados, percebe-se que a escola precisa avançar na melhoria da qualidade do ensino ofertado, buscando implementar estratégias que garantam mais alunos aprendendo e com um fluxo escolar adequado.

Assim, considera-se importante que ao ingressar na escola, os alunos devem manter contato com bons hábitos de leitura. É a partir daí que surge a importância do papel do professor, é considerável que ele desenvolva técnicas leitoras capazes de despertar nos educandos o prazer de fazer leitura de acordo com a intencionalidade, instruindo-os a localizar informações e construir novos significados, avançando para níveis mais adequados nos itens apontados anteriormente.

É preciso considerar que nenhum ser humano domina essas técnicas sem que haja motivação para isso. Gaitas (2013, p. 14), afirma que o “contato com textos reais desde o início do ensino permite desenvolver a compreensão de que ler e escrever não são atividades de codificação/decodificação, mas sim atividades de comunicação e construção de significados”. Assim, experiências positivas orais e linguísticas conduzem a um desenvolvimento de competências fonológicas à aprendizagem da leitura.

Diante disso, cabe à escola, selecionar e organizar os conteúdos que serão trabalhados de forma clara e objetiva, atuando direta e indireta no desenvolvimento do aluno, facilitando para a conquista de um aprendizado que supere os desafios da atualidade e influencie na vida futura do cidadão, tornando-o capaz de fortalecer o pleno desenvolvimento da sua autonomia. Conforme diz Paulo Freire (1988, p. 11), “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”, assim, é através da leitura do mundo que a inteligência cultural e social vem se constituindo, ou seja, para o autor cada sujeito tem um jeito próprio de compreender as novas informações do meio no qual está inserido.

Dessa forma, a leitura das palavras na escolarização, ou de escrita, é diferente da leitura da realidade que antecede à escola. Freire não se preocupa apenas com textos, palavras e letras, para ele, a leitura do mundo do educando precisa assumir a humildade crítica, que é própria do posicionamento científico. Nota-se que quanto mais compreende a leitura dessa realidade, mais aumenta a capacidade de raciocínio do indivíduo.

O “ato de ler”, busca a percepção crítica, a interpretação e a “reescrita” do lido pelo indivíduo. O que antes era visto como forma prescritiva, sem levar em conta a realidade dos alunos, agora é gerado como ato de conhecimento. Segundo os PCNs, (2001, p. 76), “a leitura tem como finalidade a formação de leitores competentes, sendo estes capazes de, por iniciativa própria, selecionar dentre vários textos que circulam socialmente, aqueles que atendam a sua necessidade no momento”. O trabalho com a leitura tem a finalidade de formar escritores, sendo estes capazes de produzir textos com eficácia, e não de simplesmente escrever letra por letra ou palavra por palavra, e sim compreender os sentidos que devem ser constituídos antes da leitura propriamente dita.

A leitura é de grande importância para a formação humana, através dela o aluno faz descobertas, adquire informações e se diverte, além de muitos outros fatores que contribuem para o seu desenvolvimento emocional, intelectual e social. Por sua vez, será o aluno o próprio protagonista de seu aprendizado, entendendo que a leitura, seja na escola ou em outro lugar, é uma fonte inesgotável de aprendizagem.

Vale ressaltar também, que a formação do professor tem uma contribuição muito importante na prática educativa de qualidade, especialmente no que tange à formação de alunos leitores. Atualmente, o desinteresse e o conformismo no espaço escolar são notórios, por isso, o ensino da leitura tem se tornado uma prática desmotivadora tanto para o educador quanto para o educando. Se o professor não tem consciência do seu papel em sala de aula, fica difícil contribuir de forma integral para a aprendizagem e formação plena do aluno.  Nesse contexto, Almeida Farago, (2014, p. 209) afirma que:

A construção da linguagem escrita na criança faz parte de seu processo geral, se dá como um trabalho contínuo de elaboração cognitiva por meio de inserção no mundo da escrita pelas interações sociais e orais, considerando a significação que a escrita tem na sociedade.

