O Aprendizado da Flauta Doce Através da Ludopedagogia, no Ensino de 1º e 2º ano do Ensino Fundamental I: O Trabalho com a Flauta doce Através da Ludopedagogia como Mediador do Processo de Aprendizagem nos Anos Iniciais

0
1282
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
O Aprendizado da Flauta Doce Através da Ludopedagogia, no Ensino de 1º e 2º ano do Ensino Fundamental I: O Trabalho com a Flauta doce Através da Ludopedagogia como Mediador do Processo de Aprendizagem nos Anos Iniciais
4.7 (94.29%) 7 vote[s]
ARTIGO EM PDF

ARAÚJO, Marciano Vieira de [1]

BATISTA, Lucio Cleano Carvalho [2]

ARAÚJO, Marciano Vieira de; BATISTA, Lucio Cleano Carvalho. O Aprendizado da Flauta Doce Através da Ludopedagogia, no Ensino de 1º e 2º ano do Ensino Fundamental I: O Trabalho com a Flauta doce Através da Ludopedagogia como Mediador do Processo de Aprendizagem nos Anos Iniciais. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 06. Ano 02, Vol. 01. pp 05-41, Setembro de 2017. ISSN:2448-0959

RESUMO

O presente estudo tratará do trabalho com a flauta doce através da ludopedagogia como mediador do processo de aprendizagem nos Anos Iniciais. Mostrou-se um perfil do ensino da flauta doce dentro da Educação Musical na Escola Juvenal Pereira Façanha da Rede Pública de Ensino da cidade de Aquiraz-Ceará. Este trabalho teve por objetivo principal compreender como é desenvolvido o ensino de Flauta Doce nas turmas de primeiro e segundo ano da referida escola. Para tanto, buscou-se também identificar as metodologias utilizadas no ensino de Flauta doce e analisar as práticas pedagógicas de educação musicais utilizadas. Após revisão bibliográfica, realizou-se uma coleta de dados junto às professoras e, por fim, a partir do tratamento dos dados, iniciou-se a análise dos mesmos, cujos resultados apontaram que o ensino da flauta doce promove melhorias tanto na aprendizagem como na convivência na escola.

Palavras-chave: Educação Musical, Flauta Doce, Aprendizagem, Escola.

INTRODUÇÃO

Sabemos que crianças de 06 ou 07 anos, estão na melhor fase de suas vidas para absorver aprendizagem, pois é nessa fase que a criança procura se desenvolver utilizando algo com que as identifiquem. A introdução do lúdico na vida dessa criança é uma maneira eficaz de perpassar pelo universo infantil para o universo adulto, possibilita sua interação com o meio.

Nessa faixa etária, a atividade lúdica para à criança é prazerosa e muito importante para o seu desenvolvimento sensório-motor e cognitivo, diz Piaget, assim, torna-se habilitada de maneira inconsciente para aprender eficazmente. A ampliação do tempo de escolaridade de oito para nove anos proporcionou questionamentos relevantes sobre a prática de alfabetização de crianças do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental, período em que estão sendo alfabetizadas.

Dessa forma, o estudo apresenta os seguintes questionamentos: O que devemos ensinar às crianças de seis e sete anos? Que conhecimentos essas crianças precisam construir em seu mundo escolar? Que habilidades precisam desenvolver? Que atividades realizar na escola para que essas crianças alcancem as potencialidades que desejamos que adquiram?

A partir dessas indagações, pretende-se estruturar na pesquisa dados importantes para o desenvolvimento da criança de 06 e 07 anos utilizando um recurso didático prazeroso para a criança. Dessa forma, justifica-se a presença desse recurso no segmento do Ensino Fundamental I, a contribuição da música no processo educacional, a identificação seu uso e função no desenvolvimento da criança dentro do processo de ensino-aprendizagem.

Esta pesquisa assim se organiza tendo o tema de: o aprendizado da flauta doce através da ludopedagogia nos anos iniciais. Delimitou-se o tema a ser pesquisado em: o trabalho com a flauta doce através da ludopedagogia como mediador do processo de aprendizagem nos anos iniciais.

E, enfim, a questão norteadora é: o processo de aprendizagem da leitura e escrita ocorre nos anos iniciais do Ensino Fundamental. O trabalho com a flauta doce através da ludopedagogia aliado às estratégias pedagógicas realizadas em sala de aula pode contribuir com o processo de aprendizagem nos anos iniciais?

Nessa perspectiva, como objetivo geral pretende-se compreender como é desenvolvido o ensino de Flauta Doce nas turmas de primeiro e segundo ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Juvenal Pereira Façanha. Como objetivo específico pretende-se identificar as metodologias utilizadas no ensino de Flauta doce, analisar as práticas pedagógicas de educação musicais e descrever as atividades propostas para o desenvolvimento no instrumento.

A pesquisa pretende identificar a influência da ludopedagogia através do trabalho com a flauta doce nos anos iniciais. Foi desenvolvida através de um estudo de caso que se refere a uma turma de 1º e outra de 2º ano dos anos iniciais em uma escola pública do município de Eusébio.

A pesquisa sobre “O trabalho com a flauta doce através da ludopedagogia como mediador do processo de aprendizagem nos Anos Iniciais” foi realizada nos meses de março e abril do corrente ano, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Juvenal Pereira Façanha, localizada em Aquiraz – CE, em uma turma do 1º e outra de 2º ano.

Numa proposta de pesquisa qualitativa, pretende-se compreender e analisar a realidade dessas turmas. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados serão questionários aplicados aos professores das turmas, observações de aulas e aplicação de aulas de flauta doce.

Serão analisadas ainda as respostas dos professores sobre a utilização da flauta doce como recurso didático no desenvolvimento educacional e social das crianças que frequentam a escola selecionada como campo de pesquisa, tendo como suporte os autores que fundamentam a pesquisa. Por fim, serão apresentadas as considerações finais sobre o tema abordado na pesquisa.

2. O ENSINO DA FLAUTA DOCE NO BRASIL

2.1. História da flauta doce

A origem da flauta doce está ligada aos antigos instrumentos folclóricos é considerada um dos mais antigos instrumentos musicais por sua simplicidade e facilidade de fabricação. De acordo com Lander (2000) a flauta doce é o membro mais desenvolvido da família das flautas de tubo interno, formada por uma peça de madeira chamada de bloco.

Sua origem também está ligada aos antigos instrumentos folclóricos. Na Idade Média, esses instrumentos eram construídos em bambu ou cana natural e a flauta doce era construída em madeira. Para Lira (1984) as flautas de bloco estão em evidência desde os estágios mais primitivos da história humana e têm o mesmo processo de produção do som que tem a flauta doce.

Nos séculos XII e XIII era muito comum o uso de flautas de seis furos. A flauta doce como é conhecida (um tubo oco, com buracos para sete dedos e um buraco para o dedo polegar que serve como abertura de oitava), surgiu no início do século XV. Segundo Hunt (1977), a flauta doce foi desenvolvida gradualmente a partir de instrumentos folclóricos da família dos sopros.

Com o seu desenvolvimento no século XV, a flauta doce passou a ser chamada como a “flauta da renascença” e somente na segunda metade século XVI alcançou seu ápice. Na Renascença, o uso da flauta doce começou a ser visto nas cortes da Europa. De acordo com Hunt (1977), os instrumentos de sopro predominavam nas bandas de corte na Alemanha, onde as flautas doces eram muito utilizadas, às vezes até mais que as flautas transversais.

Nesse mesmo período delineou-se um movimento com a finalidade de aprimorar a técnica instrumental com a publicação de quatro importantes livros sobre instrumentos antigos na Alemanha, Suíça, Itália e França, seguida de dois outros livros no começo do século XVII:

  1. Sebastian Virdung: Musica getutscht und ausgerogen (Strasburg e Basel, 1511). Esse método dizia que as flautas doces eram geralmente feitas em 3 tamanhos: “diskant” em sol, tenor em do e baixo em fá.
  2. Martius Agricola: Musica instrumentalis deudsch (Wittenberg, 1528 e 1545), que mostrava diferentes tipos de flautas: diskantus, altus, tenor e bassus.
  3. Sylvestro Ganassi del Fontego: Fontegara, la quale insegna di sonare di flauto (Veneza, 1535). O primeiro livro com instruções para flauta doce. Esse exemplar trata de respiração, articulação e divisions.
  4. Philibert Jambe de Fer: Epitome musical des tons, sons et accordz, es voix humaines, fleustes d’Alleman, fleustes a neuf trous, viole e violons (Lyons, 1556). Esse método trata das diferenças da flauta doce e transversal, da pressão respiratória exigida pela flauta doce, dedilhados.
  5. Michael Praetorius: Syntagma musicum (Wittenberg, 1615-19). Nesse exemplar já mostra uma família de flautas doces bem maior, começando pela grande baixo em fá, baixo em si bemol, basset em fá, tenor em do, alto em sol, diskants em do e ré, exilent em sol e até a garklein.
  6. Marin Mersenne: Harmonie Universelle (Paris, 1636). Esse método apresenta a divisão das flautas em dois grupos: o pequeno conjunto (4 pés) composto por um dessus (alto em fá), taille e hautcontre (tenores em do) e basse (basset em fá); e o grande conjunto (8 pés) composto por uma basset, 2 basses (si bemol) e 1 double bass (em fá).