Nessa linha de pensamento, o incentivo ao ato de ler não pode ser delegado somente à escola, é necessário contar com a parceria da família. É importante também que o professor utilize textos que proporcione ao aluno a interação com a escrita.  Assim, a leitura não fica restrita somente aos recursos e atividades disponíveis dentro da sala de aula, pois o discente só aprende aquilo que faz sentido para ela. Por isso, esse processo necessita de habilidades mais sofisticadas, assim Mendonça e Mendonça (2011, p. 49):

A escrita se apresenta como um conjunto de habilidades adquiridas no campo linguístico. Para que aconteça, é necessário relacionar as unidades de sons da fala aos símbolos gráficos e, para complementar, é preciso ter a habilidade de expressar as ideias sabendo organizá-las na língua escrita. A escrita é a habilidade do sujeito em transcrever a fala, obedecendo a uma série de características discursivas específicas da língua escrita, pois falamos de um jeito e escrevemos de outro.

Diante desse conhecimento, Mendonça e Mendonça (2011, p. 56), afirmam que “se faz necessário a adoção de procedimentos apropriados para que crianças recebam educação de qualidade em nosso país, ajustando a alfabetização, em sua particularidade, e ao mesmo tempo, usando procedimentos que exerçam a técnica e o domínio da escrita”.

Seguindo esse pensamento, percebe-se que o período fundamental para a formação da criança é na alfabetização, é partindo desse ciclo que se encontra soluções mais adequadas para suprir ou amenizar as deficiências recorrentes nesse processo. Entretanto, quando o aluno chega ao 9º ano do Ensino Fundamental sem ter desenvolvido as competências e habilidades recomendadas para esta fase do seu percurso educacional, significa que a escola não cumpriu com sua função social, ela precisa, portanto, levar em consideração a formação de sujeitos que possam compreender como é a realidade que o cerca, comprometendo-se com práticas pedagógicas efetivas que garantam o aprendizado, permitindo ao aluno superar as dificuldades de aprendizagem que o acompanham ao longo da sua trajetória.

A IMPORTÂNCIA DA COMPREENSÃO DA LEITURA E DA ESCRITA

Ler e compreender está relacionado diretamente com a concentração e atenção de quem está envolvido no processo. Logo, quando o indivíduo lê algo que não traz significado, traduz que aquele assunto está desvinculado da sua realidade, isto é, não possibilitou que o mesmo acessasse seus conhecimentos prévios para estabelecer relações de significados entre suas vivências e o texto lido. Esse distanciamento provoca uma percepção equivocada da leitura. Nesse aspecto, compete ao docente ter clareza das necessidades dos alunos para que possa instigá-los com leituras que despertem o interesse e o prazer pela mesma. Quando o docente, aluno e familiares compreendem que a leitura e a escrita é uma maneira de compreender o mundo, oportunizando novas formas de aprendizagem e avanço no desempenho escolar, o envolvimento com a aprendizagem assume novo sentido.

A falta de compreensão da importância da leitura e da escrita no cotidiano resulta em um considerável número de pessoas com mau desempenho na compreensão de textos, consequentemente em situações, nas quais a competência leitora e escritora serão decisivas para a continuidade da trajetória educacional. A exemplo de concursos para acesso às universidades que exigem dos candidatos níveis avançados de compreensão sobre a leitura de textos, contextos, bem como uma boa interpretação para atingir um bom desempenho.