NO século XVII os instrumentos de sopro foram aperfeiçoados pela família Hoteterre. A flauta doce foi dividida em três partes e recebeu furos duplos nos dois últimos orifícios. Jacques Hoteterre (1680-1760) foi o mais ilustre músico desta família. Segundo Hunt (1977), as mudanças de Hoteterre permitiram uma padronização da construção da flauta doce.

No início do século XVIII a flauta doce atinge sua magnificência, pois muitos compositores começaram a escrever para esse instrumento e muitos construtores se especializavam na sua fabricação. Neste período surgiu a flauta de voz que possibilitava que se toque quase tudo o que foi escrito para o travesso sem necessidade de transpor.

Em meados desse mesmo século começa o declínio da flauta doce que praticamente desaparece do repertório dos compositores. Surgiu a ideia de que instrumentos mais fortes e com maiores capacidades de expressão seriam necessários para atrair um público maior. Segundo Hunt (1977), desta forma não demorou a ficar claro que a flauta doce não possuía as mesmas possibilidades de dinâmica das “novas flautas”.

No final do século XIX músicos passaram a ter contato novamente com a flauta doce através de pesquisa de músicas antigas e de literaturas musicais existentes nos museus, como por exemplo, o músico Canon Francis Galpin que além de estudar, ensinou sua família a tocá-lo.

As pesquisas do inglês Arnold Dolmetsch (1858- 1940) permitiram que construísse um quarteto de flautas e tocá-las com sua família em um concerto histórico no Festival Haslemere em 1926 e seu filho Carl tornou-se um honrado músico no instrumento e elevou-o a um nível de alta interpretação.

As flautas doces fabricadas na atualidade são baseadas nas flautas do século XVIII, porém possui um som mais suave, melodioso e confortante. Existe a produção em série de flautas de plástico a partir de cópias de originais e um exemplo destas são as flautas japonesas Yamaha, que são mais acessíveis e bastante utilizadas como instrumento musicalizador.

2.2. Contexto histórico da flauta doce no Brasil

No Brasil, a flauta doce surge com duas grandes funções: artísticas e de iniciação musical, através de músicos imigrantes europeus que trouxeram em suas bagagens alguns instrumentos antigos e formaram um movimento de música antiga no Brasil que foi ganhando força com o decorrer do tempo.

A flauta doce se constituiu no Brasil como instrumento artístico, através dos grupos de música antiga e, depois como instrumento de iniciação musical, através do trabalho de Helle Tirler. As atividades musicais se intensificaram com a imigração de músicos para a América durante a Segunda Guerra.

Os imigrantes europeus trouxeram para o Brasil, seus instrumentos e partituras, introduzindo o gênero, como um grupo de Alemães que chegou a Salvador trazendo flautas doces, violas da gamba, entre ouros instrumentos no final dos anos 30. Segundo Augustin (1999), nessa época são conhecidas as atividades de flauta doce nas escolas e comunidades do sul do país.

O mesmo autor ainda cita a chegada dos músicos convidados por José Siqueira, em 1949, para compor a nova Sinfônica do Rio de Janeiro como referência inicial da música antiga no Brasil. Esses músicos formaram o primeiro grupo de Música Antiga preocupado com o resgate de estilo e sonoridade da música histórica no Brasil.

De acordo com Augustin (1999), o músico Borislav conhecia as conquistas do movimento de resgate da Música Antiga na Europa, e teve a ideia de montar um conjunto de Música Antiga no Brasil, trazendo inclusive uma espineta e uma viola d’amore.

Desta forma, paralelo às atividades da sinfônica, em 1949 os músicos Borislav, Violetta e Wasilij Jeremejev formaram um trio que originou o Conjunto de Música antiga da Rádio MEC. Os flautistas doces que fizeram parte deste conjunto foram: Helle Tirler, Helder Parente e Ruy Wanderley.

O músico Helder era um frequentador assíduo dos concertos do conjunto e acabou sendo convidado por Borislav, que o viu tocar, a fazer parte do grupo. Já o músico Ruy foi aluno da filha de Helle e da própria Helle, e em 1965 acabou sendo convidado a se integrar ao grupo. O conjunto fazia trinta apresentações por ano e acabaram gravando quatro discos e foi extinto 35 anos depois, devido aos cortes de verba do governo Collor.

No Brasil, o ensino de flauta doce foi marcado por Helle Tirler que além de lecionar na Escola Alemã “Corcovado”, para crianças e 36 adolescentes, também dava aulas em sua casa formando uma geração de flautistas. A partir daí, foi convidada a lecionar no Conservatório Brasileiro de Música em cursos direcionados para professores.

Na década de 70, foi publicado o método para iniciantes “Vamos tocar flauta doce” com a colaboração de Cecília Conde, Theresia Oliveira e Bárbara Freidburg, baseado em canções folclóricas, que é muito utilizado até hoje. Para Lira (1984), a partir dessa época a flauta doce foi introduzida nas escolas.

Nesse período se formou o grupo Musikantiga (1966-1969), de Ricardo Kanji, que foi um pioneiro e desenvolveu um trabalho de grande expressividade junto aos meios de comunicação. Ricardo Kanji estudou com Frans Brüggen na Holanda, tornando-se flautista e professor de renome internacional.

No Brasil, Ricardo Kanji representa a flauta doce enquanto instrumento artístico. De acordo com Augustin (1999), Kanji trouxe para à flauta doce a condição de instrumento concertista solista, pois sua imagem estava associada a um instrumento para musicalização infantil.

O autor ainda esclarece que na década de 70 começa uma explosão de grupos que surgiram a partir das experiências anteriores e a Música Antiga assume um patamar rumo à profissionalização. Nesse período o grupo Kalenda Maya, é considerado a transição entre a primeira e a segunda geração.

No início, esse grupo foi comandado por Marcelo Madeira, um músico que dava aulas de flauta doce, construía flautas e teve seu trabalho inspirado pela flauta doce através do trabalho de Helle Tirler. Os outros integrantes do grupo eram sua esposa Heloísa Madeira e a gambista Mirna Herzog.

O grupo persistiu por três décadas e na última formação do grupo, saiu Marcelo e entraram os músicos Cláudio e Ricardo Yabrudi, Fernando Moura Mary Groisman e Helder Parente. Em 1971 Marcelo Madeira integrou também, o Conjunto Pró-Arte Atiqua, grupo que dirigiu por um tempo juntamente com Homero de Magalhães Filho, que também tocava flauta doce.

Esse conjunto foi fundado por professores e alunos do Seminário de Música da Pró-Arte do Rio de Janeiro, sendo criador de futuros grandes músicos. Augustin (1999) afirma que Homero Magalhães dava aulas de música de câmara, eu (Augustin), Paulo Bosísio, Homerinho na viola e Homerão ao piano mesmo, tocávamos muitas peças barrocas.

Nessa fase da história da flauta doce no Brasil, o grupo Quadro Cervantes não pode deixar de ser citado, pois teve bastante representatividade durante quatro décadas com a flauta doce mais uma vez está presente, pelas mãos de Helder Parente. Para Augustin (1999), o Quadro Cervantes era o grupo que estava faltando para preencher as exigências da crítica e do público e com ele a Música Antiga no Brasil avançou mais uma etapa.

Nesse novo contexto, muitos grupos utilizaram a flauta doce, como os paulistas Paraphernália, Folifonia e Confraria. O quinteto de flauta doce Fontegara, de Niterói, foi fruto do trabalho de Theresia de Oliveira no Centro Educacional de Niterói (CEN) e contava com a participação de alunos mais avançados, além das professoras Kety Danon e Theresia.

Dessa forma, pode-se observar através dos nomes dos músicos e dos principais grupos mais simbólicos que a flauta doce tornou-se conhecida no Brasil e está presente em todos esses grupos desde a década de 60, ainda que de forma amadora no começo. No tópico seguinte pretende-se despertar o interesse pelas qualidades artísticas e possibilidades do aprendizado da flauta doce no campo da educação.

2.3. O ensino da flauta doce na escola

Em 1935 teve início a prática da flauta doce na escola com Edgar Hunt que introduzia o ensino desse instrumento nas escolas primárias inglesas, fundando em 1937 a “Society of Recorder Player”. A flauta doce foi ressurgindo lentamente e os compositores começaram a escrever para esse instrumento, que se tornou objeto de pesquisa e técnicas alternativas de execução devido ao aumento do número de grandes intérpretes.

A flauta doce configura-se como um recurso utilizado na educação musical no auxilio musical. Por ser um instrumento de fácil aquisição e de custo baixo, a flauta doce é usada como uma alternativa para a inclusão do ensino instrumental na escola, pois propicia uma produção musical breve, devido à facilidade de aprendizagem.

O principal objetivo que deve ser alcançado em uma aula de música é o fazer musical. Portanto o entendimento de que a flauta doce deve ser utilizada como forma de introduzir o instrumento musical na escola torna-se contraditório. Para Beineke (1997), a questão que diferencia o trabalho com a flauta doce na escola é que a aula de música é o centro da proposta.

A mesma autora ainda afirma que o trabalho com a flauta doce nas aulas de música tem outras finalidades, como envolver o aluno musicalmente, despertando o interesse e a motivação pelo o ouvir, o aprender e praticar a flauta doce, atingindo o fazer musical.

O trabalho com a flauta doce torna-se diferenciado dos outros a começar pela manipulação do som a partir do manuseio e pela exploração da mesma resultando no fazer musical. Portanto, o ensino da flauta doce pode ser realizado com alunos de todas as faixas etárias, o que não é possível em relação a outros instrumentos.

No processo de musicalização dos alunos que frequentam escolas tradicionais, o trabalho é realizado com o intuito de aguçar e educar a percepção auditiva dos mesmos e principalmente como instrumento solo ou de conjunto. Para Santos (2006), independente da forma ou contexto no qual acontece a educação musical, ela deverá sempre servir como elemento de expressão sociocultural valorizando as características do fenômeno musical.

A autora ainda esclarece que a música é um instrumento de elo na diversidade cultural, que pode conduzir o indivíduo a participação em grupos de culturas e hábitos diferentes. Isso faz com que este se aproxime assim da realidade cultural e musical respeitando e sendo respeitado, participando de um bem comum que é a música.

Observa-se que a flauta doce é um instrumento que tem boa aceitação no contexto de grupo, onde os participantes escolhem o repertorio musical de acordo com a identidade do mesmo. Esse é um fator que deve ser observado e aproveitado nos grupos, já que o grupo tem finalidades e desejos em comum.

Dessa forma, a prática da flauta doce nas escolas tem provocado cada vez mais pesquisas como, por exemplo, “o ensino da flauta doce na educação fundamental: a pesquisa como instrumentalização da prática pedagógico-musical” de Viviane Beineke, e de autores como Liane Hentschke e Jusamara Sousa, doutoras em educação musical.

De acordo com o objetivo que se pretende alcançar com os alunos, a prática da flauta doce apresenta-se como um processo envolvente. A produção musical e o envolvimento do aluno com o instrumento apresenta-se como um desafio em produzir algo e ao mesmo tempo se sentir produzindo.

Mesmo diante dos inúmeros benefícios que a prática da flauta doce promove contribuindo para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional, faz-se necessário revelar que ainda são poucas escolas públicas que utilizam este instrumento como ferramenta para contribuir com a educação escolar.

O ensino da flauta doce nas salas de aulas faz com que os alunos percebam, antes de tudo, que a música pode ser aprendida na escola, que faz parte do seu cotidiano e que convive com ela. Quando o aluno tem seu primeiro contato com os códigos, símbolos e a música real desse instrumento, que lhe parece somente um brinquedo, toma um susto.

A prática da flauta doce permite aos alunos se descobrirem em um mundo novo e sonoro, no campo da música e se desenvolva como pessoa. O contato do aluno com esse instrumento permite ampliar sua relação com a música estimulando o gosto pela mesma.

O uso da música na escola se faz necessário ao desenvolvimento do aluno, pois a flauta doce é introduzida com o objetivo de ajustar o caminho da música com a prática e o fazer musical. Dessa forma, o aluno desenvolve sua habilidade musical, a autoestima, a criatividade e a comunicação.

A música em qualquer contexto quando bem trabalhada desenvolve o raciocínio, criatividade e outros dons e aptidões, por isso, deve-se aproveitar está tão rica atividade educacional dentro e fora da sala de aula. Pois a música torna-se uma fonte para transformar o ato de ensinar e de aprender em atitude prazerosa no cotidiano do professor (educador), e do aluno.

Através da prática da flauta doce os alunos podem desenvolver uma atitude mais corretas quanto ao conceito de cidadania e como forma de valor social manifestado pelas situações em sala de aula. A participação dos alunos na prática da flauta doce na escola leva os alunos a um estado de euforia, em querer adquirir mais conhecimentos sobre a produção musical.

O contato com a música em sala de aula, mais especificamente a flauta doce, ocorre de forma gradativa, começando com a observação de sons do ambiente (natural e mecânico), a descoberta do corpo e dos objetos existentes na sala de aula para a reprodução sonora, como, a voz, as mãos, dedos entre outros, o lápis, a caneta, borracha, carteira, cadeira, caderno etc.

Em seguida inicia-se iniciar a apresentação da linguagem musical escrita, realizada a execução de células rítmicas a partir de sílabas acentuadas da língua portuguesa em interação com o ritmo e envolvendo movimentos do corpo. No terceiro momento, apresenta-se a flauta doce, sua estrutura física e sonora, explorando-a livremente com criatividade.

No aprendizado da flauta doce, podem-se utilizar movimentos do corpo para orientar técnicas de execução como: posicionamento das mãos, dedos, embocadura (posicionamento dos lábios na flauta) postura corporal, respiração, sopro até alcançar à execução propriamente dita da flauta doce.

A prática da flauta doce permite que o indivíduo sinta-se produzindo quando é desafiado a mostrar o seu potencial. Para Loureiro (2003), a falta de sistematização do ensino de música nas escolas de Ensino Fundamental é o principal problema da área da educação musical.

Nesse contexto, a educação musical a partir da prática da flauta doce proporciona antes de tudo a motivação necessária para despertar o interesse e o desejo do aluno em estar na escola. A música contribui positivamente no processo de aprendizagem com a melhoria no desempenho escolar do aluno, em um ambiente saudável, estimulante e ao mesmo tempo prazeroso.

Esse instrumento é muito empregado nas aulas de iniciação musical, nas práticas de ensino e aprendizagem. De acordo com Lira (1984), a flauta doce se reproduz como instrumento de fácil acesso e execução do repertorio musical tendo como elemento despertador a clareza na educação musical.

A flauta doce encontra-se cada vez mais aplicada na prestabilidade da educação musical, servindo como meio veículo e orientador dos mentores musicais, configurando-se como um poderoso recurso facilitador de ensino e aprendizagem, numa prática acessibilidade de manuseio na iniciação musical.

O mecanismo simplificado da aprendizagem da flauta doce integra-se facilmente às necessidades de aulas coletivas para todos, tendo fundamental importância na formação musical e na educação auditiva. Portanto, essa relação de integração e facilidade entre a flauta doce e a educação musical, refletido como um recurso aliado para as práticas pedagógicas musicais.

Para afirmar a importância da prática da flauta doce no ambiente escolar será apresentado o conto denominado “O flautista de Hamelin”, que é uma narração que retrata a importância do som da flauta e o encanto que o som produz nas pessoas. O conto faz uma alusão ao efeito do som da flauta sobre os ratos e as crianças da cidade de Hamelin.

Esse conto foi escrito pelos irmãos Grimm, que relata um fato ocorrido na cidade de Hamelin na Alemanha em 26 de junho de 1284. A cidade chamada Hamelin estava infestada de ratos, o prefeito e os moradores da cidade estavam desesperados com o acontecimento, então resolveram buscar soluções para resolver o problema que era a infestação dos ratos, então surgiu um homem com uma flauta e disse que acabaria com os ratos se fosse pago pelo serviço, o trato foi feito.

No outro dia, ao amanhecer, começou a andar pelas ruas e, enquanto passeava, tocava com sua flauta uma melodia maravilhosa, que encantava aos ratos, que iam saindo de seus esconderijos e seguiam hipnotizados os passos do flautista que tocava incessantemente, e com isso levou os ratos a um lugar muito distante, tanto que nem sequer se poderiam ver as muralhas da cidade.

Naquele lugar passava um rio e, os ratos ao tentando acompanharem o flautista na travessia do rio, morreram afogados.  E para a surpresa da população, os ratos sumiram da cidade. Com isso a vida da cidade voltou ao normal. No outro dia, o flautista retornou a cidade de Hamelin para receber o seu pagamento no qual haviam acordado entre eles, e qual foi a sua surpresa?

O prefeito não queria pagar o flautista, expulsando-o e dando-lhes a costa. O flautista revoltado por ter sido enganado pelos moradores da cidade, no dia seguinte tocou uma doce melodia várias vezes, insistentemente, mas, só que dessa vez não eram os ratos que o seguiam, e sim as crianças da cidade que, arrebatadas por aquele som maravilhoso, não escutavam as vozes dos pais suplicando para que voltassem para casa, iam atrás dos passos do estranho músico que os levou para longe, muito longe, tão longe que ninguém poderia supor onde, e as crianças, como os ratos, nunca mais voltaram.

A cidade ficou triste e, por mais que se procure não se encontra nem um rato e nem uma criança. Nessa história a melodia produzida pela flauta foi utilizada para encantar tanto os ratos como as crianças. É um pequeno conto que relata com propriedade o grande fascínio produzido pelo som da flauta.

2.4. A prática da flauta doce como instrumento educativo

No campo da educação, a flauta doce mesmo sendo muito utilizado, seu maior interesse está voltada para a interpretação do repertório original do instrumento. Surgindo também, a partir do crescente número de intérpretes do instrumento, compositores que escreveram para a flauta doce.

A função original da flauta doce que seria a artística, possibilitou o seu aparecimento no campo da educação, como instrumento artístico, e em seguida como a flauta doce encontra sua nova função como instrumento de musicalização. O conhecimento do instrumento em sua técnica, em sua música e em sua história, é fundamental para utilizar o instrumento em suas aulas.