As atividades realizadas pelos alunos podem exigir diferentes níveis de atenção. Sabe-se que existem aquelas que exigem menos que outras, tomar banho por exemplo exige menos, enquanto jogar dama, exige uma atenção maior. Em circunstâncias que requerem concentração, deslizes na atenção pode levar ao erro, e entender como esses erros ocorrem pode ser a chave das pesquisas da neurociência cognitiva. Ter atenção é importante para a que a compreensão dos processos perceptivos e das funções cognitivas em geral aconteçam. Lima, (2005), considera que a essência da atenção está na focalização e a concentração do ser humano. Para ele é importante abrir mão de algumas coisas para poder lidar com outras, e ao mesmo tempo, não ter habilidade para atender diversos estímulos simultaneamente, sendo limitada a sua capacidade intencional, ou seja, para que o indivíduo perceba algo vai depender de onde está direcionada a sua atenção naquele momento. Para que o indivíduo compreenda essas funções Tiepolo (2014, p. 98-99), define que:

[…] cabe ao professor constituir as pontes entre o que os alunos conhecem e o que não conhecem; apresentar o contexto de produção do texto a ser lido […]; explicitar as convenções próprias de cada tipo de texto; criar espaços de diálogo entre os diferentes leitores do mesmo texto. Além disso, é importante que a escola ofereça bons textos, proponha a leitura colaborativa de gêneros diversos, organize uma rotina de empréstimos de textos e frequência de leitura, enfim, crie situações comunicativas nas quais os alunos possam vivenciar o que é ser leitor.

A formação de leitores e escritores requer condições, estímulos, experiências e vivências que facilitem a construção desse processo, a ampliação de novos horizontes e expectativas que permitam garantir essas competências aos estudantes, pois leitura é descoberta, é construção de sentidos, é expressão do pensamento e instrumento de comunicação. Portanto, ela não se esgota, é uma prática constante.

Tanto a fala quanto a escrita têm papeis importantes em nossas vidas, por isso é essencial dominá-las e usá-las de maneira adequada. Leitura e escrita fazem parte do processo de interação da linguagem e do conhecimento que permitem a participação do homem no mundo. Ambas foram feitas para atender às necessidades do ser humano, e é com base nessas informações que esses conhecimentos se ampliam. Segundo Senna (2015, p. 136), a leitura é uma “[…] atividade cognitiva por transcendência, que envolve tanto a natureza cognitiva, como os aspectos linguísticos e socioculturais”, que permitem a construção dos sentidos. Portanto, a leitura, acessa a memória, a apropriação da experiência de mundo, que se tornam primordiais para o enriquecimento da escrita. Freire, (1989, p. 7):

[…] a leitura da palavra é sempre precedida pela leitura de mundo. E aprender a ler, a escrever, alfabetizar-se é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras, mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade.

Nesse sentido, é conveniente ressaltar que aquele que escreve deve priorizar as suas vivências e experiências, ou seja, seu conhecimento de mundo, pois o ato de ler “[…] provoca uma inteligência crítica de apresentação do que foi lido […]” (Freire, 1989, p. 14). Dessa forma, observa-se claramente, que esses métodos são essenciais para a produção de leitores e escritores da atualidade. Assim sendo, Santos (1989, p. 40), afirma:

Não basta a alfabetização para que os alunos se tornem leitores, pois decodificar textos não significa lê-los: é necessário que haja, de fato, o letramento, ou seja, o processo de ler deve fazer com que os alunos assimilem o conhecimento a sua volta, como seres sociais que são, fazendo inferências e levantando hipóteses.

Nesse contexto, é preciso entender o que se lê, pois na medida que o leitor vai compreendendo o sentido do texto, novas expectativas serão atingidas. Rossi (2015, p. 163), esclarece que “[…] o contato com a leitura faz com que o ser humano adquira novos conhecimentos, pois à medida que o sujeito lê, maior será o seu entendimento linguístico com o mundo que o cerca […]”. Ele vai construindo com facilidade subsídios para o desenvolvimento da produção textual, pois aquele que ler aprende a fazer inferências, observar, compreender as ideias, é capaz de interagir com elas a partir da escrita.

Diante das afirmações supracitadas, Tiepolo (2014, p. 104), acrescenta que “ler não é simplesmente juntar letras em palavras ou frases em parágrafos. É muito mais, é a partir do contato com vários tipos de textos que em um determinado momento alguém expressará sua visão de mundo”.  Para Tiepolo é através do texto que surge a compreensão e interpretação, que são fatores fundamentais para a compreensão do mundo e das coisas.