Na educação musical, a flauta doce é usada como uma possibilidade para a inclusão do ensino instrumental na escola, pois se sabe que a flauta doce é um instrumento de fácil aquisição e de baixo custo, que proporciona uma produção musical breve, através da facilidade de aprendizagem.

A utilização da flauta doce para introduzir o instrumento musical na escola afasta do fazer musical, que é o real objetivo para ser alcançado na aula de música. Para Beineke (1997), a questão que diferencia o trabalho com a flauta doce na escola é que a aula de música é o centro da proposta.

A mesma autora ainda afirma que o trabalho com a flauta doce nas aulas de música apresenta finalidades mais intrínsecas, ou seja, a de abranger o aluno musicalmente, estimulando o interesse e o ânimo pelo ato de ouvir, o aprender e praticar a flauta doce, até atingir o fazer musical.

Nessa concepção, o trabalho com a flauta doce apresenta-se de forma discriminada, iniciando com o manuseio do som e com a exploração da mesma visando reverter no fazer musical. Portanto, o ensino da flauta doce pode ser realizado com turmas de faixa etárias diferentes.

A flauta doce é facilmente encontrada nas escolas como instrumento didático utilizado na prática da Educação Musical. O uso pedagógico da flauta doce vem sendo explorado de forma contestável em sua técnica específica nas escolas de Ensino Fundamental por ser um instrumento que reproduz sons sem maiores problemas, pois basta apenas um sopro para que se obtenha uma nota musical, vem sendo explorado de forma contestável em sua técnica específica nas escolas de ensino fundamental.

A facilidade inicial oferecida nas aulas de flauta doce pela simplicidade do aprendizado, não significa que esta deve ser utilizada nas salas de aula sem um conhecimento prévio, desinformação e principalmente despreparo. Cabe aos profissionais conhecerem os exercícios apropriados que possam contribuir para um melhor desenvolvimento de seus trabalhos em classe.

Mesmo com tanto destaque na Educação Musical, a flauta doce ainda é tratada com certo preconceito, um instrumento tratado como um brinquedo que qualquer um pode tocar. Portanto, faz-se necessário compreender que tocar o repertório desse instrumento não é tão simples quanto parece.

Dessa forma, algumas pessoas veem a flauta doce eventualmente como um instrumento. É preciso ocorrer aprimoramento gradativo no instrumento com estudos técnicos e repertório adequado, visando melhores resultados tanto no desempenho como na qualidade do ensino didático.

Ainda é muito comum atualmente ver a flauta doce sendo utilizada como instrumento “secundário”, como um degrau que o aluno deve transpor para chegar a outro instrumento “principal”. Isso acontece por consequência da falta de desconhecimento da flauta doce como instrumento artístico e à falsa noção de que qualquer pessoa pode tocar e ensinar o instrumento.

De acordo com Santos (2006), independente da forma ou contexto no qual acontece a educação musical, ela deverá sempre servir como elemento de expressão sociocultural. Dessa forma, apreciam as verdadeiras características do fenômeno musical presente nos contextos existentes na sociedade e da realidade musical de cada indivíduo inserido nos diferentes âmbitos culturais.

A autora ainda esclarece que a música é um instrumento de elo na diversidade cultural, para conduzir participação dos indivíduos em grupos de culturas diferentes. Portanto, a aprendizagem da flauta doce na escola e em especial no Ensino Fundamental assume sua relevância, no desenvolvimento pessoal, social e cultural do aluno.

No contexto de grupo, a flauta doce é um instrumento que tem boa receptividade, pois leva os participantes a definirem seu repertorio musical a partir de sua identidade musical. Isso acontece porque a flauta doce é um aspecto que deve ser utilizado nas finalidades e desejos dos grupos.

De acordo com a proposta, a prática da flauta doce é circundante e pode acontecer de forma mais breve. Tanto a produção musical com a ligação do aluno com o instrumento configura-se como um desafio para produzir e se sentir produzindo, como uma experiência inovadora que possibilite ter contato com a música de maneira tão próxima e verdadeira.

Mesmo com a prática da flauta doce garantindo muitos privilégios que auxiliam no desenvolvimento cognitivo e social do ser humano, constatam-se poucas escolas públicas procuram este objeto para contribuir com a educação escolar e adotam como recurso na educação musical e aprendizagem.

As aulas de flauta no ambiente escolar possibilitam muitas descobertas para os alunos, desde o contato com o instrumento até começarem a produzir e experimentar o som e utilizar os manuais que trazem músicas do folclore brasileiro e outros estilos que são conhecidas dos alunos. Para Beineke (1997), é também essencial que eles sejam incentivados a tocar de ouvido, tirando músicas que fazem parte de suas vivências cotidianas.

A mesma autora esclarece a relevância do reconhecimento da flauta doce como o principal instrumento utilizado para o trabalho com o cotidiano dos alunos. Portanto, as músicas que os alunos escutam habitualmente, que fazem parte do seu contexto social para produzir e socializar com os colegas.

O ensino da flauta doce no Ensino Fundamental I permite ao aluno se encontrar com a música, seus códigos e símbolos. Isso faz com que os alunos descubram que a prática da flauta doce representa um mundo sonoro e novo no campo da música, fazendo com que se desenvolva como pessoa.

Nessa perspectiva, a flauta doce é incorporada aproximando a música com a prática e o fazer musical. Por isso, o aluno desenvolve sua capacidade musical, a autoestima, a criatividade e a comunicação, fazendo com que o uso da música no espaço escolar seja necessário ao desenvolvimento do aluno.

No espaço escolar ocorre à coletivização dos alunos, assim como à troca de saberes e a aprendizagem prática. No momento em que socializa sua prática musical, sinaliza o pensamento para o desenvolvimento do raciocínio, a criatividade, prorrogando a atividade educacional até fora da sala de aula.

A música torna-se uma fonte para transformar o ato de ensinar e de aprender em atitude prazerosa no cotidiano do professor e do aluno. Através da prática da flauta doce os alunos desenvolvem uma atitude exteriorizada quanto á sua cidadania e melhora seus hábitos e atitude em sala de aula.

3. CONCEPÇÃO DE LUDOPEDAGOGIA

Na palavra Ludopedagogia, ludo vem de lúdico, que relaciona os jogos e as brincadeiras e pedagogia é a ciência da instrução e educação. A ludopedagogia é definida como um segmento da pedagogia dedicado a estudar a influência do elemento lúdico dentro da educação, ou seja, a arte de ensinar.

A arte de ensinar, ou seja, a ludopedagogia apresentada através de jogos e brincadeiras tem como retornamento o desenvolvimento sensório motor e cognitivo da criança. Dessa forma, evidencia-se a ludicidade como método pedagógico relevante por seu propósito lúdico no aprendizado do educando.

Vale ressaltar que essa técnica pode ser utilizada em todos os níveis de instrução e em qualquer faixa etária, no intuito de promover um excelente e valioso ensino. Para Carneiro (2007), a ludopedagogia tem por objetivo tornar o processo de ensino criativo através de jogos, brincadeiras e dinâmicas.

De acordo com Sobral (2011), o termo “lúdico” refere-se à aproximação da alegria e do prazer a algo que não é real, como uma ilusão utilizada para construir uma brincadeira. A autora ainda afirma que a ludopedagogia proporciona ao aprendiz um amplo desenvolvimento de suas habilidades e tudo pode ser ensinado ludicamente.

O trabalho com a ludopedagogia através das brincadeiras e jogos possibilita o progresso do conhecimento, fazendo com que o ato de educar não seja apenas uma mera passagem de informações. Para Soares (2011), aponta que o educador como principal responsável pelos meios ludopedagógicos assume um papel substancial de mediar à construção do conhecimento.

A aplicação da ludopedagogia na vida do educando é uma maneira muito eficiente de percorrer o mundo infantil para reproduzir o mundo adulto, suas habilidades e consequentemente a forma de interação. Dessa forma, a ludicidade configura-se como uma forma prazerosa de aprendizagem.

Para que as estratégias lúdicas funcionem atividade de observação, avaliação das práticas e também do desempenho dos educandos, faz-se necessário que o professor busque suporte teórico sobre as mesmas. Por isso, é preciso considerar que na ação de brincar, a criança vivencia novos acontecimentos e reflete sobre o que faz sentido para o seu desenvolvimento.

O uso do brincar no processo de educação foi justificado primeiramente por Froebel, fundador do primeiro Jardim de Infância. Esse estudioso via a brincadeira dentro de uma concepção pedagógica e defendia a orientação do adulto como uma ação primordial para a verificação do desenvolvimento.

A ludopedagogia configura-se como um método que apresenta um ensino mais dinâmico, repleto de criatividade com propostas de jogos e brincadeiras com a finalidade de propiciar prazer e animação no educando. Esse método faz com que a aprendizagem aconteça de maneira mais benéfica, positiva e principalmente natural.

O processo ensino e aprendizagem baseado na ludopedagogia funciona como um processo que alterna a comunicação entre educando e educador, uma troca de saberes. Por isso, os recursos ludopedagógicos promovem uma maior e melhor exploração da educação em qualquer faixa etária e modalidade de ensino.

O trabalho com a ludoeducação oportuniza o encantamento de ensinar através do aprender brincando. Esse recurso relaciona o educando cada vez mais com o conhecimento, aproximando-o da realidade na qual está inserido. Dentre as vantagens do uso da ludopedagogia tem-se a socialização e integração dos alunos com o seu grupo, e o respeito com as diferenças.

A relação da ludopedagogia com o processo educativo se projeta dentro do princípio da forma livre do brincar do educando sem interferência do professor e da brincadeira em sala de aula que motiva a aprendizagem e traz benefícios para o educando, promovendo uma aprendizagem prazerosa.

De acordo com Sobral (2011), o ato de brincar estimula o ato da memória que ao entrar em ação se amplia e organiza o material que deve ser lembrado. Portanto, na brincadeira, ao lidar com os objetos reais, a criança aprende o significado das palavras por meio do próprio objeto concreto.

O processo educativo através das atividades lúdicas está diretamente ligado à organização da vivência emocional do educando estimulando o uso da memória e ao mesmo tempo fazendo com este incorpore o prático do objeto e alcance um alto nível de processamento psíquico.

Nessa perspectiva Sobral (2011) esclarece que

Os benefícios proporcionados pelas atividades lúdicas trazem benefícios físicos, intelectual e social para a criança. Do ponto de vista físico estimulam o desenvolvimento e a competitividade, no campo intelectual estimula a excitação mental, e, no que diz respeito ao social simboliza realidades por meio dos jogos simbólicos são explicados o real e o eu. (Sobral, 2011, p: 2).

O ato de brincar provoca mudanças no desenvolvimento da criança ao se relacionar com situações do pensamento e as reais, ou seja, entre o campo do significado e o campo da percepção visual. Portanto, é a partir de situações imaginárias que a criança é inserida progressivamente no mundo social.

As atividades ludopedagógicas no processo de ensino e aprendizagem torna a prática educativa muito mais enriquecedora, assumindo a importante função de transformar à escola em um espaço significativo para que o educando revele sua criatividade através do imaginário das crianças.

As estratégias ludopedagógicas permitem aos educadores o acesso a diversos caminhos para a exploração de atividades didáticas. Dessa forma, sua relevância para o desenvolvimento humano à medida que considera os novos conhecimentos que a criança adquire a partir dos que já possui.

3.1. A Ludopedagogia e suas dimensões

Na abordagem tradicional as brincadeiras no ambiente escolar se resumem somente ao horário do recreio e as aulas sem atrativos algum, eram consideradas cada vez mais desinteressantes. A Ludopedagogia surgiu para transformar essa realidade, implantando nas salas de aula atividades dinâmica, que proporcionam diversão e aprendizado próximos da realidade na qual o educando está inserido.

A técnica da ludopedagogia possibilita ao educando um melhor rendimento dos conteúdos estudados, aproximando cada vez mais esse com o educador. De acordo com Sobral (2011), o recurso ludopedagógico promove a socialização e cooperação entre os educandos e aumenta a autoestima e o respeito para com as diferenças.

A ludopedagogia não pode ser vista como uma arte de brincar que promove apenas brincadeiras, mas como a arte de ensinar brincando. Esse recurso propõe uma aprendizagem que acontece de forma prazerosa no processo de ensino, descartando as tradicionais aulas expositivas e cansativas.

No processo educativo, atribui-se a ludopedagogia a finalidade de promover resultados melhores, através de atividades mediadoras que fazem da sala de aula um ambiente mais divertido e agradável. Os recursos ludopedagógicos buscam favorecer o processo de ensino e aprendizagem, influenciando principalmente o desenvolvimento da atenção e da concentração.

Com relação ao desenvolvimento da atenção, tem-se a capacidade de processar informações que colocam limites sobre o desempenho humano. Segundo Vilani (2002), tanto no processo de atenção, percepção e imaginação são centralizados todos os conteúdos do pensamento. No desenvolvimento da atenção, as estratégias ludopedagógicas são focadas em um objeto e necessitam de um conteúdo bem elaborado.

Ainda para Vilani (2002), o conceito de atenção está voltado para os possíveis estímulos de cada ambiente, e suas variações ocorrem de acordo com o seu foco. Nesse sentido, a atenção é determinada através da relação entre o sujeito e o objeto, orientando-se tanto por um quanto pelo outro. Nessa dimensão, determinados objetos atraem a atenção com suas características e qualidades, de maneira muito mais completa.

Os meios ludopedagógicos que são sustentados através das atividades lúdicas desenvolvidas dentro da sala de aula oportunizam umas participações mais agradáveis e ativas no ato de aprender. De acordo com Dohme (2000), é preciso demonstrar a possibilidade de entrelaçar de forma eficiente, práticas prazerosas para o educando para transmitir as mensagens educacionais.

A mesma autora ainda afirma que a ludopedagogia deve ser vista como uma prática privilegiada para a aplicação de uma educação que vise ao desenvolvimento pessoal e também sua atuação na sociedade. Dessa forma, a ludopedagogia não pode ser firmada como um recurso subsídio para a educação, pois se apresenta um conjunto de métodos que possibilitam aos educadores trabalhar com todas as realidades educacionais que atuam.

3.2. A abordagem ludopedagógica nos Anos Iniciais

A educação das crianças nos anos iniciais precisa ser sistematizada pautada em uma prática que ofereça a estas a apresentação do conhecimento sobre o mundo e a realidade em que estão inseridas de forma prazerosa, com autonomia e cheias de criatividade.

Nesse período de ensino exige-se do educador uma atenção maior com relação ao conhecimento a ser construído, as habilidades que devem ser desenvolvidas e as atividades realizadas na escola. Essa modalidade de ensino é responsável pelo processo de aquisição da leitura e da escrita.

Portanto, a escola e os educadores precisam se posicionar sobre as teorias e metodologias utilizadas, a construção de suas práticas em sala de aula. Portanto, as mudanças das práticas de ensino ocorrem nas definições dos conteúdos e principalmente na maneira como esses são apresentados.

Nessa concepção, as atividades ludopedagógicas tem conquistado espaço relevante por sua utilização permitir um trabalho pedagógico voltado para uma aprendizagem mais próxima da realidade. Os jogos, brincadeiras e brinquedos são recursos que fazem parte da vida da criança e que possibilitam a criação de um mundo imaginário, da fantasia e de encantamento.

A proposta da ludopedagogia para os anos iniciais deve apresentar o ato de brincar para chegar no ato de aprender, destacando a importância da atividade lúdica no processo ensino e aprendizagem. Portanto, se estabelecem os pilares da educação: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver, como esclarece Freire (1994), se torna alcançável pela prática da ludoeducação, pois trabalha todas as potencialidades.

No contexto educacional atual, manter os alunos motivados é muito importante e não é uma tarefa muito fácil. Para que a aprendizagem ocorra de fato o educador precisa apresentar possibilidades e recursos, e as atividades ludopedagógicas configuram-se como uma alternativa que pode ser usada para estimular de forma prazerosa a aprendizagem.

Nesse sentido, o professor precisa fazer seus planejamentos levando em conta os objetivos pretendidos ao utilizar jogos na aprendizagem. Assim o educador oferece condições de estabelecer as metas com uma caminhada significativa abordando pedagogicamente a ideia matemática pretendida.

As estratégias ludopedagógicas devem ser planejadas visando uma aprendizagem de acordo com os objetivos didáticos pretendidos, pois os jogos e as brincadeiras são uma forma interessante de ensinar tanto para o professor como para o aluno, porque há uma troca onde todos aprendem.

A ludopedagogia se apresenta como um recurso didático dinâmico que garante resultados eficazes no cenário educacional, apesar de exigir extremo planejamento e cuidado na execução da atividade elaborada. Portanto, não se define como divertimento que é uma forma diferente de aprender, desenvolver a capacidade de raciocínio e o entendimento do mundo

Na sociedade atual, somos cobrados a alcançar novas capacidades através de grandes transformações. Nesse sentido, a utilização de estratégias ludopedagógicas no processo pedagógico faz propõe o estímulo para a criação do gosto pela leitura, pela escola, pelos desafios da vida.

A ideia da ludopedagogia nos anos iniciais provoca uma ruptura positiva na rotina, cria expectação e leva a criança a formular suas hipóteses. Portanto, cabe ao educador desenvolver com as crianças atividades inovadoras e diferentes em que todos possam participar ativamente.

De acordo com Kishimoto (2003), quando as situações lúdicas são intencionalmente criadas pelo adulto com vistas a estimular certos tipos de aprendizagem surge à dimensão educativa. A ludopedagogia desenvolvida nos anos iniciais não se configura apenas como um simples brincar, mas tarefas sociais que distinguem o desenvolvimento educacional do ser humano.

Nesse sentido Chateau (1987), a não aplicação da ludopedagogia no ambiente escolar destinado às crianças não somente se constitui como uma prática de negação do direito infantil. Quando à criança fica sem brinquedo e sem a brincadeira, principalmente na instituição que não valoriza o brincar, a criança perde sua essência, e sim um adulto precoce.

3.3. O uso da Ludopedagogia no processo de aprendizagem

A escola configura-se como a instituição responsável pela apropriação e a sistematização do conhecimento, por isso as atividades lúdicas devem interagir com o processo de aprendizagem. No início dos anos inicias (1º e 2º anos) é que ocorre o processo de alfabetização, onde o aluno aprende a conhecer os conteúdos apresentados.