De acordo com os PCNs de Língua Portuguesa (2001, p. 38), “um escritor competente é, também capaz de olhar para o próprio texto como um objeto e verificar se está confuso, ambíguo, redundante, obscuro ou incompleto. Ou seja, é capaz de revisá-lo até    considerá-lo satisfatório para o momento”. Assim, a escrita requer leitura e releitura, visando à organização e à compreensão do texto pelo sujeito que ler. Nesse sentido, é de suma importância que a instituição assuma o seu papel social, compreendendo que necessita envolver todos os professores, alunos, familiares para garantir que os alunos aprendam de maneira efetiva. Além disso, o projeto pedagógico da escola deve se voltar para o incentivo e engajamento dos alunos, permitindo que estes possam participar de um processo democrático que favoreça os avanços necessários em direção à melhoria dos níveis de proficiência em leitura, escrita e interpretação. Canalizando todos os esforços, em parceria com a família, rumo a uma educação de qualidade para todos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa nos mostra que se faz necessário ampliar os conceitos de leitura, escrita e interpretação, propondo aos alunos atividades significativas, instigantes e desafiadoras, selecionando textos que possam ser construídos de acordo com as necessidades de cada indivíduo, dependendo dos objetivos e das perguntas feitas por ele mesmo. É necessário que o aluno aprenda a utilizar as estratégias de leitura e escrita de maneira assídua, elevando o seu nível de criticidade e autonomia, buscando dialogar com diferentes gêneros discursivos. É visível, a partir dos dados apresentados que a Escola Municipal Jovina Pereira necessita articular junto aos docentes momentos de reflexão da prática de ensino da Língua Portuguesa, visto a clareza das necessidades apontadas pela análise.

Vale ressaltar que as competências, habilidades, os mecanismos, os procedimentos e as técnicas de ensino-aprendizagem e as avaliações são ferramentas indispensáveis para que o aluno adquira os conhecimentos e informações que possam levá-lo a construir significados. Com isso, faz-se necessário utilizar de uma prática pedagógica coerente, de aprimoramento das capacidades sociocognitivas que ainda não são totalmente desenvolvidas para que o aluno se torne um leitor competente, capaz de compreender, interpretar a escrita e a leitura de forma coerente.

Diante dos dados apresentados, é necessário refletir sobre estratégias que possibilitem a melhoria das práticas de leitura, escrita e interpretação e ajudem no fortalecimento da parceria família e escola, considerando a necessidade de ambas  caminharem de mãos dadas para que a aprendizagem aconteça de forma significativa para todos, uma vez que a família é uma parceira no acompanhamento das aprendizagens dos alunos, podendo contribuir de maneira expressiva para a melhoria da qualidade do ensino da leitura, da escrita e, consequentemente de outras áreas do conhecimento. Compreendendo-se que a parceria entre escola e família é indispensável na construção de uma educação de qualidade para todos, assegurando que os índices de desempenho sejam elevados para que os alunos sintam-se estimulados a aprender, professores motivados a ensinar.

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[1] Graduada em Letras Português e Literaturas da Língua Portuguesa pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), (2010). Professora de Língua Portuguesa na rede municipal do Estado da Bahia, no município de Guaratinga-Bahia. Mestranda em Ciências da Educação pela Universidad Autónoma de Asunción-UAA, Paraguai- (PY).

[2] Doutora em Ciência da Educação pela Universidad Autônoma de Assunción – UAA (2011). Mestre em Serviço Social pela Universidade Federal do Pará – UFPA (2006). Especialista em Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado para Autistas (2015). Especialista em Administração Escolar – UCAM (2005). Especialista em Ensino Superior pela Universidade da Amazônia – UNAMA (2001). Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Universidade da Amazônia – UNAMA – 1989 – Pedagoga em Secretaria Executiva de Educação do Estado do Pará – SEDUC (1993). Pedagoga da Coordenação Especial – COEES (2012).

Enviado: Abril, 2020.

Aprovado: Junho, 2020.

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