Nessa fase, as atividades ludopedagógicas se tornam necessárias como recursos facilitadores do processo de alfabetização. Para Brandão (2009), as estratégias ludopedagógicas desenvolvidas com crianças nesse período alcançam um nível de aprendizagem cultural e principalmente, criativa.

A ludopedagogia oferece ao educando uma oportunidade para revelar suas emoções e principalmente desenvolver a afetividade, portanto é essencial para o progresso do ensino e aprendizagem. Nesse contexto Queiroz (2009) esclarece ainda que a atividade lúdica estimula à inteligência, a imaginação, a criatividade e ajuda o exercício de concentração e atenção.

Dessa forma, a educação e a informação apresentadas a partir da brincadeira, fazem com que as aulas sejam diferentes e divertidas e passam a não mais limitar o conhecimento do educando. Para Kishimoto (2000), a manifestação do imaginário infantil por meio de objetos simbólicos intencionais, a função pedagógica subsidia o desenvolvimento integral da criança.

De acordo com Novaes (1992), ensino, absorvido de maneira lúdica, passa adquirir um aspecto significativo e efetivo no curso de desenvolvimento da inteligência da criança. A aprendizagem com atividades ludopedagógicas promove a capacidade criadora, a fantasia e o interesse, provocando o sujeito a procurar solucionar dificuldades com muita motivação.

Nos Anos Iniciais, período de alfabetização, exige-se que a escola e, também os professores se estabeleça na construção da sua prática a partir da interpretação do que é pertinente e precisa ser feito. Portanto, essas mudanças nas práticas de ensino ocorrem tanto nas definições dos conteúdos a serem desenvolvidos quanto na natureza da organização do trabalho pedagógico.

Nessa perspectiva, a prática ludopedagógica conquistou um grande espaço no panorama nacional, principalmente nos Anos iniciais, etapa onde o ato de brincar representa a estrutura da infância e sua utilização possibilita um trabalho pedagógico que visa a aprendizagem e o desenvolvimento.

Os jogos e brincadeiras como instrumentos primordiais das atividades ludopedagógicas, utilizados em qualquer época, cultura ou classe social, fazem parte da vida da criança. No momento social rodeado de transformações acirradas em que vivemos, somos condicionados a adquirir habilidades novas, pois é o indivíduo a unidade básica dessa mudança.

No processo pedagógico, a utilização de brincadeiras e jogos estimula o prazer pela vida e conduz as crianças a enfrentarem todos os desafios. Assim, a ludopedagogia é um instrumento indispensável na aprendizagem, no desenvolvimento e na vida das crianças.

Nessa questão, os professores precisam estar conscientes e atuarem atuantes na relação do brincar com a aprendizagem e o desenvolvimento da criança. Portanto, a realização da ludopedagogia apresenta o brincar e o jogar como atos indispensáveis à saúde física, emocional e intelectual e sempre estiveram presentes em qualquer povo desde o mais remoto tempo.

Através das atividades ludopedagógicas, as crianças desenvolvem o pensamento, a socialização e principalmente a autoestima, com o objetivo de se tornar um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor. Em todas as suas formas, a ludopedagogia colabora com o processo de ensino aprendizagem e dos princípios a novas situações.

As estratégias ludopedagógicas apresentam relevância no ambiente escolar, promovendo a observação e propiciando conhecer as pessoas e as coisas do ambiente em que se vive. De acordo com Piaget (1967), o jogo não pode ser visto como divertimento ou brincadeira para desgastar energia, pois ele favorece o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e moral.

Segundo Tezani (2004), a criança precisa ser criativa para descobrir seu próprio eu. O ato de jogar e brincar leva o indivíduo a explorar toda a sua espontaneidade criativa. O jogo é essencial para que a criança manifeste sua criatividade, utilizando suas potencialidades de maneira integral.

Dessa forma, a ludopedagogia surge como uma atividade relevante da infância, pois a criança precisa brincar jogar, criar e inventar para manter seu equilíbrio com o mundo. A inserção das atividades ludopedagógicas na prática pedagógica é uma prática enriquecedora para promover a aprendizagem.

Através dessas atividades, o educando encontra apoio para superar suas dificuldades de aprendizagem, melhorando o seu relacionamento com o mundo. Portanto, os professores precisam compreender de que a brincadeira é necessária e que traz enormes contribuições para o desenvolvimento da habilidade de aprender e pensar.

As atividades ludopedagógicas configuram-se como meios facilitadores da aprendizagem contribuindo para o desenvolvimento cognitivo. Elas devem ser escolhidas de acordo com os objetivos didáticos organizados pelo docente, os jogos precisam ficar disponíveis, assim como os livros na biblioteca para que todos tenham a oportunidade de escolher e usá-los com autonomia.

Em seu aspecto pedagógico, a ludopedagogia apresenta-se produtiva ao professor que busca nela um aspecto instrumentador e, portanto, facilitador na aprendizagem. Para o aluno, contribuem no desenvolvimento da capacidade de pensar, refletir, analisar e compreender conceitos com autonomia.

A utilização de estratégias ludopedagógicas nas aulas promove uma maior participação e envolvimento dos alunos no processo de aprendizagem. Estas atividades contribuem melhorando a atenção, o interesse e a capacidade cognitiva dos alunos, estimulando a imaginação e a criatividade para produzir, explorar e refletir sobre o conteúdo pretendido.

Nesse contexto, a ludopedagogia no cenário educacional apresenta o jogo e as brincadeiras como elementos facilitadores da aprendizagem do aluno, fazendo com que se tornem mais curiosos e principalmente criativos. Cabe ao professor usar ferramentas que contribuam para uma re-significação da prática pedagógica na compreensão dos conteúdos e na construção da aprendizagem.

O método ludopedagógico pode ser utilizado em todos os níveis de ensino provocando um aproveitamento bem maior no ensino oferecido. As brincadeiras e jogos educativos através de atividades criativas e dinâmicas estimulam o aprendizado e proporcionam emoção e entusiasmo no aluno, fazendo com que o aluno aprenda de forma espontânea, criativa, enriquecendo o saber no mundo qual o rodeia e o cobra hora após hora.

Sendo assim, a ludopedagogia oferece a magia de ensinar, aprender brincando, além de oferecer ao aluno uma proximidade da realidade qual esta inserida, livrando os alunos das aulas conturbadas que distanciam cada vez mais do conhecimento e consequentemente da escola.

Os alunos devem aprender de forma prazerosa no processo ensino e aprendizagem, e para isso apresenta-se a ludopedagogia como uma arte de brincar e ao mesmo tempo ensinar, diferenciando das aulas tradicionais expositivas, monótonas e improdutivas. O aluno precisa ser estimulado com a criatividade do educador como mediador do conhecimento.

4. O ENSINO DA FLAUTA DOCE NO CONTEXTO ESCOLAR

A realização dessa pesquisa constitui-se na busca por descobrir a realidade sobre o tema proposto pelo pesquisador no seu campo de estudo por meio de confrontação dos dados com as demais informações. Isso dar-se pela busca de conhecimento mais aprofundada sobre a temática estudada.

Nesse estudo, o pesquisador direciona a sua atividade de pesquisa na busca da resposta à sua questão nascida da inquietação vivenciada no campo acadêmico e em sua experiência profissional, enquanto educador que, se manifesta como conhecer a compreensão que as professoras dos Anos iniciais têm do trabalho com a flauta doce como elemento mediador da aprendizagem e como essas concepções são aplicadas no espaço escolar em que atua.

Nesse capítulo pretende-se investigar as metodologias utilizadas no ensino de Flauta doce na Escola Juvenal Pereira Façanha e como as educadoras compreendem as práticas pedagógicas de educação musical utilizada e as atividades propostas para o desenvolvimento no instrumento.

4.1. Local da pesquisa

Para a realização desse trabalho optou-se por utilizar além da pesquisa bibliográfica, a pesquisa semiestruturada com os professores e também a observação não participante das aulas de flauta doce na Escola Municipal de Ensino Fundamental Juvenal Pereira Façanha, em uma turma do 1º e outra de 2º ano. É uma escola que vêm tentando implantar um trabalho com o ensino especializado em música, no intuito de contribuir para a formação musical e social de suas crianças.

4.2. Estudo de caso

Nesse estudo optou-se por um estudo de caso no contexto de uma escola onde se pretende investigar a contribuição do ensino da flauta doce no processo de ensino-aprendizagem dos alunos nos Anos iniciais.

Segundo André (2005), o principal propósito do estudo de caso é “realçar as características e atributos da vida social”. Esse tipo de pesquisa vem sendo utilizado há muito tempo em algumas áreas do conhecimento e sua origem se dá na sociologia e antropologia.

De acordo com Yan (2001), o estudo de caso se caracteriza também como um elemento de investigação para se preservar as características holísticas e significativas dos eventos da vida real. Essa pesquisa explora o que acontece em um determinado ambiente mantendo a veracidade dos fatos sem influenciar o resultado e as conclusões da pesquisa.

É importante ressaltar que os pesquisadores precisam ter cuidado no desenvolvimento de um estudo de caso, pois requer um estudo minucioso e de um objeto. Segundo Gil (2008), esse tipo de pesquisa objetiva o conhecimento amplo e detalhado de um determinado caso, realidade ou contexto.

O mesmo autor ainda afirma que o estudo de caso é um estudo empírico que investiga um fenômeno atual dentro do seu contexto de realidade. Assim, o presente estudo de caso busca entender os fenômenos que fazem parte do processo de ensino-aprendizagem dos alunos dos Anos Iniciais através do aprendizado da flauta doce.

4.3.  Público alvo: Professores

As professoras entrevistadas são titulares das turmas de primeiro e segundo anos do Ensino Fundamental I da Escola Juvenal Pereira Façanha do município de Aquiraz. A professora do primeiro ano leciona há 08 anos nas séries iniciais dessa modalidade de ensino e a professora do segundo ano atuam há quase 15 anos na área de alfabetização.

As professoras serão questionadas sobre a implantação da Educação musical na escola através do Projeto Mais Educação no ano corrente. Serão tratadas por P1 e P2 para garantirmos o anonimato dos entrevistados.

4.4. Instrumentos de coleta de dados

Como instrumento de coleta de dados utilizou-se a observação-não participante, onde é possível acompanhar as aulas em contextos distintos, comportamento dos alunos durante as aulas de flauta doce, a forma como o professor ministra as aulas e as estratégias adotadas pelo professor para lhe passar o conhecimento musical e contribuir com o processo de ensino.

Esse tipo de pesquisa configura-se como uma observação em que o pesquisador se familiariza com a realidade, tem o contato com a mesma, presenciando o que acontece em relação às práticas socioeducativas no ambiente. Segundo Lakatos (2003), o investigador torna-se uma espécie de espectador, mas que não tem envolvimento direto.

O intuito da estratégia de observação-participante é de investigar se os dois momentos distintos se relacionam, quero dizer se o ensino da flauta doce tem contribuído para o melhor aprendizado dos alunos, isso diretamente implica saber se o professor do instrumento faz uso dela ou não e por que.

O outro tipo de instrumento que será utilizado nesse trabalho é a entrevista semiestruturada. A entrevista semiestruturada é uma conversa entre o investigador e o investigado e que possibilita conhecer o contexto de cada indivíduo participante de um caso.

É através da entrevista que o investigador se apropria da sua realidade, da situação atual em que os participantes estão, e é através dela que podemos detectar algo que esteja implícito e que possa ser esclarecido no decorrer da pesquisa. Segundo Del Ben (2001), a entrevista semiestruturada surge a partir de indagações que afloram na cabeça do entrevistador e que permite obter informações relevantes sobre determinado assunto ou tema.

De acordo com Del Ben (2001), esse tipo de entrevista permite que o pesquisador formule novas questões com o objetivo de buscar justificativas e de aprofundar qualitativamente as respostas do entrevistado. Essa é uma vantagem desse tipo de entrevista, o entrevistador não se prende ou segue à risca um determinado roteiro, dependendo do desenrolar da conversa, ele poderá construir ou levantar novos questionamentos.

4.5. Procedimentos Metodológicos

Nos relatos das professoras que atuam na escola de Ensino Fundamental Raul Tavares Cavalcante, destaca-se o caráter homogeneizador e disciplinador da música, do trabalho realizado com a flauta doce e sua contribuição para o processo de aprendizagem dos alunos e também para o bom funcionamento das aulas.

No que diz respeito aos efeitos das aulas de flauta doce na concentração dos alunos, a P1 afirmou que desenvolveu muito, porque os alunos eram muito agitados. A P2 apontou que o trabalho com a flauta doce, no final dava aquele relaxamento, funciona como uma terapia mesmo.

Com relação à implicância do ensino da flauta doce na disciplina dos alunos, a P1 esclarece que o trabalho obteve uma finalidade disciplinadora na escola, pois os alunos passaram a ficarem mais tranquilos na hora do recreio. Já a P2 não atribui ao ensino da flauta doce, a minimização das de indisciplina na escola, pois foge da visão da formação da personalidade do indivíduo.

Sobre o trabalho da flauta doce aliado ao trabalho em sala de aula, a P1 apontou que as aulas de flautas foram trabalhadas de acordo com as festividades e eventos da escola. A P2 também afirmou o quanto o trabalho com a flauta doce realizado a partir das datas comemorativas que fazem parte do calendário da escola foi expressivo para a sala de aula.

Com relação à contribuição do ensino da flauta doce no processo de aprendizagem dos alunos, a P1 relatou que esse trabalho funciona como um equilíbrio e promove mais disposição dos alunos e o desenvolvimento das potencialidades acontece no “alfabetizar, cantando”. A P2 apresenta uma linha de percepção no sentido de que as aulas de flauta doce desenvolvem muito mais rápidas o raciocínio e aprende com mais facilidade.

No que diz respeito à ligação das aulas de flauta doce como recurso importante no ensino de todas as disciplinas, a P1 afirmou que os alunos passaram a captar as informações com mais afinco e que a aprendizagem deles é bem mais significativa. AP2 apontou que as aulas de flauta doce ajudaram nas aulas em português, de matemática, de ciências e no processo de alfabetização como um todo.

Sobre a implantação de um processo contínuo de interação entre a educação musical e os Anos Iniciais, a P1 pensa que a vivência da música apreensão da linguagem musical é fundamental no processo de alfabetização. A P2 acredita que esse trabalho favorece o contato com as formas simbólicas de codificação/decodificação e a estruturação de conhecimentos.

Com relação à importância da flauta doce para aprendizagem musical dos alunos, a P1 descreve a flauta doce como um instrumento facilitador na compreensão prática e teórica das atividades musicais. A P2 apontou que a flauta doce melhora o raciocínio e ajuda na convivência com as pessoas.

No que diz respeito a principal mudança observada na turma com as aulas de flauta doce, a P1 revelou que o comportamento dos alunos que exprimia timidez quando da exigência dela para que o aluno apresentasse alguns estudos, essa prática foi transformada. A P2 relatou sobre os alunos que apresentavam alguma dificuldade, com o novo aprendizado, conseguiram alcançar êxito em todas as aulas.

Como indagadas sobre a opinião dos pais a respeito da participação de seus filhos nas aulas de flauta doce, a P1 afirmou que os mesmos acreditam que os filhos passaram a se sentir mais valorizado por saber fazer algo que até então era desconhecido por eles. A P2 apontou que os pais de seus alunos revelaram que o projeto de aulas de flauta doce tem feito com que as crianças queiram aprender a tocar outros instrumentos musicais.

Sobre as mudanças na relação professor-aluno, a P1 relatou que após as aulas de flauta doce, a vontade dos alunos de estarem na escola, estudar e realizar atividades ficou mais incentivada, melhorando assim a convivência com os colegas e co ela. A P2 esclareceu que os alunos passaram a desenvolver muito mais o sentido de valorização de si mesmo, dos colegas e professora na escola, o que fez aumentar o rendimento escolar.

O ensino de flauta doce para crianças dos Anos Iniciais na Escola Juvenal Pereira Façanha em Aquiraz – CE foi realizado com a finalidade de implantar um projeto de iniciação musical. Depois de musicalizados, estes alunos serão estimulados a participarem de apresentações nas comemorações da escola, e posteriormente fazer parte do primeiro coral da instituição.

Nas respostas das professoras das turmas pesquisadas, percebe-se o quanto o projeto de aulas de flauta doce contribuiu para a mudança de perfil dos alunos tímidos que mostraram um comportamento diferente, mais natural. Também no que diz respeito à mudança de comportamento transformado com a oportunidade de aprender e compartilhar o seu aprendizado com outros.

Nas observações das aulas de flauta doce, observou-se que o professor se mostrou ao longo do projeto, como um agente capaz de conduzir os alunos ao conhecimento musical, fazendo com que ambos pudessem produzir música de forma espontânea, sempre procurando potencializar o seu aprendizado.

Considerando a perspectiva das professoras de que a utilização desse instrumento foi muito importante nesta fase de aprendizado das crianças, observou-se que se fez necessário um planejamento com destaque para as dificuldades dos alunos na sala de aula.

Tanto nas observações como nos relatos das professoras, verifica-se que as crianças integrantes do projeto, dedicavam-se com muito afinco às aulas de flauta doce e a partir daí pôde-se comprovar a evolução psicossocial dessas após o contato com música.

Outro ponto importante observado nas aulas de flauta doce foi que a maioria dos alunos ainda não tinha mantido contato com música antes de integrarem o projeto. Portanto, esse contato foi baseado em atividades de prática musical, sendo este o diferencial trazido pelo projeto à instituição.

As professoras esclareceram sobre o entendimento dos pais a respeito da participação de seus filhos no projeto, evidenciando a valorização da música para o crescimento pessoal e a socialização. Nessa questão, a família se revela como uma grande aliada do projeto, comprovando o que foi observado durante o desenvolvimento das atividades.

O envolvimento das crianças nas aulas e também nas apresentações mostrou que foi a vontade própria que os levou ao contato com a música, e isso que nos leva ao entendimento de que a música é fundamental para a sociedade. Como afirma Ferreira (2010), que em qualquer parte do mundo, em todas as épocas, a música e o homem sempre viveram juntos.

A observação feita nas aulas de flauta doce demonstrou o nível de satisfação das crianças a cada melodia executada. Como revelado nas falas das professoras, sobre a atividade musical desenvolver estímulos de prazer e satisfação, o que ajudou no desenvolvimento psicológico dos participantes, despertando nelas um sentimento de felicidade.

Vale ressaltar também o sentimento das crianças com sua participação no projeto de ensino de flauta doce na escola, tanto no sentido de executar um instrumental durante as apresentações, assim como do desejo de ampliar os conhecimentos musicais e de ser relacionar com o grupo.

Ainda sobre as mudanças de comportamento dos alunos envolvidos no projeto, o contato com a música lhes proporcionou melhoras em suas vidas. Com efeito, além de despertar sentimentos de prazer, alimentar a autoestima, a prática musical viabiliza o contato social, tornando a inclusão mais eficaz, ajudando a superar quaisquer diferenças que possa existir.

Assim, a partir das respostas e observações, ficou evidenciado que com o estudo da flauta doce, os alunos passaram a apresentar um comportamento muito mais extrovertido, viabilizando a interação social e uma conduta mais equilibrada nas aulas e na aprendizagem dos conteúdos.

Observou-se, ainda, que alunos, pais e professoras perceberam que a implantação da música na escola é uma importante ferramenta de integração. Assim, outro aspecto positivo constatado durante os trabalhos (observação e entrevista) foi o senso de responsabilidade, na medida em que as crianças do projeto demonstraram estar conscientes de sua responsabilidade e papel diante das atividades as quais eram submetidas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao concluir essa pesquisa, é de extrema relevância enfatizar o ensino da música usando a flauta doce como instrumento para auxiliar no processo de aprendizagem do aluno. Hoje vejo a importância da experiência, da prática em sala de aula, pois, a cada dia que passa a sociedade exige cada vez mais de nós professores em busca de uma educação de qualidade.

A obrigatoriedade do ensino da música exige novos olhares como um recurso educativo que possibilita ao docente trabalhar de forma interdisciplinar, estimulando o desenvolvimento dos alunos e a aprendizagem de conceitos. Dessa forma, o resultado desse trabalho partiu das experiências vivenciadas para a pesquisa “O trabalho com a flauta doce através da ludopedagogia como mediador do processo de aprendizagem nos Anos Iniciais”.

O trabalho com a flauta doce mobilizou diversas habilidades junto aos integrantes, no desenvolvimento da criatividade, da formação integral humana, da qualidade de vida de crianças e das famílias envolvidas. A prática através da flauta leva os alunos a vivenciarem a música de uma forma mais ampla.

Os resultados satisfatórios do ensino desse instrumento tiveram um grande avanço no desenvolvimento da qualidade da educação das crianças que dele participaram. Como afirma Pedrini (2010), utilizar a flauta doce como uma possibilidade de abrir caminhos de exploração e criação, valorizando as preferências musicais dos alunos, sem deixar de ampliá-las.

A vivência com a flauta doce proporciona aos alunos desenvolver mais atenção, concentração, assim como a socialização no ambiente escolar. Sua prática alcança um grande número de alunos por se tratar de um instrumento dentre os recursos mais acessíveis pelo baixo custo e a simples manutenção.

A utilização da flauta doce mostra-se como um recurso educacional que tem a sua importância. Através deste ensino o aluno tem a possibilidade de vivenciar a música, trazendo, com efeito, um crescimento de suas emoções, sua socialização e uma melhor compreensão das coisas do mundo.

Pode-se concluir que um equívoco histórico, ainda afeta a qualidade de ensino da flauta doce em todo mundo, aliado ao descaso de fabricantes despreocupados com o valor artístico e didático da flauta que continuam a reeditar novos modelos, frágeis não só por seu dedilhado incomum, mas como também pela baixa qualidade no material usado em seu fabrico.

Isso se nos comprovam diversos modelos que muito se assemelham a brinquedos de criança e que podem ser facilmente adquiridos em papelarias. A flauta doce talvez seja o instrumento de iniciação musical mais adequado em se tratando de prática instrumental. Podemos trabalhar melodia, ritmo, leitura musical, criatividade, formação de grupos, motricidade fina, prazer e beleza.

Dessa forma, o ensino da flauta doce constituiu muitos aprendizados e contribuiu para a formação pessoal das crianças, pensamentos, sentimentos e ações. Esse processo tão dinâmico envolveu um novo jeito de pensar o ensino e ao mesmo tempo promoveu uma reflexão sobre a docência.

A presente pesquisa permitiu a compreensão de que no processo do ensino de flauta doce, o cotidiano pode ser transformado e reconstruído a partir de novas vivências, assim como o seu próprio pensamento, as suas formas de pensar e as suas ações em sala de aula.

Em suma, as leituras e observação durante a pesquisa, constata-se que o ensino da flauta doce no Ensino Fundamental é relevante, pois permite a criança diferenciar a linguagem musical, conhecer um novo instrumento, assim como melhorar a aprendizagem e convivência na escola.

REFERÊNCIAS

AUGUSTIN, Kristina. Um olhar sobre a música antiga: 50 anos de história no Brasil. Rio de Janeiro: K. Augustin, 1999.

BEINEKE, Viviane. A educação musical e a aula de instrumento: uma visão crítica sobre o ensino da flauta doce. Santa Maria. 1997.

CARNEIRO, Robson A. O. Ludopedagogia: a arte de ensinar. 2007.Disponível em: http://meuartigo.brasilescola.com/pedagogia/ludopedagogia.htm.Acesso em 15/05/2017.

CHATEAU, Jean. O jogo e a criança. Tradução de Guido de Almeida. São Paulo: Summus, 1987.

DOHME, Vânia A. (2003). Atividades lúdicas na educação: O caminho de tijolos amarelos do aprendizado. Dissertação de Mestrado. São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie.

HUNT, Edgar. The recorder and its music. London: Ernst Eulenburg, 1977.

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação.São Paulo: Cortez, 2000.

____________________________. Jogos infantis: o jogo, a criança e a educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

LANDER, Nicholas S. A história da flauta doce. 2000. Traduzido por Romero Damião. Disponível em: www.artemídia.ufcg.edu.br/flauta doce/história.html Acesso em 25/06/2017.

LIRA, Ilma. Rumo a um novo papel da flauta doce na educação musical brasileira. Dissertação de Mestrado apresentada no Departamento de Música da Universidade de York, Inglaterra, 1984.

LOUREIRO, Alicia Maria Almeida. O Ensino de Música na Escola Fundamental. Campinas: Papirus, 2003.

NOVAES, J.C. Brincando de Roda: Rio de Janeiro: Agir, 1992.

QUEIROZ, Marta Maria Azevedo. Educação infantil e ludicidade. Teresina: Edufpi, 2009.

SANTOS, C. P. Musicalização de crianças e adolescentes: um projeto educativo de transformação social, 2006. Dissertação (Mestrado) – Máster of Arts in Music, Campbellsville University, Campbellsville/Recife.

SOBRAL, Alissandra S. S. et al A Ludopedagogia como Instrumento Pedagógico: o papel do professor nesse contexto. Sergipe: 2011. Disponível em: http://www.educonufs.com.br/vcoloquio/cdcoloquio/cdroom. Acesso em 11/05/2017.

VILANI, Henrique P. V. et al. Atenção e Concentração no Tênis de Mesa: síntese e recomendações para o treinamento. 2002. Disponível em: http://cbtmweb.winexam.com.br/scripts/arquivos. Acessado em 10/05/2017.

Anexo

ROTEIRO DA ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA

Perguntas aplicadas aos professores de Flauta Doce.

1)Que efeitos tiveram as aulas de flauta doce na atenção e concentração dos alunos em sala de aula?

2) O ensino da flauta doce colaborou com o problema de indisciplina na escola?

3) O trabalho com a  flauta doce aconteceu aliado ao trabalho realizado pela da professora em sala de aula?

4) O trabalho com a flauta doce contribuiu com o processo de aprendizagem dos alunos?

5) As aulas de flauta doce funcionam como um recurso importante no ensino de todas as disciplinas?

6) Como você vê obre a implantação de um processo contínuo de interação entre a educação musical e os Anos Iniciais?

7) Você poderia descrever a importância da flauta doce para a aprendizagem musical de seus alunos?

8) Qual a principal mudança observada na turma com as aulas de flauta doce?

9) Como os pais veem a participação de seus filhos nas aulas de flauta doce?

10) O que mudou na relação professor-aluno depois das aulas de flauta doce?

[1] Mestrando em Educação pela Universidade Anne Sullivan- Conclusão de Defesa de Tese; Especializado em Ensino de História e Geografia pela Faculdade Stella Maris no ano de 2015; Especializado em Psicopedagogia Clinica Institucional pela Universidade Vale do Acaraú em 2014; Graduado- Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Vale do Acaraú no ano de 2012

[2] Licenciatura em Música na Universidade Estadual do Ceará (UECE)

Mestrando em Educação pela Universidade Anne Sullivan- Conclusão de Defesa de Tese; Especializado em Ensino de História e Geografia pela Faculdade Stella Maris; Especializado em Psicopedagogia Clinica Institucional pela Universidade Vale do Acaraú; Graduado- Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Vale do Acaraú.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here